Voto de protesto: por aqui, já disfarçaram este direito nosso!


Os mais novos dos nossos leitores se lembram, no máximo, da marchinha de carnaval que foi feita para o famoso rinoceronte Cacareco, eleito por cerca de 100 mil votos de protesto como vereador da cidade de São Paulo, em 1958. E Cacareco tornou-se um dos mais famosos casos de voto nulo em massa da história da política brasileira, tendo sido o “candidato” mais votado do pleito (o partido mais votado não chegou a 95 mil votos).
No Rio, mesmo sem marchinha de Carnaval, o macaco Tião (diminutivo do padroeiro da cidade, São Sebastião) chimpanzé do zoológico carioca, em 1988 foi lançado “candidato” a prefeito da cidade pelos humoristas do Casseta e Planeta, ganhou mais de 400 mil votos e ficou em terceiro lugar, superando outros candidatos oficiais. Famoso, Tião morreu de diabetes aos 34 anos, e o prefeito carioca à época decretou luto oficial e bandeiras a meio-pau, no zoológico, durante oito dias.
Mas é claro que esta saudável farra democrática não podia durar, expondo à ironia pública essa horda política nacional de tão baixa qualidade. A partir do pleito de 1996 nós fomos impossibilitados de exercer este saudável instrumento democrático do protesto específico, já que em nome da eficiência eleitoral instituiu-se a urna eletrônica que joga todos os votos inválidos no lixão dos votos brancos e nulos. E sumiram os cacarecos e os tiãos da nossa rebeldia irônica. O máximo que conseguimos depois disso foi eleger os Enéias da vida, ou votar em candidato com o apelido de defunto e que usava como slogan de campanha: “Vote em Defunto, pois político bom nasce morto”.
Hoje, lendo a notícia que repasso abaixo, sobre o “candidato” canino das eleições mexicanas, lembrei-me dos nossos saudosos Cacareco e Tião. E que votar branco ou nulo já não tem o mesmo gostinho de vingança… Além do que ainda aparecem alguns calhordas eleitorais que anunciam que os votos nulos e brancos são creditados aos candidatos mais votados. Mentira! Desde a Lei 9.504, de 1977 (que alterou a Lei 4.737, de 1965), estes votos brancos e nulos não são considerados válidos para o cálculo do quociente eleitoral! Portanto, se quer protestar, vote inválido, apesar de não ter o mesmo gostinho de antigamente. É um direito nosso, em contraposição ao espúrio direito tácito que os maus políticos têm de nos achacar, roubar e permanecer impunes.
No ano passado, torci pelo Obama. Neste, vou torcer pelo Fidel, no México… Apesar dele ser um pittbul, que eu associo à ferocidade insana da atual oposição brasileira formada pelo PSDB e DEM, acho que essa raça de candidato canino é diferente dos seus correpondentes humanos.
Que tal uma correntezinha de fé política no Fidel mexicano?
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‘Fidel’, o cão, busca o voto dos mexicanos desiludidos com os políticos AFP – Sex, 03 Jul, 12h05CIDADE DO MÉXICO, México (AFP) – “Fidel”, um cão pitbull de um ano e meio, pêlo branco e com manchas cor de mel, vai tentar conquistar o voto dos decepcionados com a política mexicana nas eleições do próximo domingo com sua peculiar campanha na cidade de Guadalajara (oeste).
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