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Para não desligar os neurônios

Castanha made in caboclos…

É sempre bom saber-se que, em alguma parte desta nossa maltratada Amazônia, alguma iniciativa produtiva sustentável está sendo tentada. Apesar dos inúmeros fracassos e enganações que se tem visto por aí, sempre acredito que muitas podem dar certo. Este Arranjo Produtivo Local – APL, pode ser um dos acertos, pelo cuidado com a infraestrutura e o apoio técnico-financeiro, em um Estado que vem se destacando neste tipo de iniciativa. Com certeza, os intermediários da castanha devem estar xingando o Lula e acusando-o de investir em “índios preguiçosos” e “caboclos incompetentes”. Espero que as famílias do projeto decepcionem estes urubus oportunistas. Gostei e estou repassando:

PNUD/Divulgação
Conheça o projeto
Promoção de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade nas Florestas de Fronteira do Noroeste do Mato Grosso

OSMAR SOARES DE CAMPOS
da PrimaPagina

Em vez de passar a atravessadores, indígenas e agricultores do Mato Grosso poderão processar a castanha-do-Brasil, vendendo-a mais caro.

A inauguração de uma espécie de fábrica para descascamento e embalagem de castanhas-do-Brasil deve elevar em 40% a renda de cerca de 2.200 índios e pequenos agricultores no noroeste de Mato Grosso e ajudar a recuperar a região — que abriga um dos últimos remanescentes da floresta amazônica no Estado. A instalação dos equipamentos, patrocinada pelo governo federal, pretende auxiliar os trabalhadores a obter maior valor com as cerca de 300 toneladas da semente que recolhem anualmente, além de eliminar os atravessadores — que compram o produto a preços baixos para depois vendê-los em grandes centros com margem de lucro que pode ultrapassar os 1.000%.

A inauguração da Unidade de Beneficiamento de castanha-do-Brasil será às 14h desta quinta-feira (01/05), no Assentamento Vale do Amanhecer, em Juruena — município a 950 km de Cuiabá. Com 300 metros quadrados, a fábrica custou R$ 112 mil, pagos pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), que o fez em troca de apoio a um projeto de recuperação de áreas degradadas.

A unidade conta com maquinários como secador rotativo, caldeirão de pressão para soltar a amêndoa e facilitar a quebragem, máquinas para descascar a castanha, e um forno, para tirar a umidade. Após esse processo, a castanha-do-Brasil, também conhecida como castanha do Pará, é embalada a vácuo, para poder ficar armazenada mais tempo. A capacidade de processamento da unidade é de 50 toneladas por mês.

A fábrica, administrada por uma cooperativa da região, vai comprar a castanha dos índios e dos agricultores por um preço mais próximo do de mercado — os recursos virão de um empréstimo da CONAB (Companhia Nacional do Abastecimento). A expectativa dos organizadores é que a iniciativa ofereça um incremento, em um primeiro momento, de 40% na renda das 500 famílias de trabalhadores que, nos cinco primeiros meses do ano, recolhem essas sementes nativas da região.

Essas famílias fazem parte do Programa Integrado da Castanha — parte de um projeto maior, patrocinado pelo GEF (Fundo Global para o Meio Ambiente) e administrado PNUD. O programa teve inicio em 2003, em terras de proteção indígenas.

“Nós capacitamos os índios para que eles melhorassem a qualidade da castanha-do-Brasil recolhida, para que não fossem atacadas por fungos”, afirma o coordenador do componente de Sistemas Agroflorestais do projeto, Paulo Nunes. “Assim, as sementes poderiam ser armazenadas por mais tempo até surgir um comprador que oferecesse um preço justo, para eles não terem que entregar ao primeiro atravessador que aparecesse.”

Com a capacitação no processo de coleta, secagem e armazenamento, o preço da castanha-do-Brasil com casca aumentou gradativamente, de R$ 0,30 a R$ 0,40 o quilo para algo entre R$ 1,40 e R$ 2,10 no ano passado. “Com todos esses resultados aparecendo, houve interesse de outras comunidades, etnias e dos agricultores familiares, que não participavam desse trabalho, mas passaram a se interessar”, conta Nunes.

Com a criação da Unidade de Beneficiamento de castanha-do-Brasil, Nunes crê que, em vez dos cerca de R$ 600 mil por ano (preço estimado pelas 300 toneladas da semente com casca), os trabalhadores passarão a receber R$ 1 milhão. Esse valor é referente ao que a fábrica pode obter, num primeiro momento, pelas 100 toneladas anuais de amêndoa descascada. “Assim que a fábrica se estruturar, tiver um estoque, capital de giro, ela deve entrar nos grandes supermercados, e o preço deve aumentar duas ou três vezes”, prevê. “De R$ 10 o quilo da castanha descascada, nós acreditamos que o valor pode chegar a mais de R$ 30. Elas chegam a ser vendidas por R$ 50 o quilo.”

