Forum Social Mundial: a necessidade de superar o unilateralismo
23/01/2012
Por Emir Sader
Para que o FSM se integre na construção do outro mundo possível
Onze anos depois da sua primeira versão, o Forum Social Mundial volta a seu berço, Porto Alegre. Volta como Forum Social Temático, mas com todas as possibilidades de que daqui a um ano possa voltar a abrigar o Forum Social Mundial.
O mundo mudou desde então – e como? A avaliação do FSM não deve ser feita a partir de si mesma, mas da capacidade de responder aos desafios que as transformações do mundo impõem desde seu início.
O FSM foi organizado como reflexo das lutas de resistência ao neoliberalismo, que teve na década de 90 seu auge. Constituiu-se inicialmente no grande espaço que reunia a todos os que se opunham ao neoliberalismo, sob o lema da construção do “Outro mundo possível”. Porém, não soube transformar-se para se adequar aos novos tempos – tempos de construção de alternativas ao neoliberalismo e tempos de guerras imperiais.
A aparição do FSM já se deu entre a eleição do primeiro governo antineoliberal na America Latina – o de Hugo Chavez, em 1998 – e os atentados nos EUA – no mesmo ano de 2001. Esses dois acontecimentos, que poderiam ampliar a ação do FSM, acabaram definindo seus limites e revelando como o engessamento inicial imposto pelas ONGs que até hoje tem hegemonia no FSM, tenham sido fatais para os destinos do Forum.
A definição inicial de exclusão dos partidos significava também a exclusão da política, dos Estados, do imperialismo, entre outros temas da esfera da política. A eleição de Hugo Chavez apenas dava inicio à serie de presidentes latino-americanos na mesma onda posneoliberal – o fenômeno mais importante da América Latina na década passada, assim como para a construção do “Outro mundo possível”, dado que no continente estão todos os governos que pretendem superar o modelo neoliberal.
Desconhecer essa virada foi fatal para o FSM, que se isolou diante dos mais importantes acontecimentos da década. Foi convocador fundamental das gigantescas manifestações contra a intervenção militar no Iraque, mas não fez balanço delas e menos ainda deu continuidade a elas, até porque temas como imperialismo guerra, etc.. estão inevitavelmente na órbita de Estados, da politica, em que o FSM se autolimitou para intervir.
Teve a presença de presidentes como Chavez, Lula, Evo, Lugo, Rafael Correa – mas os manteve em atividades paralelas, marginais. O FSM, sempre sob controle de ONGs, se automarginalizou assim dos processos reais para os quais tinha nascido.
De que forma é possível regulamentar a circulação do capital financeiro, sem Estado e governo? Como é possível garantir direitos que o neoliberalismo tinha expropriado, senão através de Estados e de governos? Como é possível superar o Estado mínimo do neoliberalismo, sem Estados e governos? Em suma, o formato a que o FSM se condenou no começo, o levou ao engessamento e à incapacidade de acompanhar a evolução da luta pela superação do neoliberalismo. Para as ONGs pode ser bom que que o FSM seja apenas um lugar de troca de experiências, mas isso fez com que já exista uma nova geração de jovens – os indignados na Europa, os Ocupas nos EUA, na Inglaterra, os pinguins no Chile, os rebelados no mundo árabe – que nem sabe da existência do FSM.
O FSM hoje deveria ser um espaço para que os governos progressistas latino-americanos discutissem com os movimentos sociais dos diferentes países os problemas que tem enfrentado com óticas distintas, seja na Bolívia, no Equador, no Brasil, na Venezuela, no Uruguai, no Paraguai, para dar alguns exemplos. Mas para isso o FSM teria que mudar seu formato, incorporar todas as forças que estão construindo alternativas ao neoliberalismo e mudar a composição das suas direções, deixando para as ONGs um papel secundário e entregando para os movimentos sociais o protagonismo essencial.
Isto pode fazer com que o FSM ganhe, a partir do próximo ano, em Porto Alegre, o lugar que perdeu ao longo do tempo e possa ser o espaço contemporâneo de construção do outro mundo possível.
Postado por Emir Sader às 16:21
Sobre um dia mal-amanhecido…
Hoje, o mundo me acordou triste e feio. Olhei em volta e, pelo vão da janela, enxerguei apenas escuro e solidão. E, de tristeza em tristeza, lembrei Manoel Bandeira:
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Desculpem a melancolia, amigos…
O que é SOPA e PIPA?
Ótimo vídeo e esclarecedor de dúvidas, confira:
A Vênus decadente…ou a sociedade emporcalhada?
16 Jan
Via tijolaço.com.br
BBB, de barbárie, baixaria e boçalidade
Será um crime mais grave do que aquele que pode ter ocorrido se a polícia e o Ministério Público abafarem esta insólita situação criada no tal “Big Brother Brasil”.
Um país que tem a lei Maria da Penha não pode aceitar que um ato de violência – e a expulsão de um dos participantes deixa claro que a TV Globo, com o imenso arsenal de câmaras instalada na “prisão” onde encarcera pessoas que, em busca de dinheiro e fama, submetem-se a isso, tem elementos para considerar que houve uma transgressão sexual ali.
Transgressão que a Globo insufla, estimula e procura.
Nada a ver com liberdade de orientação sexual ou com a dignidade pessoal dos participantes, que merecem respeito como seres humanos, ao contrário do que, a esta altura, fica claro que a emissora não lhes tem.
Ao eliminar o participante acusado de estupro, a Globo assume que algo grave ocorreu.
Com pessoas que estão sob sua tutela e que por ela são induzidas, inclusive pela bebida – que não cai do céu – a comportamentos e exposições íntimas.
A menos que encontre um juiz acoelhado diante da Globo, a defesa do rapaz acusado apelará com sucesso às circunstâncias em que tudo transcorreu, à embriaguez promovida pela produção do programa, às circunstâncias de oferecer aposentos comuns, enfim, a tudo o que possa servir de atenuante – embora não como razão para o abuso – para a suposta violência sexual.
Não é lícito supor que aquelas pessoas, monitoradas todo o tempo por câmeras, estejam fora da vigilância do verdadeiro “Big Brother”, aquele que tudo vê e controla.
Mas o pior é se nada de abusivo entre os participantes do programa aconteceu, o que não se pode descartar. Porque o abuso aí é de outra ordem.
É toda a sociedade brasileira, sobretudo os mais jovens, sendo submetida à ideia de que o sexo não-consentido é um elemento de ganho material, via marketing.
Há uma inegável indução – que, repito, não exime a culpa individual – a tudo isso.
E o motivo é dinheiro.
Livre pensando juntos…
Para a minha surpresa, detectei um relatório da WordPress.com. sobre os blogues por ele abrigados, relativo a 2011. Considerei interessante, no que concerne ao nosso blogue livre pensar, as informações nele contidas e não resisti à tentação de compartilhá-las com vocês.
Tive surpresas agradáveis, como saber que tivemos acessos de muitos países. Agora entendo porque recebia tantos comentários spam em inglês: baixando o cacete como faço em relação ao imperialismo ianque, virei foco da galera revoltada (rsss). De qualquer forma, senti-me feliz por ter ultrapassado mais um ano de vida do blogue e de poder compartilhar com vocês, nossos parceiros reais neste mundo virtual, a análise do nosso desempenho em 2011. Que 2012 seja melhor ainda…
Leiam abaixo…
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Este relatório é público
Para começar o novo ano, queremos partilhar consigo os dados da actividade do seu blog em 2011. Pode começar a ler!
Os números
O Museu do Louvre, em Paris, é visitado todos os anos por 8.5 milhões de pessoas. Este blog foi visitado cerca de 110.000 vezes em 2011. Se fosse o Louvre, eram precisos 5 dias para todas essas pessoas o visitarem.
Em 2011 foram publicados 368 novos artigos, aumentando o arquivo total para 1.364 artigos. Foram carregadas 93 imagens, ocupando um total de 13mb. É cerca de 2 imagens por semana.
O dia com mais tráfego foi 27 de novembro, com 779 visitas. O artigo mais popular nesse dia foi Salve, Timão!!!.
Artigos mais acessados em 2011:
Copa do Mundo de 2014: os estádios estão bem nas fotos!
Dengue: que tal a beleza para combater o mosquito? (1/2)
Bicarbonato de sódio, alcalinização e a saúde humana
Violência doméstica…Contra os homens!
Cristãos x Muçulmanos: as Guerras Santas, Cruzadas e Jihad’s continuam!
Como o encontraram?
Os sites que mais o mencionaram em 2011 foram:
Alguns visitantes vieram à procura, sobretudo por corinthians, bicarbonato de sodium, desespero, lula, e crotalaria dengue
De onde vieram?
South America
- 99,6% Brazil
- 0,1% Argentina
- 0,1% Paraguay
- 0,1% Bolivia
- 0,0% Colombia
Europa
- 85,2% Portugal
- 2,9% The United Kingdom
- 1,8% Italy
- 1,7% Iceland
- 1,6% France
North America
- 76,3% The United States
- 11,7% Mexico
- 7,9% Canada
- 1,5% Costa Rica
- 0,6% Guatemala
África
- 59,3% Angola
- 24,5% Mozambique
- 8,8% Cape Verde
- 3,4% Namibia
- 1,5% Nigeria
Ásia
- 51,9% Japan
- 9,1% Hong Kong
- 7,8% Indonesia
- 6,5% Qatar
- 5,2% Saudi Arabia
Oceania
- 80,0% Australia
- 20,0% New Zealand
Países de topo: Brazil, Portugal, e The United States
Quem foram?
O seu artigo mais comentado em 2011 foi Não estou só no mundo das idéias e ideais…
Os 5 comentadores mais ativos:
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Talvez queira segui-los ou enviar-lhes um agradecimento?
Atrações em 2011
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- 5 Dengue: que tal a beleza para combater o mosquito? 33 comentários março 2010
Alguns dos seus artigos mais populares foram escritos antes de 2011. A sua escrita tem influência! Considere escrever mais sobre esses tópicos.





