Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Controle externo do Judiciário: pegadinha de Natal?

As posturas ética, moral e operacional do sistema público brasileiro seriam uma fonte inesgotável de risos, se suas estrepolias ilegais e seus truques de impunidade não fossem de fazer chorar qualquer cidadão com um mínimo de dignidade. E “eles” não perdoam sequer a época natalina! Hoje, noticiaram mais uma “preciosidade” jurídica destinada a entulhar o cemitério das boas intenções: os tribunais do país, obrigados s publicarem seus gastos na WEB, acessíveis a qualquer cidadão! Me belisca pra eu parar de rir, galera! Sinceramente… Quem ainda acredita em controle externo aqui no Brasil? Brincadeira, né? Ministro Gilmar Mendes, podia ter livrado a nossa esperança teimosa pelo menos nesse período, certo?

Leiam a notícia abaixo e depois peguem uma merendinha com panetone, pessoal…

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Terça-feira, 15 de dezembro de 2009, 19:45 | Online

CNJ determina que tribunais divulguem gastos na internet

MARIÂNGELA GALLUCCI - Agencia Estado

BRASÍLIA - O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que exerce o controle externo do Judiciário, baixou hoje uma resolução determinando a todos os tribunais do País que divulguem na internet os seus gastos. A novidade foi batizada informalmente de Siafi do Judiciário, numa alusão ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). Presidente do conselho, Gilmar Mendes disse que “esse talvez seja um dos passos mais importantes do CNJ, pois disciplina um modelo de transparência no que diz respeito à execução orçamentária do Judiciário”. Até pouco tempo, o Judiciário era conhecido por ser uma “caixa preta” na administração pública.

De acordo com a resolução, os tribunais terão de publicar em seus sites as despesas com pessoal, gratificações, aluguel, diárias, serviços de comunicação, limpeza, conservação e também os recursos consumidos com a construção e reforma de imóveis. Para o presidente do CNJ, a novidade tornará possível um melhor controle dos gastos do Judiciário.

Gilmar Mendes afirmou que durante inspeções realizadas em tribunais do País pelo CNJ ficou clara a necessidade de serem criados mecanismos de controle dos gastos do Judiciário. “As inspeções identificaram assimetrias e revelaram problemas nessa área e no processo de controle das despesas”, disse o ministro. As informações deverão ser publicadas num link denominado “transparência”.

A intenção do conselho é que qualquer pessoa tenha acesso aos dados. Segundo o CNJ, os tribunais deverão atualizar os dados até o vigésimo dia de cada mês a partir de fevereiro de 2010. Eles terão até 31 de março de 2010 para divulgar os demonstrativos detalhados dos anos de 2007, 2008 e 2009.

Imagem: Millôr Fernandes

Terça-feira, 15 Dezembro, 2009 Publicado por Henrique Miranda | Comentário, Repassando... | , | Sem comentários ainda

Pesquisa séria é outra coisa!!!

ENFIM UMA ÓTIMA NOTÍCIA!

Um estudo recente conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (UniFeSP) mostrou que cada brasileiro caminha em média 1.440 km ao ano.


Outro estudo feito pela Associação Médica Brasileira (AMB) mostrou que o brasileiro consome, em média, 86 litros de cerveja ao ano.

A conclusão é animadora:

O brasileiro faz 16,7 km por litro  !!!


Terça-feira, 15 Dezembro, 2009 Publicado por Henrique Miranda | Repassando... | | Sem comentários ainda

Sobre Natal, compartilhamentos e exclusão social…


Diários da Barreira do Mar (X)
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Pela primeira vez em minha vida, agi com o espírito presenteador do Papai Noel, fora do meu circulo familiar e de amizades consolidadas. Talvez pelo desvirtuamento político-partidário ou meramente caritativo que se vê desta prática, nesta época do ano, sempre achei melhor ficar fora dessa ciranda de Papais Noéis de ocasião, sentindo-me melhor em lembrar o meu trabalho cotidiano com as pequenas comunidades em busca do desenvolvimento local e suas decorrências mais consistentes. Mas esse ano fui convencido, silenciosamente, a assumir esta atitude, embora sem aquela roupa ridícula do velhinho famoso (desculpem, mas para mim, o símbolo do Natal é a solidariedade coletiva, universal e permanente, que infelizmente, para a imensa maioria das pessoas, só dura os trinta dias de dezembro). Convencido pelos olhos sérios, tímidos e arredios das crianças e adultos da comunidade de Valentim (sobre a qual já escrevi em minha postagem “Psicologia e Infância: “Eles” estão aprendendo!!!”). Convencido pela história (que ainda não conheço suficientemente, mas que intuo marginalizada, excludente, desesperançada), daqueles que sobrevivem à margem da sociedade atual (dita desenvolvida) e da qual recebem os piores restos da não-cidadania. Por uma coletividade pequenina (apenas dez casas) que consegue se manter por seus laços inter-familiares e parentais e suas estratégias próprias em meio a terras já degradadas pelo uso constante da agricultura de roçados, e praticando “bicos” eventuais como diaristas no entorno imediato ou algum mal-pago emprego público municipal. Sem sequer uma associação formal, sem nunca ter sido assistida por instituições civis, sem nunca ter tido acesso ao crédito produtivo, longe do rio onde poderiam pescar, em casas de taipas e palhas, sem saneamento e educação escolar apenas até à quarta série do Ensino Fundamental. Lembrada apenas pelos políticos, de dois em dois anos, nos períodos eleitorais. Enfim, pessoas de um mundo invisível aos olhos de todos nós.

Como já disse em minha postagem anterior, o meu namoro com a comunidade começou através das crianças que gritavam pra mim quando eu passava na estrada e mergulhavam no lago lamacento, pra se esconderem. Depois, casualmente as fotografei, imprimi em papel cartão e mandei uma cópia para elas através do Mutuca (Aílton), jovem de lá que de vez em quando presta serviços diaristas por aqui. Dias depois, um dos idosos de lá (seu Boró) foi apresentado a mim e comentou:

_ Gostei muito da foto que o senhor tirou das crianças.

Tomou um café comigo, conversamos amenidades caboclas e foi só. Mas naquele momento, naquele comentário, decidi virar Papai Noel. Se uma foto era uma coisa tão importante, como seria o Natal das crianças e adolescentes sem presentes? Um Natal com pais sem renda pra presentear seus filhos, pra fazer um jantar diferente? Um Natal como qualquer outro dia… Não lhe disse nada, mas o “velhinho presenteiro” já se instalara em mim.

Mobilizei por telefone minhas bases familiares e de amizade e, dias depois, vi o Mutuca e perguntei-lhe quantas crianças existiam na comunidade. Descobri que eram vinte e calei-me. Mas no dia deguinte, o Mutuca, com seu jeito tímido, me entregou uma lista que a professora mandou: a relação nominal das crianças e jovens, com as respectivas idades! Pronto, ele desconfiara do que eu queria: presentear…

Fui a Belém, coletei os presentes e junto com minha companheira, montamos os presentes por pacote nominal, mais um panetone por casa e mais três brindes para sorteio. E hoje, fui a pé entregar os presentes, com a ajuda do Mutuca, que chegou cedo para me ajudar a transportá-los. E chegando lá, surpresa! Não havia nenhum grupo em festa, nenhuma patota de crianças ansiosas e frenéticas! Alguns jovens, algumas crianças, algumas mães, uma avó e o seu Boró. Os homens tinham ido trabalhar como em qualquer outro dia. Era feriado e a professora não tinha vindo. A maioria das mães cuidava de suas casas. E o resto das crianças estava espalhado pelo mato do entorno, brincando como em qualquer outro dia… Se não fosse a minha vivência profissional, teria sentido bem mais que uma simples surpresa: para um Papai Noel debutante, a recepção não era das mais promissoras…

Mas me lembrei que, em verdade, eu e eles ainda não somos amigos! Sou apenas mais um estranho que, embora agindo de forma transparente, traz nas costas o peso de todas as atitudes negativas da minha sociedade em relação a eles. Ainda não sou o Henrique, sou apenas mais um agente externo que potencialmente pode ser apenas mais um “daqueles”… Refletir isso me tranqüilizou e pude esperar o grupo ir crescendo lentamente, pela chegada das crianças que se sentavam, compenetradamente e sem bulha, nas cadeiras da escolinha.

Resolvi ser breve: expliquei rapidamente os meus motivos, ganhei alguns acenos de cabeça aprovadores e comecei a distribuição. Foi legal, apesar de tudo… No encerramento, bati a foto que vocês vêm acima e não pude ter uma foto minha com eles porque nenhum dos moradores conseguiu clicar a máquina fotográfica (imaginem o desconhecimento e/ou receio tecnológico!)

De volta à minha casa, passei a foto para o computador (que vocês vêem acima) e fiquei analisando-a:

  • o gestual do grupo dizendo tudo sobre ele: nenhuma pose glamurosa, nenhum sorriso escancarado…
  • apesar da entrega dos presentes infantis e juvenis terem sido feito em primeiro lugar (meia hora antes!) nenhuma criança ou jovem com o presente aberto…
  • nenhum homem presente…
  • várias crianças ausentes, com os seus presentes repassado aos parentes que lá se encontravam…
  • aqueles braços arriados ao longo do corpo, denunciando abandono frente ao mundo…

E apesar dos beijos silenciosamente calorosos que ganhei das crianças, senti a tragédia social da exclusão, do desencanto precoce, da dificuldade de alegrar-se por alguma coisa. E, muito longe de me sentir magoado, senti uma tristeza intensa de ainda não ser amigo deles, de saber que chegar a sê-lo será uma tarefa longa e cuidadosa. Olhando-os, comparei-os aos grupos indígenas atuais e ainda arredios ao contato branco: as más experiências deixaram marcas profundas, sepultaram a ingenuidade nativa do contato aberto com a sociedade dominante. E esta é a pior situação para o compartilhamento, por mais bem intencionado que seja. Como bem disse o velho barbudo (e que não é o Papai Noel!), há quase dois séculos: “Não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência”. Ou ainda, como refletiu complementarmente outro barbudo (Paulo Freire), esse genuinamente nacional e conhecedor dessas tragédias nossas de cada dia: “Não é no silêncio que os homens se fazem, mas na palavra, no trabalho, na ação-reflexão“. Portanto, não se pode esperar flores exuberantes brotando espontaneamente de um jardim sempre maltratado.

Mas, no fundo, sei que o que fiz com a ajuda dos meus amigos e da minha mulher, vai gerar alguns sorrisos, algumas lembranças boas do nosso compartilhamento. E flores, embora tristonhas e tímidas, já são suficientes para o meu coração socialista e sonhador.

Por enquanto

Imagem: Moradores do Valentim (clicados por Henrique Miranda)

Terça-feira, 8 Dezembro, 2009 Publicado por Henrique Miranda | Comentário | , , , , | Sem comentários ainda

Pedro: um estranho caso clínico infantil…

Recebi por email enviado por uma amiga o relato abaixo, de um casal, sobre a desconhecida doença de seu filho, hoje com 15 anos, e que busca casos semelhantes para a troca de informações e possibilidades de identificação e tratamento. A qualidade do relato e o fato do casal ter endereço conhecido, me convenceram da realidade do fato (já que a NET é perigosa em termos de verdade), razão pela qual repasso a vocês o relato citado. Quem sabe alguns de vocês não tenham informações a repassar a esses pais em sofrimento (o endereço do casal encontra-se no final).

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O parto foi através de cesariana, pois até a data prevista 31/3 não houve sinais, então optamos pela cirurgia.

Pedro nasceu muito bem. Chorou logo e teve nota 9 de Apgar. Nasceu com 48 cm e pesou 3,430kg. Seu primeiro ano de vida foi ótimo, com desenvolvimento perfeito e nenhuma doença. Sentou com cinco meses, andou com 11 meses, disse as primeiras palavras com 7 meses e antes disso já emitia sons naturais de um bebê. Com um ano e dois meses, certa tarde durante o sono, Pedro acordou assustado como estivesse se engasgando. Isso se repetiu por mais alguns dias até que fomos ao médico. Este viu uma crise, suspeitou de refluxo-gastresofágico e solicitou alguns exames. Nesta época, estas crises aconteciam mais ou menos 10 vezes ao dia e duravam aproximadamente 15 segundos. Como os exames não acusaram nada, por indicação do médico, procuramos um neurologista infantil que disse tratar-se de crises convulsivas. Fizemos um primeiro eletro encefalograma que foi normal. Procuramos o Dr.Salomão Schwartzmam, que o avaliou e considerou-o logicamente perfeito. Nesse período, as crises aumentavam em quantidade e intensidade.

Assim, em agosto de 90 ele foi internado na UTI pela primeira vez com aproximadamente uma crise a cada 3 minutos. Ficou no Hospital 20 dias e saiu com as crises mais controladas. Fez uma Tomografia Computadorizada que foi normal. O segundo eletro acusou foco irritadiço do lado direito cérebro. Apesar de tudo isso, seu desenvolvimento continuava normal, porém mostrava-se mais sonolento.

As crises continuavam; eram crises mistas.

Em outubro de 90, percebemos que ele estava sorrindo menos, chorando menos e que quando sorria, o lado esquerdo de seu rosto parecia paralisado. Em novembro de 90, percebi que ele usava menos o braço esquerdo. Os médicos chamaram de seqüelas. Em dezembro de 90, fizemos uma ressonância magnética de crânio, um exame de Fundo de Olho alguns exames para detectar erros inatos do metabolismo. Todos os exames foram normais. Nessa época, ele já apresentava dificuldade para caminhar e falava menos. Mantinha uma média de mais ou menos 20 crises por dia. No decorrer de sete meses mudamos de médicos por diversas vezes vários anticonvulsivantes foram testados. Porém o efeito nunca era totalmente satisfatório. E esteve internado mais duas vezes para controlar crises mais frequêntes Em janeiro de 91, Pedro foi internado mais uma vez e saiu do hospital sem andar, sentar ou falar.

Em fevereiro, novamente foi internado com crises muito fortes, ficou 20 dias no Hospital. As crises já duravam 1 min, manifestando-se a cada 10 min. Nessa ocasião, foi medicado com cortisona e fez vários exames de Metabolismo, porém nada foi encontrado… A habilidade motora dele ficou debilitada. Quando teve alta, não segurava a cabeça, não sentava sozinho e parecia não reconhecer ninguém, além de não fixar o olhar em nada. O tempo foi passando, e com seções de fisioterapia e muito carinho Pedro foi conseguindo alguns pequenos progressos.

Continuávamos nossa maratona em médicos e exames, porém nada acontecia.

Suas crises ficaram um pouco mais controladas, manifestando-se somente durante o sono, aproximadamente 8 episódios por noite, com duração de cerca de 1 min. No final de 95, ele ficou alguns dias consecutivos sem apresentar crises.

Nestes últimos anos, repetiu alguns exames, porém nada de novo foi encontrado. Teve complicações pulmonares e tomou muito antibiótico. Nos últimos meses de 95, Pedro readquiriu o controle da cabeça e ganhou maior firmeza no tronco. Passou a fixar o olhar nas pessoas e objetos, porém ainda não manifestando desejo de pegá-los. Seu rosto ficou mais expressivo, apesar de ainda não rir ou chorar.

Em janeiro de 96, repetimos a Ressonância Magnética que se apresentou tal e qual a anterior, segundo o médico que assinou o laudo. O Dr. Fernando Arita, seu médico atual, diagnosticou que Pedro tem um cérebro um pouco menos denso do que uma criança de 7 anos. Repetimos também o eletro encefalograma, que se apresentou bem melhor que o anterior, com crises mais localizadas. Fizemos também, um estudo de Cariótipo (pai, mãe e filho) com a Dra.Rita de Cássia Stoco e nada foi encontrado. Disse suspeitar de Doenças Mitocondriais e sugeriu que fizéssemos um estudo de DNA. Foi feita também, uma dosagem de aminoácidos no sangue e cromatografia de açúcares na urina.

Atualmente, Pedro mantém cerca de 4 crises convulsivas durante o sono, principalmente a partir das horas da madrugada. Em suas crises estica braços e pernas, gira a cabeça para a esquerda e chora.. Duram cerca de 45 segundos. Sua atenção continua fixa nas pessoas e objetos, porém não se movimenta espontaneamente. Readquiriu razoável controle de tronco, porém não senta, não fica em pé, não fala, não sorri ou chora.

De dois anos para cá, desenvolveu uma escoliose bastante preocupante. Está medicado com Rivotril, Valpakine e Tryleptal.

Pedro, atualmente, está com 15 anos. Durante todos estes anos, não encontramos uma resposta para o que acontece com Pedro, e, também nunca encontramos alguém com problema semelhante para trocar experiências. Se você puder ajudar, se for médico ou já conheceu alguma criança com o mesmo problema, por favor, nos escreva. Se não, passe essa mensagem para frente para que encontre o destino certo.

Muito Obrigado,

Liane e Manoel.

Nosso endereço: Rua Conselheiro Brotero, 1559 apto 134 CEP 01232-011 São
Paulo – SP – BRASIL

Fone: (11) 3662.4826

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PS: Recebi o comentário abaixo do nosso leitor Wendel Lima, atualizando este post, e que repassso a vcs:

Realmente vc tem razão, em internet é melhor duvidar de tudo.
Pesquisei o assunto e descobri que a história é real. Porém, o texto publicado por vc está defasado.
Pedro tem 20 anos hoje, e tem um site na web.

http://www.sitelogo.com.br/pedro/

Visite o site dele que tem informações atuais.

Um abraço!

Wendell Lima

Quinta-feira, 3 Dezembro, 2009 Publicado por Henrique Miranda | Comentário, Repassando... | , | 2 Comentários

A oposição pitbull se engalfinha em briga de vira-latas!

Lembram-se da cachorrada pitbull (PDSB/DEM) à época do famigerado mensalão, e que levou quase dois anos usando a irresponsabilidade dos aloprados do PT para derrubar o presidente Lula (mesmo sem nenhuma prova!) e que no fim não puniu ninguém? Lembram-se da soberba moralista da cachorrada que usou os fatos para tentar inviabilizar o governo Lula, apresentando-se como a alternativa ética para governar o país? Pois é: hoje, comprovando que a corrupção é um mal nacional histórico, que a tramóia do mensalão não foi a primeira e nem será a última que veremos, os auto-depositários da moral política nacional estão atolados até à cintura (por enquanto!) no mensalão do Arruda, no caixa 2 mineiro e na trapaça gaúcha da Yeda Crusis, além de outros fatos complicados envolvendo lideranças como o pitbull-mor Artur Virgílio (que apareceu ontem na TV com cara de viralata apanhado pela carrocinha). E embora o Mercadante tenha dito que não há nada a comemorar pelo auto-enlameamento da oposição (pois a ética nacional é que foi mais uma vez ferida), eu considero profundamente educativa esta situação, do ponto de vista político. E apesar do Lula (embora com cara de orgasmo interior), ter dito que é preciso primeiro apurar os fatos, não há fatos que possam negar as imagens gravadas e divulgadas da bandalheira cometida. E estou me deliciando com a briga dos cães raivosos entre si, expondo suas respectivas podridões, incendiando os rabos sob os quais se sentavam para apregoar moralidade.

Amigos, o inferno é aqui mesmo… Leiam a matéria que repasso abaixo e tirem suas conclusões…

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Abandonado por tucanos, DEM cobra caso Yeda

1 hora, 38 minutos atrás

A decisão do PSDB de abandonar o governo de José Roberto Arruda irritou o comando nacional do DEM. Os tucanos aderiram à debandada em massa dos aliados do governador e anunciaram sua saída, em reunião de sua Comissão Executiva Nacional. Para o DEM, o PSDB, como principal aliado nacional, poderia ter esperado o resultado do processo de julgamento interno de Arruda para tomar sua decisão

Na avaliação dos dirigentes do DEM, a decisão tucana serviu para aumentar o desgaste político do partido, que ficou isolado na administração do escândalo. Foi o suficiente para que o presidente da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ), atacasse o PSDB, fazendo referências às denúncias contra a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, que precisou usar sua força política regional para evitar o sucesso de uma CPI contra seu governo.

“Respeito a decisão de qualquer partido. Mas nós do DEM somos o único partido que está investigando as denúncias contra um filiado. O PSDB poderia ter investigado a governadora Yeda Crusius, mas não fez. Nós faremos investigação”, criticou.

Maia foi mais além e se irritou com a possibilidade de o partido supostamente perder a vaga de vice numa chapa presidencial encabeçada pelos tucanos por conta do escândalo. “Se for levar em conta escândalos para definir vaga em chapa, talvez o PSDB nem pudesse lançar candidatura presidencial”, atacou. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Imagem: Charge Humberto Jornal do Comércio (PE)

Quarta-feira, 2 Dezembro, 2009 Publicado por Henrique Miranda | Comentário, Repassando... | , , | Sem comentários ainda

Recado noturno ao Mundo…

Diários da Barreira do Mar (IX)
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Sentado na escada do trapiche, contemplo a lentidão do rio enluarado e me fascino em perceber como você, mundo, tem tanto movimento, mesmo na sintonia lerda (para os meus olhos urbanizados) desse sertão marajoara. E nesse reaprender infinito que tem sido a minha vida, consegui entender hoje que, independente das minhas pressas de homem angustiado pelas buscas permanentes, seja onde for, você nunca permanece o mesmo, é sempre o novo, a mudança  é a constante nos seus ciclos naturais e sociais. Para o bem ou para o mal, nada seu é permanente, tudo está sempre em transformação… Por mais que aparentemente perdure, você e os seus fatos continuam em transformação eterna. Cada segundo presente é o prenúncio do momento seguinte transformado: os filhos que ensinei a andar caminharam para longe do meu redor; os filhos que me abraçaram tanto, em verdade estavam se despedindo; os amores que me beijaram, estavam apenas tentando aproveitar o momento antes que ele fosse substituído pelo futuro afetivo incerto (talvez por isso, Augusto dos Anjos tenha versejado: “o beijo é a véspera do escarro”).  Meus pais se foram levados por você; os irmãos e os amigos (aqueles que ainda não partiram dessa vida), comprometeram suas disponibilidades em novas relações e lutas… A força dos sonhos, apanhando anos e anos dos pragmatismos e das dominações, fraqueja cada vez mais e sustenta-se desesperadamente em farrapos de esperança. E nessa noite, reobservando o seu ritmo interiorano que conheci em criança e que me fez tão contemplativo (mesmo em meio à febre urbana da modernidade ou dos territórios interioranos já globalizados), apreendi finalmente a razão das minhas angústias: a não aceitação das suas mudanças eternas, quando você me levava as coisas que eu pretendia permanentes. E agora você, mundinho velho sem porteira, depois de me mandar uma estrela cadente na madrugada passada, vai levar mais um filho meu pra longe. E eu que pensei que aquela estrela que ontem riscou o céu era um prenúncio de um Natal feliz, vejo agora que era um aviso seu de um Natal com uma cadeira a menos na ceia e uma saudade à mais no peito. Talvez por coisas como estas eu, tantas vezes, tive a vontade de entrar em inércia, parar o tempo e no tempo, congelar você até o fim dos meus dias. Mas não tem jeito, mesmo porque, se congelado, não morreria nunca e em algum momento me cansaria da monotonia do congelamento. Você é o senhor do Tempo e da Vida. Resta-me acreditar que as suas soluções são sempre acertadas para o que preciso, e como diziam os antigos: o irremediável remediado está. Mas cá entre nós: não dava nem pra livrar o meu Natal?

Imagem: da NET, capturada via Google

Terça-feira, 1 Dezembro, 2009 Publicado por Henrique Miranda | Comentário | , | 2 Comentários

Perguntas pertinentes aguardando respostas honestas…(II)

- Se a as reações dos governantes democraticamente eleitos Chavez (Venezuela), Correa (Equador) e Morales (Bolívia) contra as tentativas de desestabilização de seus governos, foram consideradas antidemocráticas pela direita sulamericana, a mídia do continente e os gringos… o que dizer da frouxa reação internacional ao golpe militar em Honduras, onde foi deposto à força um presidente em plena vigência do mandato?

- Se os resultados das eleições no Irã foram tão contestadas internacionalmente pelas denúncias de fraude e golpes políticos… porque estão sendo aceitas tão normalmente pelos mesmos protagonistas (países não sul-americanos, mídia e ianques), as eleições do Afeganistão e de Honduras, também largamente contestadas como manipulação da democracia?

Se alguém encontrar o Obama ou a Hilary por aí, por favor, peça uma resposta e nos envie, certo?… O macaco está esperando em sua dúvida atroz…

Sábado, 28 Novembro, 2009 Publicado por Henrique Miranda | Comentário, Reflexões, Trocando Idéias | , , , | Sem comentários ainda

Carabao, o navegante negro…

Diários da Barreira do Mar (VIII)
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Sou fascinado em história desde criancinha, por uma razão muito simples: ela explica o presente. A maioria das pessoas considera o passado como eras de atrasos que foram superadas pela sociedade moderna, e que  se têm mais é que esquecer os caminhos tortuosos percorridos. Ledo engano. Nada do que existe hoje seria possível se não tivesse ocorrido a gestação histórica da organização social, do conhecimento, da tecnologia, do uso dos recursos naturais, do comércio e, lamentavelmente das guerras territoriais, dos genocídios e das dominações que viabilizaram apropriações de conhecimentos e riquezas alheias. Conhecer a história é uma fascinante viagem no tempo que nos permite entender porque hoje estamos do jeito que estamos a partir dos nossos erros e acertos através das eras. E não falo apenas da história oficial, que quase sempre é mentirosa, pois escrita pelos vencedores. Falo principalmente da história investigada de forma relativamente independente por pesquisadores sérios e até mesmo das histórias informais ou não suficientemente corroboradas por pesquisas (mesmo porque muitas vezes não interessa ao sistema corroborar). Como exemplos cristalinos desse tipo sério de história temos, por exemplo, os livros:

-   “Enterrem meu coração na curva do rio” (Dee Brown), eloquente e meticuloso relato da destruição sistemática dos índios da América do Norte, com base em registros oficiais, autobiografias e depoimentos originais.

-   “Uma breve história do mundo” (Geoffrey Blainey), um relato da fantástica saga da humanidade, desde a “mama África” original, até aos frenéticos dias de hoje.

-    “O povo brasileiro” (Darcy Ribeiro) que em sua última obra (já doente do câncer que o levou de nós), descreve lúcida e apaixonadamente a formação da sociedade brasileira, do descobrimento até os dias de hoje, explicando nossas diversidades e identidades sócio-culturais, o drama da miscigenação e da ocupação territorial, chegando aos nossos dias e analisando nossas perspectivas.

Mas a história que quero compartilhar hoje com vocês é mais simples, embora não menos fascinante. É sobre esse gigante de ar pouco amistoso que vocês vêm aí na foto: um búfalo macho da raça Carabao. Os seus ancestrais foram os primeiros búfalos a pisarem em solo brasileiro, mais especificamente na Ilha de Marajó, entre 1890 e 1895. Segundo os historiadores, eles aqui chegaram de três formas:

-    importados da Guiana Francesa por criadores locais;

-    trazidos em um barco por foragidos das famosas prisões francesas da Guiana Francesa (uma delas é aquela da Ilha do Diabo, onde esteve preso o famoso Papillon e que de lá fugiu); e

-     animais da raça que, espontaneamente ou como “balsa” para prisioneiros em fuga das prisões citadas, chegavam ao norte da Amazônia Brasileira, trazidos pelas correntes marinhas até ao Amapá e Marajó, onde eram trocados por ajuda aos foragidos.

Que história, essa última, hein? Fico imaginando esse animal poderoso enfrentando águas oceânicas, forçado ou por vontade própria, para chegar ao desconhecido e povoar outro território, ele que provavelmente apenas queria um lugar pra viver livre do homem. Que força, que resistência, que coragem! Sendo a única raça bubalina adaptada às regiões pantanosas, e em um território ainda inóspito e pouco povoado, assumiu o caráter selvagem de sua natureza, mas isso não o livrou do seu predador maior (o homem): os moradores os abatiam a bala para consumir a carne, amansavam as fêmeas novas para cruzar com outras raças bubalinas mais dóceis, e os machos jovens para o trabalho de tração. Quantos animais silvestres foram poupados da caça, em virtude do abate destes búfalos selvagens? Quantos caboclinhos marajoaras foram nutridos pelo leite (e seus derivados coalhada e queijo) das fêmeas Carabao domesticadas? Quanto cansaço foi evitado aos marajoaras trabalhadores pela força dos machos domesticados para tração? Com certeza estes fatos dariam histórias boas de se ler e ouvir.

Por este histórico de extermínio e miscigenação, hoje alguns pesquisadores dizem que “sobre a raça Carabao sabe-se muito pouco, inclusive a raça está quase em extinção e se descaracterizando” (ROSA et al, 2007). E por isso, temos hoje sob proteção genética um rebanho desta raça de bubalinos, criados isolados em uma área nativa onde eles nos cansam com seu comportamento arredio ao manejo. Mas eles têm razão, só nos cabe tentar preservá-los da intervenção humana irresponsável. Por tudo isso, ao fotografar ontem este macho altivo, senti um enorme respeito por ele e sua espécie valente, corajosa a ponto de andar “por mares nunca dantes navegados”, de espalhar-se por lugares distantes e de formas inusitadas. Um verdadeiro navegante negro…

Imagem: Búfalo da raça Carabao (clic de Henrique Miranda)

Sábado, 28 Novembro, 2009 Publicado por Henrique Miranda | Comentário | , , , , , | Sem comentários ainda

Sobre cavalos marajoaras, purucas, orvalho e esperança…

Diários da Barreira do Mar (VII)
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Um dos projetos que ajudo a monitorar no Marajó é o de preservação genética dos cavalos da raça Marajoara e dos pôneis Puruca (o único mini-cavalo nacional existente).

A origem destes eqüinos da raça Marajoara (Equus caballus), remonta a 300 anos, a partir dos animais trazidos por colonizadores portugueses, por volta de 1702. Miscigenados posteriormente com as raças Árabe, Altér e outras raças lusitanas e, mediante a seleção natural do ambiente local, constituiu-se a raça Marajoara, plenamente adaptada às adversidades climáticas (forte período chuvoso e longo período de seca, anualmente) e às condições de alimentação nativa nos campos naturais, com grande resistência e força para o manejo extensivo dos rebanhos bubalinos e bovinos. Por longo tempo estes eqüídeos assumiram a condição selvagem e forte rusticidade, até que passou a ser considerada como raça, sofrer processos de seleção e constituírem objeto de preservação por uma associação formal de criadores. Apesar disso, nos últimos anos essa raça vem sendo descaracterizada através de cruzamentos desordenados com raças introduzidas mais recentemente na ilha, ameaçando este estoque genético historicamente constituído e de grande valia para a economia local, já que sobrevive em condições nas quais as raças conhecidas não conseguem, pela rusticidade requerida. E o último levantamento, realizado em 2001, embora apresentasse um total de 150 mil cabeças, a grande maioria já se encontrava mestiçada por raças como a Mangalarga Paulista, Puro Sangue Inglês e Árabe.

Já o pônei Puruca originou-se de animais da raça francesa Shetland, trazidos para o Marajó na última década do século 19. O cruzamento destes animais com os cavalos marajoaras e outras raças presentes, geraram pelo mesmo processo seletivo natural, o atual Puruca, pônei com as mesma características de rusticidade e trabalho do cavalo Marajoara, embora de porte bem menor. Pelo mesmo levantamento citado anteriormente, o rebanho Puruca existente no arquipélago do Marajó reduz-se a menos de mil animais.

Por todo esse histórico, essas duas raças encontram-se fortemente ameaçadas de desaparecimento pela miscigenação descontrolada, razão pela qual surgiu esse projeto que citei inicialmente, para conservar estes dois rebanhos eqüinos em suas características originais, genéticas e de adaptação ambiental, respeitando inclusive o modo de vida meio selvagem destes animais. Em função disso, o manejo é o mínimo necessário para preservá-los nos momentos mais difíceis em termos de alimentação, controle zootécnico e sanitário.

Mas, tudo isso que informei até agora, foi somente para contextualizar a experiência que vivi nos dois últimos meses, quando me iniciei no projeto. Coincidiram exatamente com a pior época do ano, com a seca prolongada, alimentação insuficiente, riscos de atolamento nos lagos lamacentos, etc. Conhecendo a história destes animais, sofria cotidianamente vendo-os em dificuldades de sobrevivência e a cada animal  (equinos ou não) que caía enfraquecido. Quantos ajudei a sair da lama, cuidar, e mesmo assim, vendo alguns não resistirem e morrerem. Lembrava-me das comunidades indígenas americanas morrendo de doenças brancas, de frio e fome nas reservas, sob a indiferença da sociedade dominante, e pensava: poucos sabem de suas existências e se todos estes cavalos morrerem, quase ninguém saberá e, muito menos, se importarão com o fato.

Só que de repente, uma notícia boa: a égua marajoara Inflação, que estava prenha do garanhão Ianomâmi, estava afastada da manada e se escondendo nas matas ciliares. Quer dizer: estava prestes a parir! Foi como um vento no rosto de quem contempla o Paracauary, no fim da tarde! Fiquei ansioso, mas nada podia fazer: ela queria e devia parir ao seu modo selvagem. E um dia depois, de longe a vi sair no campo com o potrinho castanho, de pernas longas e desajeitadas. Que coisa linda, amigos, ver um sinal tão forte de vida em meio a tantas adversidades. E era o primeiro filho do Ianomâmi, o novo garanhão do pedaço, gerado por Marajoara e Castanha cinco anos antes! Tentei me aproximar para fotografar aquela maravilha, mas a mãe foi-se afastando enquanto ele se escondia por trás dela, exercitando o seu instinto arredio atávico. Não teve jeito, mas ali mesmo escolhi o nome pelo qual o registraria (o meu primeiro registro de nascimento): Orvalho. Nascera na madrugada e, como o orvalho que o acolhera no mundo, representa uma raça esquecida nas madrugadas do tempo e que poderá liderar o resgate do seu grupo… Pensar nisso tornou o meu dia de trabalho bem mais ameno… Podem dizer que é babaquice minha, não me importo. Babaquices como estas ajudam a dar sentido aos meus dias…

Para ilustrar esse post, coloquei apenas uma foto de parte do rebanho, mas qualquer dia desses o paparazzo aqui vai conseguir uma foto do Orvalho, para apresentá-lo a vocês.

Imagem: animais Marajoara e Puruca (clic de Henrique Miranda)

Quarta-feira, 25 Novembro, 2009 Publicado por Henrique Miranda | Comentário | , , , | 4 Comentários

Caso UNIBAN: a falsa loira, o cínico Estado e a hipócrita mídia…

Embora tenha me chamado a atenção desde o início, demorei muito a consolidar uma opinião sobre a falsa loira da UNIBAN e seu mini-vestido, face às divergências de notícias e opiniões à respeito do fato. E somente hoje, após várias olhadas nas informações disponíveis, sinto-me capaz de opinar a respeito, independente do que achem dessa opinião. Nunca fui de ficar em cima do muro, embora a idade tenha me dado a cautela para substituir o açodamento e a coragem para enfrentar tranquilamente o rótulo de machista.

Inicialmente, um breve retrospecto das reações das principais instituições e representantes institucionais em relação ao fato:

- o MEC exigiu explicações sobre a expulsão da aluna;

- a ministra Nilcéia Freire condenou a atitude da UNIBAN como de “total intolerãncia”;

- a Secretária de Ensino Superior do MEC, Maria Paula Dallari, declarou que vai abrir processo de supervisão especial para o caso, enfatizou que o caso parece ter um forte caráter de gênero e seria a mesma coisa de um caso de racismo;

- A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres cobrou explicações à UNIBAN;

- A mídia, sem exceção, condenou a reação dos alunos e da direção da UNIBAN;

- Pais e alunos (de ambos os sexos), condenaram mais o comportamento da loira do que a sua expulsão.

Em face destes posicionamentos, antes de abordar os fatos, gostaria de fazer alguns breves comentários sobre as questões da sexualidade, da convivência inter-gênero e a hipocrisia que nos atravanca o funcionamento social.

Iniciando: a ciência mostra claramente que o hormônio denominado testosterona é o responsável pela libido e a agressividade de machos e fêmeas. E como os homens possuem muito mais testosterona no organismo, são bem mais agressivos em termos sexuais e sociais. Mas, embora se sabendo disso, a sociedade tem valorizado e assegurado cada vez mais à libido feminina o seu direito de provocar (diria até mesmo assediar) os machos, negando cada vez mais aos varões o direito à sua expressão sexual atávica. Síntese: os menos “testosteronizados”, podem expor cada vez mais sua nudez pública, expor bundas e peitos à vontade, fazer poses provocantes nas ruas praias, revistas, novelas e programas de auditório, enquanto as maiores vítimas da testosterona são forçados e reagir não conforme sua natureza, mas dentro dos ditames dos denominados “direitos da mulher”. Isso significa que a mulher pode expandir sua sexualidade original e o homem tem que se reprimir cada vez mais. Inclusive, ocorre hoje no mundo ocidental uma enorme condenação ao excesso de roupa das mulheres muçulmanas (os homens foram esquecidos!) e nenhuma condenação à nudez feminina exagerada! Porque será? Com certezas há muitas respostas, mas nenhuma delas convincentes. Tô certo ou tô errado?

A outra questão é o cinismo dos meios de comunicação e das instituições públicas e civis em relação ao tema, que fica claro quando se ouve o discurso e observa-se a prática das mesmas: acham plenamente viável a roupa(?) da loira na UNIBAN, mas nem de longe permitem o uso da mesma em suas respectivas entidades. Entrem na TV Globo e vejam quantas funcionárias usam roupas provocantes! Entrem no judiciário, executivo e no legislativo e observem o mesmo! Quase sempre são uniformes discretíssimos segundo eles condizentes com o ambiente. E ousam denunciar veementemente os alunos, pais e dirigentes da UNIBAN por terem condenado a vestimenta da falsa loira. Será que uma entidade de ensino não carece da mesma “seriedade” destas instituições tão “progressistas”?

Agora vamos falar um pouco sobre o perfil da “loira”-pivô do incidente: segundo a revista Veja (no. 46, de 18-11-09, p. 142), ela é oxigenada e avançada em seu vestuário desde criancinha. Além disso, considera-se poderosa e não desestimula as cantadas que recebe, mesmo nas ruas. E afirma sobre si mesma: “Sou linda e gostosa, sim! Se eu fosse feia, talvez nada disso estivesse acontecendo”. E na citada reportagem, usando em uma foto um inequívoco olhar de “frete” emoldurado pelo vestido famoso, informou que já está pensando em ganhar uma grana posando nua e fazendo propaganda de lingerie (além, claro, do desejo não explícito de uma boa indenização ganha da UNIBAN). Suas roupas são tão sumárias que a sua sobrinha de 9 anos, durante a reportagem da VEJA pegou um vestido do guarda-roupa dela e comentou: _ Esse serve até em mim.
Será que nós já não vimos esse filme? Mulheres que provocam fatos inusitados, ganham “quinze minutos de fama” e depois conseguem trabalho para os seus corpos-mercadoria?

Por último, vamos analisar o comportamento de alunos e dirigentes: apesar de ser comum o uso de roupas curtas e decotadas na instituição (coerente com as políticas feministas já comentadas), porque somente ela foi vítima do achaque e com a participação de muitas alunas, inclusive? Porque tantos pais, mães e alunas deram entrevistas condenando a atitude da falsa loira, mesmo considerando normal o uso de roupas sumárias?

Gente, nessa questão, o furo é mais embaixo, muito mais embaixo. A hipocrisia dos meios de comunicação e das instituições públicas, o eterno processo de vitimização das mulheres pelos movimentos sociais de gênero (feminino, pois desconheço movimentos em defesa do gênero masculino!), as contradições entre discurso e prática presente no Estado e na sociedade civil organizada e o comportamento calculadamente egocêntrico dos indivíduos, dificultam uma análise crítica profunda e construtiva. Tudo se desfaz nos interesses grupais e corporativos dessa sociedade cada vez mais vazia de conteúdo e cada vez mais prenhe de violência, corrupção, hipocrisia, oportunismo e mercantilização dos corpos e almas. E por ser a melhor expressão analítica de fatos como esse, repasso abaixo a matéria escrita pela escritora Lya Luft, em sua coluna na revista Veja já citada anteriormente (p.28). Além de ser uma analista lúcida, o fato dela ser mulher tira o caráter machista que provavelmente seria atribuído, se o autor fosse um homem.

Leiam, reflitam e rezem contra tantas insanidades que enchem o nosso cotidiano…

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Respeito é bom

Lya Luft

“Respeito é bom e eu gosto”, diz uma das mil frases feitas – esse sutil veneno ou pontapé no estômago – que pontilham nossa sabedoria dita popular. Vale para muitos aspectos da nossa vida. Vamos ver alguns.

Escuto freqüentemente a queixa de mulheres de que ainda não são respeitadas como merecem, em seu trabalho ou individualmente. Primeiro, é uma questão de tempo, pois em quase todos os territórios da atividade humana, menos cozinhar e parir, mulheres são novidade. Ainda estamos buscando nosso jeito de trabalhar, de comandar, de usar nossa autonomia.

Certa vez, querendo me elogiar, um crítico escreveu: “(…) é uma excelente escritora, pois, embora sendo mulher, escreve com mão de homem” Isso por si basta para reconhecer a carga de preconceito que sobrevive mesmo entre as pessoas com certo preparo, inclusive mulheres, diga-se de passagem, que em geral são os piores juízes de outra mulheres. Se ela faz um trabalho (vale para juízas, reitoras, governadoras, vereadoras, motoristas de ônibus, policiais, grandes cirurgiãs etc.), é porque o faz como homem. Quantas gerações terão de passar, para que isso mude?

Esse preconceito é demorado e obstinado, e nós mulheres colaboramos com ele dando nossa melancólica parcela, por exemplo, no jeito como nos portamos, como nos vestimos, como agimos no trivial, ou quando estamos no poder, qualquer poder. Não é por nada que boa parte das propagandas de quaisquer produtos usa mulheres quase nuas ou em trejeitos sensuais: vende, dá ibope, dá vontade de comprar… o que é um modo de poder. Falo com certa freqüência na psicóloga que atende seus pacientes de minissaia ou profundos decotes, e digo que, lidando com a alma desses pacientes, a roupa não parece muito adequada. Nada contra a peça de roupa, desde que num corpo adolescente: adolescentes ainda não atendem pessoas com problemas psicológicos.

Enquanto nos portarmos feito crianças pouco inteligentes, ou enquanto o nosso maior trunfo forem nádegas firmes, fica difícil reclamar que não nos respeitam o bastante. Estarei dando muito valor à exterioridades como saia, jóias, trejeitos? Estou. A aparência é nosso primeiro cartão dizendo coisas como: eu me acho linda, eu sou sensual, estou consciente disso. O segundo cartão é a linguagem: se eu não sei nem articular direito o meu pensamento falando ou escrevendo, não vou ser um grande candidato a um emprego razoável, pelo menos um cargo em que eu precise pensar… e falar.

Pais também se queixam de que os filhos não os respeitam. Um bom começo de diálogo é indagar como eles, pais, se portam em casa. Gentis um com o outro, com empregadas, com os filhos – ou a gente acha que dentro da porta de casa, com filhos, vale tudo, até grosseria e falta de compostura? O comportamento de crianças e adolescentes e seus conceitos sobre o mundo (eles os têm desde cedo, não se iludam!) refletem sua casa. Um pouco incômodo: querendo ou não, somos os seus primeiros modelos, e eles percebem muito bem o que é natural e o que é fingido em nós.

Isso se estende para a escola, onde professores suportam violência verbal e física, agressividade, má educação, hostilidade por parte de alguns alunos – não todos, possivelmente nem a maioria. Se pudéssemos pesquisar a vida familiar dessa meninada, com freqüência iríamos constatar que ela apenas reproduz ou continua, na rua, no pátio da escola e na sala de aula, o tratamento que predomina em sua casa. Lá, talvez, os filhos não conheçam limites, ou quem sabe, o pai é do tipo que aprecia um coronelismo ultrapassado.

Observo muita gente, e não só jovens, dando de ombros ou rindo ao assistir a uma entrevista de alguns dos nossos líderes (ou escutando belas frase sobre ética): também na vida pública, o respeito tem de ser conquistado e merecido. Sendo humanos, homens, mulheres e crianças, somos ainda animais predadores, querendo ocupar espaço a patadas. Se pudermos, em vez de falar, rosnamos; em lugar de curtir, cuspimos em cima. A gente precisa ser domesticado desde o dia em que nasce.

Imagem: Millor Fernandes

Sexta-Feira, 20 Novembro, 2009 Publicado por Henrique Miranda | Comentário, Repassando... | , , | 3 Comentários