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Lei Seca: Começaram a enxergar a nudez do rei!

O Brasil é um país onde a imensa maioria daqueles que estão no poder adoram fingir que estão fazendo alguma coisa, para continuar no poder sem fazer nada. Além disso, entre o povo e este círculo de poder, mantém-se um anel de oportunismo formado pelos lobordeiros (lobos oportunistas disfarçados de cordeiros), à espreita de penetrar no círculo ou alimentar-se das gordas sobras do desperdício dos poderosos. E nos últimos anos, em virtude da pressão dos deserdados (que sobrevivem na periferia do anel dos lobordeiros), os senhores feudais de plantão aperfeiçoaram as suas estratégias de enraizamento no poder: criar leis que, embora limitem ainda mais os direitos individuais dos cidadãos comuns, podem dar a impressão de alguma coisa está sendo feita pelo bem estar geral. Os legisladores colocaram a mão na massa e aprovaram leis que se assemelham ao “tecido invisível” da fábula de Christian Andersen (O rei nu) e que só os inteligentes podiam enxergar. Apresentado aos burocratas, juristas e guardiões da justiça, este tecido, tão maravilhoso quanto falso, (pois inexiste na lógica social democrática e no bom senso das pessoas normais), receberam elogios e legitimação, já que ninguém queria passar por burro.

Assim, “vestindo” não somente o rei vaidoso mas também toda a corte lobordeira, têm sido mostrado a nós da periferia, roupas maravilhosas feitas com estes “tecidos invisíveis”, sendo a Lei Seca a mais linda e mais recente delas. Com aparato e elogios dos “inteligentes”, cobertura sensacionalista da mídia e até mesmo sorrisos dos periféricos mais conservadores. Nas primeiras semanas, o desfile da dita lei provocou espasmos e delírios, no melhor estilo Gisele Bündchen: tropas fiscalizadoras nas ruas, motoristas acuados, empresários preocupados, mas todos temerosos diante da beleza do “vestido invisível” que todos teimavam em enxergar. Passado este período, avaliação: os acidentes de trânsito foram reduzidos em 14%, na média nacional. Bom, pensaram os criadores da indumentária! Bom, bom não está, mas está bom! Tá enganando!…

Hoje, em mais um noticiário sobre esta extraordinária criação, alguns burros da realidade começaram a perceber que este vestido invisível tem algo de real: reduzida a fiscalização, a redução dos acidentes nacionais de trânsito caiu de 14 para apenas 8%. E já culpam a volta da fiscalização ao “tudo dantes no quartel de Abrantes”, pelo fracasso. Mesmos os que se arriscaram a passar por burros, ainda não afirmam que o rei está nu! Ainda têm medo de serem considerados asnos por não enxergarem o tecido maravilhoso da empulhação de que estamos sendo vítimas. Se vencessem este medo, descobririam que a Lei Seca só funcionará com uma fiscalização severa e permanente. E com uma fiscalização severa e permanente, o falso vestido da Lei Seca seria plenamente dispensável, pois a legislação anterior já permitia vestir os irresponsáveis com o visível uniforme listrado (listrado?) dos presídios.

E assim o rei e sua corte, embora continuem pelados, permanecem admirados em suas “vestimentas” pelos lobordeiros e periféricos pouco perceptivos. Até quando não se sabe. E é bem capaz deles lançarem um novo vestido invisível para impedir as óticas e os oftalmologistas de trabalharem…

segunda-feira, 22 setembro, 2008 - Posted by | Comentário |

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