Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Lá em cima, como estará se sentindo o Chico Mendes?

Henrique Miranda (1)

Como se não bastasse o obscurantismo religioso e medieval  praticado nestas eleições contra a candidata Dilma. Como se não bastasse  o golpismo descarado da grande mídia em favor da direita udenista, na cobertura do processo eleitoral atual. Como se não bastasse tudo isso, a democracia nacional  tem hoje a lamentar mais duas baixas: a omissão e a inconsequência política da Marina Silva e o uso eleitoreiro da memória de Chico Mendes.

A candidata Marina (como quase todo mundo já pressentia) optou por não se comprometer e subiu no muro da isenção. Desprezou (pelo menos isso), a canalhice da candidatura Serra mas, por outro lado, jogou fora a oportunidade  de influenciar e ampliar, positivamente, o enfoque ambiental do programa de governo da esquerda progressista, representada pela Dilma. Claramente disposta a preservar (não sei até quando nem para que) o cacife eleitoral que obteve nas urnas, engrossou a dúvida dos seus eleitores e deu sobrevida ao obscurantismo golpista dos neo-liberais udenistas. Enfim, ajudou Serra no primeiro turno (evitando a sua derrota e protelando a disputa) e ajuda-o de novo, ao não se posicionar e negar um claro referencial àqueles que nela confiaram. Força política não usada para ajudar a modificar proativamente a realidade não é força, é inconsequência. Pena…Em nome de objetivos que não se apresentam claramente, negou suas raízes petistas e de esquerda, sua militância  e serviu, por ação e omissão, à direita. Todos sabemos que na história política do planeta, as esquerdas sempre foram incapazes de se unir em momentos de confronto com o reacionarismo e foi assim, por exemplo, que Hitler chegou ao poder na Alemanha. Pena…

Outra coisa a lamentar foi ver a viúva de Chico Mendes, no programa eleitoral do Serra, pedir votos para o canalha e ainda apresentá-lo como um ambientalista. Chico Mendes, coitado, petista histórico, ambientalista convicto e mártir da esquerda progressista brasileira, deve estar tremendo no túmulo! Não bastasse ser negado politicamente pela postura inconsequente da sua cria militante, ver a traição ideológica de sua companheira em vida… Ele morreu por não trair sua história e morreria de novo para não subir no muro. Mas duas herdeiras da sua existência o mataram mais uma vez, negando o lado em que ele sempre esteve…

Em relação à Marina, dá para se perceber (não para aceitar) as suas motivações. Em relação ao Partido Verde é mais fácil ainda, pois o partido sempre foi fisiologista, unindo-se oportunisticamente à esquerda ou à direita, conforme as possibilidades de obter cargos. Mas em relação à viúva de Chico Mendes: quais foram as suas reais motivações? Gostaria de vê-la entrevistada sobre isso, para tentar entender também.

Resta-nos esperar que os eleitores da Marina decidam não se pintarem com as cores da omissão ou se emplumarem em azul e amarelo…
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PS: Segundo li há pouco, no Luiz Carlos Azenha, sobre a convenção do PV, ontem, que decidiu a isenção: “Durante os discursos, o vice-presidente nacional do PV, Alfredo Sirkys, deu um parecer sobre o acolhimento das propostas do PV pelo PSDB e pelo PT. Segundo ele, o PT foi o partido que sinalizou maior interesse nos pontos sugeridos pela plataforma de Marina Silva. “O pessoal da Dilma foi mais completo (na avaliação das propostas do PV)”, afirmou. Sirkys criticou a carta encaminhada pelos tucanos e assinada pelo presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, e disse que enquanto o texto assinado por Dilma foi mais programático, a carta do PSDB teve um tom mais político e deu “a impressão de ter sido feita às pressas”.

Tudo bem, mas de pouco valeu, né? O muro já estava construído, com a escada ao lado, prontinha para ser escalada.
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(1) Neste blogue, todas as minhas postagens próprias são identificadas com a tag Comentário. Nesta postagem, excepcionalmente, identifiquei-me também pelo nome, pela imperativa necessidade pessoal de deixar claro, mais do que nunca, que tenho um lado: o lado do desenvolvimento sustentável (economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente adequado) e do partido político que desde há muito espelha melhor esta minha convicção.

segunda-feira, 18 outubro, 2010 - Posted by | Comentário | , , , ,

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