Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

A sina das cores e dos retalhos…

“Os riscos têm de ser corridos, pois o maior risco na vida é não arriscar nada. A pessoa que não arrisca nada não faz nada, não tem nada, não é nada e não se torna coisa alguma. Pode evitar o sofrimento e a tristeza, mas não pode aprender, sentir, modificar, crescer, amar e viver. Acorrentado por suas certezas é um escravo, foi privado do direito de sua liberdade. Somente a pessoa que arrisca é verdadeiramente livre.

O cara que fez esta reflexão, ítalo-americano escritor e professor, salvou a minha tarde e rearticulou minhas forças para continuar a tentar, teimosamente, a buscar os sentidos da minha vida, independente das dificuldades a enfrentar. Depois de quase uma década afastado dos pincéis, estava eu, hoje, diante de três telas inacabadas, fumando desesperadamente e tenso diante das dificuldades em dar-lhes continuidade. Pinceladas, café, cigarro, apreciação insatisfeita, mais café, mais cigarro, mais pinceladas, mais tensão. Um ciclo vicioso retomado após tantos anos, em nome do prazer do ato de criar, da contemplação do criado, do cristalizar as percepções de mundo e compartilhá-las com aqueles que se identificam com você, através de retalhos coloridos e emoldurados da sua alma, pendurados em uma parede qualquer. Prazerosamente  repartidos com aqueles que, embora desconheçam o custo emocional da criação, contemplam e se identificam com o visto, recompensando o coração de quem cria.

Pois é, estava eu neste fim de tarde, angustiado na tarefa do retomeçar aquilo que me custou tanto a começar (aos quarenta anos) pelas necessidades da sobrevivência e que abandonei quinze anos após, sob a mesma justificativa.  Mas os retalhos e as cores continuaram a me provocar pelas paredes. Minha companheira, silenciosamente, guardara (à minha vista) os apetrechos, as telas inacabadas e colocara pelas paredes muitas delas. Por muitas vezes, me flagrei diante das paredes dos amigos, contemplando imagens minhas que tinham trazidos para as suas vidas.  Até notícias de retalhos meus em paredes de irmãos-de-arte pelo mundo, me pressionaram, mas o pragmatismo da vida tem sido mais forte ao longo destes anos. E hoje, de volta solitariamente a esta sina interior e tenso, deixei as telas no cavalete e fugi para o mundo virtual, onde dei de cara com o email de um amigo e que me guiou, sem saber, para o autor da reflexão inicial.

Lendo-a, lembrei os tempos de aprendiz reprimido da juventude, pelo moralismo paterno. Lendo-a, revi-me começando aos quarenta anos, engatinhando nas cores, estudando arte como um louco, roubando tempo das “responsabilidades” para aprender, embriagando-me de arte e de cerveja nos papos com os meus iguais nos botecos do bairro. Da primeira exposição, do prazer de ser entendido pelas pessoas comuns e pelos apreciadores, do compartilhar da construção com meu amigo que armava e emoldurava as telas para a criação e exposição. Do outro amigo, poeta, que prazerosamente elaborava a apresentação dos convites. Dos infindáveis papos de arte com a companheira, partilhando risos e angústias da criação… Enfim, revivi toda a trajetória do meu carma criador.

Na outra reflexão do mesmo filósofo, revivi as minhas rebeldias em nome do que sempre busquei:

“Não posso ser feliz quando mudo só para satisfazer o seu egoísmo. Nem posso me sentir contente quando você me critica por não ter seus pensamentos. Ou por não ver como você vê. Você me chama de rebelde. No entanto, cada vez que rejeitei suas crenças você se rebelou contra as minhas. Não procuro moldar sua mente. Sei que você está se esforçando muito para ser só você. E não posso permitir que me diga o que ser… pois estou me concentrando em ser eu”.

E quando li a sua historinha sobre o menino que fora rejeitado como ator no teatro da escola e estava feliz por ter sido escolhido para bater palmas e espalhar alegrias, reassumi o meu destino mais sofrido e mais alegre: espalhar cores pelos retalhos e paredes do mundo.

Portanto, cuidem-se tintas, pincéis, cafés e cigarros! Estou de volta!

Obrigado, meu amigo virtual! Obrigado, Leo Buscaglia…

Imagem: jupadilha.blogspot.com/2009_08_01_archive.html

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quinta-feira, 29 abril, 2010 Posted by | Comentário | , , , | Deixe um comentário

O Cronobiograma Feminino: de uma lógica cruel, embora bem humorada!

As nossas leitoras, com certeza sentem-se sacaneadas de vez em quando, com as nossas postagens sobre as questões de gênero. Mas acontece que o tema é polêmico e nós não perdemos qualquer abordagem inteligente e/ou bem humorada sobre o assunto, independente de sexo. É o caso da postagem abaixo, enviada por nosso leitor Carlos Germer e de autoria atribuída ao humorista Luis Fernando Veríssimo.

Esqueçam os nossos conflitos e riam sobre uma briga  histórica…

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Cronobiograma Feminino

1 aos 5 anos:
A mulher não tem a mínima idéia do que ela seja..
5 aos 10 anos:
Sabe que é diferente dos meninos, mas não entende porquê.
10 aos 15 anos:
Sabe exatamente por que é diferente, e começa a tirar proveito disso.

25 aos 30 anos:
Nessa fase formam 5 grupos distintos:

G1
As que casaram
por dinheiro
G2
As que casaram
por amor
G3
As que não casaram
G4
As que simplesmente casaram
G5
As inteligent
es
G1: descobrem que dinheiro não é tudo na vida, sentem falta de uma paixão..
G2: descobrem que paixão não é tudo na vida, sentem falta do dinheiro.
G3: não importa o dinheiro e a paixão, sentem falta mesmo é de um homem .
G4: não entendem por que casaram.
G5: descobrem que ter inteligência não é tudo na vida.
30 aos 35 anos:
Sabe   exatamente onde errou e tinge o cabelo de loiro. Vai para academia.
35 aos 40 anos:
Procura ajuda espiritual.
40 aos 45 anos:
Abandona a ajuda espiritual e procura ajuda médica, com analistas e cirurgiões plásticos.
45 aos 50 anos:
Graças aos cirurgiões sua bunda e barriga voltaram ao normal, seus peitos ficaram melhores do que eram e explode uma paixão pelo seu analista.

Após os 50 anos
FINALMENTE SE DESCOBRE, SE ACEITA E COMEÇA A VIVER !!!!

…Mas, aí vêm a osteoporose e o reumatismo e fode tudo.

quinta-feira, 22 abril, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | 6 Comentários

TV Globo: a farsa do jornalismo independente.

Não são novidades, aqui no blogue, as denúncias dos abusos, manipulações e oportunismos da mídia nacional, principalmente a principal empresa do setor, a Rede GLobo. Sob a máscara do jornalismo sério e independente (que se arrepia todo sob qualquer ameaça de controle social, como se fosse o quarto poder da República), ela defende não só os seus interesses político-econômicos como de toda a elite parasitária deste país, que  foi apeada do poder nos oito últimos anos, pela via democrática, e que não vê a hora de retomar os privilégios históricos. A novidade agora é que esta denúncia vem de alguém que viveu nas entranhas da Vênus Platinada e vem sistematicamente relatando os bastidores do jornalismo da emissora.

Leiam e meditem… E preparem-se para mais sujeira nos próximos meses deste ano eleitoral.

Imagem: Millor Fernandes

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Opinião do blog

6 de abril de 2010 às 8:05

A reprise de 2006. Agora, como farsa

por Luiz Carlos Azenha

Em 2005 e 2006 eu era repórter especial da TV Globo. Tinha salário de executivo de multinacional. Trabalhei na cobertura da crise política envolvendo o governo Lula.

Fui a Goiânia, onde investiguei com uma equipe da emissora o caixa dois do PT no pleito local. Obtivemos as provas necessárias e as reportagens foram ao ar no Jornal Nacional. O assunto morreu mais tarde, quando atingiu o Congresso e descobriu-se que as mesmas fontes financiadoras do PT goiano também tinham irrigado os cofres de outros partidos. Ou seja, a “crise” tornou-se inconveniente.

Mais tarde, já em 2006, houve um pequena revolta de profissionais da Globo paulista contra a cobertura política que atacava o PT mas poupava o PSDB. Mais tarde, alguns dos colegas sairam da emissora, outros ficaram. Na época, como resultado de um encontro interno ficou decidido que deixaríamos de fazer uma cobertura seletiva das capas das revistas semanais.

Funciona assim: a Globo escolhe algumas capas para repercutir, mas esconde outras. Curiosamente e coincidentemente, as capas repercutidas trazem ataques ao governo e ao PT. As capas “esquecidas” podem causar embaraço ao PSDB ou ao DEM. Aquela capa da Caros Amigos sobre o filho que Fernando Henrique Cardoso exilou na Europa, por exemplo, jamais atenderia aos critérios de Ali Kamel, que exerce sobre os profissionais da emissora a mesma vigilância que o cardeal Ratzinger dedicava aos “insubordinados”.

Aquela capa da Caros Amigos, como vimos estava factualmente correta. O filho de FHC só foi “assumido” quando ele estava longe do poder.  Já a capa da Veja sobre os dólares de Fidel Castro para a campanha de Lula mereceu cobertura no Jornal Nacional de sábado, ainda que a denúncia nunca tenha sido comprovada.

Como eu dizia, aos sábados, o Jornal Nacional repercute acriticamente as capas da Veja que trazem denúncias contra o governo Lula e aliados. É o que se chama no meio de “dar pernas” a um assunto, garantir que ele continue repercutindo nos dias seguintes.

Pois bem, no episódio que já narrei aqui no blog, eu fui encarregado de fazer uma reportagem sobre as ambulâncias superfaturadas compradas pelo governo quando José Serra era ministro da Saúde no governo FHC. Havia, em todo o texto, um número embaraçoso para Serra, que concorria ao governo paulista: a maioria das ambulâncias superfaturadas foi comprada quando ele era ministro.

Ainda assim, os chefes da Globo paulista garantiram que a reportagem iria ao ar. Sábado, nada. Segunda, nada. Aparentemente, alguém no Rio decidiu engavetar o assunto. E é essa a base do que tenho denunciado continuamente neste blog: alguns escândalos valem mais que outros, algumas denúncias valem mais que outras, os recursos humanos e técnicos da emissora — vastos, aliás — acabam mobilizados em defesa de certos interesses e para atacar outros.

Nesta campanha eleitoral já tem sido assim: a seletividade nas capas repercutidas foi retomada recentemente, quando a revista Veja fez denúncias contra o tesoureiro do PT. Um colega, ex-Globo, me encontrou e disse: “A fórmula é a mesma. Parece reprise”.

Ou seja, podemos esperar mais do mesmo:

– Sob o argumento de que a emissora está concedendo “tempo igual aos candidatos”, se esconde uma armadilha, no conteúdo do que é dito ou no assunto que é escolhido. Frequentemente, em 2006, era assim: repercutindo um assunto determinado pela chefia, a Globo ouvia três candidatos atacando o governo (Geraldo Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque) e Lula ou um assessor defendendo. Ou seja, era um minuto e meio de ataques e 50 segundos de contraditório.

– O Bom Dia Brasil é reservado a tentar definir a agenda do dia, com ampla liberdade aos comentaristas para trazer à tona assuntos que em tese favorecem um candidato em detrimento de outro.

– O Jornal da Globo se volta para alimentar a tropa, recorrendo a um grupo de “especialistas” cuja origem torna os comentários previsíveis.

– Mensagens políticas invadem os programas de entretenimento, como quando Alexandre Garcia foi para o sofá de Ana Maria Braga ou convidados aos quais a emissora paga favores acabam “entrevistados” no programa do Jô.

A diferença é que, graças a ex-profissionais da Globo como Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e outros, hoje milhares de telespectadores e internautas se tornaram fiscais dos métodos que Ali Kamel implantou no jornalismo da emissora. Ele acha que consegue enganar alguém ao distorcer, deturpar e omitir.

É mais do mesmo, com um gostinho de repeteco no ar. A história se repete, agora com gostinho de farsa.

Querem tirar a prova? Busquem no site do Jornal Nacional daquele período quantas capas da Veja ou da Época foram repercutidas no sábado. Copiem as capas das revistas que foram repercutidas. Confiram o conteúdo das capas e das denúncias. Depois, me digam o que vocês encontraram.

quinta-feira, 15 abril, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

As questões de gênero e a modernidade (II)

Como prometi há pouco, segue a matéria enviada pela leitora Miriam. Humor? Verdade? Machismo? Lucidez feminina? Não sei, acho que de tudo um pouco…

Leiam e concluam… Aceitamos comentários…

Desabafo de uma mulher moderna

São seis horas. O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede. Estou tão cansada, não queria ter de trabalhar hoje… Quero ficar em casa cozinhando, ouvindo música, cantarolando, até. Se tivesse cachorro, passeava pelas redondezas. Se tivesse aquário? Olhando os peixinhos nadarem. Espaço? Fazendo alongamento. Leite condensado? Fazendo brigadeiro… Tudo, menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar.

Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos à mulher e porque ela fêz isso conosco que nascemos depois dela (> Beth Friedman, foi essa a mocréia…). Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós: elas passavam o dia a bordar, trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros. Lendo bons livros das bibliotecas, dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando as crianças, frequentando saraus… A vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária.

Aí vem uma “fulaninha” qualquer, que não gostava de sutiã nem tão pouco de espartilho, e contamina as várias outras rebeldes inconsequentes com idéias mirabolantes sobre “vamos conquistar o nosso espaço”.

Que espaço, minha filha???!!!!!!!!!! Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo aos seus pés!!! Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de vocês pra comer, vestir e se exibir para os amigos, que raios de direitos requerer?

Agora, esles estão aí, todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo da cruz.

Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres, isso sim, e nos lançando no calabouço da solteirce aguda.

Antigamente, os casamentos duravam para sempre, tripla jornada era coisa do Bernard no vôlei  – e olhe lá, porque naquela época não existia o Bernard do vôlei.

Por quê, me digam por quê, um sexo que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo? Olha o tamanho do bíceps deles, olha o tamanho do nosso. Tava na cara que isso não ia dar certo!!!

Não aguento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir e que sapatos e acessórios usar, que perfume combina com o meu humor, e ter que viver correndo. Ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, de morrer atropelada, passar o dia reta na frente do computador, resolvendo problemas.

Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas, unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, pós-doutorados e especializações. Viramos super-mulheres, continuamos a ganhar menos que eles, lavar, passar, cozinhar e cuidar dos filhos, da mesma forma. E ainda temos que dividir as despesas da casa!

Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço?

Chega, quero alguém que pague as minhas contas, abra a porta do carro para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela (ai, meu Deus, já são seis e meia e tenho que levantar!). E tem mais: que chegue do trabalho, sente no sofá e diga: _ Meu bem, me traz um gole de café, por favor.

Descobri que nasci para servir…

Vocês pensam que eu estou ironizando? Tô falando sério!!!!!!!!!!!!

Estou abdicando do meu posto de mulher moderna….

(procura-se o(a) autor(a))

segunda-feira, 12 abril, 2010 Posted by | Uncategorized | , , , | Deixe um comentário

A questão de gênero e a modernidade…

Nesse fim de semana, parece que um frisson humorístico em relação às mulheres modernas atacou nossos leitores. O leitor Fernando Campos nos repassou a piada que posto abaixo. A leitora Miriam Rodrigues mandou a auto-avaliação de uma mulher moderna, que postarei daqui há pouco. De tudo, além dos resquícios de verdade, resta a forma crítica bem-humorada de ver este mundo louco que vivenciamos.
Relaxem, esqueçam os radicalismos e divirtam-se….
Imagem: www.ver.pt/…/Newsletter_ver_066_07042009.html
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A Executiva bem-sucedida.

Foi tudo muito rápido. A executiva bem-sucedida sentiu uma pontada no peito, vacilou, cambaleou. Deu um gemido e apagou. Quando voltou a abrir os olhos, viu-se diante de um imenso Portal.

Ainda meio zonza, atravessou-o e viu uma miríade de pessoas.Todas vestindo cândidos camisolões e caminhando despreocupadas. Sem entender bem o que estava acontecendo, a executiva bem-sucedida abordou um dos passantes:
– Enfermeiro, eu preciso voltar urgente para o meu escritório, porque tenho um meeting importantíssimo. Aliás, acho que fui trazida para cá por engano, porque meu convênio médico é classe A, e isto aqui está me parecendo mais um pronto-socorro. Onde é que nós estamos?
– No céu.
– No céu?…
– É.
– Tipo assim… o céu, CÉU…! Aquele com querubins voando e coisas do gênero?
– Certamente. Aqui todos vivemos em estado de gozo permanente.
Apesar das óbvias evidências nenhuma poluição, todo mundo sorrindo, ninguém usando telefone celular), a executiva bem-sucedida custou um pouco a admitir que havia mesmo apitado na curva.
Tentou então o plano B: convencer o interlocutor, por meio das infalíveis técnicas avançadas de negociação, de que aquela situação era inaceitável. Porque, ponderou, dali a uma semana ela iria receber o bônus anual, além de estar fortemente cotada para assumir a posição de presidente do conselho de administração da empresa.
E foi aí que o interlocutor sugeriu:
– Talvez seja melhor você conversar com Pedro, o síndico.
– É? E como é que eu marco uma audiência? Ele tem secretária?

– Não, não. Basta estalar os dedos e ele aparece.
– Assim? (…)
– Pois não?
A executiva bem-sucedida quase desaba da nuvem. À sua frente, imponente, segurando uma chave que mais parecia um martelo, estava o próprio Pedro.
Mas, a executiva havia feito um curso intensivo de approach para situações inesperadas e reagiu rapidinho:
– Bom dia. Muito prazer. Belas sandálias. Eu sou uma executiva bem-sucedida e…
– Executiva… Que palavra estranha. De que século você veio?
– Do 21. O distinto vai me dizer que não conhece o termo ‘executiva’?
– Já ouvi falar. Mas não é do meu tempo.
Foi então que a executiva bem-sucedida teve um insight. A máxima autoridade ali no paraíso aparentava ser um zero à esquerda em modernas técnicas de gestão empresarial. Logo, com seu brilhante currículo tecnocrático, a executiva poderia rapidamente assumir uma posição hierárquica, por assim dizer, celestial ali na organização.
– Sabe, meu caro Pedro. Se você me permite, eu gostaria de lhe fazer uma proposta. Basta olhar para esse povo todo aí, só batendo papo e andando a toa, para perceber que aqui no Paraíso há enormes oportunidades para dar um upgrade na produtividade sistêmica.
– É mesmo?
– Pode acreditar, porque tenho PHD em reengenharia. Por exemplo, não vejo ninguém usando crachá. Como é que a gente sabe quem é quem aqui, e quem faz o quê?
– Ah, não sabemos.
– Entendeu o meu ponto? Sem controle, há dispersão. E dispersão gera desmotivação. Com o tempo isto aqui vai acabar virando uma anarquia. Mas nós dois podemos consertar tudo isso rapidinho implementando um simples programa de targets individuais e avaliação de performance.
– Que interessante…
– É claro que, antes de tudo, precisaríamos de uma hierarquização e um organograma funcional, nada que dinâmicas de grupo e avaliações de perfis psicológicos não consigam resolver.
– !!!…???…!!!…???…!!!
– Aí, contrataríamos uma consultoria especializada para nos ajudar a definir as estratégias operacionais e estabeleceríamos algumas metas factíveis de leverage, maximizando, dessa forma, o retorno do investimento do Grande Acionista… Ele existe, certo?
– Sobre todas as coisas.
– Ótimo. O passo seguinte seria partir para um downsizing progressivo, encontrar sinergias high-tech, redigir manuais de procedimento, definir o marketing mix e investir no desenvolvimento de produtos alternativos de alto valor agregado. O mercado telestérico, por exemplo, me parece extremamente atrativo.
– Incrível!
– É óbvio que, para conseguir tudo isso, nós dois teremos que nomear um board de altíssimo nível. Com um pacote de remuneração atraente, é claro. Coisa assim de salário de seis dígitos e todos os fringe benefits e mordomias de praxe. Porque, agora falando de colega para colega, tenho certeza de que você vai concordar comigo, Pedro. O desafio que temos pela frente vai resultar em um Turnaround radical.
– Impressionante!
– Isso significa que podemos partir para a implementação?
– Não. Significa que você terá um futuro brilhante… se for trabalhar com o nosso concorrente. Porque você acaba de descrever, exatamente, como funciona o Inferno…
Max Gehringer
(Revista Exame)


Engº Mario Buarque
(81)3269-2122/9203-9688

segunda-feira, 12 abril, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Frase do dia

“Onde cruzam meus talentos e paixões com as necessidades do mundo, lá está o meu lugar”
Aristóteles.

domingo, 11 abril, 2010 Posted by | Reflexões, Repassando... | | Deixe um comentário

A Páscoa e a Vida…

A vida é um desafio. Aceite-o.
A vida é um eterno soltar. Só com mãos vazias podemos chegar a algo novo.
A vida é amor. Viva de forma honesta e profunda.
A vida é esperança. Nunca desista.
A vida é caminho. Siga em frente.
A vida é fé. Nunca a perca.
A vida também é morrer… Cada dia um pouco. Esteja ciente disso.
A vida é aprendizado – a qualquer hora, em qualquer lugar – até o fim.
A vida é um presente. Seja grato a ela.
A vida é amizade – cultive-a.
A vida é bela! Abra os olhos!
A vida é verdade. Mantenha-se fiel à sua.
A vida é emoção. Seja curioso.
Sua vida tem um propósito. Procure alcançá-lo.

(Procura-se o autor)

Feliz Páscoa a todos!

sexta-feira, 2 abril, 2010 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário