Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Dia Mundial da Água: a distância entre intenção e gesto.

blogue-agua-1-aguaNo último domingo, 22 de março, transcorreu mais um Dia Mundial da Água, instituído pela ONU através da resolução A/RES/47/1993, seguindo as recomendações da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Agenda 21. Assim, de 1993 para cá, as nações, estados, sociedades e movimentos sociais têm sido instados a promover a conscientização sobre o uso sustentável dos recursos hídricos, através de publicações, conferências, seminários, mesas redondas e exposições sobre o tema. Apesar da pouca credibilidade nos resultados desse tipo de iniciativa através de datas simbólicas (que geralmente servem muito mais para rituais políticos de poder do que para atitudes conseqüentes), creio que os problemas de abastecimento de água potável dizem respeito a todos. A pouca importância dada por cada um de nós na conservação desse recurso vital, a omissão e/ou indiferença objetivas das instâncias governamentais, não governamentais e empresariais em relação ao tema, devem constituir-se em preocupações nossas e não em justificativas para nossa indiferença cotidiana. E como creio nisso, mas não sou suficientemente informado sobre tema tão fundamental, esperei alguns dias do domingo para cá, para coletar dados atuais para refletir e colocar-me na questão. Espero assim estar dando a minha reflexão singela para a construção de uma nova e necessária realidade.

Segundo as fontes consultadas, nos últimos dezesseis anos, a cada ano abordou-se temas específicos e fundamentais relativos ao uso e conservação água, a saber:

  • 2009: Água e saúde
  • 2008: Saneamento
  • 2007: Lidando com a escassez de água
  • 2006: Água e cultura
  • 2005: Água para a vida
  • 2004: Água e desastres
  • 2003: Água para o futuro
  • 2002: Água para o desenvolvimento
  • 2001: Água e saúde
  • 2000: Água para o século XXI
  • 1999: Todos vivem rio abaixo
  • 1998: Água subterrânea: o recurso invisível
  • 1997: Águas do Mundo: há suficiente?
  • 1996: Água para cidades sedentas
  • 1995: Mulheres e Água
  • 1994: Cuidar de nossos recursos hídricos é função de cada um.

Como se pode perceber na cronologia acima, o elenco temático não poderia ter sido mais bem elaborado: aborda todas as dimensões desse recurso natural na vida planetária, priorizando (como não poderia deixar de ser na nossa lógica etnocentrista) as demandas humanas. Tudo bem que assim seja, mas o mais problemático é que nessas quase duas décadas pouco ou quase nada ocorreu de mudanças significativas. Aliás, minto, ocorreu: a partir de 2001, o que era um compromisso internacional com base na Agenda 21, perdeu força ao se decidir que a adoção dos princípios da agenda ficaria à cargo de cada país. Quer dizer: uma questão mundial deixada ao sabor da mentalidade de cada governante espalhado no planeta (igualzinho ao que fizeram com a questão da fome e da pobreza mundial). Daí, já se pode começar a desconfiar: que interesse têm, por exemplo, os Bush’s, os caudilhos e os demagogos das inúmeras nações em priorizar a questão da água? Provavelmente o mesmo interesse que demonstram sobre as profundas desigualdades sociais existentes! E assim, o destino de milhões de pessoas no mundo, continua igual ou pior àquele que gerou a iniciativa da ONU. Senão, vejamos:

  • mais de 1 bilhão de pessoas não tem acesso a água de boa qualidade;
  • 125 milhões vivem em casas sem água potável de boa qualidade;
  • 2,5 bilhões não dispõem de redes de coleta de esgotos e 23% da população mundial defeca ao ar livre, contribuindo assim para o aumento das doenças transmitidas através da água que matam 4.200 crianças por dia (com menos de 5 anos);
  • 80 milhões de pessoas nascem a cada ano, aumentando o consumo em 64 bilhões de metros cúbicos anuais, enquanto a qualidade e disponibilidade de água potável diminui;
  • as hidrelétricas, que produzem cerca de 20% da energia do planeta, já são 45 mil no mundo (só as com pelo menos 15 metros de altura), interrompendo 80% do fluxo dos rios;
  • destes rios interrompidos, muitos já não chegam aos oceanos, como os rios Colorado, Amarelo e outros.

E no Brasil, como estamos? Nada melhor! Apesar de termos 12% das águas doces superficiais do mundo e imensos aqüíferos subterrâneos, essa riqueza não só está mal distribuída no território nacional (72% na Amazônia e 6% no Sudeste), como as bacias hidrográficas estão comprometidas pelo lixo, pelo esgoto sanitário e pelos despejos industriais. Isso sem contar o desperdício que praticamos com as águas tratadas disponibilizadas, esbanjando acima de 40% dela, nas maiores cidades brasileiras. Em síntese: em termos de água, temos quantidade, não qualidade. E enquanto populações vivem à míngua nas regiões secas, nós dilapidamos esse patrimônio natural, por omissão e/ou indiferença pública e cidadã. A cada papel, garrafa, lata ou lixo que jogamos na rua, a cada banho demorado, torneira esquecida aberta ou com vazamento, a cada esgoto sanitário dirigido aos rios e baixios, a cada descarga de resíduos industriais despejada sem tratamento, um pouco da nossa qualidade e possibilidade de vida vai para o brejo da auto-destruição…

Enfim, diante disso tudo, de que vale o Dia Mundial da Água?

Imagem: da NET, capturada na Google.