O Programa Integrado da Castanha integra um trabalho maior, o Promoção de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade nas Florestas de Fronteira do Noroeste do Mato Grosso, apelidado de GEF-Noroeste, administrado pelo PNUD e apoiado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado. Ele é responsável pela proteção ambiental de uma área de 11 milhões de hectares, que abrange sete municípios da região.

http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=2937&lay=mam

Quarta-feira, 7 Maio, 2008 - Publicado por Henrique Miranda | Comentário, Repassando... | , , , , , | 11 Comentários

11 Comentários »

  1. senhores
    quero saber se voces vendem caixa 20kg embalada a vacuo e gostaria de saber pois uso cerca de 100kg por mes em porto alegre.
    mandem valores dos produtos.
    hoje compro em sao paulo dos atacadistas.
    grato
    werner

    Comentário por werner soares | Terça-feira, 24 Junho, 2008

  2. Senhores

    Gostaria de saber se vocês têm máquinas de descascar castanha-do-Brasil, para venda.

    Muito grato.

    Cohen Manaus/Am.

    Comentário por Adailzo Cohen | Domingo, 29 Junho, 2008

  3. Deus lhes de bons adeministradores, aqui no acre tem muitas coperetivas que ja estao inadipletes e nao terao verbas para compra a castanha ,quero saber se comprarao de outras regeoes e qual previsao de presço por lata. Nao sou partidario sou um amante da naturesa e das pessoas que vivem nos seringais, que podemos dizer sao extrativistas e estes nao destroi nas sao os mais pesequidos e injustisados.Deus os abensoes em nome de Jesus Cristo amei.

    Comentário por Daniel | Sábado, 29 Novembro, 2008

  4. Prezado Daniel,
    Este é o grande problema brasileiro dos pequenos empreendedores das cidades, dos campos e das florestas: falhas de gestão. Não só aí no Acre este fenômeno ocorre, é geral. A imensa maioria das cooperativas faliram ou se encontram em inadimplência, pois são mal administradas. Nesta má administração temos falhas externas (das instituições que deveriam orientar e assessorar adequadamente os pequenos produtores)e a corrupção,câncer da cultura nacional e que infelizmente está entranhada na maioria das pessoas,principalmente nos técnicos e dirigentes que dominam as administrações.
    Lamentavelmente, quase nada se pode fazer em termos imediatos, pois comportamento humano muda muito lentamente, mesmo com orientações adequadas.
    De qualquer forma, sinto-me feliz por conhecer o seu coração “verde”, social e ambientalamente engajado. Apareça sempre. Um abraço fraterno.

    Comentário por Henrique Miranda | Sábado, 29 Novembro, 2008

  5. vc compra castanha quanto paga por kg

    Comentário por willian | Terça-feira, 27 Janeiro, 2009

  6. Gostaria muito de adquirir uma maquina de descascar castanha do Brasil, vocês podem me orientar como conseguir?Um abraço do Antonio.

    Comentário por Antonio Araujo Silva | Domingo, 1 Fevereiro, 2009

  7. Prezado Antonio,
    Lamentavelmente não posso ajudá-lo, pois não conheço esta área produtiva. Mas, provavelmente, clicando no Google e mandando buscar “máquina de descascar castanha”, lhe serão acessadas fontes informativas. Abraço fraterno.

    Comentário por Henrique Miranda | Domingo, 1 Fevereiro, 2009

  8. Conheço e até fabrico maquinas para descascar castanhas. me envie e-mail para contato.

    Comentário por Valdo | Segunda-feira, 9 Fevereiro, 2009

  9. escdiv@gmail.com

    Comentário por Valdo | Segunda-feira, 9 Fevereiro, 2009

  10. sou presidente de uma cooperativa do vali do jari oeste
    do pará, e sul do amapá, tenho 215 familia de extrativista e, trabal com castanha do papá e cacau nativo; nossa produçao de castanha sao de 12 até 15toneladas por safra.
    e de cacau gira em torno de 20mil kg.precisamos de passeiros entereçados em estar somando com nosco.
    espero seu retorno os nossa preço estar entre 80,00 e
    85,00 bruta……meus respeito
    ass: junior senna.

    Comentário por junior senna | Sexta-Feira, 24 Abril, 2009

  11. Caro Júnior.
    Conheço bem essas duas riquezas da região, pois há cerca de quatro anos fiz um diagnóstico participativo das comunidades tradicionais do Vale do Jari, onde o Cacau e a Castanha foram identificadas pelos pequenos moradores como uma riqueza a ser ampliada através de sistemas agroflorestais. Infelizmente a grande empresa que solicitou o estudo queria apenas fazer demagogia e nenhum projeto foi implementado. Essas coisas ainda acontecemm infelizmente.
    Como não sou da área de agronegócios, não tenho como ajudá-lo, mas aconselho que vc procure na Internet programas ou empresas ligadas ao mercado solidário. Mas cuidado! Tem muito pilantra por aí querendo dar golpe!
    Abraço e bons negócios para vcs.

    Comentário por Henrique Miranda | Sexta-Feira, 24 Abril, 2009


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