Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Crime e sociedade: não será hora de superar a burrice?

blogue-violencia-buraco-vidro_k0441103Informações de março p.p. mostram que o governo de São Paulo gasta mensalmente R$ 2,98 milhões para manter em presídio fechado 2.980 homens e mulheres na região. E que com esse dinheiro, seria possível bancar o estudo de 10.9oo alunos no ensino médio por quase dois meses. Isso porque um detento custa cinco vezes mais do que um aluno: enquanto o primeiro custa R$ 1 mil mensais para o poder público, o estudante tem um custo de apenas R$ 170 no ensino fundamental e R$ 205 no médio. Quem está detido no CDP, no Instituto Penal Agrícola (IPA) e no Centro de Ressocialização Feminino (CRF) de Rio Preto, ou ainda na Penitenciária de Riolândia, tem direito a três refeições diárias, auxílio médico, odontológico e psicossocial, roupas limpas, cela com colchão e TV e visitas íntimas. E apesar de todos estes gastos, uma pesquisa feita em 2008 pelo juiz da Vara de Execuções Penais de Rio Preto, Zurich Oliva Costa Neto, constatou que metade dos detentos que deixaram as prisões da região voltava a delinquir até um ano após ganhar a liberdade.

Já em Minas Gerais, com dados de 2007, um presidiário custa ao governo  11 vezes mais do que um aluno da rede estadual de ensino. Em média, o gasto mensal com cada detento é de R$ 1,7 mil, enquanto o custo de manter um estudante na rede básica – infantil, fundamental ou médio – é de R$ 149,05 por mês. Um ano antes, o custo anual com os presidiários chegou a R$ 367,2 milhões, quantia suficiente para se construir outra Linha Verde (R$ 350 milhões), a via-expressa que liga Belo Horizonte ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, considerada a maior obra viária dos últimos anos no Estado.

Estas informações me levam a refletir na dupla burrice do Estado Brasileiro, nos excessos humanitários de certos segmentos do Terceiro Setor, e no egocentrismo preconceituoso das classes sociais melhor situadas.

O Estado sempre foi burro ao não investir suficientemente em serviços sociais básicos (educação, saúde, saneamento) para gastar muito mais e inutilmente nas estruturas de repressão e confinamento. E continua burro ao manter presidiários sem oportunidades de trabalho e/ou formação, perpetuando suas prisões como universidades do crime e hotéis (melhores ou piores) para criminosos que recebem casa e comida de graça enquanto comandam estruturas criminosas externas (via celulares), ou aperfeiçoam-se nas práticas criminosas no compartilhamento do ócio prisional.

As organizações humanitárias do Terceiro Setor teimam na concessão cada vez maior de direitos aos criminosos condenados e que custam cada vez mais recursos aos contribuintes e facilitam a vida daqueles que, comprovadamente, agem contra a segurança e o bem estar da sociedade organizada.

E nós, os privilegiados sociais (por temos acessos sociais diferenciados), pecamos cotidianamente ao discriminar os pobres que, pela ausência do Estado e pelo nosso descaso, vivem em situação de risco e  inserem-se compulsoriamente na criminalidade. E continuamos errando quando, enquanto pais, reproduzimos esse preconceito  e descaso aos nossos filhos e não atentamos para os pequenos criminosos potenciais que muitas vezes estamos formando em casa, por não estarmos suficiente e eficientemente presentes em suas vidas.

Bem, essas são algumas contatações necessárias sobre as quais cada um de nós deveria refletir. Mas o que quero enfatizar nesse comentário é outra coisa: porque o Estado continua burro, porque as ONG’s da área não reciclam suas idéias e porque a sociedade que paga tributos, embora possua sua parcela de culpa, continua a financiar com seus impostos este estado de coisas? No meu modo de ver, por burrice generalizada! Cada criança à qual negamos  atenção, alimento, escola, moradia e saúde, representa um criminoso potencial para assaltar, abastecer de drogas e/ou matar a nós e a nossos filhos. Representa ainda um gasto social futuro, exorbitante e inútil, para o Estado (com o nosso dinheiro!), além de gastos com as ONG’s atuantes nessa área e que poderiam estar atuando em outras instâncias sociais mais proativas. Representa ainda gastos permanentes em grades nas nossas portas e janelas, em alarmes e vigilância, além de estresses permanentes.

Diante disso, que tal começarmos mudanças por uma atitude mais racional: dar trabalho e capacitação profissional aos presidiários, cobrando a estadia dos mesmos e abatendo suas penas proporcionalmente aos avanços de cada um deles?

E não me venham dizer que não adianta! Há cerca de um ano assisti um documentário sobre a produção de tijolos ecológicos em uma penitenciária carioca, onde essa proposta foi aplicada. E nela, os presos envolvidos reduziam suas penas, juntavam algum dinheiro  para a liberdade e inclusive, havia alguns presidiários já com proposta de emprego para quando fossem libertados!

E por falar em atitudes, achei um razoável ponto de partida a decisão norte-americana explicada no artigo abaixo. Leiam e reflitam (sobre o que eu disse e sobre a reportagem). Podem discordar, claro, mas por favor reflitam…

Presos terão que pagar estada em prisão da Flórida: 2 dólares por dia

Qua, 15 Abr, 02h27

MIAMI, EUA (AFP) – Para marcar o último dia das entregas das declarações de renda nos Estados Unidos, autoridades do condado de Polk, próximo a Orlando (centro da Flórida, sudeste) anunciaram que os presos da penitenciária local vão pagar a partir desta quarta-feira sua permanência na prisão, a razão de 2 dólares por dia.

“O 15 de abril é um dia significativo para todos nós que trabalhamos, cuidamos da família, seguimos as regras da sociedade e damos o melhor para poder desfrutar do produto de nosso trabalho. Será também o dia da instituição da cobrança de impostos para os que não trabalham, mas vivem na prisão do condado de Polk”, disse o xerife Grady Judd, ao anunciar a medida.

O pagamento da diária nos cárceres será destinado a cobrir custos com a manutenção dos presos, incluindo a alimentação, uniformes e lavagem de roupa, informou.

A prisão de Polk (300 km ao norte de Miami), já cobrava dos internos 30 dólares a título de ingresso no estabelecimento; 15 dólares por consulta médica, 10 dólares para ter direito à enfermagem, além de 10 dólares para remédios na farmácia e 9 dólares por um “kit higiene”, com vários pares de roupa íntima.

Em 2008 a penitenciária do condado de Polk arrecadou 418.438 dólares dos presos, cifra que se elevará consideravelmente com a cobrança do novo “imposto” diário.

quinta-feira, 30 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

O cara…

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Poucas vezes tenho tido o prazer de ler uma abordagem tão sensível, honesta, politicamente correta e adequada do nosso Lula, como a que repasso abaixo. Tenho certeza que daqui a poucos anos, a imensa maioria dos brasileiros que hoje viram o rosto para esse grande homem simples vergar-se-á ou se calará ao peso da história que ele construiu. Mas enquanto esse momento não chega, vale a pena ler e refletir sobre a análise que repasso…

Repassado por nosso RV Carlos Germer

Sent: Monday, April 13, 2009 8:41 PM

Subject: “O Cara” – Marcelo Cunha

O CARA | Seg, 13/04/09 | 10:36

Por Marcelo Cunha *
Do Terra Magazine

É dura a vida de colunista e escritor. Não adianta eu falar, insistir, berrar aqui nesse espaço ou onde mais me deixarem à solta. Tem que vir o Obama pra dizer em alto e bom inglês que o Lula é o cara, Lula is the man, e aí sim, a imprensa repete aos milhões, o Fernando Henrique tem um choque anafilático de tanta inveja e todo mundo cai na real.

Isso não significa que eu não tenha críticas ao Lula ou ao partido. Minha relação com eles é mais ou menos a que eu mantenho com as mulheres: gostaria que fossem muito diferentes, mas, olhem só as alternativas! Vivemos em um mundo real, com defeitos reais, consequências infelizes da nossa humanidade. Compreender esse mundo e governar para ele, tentando ao mesmo tempo torná-lo melhor, com direito a alguma quantidade de sonho, é o que diferencia um político competente de um estadista. E Lula é um estadista, o maior que já tivemos.
Eu acho que boa parte desse preconceito contra o Lula é preconceito mesmo, do ruim. Olhem o que eu ouvi ontem mesmo de uma moradora de um bairro nobre daqui. Ela explicou que não torce para o Corinthians, porque, afinal “tenho todos os meus dentes e conheço o meu pai”. Uffff.

Lula, por exemplo, que mal conheceu o pai, na infância, e não sei quanto aos dentes, mas sei quanto aos dedos, torce para o Corinthians. E eleger o Lula foi um momento sublime para os brasileiros porque ele representou a nossa aceitação de nós mesmos por nós mesmos, condição essencial para uma nação ser algo maior do que um mero país. Eleito, Lula nos libertou e o Brasil deu o salto que todos vivem, mesmo que não queiram ver. Na América Latina, e eu leio a imprensa dos nossos vizinhos, Lula é idolatrado como um grande líder nacional, que ama seu povo e se dedica a defender os seus interesses, ao mesmo tempo em que tenta sinceramente ajudar e integrar os que nos rodeiam.

Somos admirados por que passamos a nos levar a sério e deixamos de puxar o saco do primeiro mundo, como fazia o nosso pomposo FHC. Barramos espanhóis (inocentes, claro) na fronteira exigindo tratamento decente aos nossos viajantes que entram na Europa. Lula não tem medo de ninguém e exige estar no G-20, mas junto com o G-8, ou onde quer que se decida alguma coisa. Lula ajudou Chávez a sobreviver e hoje o enche de elogios, enquanto sabota seus piores planos e ajuda o Brasil a vender e ganhar muito com a Venezuela. Garantiu o empate na quase guerra de araque entre Colômbia e Equador, fazendo o Brasil atuar como o líder que tem que ser.

Lula abriu agências da Embrapa em países africanos, onde nossa biotecnologia tropical vai ajudar a combater a fome e criar uma agricultura moderna. Ele também decidiu que não vamos exportar petróleo do pré-sal, coisa de país atrasado, e sim derivados com alto valor agregado. Isso não é lá visão geopolítica e estratégica? Viajou aos países árabes, nunca antes assunto para nossos governantes e criou laços que hoje se transformam em comércio, bom para todos.
Aqui dentro, já que o Brasil também é assunto, manteve sim a política econômica anterior, mas lhe deu a direção social que faltava. E se alguém acha que isso foi coisa pouca, imaginem as pressões que Lula sofreu, às quais teve que resistir, enquanto a Argentina, aqui ao lado, experimentava heterodoxias com o Kirchner e crescia 10% ao ano.

Imaginem o que foi para um ex-torneiro mecânico peitar toda a suposta elite econômica instalada nos principais veículos de comunicação, que tentavam dizer a ele para onde apontar o nariz e que aprendesse a obedecer ou o mundo iria cair, culpa dele. Quem resiste a tudo e segue firme no caminho em que acredita é um líder. L-Í-D-E-R. Acerta e erra, mas lidera.
O maior mérito do Brasil de hoje é nosso, do povo brasileiro. Fomos nós que soubemos mudar, acabar com o PFL, optar pelo moderno e, por isso, hoje nosso destino se divide entre dois partidos e projetos viáveis, PSDB e PT. Se os dois são viáveis, o PT é mais generoso, e por isso a minha escolha.

Provavelmente seguiremos crescendo e nos afirmando como nação moderna e emergente, capaz de alimentar a si e ao mundo, o que para mim já está uma beleza, obrigado. Mas, alguém aí ousa comparar o Lula a gente um tanto insípida, inodora e incolor, como Aécio, Serra e mesmo a Dilma? Vamos talvez seguir rumo à prosperidade, mas de um jeito tão mais sem graça. Vocês conseguem imaginar algum desses nomes acima fazendo a frase sobre “banqueiros brancos e de olhos azuis, que achavam que sabiam tudo de economia” que hoje é repetida no mundo inteiro?

Lula, para mim, representa o fim do enorme desperdício que nosso país sempre praticou, ao ignorar a humanidade e inteligência do seu povo, acusando-o de ser pouco escolarizado. Eu tenho o privilégio de, de tempos em tempos, encontrar com leitores de grupos de EJA (Educação de Jovens e Adultos), na prática turmas de pedreiros, domésticas, carpinteiros, eletricistas; gente que deixou a escola quando criança e voltou agora, para aprender, inclusive, a ler. E ser lido por essas pessoas é uma enorme honra para um escritor que gosta de ser lido. E eles leem como ninguém, minha gente. Com uma garra e encantamento de arrepiar. E raramente têm a chance de trazer essa visão absoluta do mundo, essa experiência toda a para vida do nosso país. Lula, prezados leitores, fez e faz exatamente isso.

Eu conheço meu ilustre pai, para o bem ou para o mal, tenho praticamente todos os dentes e certamente todos os dedos, o que me coloca em uma camada, digamos, privilegiada, no Brasil. Mas, mesmo que não seja exatamente a minha cara, Lula consegue ser a cara brasileira da minha alma, de tantas outras almas de nosso país e, por isso mesmo, ele é, tem sido e vai ser o cara. O Cara, a nossa cara.

Pelo que eu conheço do mundo, essa coluna vai atrair toda uma desgraceira pra cima desse colunista. Pois, muito bem, que venha. Esperar menos do que isso, estar menos preparado do que estou para combater o que vier, seria um desrespeito desse cidadão agradecido aqui, ao seu presidente, a quem tanto admiro e por quem tenho mais é que brigar mesmo. Podem vir, serão todos bem recebidos, e vamos em frente, nós e o Cara, fazer o debate e o país de que tanto precisamos.

Dizer “Esse é o cara” afirma a negritude do Obama e sua admiração por Lula. Vivemos melhor em um mundo assim, de aceitações, reconhecimentos, sinceridades. Se eles, que são políticos, podem, então a gente pode tudo, até mesmo torcer para o Corinthians, imagino, nesse admirável mundo novo que o século 21 nos traz.
* Marcelo Cunha – escritor e jornalista

sábado, 25 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Sociedade e o terrorismo social como forma de dominação

blogue-fumante-att4070617121Um amigo mandou-me a imagem ao lado (de um fumódromo com uma pintura sugestiva no teto), com o seguinte comentário:

Aos amigos e amigas que ainda fumam…E pensam! Que não sobreviverão se deixarem! O contrário é uma possibilidade bem maior… eu deixei há trinta (30) anos.

Sei que o meu amigo é um defensor da vida e das boas causas, mas o seu recado levou-me a pensar na dimensão maior em que se situa a mensagem recebida: o terrorismo social que, consciente e/ou inconscientemente, é praticado cada vez mais na sociedade contemporânea.

Sem querer fazer apologia os tabagismo, tenho frouxos de riso diante do terrorismo social que se pratica cada vez mais contra os comportamentos sociais não-hegemônicos: fumo provoca isso, bebida provoca aquilo, ovo é veneno, plantas medicinais é coisa de índio, chocolate provoca obesidade, virgindade dá câncer, e por aí a fora! Decide-se pela lógica da dominação (adequando ao sistema e ao intercâmbio instituído, por imposição legal ou terrorismo social ideologicamente induzido), os direitos individuais e as subjetividades de cada um. Em síntese: temos o direito de expressão e escolha, desde que isso esteja de acordo com os valores hegemônicos.

O interessante é que não vejo tão expressiva pressão legal ou social, sobre as mortes por poluição industrial, por intoxicação por agrotóxicos, pelos fast-food e refrigerantes que matam, por desvios e roubos de recursos públicos da merenda escolar ou da saúde. Enfim, como os cidadãos são mais vulneráveis a pressões e a cooptação ideológica, fica mais fácil fomentar esse terrorismo social para aparentar eficiências do aparato da esfera pública instituída. Mas, como já disse em outras postagens, pratico ao extremo o meu direito de resistir a essa prática tão disseminada de dominação coletiva e defendo o direito de cada um exercer sua crítica sobre os fatos da vida e ser respeitado em suas decisões.

E como o meu amigo, achei muito criativa a imagem recebida, mas talvez pela minha postura pessoal, tenha ido além dela.Vou morrer? Claro, quem não vai? Já perdi vários amigos bem mais novos que eu e que se cuidavam muito: não fumavam, não bebiam, talvez não fizessem nem “aquilo”! E se foram, com menos de quarenta/cinquenta anos…

Ah! Em tempo: sou tabagista há 43 anos (três carteiras diárias), recebi há três dias o laudo radiológico do RX do Tórax que o meu médico solicitou e repasso, em primeira mão, os resultados a vocês:

– Ausência de condensações pleuro-parenquimatosas ativas;

– Diafragma convexo, seios costo e cardiofrênicos livres;

– Hilos, mediastino, coração e vasos da base de dimensões e configuração de acordo com os padrões de normalidade.

– Arcos costais analisados de aspecto radiológico normal.

Gostaram? Eu também gostei! Ainda não mostrei ao meu médico, mas pelo que li, posso continuar praticando o meu anarquismo anti-terrorista ainda por muito tempo: hay dominación? Soy contra! Quedo-me loco! Que vienga el tabaco!

sexta-feira, 24 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 4 Comentários

Plástico biodegradável: já não era sem tempo!

Meio ambiente

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Sendo os plásticos a grande praga ambiental do último e do atual século, demorou bastante a criação de substitutivo sustentável para o problema (provavelmente porque o parque industrial instalado para produzir o plástico  inorgânico perderia dinheiro). Agora, espera-se que o plástico biodegradável, embora produzido em escala comercial, não apresente preços proibitivos aos consumidores, como sempre acontece com as novidades tecnológicas. Espera-se que a lógica gananciosa do lucro dê algum espaço para a necessidade de proteção ambiental, gerando empregos sustentáveis e sem impactos no cultivo da matéria prima.

Leiam e rezem para ser verdade no nosso cotidiano, para que a indústria tradicional de plásticos não pratique dumping e outras deslealdades contra essa boa novidade…

Plástico biodegradável será produzido no Brasil em larga escala

Lourenço Canuto – Agência Brasil
23/04/2009

Uma empresa brasileira vai produzir anualmente 200 mil toneladas de matéria-prima para a produção de plásticos a partir da cana-de-açúcar, um material totalmente biodegradável que pode se decompor na natureza um ano depois de descartado. O plástico tradicional, que tem o petróleo como matéria-prima, leva mais de 200 anos para degradar-se completamente.

Plástico verde

Outras empresas também já usam tecnologias para produção de plástico biodegradável no país, mas essa experiência é a primeira a funcionar em larga escala. A iniciativa é da empresa petroquímica Braskem que lançou ontem (22) em Triunfo, no Rio Grande do Sul, a pedra fundamental do Projeto Verde da empresa, planta industrial da fábrica cujas obras vão gerar 1.500 empregos.

A unidade deverá estar concluída no final do próximo ano e consumirá investimentos de R$ 500 milhões. Segundo o responsável pela comercialização de polímeros verdes da Braskem, Luiz Nitschke, essa será a primeira operação em escala comercial no mundo da produção de polietileno verde a partir de matéria-prima 100% renovável.

Plástico alternativo

Nitschke informou que a produção será destinada ao mercado desse produto alternativo, que consome em todo o mundo 70 milhões de toneladas de polietileno por ano. O consumo de plásticos provenientes de todas as origens chega a 200 milhões de toneladas ao ano, de acordo com ele.

Inicialmente será usada cana proveniente de São Paulo, mas o projeto vai estimular também a exploração da cultura no estado. O zoneamento agrícola da cana-de-açúcar no Rio Grande do Sul foi divulgado na semana passada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Polietileno biodegradável

O polietileno biodegradável vai ser produzido a partir de uma resina sintetizada do etanol e permitirá a fabricação de tanques de combustível para veículos, filmes para fraldas descartáveis, recipientes para iogurtes, leite, xampu, detergentes.

O polietileno é fornecido à indústria em forma de bolinhas que são então transformadas nas embalagens ou em peças para diversas finalidades, como para a indústria de brinquedos.

Nitschke afirma que usar álcool para produzir polietileno não vai provocar impacto na produção de açúcar ou de combustível, tendo em vista a potencialidade do Brasil nessa área. O país, conforme destacou o executivo, produz 500 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por ano e praticamente metade vai para a industrialização do etanol e os 50% restantes para a produção do açúcar.

sexta-feira, 24 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 4 Comentários

Mais um pouco sobre o dia da terra.

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Lendo aqui no blog, e em outros sites, encontrei nos principais sites de buscas na internet várias campanhas para o dia de hoje adicionando a imagem da Terra em suas logo marcas ou imagem de fundo no site, achei interessante em repassar, com algumas informações adicionais.

Live

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Google

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Yahoo

yahoo_earth

Ask

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AOL

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A primeira manifestação teve lugar em 22 de abril de 1970. Foi iniciada pelo senador estadunidense Gaylord Nelson (porfavor, sem brincadeiras com o nome do rapaz), ativista ambiental. Tem por finalidade criar uma consciência comum aos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientas para proteger a Terra.

Fonte: mashable

quarta-feira, 22 abril, 2009 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Nunca julgue um livro pela capa…

Ano novo, nova edição daquele programa britânico que deu reconhecimento internacional ao tenor Paul Potts em 2007 e ao garoto de treze anos, Andrew Johnston, no ano passado.

Desta vez temos Susan Boyle. Uma mulher humilde mas confiante e que encanta a todos com sua linda voz, não sem antes ser desacreditada por sua aparência. A grandeza do seu talento e o contraste entre a reação do público presente antes e depois durante (pois a cantora foi ovacionada de pé o tempo inteiro desde que entoou a primeira nota) sua performance no palco lhe renderam fama instantânea.

Curioso, e oportuno, quando ela termina de cantar e deixa o palco antes mesmo de ser julgada pelos jurados, não havia mais nada a ser dito.

É incrível imaginar que esta simpática senhora tenha passado despercebida durante toda sua vida até então. A única solteira de suas irmãs, dedicou a vida para cuidar dos pais e trabalhar como voluntária na igreja de sua cidade. Somente com a morte de sua mãe, há dois anos, ela decidiu procurar o programa para se apresentar. O último desejo de sua mãe, que sempre incentivara Susan a se profissionalizar como cantora, a transformou de apenas mais uma “escocesa virgem de 47 anos” na mais nova sensação global.

Clique a aqui para assistir. A produção do programa impediu que os vídeos da apresentação de Susan Boyle pudessem ser incorporados em sites externos ao YouTube.

A música é um espetáculo à parte, acompanhem a letra. (“Eu sonhei um sonho”, da obra “Les Miserables”).

Texto: Luiz Henrique Miranda.

quarta-feira, 22 abril, 2009 Posted by | Arte e cultura, Reflexões, Repassando... | , | Deixe um comentário

Planeta Terra: apesar de tudo, hoje é o seu dia!

Normalmente, estes dias especiais são dedicados a fenômenos, coisas ou segmentos necessitados de auto-afirmação (esquecendo-se claro as espertezas do mercado, com Dia das Mães, dos Pais e etc.). E o nosso querido e maltratado planetinha bem que merece! Pensando nas nossas insanidades ambientais cometidas em relação a ele, nas respostas catástróficas da sua Natureza, cada vez mais presentes em nossas vidas, nada melhor que relembrar Einstein: “Insanidade é fazer sempre as mesmas coisas , esperando resultados diferentes“.

Apesar de tudo, aproveitem para ver imagens do nosso ninho natural, enquanto ele ainda é azul…

Nasa vai transmitir imagens do planeta em alta definição no Dia da Terra

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Seg, 20 Abr, 07h47

WASHINGTON (AFP) – A Nasa vai comemorar o Dia da Terra na quarta-feira transmitindo imagens em alta definição do planeta tiradas por câmeras instaladas na Estação Espacial Internacional (ISS), anunciou nesta segunda-feira a agência espacial americana.

A ISS e sua tripulação permanente de três astronautas, em órbita a 354 km de altitude, dão a volta da Terra a cada 90 minutos e podem ver o sol se pôr 16 vezes por dia.

Visível da Terra a olho nu, a ISS avança a 28.163 km/h.

As imagens em alta definição da Terra poderão ser vistas no dia 22 de abril das 10H00 às 13H00 GMT (07H00 às 10H00 de Brasília), das 16H00 às 18H00 GMT (13H00 às 15H00 de Brasília) e das 20H00 às 23H00 GMT (17H00 às 20H00 de Brasília) no canal de TV da Nasa ou no site da agência espacial: http://www.nasa.gov/ntv.

quarta-feira, 22 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

E por falar em assassinato…

Depois que postei a matéria sobre assassinato moral, lembrei-me de um homem transformado em Zumbi pela força da irracionalidade política da “gloriosa”: Geraldo Vandré. Assim, nada melhor do que ler a crônica abaixo…

JOÃO PESSOA, 24 de janeiro DE 2008

Um Vandré Vindo e Bem-Vindo das Terras do Benvirá

Se a memória não me falha o encontro foi em um fim de semana. Um daqueles iguais a tantos outros na minha província. Tudo estava parando ou quase parado no ar. A mesma monotonia de rotina de elevador. No ar, junto ao grito, a pobre ilusão de que os notívagos carregam de que estão “vivendo a vida” em toda a sua plenitude. Era mais um fim de semana, e um bar somente nosso. De repente, assim como eis de repente do poema do Vinícius, a porta abriu e ele chegou com aquele seu jeito nunca diferente de sempre chegar. O andar nervoso e o olhar desconfiado. Os movimentos bruscos, tensos. Muito tenso, super tenso. Hipertenso? Talvez. Sentar? Nem pensar. Beber? Menos ainda.

A mesa era uma das menos freqüentadas. Um compositor paraibano, agora  em lugar incerto e não sabido, acabava de lançar um disco (o nome? Ah, memória!), um poeta de cordel, hoje, também no mesmo lugar incerto e não sabido do velho compositor, e uma companheira dos saudosos tempos de universidade que andava comigo como uma tatuagem. Enquanto isso, este escriba, vestido de branco, como sempre, copo de cerveja super gelada sobre a mesa, ensaiava os primeiros goles da noite.

O senhor nervoso e com muitas rugas residindo em seu rosto grave, marcando o seu rosto, não parava um só minuto num mesmo lugar. Era uma pressa somente justificável àqueles que andam  pela vida em busca do tempo perdido. Na frente da camisa branca que vestia, lembro-me bem, encardida, pelo visível tempo de uso, lia-se uma frase que para muitos não tinha qualquer sentido: Das Terras do Benvirá. Ali, no “La Cave”, barzinho muito freqüentado por intelectuais, bêbedos e equilibristas da noite, naquela sexta-feira, agora não mais comum, estava o cidadão Geraldo Pedrosa de Araújo Dias trazendo de longe, de muito  longe, o compositor e o cantor paraibano Geraldo Vandré.

Passados alguns anos que a memória mais uma vez não me deixa precisar, ouvindo nesse final de semana sem graça, o LP (isso mesmo, um LP!) que Geraldo Vandré insistia em carregar o nome estampado no peito, a lembrança chamada reponde presente. E de repente lá estava este escriba, outra vez, juntando os pedaços da imagem do filho do Dr. Vandrégisilo, primeiro otorrinolaringologista da Parahyba, e de dona Dona Maria Eugênia, uma boa estudante de música que chegou até – por aqui todos sabem de cor a história – o  quinto ano de piano clássico. E junto a essas lembranças o fato de que naquele mesmo mês de  setembro, Vandré estaria fazendo mais um ano de vida. Sem nenhum dúvida, por tudo que fez pela Música Popular Brasileira, a melhor  em uma de suas melhores fases,  bem que ele merecia uma justa homenagem – este ano, por aqui, segundo ouvi dizer, Vandré terá um busto em praça pública e será homenageado (risos) pelo carnaval Folia de Rua da capital  –  e maior respeito.

Parece até que foi ontem, pensei. Lembrei então do Vandré no programa de César Alencar, representando a Parahyba, e usando o nome artístico de Carlos Dias. Naqueles tempos, como tempos atrás também aconteceu com o nosso Chico César que sonhava ser e cantar  como o Caetano Veloso – triste fado! –, Vandré imitava o Orlando Silva e, quando esquecia o Orlando, lembrava do Francisco Alves. Queria porque queria ser cantor de rádio. E tanto insistiu nesse querer que terminou ganhando da mãe um disquinho de vinil, um compacto, e saiu pelas emissoras, sem pagar jabá, pois não tinha, pedindo para que tocassem o seu pequeno. Mas é o LP Das Terras do Benvirá que interessa nesse momento em que, todo meu, escuto no meu quarto.

As lembranças chegam mais fortes com o disco na vitrola. O nome cai bem: vitrola, pois, afinal, é um LP. O mais triste é que chegam com os gritos e, não segurando a barra, com o choro incontido do artista. Um sofrimento. Vandré abre as comportas do peito e deixa jorrar, quase de uma só vez, toda a angústia que há muito trazia – e ainda traz, comprovei na última vez que o vi – guardado lá dentro. Um disco apenas e tanto sofrimento; tanta dor; tantos gritos desesperados.

Vou à capa do LP e constato: é um disco de apenas 8 faixas. O tempo que se gasta – ou seria “se ganha”? – para ouvir o dito cujo é de apenas 42 minutos. E para não dizer que esqueci de lembrar que este  é um texto de lembranças, lembro que o disco foi gravado e lançado em primeira mão no ano de  1970, em Paris. Todos que acompanham a “saga vandreniana” devem saber. Ou deveriam. Por aqui, como todos sabem,  somente chegou  anos depois. Mais que um disco, um grito desesperado do artista. Por quê? As músicas não são cantadas, atentem, são gritadas, arrastadas como pesadas correntes nos sótãos da ditadura. Geraldo Vandré parece mesmo é  querer chamar a nossa atenção para aquele exílio forçado, para suas andanças por terras estranhas e o quanto ainda guarda da  angústia que levou naquela distante e triste partida. Cada grito é um desespero, uma vontade louca de voltar, mesmo estando impedido, naquele ano, pelo medo de ser obrigado a partir da mesma  maneira.

A atmosfera do disco é quase irrespirável. Pesada. Os poucos acordes de suas músicas, uma de suas marcas, parecem guardar um espaço maior que o necessário entre um e outro. Grita-se o primeiro verso, e os ouvidos ficam a esperar o som do violão. Outra característica marcante é a expectativa que impregnava todo o ambiente no final de cada faixa. E os aplausos? Une-se a pergunta a expectativa. O disco traz o clima dos discos gravados ao vivo (em festivais). O estúdio, imagina-se, é somente tensão. De quando em vez a voz de Vandré parece perder-se nos confins do mundo. É um aboio. Um soluço contido na marra. Um grito parado no ar. Em quase todas as faixas estão presentes a desconfiança, o medo e – ela continua, sim – a expectativa. O que estaria ocorrendo, estaria desagradando a alguém? Quais as conseqüências daquele canto? Está dizendo o que pretende dizer? Está sendo entendido?

Hoje, mesmo negando a sua criação – “Vandré morreu!” -, ele parece querer que resgatemos a sua história. Em Vem Vem, música  onde ele mais se parece com o Vandré da Canção Primeira (a canção primeira/como derradeira não vai te negar) fica o grito “eu brigo a briga/porque sou forte e tenho razão). No entanto e apesar de tudo, mesmo com todo esse cantar seguro, ele parece em alguns momentos não está  muito certo de haver brigado justamente: “eu tomo a vida que está na morte/se a morte às vezes é a solução”. E, finalmente, outro lamento em Maria Memória da Minha Canção: “eu peço hoje a memória/pro canto da salvação” .

A canção enche os meus ouvidos e me deixa interiormente vazio. “As vezes a morte é a solução”. Ainda a sua Maria Memória… Ele parece querer apagar – atentem que antes era um pedido de resgate – da história a sua brilhante passagem pela Música Popular Brasileira, assinar uma Certidão de Óbito. Mas de ouvidos atentos e coração aberto, descobre-se que existe muito mais angústia nos sulcos de cada faixa. O choro, quase que compulsivo, é apenas um sinal. Existem mais, muito mais a dizer nas entrelinhas de cada acorde. Talvez ainda tente alguma coisa de impacto – e em alguns  momentos bem que consegue – como aquela queixada de jumento que permitiu ao baterista Ayrton (ex-Sambalanço Trio) colocar em sua (e do Theo de Barros)  Disparada, ou, como poucos sabem, Moda Para Viola e Laço, seu subtítulo. Impacto mesmo, assim como aquele buzina dissonante que ele fez questão de usar em sua vaiada e desclassificada  Ventania ou De Como um Homem Perdeu  Seu Cavalo e Continuou Andando.

O LP segue assim até o final. Respira-se pouco e lamenta-se, com justa razão, a aposentadoria desse “mártir” da Música Popular Brasileira. É quase impossível ouvir uma das faixas sem ficar comovido. Todos os que ouvem e delas falam ou escrevem, repetem a mesma coisa. E quando acaba fica no ar aquele desejo concretizado musicalmente por ele e o baiano Fernando Lona: “olha que a vida tão linda se perde em tristezas assim/desce o teu rancho cantando essa tua alegria sem fim”.

As lembranças que chegam das distantes Terras do Benvirá não se apagam com o retirar do disco da vitrola. No ar – sim, ainda nele – permanece aquela certeza de que aquele senhor de cabelos grisalhos e já com tantas rugas no rosto grave, caminhos abertos pelos anos de estrada, desconfiado e nervoso que adentrou o bar La Cave, naquela noite de sexta-feira, cumpriu o seu papel na história. Soube fazer a sua hora e ainda acenou das mais diferentes formas avisando que o Tempo de Lutar havia chegado. O pior, como diria a essa altura, declamando, o Luiz Vieira, para os olhos do menino amarelado, é que disco continua para o artista mais atual do que nunca. Se Geraldo Vandré entrasse em estúdio nesse momento para gravar, como muitos que ouviram essa raridade também atestaram, o disco que gravaria não seria muito diferente desse Das Terras do Benvirá. Mas queiram Deus que este escriba esteja enganado. E queira Ele, ainda, que vocês também.

A Minha bênção a Geraldo Vandré.

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    *Humberto de Almeida é escritor.

sábado, 18 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Obama: a razão aprendente que faltava!

Jürgen Habermas, o mais atual dos pensadores na área da teoria do conhecimento, desenvolveu, a partir de seus estudos sobre as abordagens históricas sobre o tema, a concepção da estratégia comunicativa aprendente.Segundo ele os atores sociais, embora ao longo dos séculos tenham convivido predominantemente através da estratégia do cálculo egocêntrico (onde agem sempre no sentido oportunista de influenciar em interesse próprio e/ou corporativo, desrespeitando os demais interesses, consensos ou dissensos existentes nos processos de negociações sociais), podem criar formas mais adequadas de convivência. Com base nos seus estudo sobre o conhecimento e a ética, e recorrendo ao evolucionismo de Darwin para explicar a produção do saber humano, defendeu a possibilidade da participação social não-violenta e não coercitiva. Entendendo a racionalidade comunicativa como aprendente (em permanente processo de ampliação e aperfeiçoamento), concebeu os grupos sociais como capazes de desenvolver competências mais complexas para conhecer a realidade, superando as explicações apenas racionais e seus desdobramentos autoritários. Assim, evoluindo através dos acertos e erros naturais em processos de ensino-aprendizagem, constituindo uma ética “deontológica, formalista e cognitivista”, as coletividades podem chegar a princípios éticos que garantam a participação social ampla nas decisões públicas, construindo sinergias em prol da integração social democrática e cidadã, resolvendo os conflitos com a melhor solução: aquela resultante do consenso de todos os concernidos.

Vendo a trajetória política do Barack Obama, desde o início, não encontro melhor exemplo de uma mente “Habermasiana”! Uma liderança plenamentre identificada com a teoria da comunicação aprendente, base de uma prática político-social de há muito requerida no cenário planetário. E a sua participação no encontro com todas as lideranças mundiais (inclusive aquelas ainda adeptas do cálculo egocêntrico predominante), pavimenta rapidamente um caminho novo para resolver os problemas antigos. Por isso estamos monitorando-o nesse blog, por acreditar e torcer pelo conteúdo das suas intenções e atitudes. E a reportagem abaixo reforça a nossa crença…

Obama diz estar pronto para ouvir líderes sul-americanos

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PORT OF SPAIN (Reuters) – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sentou-se neste sábado com líderes sul-americanos, dizendo estar pronto para ouvir e aprender após prometer uma era de maior cooperação regional e um recomeço com a Cuba comunista.

No início do quinto Encontro das Américas, em Trinidad e Tobago, Obama se disse um parceiro para o desenvolvimento de recursos energéticos, para lidar com os perigos das mudanças climáticas e para combater as ameaças de tráfico de armas e drogas que ameaçam a região.

“Tenho muito a aprender e estou procurando ouvir e descobrir como podemos trabalhar juntos mais eficientemente”, afirmou Obama a repórteres ao entrar em um encontro com líderes da América do Sul antes das sessões plenárias da cúpula em Port of Spain.

Pouco antes da sessão de abertura do encontro, no final da sexta-feira, Obama cumprimentou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, um grande crítico das políticas de Washington e esquerdista estandarte do sentimento anti-EUA na América Latina.

Quando o encontro de sábado começou, Chávez, em acordo com a sua amigável saudação a Obama, presenteou o líder norte-americano com o livro “As Veias Abertas da América Latina”, do escritor esquerdista uruguaio Eduardo Galeano.

O presidente dos EUA recebeu o presente com um sorriso.

Obama disse aos líderes regionais na sexta-feira que sua administração queria um recomeço com Cuba, para tentar encerrar o conflito ideológico que marcou a região por meio século. O debate sobre o futuro das relações Cuba-EUA dominou o começo do encontro.

Obama afirmou que também estava aberto para discutir com Havana assuntos que vão desde direitos humanos até economia, mas pediu reformas políticas na ilha comunista.

Seu encontro com 33 outros líderes regionais ocorreu após o presidente cubano, Raúl Castro, ter dito que seu governo estava aberto a conversar sobre “tudo” com os Estados Unidos, incluindo prisioneiros políticos e liberdade de imprensa.

Antes do encontro, Obama afrouxou partes do embargo comercial de 47 anos dos Estados Unidos a Cuba, e os sinais de ambos os lados alimentaram esperanças de uma reaproximação histórica entre os adversários da Guerra Fria.

Cuba está excluída do encontro de cúpula de Trinidad e Tobago e, no passado, rejeitou qualquer tentativa de melhorar os seus laços com Washington através de reformas internas.

Chefes de Estado, que incluem o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e líderes caribenhos que participam do encontro, pediram que Obama acabe com as sanções norte-americanas contra Cuba.

sábado, 18 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | 1 Comentário

Assassinato moral: sempre presente e à margem da justiça

blogue-assassinato-valor-moralHá quase um ano, postei aqui um comentário (“O direito de acusar sem o ônus da prova: é justo?”, onde demonstrava o oportunismo dos caluniadores de plantão que usam a liberdade de expressão e o clima de impunidade vigente no país, para fins espúrios. Foi durante mais uma tentativa de estabelecer lei mais rígida para aqueles que acusam, formal ou informalmente, sem as devidas provas, os seus desafetos, por motivos políticos, econômicos, morais ou de qualquer natureza. Claro que a proposta legislativa mais uma vez não foi aprovada e os caluniadores continuam a larga. Hoje relembrando pela mídia o assassinato moral de que foi vítima o cantor Wilson Simonal, recordei também a minha postagem, pois o meu comentário criticava exatamente as possibilidades existentes para este tipo de crime.

Simonal extrapolou a esfera judicial ao querer justiçar o contador que o roubou durante anos e foi condenado por isso. Mas o pior aconteceu: o dito contador, por vingança, acusou o cantor de ser um dedo-duro da ditadura no meio artístico. Bastou isso, sem a existência de provas, para que a imprensa (destacando-se aí o famoso “O Pasquim”) o sepultasse em vida. Assassinato moral sem motivos concretos, pois nada foi provado contra ele e artistas de esquerda (como Caetano e Gil) o inocentaram em vão. Morreu pobre e no ostracismo, vítima de uma ação extra-judicial impensada, mas principalmente pela calúnia do seu contador. Pergunto: e hoje, quando até um documentário está sendo lançado (“Ninguém sabe o duro que dei”) a respeito desse fato vergonhoso, aonde estão os seus assassinos morais? Que punição receberam? Um dos maiores artistas da época, em pleno apogeu, enterrado em vida!… E esse não é exemplo único desse tipo de homícídio.

Jair Rodrigues, pelo fato de afirmar que as drogas eram de uso comum no mundo artístico, por ocasião da morte de Elis Regina (por overdose de cocaína), também foi patrulhado e sua carreira despencou. Foi apenas uma tentativa de assassinato que não deu integralmente certo, mas que deixou seqüelas profundas e irrecuperáveis. E o que aconteceu com os patrulhadores?

Nesse mesmo meio artístico, um alto executivo da Globo espalhou na imprensa marrom que o ator que lhe roubara a mulher tinha sido internado com uma cenoura enterrada em lugar inadequado. Este ator caiu no ostracismo pela notícia cuja falsidade foi comprovada anos depois e, só recentemente, conseguiu voltar a atuar em algumas novelas. E eu vi há algum tempo, com esses olhos que a terra há de comer, esse executivo caluniador assumir em entrevista televisiva (sorridente) a autoria do crime. E nada aconteceu com ele…

Na campanha política em que Lula enfrentou Collor no segundo turno, o alagoano desesperado pagou à zinha irresponsável com a qual Lula tinha uma filha (e que era criada pela avó materna da criança com ajuda integral de Lula e reconhecida por ele), para ela, às vesperas da votação (sem tempo hábil para comprovação ou desmentido) declarar que ele era um pai irresponsável. Em face disso, o dândi alagoano virou o jogo eleitoral para ser desmascarado depois. Mas a calúnia oportunista foi simplesmente esquecida.

Na campanha em que Brizola ganhou o governo do Rio, à época da abertura democrática, a Globo foi denunciada por um executivo de alto escalão da empresa (que denunciou e se demitiu por não concordar com a trapaça), de cumplicidade com a ditadura para adulterar a apuração de votos da eleição. Denunciada a tempo, Brizola ganhou, mas à Globo e aos demais trapaceadores nada aconteceu.

O Lula talvez seja o presidente brasileiro que mais sofreu este tipo de tentativa de assassinato moral, na história do país. Até hoje nada provado, mas os pistoleiros políticos continuam atirando impunemente.

A oposição ao Obama já começou a armar emboscadas para ele. A última é a denúncia de um irmão queniano (com qual sequer conviveu) do presidente, que dizem ser mau caráter e ter tido visto de entrada negado na Inglaterra.

São apenas alguns exemplos que servem para mostrar o porquê de tantas resistências a leis mais pesadas para os processos e acusações sem provas, tão utilizados nos conflitos de poder da nossa sociedade e alhures.

Imagem: da NET, capturado via Google

sábado, 18 abril, 2009 Posted by | Comentário | , , , | Deixe um comentário