Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Parafraseando na madrugada…

Após três meses mergulhados em leituras e textos vejo-me, às quatro da matina, a pensar na frase do escritor e poeta egípcio Edmond Jabès: Uma frase é pura enquanto está sozinha. A seguinte tira-lhe logo alguma coisa. E como não tenho nada pra fazer além de uma nova postagem para este blogue, resolvi brincar com as boas reflexões de pensadores conhecidos, para testar a validade da afirmativa do egípcio[1]:

Eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa. Desconfio por exemplo de que subir na vida é como subir em uma árvore, tarefa para a qual cada um de nós tem três caminhos: subir nela, sentar em cima de uma semente ou ficar amigo de um grande pássaro. Como não tenho um grande pássaro amigo e não tenho paciência para sentar na semente e esperá-la tornar-se árvore, tenho como única escolha tentar subir na floresta da vida, agarrando-me aos meus sonhos (pois afinal lutam melhor os que têm belos sonhos e eu sonho para ser livre de espírito e luto para ser livre na vida). E com este pensar, busco aprender como se fosse viver para sempre e vivo como se fosse morrer amanhã. Mas, cada pessoa pensa como pode… E como eu tenho um cérebro maravilhoso, que começa a funcionar assim que me levanto da cama e não pára até chegar ao escritório, adoro o meu trabalho: sou capaz de ficar horas simplesmente olhando para ele (afinal, devo ter uma enorme quantidade de inteligência, pois às vezes levo uma semana para a colocar em movimento). E ao fim de cada dia, despreocupado com o futuro (pois afinal é o passado que nos atropela e mata!), volto para casa (onde o meu coração cria raízes), dispo-me da minha veste de gênio (contra a qual todos os idiotas se juntam e conspiram!) e vou alimentar o meu cachorro manso que passou fome durante todo o dia…

Meu outro cão, o que é cruel e mau, só se alimentará amanhã, quando eu acordar novamente, pois afinal o brasileiro, quando não é canalha na véspera, é canalha no dia seguinte…


[1] O texto parafraseado tem reflexões de Jonathan Swift, Henrik Ibsen, Nelson Rodrigues, Paulo Coelho, Robert Maidment, Robert Frost, Robert Benchlev, Mark Twain, Guimarães Rosa, Che Guevara, Mahatma Gandhi e Mário Quintana. Ofertamos um doce para cada leitor que identificar as respectivas reflexões no texto acima.

terça-feira, 30 setembro, 2008 Posted by | Comentário, Humor, Reflexões | , , | Deixe um comentário

Acordei com a macaca ao quadrado!!

Como sói acontecer periodicamente, meu lado irônico e machista despertou de alto astral, talvez estimulado pela lembrança dos personagens maravilhosos do Paul Newman, que acaba de nos deixar. A diferença das outras vezes é que hoje, não sei por que, o espírito de Pitágoras parece ter baixado em mim e me sussurrado ao ouvido:

_ A matemática é o alfabeto com o qual Deus escreveu o universo…

Seja qual for a motivação, segue abaixo a minha coletânea tradicional de provocações de gênero:

Matemática do Amor

a) Homem inteligente + mulher inteligente = amor
b) Homem inteligente + mulher boba = aventura
c) Homem bobo + mulher inteligente = casamento
d) Homem bobo + mulher boba = gravidez

A Matemática das Compras

a) Um homem paga R$ 2,00 por algo que necessita e que custa R$ 1,00.
b) Uma mulher paga R$ 1,00 por algo que não necessita e que custa R$ 2,00.

Equações e Estatísticas Gerais

a) Uma mulher se preocupa com o futuro até que encontra um marido.
b) Um homem nunca se preocupa com o futuro até que encontra uma mulher.
c) Um homem bem sucedido é aquele que consegue ganhar mais dinheiro do que a sua mulher consegue gastar.
d) A mulher bem sucedida é aquela que consegue encontrar um marido assim.

E “pra não dizer que não falei de flores”, transcrevo abaixo o texto atribuído a Millôr Fernandes:

Romance matemático

Às folhas tantas do livro matemático, um Quociente apaixonou-se um dia, doidamente, por uma Incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a, do Ápice à Base, uma Figura Ímpar: olhos rombóides, boca trapezóide, corpo otogonal, seios esferóides. Fez da sua uma vida Paralela à dela, até que se encontraram no Infinito.

_”Quem és tu?” indagou ele com ânsia Radical.

_ “Sou a soma dos quadrados dos catetos, mas pode me chamar de Hipotenusa.”

E de falarem descobriram que eram – o que, em aritmética, corresponde a almas irmãs – Primos-entre-si. E assim se amaram ao quadrado da velocidade da luz. Numa sexta potenciação, traçando ao sabor do momento e da paixão retas, curvas, círculos e linhas sinoidais, escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas e os exegetas do Universo Finito. Romperam convenções newtonianas e pitagóricas. E, enfim, resolveram se casar e constituir um lar. Mais que um lar, uma perpendicular. Convidaram para padrinhos o Poliedro e a Bissetriz e fizeram planos, equações e diagramas para o futuro. Sonhando com uma felicidade Integral e Diferencial. Casaram-se e tiveram uma secante e três cones muito engraçadinhos E foram felizes até aquele dia em que tudo, afinal, vira monotonia. Foi então que surgiu o Máximo Divisor Comum Freqüentador de Círculos Concêntricos. Viciosos. Ofereceu-lhe, a ela, uma Grandeza Absoluta, e reduziu-a a um Denominador Comum. Ele, Quociente, percebeu que com ela não formava mais um Todo, uma Unidade. Era o Triângulo, tanto chamado amoroso. Desse problema ela era a Fração mais Ordinária.

Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade e tudo que era espúrio passou a ser Moralidade como, aliás, em qualquer Sociedade…

E eu, Henrique, lendo este romance matemático, refugiei-me na reflexão de Bertrand Russel: A matemática é a única ciência exata em que nunca se sabe do que se está a falar nem se aquilo que se diz é verdadeiro.

domingo, 28 setembro, 2008 Posted by | Comentário, Humor | | 1 Comentário

A sabedoria das mulheres-companheiras…

Um homem e uma mulher estavam casados por mais de 60 anos.

Eles tinham compartilhado tudo um com o outro, tinham conversado sobre tudo e não tinham segredo entre eles, afora uma caixa de sapato que a mulher guardava em cima de um armário e tinha avisado ao marido que nunca abrisse aquela caixa e nem perguntasse o que havia nela. Assim, por todos aqueles anos ele nunca nem pensou sobre o que estaria naquela caixa de sapato. Mas um dia a velhinha ficou muito doente e o médico falou que ela não sobreviveria. Então o velhinho tirou  a caixa de cima do armário e a levou pra perto da cama da mulher. Ela então concordou que era a hora dele saber o que havia naquela caixa.

Quando ele abriu a tal caixa, viu duas bonecas de crochê e um pacote de dinheiro que totalizava 95 mil dólares. Ele perguntou a ela o que aquilo significava, ela explicou:

_ Quando nós nos casamos, minha avó me disse que o segredo de um casamento feliz é nunca argumentar ou brigar por nada. E se alguma vez eu ficasse com raiva de você, que eu ficasse quieta e fizesse uma boneca de crochê.

O velhinho ficou tão emocionado que teve que conter as lágrimas enquanto pensava “Somente duas bonecas preciosas estavam na caixa. Ela ficou com raiva de mim somente duas vezes, por todos esses anos de vida e amor.”

Querida!!! – ele falou – Você me explicou sobre as bonecas, mas e esse dinheiro todo, de onde veio?

Ah!!! – ela disse – Esse é o dinheiro que eu ganhei com a venda das bonecas.

Moral da historinha: foi daí que surgiu a prece das esposas:

“Senhor, dai-me sabedoria para entender meu marido, amor para perdoá-lo e paciência para aturá-lo, Senhor, porque se eu pedir força, eu bato nele até matar,  eu não sei fazer crochê… Amém![1]


[1] PS: Esta matéria me foi enviada por minha esposa… Espero ver algum dia a grana firme que ela está descolando (Henrique Miranda).

sábado, 27 setembro, 2008 Posted by | Comentário, Repassando... | , | Deixe um comentário

Uma resposta à altura!

Meu amigo e colaborador Carlos Germer, indignado contra o jornalismo rasteiro que se pratica neste país (e que inúmeras vezes denunciei neste blog), enviou-me a matéria abaixo. Como ele e inúmeros brasileiros, prestamos a nossa solidariedade à esposa do nosso saudoso Paulo Freire. Leiam e tirem as próprias conclusões...


Viúva do educador Paulo Freire escreve carta de repúdio a Revista Veja

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele? De autoria de Mônica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

“Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado”.

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

“Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE – e um dos maiores de toda a história da humanidade -, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico.  Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do “filósofo” e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas , sobretudo pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou – que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu “Norte” e “Bíblia”, esta matéria revela quase tão somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008

Ana Maria Araújo Freire”.

sábado, 27 setembro, 2008 Posted by | Comentário, Repassando... | , | 1 Comentário

Governo Lula: os resultados estão aí, é só olhar.

Somente o fato do Brasil não estar aos trancos e barrancos em função da crise financeira que campeia lá fora, já seria um mérito inquestionável do governo Lula, em termos de gestão macro-econômica. Mas também na micro economia, na vida das pessoas, os resultados positivos são anunciados pela mídia, mídia esta que nada tem de pró-Lula. Assim, apesar dos rosnados e ataques da oposição pitbull, os fatos confirmam o contrário e justificam assim o porque do índice da gestão Lula ser o mais alto da história recente do país. Claro que a minoria ativa dos deserdados e lobordeiros continuarão afirmando fracassos, utilizando as mazelas sociais acumuladas em 500 anos e que ainda não puderam ser resolvidas. Normal, normal… Faz parte da prática suja da política jurássica brasileira. Mas para quem quer enxergar, basta ver e analisar dados como os da última pesqusia do IPEA, divulgados ontem. Dêem uma olhada:

Ipea apura ascensão social de 14 milhões de brasileiros de 2001 a 2007

Seg, 22 Set, 03h45

RIO DE JANEIRO (Reuters) – Quase 14 milhões de brasileiros ascenderam socialmente no país entre 2001 e 2007, de acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

De acordo com a pesquisa Pobreza e Mudança Social, 10,2 milhões de brasileiros passaram da classe de renda mais baixa (até 545,66 reais) para a faixa de renda média (de 545,66 a 1.350,82 reais), e 3,6 milhões saltaram da renda média para a classe mais alta (acima de 1.350,82 reais).

http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/080922/manchetes/manchetes_macro_ipea_ascensao_pol

quinta-feira, 25 setembro, 2008 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Sugestão…



Como manter-se jovem:

1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura.

Deixe que os médicos se preocupem com isso. Afinal, é para isso que lhes paga!.

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo.
Lembre-se disto se for um desses depressivos!


3. Aprenda sempre:
Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso.
‘Uma mente preguiçosa é trabalho do diabo.’ E o nome do diabo é Alzheimer!

4. Aprecie as pequenas coisas

5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar.
E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele / ela!

6. Quando as lágrimas aparecerem
Aguente, sofra e ultrapasse. A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós mesmos. VIVA enquanto estiver vivo.

7. Rodeie-se das coisas que ama:
Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja.
O seu lar é o seu refugio.

8. Tome cuidado com a sua saúde:
Se é boa, mantenha-a.
Se é instável, melhore-a.
Se não a consegue melhorar, procure ajuda.

9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde estiver a culpa

10. Diga às pessoas que ama que as ama a cada oportunidade.

E, se não mandar isto a pelo menos quatro pessoas – quem é que se importa?


e não leve a vida muito a sério, afinal você não sairá dela vivo mesmo…

terça-feira, 23 setembro, 2008 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Lei Seca: Começaram a enxergar a nudez do rei!

O Brasil é um país onde a imensa maioria daqueles que estão no poder adoram fingir que estão fazendo alguma coisa, para continuar no poder sem fazer nada. Além disso, entre o povo e este círculo de poder, mantém-se um anel de oportunismo formado pelos lobordeiros (lobos oportunistas disfarçados de cordeiros), à espreita de penetrar no círculo ou alimentar-se das gordas sobras do desperdício dos poderosos. E nos últimos anos, em virtude da pressão dos deserdados (que sobrevivem na periferia do anel dos lobordeiros), os senhores feudais de plantão aperfeiçoaram as suas estratégias de enraizamento no poder: criar leis que, embora limitem ainda mais os direitos individuais dos cidadãos comuns, podem dar a impressão de alguma coisa está sendo feita pelo bem estar geral. Os legisladores colocaram a mão na massa e aprovaram leis que se assemelham ao “tecido invisível” da fábula de Christian Andersen (O rei nu) e que só os inteligentes podiam enxergar. Apresentado aos burocratas, juristas e guardiões da justiça, este tecido, tão maravilhoso quanto falso, (pois inexiste na lógica social democrática e no bom senso das pessoas normais), receberam elogios e legitimação, já que ninguém queria passar por burro.

Assim, “vestindo” não somente o rei vaidoso mas também toda a corte lobordeira, têm sido mostrado a nós da periferia, roupas maravilhosas feitas com estes “tecidos invisíveis”, sendo a Lei Seca a mais linda e mais recente delas. Com aparato e elogios dos “inteligentes”, cobertura sensacionalista da mídia e até mesmo sorrisos dos periféricos mais conservadores. Nas primeiras semanas, o desfile da dita lei provocou espasmos e delírios, no melhor estilo Gisele Bündchen: tropas fiscalizadoras nas ruas, motoristas acuados, empresários preocupados, mas todos temerosos diante da beleza do “vestido invisível” que todos teimavam em enxergar. Passado este período, avaliação: os acidentes de trânsito foram reduzidos em 14%, na média nacional. Bom, pensaram os criadores da indumentária! Bom, bom não está, mas está bom! Tá enganando!…

Hoje, em mais um noticiário sobre esta extraordinária criação, alguns burros da realidade começaram a perceber que este vestido invisível tem algo de real: reduzida a fiscalização, a redução dos acidentes nacionais de trânsito caiu de 14 para apenas 8%. E já culpam a volta da fiscalização ao “tudo dantes no quartel de Abrantes”, pelo fracasso. Mesmos os que se arriscaram a passar por burros, ainda não afirmam que o rei está nu! Ainda têm medo de serem considerados asnos por não enxergarem o tecido maravilhoso da empulhação de que estamos sendo vítimas. Se vencessem este medo, descobririam que a Lei Seca só funcionará com uma fiscalização severa e permanente. E com uma fiscalização severa e permanente, o falso vestido da Lei Seca seria plenamente dispensável, pois a legislação anterior já permitia vestir os irresponsáveis com o visível uniforme listrado (listrado?) dos presídios.

E assim o rei e sua corte, embora continuem pelados, permanecem admirados em suas “vestimentas” pelos lobordeiros e periféricos pouco perceptivos. Até quando não se sabe. E é bem capaz deles lançarem um novo vestido invisível para impedir as óticas e os oftalmologistas de trabalharem…

segunda-feira, 22 setembro, 2008 Posted by | Comentário | | Deixe um comentário

A lógica oportunista dos lobordeiros de sempre.

Qualquer teórico ou defensor do modo capitalista de produção apresenta como principal bandeira econômica a distância do Estado Nação dos processos produtivos, a não ser aqueles relacionados à infraestrutura produtiva (que custa muito dinheiro) e alguns ordenamentos jurídicos básicos. O resto, dizem eles, será resolvido pela lógica do mercado. Se fosse verdade, até que seria interessante, apesar das profundas desigualdades sociais e impactos ambientais decorrentes dos processos economicos capitalistas ao longo da história. Em verdade, esta lógica só é defendida quando o empresariado e os banqueiros vão bem, ganhado rios de dinheiro. Nestes momentos de sucesso, ainda segundo eles, o Estado, se não faz nada, pelo menos não deve atrapalhar. Mas é só surgirem os prejuízos, geralmente originados nas crises geradas pelo próprio modo de produção, o Estado é imediatamente instado a intervir. A crise do sistema financeiro desencadeada pelos EUA é um exemplo emblemático: financiaram de forma irresponsável durante anos, especularam como sempre, esconderam as incompetências operacionais durante anos e agora, para salvar a economia ianque (e por tabela a economia mundial) de uma séria crise, o governo americano, com o dinheiro dos contribuintes, decidiu investir 700 bilhões de dólares na compra de papéis podres, ou seja, empréstimos inadimplentes, para salvar bancos, seguradoras e o escambau. Além dos governos de outros países, ditos desenvolvidos, que tiveram de fazer o mesmo. Se a especulação financeira tivesse dado certo, o Estado continuaria sendo a sogra; como deu errado, ele virou a mãe. Os ditos defensores do sistema dizem hoje que a crise poderia ser resolvida pela tal lógica do mercado, mas num tempo muito longo e com seqüelas fortísssimas (para eles, claro!). E ao fim de tudo, em nome da salvação  da população investidora/poupadora, usar-se-á o dinheiro desta mesma população para salvar os lobordeiros de sempre.

Como disse o Velho Barbudo: O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções.

sábado, 20 setembro, 2008 Posted by | Comentário | , , | 2 Comentários

A ética marginal…

Vi hoje a reportagem sobre um ladrão de carros que roubou um veículo ontem e logo após, descobriu que dentro do carro havia um menino de cinco anos. Desesperado, ligou pra polícia, pediu para que viessem pegar o carro e a criança, desculpando-se pelo incidente.

Este fato lembrou-me a uma experiência vivida na década de 80, quando mandei o meu razoável padrão de vida para o ar e vim morar na periferia de Belém, próximo à Universidade Federal, para cursar Administração. Morando nos limites de uma boca-de-fumo de um traficante chamado de Baiá, sem muros ou qualquer outro obstáculo, dinheiro contado, me segurando ao extremo pra não ter de vender minha Brasília Branca (último troféu da vida antiga).

Naquela noite, voltando de uma ronda pelos botecos do bairro, às quatro da matina estacionei a Brasília em frente à casa (garagem, nem pensar!) e resolvi fumar um último cigarro dentro do veículo, ouvindo uma musiquinha legal que rolava. Vidro da janela aberto, rua deserta, fumaça na cuca, a cuca viajando na vida, de repente uma voz gutural ao meu lado:

_ Barão, me arranje um cigarro aí!…

Como não sou filho de pai assustado nem nasci de sete meses, me virei lentamente, olhei o negão forte a minha frente, respondi “pois não” e dei-lhe o cigarro acompanhado do isqueiro. Ele acendeu calmamente sua dosezinha de câncer, olhou-me e falou pausadamente, naquele sotaque arrastado de malandro:

_ Obrigado Barão. O senhor sabe com quem tá falando?

_ Não, companheiro, não sei, sou novo no pedaço.

_ Eu sou o Baiá, seu vizinho aí de trás…

_ Ah! Prazer…

_ E pode ficar tranqüilo que aqui, com o senhor ninguém mexe, certo?

_ Ah! Obrigado. É bom saber disso…

O silêncio nos envolveu por alguns segundos e eu já me sentia novamente tranqüilo, desligando o toca-fitas para sair do carro.

_ E o senhor sabe porque?

_ Não, não sei. Porque?

_ Porque o senhor tratou bem o meu filho…

Parei atônito. Como? Quem era o filho dele? Procurei lembrar-me de alguns rostos percebidos na vizinhança, mas não encontrava nada compatível com a afirmativa dele.

_ Seu filho?

_ É, ele me contou que o senhor deu banana pra ele…

Lembrei! Cerca de dois meses antes, estava tomando café com a porta da cozinha aberta, quando vi encostado no portal uma criança negra, olhando comprido para a penca de bananas sobre a mesa. Não se mexeu quando o mirei, não pediu nada, só olhava para as bananas. E quando lhe perguntei se ele queria banana, ele apenas balançou afirmativamente a cabeça. Chamei-o para sentar-se, ele veio. Dei-lhe bananas, ele comeu. Mudo e olhando a toalha. Quando acabou, levantou-se e foi embora, silencioso como veio. Pensei um pouco sobre as desigualdades do mundo e esqueci o fato. Agora, aquela manhã voltava nítida à mente e encheu-me de tranqüilidade.

_ Ah! Agora me lembro! Nem sabia que era seu filho!

_ Pois é…É o meu caçula.

Conversamos mais um pouco, disse-lhe que estava ali no bairro para poder estudar na universidade e nos despedimos amigavelmente.

Morei cinco anos no bairro e a única coisa que mudou na nossa amizade foi que ele, a partir daquela noite, passou a chamar-me de professor… Dez anos depois da minha mudança para o centro da cidade, cruzava a praça da Basílica de Nazaré, quando ouvi chamados gritados e repetidos: _ Professor, professor! Parei e olhei já sabendo quem era, e vi à minha frente um Baiá de cabelos semi-grisalhos e sorridente:

_Eras, professor agora virou barão e nunca mais visitou os pobres!

Conversamos um pouco sobre as nossas vidas, ele me levou até à esquina, onde um pilha de jornais descansava sobre um caixote.

_ Taí, professor, agora to vendendo jornal, larguei aquela vida. Tava muito dura, sendo preso toda hora, os cana querendo sempre dinheiro, larguei… Não dá muito, mas eu vivo mais tranqüilo…Ah! O meu caçula, lembra? Já tá homem feito, já tem até família!

Despedimo-nos e eu segui pra casa, pensando mais uma vez nas desigualdades do mundo.

E hoje, vendo a notícia sobre o ladrão de carros, lembrei-me do Baiá, o traficante ético que virou jornaleiro…

quarta-feira, 17 setembro, 2008 Posted by | Comentário | , | 2 Comentários

A empatia necessária ao conhecimento…

Wendell Lima
http://www.thebobs.com.br | killer@lidernet.com.br | 189.82.68.7

Grande Henricão!

Essa Lei Seca confirma uma velha frase que sempre rolou nas mentes e nos corações dos brasileiros: “O Brasil é um país de contrastes”.Contrastes sim, pois, quem rouba “zilhões” nos eternos esquemas fraudulentos que existem por ai não vai preso! Porém, experimente tomar 2 latinhas de cerveja depois de um dia estressante de trabalho e ir dirigindo para sua residência…Ainda bem que existem algumas ilhas de bom senso, nesse mar de incoerências… como é caso do juiz citado. Um abraço!
Wendell Lima

De Olha aí: acharam a Lei Seca!, 2008/09/15 at 9:25 PM

christopher s nobrega
chris_hibrido@hotmail.com | 201.95.208.47

acredito que não seja um genio como esse garoto, mas algumas das coisas ditadas pelo garoto sempre atormentaram minha vida sempre fui taxado como mentiroso por todos e acredito que existe bem mais coisas na terra que se possa dizer.

De “Crianças azuis”: quase inacreditável!…, 2008/09/15 at 3:13 PM

Amigos Wendel e Chris, além de agradecer a participação de vcs, nada mais posso dizer do que fico feliz por encontrar eco entre os temas postados aqui e a percepção adequada e proativa de cada um de vcs. Isto nos alegra porque semear informações direcionadas para um mundo mais justo e solidário é a missão principal deste blog. Para muitos, pode parecer pretensão esta missão que nos auto-atribuímos, mas já se disse que “se vc não pode mudar o mundo, tente mudar pelo menos o pequeno mundo ao seu redor”. Um abraço fraterno.

terça-feira, 16 setembro, 2008 Posted by | Trocando Idéias | | Deixe um comentário