Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

A simplicidade da lógica econômica

BLOGUE DINHEIRO quadro-dinheiro-voando-saida-homem-carteira-

Maio de 2009, cidade litorânea do RS, muito frio e mar agitado, a cidade quase deserta, a crise econômica assolando, os habitantes endividados e vivendo as custas de crédito. Por sorte chega um gringo rico e entra num pequeno hotel,  saca uma nota de R$ 100,00, põe no balcão e pede para ver um quarto. Enquanto o gringo vê o quarto, o gerente do hotel sai correndo com a nota de R$ 100,00 e vai até o açougue pagar suas dívidas com o açougueiro. Este, pega a nota e vai até um criador de porcos a quem deve e paga tudo. O criador, por sua vez, pega também a nota e corre ao veterinário liquidar sua dívida. O veterinário, com a nota em mãos, vai até a zona pagar o que devia a uma prostituta (em tempos de crise essa classe também trabalha a crédito). A prostituta sai com o dinheiro em direção ao hotel, lugar onde as vezes levava seus clientes e onde não havia pago pelas acomodações, e paga a conta.

Nesse momento, o gringo chega novamente ao balcão, pede a nota de volta,  agradece mas diz não ser o que esperava e sai do hotel e da cidade. Aparentemente, ninguém ganhou vintém, porém vários moradores da cidade viram-se  sem dívidas e com  a confiança no futuro resgatada!

Moral da história: Quando circula o dinheiro, não há crise!

Fonte: Nosso RV Diógenes Miranda

Imagem: da NET, capturada via Google.

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segunda-feira, 24 agosto, 2009 Posted by | Repassando... | , , | 2 Comentários

Tabagistas oprimidos, uní-vos! A luta continua!

blogue tabagismo charge-tabagismo

A luta entre a ditadura da maioria e o direito constitucional da minoria fumante continua… Defendo a resistência tabagista em função do cinismo de Estado e, claro, da sociedade que o organiza, legalizando a produção, industrialização, comercialização e a pesada carga tributária e tentando impingir aos consumidores a proibição do consumo. E não me venham dizer que eu defendo por que sou tabagista! Sabem, porque? Há cerca de três meses deixei de fumar! Não por problemas de saúde, não pelo patrulhamento nazista que vem sendo imposto, mas porque já gastava R$500,00 por mês com cigarro (graças à sobretaxa de 30% feita pelo meu amigo Lula) e resolvi priorizar outros gastos, como a turbinação do meu computador e a compra de um carro, à médio prazo. Que o mundo ficou mais chato sem o cigarrro, com certeza, mas as prioridades de vida têm que ser respeitadas por quem se considera lúcido. Tenham a certeza de que não virarei um tabachato! Continuarei sim, um paladino irremediável das minorias oprimidas.

Mas voltando à vaca fria! A Advocacia Geral da União considerou inconstitucional  a lei do Serra  (ele não é a cara do Hortelino Trocaletras?). Leiam a reportagem abaixo e preparem a pipoca para assistir os próximos rounds…

Ah! Soube de um cara que deixou de fumar pra viver muito e morreu atropelado pelo caminhão da Souza Cruz! Se é verdade, não sei, mas é uma ironia interessantíssima…

Lei antifumo paulista é inconstitucional, diz AGU

Sex, 21 Ago, 08h25

A Advocacia-Geral da União (AGU), órgão que defende e representa a União principalmente em ações no Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu parecer anteontem que considera a lei antifumo paulista inconstitucional. O documento, assinado por José Antonio Dias Toffoli, enfatiza que a competência de legislar sobre o uso do cigarro em ambientes fechados é do governo federal e não de Estados ou municípios. O caso ainda não tem data para ser julgado. Ainda que o parecer seja específico sobre a lei paulista, abre precedente para outros questionamentos. O Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, aprovou norma semelhante à de São Paulo. Minas Gerais e as cidades de Manaus e Belém também querem abolir o cigarro de locais fechados e coletivos.

Apesar de o posicionamento não ser definitivo, levantamento feito pelo Estado mostra que nos últimos casos polêmicos julgados pelo STF tem prevalecido o entendimento da AGU. Foi assim no questionamento das cotas para estudantes negros em universidades, na avaliação sobre as pesquisas com células-tronco e na disputa sobre a área indígena Raposa Serra do Sol. O jurista especializado em Direito Constitucional Luiz Tarcísio Ferreira Teixeira destaca a relevância. “Não significa que o parecer será seguido, mas é o primeiro questionamento sério a respeito da constitucionalidade da lei antifumo”, afirmou.

Por meio de nota, o governo do Estado defendeu a legalidade da lei. Afirmou que o Brasil é signatário da Convenção da Organização Mundial de Saúde (OMS), que “é mais recente e restritiva do que a lei federal”. “A Lei 13.541 dá pleno cumprimento ao tratado que determina que: ‘cada Parte adotará medidas eficazes de proteção contra a exposição à fumaça do tabaco em locais fechados’.”

sexta-feira, 21 agosto, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , | Deixe um comentário

Prenúncios do aquecimento global e da luta territorial

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Vejam só: há cerca de duas décadas se anuncia o degelo das calotas polares e de outras geleiras do planeta,  desnudando terras que contém riquezas que já começam a atiçar a cobiças das nações. Agora, este degelo anunciado já começa a gerar as mudanças territoriais, ainda em pequena escala e de forma pacífica.

Vejam a reportagem.

Agência Estado

Geleira derrete e Suíça ganha 150 m de terra italiana

Qua, 19 Ago, 02h41

A Suíça ampliou a sua fronteira às expensas da Itália, por causa do derretimento de uma geleira no alto dos Alpes. O governo suíço informou hoje que aprovou a ampliação da fronteira em 150 metros para dentro do território italiano em algumas áreas alpinas.

As mudanças aconteceram após o Escritório Federal de Topografia da Suíça descobrir que a linha divisória que determinava a fronteira desde 1942 se moveu, por causa do derretimento de geleiras e de campos permanentemente nevados na fronteira.

O topógrafo Daniel Gutknecht diz que a Suíça agora está “um pouco maior” mas acrescentou que “nós não vamos corrigir o atlas”. A Embaixada da Itália em Berna informou que a mudança foi previamente aprovada por Roma.

quarta-feira, 19 agosto, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Nós quem, cara-pálida?

BLOGUE ZORRO indian_tonto_loneLembram daquela piadinha do Zorro que ao dizer ao seu amigo índio (o Tonto) que os dois estavam totalmente cercados por índios inimigos e portanto ambos estavam perdidos? Pois é, o índio Tonto retrucou rapidamente: nós quem, cara-pálida? Nos últimos dias, tenho-me lembrado muitas vezes ao dia dessa  saída étnica do índio americano. Porque? Vamos lá…

Creio que todos já devem ter visto uma propaganda sobre a necessidade de organização política na sociedade brasileira, veiculada várias vezes ao dia na TV. Uma das veiculações me chamou especialmente a atenção: aquela onde a jornalista Lucia Hippolito, auto-definida como cientista política, historiadora e jornalista, especialista em eleições, partidos políticos e Estado brasileiro. Na dita veiculação, a jornalista sobe em um mini-palco improvisado na avenida e fala aos transeuntes mais ou menos assim: porque o governo tem que cuidar das nossas vidas e não, nós dizermos ao governo o que queremos e o que ele deve fazer com o nosso dinheiro? Lindo… Arrepiante… Nada disso, apenas mais uma catilinária demagógica de quem (pela formação profissional que diz possuir), deveria pensar melhor no significado do que diz. A começar pela configuração do “nós” a que ela se refere. Ela fala a um pretenso público popular urbano, sobre algo que circula em todos os lares e classes sociais brasileiras e aqui já cabe iniciar com aquela perguntinha: nós quem, cara-pálida? O “nós” dos desvalidos sociais? O “nós” do crime organizado? O “nós” da burguesia? O “nós” das grandes corporações econômicas? O “nós” operário? O “nós” das populações tradicionais interioranas? O “nós” dos madeireiros? O “nós” dos pecuaristas? O “nós” dos grileiros? O “nós” dos corruptos? O “nós” do universo político-partidário que pretensamente defende os inúmeros “nós” junto ao Estado? Para ela estar correta na sua incitação, o “nós” nacional teria de ser uma imensa massa homogênea em termos de interesses individuais e coletivos, um paraíso sem classes sociais. E como não é, o discurso espelha não mais que um convite político positivista para uma pseudo-mudança política: ingênua por não entender a luta de classes, ou manipuladora por tentar usar as reservas gratuitas de dominação política para maquiar esta luta de classes (creio mais na segunda conclusão). E o mais grave nisso tudo é que se joga toda a culpa dos erros do funcionamento social no governo, como se ele não fosse decorrência dessa luta de classes e não defendesse os interesses hegemônicos, com profundas contradições na práxis política, em virtude da heterogeneidade dos diversos interesses de diferentes coletivos. E esse tipo de comportamento diversionista, ideologicamente mascarador, sempre foi uma prática histórica nacional, desde os tempos de Cabral… Mas, esquecendo Cabral que vai tão longe, gostaria de comentar esse comportamento político oportunista nacional, focando os dois blocos políticos mais antagônicos: a direita e a esquerda.

No nosso Brasil, a direita política, as classes sociais hegemônicas e as corporações econômicas sempre defenderam a democracia ianque como exemplo de respeito à democracia e aos direitos humanos. Para eles o Titio Sam sempre foi o Cara, aquele que mostrava ao mundo como se faz uma sociedade justa e bem sucedida em termos sócio-político e sócio-econômico. No outro extremo, a esquerda xiita e revolucionária nunca abriu mão de defender as experiências soviética, cubana e chinesa, como caminhos de resgate das desigualdades e da justiça social. E em nome do “Velho Barbudo” (que, coitado, deve revirar-se continuamente no túmulo com tantas heresias anti-dialéticas ditas em seu nome), derrubaram regimes dominadores para implantar nova forma de dominação (a pretensa ditadura do proletariado), trocando de mãos, mas mantendo o chicote. Mas como as experiências comunistas já são por demais conhecidas em seus muitos erros e poucos acertos (o próprio regime capitalista cuidou muito bem de divulgá-los!), quero hoje comentar a decantada justiça e correção democrática dos EUA, a Meca dos capitalistas e das elites brasileiras (que o Bin Laden não me leia!). Não vou nem comentar as suas desigualdades sociais internas, a discriminação contra os imigrantes, a conivência com a especulação financeira e com a acumulação centralizada. Isso já é suficientemente conhecido. Quero analisar o comportamento ianque em suas relações globais, principalmente no diz respeito à convivência entre nações e as contradições entre as políticas que ele prega e as que ele desenvolve. E nem pretendo regredir muito no tempo, para evitar as desculpas reacionárias e revolucionárias da Guerra Fria. Abordar os últimos dez anos são suficientes para despir o rei. Ou melhor, pra fazer o strip-tease político do Titio Sam.

A Associação Americana de Juristas, em março de 2000, denunciou “a violação generalizada e persistente dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais nos Estados Unidos da América, agravada pelo fato de que seus governantes consideravam que dito país poderia colocar-se acima e à margem do direito internacional”, perante a Comissão de Direitos Humanos. E solicitou a esta Comissão que expressasse sua profunda preocupação com o fato desses comportamentos desviantes dos direitos humanos e do direito internacional estabelecidos consensualmente pelo conjunto das nações do planeta. Só para dar uma idéia aproximada desses desvios, os EUA não aderiram:

a)      ao Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais;

b)      a nenhum dos dois protocolos do Pacto de Direitos Civis e Políticos;

c)      à Convenção contra o Apartheid;

d)     à Convenção sobre a imprescritibilidade dos Crimes de Guerra e de lesa-humanidade;

e)      à Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher;

f)       à Convenção sobre os direitos dos trabalhadores migrantes e suas famílias;

g)      à Convenção contra o tráfico de pessoas e a exploração da prostituição de terceiros;

h)      à Convenção de Otawa, contra as minas anti-pessoais;

i)        ao Protocolo de Kyoto, sobre a emissão de gases poluentes na atmosfera;

j)        à criação de uma Corte Penal Internacional.

Que tal essa pequena amostra de “solidariedade” internacional? Sem contar ainda que o titio aderiu a apenas 12 dos 170 convênios da OIT sobre o trabalho e vetou numerosos artigos dos tratados e convênios a que aderiram. E não ratificou a Convenção dos Direitos da Criança, votando ao lado da Somália, seu único parceiro na empreitada política citada. Chega? Não, mais um pouquinho: em 1994, a direção da UNICEF denunciou em entrevista à imprensa de que a situação da infância nos EUA era a pior em todo o mundo industrializado! Em 1997, a cifra de 22,7% dos menores de 18 anos, nos EUA, vivia abaixo do limite de pobreza!

Em suas façanhas internacionais mais recentes, o titio:

a)      assumiu a representação dos interesses farmacêuticos transnacionais frente à OMC, a fim de impedir a produção de medicamentos essenciais ao controle da AIDS, a custos mais baixos (questão que o Brasil ganhou, diga-se de passagem);

b)      ignorando a Convenção Internacional (que não assinou), recruta, treina, financia e utiliza mercenários na Colômbia, já tendo-os utilizados na Croácia, Bósnia e Kosovo;

c)      na invasão do Panamá e nas Guerras do Golfo, violou os direitos humanitários em tempos de guerra, previstos na Convenção de Genebra;

d)     mantém, e quer expandir, bases militares no Equador, na Colômbia e em Cuba, criando zonas de tensão e internacionalização potencial de conflitos.

E tudo isto são fatos, não propaganda enganosa e/ou manipulação ideológica, certo? E em assim sendo, foi mais do que justa (embora tardia!) a decisão do Conselho Econômico e Social – ECOSOC em retirar o Tio Sam do posto que ocupava na Comissão de Direitos Humanos da ONU, desde 1947. Pelo jeito, a arrogância do titio está entrando em declínio e talvez aí esteja a principal explicação da eleição do Obama, um negociador nato.

Depois disso tudo, olho para a direita brasileira “Disney World” e penso: nós quem, cara-pálida? Olho para as esquerdas pré-muro de Berlim (nem aí eles conseguem unir-se) e penso: nós quem, cara-pálida? E olho para o Obama afirmando que: sim, nós podemos! E apesar de torcer por ele e saber que ele foi o melhor que aconteceu a nível global,  na atualidade, penso: nós quem, cara-pálida(?)?

Imagem: da NET, capturada via Google.

terça-feira, 18 agosto, 2009 Posted by | Comentário | , , , | 2 Comentários

Algumas verdades sobre a fome no mundo…

BLOGUE PORTINARI id_portinari_crianca_mortaTorna-se cada vez mais imperiosa a necessidade política de chutar-se o pau-da-barraca da lamentável farsa que associa a fome do mundo à insuficiência de alimentos. Em cima dessa cínica inverdade, nações, governos e corporações manipulam o pânico das pessoas em relação à fome, fazem lobby contra os biocombustíveis, alardeam a necessidade da transgenia dos alimentos naturais e especulam nos mercados. Todo mundo sabe que, de há muito tempo, a produção mundial de alimentos é superior ao consumo da população. Cabe então a perguntinha inevitável: porque há tantas pessoas passando fome no mundo? Os cretinos de plantão continuam afirmando que é pela falta de alimentos para todos, e é verdade! O que eles esquecem de complementar é que essa falta não se deve à produção insuficiente, mas a todas as atitudes políticas e econômicas gananciosas (assim como o pragmatismo utilitarista) que são implementadas na circulação da produção. Escrever sobre todas estas atitudes calhordas na questão da fome, daria alguns volumes escritos e eles estão por aí, publicados por intelectuais competentes (escolha na lista bibliográfica no final). Portanto, não me cabe discorrer sobre o tema em sua complexa globalidade, apenas opinar e repassar algumas informações objetivas, como a que segue abaixo: a vergonha dos desperdícios.

Metade da produção mundial de alimentos é jogada no lixo

BLOGUE ALIMENTOS trash1Dados da pesquisa realizada em parceria pela UN Food and Agriculture Organization (FAO), Stockholm International Water Institute e International Water Management Institute (IWMI) revelam que quase metade de todo o cultivo mundial de alimentos é desperdiçado após a sua produção. Esse gasto, gerado especialmente durante o processo de transporte dos produtos, é um dos principais causadores da crise dos alimentos que o mundo vive atualmente. Ou seja, o problema não está exclusivamente na falta de produção de comida, mas sim pelo seu enorme desperdício.

Porém esse não é o único dado alarmante apontado pela pesquisa. Segundo Charlotte de Fraiture, pesquisadora do IWMI, quase a metade da água usada anualmente para o cultivo dos alimentos também é perdida ou desperdiçada ao longo do processo. Somente nos Estados Unidos, quase 40 trilhões de litros de água (aproximadamente a quantidade necessária para produzir 30% dos alimentos de todo o país e suficiente para suprir as necessidades de 500 milhões de família) são perdidos todos os anos.

E tanto desperdício não é novidade para ninguém. Qualquer um que já comeu em um buffet ou foi a um supermercado sabe quantos alimentos em perfeitas condições de consumo são jogados fora diariamente. Para acabar com essa prática, os autores da pesquisa convocaram toda a comunidade mundial para reduzir a quantidade de desperdício de alimentos e água pela metade até 2025 – uma meta facilmente alcançável, de acordo com eles.

Outras recomendações do relatório beiram o óbvio: além de controlar o desperdício, sugerem melhorar a produtividade da água e aperfeiçoar a produção de alimento. Outra idéia incentiva usar um selo nos produtos informando sobre a quantidade de água que foi utilizada para gerá-lo. Assim as pessoas saberiam que para produzir um bife, por exemplo, são necessários 20.877 litros por cada 1 kg e assim ter consciência do que está comprando. Para os pesquisadores, existe água suficiente para todos e ela estará disponível para todos desde que seja bem gerida.

Algumas recomendações bibliográficas:

AMAROVAY, Ricardo. A fome no mundo. Editora Brasiliense.

BELIK, Walter e MALUF, Renato S. Abastecimento e segurança alimentar: Os limites da liberalização.
Campinas: Unicamp, 2000.

CASTRO, Josué de. Geografia da Fome. São Paulo: Civilização Brasileira, 2001. (1ª edição de
1946).

CASTRO, Josué de. Homens e Caranguejos. São Paulo: Brasiliense, 2001. (1ª edição de 1966).

FAO – Food and Agriculture Organization of United Nations. The state of food insecurity in the world. 2001.

HOFFMAN, Rodolfo. Pobreza, insegurança alimentar e desnutrição no Brasil: Estudos avançados.
São Paulo: 1995, v. 9, no 24.

IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas. A segurança alimentar e nutricional e o direito
humano à alimentação no Brasil.(documento elaborado para a visita ao Brasil do relator especial da
Comissão de Direitos Humanos da ONU sobre o Direito à Alimentação).

sexta-feira, 14 agosto, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , | 6 Comentários

Pais e filhos: ingratidões precoces, arrependimentos tardios e reflexões

BLOGUE PAI paiNa madrugada do domingo passado, ao verificar as estatísticas do  blogue me deparei com uma leitora que acessou uma historinha pessoal que contei há quase um ano atrás: “A vaquinha Batoré”. Como esse relato foi pouco acessado ao longo da existência deste espaço, cliquei para dar uma relida. Claro que me emocionei e pior: pensei que aquele domingo era o  Dia dos Pais (aquele dia em que se é profundamente imaturo para valorizá-los ou que já é irremediavelmente tardio para corrigirmos as nossas ingratidões filiais). E como meu pai figurava na história, editei esta reflexão para o dia. Descobri depois que a data estava errada, retirei-a e guardei-a para postar hoje, pois meus sentimentos em relação ao dia, à minha história, em relação ao meu pai e aos demais pais e filhos, permanecem…   Sem querer, a leitora nipônica que fez-me reler “A vaquinha Batoré” levou-me a refletir sobre o meu conflituado amor filial e deixar-me incapaz de escrever algo simples e cristalino sobre esta relação parental universal.

Por mais que se diga e se tente o contrário, a relação entre pais e filhos tem sofrido cada vez mais os efeitos entrópicos do mundo. Os pais foram forçados a ficarem cada vez mais tempo longe de casa, para tentar ser o provedor que todos esperam que eles sejam. As mães, por motivos vários, também se afastaram criando um hiato que não existia entre elas e seus filhos, abandonando a função mediadora que exercia entre os filhos e os pais tantas vezes ausentes.  E os filhos, cada vez mais soltos e sem limites, perderam os limites e referenciais paternos imediatos, caindo precocemente nos braços da mídia, na febre do consumo alienante e do descompromisso. Para completar o quadro, a escola deixou de ser um espaço comprometido com a educação, virando um mercado de conhecimento. A rua e a vizinhança deixaram de compor um espaço solidário, um prolongamento da habitação, tornando-se o paraíso da indiferença social e da violência. O Estado cada vez mais ineficiente e arbitrário desajuda, com leis que desautorizam os pais e os educadores, com omissões que agravam a insegurança de todos (pais e filhos) e desencaminham de vez os jovens perdidos das ruas em suas instituições de fachada. Os psicólogos, que alimentaram a insegurança dos pais com suas teorias idealistas, extraviaram muito mais do que resgataram pais e filhos desencontrados. E assim chegamos a este mundo de hoje, quase pós-moderno, onde as relações pais filhos se deterioram cada vez mais em função da psicologia do amor incondicional, do funcionamento social desagregador e alienante, das leis casuísticas e irreais, de escolas que renegaram o seu papel educador e de pais que se tornaram reféns dos seus filhos. Por decorrência, chega-se a Dia dos Pais cada vez mais sem significado real de encontro, onde muitas vezes ele sequer acontece. Nesse cenário, sendo filho e pai à antiga, nada mais me resta que manter as minhas convicções tidas como ultrapassadas e, no máximo, deixar algumas reflexões garimpadas sobre o tema, nesta madrugada. Leiam, riam, chorem e/ou reflitam… Apesar de tudo, ser pai é algo irrenegável. Portanto, um bom dia àqueles que conseguem ainda ter na paternidade prazer e significado.

“Os nossos pais amam-nos porque somos seus filhos, é um fato inalterável. Nos momentos de sucesso, isso pode parecer irrelevante, mas nas ocasiões de fracasso, oferecem um consolo e uma segurança que não se encontram em qualquer outro lugar”.
Bertrand Russell

“Para compreender os pais é preciso ter filhos”.
Sofocleto

“Metade da vida é estragada pelos pais. A outra metade, pelos filhos”.
Millôr Fernandes

“No início, os filhos amam os pais. Depois de um certo tempo, passam a julgá-los. Raramente ou quase nunca os perdoam”.
Oscar Wilde

“Pais e filhos não foram feitos para ser amigos. Foram feitos para ser pais e filhos”.
Millôr Fernandes

“Os filhos tornam-se para os pais, segundo a educação que recebem, uma recompensa ou um castigo”.
J. Petit Senn

“É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais”.
Coelho Neto

“Quando eu era pequeno, meus pais descobriram que eu tinha tendências masoquistas. Aí me passaram a me bater todo dia, para ver se eu parava com aquilo”.
Woody Allen

“Criança é esse ser infeliz que os pais põem para dormir quando ainda está cheio de animação e arrancam da cama quando ainda está estremunhado de sono”.
Millôr Fernandes

Bom dia a todos os Pais que ainda vêm na paternidade sentido e realização. Aos demais, a minha solidariedade  na tristeza e angústia de não sê-lo ou sê-lo pela metade.

domingo, 9 agosto, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | 3 Comentários

Crise no Senado: enfim, uma proposta real para a crise moral

BLOGUE CORRUPÇAO angeli

Vergonhosa, imoral e eticamente dantesca a crise hoje vivenciada no Senado Federal! Chega a ser humilhante para os eleitores brasileiros verem-se espelhados politicamente naqueles que escolheram (e que não escolheram) para representarem os seus interesses na esfera legislativa federal. Não que as outras instâncias do Estado Nacional estejam muito melhores, mas as enfermidades morais crônicas instaladas em escala permanente (os atos secretos são a prova maior disso) no reduto maior e mais veterano da política nacional representam um foco de contaminação permanente. E o mais grave, por vírus imorais resistentes aos antibióticos democráticos pelo contato longevo com as práticas políticas tradicionais e vergonhosas da nossa história: senadores decrépitos física e moralmente, blindados por uma ética própria e que se impõe de forma cínica à nação a cada momento e da forma mais aberta e desavergonhada. O cinismo chegou a tal ponto que mesmo os senadores que comprovada e assumidamente quebraram o decoro parlamentar (caso do pitbull Artur Virgílio) diz isso de público e se arvora a acusador do presidente da casa (que não assume mas está implicado nos fatos). O ex-presidente do Senado (Renam Calheiros), que não perdeu o mandato por renunciar a ele, acusando um outro pitbull (Tasso Jereissati) comprometido e que se dá ao direito de falar em “dedos sujos”. E para completar o lamentável surrealismo (ou realismo fantástico?) da situação, vemos um dos poucos senadores que se salva da lama geral (Eduardo Suplicy), caducando em plenário e em inglês, cantando em plena crise uma musiquinha para os seus pares sobre o Dia dos Pais. Ele deveria ter ampliado o tragicômico show musical para homenagear também os netos, filhos e similares. E principalmente as mães de figuras tão lamentáveis…

Bem, pelo menos, em meio a este cenário de pocilga (completado pela mídia também comprometida com o sensacionalismo e com as suas inserções ideológicas específicas), surgiu uma proposta pertinente, vinda da Ordem dos Advogados do Brasil. De uma corporação que abriga boa parte de tudo aquilo de pior que há na vida nacional, já que uma imensa parcela dos políticos são advogados, já que os grandes criminosos deste país (de gravata ou de sandália) são defendidos e libertos das cadeias por advogados contratados a peso de ouro, já que os juízes que libertam e até vendem sentenças a esses criminosos, são oriundos dos seus quadros. Apesar disso tudo, pelo pouco de bom que lá ainda existe, de lá saiu a proposta de renúncia geral dos senadores, para recomeçar do zero, através de novas eleições imediatas. No meu ponto de vista, isso seria ótimo, pois os eleitores votariam sob o impacto recente das informações cabulosas e reais, sem dar tempo a estes dinossauros morais (sem querer ofender aos dinossauros!) para maquiarem a vergonhosa realidade.

Leiam a proposta…

OAB sugere renúncia imediata de todos os senadores

Fonte: Último Segundo

Sex, 07 Ago, 06h22

O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, sugeriu hoje, em nota divulgada à imprensa, a renúncia imediata dos 81 parlamentares que compõem o Senado Federal e a convocação de novas eleições legislativas. Na opinião de Britto, essa seria a “solução ideal” para que a Casa recuperasse a credibilidade perdida por conta dos recentes escândalos que têm como pivô o presidente do Senado, o parlamentar José Sarney (PMDB-AP).

O Senado está em estado de calamidade institucional. O ideal seria a renúncia dos senadores”, sugere. Ainda na manifestação, Britto critica os atuais bate-bocas entre membros da base governista e da oposição no plenário da Casa, como a troca de farpas entre os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Renan Calheiros (PMDB-AL). “A quebra de decoro parlamentar, protagonizada pelas lideranças – com acusações recíprocas de espantosa gravidade e em baixo calão -, configura quadro que envergonha a nação”, afirma o presidente da OAB.

Apesar de reconhecer que o presidente José Sarney esteja no olho do furacão da crise por que passa a Casa, Britto diz que “a crise não se resume ao presidente da Casa, embora o ponha em destaque. Ela é de toda instituição”. De acordo com o presidente da instituição, todos os senadores têm contribuído com a crise, “que se dissemina como metástase junto às bancadas”. O presidente da OAB ainda ressalta que a extinção da Casa não seria a solução ideal, uma vez que os responsáveis por sua situação atual são os senadores que foram eleitos para compô-la. “O Senado não pode ser confundido com os que mancham o seu nome”.

A nota ainda propõe uma eficaz reforma política, que elimine os cargos de suplência e crie o dispositivo de “recall”, instrumento de revogação de mandato aplicado pela sociedade. “O voto pertence ao eleitor, não ao eleito, que é apenas seu delegado. Traindo-o, o parlamentar deve perder o mandato”, diz.

sábado, 8 agosto, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Perguntas pertinentes aguardando respostas honestas…

BLOGUE DUVIDA duvida-cruel-02Muito se diz que são as indagações, e não as respostas,  que alimentam a evolução humana. Verdade relativa, pois se as perguntas ou dúvidas desencadeiam as ações investigativas, as respostas e afirmativas descortinam novas verdades ou novas perguntas que realimentam novas buscas, indefinidamente. Esta dialética das dúvidas e certezas é tão importante que alicerçaram movimentos filosóficos desde a conceituação da epistemologia.

Um dos mais antigos, o sofisma, e que em verdade significa “fazer raciocínios capciosos” a partir de indagações capciosas e aparentemente válidas, apesar de pouco considerado academicamente, parece ter-se consolidado inexoravelmente nas sociedades humanas, principalmente na esfera política. Em suma, partindo de uma concepção relativista do conhecimento, os sofistas negavam (e negam) a universalidade da verdade. Exemplo: “Afirmo que o justo não é mais do que o útil ao mais forte…, isto é, em todos os Estados o justo é sempre… aquilo que convém ao governo constituído.” Platão, República, 338

Um outro produto antigo das indagações filosóficas, o silogismo, desenvolvido pelo filósofo grego Aristóteles no século IV a.C. constitui até hoje o principal instrumento da lógica. Segundo ele, o silogismo é uma expressão proposicional na qual, admitidas certas premissas, delas resultará, outra proposição diferente das estabelecidas anteriormente.  O exemplo mais clássico é o seguinte: “Todo animal é mortal; todo homem é animal; logo, todo homem é mortal.”

Bem, filosofias à parte, o nosso propósito aqui é apenas inaugurar um coluna que pretendo tornar permanente, para acumular determinadas indagações que chegam às mentes de todos nós diante de determinadas ações e fatos da sociedade em que vivemos. Indagações que quase sempre pairam no silêncio das conveniências dos interesses escusos e/ou nas limitações informativas, mas que são motores importantes de busca de todos nós por uma sociedade mais transparente e, por isso, com maiores possibilidades de apefeiçoar-se. Para começar a caminhada (que pretendo seja longa):

  1. Se é proibido aos motoristas ultrapassar a velocidade de 110 km/h… Porque é legal produzir e vender veículos capazes de triplicar essa velocidade?
  2. Se o cigarro é tão nocivo à saúde humana… Porque é legal produzir o fumo, industrializá-lo, comercializá-lo e ainda recolher altos impostos sobre o produto?
  3. Se os pais perdem a guarda legal dos seus filhos se não cumprem suas responsabilidades paternas… Porque o Estado não perde a guarda legal dos milhares de jovens que ele toma dos pais e despeja nas suas instituições, onde são semi-abandonados e desencaminhados de vez?
  4. Se o Bolsa Família é considerada uma esmola justificada pela garantia da presença das crianças pobres na escola… Como considerar as gordas bolsas de estudo fornecidas pelo poder público para que pessoas (que já tiveram acesso à escola e se graduaram) façam mestrados e doutorados?
  5. Se a TV mostrou a forte fiscalização estatal à Lei Antifumo nas noites das áreas urbanizadas da capital paulista… Quando ela mostrará a mesma fiscalização nas noites da periferia urbana da cidade?
  6. Se as companhias aéreas, de turismo e os órgãos estatais de saúde devem ser responsabilizados pelo controle da gripe suína… O que fazer em relação aos pais que, contrariando todas as informações, mandam seus filhos ou viajam a passeios em áreas confirmadas de risco?
  7. Se propagandas e promoções de mamadeiras, chupetas e bicos para mamar são formalmente proibidas no Brasil (por dificultarem a campanha oficial pró-amamentação materna), porque continua sendo legal a fabricação destes produtos?

Se vocês têm alguma pergunta politicamente correta, ambientalmente adequada e socialmente conseqüente, mandem para nós enriquecermos esta lista. E respostas do mesmo calibre, claro!

sexta-feira, 7 agosto, 2009 Posted by | Comentário, Reflexões, Trocando Idéias | , , , , | Deixe um comentário

Petróleo pode não ser combustível fóssil! E agora, José?

BLOGUE FOSSIL PETRÓLEOBLOGUE FOSSIL crise_beneficiaEngraçado, eu sempre tive fortes desconfianças sobre a teoria dos combustíveis de orígem fóssil. Desconfiava porque, por mais que pensasse, não conseguia imaginar tantos soterramentos inesperados de seres vivos capazes de gerar tanto petróleo e gás que a humanidade ja consumiu e ainda tem pra queimar e poluir o planeta. Sim, porque estes combustíveis, segundo os teóricos,  originarse-iam da decomposição de organismos vivos que morreram em imensas quantidades, foram soterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, onde sofreram transformações químicas até originar o petróleo e o gás natural, sem a presença do ar livre. Em assim sendo, hajam florestas, dinossauros e outros bichos (e hajam também cataclismas geológicos!) para matar e enterrar subitamente, criando as condições ambientais adequadas para tantos combustíveis fósseis.

Esse é um lado da teoria dos combustíveis fósseis e que por ser considerada verdadeira até hoje, tem caracterizado um cenário global conflitante:
a) o desespero dos megainvestidores do setor petrolífero em face da possibilidade de finitude do petróleo e dos seus imensos lucros;
b) a preocupação e o desespero de alguns ambientalistas, consolados mais recentemente pela citada finitude e pela iniciação de ações substitutivas para o problema, através de outras fontes energéticas renováveis;
c) a preocupação oportunista e/ou alarmista de empresários e nações petrolíferas, além de ambientalistas radicais, que estigmatizam os bio-combustíveis como causadores da queda da produção de alimentos, do desmtamento da Amazõnia e outras “cositas más”;
d) a nossa esperança cidadã de que, com a consciência da finitude do petróleo e seus subprodutos, a luta para a substituição energética sustentável se acelerasse e assim pudéssemos ter alguma esperança no controle da poluição e do aquecimento planetário.

Agora, porém, amigos, isso tudo pode vir por água abaixo: o poder político e econômico do petróleo poderá eternizar-se, os ambientalistas sensatos poderão se suicidar de desgosto, os eco-chatos terão motivos para continuar apregoando o caos inevitável e as nossas esperanças vão para as mãos do Grande Espírito. Tudo porque, uma experiência recente sobre uma outra teoria desprezada até então (a orígem abiótica do petróleo e similares), parece ter comprovado que estes combustíveis têm orígem natural e portanto se renovarão ad-eternum. E agora, José? Se isso é verdade, quem conseguirá convencer os donos do ouro negro e do seu mercado, a investir em novas fontes? Que enpresários e países se mobilizarão para substituir suas matrizes energéticas? Que esforços ocorrerão no sentido de produtos e bens menos poluidores (sacos plásticos, carros, etc.)?

Bem, eu desconfiava da teoria fóssil, mas esperava que ela fosse verdadeira. Agora, é torcer a favor dela como torcedor corintiano aos 48 minutos do segundo tempo: acreditando em milagre!

Leiam, amigos e imaginem as consequências. O texto da reportagem é meio tecnicista, mas dá pra entender…

Energia

Petróleo e gás natural podem não ser fósseis

Agostinho Rosa – 03/08/2009

O Universo originou-se de uma descomunal explosão, conhecida como Big Bang. O petróleo e o gás natural são combustíveis fósseis. Estas são provavelmente as duas teorias científicas mais disseminadas, de maior conhecimento do público e algumas das que alcançaram maior sucesso em toda a história da ciência.

Elas são tão populares que é fácil esquecer que são exatamente isto – teorias científicas, e não descrições de fatos testemunhados pela história. Mesmo porque as duas oferecem explicações para eventos que se sucederam muito antes do surgimento do homem na Terra.

Teoria dos combustíveis fósseis

Segundo a teoria dos combustíveis fósseis, que é a mais aceita atualmente sobre a origem do petróleo e do gás natural, organismos vivos morreram, foram enterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, onde sofreram transformações químicas até originar o petróleo e o gás natural.

É com base nesta teoria que chamamos as principais fontes de energia do mundo moderno de “combustíveis fósseis” – porque seriam resultado de restos modificados de seres vivos.

Teoria do petróleo abiótico

Muito menos disseminado é o fato de que esta não é a única teoria para explicar o surgimento do petróleo. Na verdade, esta teoria hegemônica vem sendo cada vez mais questionada por um grande número de cientistas, que defendem que o petróleo tem uma origem abiótica, ou abiogênica – sem relação com formas de vida.

Os defensores da teoria abiótica do petróleo têm inúmeros argumentos. Por exemplo, a inexistência de fenômenos geológicos que possam explicar o soterramento de grandes massas vivas, como florestas, que deveriam ser cobertas antes que tivessem tempo de se decompor totalmente ao ar livre, juntamente com a inconsistência das hipóteses de uma deposição do carbono livre na atmosfera no período jovem da Terra, quando suas temperaturas seriam muito altas.

A deposição lenta, como registrada por todos os fósseis, não parece se aplicar, uma vez que as camadas geológicas apresentam variações muito claras, o que permite sua datação com bastante precisão. Já os depósitos petrolíferos praticamente não apresentam alterações químicas variáveis com a profundidade, tendo virtualmente a mesma assinatura biológica em toda a sua extensão.

Além disso, os organismos vivos têm mais de 90% de água e mesmo que a totalidade de sua massa sólida fosse convertida em petróleo não haveria como explicar a quantidade de petróleo que já foi extraída até hoje.

Outros fenômenos geológicos, para explicar uma eventual deposição quase “instantânea,” deveriam ocorrer de forma disseminada – para explicar a grande distribuição das reservas petrolíferas ao longo do planeta – e em grande intensidade – suficiente para explicar os gigantescos volumes de petróleo já localizados e extraídos.

Carbono do interior da Terra

Por essas e por outras razões, vários pesquisadores afirmam que nem petróleo, nem gás natural e nem mesmo o carvão, são combustíveis fósseis. Para isso, afirmam eles, o ciclo do carbono na Terra deveria ser um ciclo fechado, restrito à crosta superficial do planeta, sem nenhuma troca com o interior da Terra. E não há razões para se acreditar em tal hipótese.

Na verdade, aí está, segundo a teoria dos combustíveis abióticos, a origem do petróleo, do gás natural e do carvão: eles se originam do carbono que é “bombeado” continuamente pelas altíssimas pressões do interior da Terra em direção à superfície.

É possível sintetizar hidrocarbonetos a partir de matéria orgânica, e estes experimentos foram, por muitos anos, o principal sustentáculo da teoria dos combustíveis fósseis.

Mas agora, pela primeira vez, um grupo de cientistas conseguiu demonstrar experimentalmente a síntese do etano e de outros hidrocarbonetos pesados em condições não-biológicas. O experimento reproduz as condições de pressão e temperatura existentes no manto superior, a camada da Terra abaixo da crosta.

Metano e etano abióticos

A pesquisa foi feita por cientistas do Laboratório de Geofísica da Instituição Carnegie, nos Estados Unidos, em conjunto com colegas da Suécia e da Rússia, onde a teoria do petróleo abiótico surgiu e tem muito mais aceitação acadêmica do que em outras partes do mundo.

O metano (CH4) é o principal constituinte do gás natural, enquanto o etano (C2H6) é usado como matéria-prima petroquímica. Esses dois hidrocarbonetos, juntamente com outros associados aos combustíveis de origem geológica, são chamados de hidrocarbonetos saturados porque eles têm ligações únicas e simples, saturadas com hidrogênio.

Utilizando uma célula de pressão, conhecida como bigorna de diamante, e uma fonte de calor a laser, os cientistas começaram o experimento submetendo o metano a pressões mais de 20 mil vezes maiores do que a pressão atmosférica ao nível do mar, e a temperaturas variando de 700° C a mais de 1.200° C. Estas condições de temperatura e pressão reproduzem as condições ambientais encontradas no manto superior da Terra, entre 65 e 150 quilômetros de profundidade.

No interior da célula de pressão, o metano reagiu e formou etano, propano, butano, hidrogênio molecular e grafite. Os cientistas então submeteram o etano às mesmas condições e o resultado foi a formação de metano. Ou seja, as reações são reversíveis.

Essas reações fornecem evidências de que os hidrocarbonetos pesados podem existir nas camadas mais profundas da Terra, muito abaixo dos limites onde seria razoável supor a existência de matéria orgânica soterrada.

Reações reversíveis

Outro resultado importante da pesquisa é que a reversibilidade das reações implica que a síntese de hidrocarbonetos saturados é termodinamicamente controlada e não exige a presença de matéria orgânica.

“Nós ficamos intrigados por experiências anteriores e previsões teóricas,” afirma Alexander Goncharov, um dos autores da pesquisa. “Experimentos feitos há alguns anos submeteram o metano a altas pressões e temperaturas, demonstrando que hidrocarbonetos mais pesados se formam a partir do metano sob condições de temperatura e pressão muito similares. Entretanto, as moléculas não puderam ser identificadas e era provável que houvesse uma distribuição.”

“Nós superamos esse problema com nossa técnica aprimorada de aquecimento a laser, que nos permitiu aquecer um volume maior de maneira mais uniforme. Com isso, descobrimos que o metano pode ser produzido a partir do etano”, declarou Goncharov.

Hidrocarbonetos gerados no interior da Terra

“A ideia de que os hidrocarbonetos gerados no manto migram para a crosta terrestre e contribuem para a formação dos reservatórios de óleo e gás foi levantada na Rússia e na Ucrânia muito anos atrás. A síntese e a estabilidade dos compostos estudados aqui, assim como a presença dos hidrocarbonetos pesados ao longo de todas as condições no interior do manto da Terra agora precisarão ser exploradas,” explica outro autor da pesquisa, professor Anton Kolesnikov.

“Além disso, a extensão na qual esse carbono ‘reduzido’ sobrevive à migração até a crosta, sem se oxidar em CO2, precisa ser descoberta. Essas e outras questões relacionadas demonstram a necessidade de um programa de novos estudos teóricos e experimentais para estudar o destino do carbono nas profundezas da Terra,” conclui o pesquisador.

terça-feira, 4 agosto, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 7 Comentários

“Mi ardi o ôi”: antibagismo com criatividade e sem terrorismo.

BLOGUE CAIPIRA caipira-picando-fumo-1893-almeida-jrJá são muitos os posts que aqui dediquei ao terrorismo social que é exercido pelas maiorias e/ou minorias ativas, estimuladas pela mídia sensacionalista, pelo Estado dominador, pelos políticos oportunistas e pelos juízes sem visão constitucional ampla. E os mais fortes destes patrulhamentos infames sempre se dirigiram contra os fumantes, que compram um produto produzido legalmente, pagam impostos escorchantes e são ditatorial e cinicamente limitados no consumo. Mas hoje fui pego de surpresa por uma variante desse terrorismo e que me surpreendeu pela criatividade e pelo bom-humor. Assim, “pra não dizer que não falei de flores”, hoje apresento-lhes um destes atentados feito de forma inteligente e bem humorada. É de uma dupla anônima (pelo menos pra mim) intitulada Vira e Mexe, com jeito de futuro artístico musical e cômico. Pelo menos isso, pois, parafraseando o Poetinha, desculpem-me os ranzinzas, mas bom-humor é fundamental…

Apreciem o vídeo (não esqueçam de ligar o som!) e lembrem-se de que mudar o outro quase sempre passa por caminhos não-autoritários…

Imagem: De um tempo milenar em que “pitar”, não era crime…
Almeida Júnior
Caipira picando fumo
– 1893
, óleo sobre tela – 70 x 50 cm
Pinacoteca do Estado de São Paulo


segunda-feira, 3 agosto, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário