Liberté, Egalité, Fraternité pra quem?
Os cinismos ideológicos da raça humana, para mim, são incomensuráveis. As mesmas coisas e fatos, dependendo de onde ocorram ou da conjuntura política em que ocorram, recebem interpretações (ou silêncios) totalmente diferentes das mesmas pessoas, grupos, instituições e/ou governos nacionais.
Há cinco décadas a família Rosemberg foi condenada à morte nos EUA, por espionagem (por sinal muito pouco comprovada) e apesar do lúcido Jean-Paul Sartre gritar a sua indignação (“Vocês americanos são coletivamente responsáveis por esse assassinato, alguns por o terem patrocinado, outros por tê-lo consentido e vocês permitiram que a América se tornasse o berço de um novo fascismo”) poucos protestaram. Hoje, quando a China, Coréia do Norte ou o Irã prendem jornalistas por espionagem, é o fim do mundo.
Quando o “vagabundo beberrão” semeou masmorras hediondas para confinar e torturar árabes, em Guantanamo e no resto do mundo, a ONU e os países ocidentais se calaram, botaram o rabo entre as pernas ou apoiaram discretamente. Agora, com os protestos políticos no Irã, só se fala na repressão dos aiatolás, no sufoco da democracia! E onde está a democracia que o dito vagabundo alcóolatra ia implantar no Iraque? Isso é só pra dar uma idéia dos pesos e medidas ideológicos que são justificados cinicamente por argumentos inválidos e cínicos sobre a realidade.
E hoje, pra variar, vejo o presidente da França, hipocritamente e em nome da liberdade, igualdade e fraternidade francesa, abrir frente de batalha contra a burka usada pelos migrantes árabes. Se isso tivesse a ver com valores morais, ele deveria também proibir a nudez (o oposto da burka) e que inclusive sua ilustre esposa utilizou como forma de ascenção profissional (e que circula em fotos na Internet). Pergunto: até que ponto as mulheres árabes que moram na França querem deixar de usar o véu ou a burka? E se não querem deixar o hábito, qual o direito do governo em proibí-lo, deixando em aberto o direito à nudez que choca também inúmeras pessoas? Eles já proibiram o uso de véus ou quaisquer símbolos religiosos nas escolas da França. E aonde ficam os direitos individuais e coletivos das práticas de fé? Mulher do presidente pelada, mulheres e homens com roupas do tipo “donde estás que non te viejo” pooode! Mulheres e homens que não querem, por qualquer razão, exporem seus corpos, não pooode!
Isso me lembra uma piadinha histórica: quando no pós-revolução francesa, Napoleão invadiu parte da Itália, os italianos empobrecidos e dominados cochichavam pelos cantos: _ É. Liberté, Egalité, Fraternité… eles de carruagem e nós a pé!
Em verdade amigos, o que estes franceses pseudo-libertários querem é esmagar a cultura diferente que invadiu o seu país. E como os novos tempos dificultam o chauvinismo extremo, a cópia da solução final de Hitler, buscam tornar o mais difícil possível a vida destes migrantes, na esperança de que eles ou se submetam à lavagem cultural ou se mandem. O resto é enganação. Leiam a notícia abaixo e vomitem! Claro, com cuidado pra não sujar a burka ou o fio-dental…


3 de junho de 2009 | N° 16009
// TRADIÇÃO EM XEQUE
França abre guerra à burka
Sob a justificativa de que a burka “não é questão de religião, mas de servidão”, o presidente da França, Nicolas Sar- kozy, abriu ontem uma guerra contra a vestimenta muçulmana que cobre todo o corpo da mulher, escondendo inclusive o rosto.
Em um discurso no qual definiu a burka como “indumentária que não é bem-vinda na França”, Sarkozy invocou princípios tradicionais do seu país, famoso pela máxima “liberdade, igualdade e fraternidade”.
– A burka vai contra a ideia da República Francesa sobre a dignidade da mulher – disse ele.
A declaração de Sarkozy foi feita uma semana depois de o governo francês aceitar discutir uma lei proibindo o uso da burka no país. Ocorreu durante discurso solene no Palácio de Versalhes, dirigido ao parlamento do país, e reavivou uma polêmica sobre o véu islâmico, datada de 2004. Na época, em razão do véu, foi aprovada uma lei que proíbe o uso de qualquer símbolo religioso em locais públicos, especialmente em escolas.
A questão da burka provocou um debate entre os defensores das liberdades individuais e os que consideram que estas podem ser limitadas em nome da laicidade. A manifestação do presidente reflete também a preocupação na França com o crescimento da população muçulmana do país. Hoje, os muçulmanos são 5 milhões, cerca de 10% dos franceses.
A partir de um pedido de 60 parlamentares de diversos partidos e da aceitação manifestada por Sarkozy, uma comissão parlamentar deverá examinar a disseminação da burka na França e uma forma de evitar essa tendência. Referindo-se ao trabalho da comissão, o presidente disse que essa é a maneira correta de proceder.
– Tem de haver um debate. Que melhor lugar para isso do que o parlamento? Não temos de nos envergonhar dos nossos valores – afirmou.


Vou ser curto e direto.
Dizem que não se discute futebol, política e religião.
Nesse caso, a França está se metendo na religião dos outros.
E mexer com isso é mexer com vespeiro.
Além de ser totalmente desnecessário.
Um abraço!
Amigo Wendel, Vc colocou o dedo na ferida! É isso aí! Quem quer ser respeitado, respeita!
Abraço fraterno.