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sexta-feira, 27 março, 2009 Posted by | Comentário | , , | 2 Comentários

Violência: sem gênero, sem idade, raça, classe social ou religião

blogue-tristeza-tristeza-300x184blogue-tristeza-imagem2Sempre percebi a violência humana como algo atávico às espécies animais, entre as quais nos inserimos biologicamente, queiramos ou não. E se analisado adequadamente em termos genéricos e históricos, esse atavismo não é completamente destrutivo, como se pensa: ajuda as espécies a proteger suas crias ou grupos, a conquistar e defender territórios de sobrevivência e a matar outras espécies para alimentar-se, entre outras ações. O problema é que a espécie humana levou essa (in)capacidade às raias do terrorismo social e da destruição globlal. E embora seja clássica a estigmatização dos homens no uso dessa violência, ela ocorre também contra o gênero masculino, entre crianças e jovens, entre mulheres e contra elas. Como os homens, mulheres torturam e matam  mulheres e crianças, mulheres agridem fisica, moral e psicologicamente os homens (aqui mesmo no blogue já postei os resultados de uma pesquisa científica “Violência doméstica… contra os homens” e que é bastante acessada pelos nossos leitores). Jovens adolescentes de ambos os sexos matam-se nas ruas e nas escolas, agridem professores, queimam mendigos, matam até os pais.  Sacerdotes e adeptos religiosos, de qualquer sexo ou idade, praticam discriminação social, praticam abusos como a pedofilia, apoiaram e apoiam guerras étnicas e religiosas.  A violência encontra-se tão arraigada em nossas vidas que exerce fascínio mesmo entre as pessoas ditas normais (basta observar o destaque dado pelas mídias às violências cotidianas e o sucesso de bilheterias de filmes violentos). Então, amigos, falar de violências específicas privilegiando  determinadas tendências ou visões conflitantes, no fundo, é também cometer violência.

Mas, embora de vacinado contra o moralismo da não-violência e/ou a sua banalização, a notícia abaixo me chocou pelo contexto etário dos envolvidos: ontem, uma idosa octogenária matou o ex-marido quase septuagenário a machadadas. Não que esteja condenando-a, pois basta ler a história do fato para estabelecer-se atenuantes para a senhora em foco. Mas vejam bem: em sã consciência, a gente consegue imaginar uma mulher em fim de vida matar o ex-companheiro dormindo a machadas? Até mesmo conseguir imaginar um velho de 66 anos extorquindo a ex-companheira é difícil! Ainda mais no interior das Minas Gerais, em um município com pouco mais de 20 mil habitantes…

Claro que poderia argumentar, em cima deste fato, que se fosse o inverso o homem estaria sendo tratado como um mostro. Mas fazer isso seria praticar a mesma ótica rasteira daqueles que vêm a violência de forma política e socialmente oportunista e sensacionalista. Em verdade, o que senti foi uma significativa tristeza de ver seres humanos na idade da fragilidade física e emocional, gerando tragédias como esta. E mais triste ainda: o comportamento extorsivo do assassinado comprova o uso oportunista da violência, enquanto  a ação da idosa comprova a capacidade humana de violência desatinada… Qualquer um de nós pode ser ator e/ou vítima da violência. Com já disse um certo intelectual espanhol, o homem é ele e suas circunstâncias…

Agência Estado

A aposentada Odete dos Santos, de 80 anos, matou a machadadas seu ex-marido, João Aurídeo da Silva, de 66 anos, em Conceição das Alagoas, no Triângulo Mineiro. O crime ocorreu na madrugada desta terça (24). O homem recebeu três golpes na cabeça e morreu na hora. A aposentada, que confessou o crime à polícia, foi detida em flagrante e autuada por homicídio. Na delegacia, a aposentada disse que apanhava há 15 anos do ex-marido e era obrigada a entregar a ele, mensalmente, todo o dinheiro da aposentadoria. Odete explicou que matou Silva para “acabar com aquele sofrimento”.

Embora estivessem separados, Odete e o ex-marido, um trabalhador rural, moravam no mesmo lote, em casas distintas. Na madrugada de ontem, a idosa viu que Silva chegou em casa bêbado, esperou ele dormir e entrou na casa dele usando uma cópia da chave do imóvel. Depois de matar o marido a machadas, ela deixou a arma do crime jogada no próprio terreno. Pela manhã, a própria Odete avisou familiares de Silva sobre o crime. A Polícia Militar foi chamada por uma sobrinha da vítima.

Por determinação da Justiça, Odete dos Santos foi solta e aguardará o andamento do processo em liberdade provisória. Segundo informações da Polícia Civil em Conceição das Alagoas, a acusação poderá ser atenuada se forem comprovadas as denúncias de agressões da vítima contra a aposentada.

Imagens: da NET, capturadas na Google.

quarta-feira, 25 março, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , | Deixe um comentário

Liberalismo na bonança e estatismo na crise: e o Lula com isso?

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Como já havíamos comentado aqui no blogue sobre o capitalismo selvagem e oportunista do neoliberalismo, o texto abaixo reforça a contradição dos discursos da iniciativa privada sobre o Estado quando o lucro e a roubalheira (serão sinônimos?) vão bem e quando a galera descobre tudo e a coisa fica preta (sem racismos, hein?)! Com a palavra a oposição Pitbull (DEM e PSDB), defensora das privatizações e opositora ferrenha do estatismo do Lula…

Leiam e meditem…

Repassado por Carlos Germer, SC.

The Economist reconhece equívoco nas privatizações da era FHC

Matéria da revista inglesa The Economist publicada na semana passada reconhece o equívoco de um dos principais pilares do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB): a venda indiscriminada de empresas e bancos estatais. No texto, a publicação afirma que até há pouco tempo no Brasil acreditava-se que um fatores prejudiciais à economia brasileira seria a influência estatal no setor financeiro.

Segundo a revista, entretanto, esse controle estatal é o que dá hoje ao País uma situação favorável perante os demais países e, diante da crise mundial, confere uma “situação favorável incomum ao Brasil”.

A matéria se refere à manutenção da gestão estatal, por parte do governo Luiz Inácio Lula da Silva, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituições financeiras líderes de empréstimos para empresas e que FHC tentou, sem sucesso, privatizar.

“Outros países estão tentando descobrir como alavancar bancos e direcionar o crédito para as necessidades identificadas. Isso é algo que o Brasil faz, inclusive quando não era ‘moda’. Nos bancos privados, as exigências de depósitos e garantias para financiamentos os impediram de correr os riscos financeiros que acabaram por derrubar bancos na Europa e nos Estados Unidos. Até agora, o crédito do Brasil foi ‘mordiscado’, mas não ‘triturado'”, destacou o texto.

A matéria também sustenta que, na comparação com o passado recente e com outros países, a economia do Brasil está em boa forma. “O FMI prevê que somente os países em desenvolvimento na Ásia, África e Oriente Médio terão melhores resultados em 2009. Em comparação com o contexto anterior, no qual o Brasil sofria uma parada cardíaca a cada estresse de outras economias, isso é impressionante”, diz o texto.

A matéria aponta ainda que as razões para a melhoria do crescimento do País estão fortemente atreladas à melhoria do nível da dívida do setor público, que foi um ponto fraco e agora se mantém abaixo dos 40% do PIB, e a outros fatores. “Os empréstimos em moeda estrangeira foram trocados principalmente por títulos em reais. Além disso, o País acumulou US$ 200 bilhões em reservas internacionais para defender o real; seu déficit em conta corrente é pequeno e, o mais importante, a crise não está aumentando a inflação. Isso permite que o Banco Central reduza a taxa básica de juros da economia, permitindo um custo mais barato para a dívida pública. É a primeira vez que o Brasil adota uma política monetária anticíclica”, afirma o texto.

Ao analisar a matéria, o deputado Fernando Ferro (PT-PE) afirmou que o Brasil tem fôlego para enfrentar a crise mundial por conta da resistência contra a onda de privatização que aconteceu na América Latina.. “Conseguimos, no Brasil, sustentar como oposição, e com ajuda da reação da sociedade, esse processo de liquidação do patrimônio público. Agora se descobriu, no auge da crise, que é preciso a presença do Estado e estão todos tentando estatizar bancos falidos. Ou seja, transferir recursos públicos para a iniciativa privada”, afirmou.

Segundo ele, a privatização de empresas de energia e de telecomunicações no governo FHC teve consequências desastrosas. “Hoje nos deparamos com as maiores tarifas de energia elétrica do mundo e temos problemas com altas tarifas da comunicação por celular. Foram justamente as duas áreas privatizadas pelo governo anterior. O governo Lula conseguiu evitar a tragédia maior que teria sido a dilapidação da estrutura pública do Brasil”.

Imagem: Millôr Fernandes


terça-feira, 24 março, 2009 Posted by | Comentário, Repassando..., Uncategorized | , , | Deixe um comentário

Beleza, saúde e balança: o descaramento (pós)moderno!

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As ironias explícitas nos processos de informações desse mundo (pós)moderno são demais! Capturei o artigo abaixo exatamente por isso: o texto onde se condena a vilanização da obesidade vigente no planeta e a sua articulação com os interesses da indústria médico-farmacêutica e alimentícia, encontra-se acoplado a dois anúncios-propagandas relativos às dietas milagrosas de sempre. Pelo jeito, a turma sequer revisa e/ou disfarça os processos indutivos denunciados no texto.

Clique no link para ver a página completa e delicie-se:

Se você é um revoltado em relação à ditadura da balança, leia o artigo.

Se, ao contrário, você é um escravo dessa ditadura, clique nos links da dieta para mergulhar em mais um martírio pesssoal.

E se você ainda não sabe qual é a sua, leia o artigo e as dietas milagrosas e marque uma consulta no psiquiatra.

E em qualquer das opções, envie o conteúdo integral a um amigo, para que ele também decida a dele…

20/03/2009

Obesidade epidêmica e IMC estão sendo exagerados, diz cientista

Kelli Ferrell

Outra perspectiva sobre a obesidade

Embora admita que esteja havendo uma mudança no peso corporal ao longo dos anos, a professora Samantha Kwan olha a obesidade a partir de uma perspectiva diferente.

As manchetes nos dizem que a população está cada vez mais gorda e que a obesidade tornou-se uma epidemia. Mas esta não é toda a história, de acordo com a socióloga da Universidade de Houston.

O termo obesidade foi construído pela comunidade médica, afirma Kwan. E a utilização do Índice de Massa Corporal, que mede a obesidade e é considerado o principal fator para definir se uma pessoa é obesa ou não, tem resultado em uma sobrevalorização da obesidade pela mídia.

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=obesidade-epidemica-e-imc-estao-sendo-exagerados&id=3948&nl=sit

terça-feira, 24 março, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Orígem canhota da vida na terra: fascinante!

Apesar das inúmeras críticas que faço aos nossos avanços tecnológicos, em função das suas motivações originais (poder e dominação) e dos seus usos duvidosos (lucro corporativo, belicismo, acesso social seletivo), não consigo deixar de admirar os caminhos científicos que descortinam-se a cada dia, jogando luzes sobre a nossa ignorância em relação ao universo em que vivemos. A reportagem abaixo aborda um desses caminhos desconhecidos mas instigantes: a orígem da vida na terra. Por teorizar inteligentemente a partir do que já conhecemos e por estabelecer hipóteses bem estruturadas a investigar, é algo que merece ser lido.

Ciências à parte e a ironia em foco, passou na minha mente: se temos a prática histórica de denominar de canhoto aquilo que não é direito, certinho, adequado, não estaria aí a explicação para os nossos comportamentos hegemonicamente destrutivos e auto-destrutivos?

Leiam (é um ótimo estímulo à imaginação consequente), ajuda a esquecer (ou a explicar!) a imbecilidade papal de condenar o uso da camisinha em um continente onde milhões de pessoas de pessoas pobres e com pouca informação, estão expostas à peste do milênio: o HIV.

Meteorito revela um dos segredos da vida

Redação do Site Inovação Tecnológica
23/03/2009

Meteorito revela um dos segredos da vida
[Imagem: NASA/Mary Pat Hrybyk-Keith]

Vida canhota

Panspermia é o nome da hipótese segundo a qual os elementos básicos da vida poderiam ter surgido em qualquer parte do Universo, chegando até a Terra a bordo de meteoritos.

Ainda faltam evidências razoáveis para que essa hipótese possa ser promovida a teoria mas, ao analisar a poeira de alguns meteoritos, cientistas da NASA descobriram algo que, se não explica a origem da vida, pode ajudar a compreender um dos elementos fundamentais de sua organização molecular.

“Nós encontramos um maior embasamento para a ideia de que as moléculas biológicas, como os aminoácidos, criados no espaço e trazidos para a Terra em meteoritos ajudam a explicar porque a vida é canhota,” diz o Dr. Daniel Glavin.

Aminoácidos canhotos

Todas as formas de vida que conhecemos utilizam somente versões canhotas dos aminoácidos para elaborar as proteínas – da mesma forma que as letras do alfabeto podem ser arranjadas de inúmeras formas para criar as palavras, cerca de 20 aminoácidos são combinados para criar milhões de diferentes proteínas.

Os aminoácidos podem ser criados em dois formatos diferentes, um dos quais é o espelho do outro. Uma dessas formas é virada para a direita e a outra para a esquerda – daí a referência aos aminoácidos canhotos.

A vida funciona muito bem com os aminoácidos canhotos, mas não mostra nenhuma predileção pelos aminoácidos destros e menos ainda por qualquer espécie de mistura entre os dois tipos.

Como a vida decidiu?

O mistério que resta a ser desvendado, então, é: como ou por que a vida decidiu usar os aminoácidos canhotos e não os destros?

Depois de estudar dezenas de amostras de meteoritos ricos em carbono – conhecidos como condritos carbonáceos – em busca de um aminoácido chamado isovalina, os pesquisadores descobriram que essas pedras do espaço também têm mais aminoácidos canhotos do que destros.

“A descoberta de mais isovalina canhota em uma grande variedade de meteoritos dá suporte à teoria de que os aminoácidos trazidos do espaço para a Terra primordial por asteróides e cometas contribuíram para a origem da vida baseada apenas em proteínas à base de aminoácidos canhotos,” diz o Dr. Glavin.

Participação da água

Os pesquisadores descobriram também que os meteoritos com maior quantidade de água têm maior quantidade do aminoácido canhoto. “Isto nos dá uma pista de que a criação de aminoácidos canhotos em maior quantidade tem algo a ver com a alteração pela água. Como há muitas formas de produzir aminoácidos canhotos, esta descoberta estreita consideravelmente o campo de busca,” diz Jason Dworkin, coautor da pesquisa.

Vida extraterrestre no Sistema Solar

Se a preferência da vida por estruturas canhotas originou-se no espaço, isto torna a busca por vida extraterrestre em nosso Sistema Solar um pouco mais difícil, porque torna-se mais complicado saber se a vida eventualmente encontrada é realmente extraterrestre ou é produto de alguma contaminação levada pelos próprios instrumentos de pesquisa.

“Se nós encontrarmos vida baseada em aminoácidos destros, teremos a certeza que não ela é da Terra. No entanto, se o viés em direção aos aminoácidos canhotos originou-se no espaço, é provável que ela se estenda por todo o Sistema Solar, de forma que qualquer vida que viermos a encontrar em Marte, por exemplo, também será canhota.”

“Por outro lado, se existe um mecanismo para escolher a tendência à esquerda antes que a vida emerja, isto é um problema a menos que a química prebiótica tem de resolver antes de fazer a vida. Se ele foi resolvido para a Terra, ele provavelmente foi resolvido para os outros lugares em nosso Sistema Solar onde a receita para a vida poderia existir, como abaixo a superfície de Marte, ou em prováveis oceanos sob a crosta gelada de Europa e Encelado, ou em Titã. “

Bibliografia:
Enrichment of the amino acid l-isovaline by aqueous alteration on CI and CM meteorite parent bodies
NASA
Proceedings of the National Academy of Sciences
March 16, 2009
DOI: 10.1073/pnas.0811618106

terça-feira, 24 março, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | 2 Comentários

Assalto programado: TV assinatura e MSN

blogue-humor-computadorparatodos1

Repassado por Carlos Germer, SC

A criatividade dos nossos marginais chega às alturas. Agora, estão enviando pelo correio, uma carta com papel timbrado da NET, TVA, SKY, Directv ou outro qualquer canal de TV por assinatura. Na carta, que por sinal é muito bem elaborada , onde diz que estão modernizando a sua tecnologia e que será necessária a substituição de equipamento dentro da casa do assinante. Eles colocam um número de telefone (de um comparsa) para o agendamento. Se a pessoa (assinante) não conhece o golpe e não telefona para o verdadeiro número da Operadora de TV, para confirmar se isto procede mesmo, os marginais praticam o assalto em sua residência com hora marcada e com você abrindo a porta e servindo um cafezinho.

Viram onde chegou a ousadia dos bandidos? As próprias vítimas marcam o dia em que sua residência vai ser assaltada!

Repasse aos seus amigos, tenham eles NET,  TVA, SKY, Directv ou qualquer outro canal de TV por assinatura, para que eles passem adiante esta mensagem também.

E se receberem a tal carta, que confirmem com o telefone que consta na sua fatura mensal*, nunca com o número de telefone da carta recebida

SOBRE O MSN- MUITO GRAVE!

Cuidado com este detalhe. É muito importante!

VC TEM MSN? ENTÃO.. ATENÇÃO!!!!

LEIA E REPASSE COM URGÊNCIA A TODOS AMIGOS.

Se você receber e-mail pedindo pra atualizar o MSN para a versão 8.0 , não clique, pois é um vírus.

E também, se alguém chamado  felipegadeia@hotmail.com quiser te adicionar no MSN, NÃO aceite.

É um vírus que apaga todo o HD.

Conte a todos que você tem no seu MSN porque, se alguém na tua lista adiciona, você também pega o vírus.

Imagem: http://www.google.com.br/

domingo, 22 março, 2009 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Hipocrisia é politicamente correta?

BLOGUE HIPOCRISIA WE050344A imprensa, pra variar, fez um enorme estardalhaço com a pretensa gafe do presidente Obama, ao comparar o seu desempenho no boliche ao desempenho de um portador de deficiência nas Olimpíadas Especiais. E esse fato trouxe-me de volta a dificuldade que tenho em conviver com os aspectos hipócritas das expressões politicamente corretas, tão em voga hoje em dia. Negro passou a ser afro-descendente, deficientes passaram a ser portadores de necessidades especiais, asilo virou creche geriátrica, ressaca virou cefaléia pós-alcoólica e assim por diante. Pergunto: com isso, essas pessoas ou experessões deixaram de ser o que são? Não, apenas foram maquiadas para não ferir a sensibilidade (nova denominação para frescura) de certos segmentos que se consideram depositários da dignidade dos outros, como se dignidade dependesse do nome que se dá aos bois. Pretendia até escrever algo sobre essa dimensão  hipócrita da correção política, mas achei um artigo na NET que traduziu da melhor forma tudo que penso a respeito do tema. Então, pra que reinventar a roda? Por isso optei por repassar essa matéria, com a qual concordo em gênero, número e grau.

Politicamente (in)correto

Creche geriátrica. Estava escrito numa placa. Levei alguns segundos pra compreender o significado daquela estranha expressão. Não que a coisa seja desconhecida, mas ver tal placa ao vivo e a cores ultrapassou de longe as minhas piores expectativas: denominação politicamente correta pra asilo, isto é, instituição de assistência social onde são abrigados os velhinhos (palavra politicamente incorreta, reconheço). Mary Saldanha, minha mulher, que estava ao meu lado, ao ouvir o vocábulo asilo logo me contestou: “Provavelmente é algo mais que um asilo —argumentou ela—, deve ser um estabelecimento com gangorra, balanços, escorregas e outros brinquedinhos pros idosos”.

Ironia e derrisão à parte, creche geriátrica é de morrer de rir. Ou de chorar. Mas uma barbaridade. Ridículo!, disse pros meus botões. A que ponto chegamos. Será apenas o medo das palavras? Não se sabe, mas com certeza é a bobagem do vocabulário politicamente correto, um dos aspectos da atitude politicamente correta que parece ser exigência para a “vida-civilizada-em-sociedade” de hoje em dia.

Penso que a febre do politicamente correto é, além de tudo, burra. Dar nome aos bois é a função da língua e, portanto, utilizar-se constantemente de eufemismos só pode representar duas coisas: hipocrisia ou medo. Ou as duas coisas juntas. A língua portuguesa até que é bem precisa; não tanto quanto o alemão, mas à frente do francês, por exemplo, em que uma mesma palavra quer dizer guardanapo, toalha e absorvente (!); abraço e beijo podem ser expressos também por um mesmo vocábulo e, por fim, namorado e amigo também podem ser expressos por uma mesma palavra (ou a putaria é totalmente disseminada ou a confusão deve ser grande); ou do inglês, que tem um verbo só pra ser e estar, o verbo to be.

É nessa de não dar nome aos bois (mais por hipocrisia do que por burrice, acredito), que há palavras que foram banidas das rodas de pessoas que se dizem politicamente corretas e socialmente apropriadas. Mas quem baixou um decreto proibindo de chamar cego de cego, puta de puta, surdo de surdo, doido de doido, bicha de bicha, mongolóide de mongolóide e aleijado de aleijado, por exemplo?

Mas não pára por aí. Se você já estava se achando o mais politicamente correto do mundo por utilizar o deficiente com os seus diversos qualificativos, cuidado. Recentemente, num programa desses que passam à tarde na tv, a representante de uma entidade de atletas deficientes conclamava à utilização da expressão, pra ela “não-preconceituosa”, atletas-eficientes. Eficientes?! Aí já é demais! E essa história não significa que esse discurso é preconceituoso. Estou apenas na defesa do “nome aos bois” (não, não estou chamando deficientes de bois, e nem duvidando de sua eficiência para o trabalho!).

Mas o que é, afinal, o politicamente correto? Não tem uma resposta simples, mas um dos significados da expressão diz que é um modo de falar que supostamente não fere os sentimentos e a suscetibilidade de pessoas pertencentes a grupos marginalizados ou desavantajados ou ainda ambas as coisas. Surgiu nos EUA, país que tem uma sólida tradição de defesa dos direitos humanos, mas por outro lado, tem também uma robusta base de preconceitos: o país de Thomas Jefferson é também a pátria da Ku Klux Klan.

À medida que os diversos grupos e estamentos (étnicos, políticos, profissionais, religiosos, sociais, esportivos etc.) fizeram valer seus direitos, o vocabulário teve de mudar. Entretanto, como sói acontecer nesses casos, o tiro em muitas situações saiu pela culatra: o que era uma sadia reação aos preconceitos e à discriminação tornou-se caricatural, debochado, tosco. Não poucas vezes, ridículo!

Tal e qual o conhecemos atualmente, o politicamente correto representa a entropia do pensamento político. Como tal, é de impossível definição até porque carece de um verdadeiro conteúdo. Seu fundamento básico é aquele do vale tudo. Nele encontramos restos de um cristianismo degradado, de um socialismo reivindicativo, de um economicismo marxista e de um freudismo em permanente rebelião. Se compararmos a demolição do comunismo com uma explosão atômica, diríamos que o politicamente correto constitui a nuvem radioativa que acompanha a hecatombe.

O politicamente correto consiste na observação da sociedade e da história em termos maniqueístas. O politicamente correto representa o bem e o politicamente incorreto representa o mal. O supra-sumo do bem consiste em buscar as opções e a tolerância nos demais, a menos que as opções do outro não sejam politicamente incorretas; a quintessência do mal encontra-se nos dados que precederiam à opção, quer sejam estes de caráter étnico, histórico, social, moral e sexual —e inclusive nos avatares humanos. O politicamente correto não atende à igualdade de oportunidade alguma no ponto de partida, senão, ao igualitarismo nos resultados no ponto de chegada.

Ninguém inventou o politicamente correto: ele nasceu como conseqüência da decadência do espírito crítico da identidade coletiva, quer seja esta social e nacional, quer seja religiosa ou étnica. O politicamente correto é de uso comum entre os intelectuais desarraigados, porém como é contagioso, é normal que outras pessoas estejam contaminadas sem que por isso estejam conscientes disso.

A desintoxicação é difícil, na medida em que vivemos em um mundo no qual os meios de comunicação (e a palavra mídia —o termo é usado errado inclusive, até porque midia é plural de midium—, é em si mesma um barbarismo politicamente correto) adquiriram uma importância desmesurada e são precisamente estes os encarregados do contágio massivo. O primeiro remédio consiste em tomar consciência de que o politicamente correto existe e que circula sobretudo através de nosso vocabulário. O segundo, seria tomar consciência de que o “eu” forma parte de um “nós” e de que este “nós” deve proteger o “eu” contra o “que se diz…” politicamente correto.

Outro remédio consiste em pôr em prática a consciência de renúncia a toda terminologia politicamente correta e às ideologias sobre as quais se apóia. Por exemplo, há que dizer “albino” em lugar de “hipopigmentado”, “surdo” em lugar de “deficiente auditivo”, “velhice” em lugar de “terceira idade” (ou o insolente “melhor idade”), “masturbação” em lugar de “auto-ajuda”, “adúltero” em lugar de “pessoa casada com atividade sexual paralela”. Um gago nunca será um loquaz intermitente.

E quais são os estragos produzidos pelo politicamente correto? Consistem fundamentalmente em confundir o bem e com o mal, sob o pretexto de que tudo é matéria opinativa. Os alvos prediletos são a família, as tradições e, sobretudo, a crença nisto, visto que para o politicamente correto só há uma verdade —o resto é falso. O politicamente correto está contaminando toda a cultura e criando uma nova e dissimulada forma de censura, muito pior porque hoje a censura é velada; é a censura do politicamente correto. E uma das principais vítimas é o humor, o humor escrito e o falado. Humor que pede licença não é humor. Cada vez mais grupos, grupelhos, guetos, classes, pessoas públicas e privadas reivindicam imunidade contra a crítica. Experimente chamar um homossexual de veado, bicha, baitola ou qualquer outra expressão similar; você logo será acusado de homofóbico —como se ser homofóbico fosse um crime.

O humor tem que ser crítico, ora! A liberdade de opinião é cada vez mais filtrada e o que temos hoje é uma liberdade melita. Isso afeta os jornalistas e os meios de comunicação, que ficam se cerceando, adivinhando processos que podem sofrer se vão contra o politicamente correto. Mas não se pode nunca esquecer que não existe nem jornalismo nem humor a favor. Jornalismo e humor são oposição.

Precisamos do humor e do jornalismo para não morrer de realidade. A vida tem de ser pensada através do humor. O humor é o menor caminho entre duas pessoas. A primeira ação do pai com o filho é um ato de humor: faz careta para o filho rir. Todos querem o riso através da vida, o riso que pode ser traduzido em felicidade. O espantalho é colocado na plantação não para espantar os pássaros, mas para que eles riam e achem o fazendeiro um cara legal. De todas as artes humanas, a que mais se destaca é o humor, o ato de levar o riso às pessoas —este riso que envolve crítica, conhecimento, informação, poesia e simples divertimento.

Como detectar uma pessoa “politicamente correta”? Uma pessoa politicamente correta considera-se a si mesma tolerante, porém não pratica a tolerância… É verdade que o politicamente correto nos espreita e se apresenta sempre com argumentos inocentes e de fácil assimilação. Trata-se de rechaçar sua inocência e repudiar essa facilidade de assimilação. É necessário, do mesmo modo, prevenir-se contra o mimetismo de falar como os demais. Repito ainda o risco de parecer pesado, o vocabulário politicamente correto é o principal veículo de contágio. Em qualquer caso, há que afirmar que o politicamente correto é uma fé débil e que, como tal, não resiste a uma enérgica aplicação do espírito crítico. Não temos que ser submissos aos sentimentos e opiniões generalizadas: o espírito contraditório mais obtuso vale sempre mais do que a livre aceitação do pasto midiático.

O politicamente correto prepara o terreno de forma ideal para as operações de desinformação e para a expansão da globalização. Quando todo o mundo acreditar que as verdades podem ser objetos de truque, de que não existem nem verdades nem mentiras, o mundo estará preparado para receber a mesma propaganda, de participar da mesma pseudo-opinião pública fabricada para consumo universal. E esta pseudo-opinião pública aceitará qualquer ação, inclusive as mais brutais que indefectivelmente irão em benefício dos manipuladores.

A linguagem, a capacidade de comunicação através da palavra, é o aspecto mais característico da espécie humana. A linguagem, porém, não serve só pra comunicação. Ela é também um veículo de crenças, de valores, de paradigmas comportamentais, de ação, e, como tal, tem uma história. Também é preciso lembrar que, por vezes, as palavras acabam por assumir uma aura de magia, para o bem e para o mal. Daí a força das pragas, das maldições, dos xingamentos.

As palavras, observa o antropólogo Bronislaw Malinowski, têm um poder próprio —elas fazem as coisas acontecer; em sua função primeira, são olhadas como um modo de agir mais do que a expressão de um pensamento. Corresponde, pois, a um determinado cenário histórico. É a expressão da revolta de grupos marginalizados em busca do que respeitam, do que merecem… Ou acham que merecem. E traduz séculos ou milênios de humilhação e de opressão, sutil ou brutal, quando não sanguinária.

Assim, em nome da diversão e da inteligência, espero tempos em que volte a reinar o politicamente incorreto, com os seus derivados de precisão lingüística e humor negro. Porque esse negócio de politicamente correto é chato, muito chato. Tão chato que chega a causar arrepios: por causa do politicamente correto, em Brasília ninguém mais chama ninguém de corrupto ou ladrão, mas de pessoa dotada de ética alternativa.

Quero o politicamente incorreto. Nunca apreciei o politicamente correto e hoje este perdeu todo o seu charme e apelo social. Perdeu a graça a definição da expressão “politicamente correto”, tal como formulada por Henry Beard e Christopher Cerf em seu magnífico “Dicionário do Politicamente Correto” (L&PM Editores): “politicamente correto: culturalmente sensível, multiculturalmente não-discriminatório, apropriadamente inclusivo”. A expressão politicamente correto, apropriada pela elite branca no poder com um instrumento para atacar o multiculturalismo, deixou de ser, como se vê, politicamente correta.

Campo Grande MS, terça-feira, 3 de fevereiro/2009

luca.maribondo@uol.com.br
leia Casa do Maribondo

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sábado, 21 março, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , | 6 Comentários

EUA x Cuba: no meio do caminho…

blogue-millor-cuba-046“No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.”

(Drumond de Andrade)

Como as retinas de Drumond, a minha mente quase septuagenária nunca esquecerá  a Cuba-prostíbulo-cassino dos EUA dos tempos de Fulgêncio Batista, a longa luta de Sierra Mestra e a fuga dos laranjas locais que parasitavam o  povo e viabilizavam a dominação ianque. Como expectador histórico, nunca esquecerei as espertezas imperialistas norteamericanas para, apesar da guerra perdida, manter ativas as propriedades rurais e usinas de americanos na ilha, sustentado assim a dominação fundiária e econômica perversa de sempre. Como não poderei esquecer essas espertezas imperialistas que, no contexto da Guerra Fria, jogou Cuba nos braços russos como única opção de resistência, fornecendo o pretexto para o vergonhoso bloqueio econômico que dura até hoje. Assim como não posso esquecer que desde a queda do Muro de Berlim a imensa pedra do “conflito inevitável” foi retirada do caminho, sem nenhuma utilidade para Cuba, já que o bloqueio se manteve para alimentar o ressentimento dos EUA com a experiência socialista no seu quintalzinho perdido.

Hoje, apesar do tom impositivo que é peculiar à cultura imperialista do Tio Sam, parece que o distanciamento político entre EUA e Cuba está dominuindo. Sob o discurso xerifesco da reportagem abaixo, esconde-se ações prévias de autocorreção das próprias infrações norte-americanas: a desarticulação de Guantanamo, o arrefecimento das ações militares nas guerras instaladas pelo “vagabundo beberrão” e a atenuação do vergonhoso embargo econômico à Cuba. A meu ver, o Obama vai distanciar-se gradativamente do discurso tradicional (para não irritar o histórico militarismo político nacional) e se aproximará devagarinho das ações justas, necessárias e inadiáveis. A política tem desses cuidados rituais. Ainda há muitas pedras no meio do caminho (reformas políticas necessárias em Cuba, o risco do retorno dos fugitivos de Miami como instrumentos de poder financiados pelos americanos, a “democracia” ianque para o resto do mundo, etc.). Mas um caminho onde já se percebe alguma vontade política e moral de retirada das pedras ainda existentes…

EUA: Cuba deve libertar presos políticos imediatamente

Qua, 18 Mar, 07h52

WASHINGTON (AFP) – Os Estados Unidos pediram nesta quarta-feira que Cuba liberte “imediatamente” todos os prisioneiros políticos, em um comunicado divulgado por ocasião do sexto aniversário da prisão de 75 militantes cubanos

“Hoje se completa o sexto aniversário da prisão de 75 jornalistas, defensores dos Direitos Humanos, livreiros e outros membros da sociedade civil em toda a ilha”, declarou um porta-voz do Departamento de Estado, Robert Wood, lendo esse comunicado durante uma entrevista coletiva à imprensa.

“Essas 75 pessoas foram condenadas a penas que vão de 14 a 30 anos de prisão por terem defendido reformas políticas, sociais e econômicas em Cuba de maneira não violenta”, acrescentou o porta-voz.

“Pedimos ao governo cubano que os liberte imediatamente, assim como outros prisioneiros políticos detidos nas prisões cubanas, e que tome medidas para melhorar os Direitos Humanos em Cuba”, concluiu.

Esse apelo foi feito uma semana depois de um abrandamento do embargo a Cuba votado pelo Senado americano, que retirou algumas restrições às viagens e à venda de medicamentos para a ilha. Este texto ainda deve ser promulgado por Barack Obama.

Quase um milhão de cubanos, a maior parte opositores do regime castrista, vivem nos Estados Unidos.

Imagem: Millôr Fernandes

quinta-feira, 19 março, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Justiça: valha-nos quem?

blogue-millor-justica-005

Um homem pobre, desempregado, casado e com a mulher grávida, foi ao rio para pescar alguma alimento, sem sequer saber que a pesca estava proibida. Pescou 900 gramas de lambaris, foi flagrado, passou dois dias preso, apanhou, recebeu uma fiança de R$280,00, uma multa de R$728,00 e a sua mulher passou mal, perdendo o filho de quatro meses. Enquanto isso, o presidente da petrobrás Henri Phillipe Reichustul, responsável pela empresa que derramou recentemente mais de 5 milhões de litros de óleo no meio ambiente, continua em liberdade. Enfim, emquanto um pobre é martirizado e perde um filho por 9oo gramas de peixe,  um executivo que agride o meio ambiente em função do lucro, permanece intocável. Não acreditam? Leiam então a matéria abaixo, enviada pelo nosso leitor RV Osmail Costa Dias e que circulou nos telejornais noturnos. Leiam e vomitem, de preferência no olho caolho da nossa justiça…

Bom dia!

ASSIM É A JUSTIÇA BRASILEIRA!

Eis o porquê da expressão: “deixar o cachorro passar e implicar com a pulga” Isso foi exibido em todos os telejornais noturnos na quinta feira.

Paulo, 28 anos, casado com Sônia, grávida de 4 meses, desempregado há dois meses, sem ter o que comer em casa foi ao rio Piratuaba-SP a 5km de sua casa pescar para ter uma ‘misturinha’ com o arroz e feijão, pegou 900 gr de lambari, e sem saber que era proibido a pesca, foi detido por dois dias, levou umas porradas. Um amigo pagou a fiança de R$ 280,00 para liberá-lo e terá que pagar ainda uma multa ao IBAMA de R$ 724,00. A sua mulher Sônia, grávida de 4 meses, sem saber o que aconteceu com o marido que supostamente sumiu, ficou nervosa e passou mal, foi para o hospital e teve aborto espontâneo. Ao sair da detenção, Ailton recebe a noticia de que sua esposa estava no hospital e perdeu seu filho, pelos míseros peixes que ficaram apodrecendo no lixo da delegacia.
Quem poderá devolver o filho de Sônia e Paulo?
Henri Philippe Reichstul, de origem estrangeira, Presidente da PETROBRAS. Responsável pelo derramamento de 1 milhão e 300 mil litros de óleo na Baía da Guanabara, matando milhares de peixes e pássaros marinhos. Responsável, também, pelo derramamento de cerca de 4 milhões de litros de óleo no Rio Iguaçu, destruindo a flora e fauna e comprometendo o abastecimento de água em várias cidades da região. Crime contra a natureza, inafiançável. Encontra-se em liberdade. Pode ser visto jantando nos melhores restaurantes do Rio e de Brasília.

Esta é uma campanha em favor da VERGONHA NA CARA. Eu já divulguei, e você? Faça sua parte, não demora em nada.

(FEVEREIRO/2009)

Imagem: Millor Fernandes

quarta-feira, 18 março, 2009 Posted by | Uncategorized | 6 Comentários

A Vírgula e o sentido da mensagem.

blogue-velhinhas-info14

Sobre a Vírgula (,)

(Campanha dos 100 anos da Associação Brasileira de Imprensa – ABI).

Vírgula pode ser uma pausa… ou não.
Não, espere.
Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.

Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.

E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.

Uma vírgula muda tudo.

ABI: 100 anos lutando para que ninguém mude uma vírgula da sua informação.

Detalhes Adicionais:
SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM.

terça-feira, 17 março, 2009 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário