Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

“Anticâncer -prevenir e vencer usando nossas defesas naturais”

Companheiros do blogue: tive o prazer de receber nos últimos dois dias, comentários a respeito da polêmica questão sobre o tratamento de câncer, enviados pela leitora e médica Elizabeth, para a postagem “Bicarbonato de sódio x câncer: esta é surpreendente!”. Por seu conteúdo significativo, resolvi trancrevê-lo como um post em separado, para que se amplie o acesso a estas informações recebidas.

Acho que vale a pena dar uma lida…

Imagem: semglutensemlactosemascomsabor.blogspot.com

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Comentário por elizabeth r.r. navarrete | terça-feira, 23 fevereiro, 2010 <!– @ 12:01 am –>

Amigos, como três médicos, alem de mim, já se manifestaram nesse espaço e levando em consideração o post da Lidionete, gostaria de sugerir a leitura de um livro. Ele foi escrito por um medico ortodoxo, psiquiatra, professor de duas universidades (Pittsburgh e Lyon), pesquisador em neurociências. Ele dá o seu depoimento a respeito da Medicina praticada hoje (oficial) e o outro lado da equação, no que se refere a cuidar da saúde de um individuo que ,  a principio, é a tarefa maior da Medicina. Não haveria ceticismo maior do que o de um medico que vivencia o academicismo das universidades. E, no entanto…ele precisou, em causa propria, se apropriar de todo o conhecimento produzido a respeito de cancer para se ajudar. Segue uma resenha descritiva do livro:

  1. “Anticâncer -prevenir e vencer usando nossas defesas naturais”
    É um livro que tem como um dos diferenciais o fato de ter sido escrito por um medico ortodoxo, que vivenciou a situação extrema de um câncer agressivo e buscou afastar todos seus preconceitos em relação a tudo que a medicina alopática não reconhecia como cientifico e, pesquisador que sempre foi, buscou em todas as fontes que encontrou alternativas de saúde que o pudessem ajudar na luta contra sua doença.
    E foi bem sucedido: ainda vive, mais de 15 anos depois, e apesar de ainda ser um paciente canceroso a doença está silenciosa. Ele teve tempo de passar sua experiência para outros, ver o filho crescer e se mantém ativo profissionalmente.
    O livro traz uma extensa referencia bibliográfica e o encarte “Os reflexos anticâncer no cotidiano”onde ele reuniu gráficos, tabelas e listas muito bem elaboradas sobre nutrição e câncer, alimentos funcionais e práticas diárias para evitar fatores pró-câncer.
    É um livro bastante interessante, mesmo em se tratando de uma publicação de grande apelo comercial ( “best seller” publicado em 26 países). Talvez até o sucesso do livro se deva ao fato de ser pública a constatação da epidemia de câncer que vivemos, à falta de recursos apontados pela medicina oficial para evitar a doença e ainda ao fato de ser um livro autobiográfico.

    “ANTICANCER prevenir e vencer usando nossas defesas naturais”
    David Servan Schreiber
    Editora Eldorado 2008
    Referencia inicial e homenagem do autor:
    “Sempre pensei que o único problema da Medicina cientifica fosse o fato de ela não ser suficientemente cientifica. A medicina moderna só se tornará verdadeiramente cientifica quando os médicos e seus pacientes tiverem aprendido a tirar partido das forças do corpo e do espírito que agem através do poder de cura da natureza.”

    Prof. René Dubos
    Universidade Rockefeller,Nova York, EUADescobridor do primeiro antibiotico (gramicidina), 1939. Iniciador da primeira Cupula da Terra da Naçoes Unidas, 1972 Conferencia de Estocolmo sobre o Meio Ambiente Humano.

    Alguns trechos do livro:
    “…quatro abordagens que todas as pessoas podem adotar para construir para si uma biologia anti-câncer, simultaneamente do corpo e da mente: como se prevenir contra os desequilíbrios do meio ambiente ocorridos a partir de 1940 e que alimentam a epidemia atual de câncer. Como ajustar a própria alimentação para reduzir os promotores de câncer e para incluir o maior numero possível de compostos fotoquímicos que lutam ativamente contra os tumores. Como compreender – e curar – as feridas psicológicas que alimentam os mecanismos biológicos que agem sobre o câncer. E, finalmente, como se aproveitar de uma relação com o próprio corpo a fim de reagir sobre o sistema imunológico e de acalmar a inflamação que faz crescer os tumores…”
    Ele conclui: “…três idéias-chave na luta contra o câncer:
    -a necessidade de cuidar do terreno (biológico)
    -a consciência a serviço das defesas naturais
    -a sinergia que resulta da ação combinada dessas defesas
    A necessidade de cuidar do terreno:
    “…a Medicina Ocidental que trata uma doença determinada com uma intervenção ou um medicamento preciso é maravilhosamente eficaz em situações de crise. Todos os dias ela salva vidas graças a uma operação de apendicite, à penicilina para uma pneumonia,à epinefrina para uma reação alérgica aguda…Mas ela revela rapidamente seus limites quando se trata de doenças crônicas.””…Rene Dubos..é considerado um dos maiores pensadores da biologia do seculo XX…tornou-se um ardoroso defensor da ecologia,por causa da interdependência que observara entre os organismos vivos e seu meio ambiente.”
    “…é possível se beneficiar ao mesmo tempo dos avanços da medicina e das defesas naturais do corpo.”

    A sinergia das forças naturais:
    “…O corpo é um imenso sistema em equilíbrio,onde cada função está em interação com todas as outras.A modificação de um único desses elementos afeta necessariamente o conjunto. Cada um pode, pois, escolher por onde deseja começar: alimentação, atividade física, trabalho psicológico ou qualquer outra abordagem que traga mais sentido e consciência à própria vida……cada passo na direção de um maior equilíbrio torna os seguintes mais fáceis.”
    “…existe …o perigo de que certos pacientes acreditem ingenuamente que, graças às abordagens naturais, podem continuar a fumar, negligenciar as mamografias de praxe ou recusar tratamentos difíceis como a quimioterapia. Em nome dessas preocupações, cuja legitimidade eu não contesto, meus colegas se vêem as vezes tentados a recusar em bloco qualquer abordagem que foge às práticas convencionais existentes. Mas isso acaba nos prendendo dentro dos limites de uma concepção medica que retira de cada um de nós o poder de se responsabilizar por si mesmo. Como se não pudéssemos fazer nada para aprender a nos proteger ativamente contra o câncer- antes e depois da doença….
    “….quero acreditar que a maior parte de meus colegas (médicos) pode compreender e se apropriar desse esforço.” David Servant-Schreiber.

    Espero que esse relato e principalmente o livro sejam de utilidade para quem deseja mais informação a respeito tanto de como se conduzir frente a dilemas como esse que infelizmente todos os dias temos diante de nós, quanto se beneficiar de uma compilação de quase tudo que já se conhece fora da realidade terapêutica da medicina ortodoxa,em relação ao cancer.

terça-feira, 23 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , | 3 Comentários

Consumismo: um passeio socrático a ser feito de vez em quando…

Hoje, neste ensolarado domingo em que os passeios familiares e urbanos são intensificados aos grandes centros de lazer e consumo (hoje, cada vez mais, os dois conceitos se confundem!), recebi uma reflexão interessante, enviada pelo leitor Carlos Germer. Atribuída a Frei Beto, repasso-a a vocês por sua atualidade e profundidade existencial.

Leiam-na sentados preferencialmente na varanda, de chinelão e na sua poltrona preferida, ao sol…

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Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos, geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente. Aquilo me fez refletir: ‘Qual dos dois modelos produz felicidade?’

Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da manhã, e perguntei: ‘Não foi à aula?’ Ela respondeu: ‘Não, tenho aula à tarde’. Comemorei: ‘Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir até mais tarde’. ‘Não’, retrucou ela, ‘tenho tanta coisa de manhã…’ ‘Que tanta coisa?’, perguntei. ‘Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina’, e começou a elencar seu programa de garota robotizada. Fiquei pensando: ‘Que pena, a Daniela não disse: ‘Tenho aula de meditação!

Estamos construindo super-homens e super mulheres, totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem sessenta academias de ginástica e três livrarias! Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a desproporção em relação à malhação do espírito. Acho ótimo, vamos todos morrer esbeltos: ‘Como estava o defunto?’. ‘Olha, uma maravilha, não tinha uma celulite!’ Mas como fica a questão da subjetividade? Da espiritualidade? Da ociosidade amorosa?

Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais. E somos também eticamente virtuais…

A palavra hoje é ‘entretenimento’; domingo, então, é o dia nacional da imbecilização coletiva. Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão de que felicidade é o resultado da soma de prazeres: ‘Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar esta camisa, comprar este carro,você chega lá!’ O problema é que, em geral, não se chega! Quem cede desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a neurose.

O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal, consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma boa saúde mental três requisitos são indispensáveis: amizades, autoestima, ausência de estresse.

Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center. É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca: não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas calçadas… Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista. Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a crédito, entrar no cheque especial, sente-se no purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se sentir no inferno… Felizmente, terminam todos na eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald…
Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas:

– ‘Estou apenas fazendo um passeio socrático.’

Diante de seus olhares espantados, explico:

-‘Sócrates, filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia:

“Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz !”

Imagem: oitoecoisa.blogspot.com

domingo, 21 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | 1 Comentário

Terceira Idade: vivências dos que viveram muito…

Já se disse que, quando o pior é inevitável, deve-se relaxar a proveitar o lado bom (ou menos ruim). Assim, nada melhor do que rir um pouco com certas situações vividas por aqueles que tiveram a sorte de viver muito.

Riam com as situações nossas de amanhã, enviadas por nosso leitor Osmail Dias…

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Duas senhoras idosas estavam tomando o café da manhã num restaurante. Ethel notou alguma coisa engraçada na orelha de Mabel e disse:
– Mabel, você sabe que está com um supositório na sua orelha esquerda???
Mabel respondeu:
– Eu tenho um supositório na minha orelha??
Ela o puxou, olhou para ele e então disse:
– Ethel, estou feliz que você tenha visto… agora eu acho que sei onde encontrar meu aparelho auditivo…

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Quando o marido finalmente morreu, a esposa colocou no jornal o anúncio da morte, acrescentando que ele havia morrido de gonorréia. Logo que o jornal foi distribuído, um amigo da família telefonou e protestou veementemente:
– Você sabe muito bem que ele morreu de diarréia, e não de gonorréia!!!
A viúva respondeu:
– Eu cuidei dele noite e dia, portanto é lógico que eu sei que ele morreu de diarréia, mas eu achei que seria melhor que se lembrassem dele como um grande amante, ao invés do grande m….. que ele sempre foi.

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Uma velhota, durante a missa, inclina-se e diz ao ouvido do seu marido:
– Acabo de soltar um pum silencioso. Que achas que devo fazer?
O velho responde:
– Agora nada. Mas quando sairmos vamos comprar pilhas novas para o teu aparelho auditivo.

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O médico atende o paciente idoso e milionário, que estava usando um revolucionário aparelho de audição e pergunta:
– E aí, seu Almeida, está gostando do aparelho?
– É muito bom! – respondeu o velhinho.
– E a família gostou? – pergunta o médico.
– Não contei para ninguém ainda… Mas já mudei meu testamento três vezes!

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E um casal de 80 anos, que está começando a ter problemas de memória. Eles vão ao médico para ser examinados. O medico faz um check-up e diz aos velhinhos que não há nada de errado com eles, mas que seria bom ter um caderninho para anotar as coisas. À noite, quando estão os dois assistindo TV, o velhinho levanta e a mulher pergunta:
– Onde você vai?
– À cozinha – responde ele.
– Você não quer me trazer uma bola de sorvete? – pede ela.
– Lógico! – responde o marido solícito.
– Você não acha que seria bom escrever isso no caderno? – pergunta ela.
– Ah, vamos! Qualé? Ironiza o velhinho – Eu vou me lembrar disso!
Então ela acrescenta:
– Então coloca calda de morango por cima. Mas escreve para não ter perigo de esquecer.
– Eu lembro disso, você quer uma bola de sorvete com calda de morango.
– Ah! Aproveita e coloca um pouco de chantilly em cima! – pede a velha – Mas lembre-se do que o médico nos disse… escreva isso no caderno!
Irritado, o velhinho exclama:
– Eu já disse que vou me lembrar!!
Em seguida vai para a cozinha.
Depois de uns vinte minutos, ele volta com um prato com uma omelete.
A mulher olha para o prato e diz:
– Eu não disse que você iria esquecer ? Cadê a torrada?

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Uma cerimônia funerária estava sendo realizada por uma mulher que havia acabado de falecer. Ao final da cerimônia, os carregadores estavam levando o caixão para fora, quando, acidentalmente, bateram numa parede, deixando o caixão cair. Eles escutaram um fraco lamento. Abriram o caixão e descobriram que a mulher ainda estava viva! Ela viveu por mais dez anos e, então, morreu.
Mais uma vez uma cerimônia foi realizada e, ao final dela, os carregadores estavam novamente levando o caixão. Quando eles se aproximaram da porta, o marido gritou:
“Cuidado com a parede!!!!!”

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Um casal de velhinhos vai ao escritório de um advogado para que seja preparado o divórcio. O advogado, vendo-os assim tão velhinhos, pergunta porque eles farão isso nessa idade tão avançada.
Determinada ao divórcio a velhinha diz:
– Veja doutor, é que ele tem, com muitos esforços, uma única ereção no ano e…
O velhinho super nervoso a interrompe dizendo:
– E ela pretende que eu a desperdice logo com ela.

sexta-feira, 19 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , | Deixe um comentário

Colheita maldita: ianques coletam o que plantaram!

Já postamos neste blogue vário comentários e notícias sobre o imperialismo ianque no mundo, mascarado sob ações da CIA e outras instituições secretas ligadas a esse espírito neo-colonizador global. Portanto, a matéria abaixo do blogueiro Argemiro Ferreira (garimpada e enviada por nosso leitor Carlos Germer) não é totalmente novidade, mas reforça, com fatos, aquilo que sempre afirmamos: o jogo internacional sujo, oportunista e hipócrita dos norte-americanos contra os interesses nacionais do resto do mundo e a cara-de-pau dos mesmos em se fazerem de vítimas quando recebem o famoso efeito bumerangue: o retorno das suas atitudes imperialistas. E o pior: os crápulas que operacionalizam esta ideologia infame, que desestabilizam governos, fomentam golpes de Estado, armam as lutas nacionais internas, exterminam culturas e populações inocentes, nunca são punidos! Pelo contrário: são protegidos e promovidos a heróis nacionais! Enquanto isso, os mesmos dirigentes dessa podre política, em nível intenacional, vivem buscando vilões dos direitos humanos para levar aos tribunais internacionais, por crimes contra a humanidade. E ainda tem gente que adora o modo de ser americano…

Confiram…

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O legado da CIA no Irã, Afeganistão e Paquistão

Argemiro Ferreira

A imagem do herói no cavalo branco a salvar a mocinha das garras do vilão, seja este assaltante de banco ou índio em defesa de suas terras invadidas, é recorrente na ficção de Hollywood. O deputado Charlie Wilson morreu, aos 76 anos, no dia 10 de fevereiro, certo de que era herói na vida real. Motivo: no Congresso injetou bilhões de dólares para financiar os que lutavam contra os russos no Afeganistão.

Ao morrer do coração Wilson já estava aposentado. Mas ele representou o Texas por 14 mandatos sucessivos na Câmara. Um livro (“Charlie Wilson’s War – The Extraordinary Story of the Largest Covert Operation in History”, de George Crile) e um filme (“Charlie Wilson’s War”, de Mike Nichols, com Tom Hanks no papel-título) o retrataram como herói.

A semana marcou ainda o 31° aniversário da revolução dos aiatolás do Irã, ocorrida apenas alguns meses antes da invasão do Afeganistão. Os iranianos derrubaram o regime do xá Reza Pahlevi, instalado em 1953 graças a golpe planejado pela mesma CIA que usou as verbas secretas do deputado Wilson para recrutar e armar os radicais islâmicos do lado paquistanês da fronteira com o Afeganistão.

O mínimo que se pode dizer é que no Irã, Afeganistão e Paquistão os EUA colhem hoje o que a CIA plantou com a colaboração de gente como o deputado Wilson. Osama Bin Laden foi treinado pela CIA para atacar os russos; gostou e atacou depois o World Trade Center em Nova York. E as bombas atômicas do Paquistão (real) e do Irã (hipotética) devem-se, ao menos em parte, à igual cortesia da CIA.

A lambança atual no Afeganistão (largamente nas mãos dos radicais islâmicos usados pela CIA a partir de 1979), no Paquistão (onde a CIA instalou acampamentos para os ataques aos russos no país vizinho e encorajou o sonho paquistanês da bomba nuclear islâmica) e no Irã (que se nega hoje a abandonar o enriquecimento de urânio) reflete o passado irresponsável da espionagem dos EUA.

No Irã o golpe da CIA instalou o xá no lugar do premier nacionalista Mohamed Mossadegh, anulou a nacionalização do petróleo e com faustosa coroação em 1967 impôs a ficção do “trono de 2.500 anos”. As corporações anglo-americanas ganharam mais um quarto de século para explorar o petróleo do Irã, já que a CIA ainda concebeu a tenebrosa Savak, serviço secreto celebrizado pelas câmaras de tortura.

Ainda naquela década de 1950 o Irã foi premiado pelo governo do presidente Eisenhower com relações muito especiais – que incluiram “acordo de cooperação nuclear para fins pacíficos”, deixando o país com alguma base para, em seguida à revolução dos aiatolás, assustar os EUA com a disposição de ampliar o programa nuclear e rumar para o enriquecimento de urânio.

Para o Irã submisso de Reza Pahlevi, nada era bom demais: além de favorecer o desenvolvimento nuclear, Washington ainda dotou o país de armas sofisticadas e modernizou a máquina da repressão – tudo pago com a receita do petróleo, que regalou nos EUA as indústrias bélica, aeronáutica, nuclear e de segurança. Só que hoje, tomado pelos rebeldes radicalizados nas câmaras de tortura, o Irã é outro.

De tal forma o Irã do xá era criatura da CIA que, no final de 1973, o presidente Nixon concluiu que ninguém melhor para ser embaixador em Teerã do que o próprio diretor da central de espionagem, Richard Helms – “dada a intimidade dele com o xá”, explicou. Como se fosse o posto final de uma carreira de sucesso na CIA, dirigida por Helms durante quase sete anos, antes dos três que passou no Irã.

Com a contribuição do deputado Charlie Wilson, anticomunista meio fanático, o capítulo Afeganistão-Paquistão foi ainda mais vivo, excitante e insólito – ou “colorful”, para usar adjetivo talvez mais apropriado à conduta do parlamentar excêntrico que quando não estava “salvando o mundo” da suposta “ameaça vermelha” dedicava-se ao consumo de álcool e drogas com prostitutas de luxo.

Ele ficou obviamente encantado com os relatos do livro e do filme que o tornaram celebridade. Seu papel pode ter sido singular pelo conhecimento de sutilezas do processo legislativo na Câmara, onde integrava a comissão de verbas (appropriations) e sua subcomissão sobre operações no exterior – além de cultivar contatos na comissão que supervisiona a espionagem.

Não só estava familiarizado com mecanismos e artifícios para ocultar a destinação de recursos. Também revelara-se mestre na troca de favores com colegas interessados em abocanhar verbas para projetos de seus distritos eleitorais. Certos especialistas acham que hoje teria mais dificuldades: o processo legislativo sofreu reformas depois, reduzindo – em nome da transparência – a prática do sigilo.

O fato é que Wilson começou por canalizar uma verba de US$ 5 milhões para os radicais do Afeganistão. E, no fim da década de 1980, aqueles recursos elevavam-se a nada menos de US$ 750 milhões por ano. Pode ter sido ajudado por pertencer ao partido da oposição (Democrata) numa década dominada por governos republicanos (Reagan e Bush I) obstinados em estender ainda mais as ações militares dos EUA pelo mundo.

No Afeganistão e Paquistão, sabe-se hoje, a lambança foi bipartidária – devido a uma armadilha do governo do presidente democrata Jimmy Carter. Seu assessor de segurança nacional na Casa Branca, Zbigniew Brzezinski, confessaria 20 anos depois ter atraído a URSS para a idéia de invadir o Afeganistão. A invasão veio a 24 de dezembro de 1979, após seis meses de ajuda crescente da CIA aos rebeldes radicais.

Em entrevista à revista francesa “Nouvel Observateur”, em 1998, Brzezinski vangloriou-se de seu papel: “Carter assinou a 3 de julho de 1979 a primeira diretiva (à CIA) para a ajuda secreta aos opositores do regime pro-soviético de Kabul. Naquele dia eu tinha enviado nota ao presidente na qual expliquei que, na minha opinião, tal ajuda americana iria levar a uma intervenção militar soviética”.

Quando o jornalista perguntou se a ação clandestina dos EUA tivera a intenção de provocar a invasão russa, Brzezinski amenizou: “Não provocamos os russos para que invadissem, mas ampliamos conscientemente a probabilidade de que isso viesse a ocorrer”. No dia em que os russos cruzaram a fronteira, disse, escreveu de novo a Carter: “Agora temos a oportunidade de dar aos soviéticos o Vietnã deles”.

Brzezinski contestou, assim, a tese republicana que atribui a Reagan a glória pelo fim da URSS. “Durante quase 10 anos a URSS amargou guerra insuportável – um conflito que trouxe a desmoralização e, afinal, a dissolução do império soviético”, alegou. Mas o exagero é comparável ao do mérito republicano. O desfecho, após meio século, deveu-se aos dois partidos e muita gente mais – inclusive os que erraram na própria URSS.

As avaliações atuais tentam ignorar os efeitos negativos das ações da espionagem. Ao financiar, treinar e armar (até com mísseis Stinger, capazes de destruir aviões em vôo) os radicais que batizou de “combatentes da liberdade” a CIA extremou as ambições deles. Hoje ela os repudia como “terroristas”, indiferente ao fato de que aprenderam na CIA a pensar o impensável – como atacar o coração do império americano.

Com os russos fora do Afeganistão os EUA deixaram o país para os radicais que a CIA diplomou em terrorismo. Com armas como o Stinger, os talibãs tomaram o poder e ficaram até 2001. Bin Laden, saudita de nascimento, ainda dirige de lá a rede al-Qaeda, que opera no mundo a partir do território afegão. E a CIA ainda tenta “recomprar” Stinger mas nem sabe quantos distribuiu – a estimativa vai de 500 a 2.000.

O deputado Wilson, ao invés de herói, foi cúmplice das trapalhadas. Livro e filme dizem que atuava com assistência da CIA. A culpa dos EUA e sua agência ia mais longe na relação promíscua com o general-ditador paquistanês Zia-ul-Haq, que em troca do apoio à operação na fronteira afegã obteve luz verde e deu carta branca ao construtor da bomba atômica islâmica, o cientista Abdul Qadeer Khan.

No desdobramento, a receita da bomba-A do Paquistão foi parar no Irã, Coréia do Norte, Líbia e talvez outros. Assim, além de fazer a “guerra (sem fronteiras) ao terrorismo” e lutar no Afeganistão contra os que antes chamava de “combatentes da liberdade”, os EUA hoje têm de vigiar o Dr. Khan, o serviço secreto (ISI) do Paquistão, os progressos nucleares do Irã e da Coréia do Norte e sabe-se-lá-mais-o-que.

A própria CIA adotou a expressão “blowback” para designar os efeitos opostos ao que pretendia em cada uma de suas operações clandestinas. A palavra apareceu pela primeira vez em relatório secreto de 1954 sobre o golpe da CIA no Irã. O “blowback” da derrubada de Mossadegh foi a tirania de 25 anos e a revolução (antiamericana) dos aiatolás. Já no Afeganistão os ataques do 11/9 nos EUA tendem a ficar como exemplo maior.

Blog de Argemiro Ferreira

Fotos: Deputado Charlie Wilson em 1987, entre os radicais islâmicos do Afeganistão.

sexta-feira, 19 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Quem disse que o Brasil é um país de baixa renda?

Se forem levar em consideração os altos valores que pagamos por serviços no Brasil, quem é de fora pensa que só mora milionário aqui. Segundo levantamento feito pela consultoria européia Bernstein Research, o Brasil tem a 2º maior tarifa de celular do mundo. Como ninguém (governo e operadoras) quer ficar com a sua fatia do bolo menor, temos altíssimos impostos do governo e as operadoras como, forma para reter o maior número de clientes cobrão altos valores extras ao ligar para operadoras concorrentes. Abaixo está um gráfico retirado da matéria Folha de São Paulo:

Celular no Brasil

O Brasil perde apenas para África do Sul no custo de ligação por minuto. Mesmo assim o país tem 173,9 milhões de acessos. A área de telecomunicações no Brasil sofre muito com impostos, outro exemplo é o preço que se paga pela internet, aonde 40%  do que se paga mensalmente vai para o governo. Em países de 1º mundo se paga muito menos que isso e com qualidade muito melhor.

Fonte: Folha de São Paulo

quinta-feira, 18 fevereiro, 2010 Posted by | Uncategorized | , | 1 Comentário

Big Brother de Quintal: um paredão inadiável!

BIG BROTHER DE QUINTAL (II)

O grupo de aves do meu quintal (quatro galinhas e um galo) continuam formando um ambiente de observações profundamente interessantes para os raros momentos de ócio, ente um cigarro e outro (é, voltei a fumar! Rsss). O meu Big Brother particular e bem mais interessante que o da globo.

A peladinha (franga caipira legítima, das brenhas do mato), firmou-se como uma liderança insofismável, assumindo as atitudes que o galo Zecão devia assumir: liderar o grupo em busca de comida e de abrigo. Mas o seu gênio brigão, que a princípio parecia um ciúme mal-resolvido pelo Zecão, estendeu-se para todas as demais relações com as galinhas do grupo e, ao final, pela reação tolerante das mesmas confirmou-se: a Peladinha é apenas uma adolescente  ranzinza em busca de atenção.

Por seu lado, o Zecão decepcionou como o único macho do grupo: não bota ordem no galinheiro, só cisca e bate a asa e não come ninguém. Cacareja para atrair as galinhas, uma se aproxima, ela bate a asa, ela se deita para recebê-lo e o cara sai de mansinho, com cara de quem não tá a fim… De tanto fiasco, ele já foi rebatizado pelos observadores como Serginho (o jovem alegre do BBB). Talvez por sua origem soçaite (granja modernizada) sequer canta nas madrugadas: só inicia o seu expediente canoro com o dia claro, quando pula no chão e todos os galos da vizinhança já pararam de cantar. Pooode? Resultado: pela unanimidade implícita na tristeza das galinhas e explícita entre os meus amigos e parentes que acompanham a observação, foi escalado para o paredão mortal da panela! Se nos próximos dez dias ele não agir, vou arrumar outro galo (macho, valente, pegador) e ele vai dançar…

A Morena (a mais tímida e quieta delas), começou a botar ovos (logicamente uma produção independente, já que o Zecão não comparece). Mas ela é tão dissimulada e retraída que bota os ovos em qualquer lugar e sequer cacareja como as galinhas do mundo fazem. Eu é que tenho que descobrir os seus ovos, circulando pelo quintal: no canto da parede, debaixo do abacateiro, debaixo da laranjeira, na varanda. Parece que a sua frustração sexual pirou-lhe o juízo e ela espalha os seus ovos ao Deus Dará, silenciosamente, como pedaços de suaa sexualidade reprimida… Ela é tão carente que hoje flagrei a Peladinha que, saindo de sua agressividade habitual, deitou-se solidariamente ao seu lado quando ela aninhou-se no chão para botar o seu sétimo ovo sem pai. Não sei o que fazer, a não ser eliminar sumariamente o Zecão…

Já a Gordinha (pintada de várias cores, bonita e preguiçosa), não quer nada com a “Voz do Brasil”. Ignorada pelo Serginho, é a última a saltar do poleiro e gasta boa parte do dia a dormitar pelas sombras, curtindo sua depressão.

E por último, a Miroca (branca e charmosa, com jeito de baronesa), é a única que ainda mantém o comportamento normal, e  às vezes procura dar limites à “aborrecente” Peladinha.

Ah! Novidades!!! Estava eu observando o grupo, ainda há pouco, quando um novo personagem entrou na história: um pardal. Pousando embaixo da laranjeira, onde as galinhas dormem, ele catou com o bico várias plumas brancas soltas pelas aves, olhou-me sobre um bigode de penas engraçadíssimo e voou para construir seu ninho. Não são penas de ganso (como as elites usam), mas com certeza os seus filhotes estarão bem aquecidos nas noites frias deste verão chuvoso.

Comentarei os próximos lances (inclusive o paredão do Serginho) nos próximos dias…

Imagem: blogdomrcondes.blogspot.com/2007/12/homem-ach..

terça-feira, 16 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário, Humor | , , | Deixe um comentário

O Estado reformista e os movimentos LGBT: hegemonia do Terceiro Gênero?

O Estado (em qualquer de suas instâncias e em suas expressões mais liberais), cada vez mais se aproxima dos movimentos sociais reformistas e, juntos, cada vez mais nos surpreendem com suas ações contraditórias e pretensamente “revolucionárias”.

Foi assim com a extinção dos manicômios: ao invés de humanizar os mesmos e suas formas de tratamento (à semelhança da doutora Nise da Silveira que, em 1946, substituiu lobotomias e eletro-choques pelas artes como terapia), preferiu transferir às famílias os seus doentes, à guisa de incluir estas pessoas (independente da gravidade de suas doenças) no todo social.

Foi assim também em relação às crianças deficientes (hipocritamente redefinidas como crianças com necessidades especiais): independente de suas deficiências (física e/ou mental) foram compulsoriamente jogadas nas escolas públicas e particulares, sob o argumento da educação inclusiva. Dessa forma, livraram-se da obrigação de criar e manter escolas especializadas para estas crianças (que definem como de necessidades especiais!) e colocaram as demais crianças em situações de risco de agressões e/ou retardos de aprendizagem, já que, por mais que argumentem, poucas pessoas acreditam (incluindo-me nesse rol), que uma criança mentalmente comprometida possa acompanhar o aprendizado das demais (ou vice-versa).

Também foi assim nos primórdios do feminismo: as mulheres, para se sentirem libertas, copiaram os homens naquilo que tínhamos de pior: fumar, beber e transar adoidado!

Assim também aconteceu nos primórdios da luta negra brasileira contra o racismo: para enfrentar o preconceito exerceram o preconceito do preconceituoso: criaram espaços negros exclusivos (clubes, espaços culturais, etc.). E recentemente conseguiram estabelecer cotas raciais nas universidades, ao invés de cotas sociais (pela marginalização econômica), muito mais justas e includentes.

Agora, o governo de São Paulo, em parceria com Grupo E-Jovem e o Ministério da Cultura, inaugurará no próximo dia 6 de março, a Escola Jovem LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis, transexuais e transgêneros), com sede em Campinas, cidade do interior de São Paulo (veja notícia a seguir). Segundo as informações “essa escola é a primeira do gênero no Brasil (…) e surgiu a partir da observação e das dificuldades e preconceitos que os jovens homossexuais enfrentam na sociedade e em ambientes escolares, por exemplo. A Escola Jovem LGBT é aberta a qualquer jovem, homo ou heterossexual, que tenha idade entre 12 e 29 anos (grifo meu), e que demonstre interesse em valorizar a expressão cultural, independente de gênero ou raça.

E mais uma vez, esta aliança “reformista” conseguiu me surpreender e refletir sobre as suas inconseqüências. E isto não tem nada a ver como homofobia (tenho amigos gays ou simpatizantes), mas sim com mais uma série incongruências desta atitude. Senão vejamos:

a) se os cursos são claramente direcionados para as demandas homossexuais e a participação é aberta a qualquer opção sexual e envolve jovens a partir de 12 anos, como não temer que crianças ainda em formação sexual sejam cooptados pela opção dominante no ambiente frequentado?

b) se diferentemente do sexo entre animais, (onde as relações sexuais são determinadas fundamentalmente pelo instinto), a sexualidade humana manifesta-se através de padrões culturais historicamente determinados, pretende-se agora um novo padrão sexo-cultural?

c) se a sexualidade humana, através da história, manifestou-se por culturas e períodos de abertura sexual, intercalados por períodos de recato e privações sexuais, estaremos entrando num “novo” período de rebertura sexual, a partir da inclusão de crianças em experiências culturalmente específicas?

d) se o estudo mais importante realizado sobre sexualidade humana (relatório Kinsey) descreve que face à “continuidade das graduações entre os heterossexuais e homossexuais exclusivos ao longo da história, parece ser desejável desenvolver uma gama de classificações que podem ser amparadas em quantidades relativas de experiências e respostas heterossexuais e homossexuais e (…) um indivíduo pode ser associado numa posição da escala em cada período de sua vida… (…) numa escala de sete categorias aproxima-se de representar as várias graduações que existem atualmente” (Kinsey, et al. (1948). pp. 639, 656), pergunto: como envolver todas as sete gradações sexuais, incluindo crianças, num ambiente experimental de conteúdo homossexualmente direcionado?

Nível Descrição das gradações sexuais por Kinsey
0 Exclusivamente heterossexual
1 Predominantemente heterossexual, apenas eventualmente homossexual
2 Predominantemente heterossexual, embora homossexual com frequência
3 Igualmente heterossexual e homossexual
4 Predominantemente homossexual, embora heterossexual com frequência
5 Predominantemente homossexual, apenas eventualmente heterossexual
6 Exclusivamente homossexual
X Assexuado

c) cotejando esta classificação de Kinsey, à luz da experiência paulista em implantação, pergunta-se:
– porque não escolinha para “machinhos e fêmeazinhas” (exclusivamente heteros), reforçando os dois gêneros fundamentais à propagação humana?
– pela mesma razão, porque não escolinha para os “sexualmente indecisos” (as gradações intermediárias)?

Mas não: apesar das polêmicas científica, médica, social e legal da homossexualidade, os “reformistas pós-modernos” decidem, mais uma vez, agir unilateralmente e de forma a influir na formação sexual das novas gerações. Sim, isso mesmo, porque para lutar contra a homofobia e contra a violência existem os caminhos legais e culturais hegemônicos e específicos. Assim, incluir crianças de sexualidade em formação em ambientes predominantemente homossexuais, me parece uma atitude de riscos sociais previsíveis.

Com certeza, para muitos o meu comentário representará uma postura homofóbica e machista, mas embora discordando, não me importo com essa avaliação. Quis apenas marcar a minha posição de forma fundamentada e repassar a novidade da investida LGBT, aliada aos segmentos reformistas do Estado Nacional, para afirmação e ampliação do Terceiro Gênero. Que cada um entenda segundo suas convicções e contra-argumentem de forma substanciada (para isso existem os Comentários do blogue).

Leiam a reportagem e façam suas reflexões…

Imagem:www.claquete.net/produtos.html

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05.02.10 – BRASIL

País vai inaugurar primeira escola de valorização da cultura gay

Tatiana Félix *

Campinas – Adital –

Será inaugurada no próximo dia 6 de março, a Escola Jovem LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis, transexuais e transgêneros), com sede em Campinas, cidade do interior de São Paulo. Este projeto é uma iniciativa do Grupo E-Jovem, com o apoio do Governo do Estado de São Paulo e Ministério da Cultura. Essa escola é a primeira do gênero no Brasil.A ideia surgiu a partir da observação e das dificuldades e preconceitos que os jovens homossexuais enfrentam na sociedade e em ambientes escolares, por exemplo. A Escola Jovem LGBT é aberta a qualquer jovem, homo ou heterossexual, que tenha idade entre 12 e 29 anos, e que demonstre interesse em valorizar a expressão cultural, independente de gênero ou raça.

De acordo com o diretor da Escola, Deco Ribeiro, este projeto tem dois objetivos principais. O primeiro é divulgar e dar visibilidade à cultura gay. O segundo é oferecer ao jovem um espaço onde ele possa se expressar. Além disso, ele reforça, “acreditamos que este é um modo de reduzir o preconceito, uma vez que a sociedade e outros jovens conheceriam mais a realidade do mundo gay”.”A gente entende que preconceito é ignorância, não só ignorância por não conhecer o assunto, mas também a ignorância daqueles que se negam a conhecer”, completou.

Segundo Deco, o projeto foi pensado para ser executado em três anos, com ofertas de três cursos por ano. No primeiro ano, devem ser ministrados os cursos de Dança, WebTV e Criação de Fanzine. No segundo ano os cursos seriam de Música, Teatro e Criação de Revistas, e, no terceiro ano, Cinema, Criação Literária e Performance Drag Queen.

Mas, embora a escola não tenha sido ainda inaugurada, a adesão e a demanda, tanto de alunos quanto de professores, tem sido muito positiva. Segundo ele, as vagas para os cursos, que foram abertas nesta semana, já foram todas preenchidas, por meio de pré-inscrição. A procura foi tanta, que já existe fila de espera, informou.

“Muitos professores se voluntariaram e enviaram propostas e projetos para nós. Recebemos mais de 70 propostas, que estão sendo analisadas”, disse. Por causa disso, cursos extras devem ser abertos ainda neste ano, como os de Canto e Coral. Cada curso deve ofertar de 10 a 20 vagas.

Ele disse ainda que a expectativa é de abrir um canal de diálogo com a sociedade. “A escola é um espaço para o jovem passar a sua mensagem. Todos os cursos são de expressão”.

Mais informações pelo site: http://www.e-jovem.com/escola_jovem_lgbt.html.

terça-feira, 16 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | 6 Comentários

Brigadão, Mãe (Ah! Que saudades…)

Eu e meus irmãos (principalmente os mais velhos), fomos criados à moda antiga. E nos últimos dias, um dos mais novos mandou um email aos demais irmãos, sobre a educação que tivemos em casa e que, segundo ele, foi infinitamente melhor do que a que vemos hoje por aí. A educação do tempo em que as mães não esperavam que a escola fizesse por ela… O email circulou entre os irmãos e irmãs e teve tal aprovação (e risos saudosos da nossa mãe que já se foi), que resolvi repassar o conteúdo a vocês…

Imagem: Mãe Quitéria, eu e metade dos irmãos

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Ensinamentos das Mães de Antigamente:

Coisas que nossas mães diziam e faziam…Era uma forma, hoje condenada pelos educadores e psicólogos, mas que funcionou com a gente (por isso não saímos por aí seqüestrando a namorada, nem matando os pais e os outros por aí)…

Minha mãe ensinou sobre:

VALORIZAR O SORRISO:
ME RESPONDE DE NOVO E EU TE ARREBENTO OS DENTES!”

RETIDÃO:
“EU TE AJEITO NEM QUE SEJA NA PORRADA!!!”

DAR VALOR AO TRABALHO DOS OUTROS
:
“SE VOCÊ E SEU IRMÃO QUEREM SE MATAR, VÃO PRA FORA. ACABEI DE LIMPAR A CASA!”

LÓGICA E HIERARQUIA:
“PORQUE EU DIGO QUE É ASSIM! PONTO FINAL! QUEM É QUE MANDA AQUI?”

MOTIVAÇÃO:
CONTINUA CHORANDO QUE EU VOU TE DAR UMA RAZÃO VERDADEIRA PARA VC CHORAR!”

CONTRADIÇÃO:
” FECHA A BOCA E COME!”

ANTECIPAÇÃO:
“ESPERA SÓ ATÉ SEU PAI CHEGAR EM CASA!”

PACIÊNCIA:
“CALMA!… NÃO SE PREOCUPE… QUANDO CHEGARMOS EM CASA, AÍ SIM, VOCÊ VAI VER SÓ…”

ENFRENTAR OS DESAFIOS:
“OLHE PARA MIM! ME RESPONDA QUANDO EU TE FIZER UMA PERGUNTA!”

RACIOCÍNIO LÓGICO:

SE VOCÊ CAIR DESSA ÁRVORE VAI QUEBRAR O PESCOÇO E AÍ EU VOU TE DAR UMA SURRA!”


MEDICINA:
PÁRA DE FICAR VESGO MENINO! PODE BATER UM VENTO E VOCÊ VAI FICAR ASSIM PARA SEMPRE.”

ECOLOGIA:
“SE VOCÊ NÃO COMER ESSAS VERDURAS, OS BICHOS DA SUA BARRIGA VÃO COMER VOCÊ!”

GENÉTICA:
VOCÊ É IGUALZINHO AO  SEU PAI!”


RAÍZES:
“TÁ PENSANDO QUE NASCEU DE FAMÍLIA RICA É?”

A SABEDORIA ACUMULADA:
“QUANDO VOCÊ TIVER A MINHA IDADE, VOCÊ VAI ENTENDER.”

JUSTIÇA:
“UM DIA VOCÊ TERÁ SEUS FILHOS, E EU ESPERO ELES FAÇAM PRÁ VOCÊ O MESMO QUE VOCÊ FAZ PRA MIM! AÍ VOCÊ VAI VER O QUE É BOM!”

RELIGIÃO:
“É MELHOR VOCÊ REZAR PARA ESSA MANCHA SAIR DO TAPETE!”

BEIJO DE ESQUIMÓ:
“SE RABISCAR DE NOVO, EU ESFREGO SEU NARIZ NA PAREDE!”

CONTORCIONISMO:
“OLHA SÓ ESSA ORELHA! QUE NOJO!”

DETERMINAÇÃO:
“VAI FICAR AÍ SENTADO ATÉ COMER TODA COMIDA!”

VENTRÍLOQUISMO:
“NÃO RESMUNGUE! CALA ESSA BOCA E ME DIGA POR QUE É QUE VOCÊ FEZ ISSO?”

SER OBJETIVO:
“EU TE AJEITO NUMA PANCADA SÓ!”

ESCUTAR:
“SE VOCÊ NÃO ABAIXAR O VOLUME, EU VOU AÍ E QUEBRO ESSE RÁDIO!”

TER GOSTO PELOS ESTUDOS:
“SE EU FOR AÍ E VOCÊ NÃO TIVER TERMINADO ESSA LIÇÃO, VOCÊ JÁ SABE!…”

COORDENAÇÃO MOTORA:
JUNTA AGORA ESSES BRINQUEDOS!! PEGA UM POR UM!!”


MATEMÁTICA:
“VOU CONTAR ATÉ DEZ. SE ESSE VASO NÃO APARECER VOCÊ LEVA UMA SURRA!”

Brigadão Mãe !!

quinta-feira, 11 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | Deixe um comentário

Sobre Carnaval, enquanto o ócio criativo não regressa…

Mergulhado na vida real, seus embates e compromissos, continuo bloqueado em minhas possibilidades criativas e críticas neste blogue. Mas, lutando desesperadamente para mantê-lo com um mínimo de informação e dignidade crítica, transcrevo a baixo o excelente comentário do colunista Regis Tadeu, sobre os carnavais de hoje. Espero que vocês apreciem…

Imagem: www.profilesupport.net/…/carnaval/

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Durante alguns dias, vou tentar escapar da verdadeira ditadura televisiva imposta pelo Carnaval, mas sei que não vou conseguir. Tenho plena consciência de que serei nocauteado por frases imbecis, proferidas por exércitos de exibicionistas, todos ansiosos por uma suruba que nunca se concretiza. Serei submetido a grotescos espetáculos de alegria plástica, sem vida, provenientes de gente cuja maior qualidade é exibir cirurgias plásticas – algumas invejáveis, outras semelhantes a serviços de borracharia mal feitos -, sem um pingo de autenticidade, sem o menor resquício de emoção sincera.

Não tenho nada contra a exposição de corpos femininos nus – muito pelo contrário! -, desde que eles venham acompanhados de uma aura de sensualidade e beleza. Não há espaço para a ingenuidade em avenidas salpicadas de pessoas mortas por dentro, muito menos para o tesão. O que resta é um festival de repugnância proporcionado pelas emissoras de TV. É duro admitir, mas a burrice parece ter se tornado item de cesta básica. Conseguimos a proeza de profissionalizar a idiotice!

O Carnaval se tornou um evento para os outros. Empresas, fabricantes de cervejas, socialites deformadas pelo excesso de botox a ponto de se parecerem com lagartos, celebridades emergentes de 97ª categoria, playboys babacas, garotas de programas disfarçadas em atriz e modelo… É para essa turba falsamente animada que a festa do Rei Momo (quem?) existe hoje. O tumulto resultante é o espelho fiel do que o Brasil se tornou. Para os turistas estrangeiros, somos alegres bufões, sorridentes mesmo quando sabemos que milhares de crianças morrem como moscas porque não têm o que comer. Na verdade, no fundo da alma, essa cambada de “ex-BBBs da vida real” se comporta como palhaços desdentados, subnutridos de inteligência e bom senso. As pessoas se tornaram prisioneiras da imagem daquilo que se espera delas.

O Carnaval é um retrato cheio de purpurina da realidade que vivemos: tumultuado, confuso, artificial, violento, narcisista, louco – no pior sentido da palavra -, bruto e patético. O problema não é o Carnaval, mas sim o que ele espelha.

Não, não tenho saudade do passado, mas percebo que, em um tempo não muito distante, vivíamos de uma maneira diferente, mais cordial e sincera, mesmo quando nosso espírito mambembe se confrontava com o início de uma nova ordem, que determinava que só a exibição contínua e a qualquer preço seria o caminho para uma “carreira de sucesso”.

Por que existe tanta gente disposta a fazer qualquer coisa para ganhar dinheiro e/ou aparecer na TV? A resposta pode estar no fato de que essa imensa massa de imbecis está totalmente desiludida com os benefícios que a aquisição de cultura pode trazer ao espaço vazio que existe entre as suas orelhas. A turba de idiotas prefere o caminho mais fácil, que passa pelo constrangimento de expor suas vergonhas intelectuais e físicas em cadeia nacional.

Como é possível fazer germinar a cultura de um país por meio da massificação? E quando escrevo “cultura”, me refiro também à música, um dos principais combustíveis para nossa existência. Como acreditar na musicalidade de um Carnaval em que os samba-enredos são todos iguais, a ponto de você esqucer cada um deles segundos depois de ouvi-los?

Hoje, fazer parte do Carnaval é trabalhar como um macaco de realejo perante uma plateia cheia de zumbis sorridentes. Se essa é a sua noção de “alegria popular”, vá fundo. Mas depois não diga que eu não o avisei…

O Carnaval é uma festa autêntica ou apenas uma vitrine para gente sem talento?

Regis Tadeu é editor das revistas Cover Guitarra, Cover Baixo, Batera, Teclado & Piano e Studio. Diretor de redação da Editora HMP, crítico musical do Programa Raul Gil e apresenta/produz na Rádio USP (93,7) o programa Rock Brazuca.

quarta-feira, 10 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

A falta do ócio pra tentar ser inteligente…

Com certeza, os nossos leitores assíduos já perceberam a redução do número de postagens no nosso blogue. É que o excesso de trabalho profissional e os estudos para tentar novos concursos, estão me atravancando o tempo. Até mesmo um leitor já comentou a necessidade de polemizar para buscar-se um blogue inteligente e, embora não considere primordial a polêmica (a reflexão crítica talvez seja mais necessária), sinto que pra ser inteligente é preciso tempo para investigar, refletir e estabelecer percepções pessoais (algo parecido com o ócio criativo que levou os gregos a criarem a Filosofia). Portanto, amigos, perdoem o meu atual período de “burrice” e procurem aproveitar o pouco que tenho a oferecer. Tempos melhores virão… E esperando esses tempos, conforto-me no versejar de um caboclinho amazônico que se tornou universal em sua arte:

O silêncio é um campo
plantado de verdades
que aos poucos se fazem palavras
“.

Abraço fraterno e amazônico a todos.

Imagem: veja.abril.com.br/060110/descoberta-primeiros.

segunda-feira, 8 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário | , | Deixe um comentário