Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

O “pré-histórico” e o predador…

Maria Elena
mvarasquim@hotmail.com | 201.25.73.125

Henrique,

Li sua crônica, ou seu desabafo frente as misérias deste mundo.

Também tenho o hábito de fazer caminhadas, e nunca me deparei com uma mulher mendigo.

Nesse mundo machista onde fomos criados, o homem tem uma condição emocional diferenciada da mulher, ele se enfraquece mais rápido.

Esta sempre mais exposto a vulnerabilidade.

Outro dia estava tecendo esse comentário com a minha filha.

De O círculo de ramos…, 2008/08/31 at 2:52 PM

Prezada Maria Elena, infelizmente tenho visto algumas mulheres moradoras-de-rua na praça das minhas madrugadas de andanças. Inclusive tenho um desses vislumbres no gatilho para uma nova crônica. Claro que em número bem inferior ao de homens, mas na mesma triste condição.
Não sei em que concepção você citou o contexto machista da nossa sociedade, mas eu vejo este machismo predominante muito mais como estigma do que como poder adquirido. Vejamos esta situação dos homens que moram nas ruas. Porque estão ali? Porque são mais vulneráveis emocionalmente ou porque são socialmente mais cobrados? Quando proletarizados e sem alguém que alugue os seus braços, que opções lhe restam diante da família, dos vizinhos e da sociedade que vêem no homem o provedor compulsório? Roubar? Matar? Traficar drogas? Muitos o fazem, mas muitos sequer conseguem assumir esta postura de desobediência civil. Na lógica social, o homem é o protetor, não o protegido; o homem não é para ser cuidado e alimentado e sim para cuidar e alimentar a mulher e os filhos com o seu suor. E àqueles que não conseguem, restam as ruas como a penúltima morada. As mulheres e crianças, na maioria das vezes têm outras opções antes dessa, inclusive instituições civis e governamentais para fornecê-las. Aos tristes homens vencidos, geralmente resta o abandono, o desprezo e a indiferença das ruas. São os fracos que não corresponderam à expectativa social dominante (as mulheres e as crianças podem ser frágeis, não os homens).
Em termos estruturais, não vejo na marginalização das ruas uma questão de gênero, mas a lógica desumana das sociedades que construímos e da qual somos culpados por ação e/ou omissão. Atinge a homens, mulheres e até crianças. Provavelmente, Elena, nesta madrugada do círculo de ramos, as ruas abrigassem mais homens, enquanto os antros de prostituição e pedofilia abrigassem mais mulheres e crianças.
E talvez por eu, nesta madrugada, representar para aquele ser perdido nas ruas uma das classes sociais responsáveis por sua condição, é que recebi aquele olhar silencioso como resposta. Poderia ser de uma mulher, de uma criança ou de um outro homem. E digo-lhe, encerrando: se aquele homem tivesse me atacado para roubar minhas roupas (que era apenas o que eu tinha) ou apenas para desabafar sua revolta, eu não me sentiria em condições de condená-lo. Ficaria triste porque ele não sabe o que eu faço para tentar construir um mundo melhor, mas entenderia sua reação. Afinal, na paisagem da “pré-história” globalizada,  e na subjetividade daquela alma abondonada, eu faço parte das classes predadoras, enquanto ele e os seus iguais de sexo ou idade são os cordeiros que abatemos emocionalmente e jogamos nas ruas como carcaças imprestáveis.

Um abraço culpado e constrangido.

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domingo, 31 agosto, 2008 Posted by | Trocando Idéias | | Deixe um comentário

O círculo de ramos…

Como faço caminhadas pelas madrugadas (minimizando as seqüelas da minha vida de idoso desregrado), sempre encontro moradores-de-rua dormindo nos bancos da praça. Mas hoje, um deles me chamou a atenção em especial: não por ser idoso, pardo e muito magro, pois a maioria é assim. O que me instigou os neurônios foi o fato dele ter circundado o banco em que dormia com ramos de mangueira, como normalmente se faz no interior para sinalizar que há um carro quebrado ou parado perigosamente. Adormecido no centro do círculo de folhas e ramos, ele sequer mexeu-se quando por ele passou esse solitário caminhante, e esse procedimento inusitado alimentou o meu pensar em todas as voltas seguintes. O que representava aquilo, na subjetividade de quem o fez? Um círculo mágico de proteção, à semelhança dos que faziam os seres tribais? Uma demarcação de território, como fazem os animais “irracionais” ao espalharem seus cheiros em pontos estratégicos? Uma “armadilha” que o avisaria (pelo barulho de folhas pisadas) da aproximação de um estranho? Tudo isso junto, inter-relacionado? E se assim o era, porque somente ele fizera isso, entre todos os moradores-de-rua que já vira dormindo na praça? Andava e matutava, andava e supunha… Na quarta volta, já tinha uma hipótese (mania de pesquisador!): ele devia ser migrante interiorano recente e aquela atitude diferenciada tinha a ver com a sua ancestralidade cabocla! Mas, como comprovar isso? Nas duas voltas seguintes, procurei ver suas mãos e/ou pés, pois ali estariam as marcas do trabalho rural nos calos das mãos e pés judiados. Mas ele se cobrira, deixando apenas a metade do rosto aparecendo, como uma múmia parcialmente despida. Andava e pensava, andava e torcia para que ele se descortinasse um pouco mais… Andava e imaginava-o como um “pré-histórico hodierno”, onde os grandes predadores foram substituídos pelos animais do trânsito e os filhinhos-de-papai incendiadores de mendigos; onde o território natural livremente apropriado pelos odores foi substituído pelas escrituras cartoriais; onde a fome das entressafras naturais foi substituída pela fome da impossibilidade de produzir e colher; onde a produção de subsistência e o escambo foram substituídos pelo consumo monetarizado e a renda inacessível. E ali, naquele banco, passei a lembrar o homem primitivo que, na sociedade futurista do livro Admirável Mundo Novo (Aldous Huxley), foi capturado em uma região isolada e colocado em exposição aos membros da nova sociedade, como uma prova de como eles eram atrasados.

Para conhecer o final do primitivo capturado de Huxley, vocês vão ter que ler o livro. Quanto ao meu “pré-histórico hodierno”, vi-o levantar-se e começar a andar em direção ao beco próximo. Não resisti. Acelerei o passo, alcancei-o e perguntei: companheiro, você é de onde? Ele assustou-se, se voltou, me encarou com um olhar entremeado com desconfiança e ressentimento, segurou meu olhar por um momento e depois, sem resposta, virou-se e seguiu viagem.

Não pude sequer olhar suas mãos ou o sola dos seus pés…

domingo, 31 agosto, 2008 Posted by | Crônica, Pequenas histórias | , , | 1 Comentário

Hasta la vista, hermanos!…

No dia 01 de setembro estarei no meio da mata amazônica, amigos, com tudo que tenho direito (banho de rio, peixe assado de brasa, um caipirinha ao entardecer, cantos de bichos na madrugada) e muito trabalho com meus amigos caboclos, até 06 de setembro. Portanto, não estranhem se o blogue não apresentar coisas novas neste período, ok? Quem sabe na volta eu trago novidades? Um abraço fraterno a todos.

sexta-feira, 29 agosto, 2008 Posted by | Comentário | 1 Comentário

Serra do Sol: as raposas e outros bichos…

Há poucos dias, li uma postagem indagando: quem é a raposa nesta história da Serra do Sol? Achei interessante a indagação, até mesmo porque naquele distante e cobiçado território o que mais tem são raposas e outros predadores. Daí, resolvi dar minha opinião a respeito.

Em termos gerais, pode-se identificar na “fauna” ali circulante, seis grupos diferenciados mas interrelacionados em um “ecossistema político-econômico”:

a) os lobos internacionais, interessados nos recursos naturais estratégicos da Amazônia e que atuam dissimuladamente através de organizações religiosas, pesquisadores disfarçados, ONG’s infiltradas, cooptando cultural e ideologicamente as populações tradicionais, criando um clima favorável, a médio e longo prazo, para uma possível internacionalização da região;

b) as raposas nacionais (médios e grandes empresários), mancomunadas ou não com a alcatéia internacional, que vêm na região apenas um almoxarifado de matérias primas para alimentar a lógica capitalista da acumulação centralizada nos pólos mais industrializados do país;

c) os lobordeiros (lobos travestidos de cordeiro) migrantis que, inserindo-se na região como pretensos agentes de desenvolvimento (pequenos empresários comerciais ou agrícolas, madeireiros, fazendeiros, etc.), geralmente formam a frente de ação dos lobos e raposas, lucrando com isso e voltando as origens após acumular lucros regionais que investiu na terra natal;

d) os lobordeiros nativus, geralmente oriundos das linhagens coloniais da ocupação regional histórica (comerciantes, pequenos industriais, pecuaristas, madeireiros, e outros) que também aliam-se pragmaticamente aos predadores citados acima, aspirando evoluir para raposa;

e) os cordeiros (pobres migrantes e populações tradicionais) que, desorganizados e cooptados cultural e ideologicamente pelas raposas e lobos (através dos lobordeiros e dos parasitas que citaremos mais adiante), atuam como massa de manobra e mão de obra barata dos predadores do topo da “cadeia alimentar”, muitos deles, alienadamente, aspirando tornarem-se lobordeiros;

f) e, finalizando uma categoria animal de dimensões mínimas mas de presença em volume muito grande: os parasitas (os políticos de todas as instâncias e espaços partidários), que sugam oportunidades pessoais em todos os espaços, aliviando ou implementando conflitos de acordo com as situações da “cadeia alimentar” citada e seus próprios interesses.

Logicamente, surgem aqui e ali algumas mutações benignas oriundas destes seis grupos, que buscam atitudes mais simbióticas e menos parasitárias, mais biodiversas e menos predatórias. Mas geralmente ocorrem em volume pouco significativo e são esfaceladas pela força organizacional e política dos predadores e parasitas e/ou pela inércia alienada dos cordeiros. E para completar esta situação de convivência selvagem (sem pretender ofender aos animais não-humanos), surge mais uma espécie: o leão desdentado do judiciário, que urra e ameaça intervir, mas prefere depois protelar indefinidamente a ação, talvez na esperança de que as espécies em conflito resolvam as questões entre si, sem prejudicar os seus bocejos bem remunerados e vitalícios.

Como se vê, a Serra do Sol abriga uma rica biodiversidade…

sexta-feira, 29 agosto, 2008 Posted by | Comentário | , , | Deixe um comentário

A distância entre intenção e gesto…

Umberto Macedo
http://umberto-macedo.blogspot.com/ | umberto@newcamp.com.br | 201.82.208.31

Provavelmente eles terão que mudar as estratégias depois destes mais acontecimentos dentro dos EUA… e como eu disse, a política externa americana sempre será única, mudando apenas a maneira pela qual cada governo age… isso é próprio da cultura política deles… o sistema americano na área internacional é de intervenções em todas as áreas… neste caso do Iraque não terão outra saída a não ser cair fora de lá, porém não o farão sem dar a volta por cima… o mais provável é que arrumem outra desculpa militar para isso… só espero que não seja sobre a nossa Amazônia…

Outro episódio que chama a atenção dos EUA, é o conflito na
Geórgia, com a declaração de independência da Ossétia do Sul e da Abkházia… isto ainda dará muito o que falar… está apenas começando…

De Estes ianques custam a assumir os fatos…, 2008/08/28 at 12:17 PM

Aí é que está, amigo. As condições objetivas adversas vão obrigá-los a buscar saídas outras. Por muito menos eles saíram do Vietnan com o rabo entre as pernas… O imperialismo militarista dos ianques todo mundo conhece e não se tem dúvidas a respeito. O problema é: como fazê-lo, sem dinheiro, com a imagem internacional arranhada e com a casa em pandarecos? O Obama, se for eleito, com seu discurso negociador, cairá como uma luva na necessidade deles em saír desta situação com o mínimo de perdas possível. E não nos enganemos não, na Geórgia eles não se metem, não só porque estão fragilizados material e politicamente, como também estão diante de um adversário militarmente forte. O Bush, expressão maior dessa cultura imperialista militar, é doido, mas nem tanto…Abraço.

quinta-feira, 28 agosto, 2008 Posted by | Trocando Idéias | , , | Deixe um comentário

Como eu gostaria que você estivesse errado…

Umberto Macedo
http://umberto-macedo.blogspot.com/ | umberto@newcamp.com.br | 201.82.208.31

Não irá me surpreender se, depois da eleições, o discurso mudar, seja qual for o eleito… a política externa americana é única, só muda a maneira pela qual cada qual a faz… neste caso do Iraque não será diferente.

Como em qualquer canto do mundo, nas campanhas eleitorais, ‘cartas’ são jogadas onde a demagogia e as promessas são sempre para angariar votos… seja países desenvolvidos ou não…

De Estes ianques custam a assumir os fatos…, 2008/08/28 at 8:37 AM

Prezado Umberto, é lamentável para todos nós que você provavelmente tenha razão. Mas, no meu otimismo pragmático, penso: quem sabe se a conjuntura atual plenamente desfavorável a eles (crise econômica, gastos astronômicos com aventuras militares, demandas sociais internas reprimidas, crise de legitimidade internacional, etc.), não os forçará a buscar uma saída honrosa do balaio de cobras em que se meteram? Abraço amazônico esperançoso.

quinta-feira, 28 agosto, 2008 Posted by | Trocando Idéias | , | Deixe um comentário

Estes ianques custam a assumir os fatos…

Novidade… Depois de que até os desinformados já sabem do buraco em que o “vagabundo beberrão” enterrou o Tio Sam, os democratas denunciam o enterro já anunciado e realizado. Espero que não seja apenas estratégia de campanha, mas a análise feita pelo Biden tem tudo a ver. Confiram…

Política externa de Bush e McCain afundou os EUA, diz Biden

Qui, 28 Ago, 01h09

Denver (EUA), 27 ago (EFE).- O democrata Joseph Biden, que concorrerá à Vice-Presidência dos Estados Unidos, disse hoje que a política externa do presidente George W. Bush e do candidato presidencial republicano, John McCain, afundaram os Estados Unidos.

http://br.noticias.yahoo.com/s/28082008/40/mundo-politica-externa-bush-mccain-afundou-eua-diz-biden.html

quinta-feira, 28 agosto, 2008 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | 2 Comentários

Olha, olha, olha! A Natureza está avisando!!…

Esta não é a única notícia a que temos tido acesso sobre tragédias ambientais inéditas no planeta, nos últimos cinco anos.  Até seca nordestina na Amazõnia tivemos! Até quando vamos ignorar as nossas idiotices ambientais?
Gelo ártico atinge segundo menor nivel da história
Aquecimento global

Gelo ártico atinge segundo menor nível da história

quarta-feira, 27 agosto, 2008 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

E haja cota!!!

Acho que a questão das cotas, mesmo quando tratada com seriedade para problemas sérios de exclusão social histórica, é por demais complexa, necessitando de discussões profundas sobre suas vantagens e desvantagens para o todo social. Mas, explorar esta política de cotas para toda e qualquer questão neste país (de raça, de gênero, de idade, etc., etc.) já é oportunismo generalizado. E usá-la para praticar a cota de nepotismo, então, é caso de polícia! Dêem uma olhadinha…

Inclusão social

Senado aprova cota para negros em empresas

Instituições públicas e privadas deverão adotar medida

quarta-feira, 27 agosto, 2008 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

E depois vêem falar sobre a fome no mundo!

Este é mais um exemplo da nossa hipocrisia e irresponsabilidade! Já não chega a gente vê programa de TV mostrando receita de máscara de leite, de verduras e frutas para manter a beleza da pele, shampos com estes mesmos produtos para embelezar a peruca, comerciantes jogando produtos fora para manter a especulação dos preços e ainda se vê “festinhas” como esta. E depois, ainda se tem que ouvir e ler lenga-lengas sobre o combate à fome mundial. Pooode?

  • Pablo Argente/AFP

    Gigantesca batalha de tomates toma conta de Valência AFP – Qua, 27 Ago, 11h35BUÑOL, Espanha (AFP) – Quase 40.000 pessoas jogaram umas nas outras nesta quarta-feira em Buñol toneladas de tomates durante a ‘Tomatina’, uma tradicional ‘guerra’ anual organizada no fim de agosto há 63 anos nesta cidade próxima a Valencia.

quarta-feira, 27 agosto, 2008 Posted by | Comentário, Repassando... | , | 1 Comentário