Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Presunção e comunicação nos tempos do Cólera

Talvez por estar muito envolvido na elaboração de um projeto (onde se usa terminologias técnico-científicas em demasia),  acordei hoje lembrando-me de um fato que presenciei em inícios da década de 2000: a presunção verborrágica dos “doutores” hermetizando a comunicação interpessoal. Era o tempo do Cólera (um surto da doença que atingiu toda a região amazônica e que virou manchete nacional) e eu estava em uma pequena comunidade ribeirinha no estuário do rio Amazonas onde, em termos de educação formal, o morador que tivesse concluído a quarta série do ensino fundamental sabia muito. E acompanhava o engenheiro sanitarista de uma ONG para apresentar à comunidade um pequeno aparelho que transformava o sal de cozinha (cloreto de sódio) dissolvido em água, em hipoclorito de sódio, para tratar a água do consumo doméstico naqueles tempos difíceis. Bem, caboclos reunidos no galpão comunitário, o engenheiro à frente, palestra rolando, até que uma pergunta rompeu o silêncio da platéia:

_ Dotô, como é que esse aparelhinho consegue transformar o sal no hipoclorito?
O engenheiro parou, empostou a voz como fazem os oradores, e mandou ver:
_Bem, tudo depende da reação eletrolítica do cloro ativo!…

Silêncio mortal… Todas as faces cristalizadas pelo constrangimento de não terem entendido e não desejarem passar por burros, declarando o não-entendimento. Como éramos velhos amigos de trabalho comum, pescarias e papos noturnos, muitos deles me olharam com aquelas caras limpidamente estarrecidas, silenciosamente pedindo socorro. Calei a raiva que sentia do palestrante (que também era meu amigo!) e fiz o gancho:

_ Cara, eu também não entendi!

E aí ele explicou, bem pacientemente, que o sal dissolvido, quando passava no aparelho, recebia um “choque elétrico” que liberava o hipoclorito que existia no sal de cozinha utilizado. Os rostos se desanuviaram e a palestra teve continuidade…

Lembrei hoje desse fato vivenciado e fiquei matutando (enquanto fazia café às quatro da matina), porque sempre cobrei três coisas daqueles que tiveram a oportunidade de estudar além da média brasileira: o compromisso social, o respeito ao conhecimento popular e a comunicação dialógica, facilitada pela linguagem coloquial e nivelada pela escolaridade do público mais representativo. E por agir assim, imaginem quantos conflitos já vivenciei…

Vocês já perceberam no dia-a-dia, que aqueles que estudaram além da média se portam, contraditoriamente, como senhores da verdade ou então como simples portadores de conhecimentos a compartilhar? Os primeiros, geralmente os mais despreparados (e que eu chamo pejorativamente de “doutores”), adoram esconder seus parcos conhecimentos sob o manto da escamoteação ou sob o hermetismo das palavras e dos conceitos, refugiando-se no diploma (eu estudei, sou formado!) quando flagrados em momentos de desconhecimento explícito. Os segundos, que eu chamo amorosamente de sábios, portam-se como pessoas comuns, sociáveis e de linguagem acessível, e geralmente não gostam de ser citados pelos seus diplomas. Se ainda não perceberam, procurem reparar esse fenômeno social que ocorre até mesmo entre os menos escolarizados: o inseguro presunçoso e o sábio compartilhador.

Vocês devem estar pensando nesse momento: porque esse cara resolve, em plena madrugada, escrever sobre sábios e “doutores”, comunicadores e herméticos, escamoteadores e dialógicos?

Explico…

Vivemos em um mundo que exige a ação transformadora do conhecimento e aqueles que tiveram a fortuna de freqüentar suficientemente os bancos escolares (embora muitos o tenham feito sem aproveitar suficientemente), têm a obrigação moral de contribuir para a ampliação do conhecimento humano, que se dá pelo compartilhamento cognitivo entre o saber formal e o saber tradicional. Mas, em geral, isso não ocorre. A maioria daqueles que são especializados em algo, conhecedores e estudiosos de algum tema específico, adotam a prepotente e dogmática atitude de sabe-tudo em meio a multidões que não sabem nada. Esses especialistas (“doutores”) esquecem que o conhecimento não é um ato unilateral, exige uma busca constante e coletivamente compartilhada de reflexão crítica sobre as coisas do mundo onde cada um, enquanto ser individual e ser coletivo, busca chegar ao fundo das coisas, a aproximações sucessivas da verdade. Daí, como disse o saudoso sábio Paulo Freire, ninguém aprende sozinho, os homens aprendem no cenário coletivo, onde cada um sabe algo sobre algo. Mas, para que isso possa ocorrer, torna-se necessária a comunicação interpessoal aberta e eficiente, coisa rara nas sociedades em que vivemos. Rara porque vivemos em sociedades de classes. Rara porque vivemos em sociedades nas quais o conhecimento deixou de ser um bem coletivo e passou a ser fonte de poder pessoal e moeda individual de troca. Rara porque há uma maioria de “doutores” gestados no ventre das culturas dominantes, através das quais cada um recebe condicionamentos para pensar de formas determinadas, aceitar sem crítica a interpretação de mundo do sistema de poder vigente e contribuir para a reprodução da cultura do silêncio. Essa cultura onde só “as elites do poder exercem o direito de eleger, de atuar, de mandar, sem a maioria da participação popular” (novamente a lucidez do Freire). E em assim sendo, esse silêncio subliminarmente imposto pela ideologia dominante, tira o direito de reflexão e voz daqueles que não têm poder econômico e/ou político e/ou saber formal. E nesse cenário, o dogmatismo e a linguagem inacessível dos especialistas atuam como instrumentos de dominação, soterrando a função social transformadora e humanizadora do saber na sociedade como um todo.

Talvez por isso os segmentos das classes favorecidas reclamem tanto do Bolsa-Família e do PRO-UNI, que viabilizam um maior acesso escolar aos pobres e a fuga das funções sociais ultrajantes mas necessárias (catadores de lixo,  garis,  trabalhos domésticos sub-remunerados, empregos informais, etc.), ao mesmo tempo que não comentam as gordas bolsas de mestrado e/ou doutorado que são destinadas aos seus filhos já privilegiados de nascença.

Mas, para felicidade geral da nação, ocorrem divergências socialmente saudáveis. Freire, Darcy Ribeiro, Ghandi, Marx, Engels e inúmeros outros, embora “bem nascidos”, romperam essa lógica social perversa. Igualmente, inúmeros indivíduos que atuam anonimamente, ultrapassaram esses condicionamentos. E graças aos compartilhamentos de conhecimentos entre esses sábios, anônimos dissidentes e as classes populares, elas, embora tratadas como se fossem coisas de uma massa ignara, pouco a pouco entendem os mecanismos de dominação dessa cultura do silêncio. E fundindo o seu saber tradicional às novas informações, criam paulatinamente suas formas de resistência à opressão e de participação (interativa ou contestadora) na construção de uma nova sociedade.

Caraca! E pensar que toda essa falação surgiu da história do hipoclorito! Mas, que tem muito a ver, ah! Isso tem! Uma sociedade justa passa pela sua humanização, onde homens e mulheres, independente de classe e etnia, possam ter acesso amplo às formas de chegar à consciência de si mesmo, desenvolver suas potencialidades de acordo com as necessidades próprias e dos demais. De superarem a situação histórica de instrumentos geradores de riqueza e tornarem-se atores sociais e dos próprios destinos.

E esses processos de mudanças, passam inevitavelmente pela superação de posturas tais como a da “reação eletrolítica do cloro ativo”.

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sábado, 28 fevereiro, 2009 Posted by | Comentário | , , | 2 Comentários

Segurança: mais uma brecha na nossa vida pessoal

Você já se hospedou em um daqueles hotéis caros, onde não existe a chave tradicional e sim um cartão magnético? Não? Sorte sua! Eu já, e descobri agora, com as informações do nosso RV Carlos Germer, que corri riscos pessoais desnecessários. Caraca! Senti-me tão seguro e importante! E agora descubro que era exatamente o contrário! Dêem uma lida e se previnam...

MAIS ESSA!!!

CHAVES MAGNÉTICAS DE HOTÉIS

Alguma vez já se perguntou o que está armazenado nas chaves magnéticas (que se assemelham aos cartões de crédito) dos hotéis?
Veja a resposta e mude seus hábitos:
a. Nome do hóspede
b. Endereço parcial do hóspede
c. Número do quarto do hotel
d. Datas do check-in e ckeck-out
e. Número do cartão de crédito, e sua data de validade, do hóspede!

Quando você as devolve na recepção, suas informações ficam lá disponíveis para qualquer funcionário com acesso ao ‘scanner’ do hotel. Ou ainda, um  funcionário pode levar um monte delas para casa e, utilizando um aparelho de ‘scanner’ magnético, ter acesso às suas informações e sair gastando pela  internet. Simplificando, os hotéis não apagam as informações das chaves magnéticas até que um novo hóspede faça uso delas, quando suas informações sobrescreverão as do antigo hóspede. Mas até que a chave seja re-utilizada, ela fica, geralmente, na gaveta da recepção com as suas informações nela!
Resumindo: guarde com você suas chaves magnéticas, leve-as para casa ou as destrua. Nunca as deixe no quarto, no lixo do banheiro e NUNCA as devolva para a recepção quando estiver fazendo o check-out. Os hotéis não podem cobrar pelas chaves (é ilegal) e você terá certeza de que não estará deixando um monte de informações pessoais valiosas que podem ser facilmente acessadas, e utilizadas, com um ‘scanner’ magnético.
Pela mesma razão, se você chegar ao aeroporto e descobrir que ainda está  carregando a chave com você, não a jogue nas cestas de lixo. Leve-a para casa e a destrua com uma tesoura, cortando principalmente a faixa magnética nas costas da chave.

* Informação: Departamento Policial Federal
Repasse para amigos e familiares*

quinta-feira, 26 fevereiro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , | Deixe um comentário

Obama: resumo das últimas atitudes

  • Obama pede regras mais duras para o sistema financeiro
    Tentando evitar uma repetição da crise financeira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quarta-feira que a regulamentação do sistema financeiro precisa ser atualizada para trazer mais transparência e prestação de contas aos mercados e instituições financeiras.
    Agência Estado via Yahoo! Brasil Notícias – 29 minutos atrás
  • Orçamento de Obama inclui US634 bi em fundo de saúde-autoridade
    WASHINGTON (Reuters) – O esboço do orçamento do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, inclui um fundo de reserva de 10 anos de 634 bilhões de dólares para ajudar a pagar suas propostas de reforma no sistema de saúde pública, disse uma autoridade da Casa Branca nesta quarta-feira…
    Globo Online – 3 minutos atrás
  • Obama encara combate ao aquecimento global e pede lei de cotas de poluição
    WASHINGTON (AFP) – O presidente americano, Barack Obama, pediu nesta terça-feira ao Congresso que elabore uma lei para limitar a emissão de gases causadores do efeito estufa, com a criação de um mercado de cotas de poluição, medida fundamental para o combate ao aquecimento global jamais cogitada pelo governo anterior.
    AFP via Yahoo! Brasil Notícias – 1 hora, 7 minutos atrás
  • Wall Street cai com alerta de Obama sobre supervisão
    As bolsas de valores dos Estados Unidos fecharam em queda nesta quarta-feira, depois que o presidente norte-americano, Barack Obama, alertou sobre uma supervisão mais rígida para Wall Street, levantando o fantasma da uma regulação maior que investidores temem que possa enfraquecer os lucros.
    Reuters via Yahoo! Brasil Notícias – 22 minutos atrás

quarta-feira, 25 fevereiro, 2009 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário

Mulheres e Homens ideais: como escolher?

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Tirinha: Angeli

COMO ESCOLHER A MULHER IDEAL

É fácil! Basta compará-la a um automóvel .

1) Verifique o design. Deve ter bom porta-malas. Embora alguns prefiram, evite o modelo ‘perua’.

2) Verifique o ano.

3) Observe o estado de conservação da lataria.

4) É boa de curvas?

5) É macia?

6) Possui ‘air bag’ duplo frontal de bom volume?

7) É econômica?

8) Faz pouco barulho?

9) Esquenta rápido?

10) Leve-a para um ‘test drive’.

Se a mulher passou em todos esses testes, lembre-se: por precaução, faça um ‘leasing’, porque, nesse meio tempo, pode surgir um modelo melhor e mais novo.

Bem, sem revanche não tem graça… Então…

COMO ESCOLHER O HOMEM IDEAL
(Procurando “A autora”)

Para saber se um homem é ideal, compare-o, também, a um automóvel.

1) Verifique o interior. Não se iluda com o design.

2) Verifique o ano.. Os muito novos ainda precisam ser amaciados. Os muito rodados, além de pegarem os vícios de donas anteriores, costumam dar muito problema mecânico.

3) Ele é estável? Ou balança quando depara com qualquer curva?

4) Obedece ao comando com facilidade? Ele é ágil ou demora a responder?

5) É muito importante verificar a alavanca de câmbio. Deve ser de agradável manipulação. Faça o teste. Engata com facilidade ou costuma emperrar?

6) Fuja do que é movido a álcool.

7) Evite os muito barulhentos ou que emitam ruídos desagradáveis, como roncos e escapamentos desregulados.

8) O motor mantém temperatura constante? Ou é daquele tipo que esquenta rapidinho, percorre pequena distância e ‘morre’ logo em seguida? (hahahahahahahaha…!!! Essa é a melhor!!!)

9) Ou o que é pior: de manhã nem com o afogador puxado???????

10) Leve-o para um ‘test drive’.

Se o homem passou em todos esses testes e lhe agrada, lembre-se: antes de adquirir, faça um contrato de locação e use-o por um ou dois meses. Nesse período, você ainda pode ter surpresas desagradáveis…

quarta-feira, 25 fevereiro, 2009 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Sociedade e política: o fruto nunca cai longe do pé.

0902_f_001Nós brasileiros temos inúmeros ditos populares para demonstrar a similaridade e interdependência dos fatos, das coisas e dos comportamentos: “o fruto nunca cai longe do pé”, ‘quem puxa aos seus não degenera”, “diz-me com quem andas e te direi quem és”, “quem com os porcos de mistura, farelos come” e assim por diante. E se observarmos bem o mundo em que vivemos, os comportamentos e o funcionamento social, vamos ver que esses ditos são cheios de verdade. Mas já perceberam como nós dificilmente aplicamos essas conclusões sábias para o nosso comportamento político? Observem: tratamos a política e os políticos como se fossem algo fora do nosso universo cotidiano, coisas  ou habitantes de um outro planeta. Declaramos ódio à política, como se ela fosse um monstro que nos escraviza e desancamos os políticos como se fossem ET’s que baixaram em um disco voador para dominar a Terra. Quase nunca pensamos na política e nos políticos como árvore e frutos do nosso pomar social, plantado, cultivado cotidianamente por cada um de nós e adubado pelas nossas ações coletivas. Quase nunca pensamos que os amargos frutos da realidade política se deve aos nossos vacilos enquanto “agricultores sociais” e rejeitamos a safra de frutos produzida como se nada tivéssemos com isso. Duvidam? Então vejamos…

Sonegamos imposto de renda, compramos sem nota fiscal e produtos contrabandeados, “arranjamos” empregos para familiares no serviço público, pagamos proprina pro guarda que nos flagra ou para alguém “dar um jeitinho”, falseamos e mentimos para obter benefícios sociais, votamos por interesses pessoais ou obrigação. E mesmo agindo assim, nos escadalizamos com o governante que rouba, o parlamentar que rouba e compra votos, o juiz que vende sentenças, o servidor que vende documentos, o policial que vende proteção. Enquanto pais, não frequentamos as reuniões de pais e mestres, não controlamos as atividades escolares dos nossos filhos, repassamos a obrigação educacional dos nossos filhos à escola, não prestigiamos os professores  e nos revoltamos com a qualidade do ensino. Enquanto professores, preocupamo-nos mais com salários crescentes, feriados e menos expedientes de trabalho; exigimos condições ideais de trabalho e depredamos ou subutilizamos os equipamentos recebidos; exigimos qualificação mas não procuramos nos preparar para a missão pedagógica. Enquanto sindicalistas, nos preocupamos em defender radicalmente direitos crescentes dos nossos sindicalizados e nenhuma cobrança ou avaliação de desempenho. Enquanto latifundiários, grilamos terras públicas e expulsamos (ou matamos!) posseiros históricos, além de brigarmos contra o Estado como titulares de terras que legalmente não nos pertencem. Enquanto trabalhadores sem terras, reclamamos o direito fundamental ao mais fundamental direito de produzir o próprio sustento e quando o recebemos essa terra, revendemos-as e vamos continuar nossa luta por novas terras. Mesmo enquanto cidadãos que merecem esse adjetivo, enxergamos pessoas que recebem indevidamente benefícios sociais (como o Bolsa Família, Auxílio-doença, etc.), praticam nepotismo, e não os denunciamos; vemos os filhos dos nossos vizinhos fazerem coisas erradas e nada comentamos, para evitar atritos; vemos a miséria nas ruas e viramos o olhar; reclamamos contra os nossos parcos salários, mas não pagamos o salário-mínimo aos nossos empregados domésticos e muito menos assinamos suas carteiras de trabalho.  Enquanto empresários, enxergamos apenas o lucro certo (e preferencialmente fácil), exorcizando o Estado quando tudo vai bem e endeusando-o como salvador quando a falência bate à porta, especulando com o capital produtivo, sonegando e fugindo de suas responsabilidades sociais. E enquanto políticos… Bem, enquanto políticos, reproduzimos no topo da pirâmide do poder instaurada pela sociedade, aquilo que éramos originalmente: raízes, tronco, seiva, galhos, folhas, flores e frutos da árvore que nos originou. Tornamo-nos apenas as árvores mais portentosas do pomar, embora levando algumas machadadas ocasionais, produzindo em maior escala os mesmos frutos das árvores que nos geraram. E quando a miséria nos agride com sua violência explícita (roubos, assaltos, sequestros, etc.) jogamos a culpa no governo e na política. E quando os nossos filhos bem nascidos agem como os marginais oriundos da miséria, atribuímos a culpa a esse mundo louco das drogas em que os governos não dominam os traficantes, onde a educação é um caos, onde inexistem oportunidades adequadas aos jovens, e transformamos nossas vísceras em coração para resgatar nossas amadas criancinhas das garras do MAL.

Meu falecido pai costumava repetir o dito popular em que “lagarta vira borboleta, mas abacaxi não vira uva”, que demonstra a impossibilidade de obtermos os frutos doces dos avanços sociais a partir do ácido abacaxi dos nossos individualismos oportunistas. Agimos moral, ética, social e politicamente como “lobordeiros” (lobos disfarçados de cordeiros) e esperamos que os políticos que elegemos se portem como salvadores da pátria (pátria de quem?). Somos omissos nos nossos cotidianos como pais, educadores, empresários, trabalhadores, patrões, sindicalistas e eleitores, e esperamos e reclamamos uma nova sociedade.

Sabedoria popular, pelo jeito, só serve para criticarmos a colheita do vizinho e elogiarmos a própria colheita (quando ela é boa), nunca para analisarmos, macro-politicamente, o pomar político, nosso papel enquanto fruticultores e a safra coletiva alcançada.

domingo, 22 fevereiro, 2009 Posted by | Comentário | , , | Comentários desativados em Sociedade e política: o fruto nunca cai longe do pé.

Viver 140 anos: qual é a receita?

sexta-feira, 20 fevereiro, 2009 Posted by | Repassando... | , | 1 Comentário

Solidão é tão ruim quanto o cigarro: e os dois juntos é pior?

Há quatro dias, postei um comentário e uma matéria sobre o tabagismo. Hoje, na Super Interessante, li a reportagem que repasso a seguir. Fiquei pensando: se como disse a quatro dias atrás, o cigarro é um tremendo companheiro até nos momentos difíceis, como é que fica quem é solitário e fumante? Duplamente prejudicado? Ou menos tenso? Menos triste? Menos p… da vida? Hein? hein? É, gente, até na medicina, nem sempre dois e dois são quatro…

De qualquer forma, não estou pregando a solidão para os fumantes, nem o tabagismo para os solitários. Apenas levanto suspeitas sobre as decantadas pesquisas científicas que investigam isoladamente os fenômenos sociais e sem a devida contextualização holística, conclui e recomenda comportamentos. Tipo o cara que, estimulado pelas pesquisas que recomendam as verduras e hortaliças para uma boa saúde, virou vegetariano e morreu intoxicado por agrotóxicos…

Mas leiam, solidão não faz bem a ninguém.

Solidão é tão ruim quanto o cigarro

Ficar só pode fazer tão mal ao nosso organismo quanto o cigarro e a obesidade, descobriram pesquisadores da Universidade de Chicago. A sensação de rejeição aumenta a pressão sanguínea, seus níveis de estresse e suas chances de desenvolver Alzheimer. Os solitários também têm dificuldade para dormir e uma diminuição de glóbulos brancos no sangue – o que atrapalha o sistema imunológico. Fora todos os outros problemas psicológicos que causa, como a depressão e alguns distúrbios sociais.

Segundo a pesquisa, isso pode ser um belo de um problema para as próximas décadas, já que as pessoas estão cada vez mais individualistas. E você, como anda sua socialização?

sexta-feira, 20 fevereiro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | | Deixe um comentário

Educação no Brasil: o Gadotti tinha razão…E como!!

Moacir Gadotti, professor titular da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, licenciado em PedagogiaFilosofia, mestre em Filosofia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), doutor em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra (Suíça) e livre docente pela Universidade Estadual de Campinas, participou do congresso da SBPC, em Belém do Pará, na década de 90. Àquela época e naquele evento, ele denunciou a “farsa das universidades brasileiras: professores que fingem que ensinam para alunos que fingem que aprendem”. Foi uma bomba! E uma bomba real, inegável! Por mais que os corporativismos tenham tentado disfarçar, a conclusão era incontestável! A partir daí, vários intrumentos políticos e pedagógicos passara a ser implementados pelo Ministério da Educação, sob os protestos e boicotes veementes da esquerdinha estudantil irresponsável e dos professores farsantes organizados, sob o argumento de “quebra da autonomia universitária pelo neo-liberalismo”  (acreditem se quiser!). Bem, os fatos atuais nos levam a acreditar que a conclusão do Gadotti era muito mais ampla do que aquela que ele colocou: nossa educação, em qualquer instância, está intelectualmente podre! E para reforçar a minha afirmação posto abaixo matéria a mim enviada pelo nosso leitor e colaborador Carlos Germer, que espero vocês possam usar como elemento de reflexão…

Comentário de Carlos Germer:

O Acho que o título está meio fajuto… mas, vale a pena ler. Foi feito um grande auê sobre este assunto, parecia que todos os professores haviam tirado ZERO. Mas a realidade é que apenas 3500 (entre 214 mil = 1,63%) tiraram esta nota –claro que mesmo assim é preocupante, pois nem tudo foi divulgado. Logicamente depõe contra a qualidade, pois seria motivo de grande orgulho um quadro diferente, onde nenhum ZERO houvesse, e todas as notas fossem acima –não de 5- mas de 9. Onde todos os professores primassem pela excelência. E pelo que consta se limita ao Estado de São Paulo, teria que haver também uma avaliação nos outros Estados. De qualquer forma, para mudar esse quadro é necessário que os pais se mobilizem e sejam participantes ativos nas escolas freqüentadas por seus filhos e filhas.

E se considerarem importante, repassem este artigo…


16/02/2009 – folha de s. paulo

Gilberto Dimenstein – <http://www1.folha.uol.com.br/folha/dimenstein/colunas/gd160209.htm&gt;. Acesso em: 19 fev. 2009.

Repitam a escola e os políticos. Não o aluno

O professor não é valorizado nem defendido pela sociedade, o que implica menos pressão contra os governantes

A semana passada ofereceu uma das mais didáticas aulas de que se tem notícia, no Brasil, sobre as causas do péssimo ensino público. É um marco no aprendizado de uma nação sobre sua realidade social.

Pela primeira vez o país teve uma noção mais precisa sobre a qualidade dos profissionais que estão em sala de aula, depois de revelado o resultado do teste inusitado aplicado entre 214 mil professores paulistas. Aproximadamente 40% tirou nota abaixo de cinco, ou seja, 96 mil professores, dos quais metade não chegou à nota três.

A partir dos resultados, faço aqui a seguinte sugestão: não repitam o aluno, repitam a escola e os políticos. É muito mais justo e, possivelmente, mais eficiente, do que descarregar a culpa da incompetência no estudante incapaz de aprender.

Frequentemente se aponta o sistema de progressão continuada, apelidado de aprovação automática -o aluno só repete depois de um ciclo de quatro anos, como um dos principais responsáveis pelo ensino ruim. Quanto mais temer a punição, mais o aluno tenderia a aprender. Vejamos o tamanho dessa asneira.

A maioria dos alunos da rede pública vem de famílias pobres, com baixo repertório cultural. Some-se a isso que uma boa parte deles sofre de problemas físicos e psicológicos, sem receber o tratamento adequado -só nessa questão estamos falando, segundo as pesquisas médicas, em 30% dos estudantes.

Eles frequentam colégios, em geral, com instalações péssimas; basta ver as bibliotecas, os laboratórios de ciências e de informática. Para completar, pegam professores, com baixa remuneração, despreparados e desmotivados, o que estimula o absenteísmo e a alta rotatividade. Políticas públicas mudam ao sabor dos prefeitos e governadores ou de seus secretários.

O que vimos, na semana passada, é que o despreparo é maior do que imaginávamos. Perceba que estamos falando aqui do Estado mais rico do país. Continue lendo

quinta-feira, 19 fevereiro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , | Deixe um comentário

Eutanásia: quem decide sobre o direito de morrer?

Recebi a matéria abaixo sobre as discussões globais em relação à eutanásia que ocorrem atualmente e considerei relevante o repasse da mesma a vocês. Tenho opinião formada a respeito (sou defensor do direito individual sobre a própria vida), mas acho importante dar a cada um o direito de interpretar o tema segundo suas convicções. Leiam e reflitam…

via Revista Papo de Homem – Lifestyle Magazine de Mauricio Garcia em 16/02/09

O caso Eluana Englaro e a discussão sobre Eutanásia

A batalha judicial que ocorre na Itália atualmente reacendeu a discussão sobre a eutanásia, algum tempo após o caso Terri Schiavo. O cenário não poderia ser mais perfeito para uma discussão desse nível, um país católico que abriga o Vaticano, altamente tradicional, e no momento regido por um governo conservador.

O caso Eluana Englaro

Em 1992, a jovem Eluana Englaro, então com 21 anos, sofreu um grave acidente automobilístico. Entrou em estado vegetativo e sobrevive “à base de aparelhos”. Coloquei o termo entre aspas pois eu não vi a paciente, além de que normalmente fica à base de aparelhos aqueles pacientes com morte cerebral constatada (Ex: A jovem Eloá, assassinada pelo ex-namorado Lindenberg, poderia ser mantida com as funções vitais à base de aparelhos, porém jamais recobraria a consciência).

Seu pai, Beppino Englaro, trava uma batalha judicial contra um sistema conservador, no afã de abreviar o sofrimento da filha. Recentemente conseguiu uma liminar que garantiria o direito de suspender gradualmente a alimentação e hidratação de Eluana, o que culminaria com sua “morte”.

Como de praxe, o Vaticano levantou a voz contra tal decisão. E querendo fazer uma média, o “honesto e íntegro” governo do dublê de 1º ministro e dono do Milan tenta aprovar uma medida impedindo a eutanásia de Eluana. O presidente Giorgio Napolitano já acenou que não assinará a medida. Continue lendo

terça-feira, 17 fevereiro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , | 2 Comentários

Parar de fumar? É difícil, cara!

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Imagem: Angeli

Amigos! Em segunda instância, tem coisa coisa melhor que aquele cigarro fumado à dois depois de uma transa gratificante? E aquele gostinho de alcatrão misturado com o café forte, bebido na madrugada e em uma caneca de cerâmica, vendo o dia nascer à beira do rio? Hein? Hein? O saborear prolongado do último cigarro do dia, deitado na rede e avaliando o cotidiano vivenciado, as lembranças… E aquele fumacê de boteco nos papos molhados com os amigos, amores e teorizações sociais etilicamente alimentadas? Só quem nunca fumou é incapaz de perceber quão gratificante é o tabagismo.

E para não dizer que não falei de flores, porque não aquela muleta emocional que ele materializa nos momentos de raiva, de tristeza, de deprê, de lembrar sonhos frustrados e amores interrompidos? É, gente! Poucos amigos são tão próximos e solidários como o cigarro (o café e a cerveja são apenas coadjuvantes no processo)…

Fumo há 43 anos, 3 maços por dia e ainda não sinto nada de grave. Há cerca de três anos, fiz um tomografia computadorizada do pulmão, o médico apreciou-a e disse:
– Eu até gostaria de dizer que o senhor tem alguma coisa nos pulmões, para ver se o senhor deixava de fumar. Mas não: você tem os pulmões sujos de todo fumante, mas não há nenhum sinal de enfizema…nada!
– É um animal!!! Resmungou minha mulher, que observava ao lado. Faz tudo que há de errado e não aparece nada!
Elogios à parte, tenho tido momentos de fraqueza onde penso em deixar de fumar: quando penso na alergia da minha companheira e na fumaça que dificulta os nossos papos antigos e gostosos; quando penso no bolso e lembro que gasto um salário mínimo mensal com este vício. O terrorismo médico e social que praticam em relação a nós fumantes não me assusta (já vivi demais para ter medo de morrer, de cara feia e patrulhamento), apenas a minha convivência afetiva e o gasto compulsório me fazem pensar em capitular. Mas é difícil, amigos… Em um mundo de tão poucas e difíceis satisfações pessoais, onde se mata um leão por dia para sobreviver com dignidade, onde se tem que ruminar os sonhos demasiadamente adiados, ver e sentir-se impotente diante das crueldades e injustiças, a bengala amiga e silenciosa do cigarro é indispensável! Escapismo? Covardia? Danem-se os psicólogos de plantão, com suas teorizações oportunistas e irresponsáveis! Não, é construção de muralhas para a resistência, trincheiras para não ser enterrado pelas mazelas e dificuldades desta sociedade injusta . Enterrado por enterrado, prefiro sê-lo pelo prazer do cigarro!

Mas respeito aqueles que, embora correndo o risco de tornarem-se tabachatos, deixam a confraria. Tanto respeito que repasso a seguir uma matéria à respeito. E quem sabe, por amor e/ou por economia, qualquer dia desses não me torno mais um daqueles enjoados que se abanam diante de um fumante, que acreditam na balela de que o fumante passivo corre mais riscos do que o ativo? Que Deus não me dê esta sina complementar…

A difícil luta para deixar o cigarro

Qui, 12 Fev, 02h10

(Atualizada em 15 de fevereiro)

Por Fabiana Caso

Um dado que impressiona, principalmente quem não fuma: 80% dos ex-fumantes dizem que largar o vício foi o maior desafio de suas vidas. A empreitada é até pior para as mulheres, pois, além da dependência química, elas costumam ter uma relação afetiva com o cigarro. Veem nele um companheiro e um remédio para contrabalançar o estresse, tristezas e frustrações. Ainda por cima, são mais suscetíveis à depressão, que pode ser desencadeada tanto pelo hábito de fumar como pelo abandono do vício.

Felizmente, elas não são maioria na população fumante hoje, no Brasil: representam de 12% a 15%, contra a faixa de 22% a 24% de tabagistas homens. No entanto, os médicos dizem que eles somam um maior número de ex-fumantes. Ou seja, pelo que sugerem os dados, as mulheres têm maiores dificuldades para largar o cigarro. A boa notícia é que há novos medicamentos e combinações para quem quer dar um basta ao vício, além de profissionais capacitados. Continue lendo

segunda-feira, 16 fevereiro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , | 1 Comentário