Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Big Brother e galinhas no quintal:quantas semelhanças comportamentais!

Em minha nova morada, substituí a paisagem do Paracauary por um quintal cheio de fruteiras, e os búfalos e cavalos por quatro galinhas e um galo, para observar nas horas vagas. Morando sozinho e sem ter algo além da web e dos botecos para frequentar, logo que vi o quintal, pensei na opção das aves. E aí começou aquela diversão “sociológica” cotidiana de fim de tarde: sentar na varanda e observar o grupo de galinhas caipiras. De cara, vacilei na aquisição das três galinhas caipiras iniciais e do galo (o Zecão): comprei-as em uma granja e logo percebi que já eram aves “globalizadas”: eram arredias de mim, não conheciam e não comiam tanto o milho em grãos como a ração granulada! Dormiam no chão, embora tivessem ávores para servir de poleiro! Pensei dois dias, até chegar à solução possível: comprar uma galinha legitimamente caipira, pé-duro mesmo, daquelas que comem até chumbo derretido, mais identificada com o seu tratador e adepta de poleiros arbóreos. E assim chegou a Peladinha, uma franga do pescoço pelado, tirada do meio do mato para o contexto urbano. E deu certo: mal a coloquei no chão do quintal ela mandou ver no milho rejeitado e na ração ignorada, sob as vistas curiosas do quarteto original. Fui dormir e ao amanhecer o quinteto já se alimentava sem nenhum problema. Aliás, com um único problema: o Zecão teimava em “faturar” a Peladinha e ela, por ser ainda jovem, não queria acordo: ele ciscava e cacarejava perto dela e ela néris-néris, se mandava para uma distância segura!  Era um sábado e o Zecão passou o dia nessa ladaínha, mas não obteve êxito, teve que se contentar com as três outras companheiras. E aí surgiu o segundo problema, com características bem femininas: a Peladinha, embora não aceitasse as propostas do Zecão, sempre que uma das outras galinhas se achegava ao galo, a afastava abaixo de bicadas. Pois é, apesar de rejeitar o assédio, tem ciúmes do conquistador (talvez as leitoras do blogue possam me explicar esse comportamento complicado). Na nossa interpretação popular masculina, isto representa “nem, nem…nem sai de cima”! Mas outra mudança se deu no terceiro dia: lideradas pela Peladinha, todas dormiram empoleiradas na laranjeira florida.

Como vêem, iniciei uma nova atividade (a de sociólogo avícola) e que promete lances interessantes. Hoje estarei de volta ao ambiente da observação, após três dias ausentes, e estou curioso para descobrir as novidades: a Peladinha cedeu? As outras galinhas reagiram à possessividade da dita cuja e a colocaram no paredão? Zecão sofreu algumas represálias  do trio original por seu assédio específico? Tchan, tchan, tchan, tchan…

Galinhagem por galinhagem, prefiro o Big Brother do meu quintal…

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segunda-feira, 25 janeiro, 2010 Posted by | Comentário | , , | 3 Comentários

O Sistema x Web: mais uma vez a cara-de-pau dos ianques!

Não é atoa que até o Obama refluiu na sua frenética vontade de mudar a face da sociedade americana: eles, os ianques, são imutáveis em sua cretinice política e étnica. E por mais que tente disfarçar atualmente suas intenções imperialistas, face às rejeições e censuras internacionais que tem recebido na última década, não o conseguem: aqui e ali escorregam no óleo-de-peroba com que  envernizam a própria cara-de-pau. Depois de enrolar em relação a Guantanamo, enrolar em Copenhague e apoiar a burla à democracia em Tegucigalpa,  agora discursa, através da Hilary Clinton, a liberdade da Internet na China. Logo eles, que vivem atropelando os direitos cidadãos em nome de uma justificativa ideologica conveniente de luta contra o terrorismo. Como se no império americano a Web circulasse livremente! Cínicos, é o que eles são. Se a briga entre a Google fosse com algum país “amigo” deles, o discurso inexistiria ou seria bem diferente. Leiam a notícia abaixo e sintam o rançume anticomunista de sempre… E arranjem outra estagiária pro Clinton, para que ele possa aguentar essa “mala” política que o Obama entronou para buscar um apoio político que parece estar sendo um tiro no pé.

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Hillary critica censura ao Google e irrita China

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE – Agencia Estado

PEQUIM – A ameaça do Google de sair da China e o enfático discurso feito pela secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, na quinta-feira, contra a censura na internet, colocaram Pequim e Washington em rota de colisão. O porta-voz da chancelaria chinesa, Ma Zhaoxu, afirmou ontem que os EUA fazem acusações “sem fundamento” contra a China. Para ele, as declarações de Hillary são “prejudiciais” às relações entre os dois países.

Pouco mais de uma semana depois de o Google anunciar que pode deixar a China em razão da ação de hackers e da censura, Hillary conclamou as empresas de tecnologia dos EUA a não aceitar restrições ao livre fluxo de informação online. “Isso precisa ser parte de nossa marca nacional”, declarou.

Quando criou seu site na China, em 2006, o Google concordou em incorporar em seu sistema de busca os critérios de censura de Pequim, que bloqueia o acesso a informações consideradas “sensíveis” pelo Partido Comunista.

Na semana passada, a empresa afirmou que só permanecerá na China se chegar a um acordo com as autoridades para o oferecimento de seus serviços sem restrições, o que é considerado muito improvável.

Ataques

O discurso feito por Hillary tratou especificamente da liberdade na internet e citou a China como um dos países onde houve retrocesso nessa área no ano passado. Ela mencionou o caso Google e ressaltou que as autoridades chinesas devem investigar as alegações da empresa de que foi alvo de ataques de hackers que operam na China.

O porta-voz da chancelaria respondeu que a internet na China é aberta e disse que a legislação do país proíbe a ação de hackers e a invasão de privacidade dos cidadãos. Mas centenas de sites são inacessíveis no país, incluindo alguns dos mais acessados, como a página de relacionamentos Facebook, o serviço de microblog do Twitter e o YouTube, que exibe vídeos. Nos últimos dois dias, o governo chinês subiu o tom do embate com o Google e acusou a multinacional americana de ser um instrumento da política externa de Washington.

domingo, 24 janeiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | 1 Comentário

Algumas noções de Direito para blogueiros

Via rodrigostoledo.com by rodrigostoledo on 1/13/10

Nos últimos meses passamos a acompanhar muitas notificações e processos judiciais sendo movidos contra blogueiros, que normalmente não possuem o conhecimento necessário para evitar este tipo de situação e normalmente não sabem como fazer para se defender. Além do kit básico, que seria evitar ao máximo a pirataria, ataques sem fundamento à empresas e pessoas bem como o uso indevido de marca ou da propriedade intelectual, existem muitas questões que devem ser observadas para evitar problemas futuros.

Hoje eu encontrei um texto muito interessante no Observatório da imprensa que deve ser compartilhado com o maior número de pessoas, pois poderá ser útil para muita gente!!

Este material deve ser lido com atenção por todos os editores de sites ou blogs, devendo ainda ser guardado para consulta futura em caso de problemas. O texto é simples e de fácil entendimento, e deve ser considerado um ótimo material de apoio para todos aqueles que trabalham com blogs na internet! Leia o texto abaixo transcrito em sua íntegra!!

imagem:stoa.usp.br/liquuid/weblog/archive/2008/03/

“Por Túlio Lima Vianna e Cynthia Semíramis Vianna
Legislação ou noções de Direito não fazem parte do currículo escolar. Legislação, em si, não é para lamentar, pois pressupõe a simples memorização de leis. Se estas forem revogadas, a memorização foi inútil.

Mais importantes, e menos voláteis, são as noções de Direito. Elas se fundam em princípios, sejam jurídicos, sejam sociais, orientando na elaboração das leis.

Dessas noções é que trataremos neste artigo. Destinam-se principalmente aos autores de blogs, mas podem ser estendidas a todos os interessados em utilizar a internet como forma de comunicação. O objetivo é suprir o conhecimento básico do Direito que deveria ser ministrado na escola, e proporcionar melhor compreensão das condutas que, se adotadas, podem evitar ações judiciais.

Anonimato

Um blog anônimo hospedado em servidor estrangeiro dificilmente será alvo de um processo no Brasil. Isto porque o procedimento exige que o juiz brasileiro requeira ao colega estrangeiro, por meio do serviço diplomático, a retirada da página hospedada em outro país.

Um blog anônimo hospedado no Brasil, porém, pode ser facilmente retirado da internet, por meio de ordem judicial dirigida diretamente ao servidor, neste caso sujeito à lei brasileira. Além disso, o juiz pode determinar ao servidor a quebra do sigilo contratual e a informação do nome e outros dados do titular do blog. Ele, posteriormente, poderá ser alvo de um processo de indenização por danos morais ou mesmo criminal.

É bom frisar que a Constituição Federal garante a livre manifestação do pensamento, mas veda expressamente o anonimato (art.5º, IV) que, em princípio, poderá ser interpretado como má-fé do autor.

O pseudônimo adotado para atividades lícitas goza da proteção que se dá ao nome (art.19 do Código Civil). No caso de um processo, o juiz determinará ao servidor que forneça o nome e dados verdadeiros do autor do blog, tal como na hipótese do anonimato, mas o uso do pseudônimo, por si só, não poderá ser interpretado como má-fé.

Disclaimer

A interação dos leitores pelos comentários é uma característica marcante dos blogs. Deveria ser óbvio que, por serem opiniões de terceiros, não representam necessariamente a opinião do autor. Porém, nem todas as pessoas conhecem um blog ou entendem sua estrutura de imediato. A função do disclaimer é exatamente a de informar a quem chega que o espaço dos comentários pode ser utilizado, inclusive para discordar do ponto de vista do autor, mas que a pessoa será responsável por aquilo que escrever.

O disclaimer, porém, não isenta o autor do blog de uma eventual responsabilidade civil ou mesmo criminal. Como o blogueiro é, tradicionalmente, a pessoa que detém o poder de autorizar os comentários, editá-los ou apagá-los, dependendo do sistema utilizado, a página de comentários está também sob sua responsabilidade.

Adotar posturas que possibilitem maior controle dos comentários, como impedir que sejam feitos em posts antigos ou cadastrar previamente quem desejar comentar, também ajuda a reduzir o risco de processos por comentários ofensivos. No caso de dúvidas quanto à possibilidade de identificar o autor, ou do comentário ser injustamente ofensivo a terceiros, é recomendável apagá-lo, pois o autor do blog pode ser responsabilizado juntamente com o autor do comentário.

Os tipos de responsabilidade jurídica

Um comentário ofensivo pode gerar dois tipos diferentes de responsabilidade jurídica: a responsabilidade criminal e a responsabilidade civil.

A condenação criminal, em regra, resulta na prisão do culpado, mas em crimes leves – como nos casos de crimes contra a honra – a prisão pode ser substituída por prestação de serviços à comunidade e/ou multa.

A condenação civil é sempre patrimonial e consiste no pagamento de uma indenização à vítima pelos danos sofridos.

Os tribunais têm entendido, corretamente, que somente a pessoa física pode ser vítima de crimes contra a honra. As empresas, portanto, não podem ser vítimas de crimes contra a honra e somente poderão acionar o autor das ofensas no juízo cível.

Responsabilidade penal

Três são as modalidades de crimes contra a honra: calúnia, difamação e injúria.

** A calúnia (art. 138 do Código Penal) é a imputação falsa de fato criminoso a alguém. Para a sua caracterização é necessária a descrição do falso crime. Ex: uma postagem na qual o autor afirma que viu Tião Medonho furtando livros na biblioteca na noite anterior. O uso de expressões como “ladrão”, “bandido”, “corrupto” etc. caracteriza o delito de injúria, não o de calúnia.

** A difamação (art. 139 do Código Penal) é a imputação de fato ofensivo à reputação de alguém. Ao contrário da calúnia, aqui não há necessidade de que os fatos sejam falsos. Ex: uma postagem na qual o autor afirma que viu Patrícia Angélica se prostituindo na noite anterior. Mesmo que a informação seja verdadeira, caracteriza-se a difamação. É bom frisar que a simples postagem “Patrícia Angélica é uma prostituta” configura a injúria, pois na difamação deve haver a descrição do fato desonroso.

** A injúria (art. 140 do Código Penal) é qualquer ofensa à dignidade de alguém. Na injúria, ao contrário das hipóteses anteriores, não se imputa um fato, mas uma opinião. É caracterizada principalmente pelo uso de palavras fortes: ladrão, prostituta, idiota e, muitas vezes por expressões de baixo calão. Ressalte-se ainda que a injúria terá a pena aumentada se praticada com elementos referentes a raça, cor, etnia, religião ou origem.

Evidentemente, em todos os casos acima, para a caracterização dos crimes é necessário que as ofensas sejam proferidas contra uma vítima determinada. A afirmação vaga de que “há uma colega na minha sala que é prostituta”, sem a possibilidade de determinar a quem o autor se refere, não configura o crime.

Responsabilidade civil

A ação de indenização por dano moral tem por fim uma reparação econômica pela desonra sofrida.

Inicialmente destinada às pessoas físicas, acabou sendo reconhecida também como instrumento de tutela dos direitos da pessoa jurídica (Súmula 227 do STJ).

Ao contrário da esfera criminal, na qual estão expressamente previstas as condutas proibidas, na esfera cível há tão-somente a determinação que:

Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. (art.186 do Código Civil)

Conclui-se, pois, que são necessários os seguintes pressupostos:

1. Ação ou omissão: tanto o autor dos escritos quanto o responsável pelo blog que permitiu a postagem de comentários ofensivos à honra de alguém podem ser responsabilizados pelo dano moral;

2. Dolo ou culpa: age com dolo o agente que agiu ou omitiu-se intencionalmente. Age com culpa quem não desejava o resultado, mas por negligência ou imprudência gerou o dano;

3. Dano: não há responsabilidade civil sem dano. O dano pode ser material (ex: a vítima deixar de fechar um contrato milionário em virtude dos escritos) ou moral (ex: a vítima ter sua respeitabilidade maculada pelos escritos);

4. Nexo de causalidade: é imprescindível comprovar que a ação ou omissão do agente foia causadora do dano material ou moral.

Nota-se que, por sua própria natureza, a responsabilidade civil é, ao contrário da esfera criminal, absolutamente indeterminada, sendo definida pelo juiz na análise de cada caso.

A sugestão de valor de indenização por danos morais feita por advogados não é, por si só, indicativa do valor da indenização ao fim do processo. Esse valor é decidido exclusivamente pelo juiz, após analisar todas as provas juntadas aos autos, inclusive as que comprovarem o prejuízo sofrido.

Alguns cuidados na redação de críticas

** A crítica deve ser objetiva. Isso significa que ela não deve ser feita à pessoa, mas a um fato, a algo que ela fez. Numa crítica literária, deve-se discutir a obra, não o autor. Numa crítica ao comportamento de alguém, deve-se criticar apenas a atitude desagradável.

** As críticas subjetivas, em regra, são possíveis tão-somente quando atacam uma opinião, e não uma pessoa. É lícito dizer que é estúpido o raciocínio simplista de que aumentando a pena diminui-se a criminalidade. Mas deve-se evitar dizer que a pessoa que emitiu esta opinião seja estúpida. Ainda que eventualmente os raciocínios estúpidos sejam provenientes de pessoas estúpidas, uma afirmação como essa não pode ser considerada uma ofensa, pois mesmo indivíduos brilhantes emitem opiniões infelizes.

** Deve-ser evitar criticar uma empresa sem ter algo contra ela. A reclamação pode ser feita, sim. Mas quem reclama deve fazê-lo com base em fatos, não em suposições, ou porque ouviu alguém reclamar. A crítica aos serviços das empresas pode ser considerada de utilidade pública, mas deve ser dirigida ao serviço prestado, não ao dono ou à empresa como um todo, a menos que quem critique realmente tenha algo contra eles, e possa provar isso.

** Se uma empresa reclamar por e-mail do que foi escrito sobre ela, é aconselhável que o autor do blog convide-a a integrar o debate e se manifestar no espaço de comentários, dando-lhe a oportunidade de emitir sua opinião e, porventura, alterar a opinião dos demais debatedores. Não há, em princípio, a obrigação de retratação ou de retirada de comentários, a menos que os termos usados tenham sido realmente desrespeitosos e ofensivos.

** Não se deve usar o nome de uma pessoa para expô-la ao desprezo público, como nas “páginas de ódio”. Isso é vedado pelo art. 17 do Código Civil. Evitar expor o e-mail de um desafeto também é aconselhável para não se perder o controle do debate ao estendê-lo a terceiros, nem aumentar a possibilidade de ofensas ou prejudicar o funcionamento normal do e-mail da pessoa.

** O autor do blog tem o dever de cuidar da veracidade da informação que vai publicar, verificando sempre a origem da notícia que será divulgada. Por mais que o blogueiro tenha orgulho em ser pato do Cocadaboa, não deve divulgar boatos ou fatos não-confirmados.

** Não se pode esquecer que, mesmo usando pseudônimo, o conteúdo do blog pode facilitar a identificação de seu autor, seja por amigos ou colegas de trabalho. Assumir um pseudônimo exige cuidado redobrado nas informações disponibilizadas para não dar margem à interpretação de que o pseudônimo foi usado para fornecer informações que não seriam publicadas se fossem feitas com o próprio nome.

** A Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98) protege o direito do autor de ter seu nome associado a sua obra. Sempre que o responsável pelo blog mencionar algo que não é de sua autoria deve indicar o nome do autor e a fonte de onde o texto foi retirado. Se a pessoa não souber quem é o autor, deve explicar que o trabalho é de autoria desconhecida. Preferencialmente, o trabalho de outrem deve ser destacado do trabalho do autor do blog, seja por fonte diferente, recuo de margem, ou outro recurso que não deixe dúvidas quanto à autoria de cada um.

** Em hipótese alguma se pode alterar o texto de terceiros sem autorização expressa do autor, pois isso também constitui infração prevista na Lei de Direitos Autorais.

Em caso de processo

** Guardar as mensagens de advogados (sejam por e-mail ou por correio tradicional) requerendo a retirada de artigos ou comentários do blog em tom ameaçador e arbitrário é uma boa providência, pois as mensagens poderão ser incluídas na instrução de um eventual processo.

** Se uma pessoa receber notificação assinada por advogados, mas tiver dúvidas sobre a sua autoria, deve procurar informações na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Como princípio básico, advogados sempre acrescentam o número da OAB e a região de registro (MG, SP, RJ, PR etc.) à assinatura. Quem se apresentar como advogado sem ter habilitação legal para isso pode ser processado por falsidade ideológica.

** A notificação, apesar da formalidade, é um ato extra-judicial que não obriga o notificado a fazer nada. É realizada por um cartório de notas e se destina a comunicar um fato ou requerer uma ação de alguém. Não é necessário haver processo para ser feita a notificação. Seu descumprimento pode ser utilizado como prova em posterior processo judicial, mas não há qualquer obrigação legal de cumpri-la.

** Caso o autor do blog receba uma citação, deve procurar um advogado de confiança, pois já foi iniciado um processo judicial e, neste caso, é imprescindível a assistência jurídica.

** A liminar é uma decisão judicial concedida pelo juiz sem ouvir a parte contrária, com o fim de evitar um prejuízo maior à suposta vítima. Por mais arbitrária que ela possa parecer, deve ser cumprida, imediatamente, na íntegra. Posteriormente, com a assistência de um advogado, pode-se reverter essa decisão no julgamento definitivo da causa.

Uma última palavra

Não pretendemos esgotar o assunto com esse guia, mas apenas orientar os colegas blogueiros sobre os efeitos jurídicos de seus atos. Traçamos linhas gerais de conduta, e explicamos os problemas mais comuns, na esperança de ver minimizadas as ações judiciais contra textos publicados na internet.

As orientações aqui constantes são baseadas nos entendimentos majoritários dos Tribunais e não quer dizer que necessariamente concordemos com todas elas. Nem todos os casos estão previstos aqui, e nem sempre este guia será o bastante, o que torna essencial ter um advogado de confiança para consultar em caso de dúvida.”

quarta-feira, 20 janeiro, 2010 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Avaliando terremotos…

Embora os terremotos não tenham consciência de classe, eles quase sempre vitimam os mais pobres, pois nas áreas marginalizadas, no mínimo a segurança arquitetônica e estrutural deixam muito a desejar. Mas eles têm efeitos globais e devastadores, muitas vezes. E nós, que vemos constantemente na TV notícias sobre eles, avaliados em suas intensidades pela Escala Richter, quase sempre ficamos sem saber o que representa esta avaliação, em termos concretos. Por isso repasso abaixo uma explicação sobre esse processo de caracterização dos movimentos intensos da terra.

Pena que um terremoto de intensidade 9,0 não tenha ocorrido apenas embaixo da casa do canalha que é o embaixador do Haiti no Brasil (ver postagem imediatamente anterior).

sábado, 16 janeiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , | Deixe um comentário

A contradição de olhos azuis: canalhice x compromisso

Como se não bastasse a existência de uma raça que foi subjugada e martirizada para construir as riquezas das elites e países brancos do planeta. Como se não bastasse a profunda marginalização social e econômica que envolve até hoje estas populações escravizadas, nos países em que foram usadas como mão de obra compulsória e barata.  Como se não bastasse terem expoliado e destruído um continente inteiro e que é considerado como o provável berço da humanidade. Como se não bastasse vermos constantemente a tragédia da fome e do genocídio fomentado pelos interesses externos por suas riquezas, ainda temos que ver e ouvir mais um canalha de olhos azuis, desta vez elogiando a tragédia do terremoto do Haiti como punição e solução para as questões etno-culturais e sócio-econômicas da imensa e dominante população negra do país. E sendo este canalha, nada mais, nada menos, que o embaixador do Haiti no Brasil! Leiam o que disse esse animal e vomitem…

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Cônsul do Haiti diz que terremoto está ‘sendo bom’

Sex, 15 Jan, 08h54

Por Redação Yahoo! Brasil

O cônsul geral do Haiti em São Paulo, Gerge Samuel Antoine, apareceu em reportagem exibida na noite desta quarta-feira no programa “SBT Brasil” dizendo que o terremoto está “sendo bom” para seu trabalho e que a tragédia pode ter ocorrido por causa da religião praticada por boa parte dos haitianos, descendentes de africanos. O vodu é uma delas.

Sem saber que estava sendo gravado pela equipe da repórter Elaine Cortez, o cônsul diz um interlocutor: “A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido. Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo… O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f…”

O âncora do programa, Carlos Nascimento, informou que após a gravação foi feito um outro contato com o cônsul, interpelando-o sobre as declarações. Antoine disse que se sente preparado para o cargo.

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Bem… Sendo sincero, na minha indignação, gostaria muito de linchar pessoalmente este animal (embora nenhum animal seja tão irracional quanto ele), para despoluir um pouco este ambiente planetário já tão sujo por nossas iniquidades sociais e ambientais. Mas a minha racionalidade ainda me permite ver nessa vergonhosa cretinice branca, alguns olhos azuis que procuram ser gente. E engulo a minha ira relendo o poema que um deles escreveu. Leiam-no também, para não deixar que a indignação se torne tão irracional quanto o verme embaixador do Haiti no Brasil e nos nivele a esta escória moral…

Lula! Manda baixar o cacete nesse infeliz!!! Desculpem-me…

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Mensagem à Poesia

Vinicius de Moraes


Não posso.
Não é possível.
Digam-lhe que é totalmente impossível.
Agora não pode ser,
é impossível.
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.

Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar,
muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
e as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
a saudade de seus homens. Contem-lhe que há um vácuo
nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso
reconquistar a vida.
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos,
pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem… – que se não vou
não é porque não queira, ela sabe: é porque há um herói num cárcere,
há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens,
e não é o momento de parar agora. Digam-lhe, no entanto,
que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
aos homens perplexos. Digam-lhe que me foi dada
a terrível participação, e que possivelmente
deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias,
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh! Procurem convencê-la
desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
dói ter de despojá-la assim, neste poema. Que por outro lado,
não devo usá-la em seu mistério (a hora é de esclarecimento)
nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
há fome e mentira e um pranto de criança sozinha numa estrada,
junto a um cadáver de mãe. Digam-lhe que há
um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
arrependido. Digam-lhe que há uma casa vazia
com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações.
Há fantasmas que me visitam de noite
e que me cumpre receber. Contem a ela da minha certeza no amanhã,
que sinto um sorriso no rosto invisível da noite.
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
de ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
solidão. Peçam-lhe, oh! Peçam-lhe que se cale
por um momento, que não me chame
porque não posso ir.
Não posso ir.
Não posso.

Mas não a traí. Em meu coração,
vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
envergonhá-la. A minha ausência.
é também um sortilégio
do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-la
num mundo em paz. Minha paixão de homem
resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
loucura resta comigo. Talvez eu deva
morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
o gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
livre e nua nas praias e nos céus
e nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
o meu martírio; que às vezes
pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
forças da tragédia abatem-se sobre mim, e me impelem para a treva.
Mas que eu devo resistir, que é preciso…
Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência,
com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
a quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante.
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa,
por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho.
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
de todos terem um pequena casa, um jardim de frente
e uma menininha de vermelho, e se perdendo,
ser de todos e perder-se…

Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível.
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame.
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
é mais forte do que eu, não posso ir.
Não é possível.
Me é totalmente impossível.
Não pode ser não.
É impossível.
Não posso.

sábado, 16 janeiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Coisa boa, ninguém fica sabendo!

Bob Brutus, meu amigo e leitor do nosso blogue, mandou-me a informação que repasso abaixo e que comprova mais uma vez a iniquidade do nosso sistema social: a omissão ou não divulgação ampla dos direitos cidadãos. Embora tenha sido sancionada em 2002, até hoje poucas pessoas sabem que não são obrigados a pagar depósitos antecipados para internações de urgência e emergência nos hospitais brasileiros. Leiam a informação abaixo e meditem: a quem interessa a omissão desta informação à população?
Imagem: Millôr Fernandes
DIÁRIO OFICIAL -Lei de n° 3.359

Subject:  DIÁRIO OFICIAL -Lei de n° 3.359 de 07/01/02 – Utilidade Pública
DIÁRIO OFICIAL
Lei de n° 3.359 de 07/01/02 – Depósitos Antecipados

COISA BOA, NINGUÉM FICA SABENDO!

Foi publicada no DIÁRIO OFICIAL em 09/01/02, A Lei de n° 3.359 de 07/01/02, que dispõe:

Art.1° – Fica proibida a exigência de depósito de qualquer natureza, para possibilitar internação de doentes em situação de urgência e emergência, em hospitais da rede privada.

Art. 2° – Comprovada a exigência do depósito, o hospital será obrigado a devolver em dobro o valor depositado ao responsável pela internação.

Art. 3° – Ficam os hospitais da rede privada obrigados a dar possibilidade de acesso aos usuários e a afixarem em local visível a presente lei.

Art. 4° – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Uma lei como essa, que deveria ser divulgada, está praticamente escondida!
E isso vem desde 2002.
Estamos em 2009!

sexta-feira, 15 janeiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , | Deixe um comentário

Eu, passarinho…

Depois de quase duas semanas longe do blogue, estou de volta. Infelizmente, tive que enfrentar pessoa inescrupulosa, em defesa dos meus direitos e  dignidade profissional. Em síntese, posso dizer que o meu Ano Novo iniciou-se em 07 de janeiro último! O calendário da semana anterior nada mais significou que um limbo de injustiça e indignação:

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra
“.

Em meio à luta para remoção da pedra, pensava para ter força: “Sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida“. E felizmente, as instâncias institucionais reconheceram os meus argumentos e direitos e fez-se justiça. A ética institucional superou a norma aeticamente utilizada e  estou novamente feliz e motivado:

“Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!”

E para não dizerem que eu intelectualizei demais as sínteses poéticas do meu drama pessoal superado, termino com o polêmico colunista Ibrahim Sued, que dizia aos seus desafetos: “os cães ladram e a caravana passa. Sorry, periferia” (moral)!

Que o ano começado possa decorrer melhor do que se iniciou…

Fontes: Drumond de Andrade, Mário Quintana e Guevara.

domingo, 10 janeiro, 2010 Posted by | Comentário | , | 6 Comentários

Um novo ano de convivência nos aguarda…

“Antes que venham ventos e te levem do peito o amor – este tão belo amor, que deu grandeza e graça à tua vida – faze dele, agora, enquanto é tempo, uma cidade eterna, e nela habita.”

Feliz Ano Novo a todos vocês que vivenciaram e fizeram melhor o nosso blogue em 2009!!!

sexta-feira, 1 janeiro, 2010 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário