Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Sobre os terroristas políticos de plantão…

23 Feb
Via tijolaço.com.br

Torce, torce, e nem sai sangue…

No final dos anos 60, o programa radiofônico policial “A patrulha da  cidade” – teatralizado, de péssimo gosto e recheado de preconceitos  racistas – tinha um quadro onde um motorista de ônibus (da linha  Caxias-Mauá) comentava as matérias policiais dos jornais populares. E,  diante das maiores barbaridades, reclamava que eles eram muito “suaves”,  dizendo:

- O jornal de hoje a gente torce, torce, torce e nem sai sangue…

É  impressionante como – claro que com muito mais refinamento que o  caricato personagem do rádio – o jornalismo econômico brasileiro caminha  para do sensacionalismo negativista – inflação e recessão -  para um  muxôxo semelhante.

- Ah, mas o crescimento econômico vai ser baixo, o PIB não vai crescer…

Ora,  isso é de uma tolice sem par. Que o PIB, em 2011, ia expandir-se a uma  velocidade menor que o “boom” de 2010, até as pedras sabiam. Primeiro,  porque a base de comparação de 2010, o ano de 2009, era baixíssima, pois  o crescimento naquele ano fora zero (até um pouco abaixo de zero).  Segundo, porque a ameaça de recrudescimento da inflação – já percebida  no fim de 2010 – levou a uma elevação da taxa de juros que,  desgraçadamente, se potencializou com os reflexos da crise europeia.

Tanto é que o BC – “precipitação, politização”, apressaram-se a  gritar os comentaristas econômicos conservadores -  imediatamente  reverteu a curva da taxa de juros públicos.

Como qualquer pessoa de boa-fé poderia prever, o processo inflacionário  cedeu – e está cedendo, em ritmo mais acelerado até que o previsível –  porque não estava assentado no núcleo da economia, mas na ponta final:  basicamente no preço dos serviços. O outro fator altista, a elevação do  preço do petróleo, foi contido pela ação da Petrobras – e tome de  “revolta” com não haver elevação do preço dos combustíveis nas  refinarias.

O PIB brasileiro não apenas vai crescer num ritmo maior, este ano,  como  sequer, como se vê agora, baixou como o das principais economias do  mundo. Não é correto comparar o desempenho do Brasil ao de emergentes  como a China, porque senão teríamos de comparar as estruturas de  mercado, a exclusão e,no caso da China, o poder imenso de intervenção do  Estado nas estruturas econômicas. E isso, para o bem e para o mal, não é  paralelo ao que se passa aqui.

O problema da economia brasileira é a estrutura predatória que há  séculos. E que, no capitalismo cada vez mais preso à esfera financeira,  expressa-se hoje no tributo, uma espécie de “quinto” moderno,  que  representa nossa taxa de juros.

Ela é o centro de um processo perverso que impede o desenvolvimento  brasileiro, porque nos impede de uma visão estratégica, de um projeto,  em nome do qual se acumule e que produza identidade, porque sem projeto  comum não há identidade possível em qualquer grupamento humano.

Como o caricato motorista da “Patrulha da Cidade”, o olhar nacional da  dita “inteligência” nacional está preso nas pequenas desgraças do  dia-a-dia, com uma tentativa reiterada de ver a nova orientação que  tomou como algo que é preciso, torcer, torcer, torcer, para ver se ela  dessangra

quinta-feira, 23 fevereiro, 2012 - Publicado por | Repassando... | , , ,

Nenhum comentário ainda.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 60 other followers