Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

PSDB: precisa dizer mais alguma coisa?

‘CONSCIÊNCIA DE CLASSE’

17% dos simpatizantes do PSDB se consideram de extrema-direita; 14% se consideram de direita e 20% de centro-direita.

(Carta Maior, com informações Datafolha; 31-05)
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segunda-feira, 31 maio, 2010 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Colômbia: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.

Domingo, 28 de maio, os colombianos estarão iniciando a escolha de um novo presidente, repetindo a novela democrática que para eles tem tido sempre o mesmo fim: dominação externa, conflito armado interno, pobreza e desigualdades sociais profundas, sem horizonte de solução próximo.

Com a terceira maior população do continente sul-americano, concentrada na capital Bogotá (6,9 milhões) e Medellín (2 milhões), é devastada a anos por lutas intestinas entre os guerrilheiros das FARC’s, as forças militares do Estado e  o  Exército de Libertação Nacional – ELN (com cerca de 4 mil membros), formada por paramilitares de ultradireita que dizem terem-se desmobilizados em 2006. É uma situação bélica com reflexos políticos avassaladores: de um lado, as FARC’s, guerrilha de esquerda que se iniciou há décadas, envolveu-se com o tráfico de drogas para sobreviver e tornou-se um fim em si mesma; do outro, a ultradireita, organizada no ELN, defendendo o status quo da dominação histórica das elites; e no meio, (ou melhor, do meio pra direita), o Estado colombiano, vassalo dos ianques no continente e mantido como ponta-de-lança do Tio Sam para “impedir o comunismo” e “combater o tráfico de drogas” na região. Enfim, uma situação em que qualquer das alternativas significa a continuidade das desigualdades e da dominação dos pobres (geralmente indígenas ou mestiços) e que representam nada mais, nada menos, que 64 línguas autóctones.

Neste cenário, enquanto os guerrilheiros de esquerda estimulam e lucram com a produção e tráfico de cocaína, o Estado proíbe a produção de coca (que é muito lucrativa) pelos camponeses, sem colocar no lugar outra atividade legal e compensadora. E pelas bordas, a ultradireita paramilitar caça os “comunistas”, tentando complementar a limpeza pretendida pelos ianques. Claro, a imprensa conservadora do continente sempre destacou as operações ilegais das FARC’s (e que são verdadeiras), mas apresentam o títere norte-americano Uribe como salvador da pátria e omite a existência da guerrilha de direita. O inverso do que fazem em relação ao caudilho Hugo Chávez e os demais presidentes de centro-esquerda que surgiram no cenário político regional.

E o povão colombiano, como fica?

Domingo, terão de escolher entre 9 candidatos (pasmem!):

1. Juan Manuel Santos, de 58 anos, governista e que bombardeou pretensos acampamentos das FARC’s em território equatoriano. Foi Ministro da Defesa de Uribe, além de Ministro da Fazenda  e de Comércio Exterior e tem como plataforma eleitoral o combate às FARC’s e o estímulo a investimentos estrangeiros. Sendo originário da classe dos altos proprietários da imprensa da capital e com essa plataforma, o que vai mudar?

2. Antana Mockus, de 58 anos, candidado pelo Partido Verde, parece ser o Gabeira das bandas de lá: matemático e filósofo, baixou as calças ante um auditório de estudantes que o vaiavam, apresenta preocupações ambientais e ficou popular quando governou a capital. Prega “legalidade, transparência e educação” (tudo que falta na Colômbia), mas terá cacife pra se eleger e, se eleito, força política para implantar as mudanças?

3. Noemí Sanín, 60 anos, candidata do Partido Conservador, é pau-mandado de Uribe e apenas complementa a estratégia dele para eleger Santos. Está prometendo até se reaproximar de Chávez (imaginem!).

4. Rafael Pardo, economista de 56 anos, é candidato do opositor Partido Liberal (liberais se opondo a liberais?) e promete justiça social. Nada de novo no front camuflado da dominação capitalista.

5. Gustavo Petro, ex- guerrilheiro e economista, 50 anos, candidato do partido de esquerda Polo Democrático Alternativo. Promete um governo de cunho social sem afetar a propriedade privada (quer dizer, fazer omelete sem quebrar os ovos).

6. Germán Vargas, de 48 anos, do reacionário Partido Mudança Radical, promete melhorar a gestão de Uribe em segurança cidadã e enfatizar o social (ou tudo como antes no quartel de Abrantes).

7. Jaime Araújo da Aliança Social Afro-Colombiana parece ser daquelas tendências étnico-culturais festivas e inoperantes daqui.

8. Jairo Calderón da Abertura Liberal, mostra no nome da sigla o que tem em mente (nada de bom pro povão).

9. Róbinson Devia pela A voz da consciência, deve ser mais uma daquelas candidaturas panfletária e sem consistência, que não enganam ninguém.

Amigos, em síntese: apesar de um pouco de crédito ao Mockus (sem arriar as calças pro Tio Sam, claro!) acho que, em síntese, o povo colombiano permencerá mais uma vez no dilema histórico: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come… Que os deuses indígenas os iluminem, irmãos colombianos.

sábado, 29 maio, 2010 Posted by | Comentário | , , | 2 Comentários

Floresta Global: sobre a (Des)Esperança Negra, a Hiena-de-chifres e outros predadores…

No início da gestão Obama, postei aqui um comentário pessoal sobre os primeiros vacilos do Negra (Des)Esperança, entre eles a nomeação da Hilary(hiena) Clinton para a frente política internacional do país. De lá para cá, as intenções de negociação internacional dos conflitos globalizados (se é que elas existiam!), desceram ladeira abaixo, ininterruptamente. Agora, contradizendo os estímulos anteriores dados ao Brasil e à Turquia pelo Obama (e por escrito), a hiena-de-chifres (lembrem-se da Lewinski) declara, imitando a melhor cara de Bush, que os EUA e o Brasil têm profundas divergências em relação ao programa nuclear do Irã. Daqui a pouco, estaremos incluídos no famigerado Eixo do Mal…

Mas não é só isso…

Desde o Grande Golpe financeiro dos banqueiros norte-americanos (e que gerou a atual crise mundial), Goldmann Sachs (o deus das finanças de Walt Street),  e os canalhas da sua trupe, continuam sendo “investigados”. Leia-se nas entrelinhas: nada vai acontecer…

O povo grego, já afogado pela crise, recebeu goela abaixo um tremendo Cavalo de Tróia disfarçado de ajuda econômica, com taxas de juros elevadíssimas e cujas exigências externas enterrarão os poucos avanços sociais existentes naquele país (aposentadorias, salários, etc.). E a Letônia está passando pela mesma via-crúcis. E, profunda ironia: os governantes e intelectuais ianques, os causadores originais da crise, declaram que uma forte redução do déficit público norte-americano destruiria a economia do país. A mesma redução que eles impõem à pequena Grécia e à Letônia, é insuportável ao Tio Sam!!!! Segundo eles, cortar o déficit público sem antes reconstruir a engrenagem do sistema financeiro levaria à estagnação e uma segunda Grande Depressão! POOODE? Pode… O Titio pode tudo… Menos punir o mercado financeiro e encarar as demais nações como soberanas…

Dizem ser necessário salvar o mercado financeiro. MERCADO??? Que mercado?? Pela concepção capitalista ,o mercado é um campo de forças livres, equilibradas pelas ofertas e demandas e onde se arca pelos prejuízos ou se aufere os lucros! Mas esta não é a lógica do sistema financeiro, em qualquer lugar do mundo! Se há lucros, tudo bem, o mercado existe. Mas se há prejuízos (por incompetência e/ou corrupção), eles são socializados unilateralmente com a população, através do Estado, mediante ações protecionistas bancárias, arrochos sociais e muita impunidade.

Salvar a Grécia e a Letônia? Salvar os países em desenvolvimento? Balela, amigos. O que eles querem mesmo é resgatar seus prejuízos e recuperar os lucros de sempre…

Bem, comecei pela Hilary(hiena) Clinton e terminei no capitalismo financeiro… Desculpem, é que acordar revoltado,  atormentado por uma laringite terrivel e em um cenário de tantas canalhices globais, nos tira até a coerência. Bom dia…

Imagens: da NET, capturadas via Google

sexta-feira, 28 maio, 2010 Posted by | Comentário | , , , , , | 2 Comentários

Meio ambiente: Energia limpa por uma cabeça iluminada…

Me é sempre prazeiroso postar aqui tecnologias novas ambientalmente adequadas, economicamente viáveis e socialmente includentes. E se essas tecnologias envolvem profissionais brasileiros, o prazer é maior ainda, pois deixa uma perspectiva de autonomia tecnológica neste mundo globalizado em que, geralmente, nos tornamos consumidores escravos. Além do mais, quando o Estado apoia estas tecnologias, renovo minhas esperanças na construção de políticas públicas democráticas, emancipadoras e voltadas para o bem estar coletivo. E o que repasso abaixo enquadra-se perfeitamente neste meu perfil de blogueiro que busca ser responsável.

Imaginem, um poste de iluminação pública alimentado permanentemente por energia limpa! Imaginem as ruas de uma cidade iluminadas permenentemente por energia limpa! Que contribuição para um país extenso como o nosso e que tem um imenso território onde a luz elétrica sequer está presente (ou existe, mas através de geradores altamente poluentes e que consomem combustíveis fósseis)!

Claro que a consolidação de uma idéia como esta carece não somente de tecnologia e apoio, mas também de educação cidadã que impeça a vandalização dos sistemas em funcionamento. Mas isso é outra história, a criatividade e a esperança de um mundo melhor e sustentável se renova a cada iniciativa como esta…

Leiam e espalhem a esperança…

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Publicada em 28.03.2010

Energia elétrica

Cem por cento limpeza

Por GEVAN OLIVEIRA
Empresário cearense desenvolve o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energia eólica e solar

Não tem mais volta. As tecnologias limpas – aquelas que não queimam combustível fóssil – serão o futuro do planeta quando o assunto for geração de energia elétrica. E, nessa onda, a produção eólica e solar sai na frente, representando importantes fatias na matriz energética de vários países europeus, como Espanha, Alemanha e Portugal, além dos Estados Unidos. Também está na dianteira quem conseguiu vislumbrar essa realidade, quando havia apenas teorias, e preparou-se para produzir energia sem agredir o meio ambiente. No Ceará, um dos locais no mundo com maior potencial energético (limpo), um ‘cabeça chata’ pretende mostrar que o estado, além de abençoado pela natureza, é capaz de desenvolver tecnologia de ponta.

O professor Pardal cearense é o engenheiro mecânico Fernandes Ximenes, proprietário da Gram-Eollic, empresa que lançou no mercado o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energias eólica e solar. Com modelos de 12 e 18 metros de altura (feitos em aço), o que mais chama a atenção no invento, tecnicamente denominado de Produtor Independente de Energia (PIE), é a presença de um avião no topo do poste.

Feito em fibra de carbono e alumínio especial – mesmo material usado em aeronaves comerciais –, a peça tem três metros de comprimento e, na realidade, é a peça-chave do poste híbrido. Ximenes diz que o formato de avião não foi escolhido por acaso. A escolha se deve à sua aerodinâmica, que facilita a captura de raios solares e de vento. “Além disso, em forma de avião, o poste fica mais seguro. São duas fontes de energia alimentando-se ao mesmo tempo, podendo ser instalado em qualquer região e localidade do Brasil e do mundo”, esclarece.

Tecnicamente, as asas do avião abrigam células solares que captam raios ultravioletas e infravermelhos por meio do silício (elemento químico que é o principal componente do vidro, cimento, cerâmica, da maioria dos componentes semicondutores e dos silicones), transformando-os em energia elétrica (até 400 watts), que é armazenada em uma bateria afixada alguns metros abaixo. Cumprindo a mesma tarefa de gerar energia, estão as hélices do avião. Assim como as naceles (pás) dos grandes cata-ventos espalhados pelo litoral cearense, a energia (até 1.000 watts) é gerada a partir do giro dessas pás.

Cada poste é capaz de abastecer outros três ao mesmo o tempo. Ou seja, um poste com um “avião” – na verdade um gerador – é capaz de produzir energia para outros dois sem gerador e com seis lâmpadas LEDs (mais eficientes e mais ecológicas, uma vez que não utilizam mercúrio, como as fluorescentes compactas) de 50.000 horas de vida útil dia e noite (cerca de 50 vezes mais que as lâmpadas em operação atualmente; quanto à luminosidade, as LEDs são oito vezes mais potentes que as convencionais). A captação (da luz e do vento) pelo avião é feita em um eixo com giro de 360 graus, de acordo com a direção do vento.

À prova de apagão

Por meio dessas duas fontes, funcionando paralelamente, o poste tem autonomia de até sete dias, ou seja, é à prova de apagão. Ximenes brinca dizendo que sua tecnologia é mais resistente que o homem: “As baterias do poste híbrido têm autonomia para 70 horas, ou seja, se faltarem vento e sol 70 horas, ou sete noites seguidas, as lâmpadas continuarão ligadas, enquanto a humanidade seria extinta porque não se consegue viver sete dias sem a luz solar”.

O inventor explica que a ideia nasceu em 2001, durante o apagão. Naquela época, suas pesquisas mostraram que era possível oferecer alternativas ao caos energético. Ele conta que a caminhada foi difícil, em função da falta de incentivo – o trabalho foi desenvolvido com recursos próprios. Além disso, teve que superar o pessimismo de quem não acreditava que fosse possível desenvolver o invento. “Algumas pessoas acham que só copiamos e adaptamos descobertas de outros. Nossa tecnologia, no entanto, prova que esse pensamento está errado. Somos, sim, capazes de planejar, executar e levar ao mercado um produto feito 100% no Ceará. Precisamos, na verdade, é de pessoas que acreditem em nosso potencial”, diz.

Mas esse não parece ser um problema para o inventor. Ele até arranjou um padrinho forte, que apostou na ideia: o governo do estado. O projeto, gestado durante sete anos, pode ser visto no Palácio Iracema, onde passa por testes. De acordo com Ximenes, nos próximos meses deve haver um entendimento entre as partes. Sua intenção é colocar a descoberta em praças, avenidas e rodovias.

O empresário garante que só há benefícios econômicos para o (possível) investidor. Mesmo não divulgando o valor necessário à instalação do equipamento, Ximenes afirma que a economia é de cerca de R$ 21.000 por quilômetro/mês, considerando-se a fatura cheia da energia elétrica. Além disso, o custo de instalação de cada poste é cerca de 10% menor que o convencional, isso porque economiza transmissão, subestação e cabeamento. A alternativa teria, também, um forte impacto no consumo da iluminação pública, que atualmente representa 7% da energia no estado. “Com os novos postes, esse consumo passaria para próximo de 3%”, garante, ressaltando que, além das vantagens econômicas, existe ainda o apelo ambiental. “Uma vez que não haverá contaminação do solo, nem refugo de materiais radioativos, não há impacto ambiental”, finaliza Fernandes Ximenes.
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A reportagem é mais longa e interessante. Quem desejar saber mais acesse o link

http://www.fiec.org.br/portalv2/sites/revista/home.php?st=interna2&conteudo_id=35404

quinta-feira, 27 maio, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 4 Comentários

Sílvio Rodriguez: uma voz cubana pelo direito à autonomia

De forma cada vez mais acelerada, caem minhas expectativas políticas em relação ao Obama. Embora sua prática de campanha, seu discurso e o seu charme tenham incediado universalmente as nossas esperanças por um mundo melhor, o cotidiano da sua governança atola-se pouco à pouco na vala do histórico imperialismo ianque: maquiou a tragédia de Guantanamo, jogou pra debaixo do tapete a questão escandalosa do bloqueio à Cuba, manteve dissimuladamente a ocupação do Iraque e do Afeganistão, apoiou disfarçadamente o golpe militar em Honduras, ignorou a tragédia de Porto Rico, permaneceu na mera ameaça em relação ao sistema financeiro que causou a atual crise econômica mundial, e mantém a ameaça de retaliações ao Irã, menosprezando o acordo recentemente articulado pelo Brasil e pela Turquia. Enfim, vem demonstrando ser apenas um George Bush vaselina, dissimulado, enrolão. Pena… A única atitude louvável dele foi declarar o óbvio: que o Lula é o cara! No resto, continua a mesma prática ianque de dominação planetária, da forma democraticamente disfarçada que só os democratas sabem fazer. Ele deve ter lido a cartilha do John Kennedy: sorri enquanto enfia a faca no resto do mundo.

E nesse cenário de desencanto político, enquanto ele e o resto dos ianques punem os cubanos por terem se libertado das suas garras, por terem se negado a permanecerm como bordel e cassino dos seus turistas e escroques,  negando-se a abrir o bloqueio e exigindo abertura democrática (que democracia, a deles?), li hoje um texto escrito por Sílvio Rodriguez, artista cubano soberbo e libertário, sobre a questão deste bloqueio e desta  “abertura” democrática. .

“Expoente da música cubana surgida com a Revolução Cubana, Silvio é um dos cantores cubanos contemporâneos de maior relevo internacional, criador juntamente com Pablo Milanés, Noel Nicola, Vicente Feliú e outros músicos do movimento da Nova Trova Cubana. Considerado um poeta lúcido e inteligente, capaz de sintetizar o intimismo e os temas universais com a mobilização e a consciência social”, é uma voz inquestionável para falar sobre este tema e por não dizer aquilo que interessa à direita americana (lá tem esquerda?), não foi divulgada suficientemente. Revolucionário, ajudou a dizimar o domínio americano que Fulgêncio Batista assegurava aos norte-americanos. Pós-revolucionário, ajudou a alfabetizar o povo e colocou o seu talento artístico para continuar a mudança político-social. Homem do mundo, por sua arte, não se deixou enfeitiçar pelo sucesso capitalista. E até hoje continua acreditando e lutando por uma Cuba livre e justa.

E aproveitando a recente contradição da democracia espanhola (afastar o investigador dos crimes da ditadura Franco), ele faz uma lúcida análise crítica sobre o seu país e os “democratas” (incluindo-se aí o ex-festejado Obama) que pretendem “salvar” Cuba.

Leiam a matéria, percebam o seu ponto-de-vista e vejam a lógica cristalina que se opõe àqueles que, como os ianques, não querem deixar vicejar a única revolução do continente que deu certo. Tão certo, que resiste há meio século a toda sorte de boicote dos EUA  e seus adeptos de boa parte do mundo!

Façam bom proveito…

Imagem: catatau.blogsome.com/category/midia/page/4/

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18/05/2010

Cortina de manjericão

Um grupo de artistas e escritores espanhóis, ao mesmo tempo em que o juiz Baltasar Garzón era suspenso de suas funções por tentar investigar os crimes do franquismo, concentrava sua atenção nos problemas de Cuba. O cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez mandou este artigo para o jornal espanhol El País, que se recusou a publicá-lo. Nós o acolhemos no nosso blog para que todos possam conhecer as posições de um artista cubano, que a imprensa daqui também se nega a publicar:

Um grupo de artistas e escritores espanhóis lançou uma plataforma para democratizar Cuba. E quando um cubano diverge, decretam que seus argumentos são cortinas de fumaça da ditadura que sofre e compara com os franquistas. Mas os deuses parecem ter-lhes castigado. Porque precisamente por ter se atrevido a investigar os crimes do franquismo, o Conselho Geral do Poder Judicial acaba de suspender o juiz Baltasar Garzón da Audiência Nacional da Espanha. Este sentença é um golpe duríssimo para uma democracia que pretende julgar ou mandar julgar supostos defeitos alheios, mas se resguarda para que não toquem nos seus próprios defeitos.

O veto a Garzón, considerado como um herói, acontece no mesmo país que há poucos anos deu ao mundo uma verdadeira lição de democracia, ao votar contra o partido governante que os meteu numa guerra injusta, fazendo-se de surdo diante das imensas manifestações populares.

Pessoalmente não consigo entender como essas personalidades chegaram à conclusão de que a política para Cuba deve ser a do isolamento e do bloqueio. É como desconhecessem que há meio século essa mesma política não conseguiu mover nem um milímetro a determinação das maioria dos cubanos.

Por outro lado, nós, cubanos, também queremos mudanças, mas estabelecidas por consenso entre nós. Estas transformações acontecerão mais tarde ou mais cedo e a única política capaz de acelerá-las é o fim do bloqueio. Tudo o que nos seja feito com acosso e com pressões não podemos considerar como algo a nosso favor, mas como um insulto à nossa autodeterminação, uma ingerência inadmissível nas nossas vidas.

Tantas agressões e ameaças nos ensinaram que a sobrevivência passa por uma sociedade orgânica, íntegra, indivisível. Assim nós saímos airosos de embates artificiais e naturais. Mas sabemos que somos o resultado de uma reação, por vivermos acossados. Não acreditamos em um governo centralizado para sempre. Mas costumamos vê-lo como um conceito de emergência, um mal necessário que o caminho da emancipação nacional nos impôs para sobreviver. O fim do bloqueio nos aliviará profundamente, criando condições para que avancemos também no conceito democrático.

Eu sublinho que não quero dizer que sem o bloqueio seremos mais democráticos, mas que estou seguro de que assim nós o conseguiremos mais rápido.

A recente plataforma se propõe isolar ainda mais a Cuba e agravar nossa já precária economia. Pretende convencer ao mundo de que a asfixia resolverá nossos problemas. Seu hipotético sucesso significaria muito mais sofrimentos para nosso povo, que leva meio século enfrentando todo tipo de dificuldades. Nossa longa experiência em “propostas” externas nos diz que esta ação é apenas um novo meio para nos obrigar a fazer o que outros consideram que deveríamos fazer. Partindo de que se trata de pessoas bem intencionadas, não sei como entendem a ofensa de pretender que nos tornemos como eles, com as reservas que despertam essas democracias de banqueiros ladrões e de exércitos de ocupação. E além de tudo, quando respondemos que não estamos de acordo, pretendem negar-nos o direito a que sejamos escutados, porque todos os que não pensem como eles – dizem – vem contaminado de ditadura.

Capitaneados por um grande escritor peruano com uma longa trajetória reacionária, certos intelectuais espanhóis decidiram gastas mais horas elocubrando sobre como causamos dano do que investigando até que ponto vivem em uma democracia. Alguns parecem mais preocupados por Orlando Zapata – um homem que teve o valor de escolher sua própria morte e de enfrentá-la – que os mais de cem mil espanhóis assassinados na era de Franco. É triste ver quão pouco lhes interessa aprofundar-se sobre a realidade cubana, quando suas conclusões são as mesmas que as dos piores inimigos da nossa dignidade. Por isso termino admitindo que esta página é realmente uma cortina, não de fumaça, mas sim de manjericão, contra a podridão da sua pretensa salvação.

Tradução: Emir Sader

Postado por Emir Sader às 08:55

terça-feira, 25 maio, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 2 Comentários

Lula: de sapo barbudo a pesadelo das elites!

Há poucos dias postei neste blogue “Lula: Enfim, a unanimidade!” Errei, amigos leitores. Deveria ter acrescentado “apesar das elites brasileiras”… Não foi por ufania minha, mas sim porque até um dos líderes políticos destas elites (José Serra) foi obrigado, por conveniência política, a afirmar que “Lula está acima do bem e do mal” , tendo sofrido inclusive censura dos tucanos por “elogiar demais o presidente Lula”.

E há pouco, ao ler a matéria que repasso abaixo, lembrei-me do meu vacilo e resolvi repassar-lhes o texto, por ser não sómente uma constatação jornalística pertinente, como também um resumo crítico da atuação do Lula nestes oito anos e que merece ser relembrada, para atazanar mais um pouco aqueles que teimam em ignorar o maior fenômeno da politica nacional e  um dos mais significativos da política internacional, nas última décadas.

Leiam, meditem… E se orgulhem do nosso Lulinha. Ele é a cara daqueles de nós que, apesar dos esforços sabotadores das elites parasitárias deste país, teimam e lutam por um Brasil melhor e um mundo melhor.

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Lula, as elites e o vira-latas

É extremamente interessante que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio!

Francisco Carlos Teixeira

Seguindo outros grandes meios de comunicação globais, a revista Time escolheu – na semana passada – o presidente Lula como o líder mais influente do mundo. A notícia repercutiu em todo o mundo, sendo matéria de primeira página, no jornalão El País.

Elite e preconceito
Na verdade a matéria o apontava como o homem mais influente do mundo, posto que nem só políticos fossem alinhados na larga lista composta pelo Time. Esta não é a primeira vez que Lula merece amplo destaque na imprensa mundial. Os jornais Le Monde, de Paris, e o El País, o mais importante meio de comunicação em língua espanhola (e muito atento aos temas latino-americanos) já haviam, na virada de 2009, destacado Lula como o “homem do ano”. O inédito desta feita, com a revista Time, foi fazer uma lista, incluindo aí homens de negócios, cientistas e artistas mundialmente conhecidos. Entre os quais está o brasileiro Luis Inácio da Silva, nascido pobre e humilde em Caetés, no interior de Pernambuco, em 1945, o presidente do Brasil aparece como o mais influente de todas as personalidades globais. Por si só, dado o ponto de partida da trajetória de Lula e as deficiências de formação notórias é um fato que merece toda a atenção. No Brasil a trajetória de Lula tornou-se um símbolo contra toda a forma de exclusão e um cabal desmentido aos preconceitos culturalistas que pouco se esforçam para disfarçar o preconceito social e de classe.

É extremamente interessante, inclusive para uma sociologia das elites nacionais, que o brasileiro de maior destaque no mundo hoje seja um mestiço, nordestino, de origens paupérrimas e com grande déficit de educação formal. Para todos os segmentos das elites nacionais, nostálgicas de uma Europa que as rejeita, é como uma bofetada! E assim foi compreendida a lista do Time. Daí a resposta das elites: o silêncio sepulcral!

Lula Líder Mundial
Desde 2007 a imprensa mundial, depois de colocá-lo ao lado de líderes cubanos e nicaraguenhos num pretenso “eixinho do mal”, teve que aceitar a importância da presença de Lula nas relações internacionais e reconhecer a existência de uma personalidade original, complexa e desprovida de complexos neocoloniais. Em 2008 a Newsweek, seguida pela Forbes, admitiam Lula como um personagem de alcance mundial. O conservador Financial Times declarava, em 2009, que Lula, “com charme e habilidade política” era um dos homens que haviam moldado a primeira década do século XXI. Suas ações, em prol da paz, das negociações e dos programas de combate à pobreza eram responsáveis pela melhor atenção dada, globalmente, aos pobres e desprovidos do mundo.

Mesmo no momento da invasão do Iraque, em busca das propaladas “armas de destruição em massa”, Lula havia proposto a continuidade das negociações e declarado que a guerra contra a fome era mais importante que sustentar o complexo industrial-militar norte-americano.

Em 2010, em meio a uma polêmica bastante desinformada no Brasil – quando alguns meios de comunicação nacionais ridicularizaram as propostas de negociação para a contínua crise no Oriente Médio – o jornal israelense Haaretz – um importante meio de comunicação marcado por sua independência – denominou Lula de “profeta da paz”, destacando sua insistência em buscar soluções negociadas para a paz. Enquanto isso, boa parte da mídia brasileira, fazendo eco à extrema-direita israelense, procurava diminuir o papel do Brasil na nova ordem mundial.

Lula, talvez mesmo sem saber, utilizando-se de sua habilidade política e de seu incrível sentido de negociações, repetia, nos mais graves dossiês internacionais, a máxima de Raymond Aron: a paz se negocia com inimigos. As exigências, descabidas e mal camufladas de recusa ás negociações, sempre baseadas em imposições, foram denunciadas pelo presidente brasileiro. Idéias pré-concebidas estabelecendo a necessidade de mudar regimes para se ter a paz ou usar as baionetas para garantir a democracia foram consideradas, como sempre, desculpas para novas guerras. Lula mostrou-se, em várias das mais espinhosas crises internacionais, um negociador permanente. Foi assim na crise do golpe de Estado na Venezuela em 2002 (quando ainda era candidato) e nas demais crises sul-americanas, como na Bolívia, com o Equador e como mediador em crises entre outros países.

Lula negociador
O mais surpreendente é que o reconhecimento internacional do presidente brasileiro não traz qualquer orgulho para a elite brasileira. Ao contrário. Lula foi ridicularizado por sua política no Oriente Médio. Enquanto isso o presidente de Israel, Shimon Perez ou o Grande-Rabino daquele país solicitavam o uso do livre trânsito do presidente para intervir junto ao irascível presidente do Irã. Dizia-se aqui que Lula ofendera Israel, enquanto o Haaretz o chamava de “profeta da paz” e a Knesset (o parlamento de Israel) o aplaudia em pé. No mesmo momento o Brasil assinava importantes acordos comerciais com Israel.

Ridicularizou-se ao extremo a atuação brasileira em Honduras, sem perceber a terrível porta que se abria com um golpe militar no continente. Lula teve a firmeza e a coragem, contra a opinião pública pessimamente informada, de dizer e que “… a época de se arrancar presidentes de pijama” do palácio do governo e expulsá-los do país pertencia, definitivamente, a noite dos tempos.

Honduras teve que arcar com o peso, e os prejuízos, de sustentar uma elite empedernida, que escrevera na constituição, após anos de domínio ditatorial, que as leis, o mundo e a vida não podem ser mudados. Nem mesmo através da expressa vontade do povo! E a elite brasileira preferiu ficar ao lado dos golpistas hondurenhos e aceitar um precedente tenebroso para todo o continente.

Brasil, país no mundo!
Também se ridicularizou a abertura das relações do Brasil com o conjunto do planeta. Em oito anos abriu-se mais de sessenta novas representações no exterior, tornando o Brasil um país global. Os nostálgicos do “circuito Helena Rubinstein” – relações privilegiadas com Nova York, Londres e Paris – choraram a “proletarização” de nossas relações. Com a crise econômica global – que desmentiu os credos fundamentalistas neoliberais – a expansão do Brasil pelo mundo, os novos acordos comerciais (ao lado de um mercado interno robusto) impediram o Brasil de cair de joelhos. Outros países, atrelados ao eixo norte-atlântico e aqueles que aceitaram uma “pequena Alca”, como o México, debatem-se no fundo de suas infelicidades. Lula foi ridicularizado quando falou em “marolhinha”. Em seguida o ex-poderoso e o ex-centro anti-povos chamado FMI, declarou as medidas do governo Lula como as mais acertadas no conjunto do arsenal anti-crise.

Mais uma vez silêncio das elites brasileiras!

Lula foi considerado fomentador da preguiça e da miséria ao ampliar, recriar, e expandir ações de redistribuição de renda no país. A miséria encolheu e mais de 91 milhões de brasileiros ascenderam para vivenciar novos patamares de dignidade social… A elite disse que era apoiar o vício da preguiça, ecoando, desta feita sabendo, as ofensas coloniais sobre “nativos” preguiçosos. Era a retro-alimentação do mito da “pereza ibérica”. Uma ajuda de meio salário, temporária, merece por parte da elite um bombardeio constante. A corrupção em larga escala, dez vezes mais cara e improdutiva ao país que o Bolsa Família, e da qual a elite nacional não é estranha, nunca foi alvo de tantos ataques.

A ONU acabou escolhendo o Programa Bolsa Família como símbolo mundial do resgate dos desfavorecidos. O ultra-conservador jornal britânico The Economist o considerou um modelo de ação para todos os países tocados pela pobreza e o Le Monde como ação modelar de inclusão social.

Mais uma vez a elite nacional manteve-se em silêncio!

Em suma, quando a influente revista, sem anúncios do governo brasileiro, Time escolhe Lula como o líder mais influente do mundo, a mídia brasileira “esquece” de noticiar. Nas páginas internas, tão encolhidas como um vira-lata em dia de chuva noticia-se que Lula “… está entre os 25 lideres mais influentes do mundo”. Errado! A lista colocava Lula como “o mais” influente do mundo.

Agora se espera o silêncio da elite brasileira!

Fonte: cartamaior.com.br

segunda-feira, 24 maio, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 4 Comentários

Redes sociais e o trabalho

Existem diversas redes sociais na internet, entre as mais conhecidas Orkut, Facebook, Myspace e, mais badalado hoje em dia, a Twitter (também classificado como micro-blog). Não é de hoje a conversa sobre acessar esse tipo de media do trabalho ser certo ou errado. Normalmente, por via de regra, todos tem o acesso bloqueado do trabalho para evitar maiores problemas. Porem, nada substitui o bom senso. E Felipe Milanez caiu na malha fina ao publicar o comentário abaixo sobre uma matéria da Veja sobre “A farsa da nação indígena”.

E ai? Quem é Felipe Milanez? Até antes desse comentário era Editor do National Geographic Brasil, E Roberto Civita, dono da editora Abril, não gostou nada disso e demitiu Felipe Milanez. Que acabou chorando no Twitter.

Fonte: idgnow.uol.com.br via ovelho.com

sexta-feira, 21 maio, 2010 Posted by | Comentário, Recados, Repassando... | | Deixe um comentário

E agora, José (Serra)?

Tá começando a corrida presidencial propriamente dita. E embora os competidores estejam apenas no aquecimento, parece que o bicho vai pegar. Diante dos novos fatos das pesquisas eleitorais, o José Serra deve estar lembrando do Drumond de Andrade: _ E agora, José?

Considero a candidata Dilma a melhor, por seu histórico de luta pela democracia, pela honestidade explícita e pela seriedade com que encara a gestão pública. Ao meu ver, sua única deficiência é a falta de jogo de cintura político, aspecto em que ela parece estar melhorando aos poucos, sorrindo mais, assumindo atitudes mais simpáticas em detrimento do seu jeito “sargentão”. E ela tem a seu favor, além de ter sido o um dos principais soldados do governo Lula, o fato de ser uma mulher com possibilidades reais para governar o país. E cá entre nós, acho que tá na hora de tentar um toque feminino nesta vadiagem política que grassa entre os homens deste Brasil! Não que mulheres não sejam também corruptíveis, é que uma mulher séria poderá ver com outros olhos a realidade social da nação e dar continuidade e ampliação às políticas públicas que a sensibilidade social do Lulinha desencadeou…

Bem, muita água ainda vai rolar nesta ribanceira, mas uma boa candidata, com o apoio de um cabo eleitoral com a estatura moral e política do Lula, var dar o que falar…

Leiam a matéria abaixo e sintam o cheiro do que vem por aí…

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Pesquisas põem em xeque a estratégia de Serra

Entre a pele de cordeiro que leva água para o moinho de Lula –e a hidráulica eleitoral faz chegar até Dilma; e a pele de lobo que sanciona o escrutínio plebiscitário e o contrapõe a um Presidente com 83,7% de apoio popular, Serra vive o dilema clássico em que nenhuma solução é boa. Se correr o bicho pega; se ficar o bicho  come. É o que mostra a virada de Dilma nas pesquisas dos últimos dias mas, sobretudo, os dados adicionais do levantamento da CNT/Sensus desta 2º feira, a saber:

a) 60,8% dos brasileiros estão dispostos a votar no candidato à Presidência da República apoiado por Lula –não é o caso de Serra;

b) 55,4% não votariam num candidato que tem o apoio de FHC –é o caso de Serra;

c) Dilma representa, para a maioria dos eleitores (54,6%), a continuidade das políticas econômicas e sociais do governo Lula;

d) 57,1% acreditam que o governo Lula gerou o maior número de benefícios econômicos e sociais desfrutados atualmente pela sociedade. Apenas 17,4% mencionam FHC nesse quesito.

Enfim, mal começou a campanha e Serra já não convence mais ninguém no papel de  ‘continuador’  das políticas de Lula.

Vai para o confronto?

Fonte: cartamaior.com.br

Imagem: www.portalhoje.com/tag/dilma

terça-feira, 18 maio, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Certidão de Quitação Eleitoral: como conseguir facilmente…

Mais uma dica para resolver um perrengue sem sair de casa. E como é ano de eleição esse vai ser útil a muita gente. Você não encontrou mais aquele comprovante da ultima eleição? Fácil, acesse o site do TSE e imprima a certidão de quitação eleitoral online.

Fonte: cirilovelosomoraes.com.br via rodrigostoledo.com

segunda-feira, 17 maio, 2010 Posted by | Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Lula: enfim, a unanimidade!

Lembro-me, como se fosse hoje, do terrorismo político que os partidos de centro-direita fizeram durante a campanha da primeira eleição ganha pelo Lula, em 2010: que ele não era preparado para governar; que a sua eleição colocaria em guarda a economia mundial, ampliando o risco Brasil e limitando a capacidade nacional de atrair investimentos; que ele, no poder, derrubaria todas as conquistas do período FHC; e assim por diante.

Lembro-me também das elites e da classe média ridicularizando o operário que tinha a petulância de aspirar governar o país. Lembro ainda mais da difícil situação econômica e social da nação no primeiro ano de governo Lula, em decorrência do terrorismo político praticado pela oposição durante a campanha. Lembro-me ainda das pressões contra suas políticas sociais e práticas de governo em prol dos mais pobres. E lembro-me mais ainda do escândalo do mensalão, que não puniu ninguém mas foi usado de todas as formas para derrubar o Lula, sem sucesso, pois não encontraram nada contra ele. Inclusive aqui na NET, fervilhavam comunidades orkut’s destinadas única e exclusivamente a escrachar o presidente-operário. Tudo bem. Hoje, oito anos depois, sinto-me de alma lavada e enxaguada por ver confirmadas todas as minhas expectativas em relação à sua capacidade política, sua ideologia socialista (que não significa ser anti-capitalista, embora muitos assim considerem) e sua capacidade de gestor governamental. Com índices permanentes de aprovação nacional acima dos 80%, cotado para dirigir a ONU após deixar a presidência, eleito figura mundial mais popular por pesquisas internacionais, e agora (pasmem!) considerado “acima do Bem e do Mal” por nada mais nada menos que o adversário político José Serra!

É amigos, como sempre digo, o inferno é aqui mesmo… E como dizia o colunista social Ibrahim Sued, décadas atrás: os cães ladram e a caravana passa…

Lembrei-me de tudo isso porque meu amigo Carlos Germer enviou-me o discurso feito pelo presidente na reunião do Diálogo Brasil-África, onde ele tece interessantes considerações sobre sua experiência como governante e descortina as pressões que sofreu para não trilhar o caminho escolhido. É um relato histórico-didático e de improviso (o que lhe dá mais consistência ideológica), que cada brasileiro deveria ler. Como o citado discurso é muito longo, preferi repassar os trechos mais importantes. Quem quiser ler na íntegra é só acessar o link apresentado no final.

Leiam e meditem…

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No dia 10 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a realização da reunião Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, em Brasília, para fazer um balanço das políticas sociais implementadas pelo governo brasileiro nos últimos anos. Lula falou sobre as dificuldades, resistências e preconceitos enfrentados no início e sobre como os resultados de hoje mostram o acerto do caminho adotado. Após receber o prêmio da ONU “Campeão do Mundo na Batalha Contra a Fome”, o presidente lembrou que foi o consumo das classes menos favorecidas um dos responsáveis pelo fortalecimento da economia nacional, que se descolou do cenário internacional e sofreu menos com os efeitos da crise econômica mundial.

“A classes D e E do Norte e do Nordeste consumiram mais que as classes A e B do Sul e Sudeste, ou seja, os pobres foram à luta para comprar. (…) O que nós fizemos foi garantir um pouquinho para muita gente. E os pobres, que antes ficavam à margem, viraram gente de classe média e compraram coisas que só parte da classe media podia comprar”, destacou Lula. O presidente resumiu assim as dificuldades enfrentadas no início da implementação de programas como o Bolsa Família:

“Tinha gente que falava assim para mim: “Por que o presidente Lula vai criar o programa Fome Zero, gastar R$ 12 bilhões se isso daria para fazer pontes, fazer estradas?” Na verdade, daria para fazer pontes e fazer estradas. Mas naquele momento, o mais importante do que uma ponte era colocar comida na barriga de uma criança, era colocar comida na barrida de uma mulher ou de um homem que estava fragilizado. E a gente não poderia vacilar entre os discursos daqueles que são contra e a realidade. O dado concreto é que passados alguns anos veio a crise econômica mundial e ficou provada uma coisa, para que os pesquisadores publiquem por muito tempo: foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à crise dos países ricos…”

“A gente pensa de acordo com o chão que os nossos pés pisam”.
Eu queria, antes, agradecer o prêmio que eu recebi. Eu penso que cada dirigente, no mundo, ou melhor, cada um de nós, a gente pensa de acordo com o chão que os nossos pés pisam. Se os dirigentes políticos do mundo não estiverem, cotidianamente, comprometidos com as pessoas que estão em pior situação no seu estado e no seu país, fica mais difícil a gente tomar decisão em benefício dos mais pobres. A verdade é que, normalmente, nós somos eleitos pelos mais pobres, mas quando a gente ganha as eleições, quem tem acesso ao gabinete dos dirigentes não são os mais pobres, são os mais ricos. E, muitas vezes, o orçamento da União é feito para aquelas pessoas na sociedade que já estão organizadas e que, portanto, fazem uma pressão sobre o governo, e o orçamento é dividido normalmente para a parte organizada da sociedade e, quando a gente vai ver, não sobra nada para a gente fazer política para aqueles que não têm sindicato, para aqueles que não vão à capital, para aqueles que não fazem passeata, para aqueles que não têm sequer o direito de protestar porque não têm como protestar.

Esse é um desafio que está colocado para as gerações de dirigentes do século XXI: é ter claro que o combate à pobreza só será vencido se houver determinação, se houver uma determinação de prioridade na política orçamentária de cada país, de tratar a questão da fome como coisa prioritária. Se a gente esperar sobrar dinheiro no orçamento para cuidar da fome, nunca vai sobrar, porque os que têm acesso ao orçamento são gananciosos e querem todo o dinheiro para eles, e não fica nada para os pobres. Essa é uma experiência muito rica que eu vivi aqui no Brasil.

A segunda coisa importante, meu caro Diouf, é que os dirigentes políticos do mundo precisam definir que não tem nada mais importante para cada país, não tem nada mais importante para cada povo do que a segurança alimentar, como a forma mais extraordinária de garantir a soberania e a autodeterminação dos povos. Se um país tiver a arma mais poderosa que tiver, mas ele não tiver a comida de cada dia, do seu povo, plantada no seu território ou comprada fora, esse país não tem soberania.

“Quem tem fome não pensa, a dor do estômago é maior do que muita gente imagina”.

Então, a segurança alimentar precisa ser vista como uma questão de soberania de cada país. Nós temos que garantir a cada cidadão do nosso país que ele possa ter o café da manhã, o almoço e a janta todos os dias, porque isso é o que permite às pessoas terem tempo de pensar no que fazer no dia seguinte. Quem tem fome não pensa, a dor do estômago é maior do que muita gente imagina. E as pessoas que têm fome não viram revolucionárias, elas viram submissas, elas viram pedintes, elas viram dependentes. Portanto, a fome não faz o guerreiro que nós gostaríamos que fizesse. A fome faz um ser humano subserviente, humilhado e sem forças para brigar contra os seus algozes, que são responsáveis pela fome.

Normalmente, a campanha é feita, todo mundo defendendo os pobres, até o rico que é candidato. O problema é que na hora de governar, o pobre sai da agenda e o rico permanece na agenda. São eles que indicam ministros, são eles que indicam assessores, ou seja, são, na maioria das vezes, eles que determinam a política que você tem que fazer.

.“Foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à chamada crise dos países ricos”.
O dado concreto é que passados alguns anos veio a crise econômica mundial e ficou provada uma coisa, para que os pesquisadores publiquem por muito tempo: foi a capacidade de consumo dos pobres que fez a economia brasileira resistir à chamada crise dos países ricos. Os pobres do Norte brasileiro e do Nordeste consumiram mais. As Classes D e E do Norte e do Nordeste consumiram mais do que as classes A e D da região Sul e Sudeste. E os pobres foram à luta comprar coisas que, até então, eles não estavam habituados a comprar. Porque quem tem muito dinheiro, quem tem muito dinheiro dá US$ 30, US$ 40 de gorjeta, depois de tomar dez uísques no restaurante. Mas quem não tem nada e pega US$ 40, é capaz de levar comida para seus filhos comerem durante 20 dias ou 30 dias, é capaz de fazer a multiplicação dos pães, é capaz de garantir o sustento de uma família. Esse é um dos milagres que aconteceram neste país.

Neste país, eles diziam: “Nós não podemos aumentar o salário mínimo, porque o salário mínimo vai causar inflação”. Quando nós chegamos aqui, o salário mínimo – se eu não estiver enganado – comprava 1,4 cesta básica. Hoje está comprando 2,4 cestas básicas, ou seja, praticamente, o dobro, e a inflação está totalmente controlada.

O problema é simples: pouco dinheiro na mão de muitos é distribuição de riqueza; muito dinheiro na mão de poucos é concentração de riqueza. Então, o que nós fizemos foi garantir um pouquinho para muita gente, e os pobres, que antes ficavam à margem, viraram gente de classe média, começaram a frequentar shopping centers, começaram a comprar coisas que antes só uma parte da sociedade podia comprar.

Esse é um dos milagres das coisas que aconteceram aqui no Brasil, mediante também muitas outras políticas. Eu, hoje, sou um homem convencido de que o problema nosso não é apenas a questão de dinheiro. Dinheiro é sempre muito importante, dinheiro é sempre muito importante, mas o problema maior nosso é a falta de definição de prioridades. O problema nosso, às vezes, é a falta de projeto, e o problema nosso, às vezes, é a falta de focar aquilo que é prioridade.

O Brasil, na década de 70, tinha uma extraordinária assistência técnica na agricultura brasileira e, no final dos anos 90, toda a assistência técnica estadual tinha, praticamente, com raríssimas exceções, sido dizimada. Nós precisamos reconstruir, porque senão a agricultura familiar não sobrevive. E eu tenho verdadeira ojeriza ao discurso da agricultura de subsistência, tenho verdadeira ojeriza. Dizer para um agricultor: “Você tem que plantar a sua mandioquinha, você tem que plantar o seu milhozinho, você tem que plantar o seu arrozinho”, só para comer? Não! Nós precisamos mostrar que ele tem direito ao acesso à tecnologia, que ele tem que ter direito ao acesso a crédito para ele produzir com mais escala, para, além de comer, ele poder ter um dinheiro e ter acesso a outros bens, senão o homem não fica no campo. O velho fica, mas a juventude não fica no campo, porque as luzes da cidade são uma paixão para a juventude. Entre ficar ouvindo um grilo cantar ou a luz de um vagalume a nos clarear, na porta de um cinema no centro da cidade, com tanta coisa bonita acontecendo lá, é uma paixão a que nenhum jovem resistirá. E ele só vai ficar no campo na hora em que a gente criar as condições para que ele possa ficar no campo.

Link:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16590&boletim_id=696&componente_id=11668

sábado, 15 maio, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário