Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Serra: ladeira escorregadia, com cascas de bananas no trajeto.

Decididamente, a notícia abaixo é a última coisa de que a candidatura Serra precisava, no atual cenário. Pra quem já está descendo a Ladeira do Desespero, os dados abaixo representam cascas de banana esparramadas no trajeto, por demais perigosas. Para uma oposição politicamente conservadora, terrorista, preconceituosa e oportunista (como a formada pelos demotucanos e seus penduricalhos), ter dados que contradizem tudo que eles falam da gestão Lula, é dose pra leão, a estas alturas do campeonato. Claro que os reacionários nacionais vão afirmar, na maior cara-de-pau, que estes dados são invenções do governo Lula, para enganar o eleitorado. Mas eles sabem que os dados são reais e que não têm um contraditório crível para contrapor, a não ser a batida e cansada desculpa da armação petista. Repito um dos meus chavões prediletos: o inferno é aqui mesmo.

Não se assuste, Serra, pois a coisa pode piorar…

PIB pode crescer 7,3%. Adeus, roda presa!

quarta-feira, 30 junho, 2010 às 16:02

O crescimento da economia brasileira pode chegar a 7,3% este ano, segundo previsão do Banco Central, publicada em O Globo. E antes que os defensores do Brasil da roda presa, aqueles que afirmavam que o potencial de nosso PIB não passava de 3%, arregalem os olhos com o número, o próprio BC não mostra preocupação excessiva com a inflação.

O índice de 7,3%, o maior do país desde os anos 70, quando a economia chegou a crescer mais de 10%, é uma confirmação do que vinha sendo sinalizado com o crescimento de 9% do PIB no primeiro trimestre. A indústria teve uma expansão de 14,6% no primeiro tri, a maior desde o início da série histórica, em 1996, recuperando o patamar pós-crise.

E junto com a indústria estão os investimentos, o consumo e o crédito. O BC subiu ligeiramente a estimativa de inflação, de 5,2% para 5,4%, não muito acima da meta oficial, o que não assusta uma economia do tamanho da brasileira.

O Brasil prova a cada estimativa revista para cima que superou a crise que abalou o mundo em 2008 e cresce sem medo de ser feliz. O país da roda presa é cada vez mais parte do passado e vem sendo atropelado por outra roda, maior e inevitável, a roda da história.

Fonte: Tijolaço.com

quarta-feira, 30 junho, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Mídia x Mídia: confronto que está fazendo falta por aqui…

Imerso e impotente politicamente em um cenário brasileiro onde a grande mídia capturou a liberdade de informação e estrangulou a opinião pública com suas verdades unilaterais, gostei de ter lido sobre a atual experiência argentina onde um canal de TV exerce crítica e auto-crítica sobre o que é divulgado pela grande imprensa. E embora os poderosos de lá critiquem o fato da iniciativa ser governamental, a história mostra que nada nas sociedades humanas nascem sem uma motivação original e a reportagem mostra que os autores do programa também cortam na própria carne, indo além da mera contra-informação a que estamos acostumados por aqui. E a audiência crescente do programa demonstra o seu eco junto à população civil marginalizada da esfera do poder político.

Ah! Como seria bom ter uma programa destes por aqui! Iríamos bem além das lutas persistentes (mas limitadas pelos poderosos) das denúncias na pequena imprensa e na NET. Mas a roda continua girando, amigos e as cornetas (ou seriam vuvuzelas?) da sociedade civil politicamente marginalizada estão minando os muros da Jericó onde entrincheiraram-se os donos-da verdade-única da imprensa nacional.

A reportagem é longa, mas vale uma leitura completa…

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TV Pública inteligente e polêmica questiona monopólio da mídia

Fonte: cartamaior.com.br

O programa “6,7,8”, da TV Pública argentina, desnuda os interesses por trás do noticiários dos grandes meios de comunicação do país. O programa bate pesado nos grandes jornais, rádios e TVs, desmascarando seus interesses, suas manipulações grosseiras e seu falso distanciamento ao noticiar e comentar os principais fatos políticos, sociais e econômicos. E bate de frente com os jornalistas que fazem o papel de porta-vozes desses interesses, principalmente aqueles articulistas que, do alto de uma pretensa “autoridade” jornalística, se dedicam a defender os interesses do patrão. O artigo é do historiador Flamarion Maués.

Flamarion Maués

Voltei de Buenos Aires recentemente. Estive na cidade por alguns dias e uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a forte polarização política que existe lá e em todo o país. De um lado, setores do governo, peronistas de diversos matizes, setores da esquerda e a maior parte da população mais pobre, que apoiam o governo da presidenta Cristina Fernandez de Kirchner. De outro, a oposição, composta por diversos partidos, inclusive setores do peronismo, pelos dirigentes do “campo” (agropecuária) e por quase toda a grande imprensa, capitaneada pelos jornais Clarín e La Nación, os dois maiores do país e donos de canais de TV e rádios. O nível de conflito político é alto, talvez maior do que o nosso nesse período já quase eleitoral, sendo que lá a eleição é só no ano que vem.

Uma das frentes mais radicalizadas nesta disputa é justamente a dos meios de comunicação. A presidenta Kirchner comprou a briga com os grandes grupos que monopolizam a mídia no país, e está batendo de frente com eles. Aprovou no Congresso a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual, mais conhecida como “Ley de medios”, que só não entrou ainda em vigor porque os grandes grupos monopolistas e os setores políticos que os apoiam estão usando todos os recursos jurídicos possíveis para evitar que isso ocorra. Mas tudo indica que a lei, que fere de morte os privilégios que estes grupos têm hoje, controlando TVs (aberta e a cabo), rádios, jornais, internet etc., vai mesmo começar a vigorar ainda este ano. Com a nova lei, simplesmente não poderá mais haver grupos de sejam proprietários de todos estes meios ao mesmo tempo, nem em nível local e muito menos em nível nacional. No Brasil, por exemplo, seria uma lei que atingiria fortemente o poder da Globo.

Um dos elementos mais interessantes nesta batalha que vem sendo travada contra os grandes grupos que controlam a mídia é o programa televisivo “6,7,8”, exibido diariamente pela TV Pública (do governo federal). Trata-se de um programa dedicado, segundo seu apresentador, Luciano Galende, a fazer “uma resenha crítica dos meios de informação na Argentina”. O programa é muito bem feito, e bate pesado nos grandes jornais, rádios e TVs, desmascarando seus interesses, suas manipulações grosseiras e seu falso distanciamento ao noticiar e comentar os principais fatos políticos, sociais e econômicos. E bate de frente com os jornalistas que fazem o papel de porta-vozes desses interesses, principalmente aqueles articulistas que, do alto de uma pretensa “autoridade” jornalística ou profissional, se dedicam a defender os interesses do patrão, do grande capital, dos reacionários etc. Se compararmos ao Brasil, seriam as mírians l Continue lendo

quarta-feira, 30 junho, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 1 Comentário

Um dia sem a Globo (II)

Atenção, galera!

27 de junho: Os primeiros comentários jornalísticos na NET indicam uma queda de 3% na audiência da Globo, durante o jogo Brasil e Portugal, em relação aos dois jogos anteriores (vejam no link abaixo)! Dirão alguns que 3% não é nada, mas para um movimento expontâneo da juventude e outros civis (“um dia sem a Globo”) significa muito! Parabéns aos jovens twiteiros! Continuem!

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16727

domingo, 27 junho, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , | 1 Comentário

Brasil, Lula e Dilma: a mosca na sopa global

Andei lendo sobre a viagem da Dilma à Europa e cheguei a algumas questões e conclusões interessantes. A primeira questão é: porque esta viagem, que incluiu visitas a ministros de estado dos países ditos desenvolvidos e abordou questões de desenvolvimento que incluem o nosso país, foi tão pouco divulgada na mídia? Não é preciso ir muito longe nem gastar neurônios para descobrir a razão, né? Pelo menos três explicações se apresentam:

1. A Dilma não é a candidata dos poderosos nacionais e, por tabela, da grande imprensa que reflete estes interesses na formação da opinião pública;

2. Ela conseguiu legitimidade internacional à sua candidatura, sem ter ao seu lado o Lula (“o cara” que é seu padrinho), o que a torna mais perigosa, por começar a voar com as próprias asas;

3. Os questionamentos feitos pelos europeus, em interesse próprio, demonstraram que não só o Brasil está fugindo das suas influências globalizantes, como se tornou um mau exemplo de rebeldia político-econômica, por estar está ajudando a romper o menu da dominação dos imperialistas junto aos países em desenvolvimento. E a constatação explícita neste fato, não interessa aos dominadores internos divulgar, já que reforça o artífice da mudança e sua candidata.

Duvidam? Então vamos aos fatos não divulgados pela grande imprensa…

Nos contatos formais da Dilma na UE, a pergunta mais sintomática foi: porque o Brasil deu um reajuste de 7,7% aos aposentados, na contramão de tudo o que está sendo programado e feito na União Européia (congelamento ou redução de salários, limitação de pensões e aposentadorias, suspensão de subsídios ao consumo da classe média e dos pobres, fim de auxílios sociais às mães solteiras, e dos investimentos no pequeno e médio negócio). É simples, amigo: quem está em crise são eles (deram um tiro no pé com suas bolhas especulativas e que anteriormente sempre estouravam abaixo da linha do Equador), não nós. E por ter no poder um governo com preocupações sociais, nós podemos, pelo menos, manter os avanços sociais existentes. Mas, sobre a ótica deles, este foi um péssimo exemplo, que complicará entre eles a aplicação interna da receita maldita que estrangulou a América Latina nos anos 80 e a Ásia na década de 90.

Confirmando isso, vejam este comentário do Carta Maior (os grifos são meus): “duas semanas atrás o economista Frederick Jaspersen, diretor para a América Latina no Institute of International Finance, uma organização criada em 1983 por 38 grandes bancos de atuação em escala mundial logo depois da crise da dívida latino-americana, previu a vitória de Dilma Rousseff nas eleições de outubro (o otimismo/pessimismo fica por conta dele). E acrescentou que isso era péssimo, porque significava aumentos dos “gastos” públicos, política industrial centrada em estatais, pressão política sobre as agências regulatórias (ou desregulatórias, para nós). Ao contrário, disse ele, a vitória de Serra significaria endurecimento no controle fiscal (leia-se, menos investimentos sociais), ênfase no setor privado (leia-se, transferência de verbas públicas para as empresas privadas) e uma política tributária para encorajar investimentos privados (leia-se, carga tributária regressiva na renda e progressiva no consumo)”.

É preciso dizer mais alguma coisa?

Pois é, amigos, além do respeito ganho como nação, passamos também a ser a mosca na sopa da União Européia e do Tio Sam. O que provocou admiração (os nossos avanços internos e  a superação da “marolinha” da crise mundial) passou a gerar perplexidade e preocupação (o nosso caminho sócio-econômico próprio, na contramão do figurino do FMI, que deu certo e ameaça recuperação imperialista). E pior, além de começar a cortar o cordão umbilical da dominação externa, pode contaminar países similares com o vírus da rebeldia política e da criatividade interna.

Cá entre nós: é por demais prazeroso vê-los obrigados a tomar, em engulhos e reclamações, a sopa que sempre nos serviram como “mães extremosas” (toma filhinho, pra vc crescer forte!). O inferno é aqui mesmo…

sexta-feira, 25 junho, 2010 Posted by | Comentário | , , , , | 1 Comentário

Dia Sem a Globo? Tô nessa!

Leiam a matéria que repasso a seguir e vejam como a sociedade civil pode e deve peitar a estrutra de dominação em qualquer das suas várias expressões, incluindo aí aquelas maquiadas de tons ditos democráticos. E o caso da Globo em relação ao Dunga é um destes exemplos clássicos. Gostei de ver o Dunga enfrentar a mídia global e até o Roberto Teixeira, sem medir as consequências que possam advir para ele. Adorei ver a meninada brasileira twuitar a iniciativa de assistir o jogo do Brasil amanhã, em outro canal que não a Globo. E tô nessa!!!

Leiam, lembrem-se da nossa juventude rebelde e participem. Viva o Dunga e a juventude, independente do resultado do jogo de amanhã. Se ganharmos melhor. Se perdermos o jogo teremos dado uma lição à presunçosa da Vênus Platinada…

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Do blog Tijolaço: http://www.tijolaco .com/

Não é sobre futebol, é sobre tirania e juventude

terça-feira, 22 junho, 2010 às 10:48

Esta madrugada “bombou” no twitter a palavra de ordem #diasemglobo, que estimula as pessoas a verem o jogo entre Brasil e Portugal, sexta-feira, em qualquer emissora que não a Globo.
Não é uma campanha de “esquerdistas” , de “brizolistas”, de “intelectuais de esquerda”.
É a garotada, a juventude.
Também não é uma campanha inspirada na popularidade de Dunga, que nunca tinha sido nenhuma unanimidade nacional.
Na verdade, isso só está acontecendo porque um episódio sem nenhuma importância – um tecnico de futebol e um jornalista esportivo terem um momento de hostilidade – foi elevado pela própria Globo à condição de um “crime de insubordinação” inaceitável por ela.
As empresas Globo ontem, escandalosamente, passaram o dia pressionando a FIFA por uma “punição” a Dunga. Atônitos, os oficiais da FIFA simplesmente perguntavam: “mas, por que?”
A edição do jornal do grupo Globo, hoje, só não beira o ridículo porque mergulha nele, de cabeça.
O ódio a qualquer um que não abaixe a cabeça e diga “sim,senhor” a ela é tão grande que ela não consegue reduzir o episódio àquilo que ele realmente foi, uma bobagem insignificante.
Não, ela se levanta num arreganho autoritário e exige “punição exemplar” para técnico da seleção.Usa, logo ela, uma emissora de tanta história autoritária e tão pródiga em baixarias, a liberdade de imprensa e os “bons modos” como pretextos, como se isso ferisse seus “brios”.
Há muita gente bem mais informada do que eu em matéria de seleção que diz que isso se deve ao fato de Dunga ter cortado os privilégios globais no acesso aos jogadores.
E que isso lhe traria prejuízos, por não “alavancar” a audiência ao longo do dia.
Lembrei-me daquele famoso direito de resposta de Brizola à Globo, em 1994.

Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos que dominou o nosso país.
Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios.É apenas o temor de perder o negócio bilionário que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Pois o arreganho autoritário da Globo, mais do que qualquer discurso, evidenciou a tirania com que a emissora trata o evento esportivo que mais mobiliza os brasileiros mas que, para ela, é só um milionário negócio.

Dunga não é o melhor nem o pior técnico do mundo, nunca foi um ídolo que empolgasse multidões. A sociedade dividia-se, como era normal, entre os que o apoiavam, os que o criticavam e os que apenas torciam por ele e pela seleção.

A Globo acabou com esta normalidade. Quer apresentá-lo como um insano, um louco incontrolável. Nem mesmo se preocupa com o que isso pode fazer no ambiente, já naturalmente cheio de tensões, de uma seleção em meio a uma Copa do Mundo. Ela está se lixando para o resultado deste episódio sobre a seleção.

De agora em diante, a Globo fará com Dunga como que fez, naquela ocasião, com a Passarela do Samba,  como descreveu  Brizola naquele “direito de resposta”: “quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca.”

Vocês verão – ou não verão, se seguirem a campanha #diasemglobo – como, durante o jogo, os locutores (aquele um, sobretudo) farão de tudo para dizer que a Globo está torcendo para que o Brasil ganhe o jogo. Todo mundo sabe que, quando se procura afirmar insistentemente alguma coisa que parece óbvia, geralmente se está mentindo.

Eu disse no início que esta não é uma campanha dos políticos, dos intelectuais, da “esquerda” convencional. Não é, justamente, porque estamos, infelizmente, diante de um quadro em que a parcela políticamente mais “preparada” da sociedade desenvolveu um temor reverencial pelos meios de comunicação, Globo à frente.

Políticos, artistas, intelectuais, na maioria dos casos – ressalvo as honrosas exceções – têm medo de serem atacados na TV ou nos jornais. Alguns, para parecerem “independentes e corajosos” até atacam, mas atacam os fracos, os inimigos do sistema, os que se contrapõem ao  modelo que este sistema impôs ao Brasil.

Ou ao Dunga, que acabou por se tornar um gigante que nem é, mas virou, com o que se faz contra ele.

Eu não sei se é coragem ou se é o fato de eu ser “maldito de nascença” para eles, mas não entro nessa.

O ue a juventude está fazendo é o que a juventude faz, através dos séculos: levantar-se contra a tirania, seja ela qual for.

Levantar-se da sua forma alegre, original, amalucada, libertária, irreverente e, por isso mesmo, sem direção ou bandeiras “certinhas”, comportadas, convencionais.

A maravilha do processo social aí está. Quem diria: um torneio de futebol, um técnico, uma rusga como a que centenas ou milhares de vezes já aconteceu no esporte, viram, de repente, uma “onda nacional”.

Uma bobagem? Não, nada é uma bobagem quando desperta os sentimentos de liberdade, de dignidade, quando faz as pessoas recusarem a tirania, quando faz com que elas se mobilizem contra o poder injusto. Se eu fosse poeta, veria clarins nas vuvuzelas.

Essa é a essência da juventude, um perfume que o vento dos anos pode fazer desaparecer em alguns, mas que, em outros, lhes fica impregnado por todas as suas vidas.

E a ela, a juventude, não derrotam nunca, porque ela volta, sempre, e sempre mais jovem. E é com ela que eu vou.

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Atenção, galera!

27 de junho: Os primeiros comentários jornalísticos na NET indicam uma queda de 3% na audiência da Globo, durante o jogo Brasil e Portugal, em relação aos dois jogos anteriores (vejam no link abaixo)! Dirão alguns que 3% não é nada, mas para um movimento expontâneo da juventude e outros civis (“um dia sem a Globo”) significa muito! Parabéns aos jovens twiteiros! Continuem!

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16727

quinta-feira, 24 junho, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | 2 Comentários

De repente, uma descoberta obssessiva…

Curiosidades…

Se você ficar gritando por 8 anos, 7 meses e cinco dias, terá produzido energia sonora suficiente para aquecer uma xícara de café.
(Não parece valer a pena.)

Se você peidar constantemente durante 6 anos e 9 meses, terá produzido gás suficiente para criar a energia de uma bomba atômica.
(Agora sim!)

O coração humano produz pressão suficiente para jorrar o sangue para fora do corpo a uma distância de 10 metros.
(Uau!)

O orgasmo de um porco dura 30 minutos.
(Na minha próxima vida, quero ser um porco!)

Uma barata pode sobreviver 9 dias sem sua cabeça até morrer de fome.
(Ainda não consegui esquecer o porco)

Bater a sua cabeça contra a parede continuamente gasta em média 150 calorias por hora.
(Não tente isso em casa; talvez no trabalho!)

O louva-deus macho não pode copular enquanto a sua cabeça estiver conectada ao corpo. A fêmea inicia o ato sexual arrancando-lhe a cabeça.
(‘Querida, cheguei! O que é is…..’)

A pulga pode pular até 350 vezes o comprimento do próprio corpo. É como se um homem pulasse a distância de um campo de futebol.
(Trinta minutos…que porco sortudo! Dá pra imaginar?)

O bagre tem mais de 27 000 papilas gustativas.
(O que é que pode haver de tão saboroso no fundo de um rio?)

Alguns leões se acasalam até 50 vezes em um dia.
(Ainda prefiro ser um porco na minha próxima vida…qualidade é melhor que quantidade!)

As borboletas sentem o gosto com os pés.
(Isso eu sempre quis saber)

O músculo mais forte do corpo é a língua.
(Hmmmmmmmm…)

Pessoas destras vivem em média 9 anos mais do que as canhotas.
(E se a pessoa for ambidestra?)

Elefantes são os únicos animais que não conseguem pular.
(E é melhor que seja assim!)

A urina dos gatos brilha quando exposta à luz negra.
(E alguém foi pago para descobrir isso?!)

O olho de um avestruz é maior do que o seu cérebro.
(Conheço gente assim)

Estrelas-do-mar não têm cérebros.
(Conheço gente assim também)

Ursos polares são canhotos.
(Se eles começarem a usar o outro lado, viverão mais)

Seres humanos e golfinhos são as únicas espécies que fazem sexo por prazer.
(E aquele porco???) OBS: há um estudo que identificou primatas que fazem parte desse grupo de sem-vergonhice, que nao sao humanideos(sao macaquideos…rsrsrsrsrs)!

Agora que você já deu pelo menos uma risadinha, é hora de mandar esses fatos malucos para alguém que mereça rir também, ou seja… TODO MUNDO!

(E o porco???)

quinta-feira, 24 junho, 2010 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Serra: inicia-se a Ladeira do Desespero…

Quatro dias atrás, postei aqui um comentário (com base no cartamaior.com) sobre a ladeira à vista que a candidatura Serra já visualizava, antes da publicação das pesquisas apresentadas abaixo. E ela surgiu mais rápido que o esperado. Hoje, com a Dilma assumindo a frente, o próprio PSDB desagrega-se internamente (mais do que já estava), em busca de uma saída viável. E nessa busca, amigos, tudo pode rolar… Creio até que o terrorismo político feito por eles em 2002 será fichinha perto do que eles poderão aprontar neste momento em que se apresenta mais um mandato petista no horizonte (e com a possibilidade de mais quatro, pela reeleição, ou pior ainda, se o Lula resolver se candidatar em 2014 ou 2018). Não tenham dúvida, esta campanha tem tudo para ser uma das mais sujas da história, pois como eles não têm mais o fantasma da incompetência e do caos governamental para apresentar no palco político, tudo será feito no plano dos ataques pessoais (o factóide do dossiê petista criado pelos demotucanos é apenas uma amostra).

Dêm uma olhadinha nas postagens abaixo (retiradas do tijolaço.com) e vejam a situação eleitoral atual e seus efeitos no ninho tucano (e por tabela no canil do DEM).

Não dá pra segurar. Ibope: Dilma 40% x Serra 35%

quarta-feira, 23 junho, 2010 às 16:10

O Ibope, enfim, chegou lá. Depois de manobras de contorcionismo para negar a vantagem de Dilma, já apontada por outras sondagens, o instituto finalmente teve que se curvar às evidências.

Na pesquisa CNI-Ibope que acaba de ser divulgada, Dilma Roussef aparece com 40% das intenções de voto para Presidente, contra 35% de José Serra e 9% de Marina Silva. Na última pesquisa, divulgada no último dia 5, havia empate de 37% entre os dois candidatos, embora tudo já indicasse que Dilma estivesse na dianteira.

A pesquisa foi feita de 20 a 22 desse mês em 141 municípios com 2.002 eleitores, depois que Serra, ferindo a lei, apareceu como estrela principal nos programas do DEM e do PPS. O programa partidário do PSDB também contribuiu para uma maior exposição de Serra, mas nada disso teve efeito.

O Ibope já sabia muito bem do crescimento de Dilma e isso vinha levando seu presidente Carlos Augusto Montenegro a mudar de opinião constantemente. Ele, que já havia dito que Lula não faria seu sucessor e que Serra era o favorito, teve que amenizar o discurso e reconhecer no início desse mês que a eleição poderia ser decidida no primeiro turno, a favor de Dilma ou Serra. Foi só para não passar recibo de suas previsões de torcedor. Em breve, ele terá que apontar Dilma como a única capaz de vencer no primeiro turno.

FHC diz que Serra vai mal e quer ajudar. Ajuda, vai…

quarta-feira, 23 junho, 2010 às 15:47

O Dalai Lama do tucanato, Fernando Henrique Cardoso,  percebeu que a candidatura de Serra não emplaca. Nota na coluna de Mônica Bergamo, na insuspeita Folha de S.Paulo, afirma que até FHC  tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de Serra vencer a eleição presidencial.

O ex-presidente teria confidenciado sua descrença a um interlocutor de sua alta confiança, segundo a nota, e o motivo seria o próprio candidato. O autoritarismo de Serra, seus rompantes com jornalistas e a falta de diálogo com os aliados estão ajudando a afundar a candidatura que chegou a iludir os tucanos sobre uma possível volta ao poder.

“E olha que estou tentando ajudar”, disse o ex-presidente, do alto da sua popularidade inquestionável…

No início desse mês, a cúpula do PSDB, convocada por FHC, já tentou dar um novo rumo à campanha de Serra, mas não conseguiu. Até tradicionais aliados, como o jornal O Globo, já se revoltaram contra seu comportamento e declarações. Hoje mesmo o jornal carioca faz um editorial contra suas eventuais idéias fora da ortodoxia do mercado que representa.

O desânimo de FHC é de todo o tucanato, no qual já tem muita gente abandonando o barco para cuidar da própria candidatura.

quinta-feira, 24 junho, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , | 1 Comentário

Direitos humanos, amnésia coletiva e lateralidade cultural no Brasil

A questão dos direitos humanos entre nós, tão antiga quanto a mais antiga das profissões, parece destinada a ter o mesmo fim: todo mundo sabe, todo mundo conhece, a imensa maioria condena publicamente, ciclicamente vira centro das atenções político-sociais, mas pouco se faz de concreto para eliminar estas práticas e punir exemplarmente os seus praticantes e beneficiários. Ao longo da nossa história, apenas restaram os mortos, humilhados e marginalizados, esquecidos pela ação do tempo em nossa memória coletiva, enquanto os seus praticantes e mandantes se recolhem estrategicamente nas penumbras do poder, esperando novas oportunidades.

Temos uma longa tradição de acobertamento de massacres e seus executores…

Foi assim a 164 anos atrás, quando da traição do general David Canabarro (um dos líderes  da Guerra dos Farrapos)  e do comandante Duque de Caxias, que vitimou entre 600 a 700 negros farroupilhas. (www.anovademocracia.com.br/index.php?…task…)

Foi assim na guerra travada contra o Paraguai, entre 1864 e 1870, onde o Duque de Caxias liderou o genocídio de 76% dos habitantes daquele país (id ibid).

Foi assim nos massacre do quilombo de Palmares (o mais famoso entre tantos), exterminando homens, mulheres e crianças que apenas queriam ser livres.

Foi assim no massacre de Canudos (relatado por Euclides da Cunha e romanceado por Vargas Losa), onde pobres organizados em torno de um beato foram massacrados pelo cerco que os impediam de buscar qualquer tipo de alimento (e muitos morreram de fome), seguido de ataque armado desproporcional no qual não foram poupados sequer os idosos, as mulheres e as crianças.

Foi também assim, no injustificável e mórbido massacre, degola e exposição pública do grupo de Lampeão, nas margens do Velho Chico, onde os executores foram decantados pelo poder como heróis.

Mais recentemente, tivemos a repressão militar da ditadura de 1964, que ao final de tudo inventou uma “anistia ampla, geral e irrestrita” que, em conivência com a classe política “democrática”, jogou ao erário público a obrigação de indenizar materialmente os torturados e desaparecidos (estes através das famílias), criando um novo paradigma: os torturadores massacram, ficam impunes e a sociedade civil paga pelo prejuízo.

Mais recentemente, tivemos o massacre do Carandiru…

Estes são apenas alguns dos inúmeros fatos, para reavivar nossa frágil memória social. Enfim, somos chegados ao obscurantismo democrático que apelidamos, para o bem e para o mal, de “jeitinho brasileiro”… Chegados à lateralidade cultural (conforme descrita por Leonardo Boff) levada às últimas consequências: ignorar o fato, varrer para debaixo do tapete da história aquilo que não se deseja enfrentar.

Neste cenário desolador, tenho visto com bons olhos a teimosia da sociedade portenha em esclarecer, identificar e punir as violações dos direitos humanos durante a ditadura militar, contemporânea à nossa. Teimosia que perdura há décadas, já tendo pego peixes graúdos, tanto nos cardumes militares quanto nos civis. E a este respeito, repasso a vocês a matéria do Carta Maior.com.br

Por lá, parece que o buraco é mais embaixo…

Imagem:bahianoticias.com.br/…/2010/4/28/noticia.html

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Uma velha dívida que a Justiça começa a saldar.

Alguns já foram condenados, outros estão sendo julgados em oito processos, atualmente em curso, e nas próximas semanas haverá cinco novos processos em marcha. O jornal Pagina 12 traz um informe completo da marcha da Justiça argentina com respeito às violações dos direitos humanos durante a ditadura militar. Em várias cidades do país, acusados de tortura e assassinato estão enfrentando julgamentos.

Alejandra Dandan – Pagina12

Abre-se uma nova etapa de sustentações orais nos julgamentos dos delitos de lesa humanidade. Com a acumulação de causas e a perspectiva do início demorado das sustentações orais em Mendoza, nas próximas semanas começarão quatro novos processos. Ocorrerão em Santa Fé, San Rafael, Córdoba e Rosário. Para setembro está previsto o começo das sustentações orais relativas ao plano sistemático de apropriação de menores na Cidade de Buenos Aires. Em algumas das causas foram avaliados os crimes cometidos em centros clandestinos, e na de Mendoza vai se alegar o que os querelantes definem como “a estrutura de impunidade que impediu até agora o avanço dos processos”. À lista se soma as oito sustentações orais que seguem acontecendo atualmente no país e as cinco condenações de 2010.

Santa Fé, o começo
Nesta quarta-feira (22), começa o julgamento de Mario Facino, chefe da 4ª delegacia de Santa Fé até fins de 1976 e que depois ascendeu a chefe do Comando Radioelétrico até 14 de agosto de 1979. Será a terceira sustentação oral em processos dos crimes da ditadura e o primeiro que inclui a figura do jurídica “homicídio”, para a qual se prevê a pena de prisão perpétua. Facino irá a julgamento pelo sequestro e homicídio de Alicia López de Rodríguez, uma professora, militante das Ligas Agrarias, mãe de três filhos e esposa de um juíz, também militante, que a essa altura estava preso na prisão de Rawson. Ela foi sequestrada por um grupo de umas vinte pessoas, em 21 de outubro de 1976, quando estava na casa de sua sogra.

Para Lucila Puyol, da organização Hijos, essa é uma das causas emblemáticas da província: eça revela o papel da 4ª delegacia no circuito da repressão. Segundo dos dados dos organismos de direitos humanos, a delegacia era um dos primeiros lugares a que os detidos eram encaminhados. Depois, muitos eram levados a outros destinos, entre eles os centros clandestinos conhecidos como “as casitas” que estavam fora da cidade. “Alicia foi muito torturada e violada na delegacia”, disse Puyol. “Seus companheiros dizem que a viram muito mal fisicamente, e obviamente não foi atendida, de modo que alguns deles a viram morta já nessa delegacia”.

O processo seguirá ao Tribunal Oral Federal de Santa Fé, integrado por Maria Ivón Vella, José María Escobar Cello e Ricardo Moisés Vázquez. 28 testemunhas serão escutadas. Entre elas, Osvaldo Lovey, um dos dirigentes lendários das Ligas Agrarias. Quando o processo chegar ao fim Facino provavelmente receberá sua segunda condenação. O ex-comissário foi condenado já a 20 anos de prisão no processo do ex-juiz Victor Brusa. No momento da sentença o jornal Rosario/12 indicou que na ocasião ficou demonstrado, entre outros dados, que o chefe da 4ª delegacia se “tornou uma peça-chave no cumprimento do plano sistemático”. A sala onde cometiam as torturas “era contígua ao seu gabinete (de Facino) que, como chefe da seccional cumpria expediente em qualquer horário”.

San Rafael, o “Negro” Tripiana
Para Mendoza uma data histórica se aproxima. Está previsto para 1º de julho o início da primeira sustentação oral da província pelo sequestro e desaparição de Francisco Tripiana, um operário da construção civil, trabalhador da colheita de uva e militante da JP [ Juventud Peronista], sequestrado em sua casa em San Rafael na madrugada do golpe de estado de 1976. Para acumular causas, o processo incluirá o sequestro e desaparição de Guillermo Berón Pascual Sandoval e Roberto Osorio, todos militantes justicialistas, nenhum com estudo universitário.

Mariano é filho de Francisco Tripiana. Tinha oito meses quando uma gangue entrou na sua casa para levar o seu pai. Ainda busca saber quem ele era, procurando amigos e companheiros de militância. “Hoje estou reconstruindo a história – disse -, sua militância social; contudo, para além dos anos que passaram, nunca pude fazer o luto, passaram 34 anos, hoje tenho quatro filhos, netos de um desaparecido, e sempre que conto isso me quebro”.

O julgamento estará a cargo do Tribunal Oral Criminal Federal Nº 2 integrado por Roberto Julio Naciff, Héctor Fabián Cortés e Jorge Roberto Burad. Não haverá recesso judiciário. Os imputados são o ex-chefe do Exército Luciano Benjamin Menéndez; Aníbal Alberto Guevara Molina, tenente do Exército; Raúl Alberto Ruiz Soppe, chefe da Unidade Regional II de Polícia de Mendonza; Juan Roberto Labarta Sánchez, oficial da polícia de Investigações D-2; José Martín Mussere Quintero, oficial da polícia de Mendoza; Cristóbal Ruiz Pozo, médico da Polícia, e Raúl Egea Bernal, advogado da Polícia.

“É o primeiro julgamento pelos crimes contra a humanidade em Mendoza – disse o advogado Pablo Salinas -, e acredito que o mais importante é ter exaurido a estrutura de impunidade que fazia com que não se pudesse até agora ter julgamentos nesta província”.

Córdoba, a unificação
No dia seguinte, em 2 de julho, começa em Córdoba uma sustentação oral contra Eduardo Rafael Videla, Luciano Benjamin Menéndez e outros 31 acusados. O processo reúne duas causas. A primeira é o expediente conhecido Gontero, em que se investiga sequestros tormentos sobre 11 personas, detidas e trasladas para a sede do Departamento de Informações Policiais (D-2), depois, às instalações que o Terceiro Corpo do Exército tinha no campo de “La Rivera” e finalmente à Unidade Penitenciária Nº 1. A outra causa, a que depois da acumulação se considera como expediente principal, é o fuzilamento de 32 presos políticos que estavam à disposição do Poder Executivo Nacional e que foram retirados para um suposto traslado e executados. As duas causas têm responsáveis e seis vítimas em comum. Esta foi uma das razões por que o expediente foi unificado. Mas não é a única. “Nos dois episódios interveio o mesmo Comando do Terceiro Corpo do Exército”, disse Martín Fresneda, advogado de acusação, ao Página/12, que acrescenta ainda uma coincidência no circuito repressivo.

A política de acumulação de causas é uma das exigências dos organismos de direitos humanos, porque não só acelera os processos, como serve ainda para entender a sistematicidade das políticas repressivas. “As pessoas estavam detidas na Unidade Penal Nº 1, mas muitas vezes eram levadas para um interrogatório ilegal na Rivera ou na D-2 da Pasaje Santa Catalina, e se provou – disse o advogado – que no caminho mataram duas pessoas”. À diferença de outras causas, o singular é que as vítimas eram presos políticos à disposição do PEN, do Exército e da Justiça Federal, disse Fresneda. Por isso, o julgamento “vai evidenciar sem lugar para dúvidas alguns níveis de cumplicidade da Justiça, com a sujeição do Poder Judiciário ao Militar”.

Rosário
O julgamento seguinte começará em 21 de julho, pelo centro clandestino de detenção que funcionou na secção de Informes da Chefatura de la Policía de Rosario, em prejuízo de 86 vítimas. Foi o centro clandestino mais importante de Rosario. Por ali passou a maior parte das vítimas e houve alguns sobreviventes. O edifício ficava em pleno centro da cidade e era operativamente acondicionado: nos pisos superiores cometiam as torturas e os que chegavam aos subsolos sabiam provavelmente que iriam sobreviver. Embora tenha continuado durante muitos anos a cargo da polícia, agora é a sede do governo santafesino em Rosário. Ana Oberlín é uma das advogadas dos Hijos. “Rosário tem uma particularidade – disse -, estava muito definido o território que correspondia ao grupo operativo da Polícia e ao Exército; a briga era pela pilhagem de guerra, porque era muito comum sequestrarem para extorquir”. O edifício da polícia era comandado por eles.

A causa conhecida como Agustín Feced, o policial que foi chefe da Polícia de Rosário durante a repressão, começou a ser instruída nos anos 80. Feced morreu logo depois. E hoje a lista de acusados inclui o ex-militar Ramón Diaz Bessone, José Rubén Lofiego, Mario Marcote, Ramón Vergara, Carlos Scortecchini, Ricardo Chomicki e Nilda Folch, dois civis e ex-detidos a quem a organização Hijos considera como vítimas e não imputa penalmente. O julgamento estará nas mãos do Tribunal Oral Nº 2, serão escutados 120 testemunhos e se calcula que o proceso se estenderá por un ano.

Buenos Aires
O calendário das próximas sustentações orais culmina em 20 de setembro, em Buenos Aires. O Tribunal Oral Federal Nº 6 iniciará nesse dia um processo contra Jorge Rafael Videla, Reynaldo Bignone, Cristino Nicolaides, Santiago Omar Riveros, Jorge Eduardo Acosta, Antonio Vañek e Rubén Oscar Franco por 33 casos de apropriação de menores durante la última ditadura. Trata-se do chamado “Plano Sistemático”. Os acusados estão imputados pelos delitos de subtração, retenção, ocultação e substituição da identidade de menores de dez anos. No processo tentar-se-á provar que existiu um plano sistemático de subtração de menores e Juan Antonio Azic será acusado, como responsável direto pela subtração de María Victoria Donda.

Tradução: Katarina Peixoto

quarta-feira, 23 junho, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Livre PENSAR é só PENSAR…


Pensar, pensar

Por Fundação José Saramago

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

Esta entrada foi publicada em Junho 18, 2010 às 12:01 am e está arquivada em Outros Cadernos de Saramago.

terça-feira, 22 junho, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | | Deixe um comentário

Recado espiritual a Saramago…

Hoje, de onde você está, já sabe quem eu sou e que tentei ler alguns livros seus sem conseguir terminá-los. Desculpe-me, mas suas frases intermináveis, sua pontuação esdrúxula e seus diálogos embutidos nos parágrafos me dificultaram o gostar. Honestamente, sempre gostei mais do seu jornalismo politicamente crítico do que das suas obras literárias. Não por elas ignorarem a crítica social (muitas delas geraram polêmicas históricas e censuras extremadas), mas por seu estilo de escrevinhador (desculpe as minhas impossibilidades neste sentido). Mas como crítico político ativo você foi soberbo e como ser humano, sempre foi uma figura esplêndida. Um homem que, por sua origem humilde, pobre e não-letrada, tinha tudo para ser mais um marginalizado, mais um desesperançado, mas que sobrepujou tudo isto e viveu apaixonada e ludicamente uma passagem fascinante entre nós.

Muitas vezes meditei sobre você, um homem de raízes iletradas e que, conseguindo em termos escolares apenas um diploma profissional de mecânico, tornou-se o único escritor da língua portuguesa a receber um Nobel. Que teve a coragem de afirmar, ao receber este prêmio, que o homem mais sábio que conhecera fora o seu avô analfabeto. Amigo, (desculpe-me a intimidade), só a extrema lucidez intelectual permite a alguém reconhecer a sapiência daqueles que não tiveram acesso ao saber formal, de reconhecer que a impossibilidade de saber ler e escrever não significa a incapacidade de pensar o mundo. Sempre admirei seus atos de coragem: enfrentar a censura militar da Revolução dos Cravos, de deixar a segurança ideologicamente escravizada do assalariamento para viver de sua arte livre, de humanizar Cristo em seu Evangelho segundo Jesus Cristo, de denunciar o facismo da Igreja Católica e defender a liberdade religiosa. E, suprema coragem no mundo atual, denunciar a postura ignóbil dos israelenses contra o povo palestino: “Vivendo sob as trevas do Holocausto e esperando serem perdoados por tudo o que fazem em nome do que eles sofreram parece-me ser abusivo. Eles não aprenderam nada com o sofrimento dos seus pais e avós.” Em tudo isto, amigo, maravilhava-me a sua ira santa e seu desprezo pelas acusações corporativas de qualquer natureza. Uma ira sagrada (porque legítima e humanística) que perdurou até seus últimos dias, quando defendeu a necessidade de combater a “insolência religiosa da igreja católica” com a “insolência da inteligência viva”. Anti-semita? Populista extremista? Ideólogo antirreligioso? Brincadeira, né? Vindo de onde vieram, estas denominações podem ser consideradas profundos elogios…

Mas, como disse inicialmente, sempre admirei mais o seu lado de jornalista-filósofo. E particularmente, me tocou fundo sua consciência rebelde ao analisar a situação mundial em que vivemos, quando do seu pronunciamento no encerramento do Forum Social Mundial em 2002. E, por comovido com esta rebeldia consciente (necessária e rara), lembrando-me de sua figura passeando por sua ilha vulcânica do auto-exílio, peço-lhe permissão para repassar este pronunciamento seu aos leitores que ainda não o leram…

Obrigado, lúcido e rebelde ancião, por ter estado entre nós…

Imagem: floresta-do-sul.blogspot.com/2007_11_01_archi..

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Este mundo da injustiça globalizada

Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um facto notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.

Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos, entregue cada um aos seus afazeres e cuidados, quando de súbito se ouviu soar o sino da igreja. Naqueles piedosos tempos (estamos a falar de algo sucedido no século XVI) os sinos tocavam várias vezes ao longo do dia, e por esse lado não deveria haver motivo de estranheza, porém aquele sino dobrava melancolicamente a finados, e isso, sim, era surpreendente, uma vez que não constava que alguém da aldeia se encontrasse em vias de passamento. Saíram portanto as mulheres à rua, juntaram-se as crianças, deixaram os homens as lavouras e os mesteres, e em pouco tempo estavam todos reunidos no adro da igreja, à espera de que lhes dissessem a quem deveriam chorar. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar.

Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. “O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino”, foi a resposta do camponês. “Mas então não morreu ninguém?”, tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: “Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta.”

Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar (algum conde ou marquês sem escrúpulos) andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das estremas das suas terras, metendo-os para dentro da pequena parcela do camponês, mais e mais reduzida a cada avançada. O lesado tinha começado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se às autoridades e acolher-se à protecção da justiça. Tudo sem resultado, a expoliação continuou. Então, desesperado, decidiu anunciar urbi et orbi (uma aldeia tem o exacto tamanho do mundo para quem sempre nela viveu) a morte da Justiça.

Talvez pensasse que o seu gesto de exaltada indignação lograria comover e pôr a tocar todos os sinos do universo, sem diferença de raças, credos e costumes, que todos eles, sem excepção, o acompanhariam no dobre a finados pela morte da Justiça, e não se calariam até que ela fosse ressuscitada. Um clamor tal, voando de casa em casa, de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, saltando por cima das fronteiras, lançando pontes sonoras sobre os rios e os mares, por força haveria de acordar o mundo adormecido… Não sei o que sucedeu depois, não sei se o braço popular foi ajudar o camponês a repor as estremas nos seus sítios, ou se os vizinhos, uma vez que a Justiça havia sido declarada defunta, regressaram resignados, de cabeça baixa e alma sucumbida, à triste vida de todos os dias. É bem certo que a História nunca nos conta tudo…

Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino, uma campânula de bronze inerte, depois de tanto haver dobrado pela morte de seres humanos, chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exacto e rigoroso sinónimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em acção, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.

Mas os sinos, felizmente, não tocavam apenas para planger aqueles que morriam. Tocavam também para assinalar as horas do dia e da noite, para chamar à festa ou à devoção dos crentes, e houve um tempo, não tão distante assim, em que o seu toque a rebate era o que convocava o povo para acudir às catástrofes, às cheias e aos incêndios, aos desastres, a qualquer perigo que ameaçasse a comunidade. Hoje, o papel social dos sinos encontra-se limitado ao cumprimento das obrigações rituais e o gesto iluminado do camponês de Florença seria visto como obra desatinada de um louco ou, pior ainda, como simples caso de polícia.

Outros e diferentes são os sinos que hoje defendem e afirmam a possibilidade, enfim, da implantação no mundo daquela justiça companheira dos homens, daquela justiça que é condição da felicidade do espírito e até, por mais surpreendente que possa parecer-nos, condição do próprio alimento do corpo. Houvesse essa justiça, e nem um só ser humano mais morreria de fome ou de tantas doenças que são curáveis para uns, mas não para outros. Houvesse essa justiça, e a existência não seria, para mais de metade da humanidade, a condenação terrível que objectivamente tem sido. Esses sinos novos cuja voz se vem espalhando, cada vez mais forte, por todo o mundo são os múltiplos movimentos de resistência e acção social que pugnam pelo estabelecimento de uma nova justiça distributiva e comutativa que todos os seres humanos possam chegar a reconhecer como intrinsecamente sua, uma justiça protectora da liberdade e do direito, não de nenhuma das suas negações.

Tenho dito que para essa justiça dispomos já de um código de aplicação prática ao alcance de qualquer compreensão, e que esse código se encontra consignado desde há cinquenta anos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aquelas trinta direitos básicos e essenciais de que hoje só vagamente se fala, quando não sistematicamente se silencia, mais desprezados e conspurcados nestes dias do que o foram, há quatrocentos anos, a propriedade e a liberdade do camponês de Florença. E também tenho dito que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tal qual se encontra redigida, e sem necessidade de lhe alterar sequer uma vírgula, poderia substituir com vantagem, no que respeita a rectidão de princípios e clareza de objectivos, os programas de todos os partidos políticos do orbe, nomeadamente os da denominada esquerda, anquilosados em fórmulas caducas, alheios ou impotentes para enfrentar as realidades brutais do mundo actual, fechando os olhos às já evidentes e temíveis ameaças que o futuro está a preparar contra aquela dignidade racional e sensível que imaginávamos ser a suprema aspiração dos seres humanos.

Acrescentarei que as mesmas razões que me levam a referir-me nestes termos aos partidos políticos em geral, as aplico por igual aos sindicatos locais, e, em consequência, ao movimento sindical internacional no seu conjunto. De um modo consciente ou inconsciente, o dócil e burocratizado sindicalismo que hoje nos resta é, em grande parte, responsável pelo adormecimento social decorrente do processo de globalização económica em curso. Não me alegra dizê-lo, mas não poderia calá-lo. E, ainda, se me autorizam a acrescentar algo da minha lavra particular às fábulas de La Fontaine, então direi que, se não interviermos a tempo, isto é, já, o rato dos direitos humanos acabará por ser implacavelmente devorado pelo gato da globalização económica.

E a democracia, esse milenário invento de uns atenienses ingénuos para quem ela significaria, nas circunstâncias sociais e políticas específicas do tempo, e segundo a expressão consagrada, um governo do povo, pelo povo e para o povo? Ouço muitas vezes argumentar a pessoas sinceras, de boa fé comprovada, e a outras que essa aparência de benignidade têm interesse em simular, que, sendo embora uma evidência indesmentível o estado de catástrofe em que se encontra a maior parte do planeta, será precisamente no quadro de um sistema democrático geral que mais probabilidades teremos de chegar à consecução plena ou ao menos satisfatória dos direitos humanos. Nada mais certo, sob condição de que fosse efectivamente democrático o sistema de governo e de gestão da sociedade a que actualmente vimos chamando democracia. E não o é. É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária, escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo.

Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automatismo verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos factos, continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica.

E não nos apercebemos, como se para isso não bastasse ter olhos, de que os nossos governos, esses que para o bem ou para o mal elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando cada vez mais em meros “comissários políticos” do poder económico, com a objectiva missão de produzirem as leis que a esse poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da publicidade oficial e particular interessada, serem introduzidas no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo os certas conhecidas minorias eternamente descontentes…

Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo.

Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor.

domingo, 20 junho, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário