Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Lula x Newsweek: “o cara” demonstra por que “é o cara”!

A matéria abaixo é mais uma prova do comportamento oportunista da mídia e da oposição brasileiras de só alardear o que convém: calaram tanto sobre esta entrevista que eu, catita permanente de noticiários televisivos, impressos e virtuais, apenas agora tomei conhecimento dela! Mas como temos leitores antenados, recebemos a citada entrevista, inclusive com comentários iniciais. Leiam e tirem suas próprias conclusões…

Oposição pitbull, tremei mais uma vez!!!!

Repassado por nosso RV Carlos Germer, SC

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23 de Setembro de 2009 – 23h00

O que disse “o político mais popular da Terra”, na Newsweek?

A mídia brasileira deu grande repercussão à reportagem da revista americana Newsweek sobre o presidente Lula, sob o título “O político mais popular da Terra“. O Google Notícias, na noite desta quarta-feira (23), indicava 540 conteúdos sobre o tema. Mas por que ninguém mostrou o longo duelo que foi a entrevista de Lula à Newsweek? Veja aqui a entrevista e tire suas conclusões.

BLOGUE LULA 3 lula-positivo

A revista, que publicou a entrevista no seu site, desmancha-se em elogios ao “espetacular trabalho” do presidente do Brasil. Não faltam as referências de costume ao pobre menino nordestino que até os sete anos não sabia o que era um pão.

O título é tirado da hoje famosa tirada do presidente Barack Obama numa reunião do G20 em abril, em que o chefe da Casa Branca chamou Lula de “o cara”. O “gancho” foi a presença do governante brasileiro em Nova York, onde ele abriu a Assembléia Geral da ONU. Porém a revista, que serviu de modelo para Victor Civita criar a Veja no Brasil, não está mudando de “lado”, para usar uma expressão cara a Lula. Basta ler a entrevista, a cargo do premiado jornalista Mac Margolis, correpondente da Newsweek no Rio de Janeiro, escalado para espremer “o cara” com perguntas espinhosas, em busca de respostas de cedência ou pelo menos de contemporização.

Lula foi inquirido sobre os méritos do mercado na crise econômica, as excelências das privatizações do governo Fernando Henrique, o “controle estatal” sobre o pré-sal, os compromissos do Brasil na cúpula climática em Copenhague e, no fim, claro, o “estridente” presidente venezuelano Hugo Chávez, acusado de inimigo da democracia ligado a gangs de vândalos.

Veja a íntegra da entrevista publicada. Julgue as perguntas. E confira como foi que Lula se saiu.

Newsweek: Quando o senhor tomou posse, o Brasil era enxergado como uma promessa não realizada, e a última das nações do Bric. Agora o Brasil é considerado uma estrela entre os mercados emergentes. O que aconteceu?

Luiz Inácio Lula da Silva: Ninguém respeita ninguém que não respeita a si mesmo. E o Brasil sempre se comportou como um país de segunda classe. Nós sempre dissemos a nós mesmos que éramos o país do futuro e o celeiro do mundo. Mas nós nunca transformamos essas qualidades em algo concreto. Em um mundo globalizado você não pode ficar parado. Tem que pegar a estrada e vender o seu país. Então nós decidimos fazer do fortalecimento do Mercosul (o bloco comercial sul-americano) uma prioridade, e aprofundamos nossas relações com a América Latina em geral. Priorizamos o comércio com a África e entramos agressivamente no Oriente Médio. Hoje nossa balança comercial é altamente diversificada. Isso nos ajudou a amortecer o impacto da crise econômica. Sofremos bem menos que todos esses países que concentraram todo o seu comércio em um ou outro bloco econômico. Tudo isso criou um laço entre o Brasil e outros países e hoje estamos em pé de igualdade nas relações internacionais. Ao mesmo tempo eu acredito que as nações desenvolvidas começaram a entender que a situação mundial era tão séria que elas não seriam capazes de resolver todos os problemas sozinhas. O Brasil foi convidado pela primeira vez para o G8 (o grupo dos países ricos) em 2003. Agora estas são relações instituídas. Estamos pedindo uma reforma do Conselho de Segurança da ONU. Isto nós ainda não conseguimos, mas vamos conseguir.

Newsweek: O sucesso do Brasil em pilotar a crise econômica mudou o enfoque dos investidores?

Lula: Eu vou lhe dar um exemplo. No início da crise, as matrizes da indústria automobilística mandaram todo mundo reduzir a produção, reduzir os estoques e remeter recursos. Mais tarde eles chamaram os brasileiros para que explicassem que milagre eles haviam realizado, ao recuperar tão depressa os seus mercados. Não houve milagre. Tínhamos um mercado interno forte. Tínhamos consumidores que queriam comprar carros. Reduzimos parte dos impostos sobre as vendas e pedimos às empresas que oferecessem crédito em condições favoráveis. O resultado é que estamos batendo recorde atrás de recorde em vendas de carros no Brasil. O mesmo acontece com geladeiras, fogões, máquinas de lavar, e com computadores e a construção de moradia. Se todos os países tivessem feito isso tão rápido como o Brasil e a China fizeram, certamente o mundo poderia emergir da crise mais depressa. Já estamos começando a ver sinais de recuperação. Se eu lhe disser que este ano vamos gerar um milhão de empregos você provavelmente não vai acreditar. Mas espere só os números em dezembro sobre quantos empregos vamos criar no setor formal.

Newsweek: Quais são as lições para outros países?

Lula: A grande lição para todos é que o Estado tem um importante papel a jogar, e tem grande responsabilidade. Não queremos o Estado para gerir negócios. Mas ele pode ser um indutor do crescimento e pode trabalhar em harmonia com a sociedade. No Brasil, graças a Deus, temos um sistema financeiro sólido e bancos públicos com um importante papel na oferta de crédito. Estes foram os bancos que garantiram que a crise não fosse tão ruim quanto foi em outros países.

Newsweek: Não foi também porque o mercado brasileiro era forte?

Lula: Foi um mérito do trabalho duro, por parte do setor privado e do governo. Eu não aceito a ideia de que quando as coisas vão bem o mérito vai para o setor privado e quando as coisas vão mal a culpa é do governo. Ninguém neste país teve um papel mais ativo que eu tive em vender produtos brasileiros. Ninguém impulsionou as empresas brasileiras mais do que eu impulsionei. É assim que construímos uma grande nação.

Newsweek: O senhor frequentemente critica o processo de privatização. Porém graças à venda das empresas estatais até os brasileiros mais pobres têm celulares, e as ex-estatais como a Vale se tornaram vencedoras sob propriedade privada.

Lula: Mas o Estado poderia ter feito a mesma coisa.

Newsweek: Só que não fez.

Lula: Não fez porque a elite brasileira usava as empresas públicas para seus próprios fins. Quando você faz assim, qualquer companhia quebra, em qualquer lugar do mundo. Eu penso que as privatizações foram um erro. Antes de eu tomar posse, a Petrobras estava investindo R$ 250 milhões (US$ 139 milhões) em prospecção. Hoje estamos investindo cerca de US$ 560 bilhões. A descoberta de petróleo na camada do pré-sal , nas águas profundas do oceano, não foi um golpe de sorte. Foi o resultado de investimento. Só foi preciso investir corretamente. Mas eu não sou de ficar remoendo o passado. Você nunca vai me ouvir falar em reestatizar uma empresa. O que está feito está feito e vamos seguir adiante.

Newsweek: O Brasil consegue manter seu compromisso com uma energia limpa, com todos os pesados investimentos necessários para extrair o petróleo do pré-sal?

Lula: Iremos usar o dinheiro do petróleo para ajudar a explorar energia limpa. As duas (a petrolífera e a renovável) não são incompatíveis. O Brasil é um dos poucos países com um enorme potencial de energia limpa, renovável. A Petrobras no ano passado criou uma empresa de biodiesel. Estamos trabalhando no desenvolvimento de plataformas hidreléticas que irão simplesmente usar o fluxo do rio para gerar energia. Os trabalhadores irão de helicóptero para a estação geradora, como vão para uma plataforma petrolífera no mar. As plataformas serão rodeadas pela floresta, para reduzir o impacto ambiental. O Brasil tem a responsabilidade de mostrar ao mundo que é cada vez mais viável usar uma energia que não polui o mundo. Nossa matriz energética vai se tornar firmemente mais limpa.

Newsweek: O Brasil concorda com reduções na emissão de gases do efeito estufa na próxima rodada da mudança climática, em Copenhague?

Lula: Queremos construir com outros países uma proposta que seja compatível com a capacidade de cada um, encontrar compromissos apropriados a cada país. O Brasil apoiará a criação de um fundo para estimular o seqüestro de carbono pelas nações mais pobres, mas o Brasil também vai querer que o mundo rico reduza suas emissões de gases do efeito estufa. Precisamos medir as emissões históricas de cada nação, para que cada um de nós pague de acordo com sua própria responsabilidade.

Newsweek: Mas o Brasil vai se comprometer com metas de redução?

Lula: O Brasil vai se comprometer a alcançar um amplo acordo, e se esse acordo contiver metas de emissão o Brasil deseja cumprir. Mas quer ver se as outras nações vão também encontrar as suas metas de redução.

Newsweek: Por que o senhor deseja aumentar o controle estatal na indústria petrolífera, quando o atual sistema de concessões ao setor privado está funcionando?

Lula: Este novo modelo de partilha de produção que estamos propondo ao Congresso é o sistema dominante no mundo de hoje. A única razão para manter o sistema de concessões, que é um tipo de contrato de risco, é quando um país não tem certeza de que vai se achar petróleo e quer partilhar o risco (da prospecção). Mas quando sabemos que o petróleo está ali, e esse óleo é um recurso estatal, por que iríamos entregar concessões (às empresas estrangeiras)? Mas pode apostar que as maiores empresas petrolíferas do mundo vão se interessar em investir nos projetos do pré-sal no Brasil, sob estas novas normas.

Newsweek: O bloco comercial do Mercosul, que o Brasil lidera, só admite como membros democracias plenas, que respeitem os desejos humanos. A Venezuela está qualificada?

Lula: Dê-me um exemplo em que a Venezuela seja antidemocrática.

Newsweek: Trinta e quatro estações de rádio fechadas pelo governo em um fim de semana. Repressão a sindicatos independentes e perseguição do governo a rivais políticos. Gangs ligadas ao governo de Hugo Chávez vandalizando a única rede de TV independente.

Lula: Esta não é a versão do governo.

Newsweek: Existe alguma dúvida?

Lula: Vamos ser francos sobre uma questão. Primeiro, cada país estabelece o regime democrático que convém a seu povo. Isto é uma decisão soberana de qualquer nação. Eu nunca questionei o fato de que, num sistema parlamentarista, o primeiro ministro pode ficar no poder por 15 ou 18 anos. Agora [Álvaro] Uribe está apoiando [uma emenda constitucional para permitir] um terceiro mandato. Eu não ouvi ninguém criticar a Colômbia por isso. Por que eu não quero um terceiro mandato? Porque o que vale para mim vale para meus opositores. Se agora eu quero três mandatos, amanhã eles vão querer quatro. Por isso eu digo que você não pode brincar com a democracia. Dois mandatos e oito anos é um tempo razoável para se governar um país. E vamos ser honestos: a elite venezuelana não era exatamente um jardim de flores. Lembre que Chávez foi vítima de um golpe. Você não pode esperar que ele esqueça disso tão cedo. Eles sequestraram o homem exatamente como sequestraram [o presidente hondurenho, Manuel] Zelaya. Não podemos deixar que isso continue a acontecer na América Latina. Chávez terá de se submeter às regras do Mercosul. O Mercosul tem normas definidas.

Newsweek: Sim, mas as normas do Mercosul dizem que para um país ingressar no mercado comum precisa respeitar as regras da democracia e dos direitos humanos.

Lula: Chávez foi testado em quatro eleições nos dez últimos anos, e o povo venezuelano está aprendendo. Nós somos um continente colonizado. A maioria dos países da região passaram o século 20 na pobreza. O petróleo da Venezuela enriqueceu meia dúzia de pessoas enquanto o resto do povo continuava pobre. Esta é a primeira vez que este [dinheiro do] petróleo está sendo usado para aumentar a participação do povo. Se está certo ou errado, o povo venezuelano vai julgar.

Newsweek: A democracia é só eleições?

Lula: Eleições são um grande indicativo de democracia. A democracia na prática significa instituições que funcionam devidamente, e estou trabalhando para defender a democracia brasileira. Cada país tem de construir a democracia que quer. Eu não tenho dúvida de que os latino-americanos estão em um dos mais ricos momentos da gestão democrática em nossa história.

Newsweek: Com o Brasil assumindo um maior papel internacional, muita gente se pergunta por que o país permanece tão silencioso em relação a países cujos regimes não são democráticos…

Lula: Se olharmos para os direitos humanos literalmente, então todas as nações cometem erros, inclusive os Estados Unidos. Onde estão os direitos humanos em Guantanamo? Todos os países têm problemas. Só a paz e a democracia serão capazes de garantir o crescimento econômico necessário a uma vida melhor para a maioria. De vez em quando as pessoas me perguntam: Lula, você é o líder da América Latina? Eu digo que não. Ninguém me escolheu para ser líder. Mas estou absolutamente convencido de que as relações do Brasil com a América Latina nunca foram tão claras, transparentes e honestas como hoje. Quando o Paraguai fica nervoso com o Brasil, eu tenho que compreender o Paraguai. Não posso ser agressivo se o Paraguai grita comigo. O Brasil tem muito mais poder e recursos. É como a relação entre pai e filho. Um pai não bate no seu filho toda vez que o menino grita. Ele tenta argumentar. É assim que os países grandes devem agir.

Fonte: Newsweek.

28 de Setembro de 2009

quarta-feira, 30 setembro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Na terra dos Aruãs

BLOGUE MARAJO - ilha%20de%20maraj%C3%B3%201- ilha de Marajó-PADiários da Barreira do Mar (I)
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Lembram quando dias atrás, na postagem “Sobre sonhos e pragmatismos”, eu comentei sobre uma reunião em que eu teria ter de escolher entre a segurança material e os sonhos? Pois é. Ao fim de tudo, mais uma vez pude conciliar as duas coisas, com uma decisão simples: vou trabalhar por uns tempos na Ilha de Marajó (bom e fácil, quando se tem muitos sonhos!). Com certeza, poucos paraenses conhecem este arquipélago além dos livros e reportagens, o que dizer então do resto da população brasileira? Eu, em minha sina de andarilho, por lá caminho desde a década de 80, quando ainda universitário fiz um trabalho sobre a pesca artesanal em Santa Cruz do Arari. Nessa viagem, tive a felicidade de conhecer um padre italiano lá radicado (Giovani Gallo), que montara um museu e que me encantou com o seu conhecimento histórico e natural. Também pude curtir a amizade dos pescadores, os mimos gastronômicos da Dona Ana, a pinga bebida no barranco repartindo o tamuatá assado de brasa. E nunca mais deixei de voltar por lá, embora sempre de maneira rápida.

E agora, finalmente vou poder mergulhar mais profundamente nesse universo fascinante do Marajó, sediando-me no pequeno município de Salvaterra, na banda oriental da ilha, com praias lindas e tranqüilas, com povoados que parecem ter parado no tempo.

Um arquipélago fluvial imenso, na desembocadura do Amazonas, com a maior ilha fluvial do mundo e mais duas mil e quinhentas outras ilhas em seu entorno. Quarenta e dois mil quilômetros quadrados como território de doze municípios paraenses, reduto de belezas que os homens ainda não conseguiram destruir, pelas características ecossistêmicas específicas e rebeldes à mão dos predadores maiores da região.

Espaço dos mais importantes na história colonial brasileira e amazônica e que, desde Pinzón e Orellana (os primeiros subjugadores de nativos a penetrar na região), sofreu modificações sócio-ambientais e culturais, sem perder integralmente a formosura, como aquela mulher cuja idade e sofrências não lhe soterrou a dignidade e o encanto originais. Território que sobreviveu à França Equinocial, à ocupação holandesa, às lutas dos outros e até  mesmo ao jugo português (a capitania hereditária da Ilha Grande de Joannes),  transformando-se o suficiente em termos étnicos, ambientais e culturais para manter-se dona de si mesmo. Enfim, uma Amazônia diferente dentro da Amazônia geralmente descrita, uma placa de terra que se despregou do continente há um milhão de anos e dividiu o rio Amazonas em dois braços que a envolveram e protegeram, dificultando o acesso dos ambiciosos. O território dos campos naturais, das florestas primárias e das pororocas. A terra das praias fluviais mais lindas que já vi e dos gentis caboclos marajoaras, com sua pele de cobre e sua hospitalidade terna.

Sei que nas horas vagas do meu trabalho formal, entre uma cachacinha e outra, entre uma pescaria e outra, entre um bate-papo e outro, farei anotações sobre este povo e esta terra, talvez como apontamentos para futuros artigos, projetos, ou simplesmente para alimentar este blogue. E isto já é um bom sonho, não acham? Suficiente para me manter vivo e ativo. Talvez por lá seja difícil o acesso à NET, talvez eu não tenha o mesmo tempo disponível pra postar o blogue com a mesma regularidade. Talvez, talvez… Vamos esquecer os “talvez”! Como bem disse o Pessoa: “tudo vale a pena, se a alma não é pequena.”

Que venham as águas mornas da Ilha Grande…

Imagem: giramundo-cirandeira.blogspot.com/2009/05/ilh..

terça-feira, 29 setembro, 2009 Posted by | Comentário | , , , , , , | 4 Comentários

Caso Viamão: a contradição entre o Estado e a população adulta!

BLOGUE PIXADOR nyc_gansevoort_graffiti02[1]Felizmente, parece que parcelas significativas dos pais brasileiros estão mandando às favas os psicólogos de araque que estragaram gerações de pais e filhos em nome do amor incondicional, os legisladores farsantes que criam leis que o Estado não pode cumprir, os juízes reféns alienados pelos ditos psicólogos e os burocratas que se dizem protetores das criancinhas mal-criadas e mal-amadas desse Brasil! O caso da professora da Escola Barão de Lucena, que obrigou o moleque pichador da escola a repintar a área vandalizada, foi emblemático em relação ao meu argumento inicial: enquanto a mãe (pelo menos legal e biologicamente) acusava a professora de ter humilhado o seu filhinho querido, a TV Globo executou e divulgou enquete em que 98% dos telespectadores apoiaram a atitude da educadora! Enquanto esta mãe alienada defendia acriticamente sua cria, entre os pais da mesma escola, um senhor de meia-idade declarava: “Se essa professora tivesse feito isso com meu filho, eu ia era dar os parabéns a ela!” E enquanto o poder público já pensa em punir a educadora, a população nacional parece estar acordando da letargia induzida nos último trinta anos pelos balões de ensaios das teorias psicológicas, pelos legisladores irresponsáveis, juízes prepotentes e burocratas com excesso de zelo. E se a TV Globo divulgou a discordância paterna arrasadora da sua enquete, não é porque ela é boazinha não: é que ela, durante toda a sua existência, sempre soube identificar os momentos certos de mudar de barco! Foi assim durante a ditadura pós-64, foi assim nas Diretas Já, foi assim na Nova República, no período Collor (antes, durante e no desfecho) e agora, na era Lula!  E parece que até ela já está descobrindo os excessos de direitos e escassez de limites que atualmente vigoram desavergonhadamente nos processos educacionais e de socialização dos jovens, neste país! Milhares de escolas neste país, construídas com o dinheiro de todos nós, são destruídas por crianças mal-criadas! Milhares de estudantes são agredidos, e até mortos, por colegas muitas vezes insuflados pelos próprios pais! Centenas de professores são agredidos por estudantes vadios e mal-formados em seus lares de orígem! E enquanto isso, os pais culpam a escola, os educadores culpam os pais e o Estado (em qualquer de suas instâncias) se omite ou age de forma pirotécnica e oportunista, através dos seus agentes que se postam pomposamente na torre de marfim do poder e atuam de forma desconectada com a realidade das ruas.

Parabéns, professora! Parabéns, pais solidários com a educadora! Corretivo nestas crias de lares alienados e/ou prepotentes que jogam cada dia mais pequenos marginais nas nossas ruas, sem sequer terem a desculpa da pobreza e da falta de oportunidades de formação escolar, ética e moral (marginais de griffe)!

Leiam a notícia abaixo e reflitam sobre a profunda contradição que atualmente se constrói entre a realidade legal e a vontade popular, nesta questão da formação dos filhos…

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Professora que puniu aluno pichador pode ser punida

Publicado em 24/09/2009 pelo(a) wiki repórter Viamão Hoje, viamao-RS

Numa total inversão de valores, coisa já comum na “Terra de Marlboro“, onde desde a mais tenra idade qualquer um faz o que bem entende, pois não há punição, uma professora que também é vice- diretora da Escola Barão de Lucena poderá ser punida por ter sido muito “dura” com um aluno. A escola teria acabado de ser pintada em mutirão e o estudante riscou as paredes.

Segundo testemunhas, o garoto teria avisado em ar de deboche e as pessoas, na maioria trabalhadores que sacrificaram seu feriado do dia sete de setembro também ficaram muito chateados com o fato. “Se um garoto que na verdade já é um rapaz de 14 anos faz isso agora, com uma mulher que é considerada sua segunda mãe, o que esperar daqui a 5 ou menos anos?” – Comentou outra professora.

Escola freqüentada por crianças das classes mais pobres da população, mas não que por isso devam ser rotuladas de baderneiras ou relaxadas, teve as salas pintadas no último feriado ao custo de quase R$ 2.000,00, valor este dividido entre os pais dos alunos. Pessoas humildes, pobres, muitas vezes sem dinheiro para pintar a própria casa. “As salas ficaram lindas, mas sempre tem um infeliz, muitas vezes por problemas na família, que visa destruir o que não pode ter. Desta forma, um aluno pixou a sala e a professora foi enérgica obrigando que o mesmo a pintasse. Acho até que deveriam esfregar a cara dele na parede, talvez assim aprendesse já que com educação e carinho não resolve”, comentou o pai de outro aluno.

Realmente, já havia sido solicitado às crianças que cuidassem e felizmente boa parte são de pessoas de boas famílias. Geralmente as crianças trazem para a sala de aula o que aprendem ou vivenciam em suas casas, e com este menino problemático não deve ser diferente. Uma pena que os pais ao invés de elogiarem a professora, fazem exatamente como aquele casal da novela das oito (César e Ilana Gallo), que passavam a mão na cabeça do filho arteiro (Zeca). Mais tarde são essas mesmas crianças que poderão estar roubando e matando por aí.

Daí não adianta falar em violência e pedir para o governo ou a polícia fazer algo, já que os pais não dão o mínimo de educação para seus filhos. Também a lei que deixa bem claro que qualquer pessoa menor de 18 anos pode fazer o que bem entender até mesmo tirar a vida de um inocente que nada vai acontecer, ajuda esse pais a afundar cada dia mais. E isso parece bom de alguma para o governo, pois nada é feito.

Agora uma coisa é certa, se esta professora for punida de alguma maneira, vai ficar claro de que lado a Justiça esta neste município e isso abrirá as portas para qualquer aluno fazer o que bem entender, ou seja, riscar paredes, quebrar móveis e até mesmo incendiar escolas. É o que desejam nossas autoridades?

Imagem: farofamoderna.blogspot.com/2009/06/grafitti-a…

segunda-feira, 28 setembro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 2 Comentários

Honduras: os golpistas facilitaram a entrada do Zelaya?

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Como sempre, a centro-direita brasileira em seus diversos nucleamentos operacionais (mídia, partidos, instituições, etc.) já está fazendo o maior alarde com essa quixotesca batalha política de Honduras. E como não poderia deixar de ser, já culpam o presidente Lula, o governo petista e o Itamaraty (de olho em 2010, claro!), transformando traque em bomba atômica! Sequer consideram as leis internacionais da diplomacia e quando o fazem buscam sempre o viés da polêmica que é desfavorável à atitude brasileira. Mas tudo bem, isso é normal na política nanica que domina a nossa nação, mas o que eu gostaria de esclarecer é o seguinte: a oposição pitbull declarou enfaticamente que o fato do Zelaya ter estado no Brasil tempos atrás, mostra claramente que houve um acerto entre ele e o Lula  para o atual abrigo na nossa enbaixada em Honduras! Pergunto: mesmo tendo havido o tal acordo, como uma troupe de assessores e um presidente deposto e exilado (cerca de 70 pessoas, segundo informes) puderam entrar no país (praticamente em Estado de Sítio), circular livremente no território hondurenho e  chegar tranquilamente à embaixada brasileira? Me expliquem, por favor, o dom da invisibilidade desse grupo! Sim, porque somente a invisibilidade (que é impossível do ponto de vista real) ou a conivência  (ou incompetência) do governo golpista permitiriam tal façanha!

Diante destas informações típicas do realismo fantástico da latinoamérica, algumas conclusões possíveis:

a) se foi armação Lula/Zelaya, o governo Lula é bem mais eficiente politicamente do que a oposição pitbull considera, burlando a segurança governamental hondurenha (no melhor estilo Frederick Forshyt), além de ter driblado toda a direita brasileira até à consumação do fato (o que em si seria uma prova de burrice da mesma, que se acha tão perspicaz);

b) se o Itamartaty concordou e eles conseguiram chegar à embaixada,  houve a conivência ou incompetência da ditadura hondurenha e por isso não têm do que reclamar, pois além de golpistas são burros;

c) se houve um tríplice acordo (Lula/Zelaya/Micheletti), então, tudo não passaria de farsa política combinada (mas não me perguntem com que finalidade!), na qual a direita brasileira continua sendo manipulada pelos três.

E assim, chega-se às outras indagações implicitamente conclusivas : O Lula é mais inteligente que a Direita brasileira? A direita brasileira é tão burra e incompetente a ponto de ser enganada por tanto tempo? À semelhança do Brasil, o Zelaya é mais inteligente que a direita hondurenha? Em termos gerais, a direita latino-americana está emburrecendo de vez? A direita hondurenha resolveu entregar a rapadura e para tanto optou por uma armação política sensacionalista e maluca? Ou num acesso de burrice extrema, facilitou a ocorrência do fato para ter justificativas para invadir a embaixada brasileira, desprestigiar o Lula, executar o Zelaya e comprar um briga de cachorro-grande envolvendo a OEA e os governos americanos muito mais fortes poítica e militarmente?

E se puxarmos pelas idéias, outra indagações e conclusões poderão ser efetuadas sobre os fatos e estas ratazanas políticas que querem matar formiga com tiro de canhão.

Com a palavra os cretinos que afirmam e/ou insinuam oportunistica e irresponsavelmente as coisas, sem a mínima preocupação com a realidade dos fatos…

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PS: Ao fim de toda essa tragicomédia latino-americana, uma perguntinha final: Se os golpistas consideraram violação constitucional o desejo anterior do Zelaya em fazer uma consulta popular para reformar a lei magna do país, o que dizer da ilegalidade explícita do golpe militar (com certeza apoiado pelas elites incomodadas) praticado contra o presidente democraticamente eleito?

PS2: A oposição cretina deixou de culpar o Lula pelo abrigo “combinado” a Zelaya, depois que o caudilho venezuelano Chaves anunciou ter sido ele o mentor da volta do presidente deposto ao país. Como o que interessava nos fatos era culpar o Lula, a oposição e a mídia centram agora suas preocupações com as ameaças dos golpistas, sem destacar e muito menos comentar a atuação de Chaves. Ninguém comentou, nem de leve, a avaliação errada atribuída ao presidente brasileiro no caso da embaixada. Apenas silêncio, terra em cima pra não feder muito… Como sói acontecer aos oportunistas e cretinos, devem estar rezando e fazendo promessas para que os golpistas invadam a embaixada brasileira, preferencialmente com muitas mortes!

PS3: Como já não está dando pra culpar o Lula pela entrada do Zelaya em Honduras, os comentaristas da TV Globo já estão culpando-o de, sentado ao lado de ditadores históricos da África, declarar que não aceita e não reconhece a autoridade do governo golpista hondurenho. Em síntese: demonstram querer que o Lula também se negue a negociar assuntos de interesse mútuo com os países africanos, e provavelmente abrigue oposicionistas em suas embaixadas no continente africano. Já pensou que maravilha para a oposição pitbull? O Lula enrolado politicamente em vários continentes e países! Seria o paraíso oposcionista para 2010… Só rindo…

quarta-feira, 23 setembro, 2009 Posted by | Comentário | , , , , | Deixe um comentário

Sobre sonhos e pragmatismos…

Visitando um BLOGUE GUEVARA che_guevara_01-264x300dos blogs recomendados pelo Café com Letras (ver link nos Sites Recomendados) denominado Atocomtexto (http://atocomtexto.blogspot.com/), li o post abaixo, comentando pesquisa e comportamentos relativos à criatividade humana. Excelente e triste. Excelente  por comentar uma verdade que todos nós sentimos ao longo da vida: pressões para nos pragmatizarmos e abandonarmos os sonhos e as percepções socialmente diferenciadas. Triste por nos levar à conclusão de que este assasinato frio e lento dos nossos sonhos e visões diferentes, nos levaram a essa sociedade que aí está: desigual, injusta, ambientalmente agressora, politicamente excludente e economicamente marginalizadora. A postagem é tão boa que me lembrou o inesquecível Guevara que afirmou: “Sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida”. E que por isto foi assasinado: para não continuar sonhando e muito menos lutar por uma vida livre.

Façam como eu: leiam o post a seguir e pensem em suas respectivas vidas, nos inúmeros momentos em que fomos gradativamente robotizados ao longo do tempo, sob a égide do adestramento social. Lembrem-se dos pássaros indomáveis que éramos nos céus da existência e nas galinhas domesticadas em que nos tornamos, ciscando na segurança dos quintais em busca de minhocas. E falando em pássaros transformados em galinhas, lembrei-me também do caboclinho-poeta da Amazônia que versejou:

“As coisas que me fizeramBLOGUE THIAGO thiago-de-mello
ficar assim tão diverso
do que outrora fui, não foram
as rudes nem as amargas.
Mas aquelas que sonhei
que esperei tanto e no entanto
por nunca me aconteceram “.

(Toada de cambaio, Thiago de Mello)

E o engraçado nisso tudo, é que acordei para daqui a pouco participar de uma reunião onde terei que decidir entre a segurança material e o sonho, abri o blogue e dei de cara com essa postagem que repasso. Será presságio?

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O declínio da criatividade

por Jairo Siqueira
Desde o momento em que ensaiamos nossos primeiros passos, tem início um sutil e inconsciente movimento de inibição de nossa criatividade natural. Primeiro em casa, depois na escola e no trabalho, somos instados a andar em terreno já conhecido, seguir a tradição e não “fazer marolas”.

Este processo tem seu lado positivo, pois a vida em sociedade requer a observação de certas regras e costumes. No entanto, traz um efeito secundário pernicioso: o lento, mas inexorável, bloqueio de nossa curiosidade, imaginação e engenhosidade.

O DECLÍNIO DA CRIATIVIDADE


No livro “Ponto de Ruptura e Transformação”, George Land relata os resultados de testes realizados com um grupo de 1.600 jovens nos EUA. O estudo se baseou nos testes usados pela NASA para seleção de cientistas e engenheiros inovadores. No primeiro teste as crianças tinham entre 3 e 5 anos e 98% apresentaram alta criatividade; o mesmo grupo foi testado aos 10 anos e este percentual caiu para 30%; aos 15 anos, somente 12% mantiveram um alto índice de criatividade. Teste similar foi aplicado a mais de 200.000 adultos e somente 2% se mostraram altamente criativos..

George Land e sua colega Beth Jarman concluíram que aprendemos a ser não-criativos. O declínio da criatividade não é devido à idade, mas aos bloqueios mentais criados ao longo de nossa vida. A família, a escola e as empresas têm tido sucesso em inibir o pensamento criativo. Esta é a má notícia. A boa notícia é que as pesquisas e a prática mostram que este processo pode ser revertido; podemos recuperar boa parte de nossas habilidades criativas. Melhor ainda, nós podemos impedir este processo de robotização.

O desenvolvimento da criatividade requer que abandonemos nossa zona de conforto e nos libertemos dos bloqueios que impedem o pleno uso de nossa capacidade mental. Nas palavras do poeta Guillaume Apollinaire, temos de perder o medo de voar:

Cheguem até a borda, ele disse.
Eles responderam: Temos medo.
Cheguem até a borda, ele repetiu.
Eles chegaram.
Ele os empurrou… e eles voaram.

Convido-o a seguir comigo neste vôo e explorar as respostas a algumas questões importantes: Qual o significado de criatividade? O que sabemos sobre a criatividade humana? E como podemos usar este conhecimento para desenvolver nossa criatividade?

Acredito que todos nós, cada um a seu modo, somos capazes de realizações criativas em alguma área de atividade. Para isso, é necessário contar com as condições certas e com o acesso aos conhecimentos e habilidades apropriadas.

10 atitudes das pessoas muito criativas

Nada pode impedir uma pessoa com a atitude mental correta de realizar seu objetivo; nada na terra pode ajudar uma pessoa com a atitude mental errada. Thomas Jefferson.

Criatividade não é meramente uma questão de técnicas e habilidades, mas sobretudo de uma atitude mental no trato de problemas e de idéias. Mesmo para alguém versado nas técnicas de criatividade (Brainstorming, Mapa Mental, SCAMPER, TRIZ, etc.), sem uma atitude mental correta, estas técnicas não produzirão resultados. Para serem eficazes, as técnicas de criatividade precisam ser acompanhadas de atitudes que nos levem a ver o mundo sob diferentes perspectivas e a trilhar caminhos nunca antes tentados.

Algumas atitudes mentais essenciais para o pensamento criativo são apresentadas a seguir.

1. Curiosidade
Criatividade requer uma disposição permanente para investigar, procurar entender e obter novas informações sobre as coisas que nos cercam. Para se tornar uma pessoa mais criativa você deve aprender a perguntar “por quê?” e “e se…?” e incorporar estas perguntas ao seu modo de vida. Infelizmente, com a maturidade perdemos aquela atitude inquisitiva da infância, quando não dávamos trégua aos nossos pais, querendo saber o porquê sobre tudo. Faz-se necessário estimular a volta desta curiosidade natural, anulada pela escola, pela família e pelas empresas.

2. Confrontando desafios
As pessoas criativas não fogem dos desafios mas os enfrentam perguntando “como eu posso superar isto?”. Elas têm uma atitude positiva e vêem em cada problema uma oportunidade de exercitar a criatividade e conceber algo novo e valioso.

3. Descontentamento construtivo
As pessoas criativas têm uma percepção aguda do que está errado no ambiente em volta delas. Contudo, elas têm uma atitude positiva a respeito desta percepção e não se deixam abater pelas coisas erradas. Ao contrário, elas transformam este descontentamento em motivação para fazer algo construtivo. Santos Dumont era um entusiasta dos balões mas não estava satisfeito com suas limitações e não descansou até inventar uma aeronave dirigível.

4. Mente aberta
Criatividade requer uma mente receptiva e disposta a examinar novas idéias e fatos. As pessoas criativas têm consciência e procuram se livrardos preconceitos, suposições e outros bloqueios mentais que podem limitar o raciocínio. Quem vê um celular apenas como um telefone, jamais pensaria em agregar ao aparelho outras utilidades como fotografia, GPS, e-mail e MP3.

5. Flexibilidade
As pessoas muito criativas são hábeis em adotar diferentes abordagens na solução de um problema. Elas sabem combinar idéias, estabelecer conexões inusitadas e gerar muitas soluções potenciais. Elas adoram olhar as coisas sob diferentes perspectivas e gerar muitas idéias.

6. Suspensão do julgamento
Imaginar e criticar ao mesmo tempo, é como dirigir com o pé no freio. As pessoas criativas sabem que há um tempo para desenvolver idéias e outro para julgá-las. Elas têm consciência que toda idéia nasce frágil e precisa de tempo para maturar e revelar seu valor e utilidade antes de ser submetida ao julgamento.

7. Síntese
Olhe as árvores, sem perder a visão da floresta. A capacidade de se concentrar nos detalhes sem perder de vista o todo é uma habilidade fundamental das pessoas criativas. A visão do todo lhe dá os caminhos para estabelecer conexões entre informações e idéias aparentemente desconexas.

8. Otimismo
Henry Ford resumiu bem as conseqüências de nossas atitudes: Seja acreditando que você pode, seja que não pode, você estará provavelmente certo. Pessoas que acreditam que um problema pode ser resolvido acabam por encontrar uma solução. Para elas nenhum desafio é tão grande que não possa ser enfrentado e nenhum problema tão difícil que não possa ser solucionado.

9. Perseverança
As pessoas muito criativas não desistem facilmente de seus objetivos e persistem na busca de soluções, mesmo quando o caminho se mostra longo e os obstáculos parecem intransponíveis. Com muita freqüência, a procura de uma solução criativa requer determinação e paciência. Ouçamos o Professor Sir Harold Kroto, prêmio Nobel de Química: Nove entre dez de meus experimentos falham, e isto é considerado um resultado muito bom entre os cientistas.

10. Eterno aprendiz
Freqüentemente, a solução criativa nasce de combinações inusitadas, estabelecendo analogias e conexões entre idéias e objetos que não pareciam ter qualquer relação entre si. A matéria prima para estas analogias e conexões são os fatos observados e os conhecimentos e experiências anteriores que a pessoa traz consigo. É através de seu patrimônio cultural que cada pessoa pode dar seu toque de originalidade. Este patrimônio cultural nasce e se alimenta de uma atitude de insaciável curiosidade e de prazer em aprender coisas novas.

Quais destas atitudes mentais caracterizam sua maneira de lidar com seus desafios? Quais são seus pontos fortes? Quais atitudes você precisa desenvolver para fortalecer sua criatividade? Focalize naquelas que você considera essenciais para o aprimoramento de sua criatividade e prepare um plano de ação. Mas tenha sempre em mente que atitudes não são mudadas de um dia para outro. Isto requer disciplina, paciência e perseverança. Pode ser difícil, mas o prêmio é alto.

Fonte: http://atocomtexto.blogspot.com/2009/08/o-declinio-da-criatividade.html

Fonte: Criatividade Aplicada

segunda-feira, 21 setembro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Leonardo Boff, Dalai Lama e o espiritualismo fundamental…

BLOGUE RELIGIÃO religiao

Como sempre um colaborador oportuno, nosso amigo Carlos Germer me repasssou a narrativa de fato pelo ex-Frei Leonardo Boff, sobre um diálogo seu com o Dalai Lama. Nada poderia ser tão oportuno para ser postado agora, pois representa tudo aquilo que eu penso e gostaria de repassar a vocês sobre a concepção e prática religiosa.

Leiam e reflitam, fazendo um paralelo com a postagem anterior sobre os conflitos religiosos…

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Breve diálogo entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff e o Dalai Lama.

Leonardo Boff explica:

“No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos, eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
– “Santidade, qual é a melhor religião?” (Your holiness, what`s the best religion?)
Esperava que ele dissesse: “É o budismo tibetano” ou “São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo.”
O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos, o que me desconcertou um pouco, por que eu sabia da malícia contida na pergunta – e afirmou: “A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, do Infinito”. É aquela que te faz melhor.”
Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
– “O que me faz melhor?”
Respondeu ele:
-“Aquilo que te faz mais compassivo” (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável.. . Mais ético… A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião…”
Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta sábia e irrefutável.. .
Não me interessa amigo, a tua religião ou mesmo se tem ou não tem religião. O que realmente importa é a tua conduta perante o teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, perante o mundo…

Lembremos:

“O Universo é o eco de nossas ações e nossos pensamentos”. A Lei da Ação e Reação não é exclusiva da Física. Ela está também nas relações humanas. Se eu ajo com o bem, receberei o bem. Se ajo com o mal, receberei o mal. Aquilo que nossos avós nos disseram é a mais pura verdade: “terás sempre em dobro aquilo que desejares aos outros”.

Para muitos, ser feliz não é questão de destino. É de escolha. Pense nisso.

Imagem: Google,  henriquegil.blogspot.com/

domingo, 20 setembro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | 2 Comentários

Cristãos x Muçulmanos: as Guerras Santas, Cruzadas e Jihad’s continuam!

BLOGUE GUERRAS SANTAS 300px-massacre_saint_barthelemy1Imaginem: eu, um “habermasiano” convicto que acredita na capacidade humana de aprender com os erros passados, fui confrontado essa semana com um vídeo institucional da Primeira Igreja Batista (de São José dos Campos) que me deixou chocado pelo conteúdo equivocado misturando cultura, religião e política de uma forma que já vi antes e com péssimas lembranças. E sendo um agnóstico que tem dúvidas sobre a existência de Deus, mas tem descrença crescente sobre o que os homens falam sobre Ele, depois de ver o vídeo (intitulado “O mundo está mudando”), tive que consumir dois dias para digerir o conteúdo fanaticamente indutor ao confronto religioso mais atual: cristãos x muçulmanos. Repasso o link do citado vídeo abaixo, para quem tiver interesse e estômago ideológico para assistir. O que me interessa neste momento é comentar mais essa tentativa de confronto religioso que contraria os princípios espiritualistas de todos os deuses venerados em qualquer latitude deste planeta, e estimula a intolerância religiosa disfarçada de resistência cultural.

O equívoco fundamental (ou intencionalidade?) do citado vídeo apresenta-se logo de cara: relaciona a taxa de fertilidade como variável única para manutenção da cultura. Vejam só: com dados retirados não sei de onde, afirma que para uma cultura se manter por mais de 25 anos, a Taxa de Fertilidade – TF mínima de um determinado território tem que ser de 2,11 crianças por família! Abaixo dessa taxa, a cultura entrará em declínio e abaixo da TF 1,9, nenhuma cultura sobreviveu. E lança o diagnóstico mundial “apavorante” das TF’s atuais (número médio de crianças por família):

França……………………………..1,8
Inglaterra…………………………1,6
Grécia………………………………1,3
Alemanha…………………………1,3
Itália………………………………..1,2
Espanha……………………………1,1
União Européia (31 países)…..1,38
Canadá……………………………..1,6
EUA…………………………………1,6

Quer dizer: todas as culturas do mundo ocidental mais desenvolvido estariam irremediavelmente comprometidas, de forma irreversível! Alarmante, não? Conversa equivocada, amigos! Cultura não depende apenas de natalidade, mas de condições econômicas, relações políticas, poderio militar, condições territoriais, formas de comunicação e outras variáveis! Se natalidade enterrasse cultura, a cultura chinesa estava morta, com sua política de filho único por família! Se assim fosse, as culturas indígenas, dizimadas em sua TF pelas doenças e massacres, já teriam desaparecido integralmente!

O segundo grande equívoco do vídeo é confundir cultura com religião. Religião é uma componente da cultura, não a cultura em si! Tanto é verdade que em muitos casos, num só país, sedimentado em uma mesma cultura, ocorrem religiões diferenciadas: budismo, catolicismo, protestantismo, candomblé, e inúmeras outras convivem em um mesmo cenário cultural (vide Brasil)! Nesse cenário, então, quando o vídeo comete o seu terceiro equívoco (prever a dominação cultural do mundo pelo islamismo) ela está prevendo a dominação religiosa do mundo, não a dominação cultural. E pior: considerando religião e cultura como expressões imutáveis! Basta conhecer um pouco de antropologia, sociologia e história, para saber que cultura é algo dinâmico, que se transforma nos intercâmbios dos homens! Que religião também, embora contrariando o reacionarismo dos sacerdotes e seguidores fanáticos, sofre sincretismos para se adaptar culturalmente! Basta olhar a culinária, vestimentas, produtos, hábitos e outros detalhes internacionais, mesmo antes do agravamento dos processos de globalização! Basta ver o latim que desapareceu da missa católica e as imagens santas expulsas dos templos protestantes! Os santos católicos em analogia com os deuses afros! O pecado católico da usura que impedia a acumulação capitalista e que foi equacionada pela moral protestante da Reforma! Dessa Reforma que gerou a Contra-Reforma católica!…

E de equívoco em equívoco, o vídeo declara que “o mundo está mudando, nós temos que acordar”, que “o mundo em que vivemos não será o mundo em que nossas crianças viverão” e conclama a todos à ação: evangelizar o mundo contra o perigo iminente da islamização do mundo! Sabem porque? Hein? Hein? Porque segundo os seus dados oficiosos de natalidade, os países islâmicos têm a maior TF do mundo atual (não informaram sobre os países latinos!) e desde 1990 estas populações muçulmanas representam 90% do crescimento demográfico dos países desenvolvidos, em função da imigração. Porque na França interiorana as mesquitas já superaram o número de igrejas, porque na Holanda a metade dos nascidos são muçulmanos, porque na Europa, até 2025, um terço dos nascidos serão muçulmanos!

Estão entendendo agora a luta do governo francês contra o uso da burka nas ruas ou de véus nas escolas? E as restrições crescentes dos países europeus aos imigrantes, mesmo àqueles oriundos das colônias que foram massacradas e exploradas no passado? E a atitude dos americanos, forçando o Obama (até ele!) a deixar os imigrantes de fora da cobertura dos planos de saúde estatais? E as dificuldades políticas de consolidação da União européia pela inclusão de países da banda oriental?

E agora, vem esta Igreja convocar-nos para mais uma guerra santa travestida de defesa cultural. Este filme de roteiro tendencioso me lembra as Cruzadas, a Noite de São Bartolomeu, a Inquisição, a Catequização dos indígenas, o Holocausto, a prisão de Guantánamo, os massacres de palestinos por Israel e as Jihad’s modernas.

E quem pesquisar as religiões mundiais em busca de uma base comum encontrará visões de mundo praticamente irreconciliáveis. As concepções religiosas asiáticas e abraâmicas, antagônicas entre elas e entre si, impedem a possibilidade de uma síntese conceitual e, por decorrência, a convivência pacífica.

Se agüentar, assista o vídeo e tire suas próprias conclusões. Eu me senti mais descrente do que já era em relação à capacidade humana de aprender a usar seus deuses para fins que não contradigam as mensagens divinas que eles, segundo os seus profetas, deixaram aos seus seguidores. E embora saiba que o mundo está mudando, vejo que esta mudança, pelo fanatismo burro e pelo egocentrismo corporativista , será para pior. Inevitavelmente, pois parece que burrice, fanatismo e egoísmo não têm cura…

quinta-feira, 17 setembro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 7 Comentários

As jabuticabas do Tempo e da Vida: as minhas estão acabando…

TEMPO MÁGICOBLOGUE DALI Salvador_Dali_The_Persistence_of_Memory_1931
(Rubem Alves)

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação” , onde “tiramos fatos a limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.

Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão somente andar ao lado de Deus.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo. O essencial faz a vida valer a pena.

Fonte: Texto repassado por Carlos Germer, SC.

Imagem: Google, shikote.blogspot.com (Salvador Dali)

sábado, 12 setembro, 2009 Posted by | Repassando... | , , | 1 Comentário

O caso do italiano em Fortaleza: o que há por trás das aparências?

BLOGUE HIPOCRISIA WE050344

Ando encafifado com esta história da prisão do italiano em Fortaleza, acusado de assediar a filha de 8 anos na piscina da barraca de praia Croco Beach, em Fortaleza! Várias facetas do caso me deixaram crescentemente curioso nos fatos relatados e suspeitando de mais uma das porralouquices do moralismo doentio e exacerbado que assola o cenário legislativo nacional e a cabeça de viciados em vigiar os vícios alheios (e com olhos predispostos a enxergar o pior em tudo). Começo com uma perguntinha que até agora ninguém fez: porque um pai, se realmente fosse um pedófilo incestuoso, iria praticar atos libidinosos com sua filha em público (expondo-se perigosamente), quando teria toda a privacidade do mundo no seu quarto? Depois de assistir vários noticiários sobre o caso, uma outra perguntinha aflorou em minha mente curiosa: porque, em meio àquela multidão toda, apenas um casal enxergou e denunciou a libidinosidade do referido pai? O dono da barraca e os garçons disseram nada ter visto! Nenhum outro casal ou indivíduo presente no local denunciou ou confirmou a acusação, nem mesmo sob anonimato! E o dito casal acusador escondeu-se sob o manto da proteção de suas identidades. Porque? Que razão leva um casal revoltado com uma situação de pedofilia e incesto, a denunciar sem dar as caras? Detalhe importante: o casal denunciante tem 70 e 75 anos de idade, respectivamente. Aí cabem outras perguntinhas: teria a formação moral antiga e rígida (vigente à época da formação social dos dois idosos) influenciado na interpretação do fato presenciado? A capacidade visual do casal é plena, ou apresenta deficiências operacionais à distância, viabilizando má interpretação? Desculpem-me, mas acho todas esta indagações pertinentes e necessárias à caracterização do acontecimento real.

Além disso, ninguém parece considerar o decompasso cultural e religioso na interpretação dos fatos. Por exemplo: uma atriz global, em visita ao Oriente Médio, perguntou a uma mulher árabe se ela não se sentia desrespeitada em seus direitos, por ser obrigada a usar a burka e ela respondeu que não, que se sentiria desrespeitada se tivesse que se expor desnuda em público, como fazem as mulheres ocidentais! Sacaram a diferença cultural de interpretação de fatos? Outros lances semelhantes exemplificam estas dessintonias interculturais:

Perguntem às mulheres equatorianas sobre a forma provocante das braslileiras se vestirem e de saírem desacompanhadas na noite!

Perguntem aos indianos o que eles acham de nós comermos carne bovina!

Perguntem aos muçulmanos o que eles acham de nós consumirmos carne de porco e bebidas alcóolicas, e sobre o uso do biquini!

Perguntem aos evangélicos radicais brasileiros o que eles acham de mini-saia,  cabelos femininos curtos, selinhos em filhos, noitadas em botecos, etc!

Amigos, não sei se o italiano é culpado ou inocente. Mas sei que os fatos até agora não têm correspondido à violência legal do tratamento dado ao acusado.  A delegada Ivana Timbó tomou o depoimento da criança (de nacionalidade italiana) e segunda a delegada, a menina estava tranquila. Foi ouvida na companhia da mãe (brasileira) e na presença de uma psicóloga e de uma assistente social: _ Foi uma conversa rápida e a criança não acrescenta nada que possa incriminar o pai, afirma Ivana.  A mulher do acusado declarou estarem sendo vítimas de racismo (um gringo italiano se aproveitando de uma criança nordestina e morena!). Ele está preso há sete dias e teve uma crise de pressão alta após ser informado de que o Tribunal de Justiça (TJ) negou, no sábado, o pedido de habeas corpus feito pelo advogado Flávio Jacinto. Hoje, a juíza Maria Ilna de Castro, da 12ª Vara Criminal do Ceará, deve se posicionar sobre o pedido de anulação do flagrante apresentado na sexta-feira pela defesa do italiano. O quarto dele no hospital é vigiado por policiais e Ivana Timbó, titular da Delegacia de Combate à Exploração de Crianças e Adolescentes, ouviu hoje mais três testemunhas do caso, funcionários da barraca onde a denúncia foi feita. Até agora cinco foram ouvidas, entre elas a garota e a mãe e o inquérito deve ser concluído na quinta-feira.

E enquanto isso a cruzada nacional da CPI da Pedofilia continua rodando o país, servindo de palanque eleitoral para parlamentares desmoralizados politicamente e sem nenhum grande culpado preso (pelo menos que eu saiba!), lembrando mais uma nova Inquisição do que uma postura jurídico-política consistente. A única diferença parece ser que a Igreja Católica  (que na Santa Inquisição escondia no movimento seus interesses de controle social amplo) foi substituída pelos legisladores, juízes, delegados e cidadãos moralistas, sacerdotes cegos e furiosos da Justiça cega (ou caolha?) desse país. Lamentavelmente, a história das sociedades humanas demonstram oscilações libertinas e moralistas extremas, uma verdadeira montanha-russa de excessos e de intolerâncias e que, pelo jeito, não serviu para nada em termos de aprendizado social.

Bem, vamos acompanhar mais essa novela escabrosa e sensacionalista da mídia e do nosso moralismo exacerbado…

Imagem: da NET, capturada via Google.

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PS: Descobri que a WordPress listou um conjunto de posts sobre a questão de Fortaleza e sobre a atual histeria nacional anti-pedófila, incluindo este de minha autoria. Logicamente, a maioria destas postagens limita-se a reproduzir a histeria geral exacerbada pela imprensa e pelos oportunistas de plantão. Mas mesmo assim, descobri além do meu comentário, três outras postagens que analisam mais criticamente a questão. A quem interessar possa, os links:

http://ghiraldelli.wordpress.com/2009/09/04/antipedofilia/

http://benitesjuridico.wordpress.com/2009/09/04/nova-lei-de-crimes-sexuais-italiano-e-preso-por-dar-dois-selinhos-na-filha/

http://frestadajanela.wordpress.com/2009/09/04/afeto-e-hipocrisia/

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PS 2 (10/09/2009: Como durante todo o dia, não vi os jornais televisivos falarem sobre o italiano preso em Fortaleza, desconfiei que ele havia sido solto. Tiro e queda! Fui no Googles e descolei a notícia abaixo. Começam a desmanchar a arapuca nojenta de radicalismo e histeria moral e, para não darem a cara a tapa, simplesmente “esquecem” a notícia! Podres poderes! Dêm uma lida e vomitem na mídia sensacionalista e irresponsável, com direito a sobras para os histéricos de plantão e as autoridades com excesso de zelo.

Mas ainda deverão ter alguns capítulos a serem “esquecidos”, com certeza!

A juíza Cristiane Maria Martins Pinto de Faria, da 10ª Vara Criminal do Fórum de Fortaleza, concedeu hoje (10) liberdade provisória ao italiano preso em Fortaleza sob suspeita de ter abusado sexualmente da filha de 8 anos. De acordo com o advogado do italiano, Flávio Jacinto, a juíza mandou soltar o italiano, mas ainda não decidiu sobre o pedido de anulação do flagrante apresentado na semana passada à 12ª Vara Criminal do Ceará. Como a titular a 12ª Vara Criminal está de férias, a juíza Cristiane decidiu sobre o processo. O italiano tem 48 anos e está preso desde 1º de setembro, depois de ter sido denunciado por um casal de turistas brasilienses que se sentiram incomodados ao verem o pai beijar a filha na boca, enquanto brincava com a menina dentro da piscina de uma das barracas na Praia do Futuro. A decisão permite que o italiano possa voltar com a família para a Itália. No entanto, ele não poderá se mudar da casa onde mora na cidade de Goidonia, província de Roma, sem prévia comunicação á Justiça. Ele também não poderá se ausentar por mais de oito dias da comarca italiana sem avisar à Justiça brasileira. A juíza também estabeleceu a obrigatoriedade da presença dele em todos os atos processuais até o fim do julgamento. Caso algum ponto seja desobedecido, o benefício será revogação. O italiano é um empresário do ramo da construção e depois de ter apresentado um quadro de hipertensão quando estava na prisão foi transferido para o Hospital Gênesis, na tarde de domingo (6). Ele é acusado de ter cometido estupro vulnerável, previsto no Artigo 217-A, da Lei 12.015, que entrou em vigor em agosto último. Caso fique comprovado o abuso, a lei prevê pena de 8 a 15 anos de prisão. Oito testemunhas foram ouvidas no inquérito. A menina também foi ouvida na companhia da mãe, de uma psicóloga e de uma assistente social. A delegada Ivana Timbó, da Delegacia de Combate à Exploração de Crianças e Adolescentes (Dceca), pretende concluir o inquérito até amanhã.

terça-feira, 8 setembro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 5 Comentários

Vícios, manias e loucuras: aquilo que não nos agrada no outro!

BLOGUE VICIO loucura-2561Eu sou do tipo de pessoa que sempre achei os vícios o encanto desse mundo tão chato com suas rotinas de responsabilidade, metas a alcançar e lutas a vencer. E meio a estas guerras cotidianas, nada como aquela gelada no fim de tarde ou da semana, aquele cigarrinho após o primeiro café do dia e turbinando o cérebro ao longo das exigências criativas do trabalho, aquelas músicas ambientando o pensar… O sexo e as fantasias, porque não? Enfim, sem os vícios, a vida se torna profundamente chata e difícil de levar em frente… E por mais que neguem os moralistas, todos temos vícios, manias estranhas onde até vigiar os vícios dos outros se torna uma mania (a fofoca é a mais popular delas!).

Mas vício é sempre aquilo que os outros fazem e que não nos agrada: comprar ou poupar, comprar e não usar, trabalhar e gostar, ser organizado ou não, ser tolerante ou o inverso, etc., etc. Ou ainda, vício pode ser aquilo que se torna meio de vida! Sim, para os psicólogos e afins, ninguém é normal e se cada um de nós não refletir, seremos eternos mantenedores financeiros desses profissionais (que têm tão pouco a dizer que se resumem a nos estimular a falar!). Eles já conceituaram (ou apelidaram) quase tudo: TOC, manias, depressões, dependências, fobias, psicoses (o escambau!), com fronteiras quase invisíveis entre a dita normalidade e a doença ou vício. O cara pouco sociável virou bipolar. A pessoa meio desligada, emotiva e sonhadora, impulsiva, agitada ou retraída, pode ser esquizofrênica. Quem acredita em coisas das quais a maioria discorda, tá enquadrado em uma das inúmeras variáveis do transtorno delirante: erotomaníaco, grandioso, persecutório, somático e até inespecífico! E por aí vai. E duvido que qualquer um de nós, ao ler a caracterização dessas doenças, não se identifique com um grande número dos sintomas. Quer dizer: todos, a mais ou a menos, somos loucos, inclusive esses profissionais da mente!

Aliás, por falar em vício, um dos meus preferidos é repassar a vocês os textos interessantes que vejo por aí. Como esse que postei a seguir, muito bem focado nas questões dos vícios.

Vício, qual?

Por Stella Galvão

Revista Vivasaúde, abril 2009.

EMPENHADA EM LIVRAR A FAMÍLIA, OS VIZINHOS, O BAIRRO, QUEM SABE O PLANETA, DOS VÍCIOS, ELA ERA AGORA A EXPRESSÃO DO DESCONTROLE: TORNOU-SE VICIADA NO OLHAR VICIANTE SOBRE O VÍCIO ALHEIO.

Desde pequena ela tinha horror de viciados, fosse qual fosse o objeto do vício. Na primeira infância, um irmão a obrigava a ir a banca comprar cigarros, ao menos um maço todo santo dia. Quando cresceu um pouco mais, outro irmão exigia que ela trouxesse o cigarro já aceso. Eram tempos duros. Não fosse a inexistência, à época, do Estatuto da Criança e do Adolescente, ela talvez fosse mais flexível com viciados, mas não. Desenvolveu tal ojeriza ao cigarro que parecia liderar uma caça às bruxas. Parentes fumantes eram excomungados, mesmo fim destinado aos amigos de um copo. Evitava votar em políticos vistos bebericando em público – certa vez penalizou um candidato a vereador que entornava um inocente guaraná, confundido por ela com um espumante.

O pior eram as comemorações. Quem, em sã consciência, baniria latas de cerveja ou garrafas de vinho ou doses de uísque de um convescote amigo? Pois Maria Lúcia era taxativa. Da casa dela saíam convivas que poderiam a qualquer momento soprar no bafômetro, sem mais conseqüências. Nos arredores, talvez, porque alguns saíam dali direto para o bar mais próximo, a brindar ruidosamente sem um motivo mais forte. Um e outro mais exaltado com a restrição propunha um brinde ao direito de porção de álcool etílico. Por conta dessa repulsa, ela deixou pelo caminho um amor de homem, cujo pecado consistia em ingerir, estalando a língua, ao menos duas canecas de chope (com espuma) no almoço de sábado. O coração ficou em frangalhos, mas a fortaleza antivícios seguiu intacta.

Quando um dos filhos que teve com um abstêmio chegou à adolescência, a mãe vigiava os passos, os bolsos e outros depósitos atrás de indícios de nicotina, maconha, cocaína, comprimidos de ecstasy, opiáceos, anfetaminas, pedras de crack. Até cola de sapateiro era rastreada pela obsessão da mãe. Só pra contrariar e também atraído pela ladainha da mãe, o menino experimentou de tudo à distância segura da progenitora. Para sorte dele, se manteve limpo daquele estado de entorpecimento todo, mas Maria Lúcia sim, preocupava toda a família.

Empenhada em livrar a família, os vizinhos, o bairro, quem sabe o planeta, dos vícios, ela era agora a expressão do descontrole. Ocupada em identificar potenciais vítimas de toda sorte de dependência química, ela dava plantão em porta de boates e danceterias, na roleta de cursinhos pré-vestibulares e mesmo em igrejas com forte presença de jovens. O empenho foi tanto que Maria Lúcia conseguiu recursos para criar uma organização dessas que se propõem a melhorar a vida das pessoas. Nesse caso, tudo ia de mal a pior com a fundadora, agora viciada no olhar viciante sobre o vício alheio.

Imagem: http://www.osvigaristas.com.br/imagens/mista/loucura-2561.jpg

sexta-feira, 4 setembro, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | 2 Comentários