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Para não desligar os neurônios

Pneumonia moral (a bola de sempre) e gripe suína (a bola da vez)…

BLOGUE GRIPE 0911937Já não agüento mais ouvir a ladainha cotidiana sobre a gripe suína, assim como sobre a pneumonia moral do Congresso Nacional (por isso resolvi escrever sobre). A primeira, uma doença mais famosa que letal, transformada em tragédia pela mídia irresponsável e pela nossa atração fatal pelo medo coletivo. A segunda uma doença nacional crônica, séria e letal aos destinos da nação, provocada pelo vírus da imoralidade generalizada, mas de antemão sem vacinas ou tratamento (já que ética e moral não se fabrica em laboratório e sua cura dá prejuízos corporativos), sensacionalísticamente usada pela mídia para fazer seletivamente política de classes e/ou partidária, diante da nossa incomensurável acomodação, ignorância e/ou inércia política.

O caso da Gripe A (ou suína) faz parte do descarado ritual midiático do sensacionalismo e da nossa contraditória displicência social/alardeamento, diante do terrorismo social que se implanta pela desinformação travestida de verdade. Isso já aconteceu a uma década atrás, quando a famigerada gripe aviária, apresentada como pandemia (epidemia fora de controle) matou apenas 250 pessoas em 10 anos (25 pessoas/ano). Senão, vejamos no caso atual:

– a gripe comum mata meio milhão de pessoas por ano (muito mais do que a gripe suína até agora) e quando vimos isto destacado no noticiário?

– a gripe suína, assim como a gripe comum, apresenta índice de mortalidade em torno de meio por cento dos casos, então porque o destaque da primeira, como se fosse uma variação incontrolavelmente mortal?

– embora todas as informações recentes indiquem a baixa letalidade da tal gripe suína e sua tendência a desenvolvimentos mais brandos, porque os informantes sociais continuam dramatizando o número de mortes?

– e porque as pessoas, embora aparentemente aterrorizadas, continuam viajando para áreas de risco de contágio (muitas vezes a lazer ou para atividades que poderiam ser desenvolvidas em outros lugares), continuam nas baladas, nos estádios de futebol, nos aglomerados das praias e botecos?

– e porque, mesmo continuando neste comportamento sanitário irresponsável, a população já começa a culpar o governo pelos casos fatais em uma doença nova, sem vacina disponível, e pouco letal?

– e finalmente, porque as populações de outros países (incluindo os europeus e os ianques), comportam-se tão tranquilamente em relação à essa gripe, enquanto entre nós ela assumiu o caráter de mortalidade iminente?

Segundo o infectologista Moises Chencinski, o motivo de tanta divulgação da doença, se dá pela novidade e não pela gravidade. “A H1N1 é bem parecida com a gripe que já conhecemos, mas por ser considerado um novo tipo de vírus a divulgação tomou uma repercussão enorme, fator que acabou alarmando a população brasileira”, explica. Isto é: a irresponsabilidade midiática e a nossa vocação para o caos (associada à nossa displicência social e vitimização política oportunística), são os principais fatores do atual cenário dessa doença respiratória.

Já a pneumonia moral (e crônica) do nosso parlamento, é mortal, tem tratamento acessível, é sempre diagnosticada (às vezes pelos próprios enfermos), mas nunca combatida. Nos sintomas das ocorrências mais recentes dessa pandemia nacional, encontram-se o mau uso do dinheiro público para passagens, passeios e “parentagens” diversas, ocorrentes há décadas e que continuarão sem tratamento. Também se apresentou em uma mutação secreta, desenvolvida nas duas últimas décadas, com uma característica fundamental: os agentes infecciosos e infectados acusam-se livremente e isentam-se cinicamente, diante da felicidade sensacionalista e oportunista da mídia e da nossa indiferença político-social. Senão, vejamos de novo:

– qual o resultado de toda a balbúrdia sobre o escândalo das passagens?

– que força moral têm pessoas comprometidas com a mutação secreta da pneumonia moral, para demonizarem unicamente um dos agentes, o vírus Sarney?

– se o vírus Sarney entrar de quarentena (sair do cenário), será combatido e eliminado?

– os demais vírus e infectados também serão combatidos e eliminados?

– qual o poder de mutação que leva a um vírus pitbull como Artur Virgílio (denunciado também por empréstimos indevidos nos esquemas secretos), a combater tão obstinadamente a variante Sarney?

Pois é. E o pior é que esta pneumonia moral, com o tempo, imuniza os seus portadores contra os medicamentos democráticos, ao mesmo tempo em que eleva o índice de contaminação das pessoas ainda não portadoras. No caso da gripe suína, parece que ainda temos receio de contaminação. No caso da pneumonia moral, tem um monte de gente correndo atrás do vírus ou olhando-o como agente infeccioso imune a tratamentos.

sexta-feira, 24 julho, 2009 - Posted by | Comentário | , , , ,

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