Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

A transparência da corporativismo impunitivo dos sacerdotes da Dona Caolha…

CNJ já puniu 20 desembargadores. Peluso quer ser Papa ?

    Publicado em 29/09/2011
                            Pedofilia ? Só quem trata disso sou eu !

Saiu na Folha (*):

CNJ diz que são suspeitos de crimes 35 desembargadores


Destes, 20 já sofreram punições do conselho, que podem ser anuladas pelo STF


Acusações contra juízes e ação que pode retirar poder de investigação do CNJ causam guerra na cúpula do Judiciário


FLÁVIO FERREIRA

DE SÃO PAULO


Ao menos 35 desembargadores são acusados de cometer crimes e podem ser beneficiados caso o STF (Supremo Tribunal Federal) decida restringir os poderes de investigação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), órgão que fiscaliza o Judiciário.

Os desembargadores são juízes responsáveis por analisar os recursos contra sentenças nos tribunais de Justiça. Formam a cúpula do Judiciário nos Estados.

O Judiciário foi palco de uma guerra esta semana após declaração da corregedora nacional de Justiça, Eliana Calmon, de que o Poder sofre com a presença de “bandidos escondidos atrás da toga”.

A corregedora tenta evitar que o Supremo restrinja a capacidade de investigação do CNJ ao julgar uma ação proposta pela AMB (Associação dos Magistrados do Brasil).

O caso seria analisado na sessão de ontem, mas os ministros adiaram o julgamento para buscar uma saída que imponha limites ao CNJ sem desgastar a imagem do Judiciário.

Dentre os 35 desembargadores acusados de crimes, 20 já foram punidos pelo conselho -a maioria recorre ao STF para reverter as punições. Os demais ainda respondem a processos no âmbito do CNJ.

Dependendo do que decidirem os ministros do STF, os desembargadores acusados poderão pedir em juízo a derrubada das punições e das investigações em andamento.

Os casos envolvem suspeitas de venda de sentenças, favorecimento a partes pelo atraso no trâmite de processos e desvios de recursos, entre outras acusações.

Navalha

O Supremo talvez perceba que os tempos mudaram.

Um deputado e delegado federal, o deputado Francischini, do PSDB, quer ouvir os juízes do STJ que gostariam de  extinguir as Operações Satiagraha (Daniel Dantas), Castelo de Areia (Camargo Corrêa) e Boi Barrica (filho do Sarney).

Breve, acredita-se, o brindeiro Procurador Geral recorrerá ao Supremo contra as três escandalosas decisões.

A faxina se tornou uma imposição – e um hábito.

(Embora a Comissão de Ética (sic) da Câmara acabe de considerar o deputado Valdemar da Costa Neto um santinho.)

Suspeita-se, nesse ansioso blog, que o presidente do Supremo queira ser um Papa: investigar a pedofilia atrás da porta.

O Ministro Peluso não será capaz de fechar o CNJ, não é isso, amigo navegante ?

Em tempo: ontem, o Ministro Peluso não levou o fechamento do CNJ a votação.

Será que ele já ouviu falar do movimento dos “indignados” , aqueles jovens espanhóis e gregos, que escarnecem dos partidos e da política e vão para as ruas desafiar os poderosos ?

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Dando nome aos bois e mostrando as cuecas dos fazendeiros…

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quarta-feira, 28 de setembro de 2011

QUEM AMA PROTEGE

Carlos Lessa
Quero felicitar a senhora presidente da República por ter lançado em discussão a reinstalação da Contribuição Provisória sobre as Movimentações Financeiras (CPMF). A Constituição de 1988, ao criar o conceito de orçamento de seguridade social, manteve a base salários e a ampliou, potencialmente, com contribuições a serem instituídas sobre lucros e faturamento das empresas. O orçamento de seguridade englobaria os gastos previdenciários, de saúde e de assistência social, mas, de forma cruel, foi descaracterizada essa proposta dos constituintes.
As contribuições sociais, criadas como formas de tributação do governo federal, foram desviadas para a caixa única e o superávit primário a serviço dos pagamentos de juros. A área de saúde – pressionada pelo crescimento demográfico, pela elevação da idade média de vida e pela ansiedade popular por melhoria da qualidade dos serviços preventivos de saúde – foi beneficiada pela CPMF.
Entretanto, o buraco negro dos juros atraiu para o caixa único e superávit primário os novos recursos tributários criados pela CPMF. O desvio da finalidade social foi a justificativa formal para a extinção da contribuição. Quero confirmar as palavras da presidente. A CPMF tributa, com custo administrativo baixo, todas as transações financeiras e, ao fazê-lo, explicita todos os que realizam essas transações. Assim sendo, põe a nu laranjas, laranjinhas e laranjais, ou seja, identifica especuladores com transações financeiras. Houve um erro social em tributar a movimentação do salário; deveriam ser isentas as primeiras transações financeiras com os salários. Nesse caso, uma “CMF” seria extremamente justa, pois quem faz transações financeiras frequentes e crescentes são os grupos de média e alta renda; quem vive disso são os especuladores nacionais e estrangeiros viciados em juros e ganhos na arbitragem de papéis financeiros. Lamentavelmente, a presidente teve que recuar. O povão não apoiou a CPMF porque está escaldado pelo desvio sistemático dos recursos, que deveriam alimentar as políticas sociais, para o pagamento de juros e vazamentos de corrupção.
No momento, a presidência da República está submetida ao bombardeio de forças conservadoras – ideologicamente contrárias à industrialização e sustentadoras dos interesses de importadores de veículos – que a acusam de reinstalar o protecionismo industrial. A mídia denuncia o protecionismo brasileiro como um “pecado”(?!), mas esquece que todas as atuais potências do mundo praticaram protecionismo.
Os EUA, maior potência mundial, foram intensamente protecionistas de sua industrialização, e ainda hoje praticam, de forma mais evidente, a proteção de sua produção agrícola e “subsidiam” o avanço científico e tecnológico derivado do maior orçamento militar do planeta, indo da ruptura diplomática à guerra aberta para proteger seus interesses. A China, como potência emergente, pratica, de forma disfarçada, um protecionismo ultraeficiente. As grandes nações europeias e o Japão também praticaram protecionismo durante décadas de suas histórias industriais e protegem de forma explícita suas atividades agrícolas. O discurso contra o protecionismo é o discurso das nações industrializadas e dominantes.
O Brasil cresceu sua economia sem parar, entre 1930 e 1980. Éramos basicamente um cafezal e construímos um sistema industrial bastante sofisticado. Após, com a década perdida, seguida dos anos FHC e Lula, tivemos um crescimento industrial medíocre – e setores e cadeias produtivas foram destruídos. Entre 2002 e 2010, foi medíocre o crescimento da indústria de transformação, comparado à evolução da agropecuária e da mineração. O professor Reinaldo Gonçalves chama a atenção para o processo de “desindustrialização”, mediante a substituição negativa de produção interna por importações. É dramática a opção brasileira de ser um “celeiro do mundo” sendo um país onde ampla fração da população passa fome. É dramática a migração de força de trabalho brasileira para o exterior, agora estancada pela crise mundial.
É uma salada o conceito de Bric. Pode servir apenas para massagear o nosso “ego” com uma retórica inconsistente de sucesso. Além da extensão territorial e da população, temos características radicalmente distintas da Rússia, da Índia e da China. Nosso minério de ferro serve para os chineses deslocarem, com seu aço, o produto brasileiro do Mercosul. É terrível, em longo prazo, a situação social da Índia. A Rússia sobrevive com petróleo e gás, e tenta integrar-se à Europa faminta de energia. Nós temos o melhor balanço energético do mundo e um enorme potencial hidrelétrico e petrolífero, porém não sabemos utilizá-lo estrategicamente; não temos um modelo de desenvolvimento.
O pátio das montadoras acumula quase 400 mil veículos. É o maior número, desde 2008. As vendas de importados cresceram 28,6% em agosto, em relação ao ano passado, contra a queda de 0,7% de veículos novos produzidos no Brasil. A maioria provém da Argentina e do México (o Brasil isenta esses veículos da tarifa de 35%; o Fiat 500 oriundo do México custa bem menos que o importado da Polônia). O complexo metal-mecânico é, hoje, uma caricatura do sonho industrializante de Juscelino Kubitschek, que queria a indústria de autopeças e componentes. A medida da Presidência determina um mínimo de 65% de componentes produzidos no Brasil, ainda que abrindo mão da exigência de empresas sob controle de capital nacional. Sugeriria um compromisso progressivo até 90%, pois, sendo uma pretensão da Presidência o desenvolvimento científico e tecnológico, convém alertar que o motor e os componentes mais sofisticados (com informática agregada) serão importados.
O modesto e tímido passo para reservar o mercado brasileiro para a mão de obra nacional está sendo demonizado. Espero que a presidência não recue: mantenha (e amplie) o protecionismo para o conjunto de outras atividades industriais brasileiras ameaçadas.
 (Valor – Carlos Lessa professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ)

quinta-feira, 29 setembro, 2011 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Os aprendizes retardatários de Maquiavel…

Há décadas, o espectro ideológico partidário deixou de ser confiável. Negando um tempo em que pão era pão e queijo era queijo (e no qual as pessoas apostavam nisso até mesmo a vida), o que passou a se ver foram pecebões vestindo desavergonhadamente o uniforme reacionário da direita, direitistas convictos se disfarçando de progressistas e, até mesmo, religiosos vestindo em nome de Deus, a roupagem oportunista da representação político-partidária. E se partido político no Brasil nunca foi um espaço confiável, nas últimas décadas representa muito mais o  esconderijo de gangues do que o espaço legítimo de representantes reais da população. Neste contexto, considero normalíssima a conjuntura descrita no artigo que repasso a seguir, pois demonstra cristalinamente a realidade política contemporânea recente. Nem mesmo a percepção dos políticos em relação à população é nova, pois de há muito eles consideram que o povo é ignorante e/ou ingênuo, enganável por maquiagens camaleônicas e casuísticas. E aí eles demonstram extrema burrice, pois se antigamente os golpes político-militares e/ou a repressão corrigiam os desvios de percurso das rebeldias populares, hoje estas soluções se tornaram pouco viáveis em muitos países (entre eles o Brasil). E completam a expressão de sua burrice ao ainda crer que sigla partidária é considerada pelos eleitores, na hora de decidir seu voto. Cada vez mais as pessoas criam a consciência da inconssistência dos partidos e reforçam a visão justa e antiga de escolher pessoas por sua história, sua prática e pelos resultados desta prática na vida real de cada um. E como esta atitude política é prejudicial às gangues partidárias, ela é condenada como alienação, burrice e/ou caudilhismo.

Mas, ao contrário, só o fato dos quadros partidários condenarem tanto a autonomia decisória e personalista dos eleitores, já é um sinal de que ela é uma boa atitude para a sociedade: ser apartidário e “caudilho” tornou-se uma atitude política de resistência.

Até mesmo a população já conhece, embora intuitivamente, algumas das dicas políticas de Maquiavel: ela aprendeu a tirar proveito dos atos a que a necessidade a constrangeu, a não temer pois cansou de esperar o bem e que, para estabelecer um Estado livre, é preciso matar Brutus e os seus filhos.

Boa leitura e reflexão a todos…
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28/09/2011
Via cartamaior.com.br

DIREITA /ESQUERDA: A PENEIRA DA HISTÓRIA VOLTOU  A CHACOALHAR

Três décadas de alta liquidez propiciada pela desregulação financeira, com crédito fácil a juros amigáveis, ademais de importações asiáticas baratas ancoradas em fulminante destruição de parques fabris, empregos e organizações sindicais acomodaram obsequiosas burocracias e lideranças partidárias urbi et orbi.

A implosão do chamado mundo comunista lubrificou e justificou a rendição violenta ou voluntária. Explicitas ou dissimuladas máquinas partidárias ‘de esquerda’  associaram-se ao fastígio dos livres mercados e desfrutaram suas benesses. O colapso daquilo  que se evocava como  ‘o fim da História’, revelou então um desfile de siglas anacrônicas; quadros incapazes de manejar o aparelho de Estado em sintonia com o interesse da sociedade; empobrecimento formulador, perplexidade e catatonia.

A grande verdade é que a maioria das siglas, à direita e à esquerda, esbanja seu despreparo  para um reencontro com desafios, escolhas e conflitos antes  terceirizados aos ditos mercados autorreguláveis. A dissolução é de tal monta que na maior crise do capitalismo dos últimos 80 anos, a  ‘novidade’ no repertório partidário brasileiro é o nascimento do PSD, uma direita amarrotada com roupa de centrismo envergonhado que confessa não ter propostas para nada.

O PSD se permite tal desfaçatez porque o campo para o esculacho ideológico foi pavimentado pelo recuo e a omissão do lado oposto.   O ostracismo a que foram relegados  projetos e palavras como socialismo, planejamento, bem comum, estatização, interesse estratégico e soberania popular  cobra agora seu preço num desarmamento político, organizativo e ideológico desnorteador. Impasses apodrecem o tecido social e econômico em diferentes nações  sem que se disponha de instrumentos e forças  aptas a redimir o horizonte de  populações acuadas e escalpeladas.

A Grécia é o símbolo dessa anomia que possibilita aos mercados enfrentar os problemas por eles criados ministrando doses cavalares de suas causas. Aquilo que se chama cinicamente de ‘acordo para resgate’, e que se anuncia como iminente no caso grego, contem a mesma dose de octanagem bélica  subjacente às  reparações impostas pelo invasor aos derrotados de uma guerra de ocupação.

Partidos ‘socialistas’ colonizados pela doutrina mercadista, como é o caso do PASOK , do premiê  Yorgos Papandreu,  prestam-se ao papel de guia para o holocausto de gerações presentes e futuras. Não é preciso se estender nos casos ou ocasos de Zapatero e outros. Mas cumpre lembrar que no Brasil a esquerda hesita em assumir a bandeira da criação de um imposto ínfimo de 0,1% sobre transações financeiras para tirar a saúde pública da fila do desespero.

Cada vez mais as ruas são e serão o ponto de fuga  dessa fornalha saturada de sacrifícios inúteis, tergiversações gastas e exigências impossíveis. Mais que válvula de escape, as ruas vão  separar o joio do trigo. A elas caberá, em última instância, restituir a coerência a valores e plataformas que permitam novamente chamar de esquerda  aquilo que de fato estende as linhas de passagem à emancipação social. E de direita ao  que usurpa o bem comum e violenta o interesse  coletivo.

A Grécia está passando por esse processo.O Chile está passando por esse processo.A Itália está passando por esse processo. Não há  imobilismo que sempre dure quando a peneira da história começa a chacoalhar.

Postado por Saul Leblon às 18:47

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A inútil raiva do PIG, da oposição raivosa e das elites brasileiras…

O desdém dos poderosos em relação ao Lula, sempre foi presente, desde a sua ascenção à política sindical. Tranquilos em seus poderes midiáticos, políticos e econômicos, eles viam-no apenas como mais um “comunista” de ocasião que vinha conturbar o mundo do trabalho mal remunerado dos operários, e que seria, mais cedo ou mais tarde, reduzido à sua insignificância. Quando liderou a fundação do Partido dos Trabalhadores, foi visto como um operário burro que servia de laranja (ou boi-de-piranha) para os intelectuais tupiniquins de esquerda, que queriam ascender ao poder (e até mesmo estes intelectuais viam-no paternalmente como uma criança política). Mas, a partir da eleição presidencial em que concorreu com o Brizola e o Collor, ele começou a preocupar: venceu Brizola (que se considerava o expoente da esquerda caudilha) e foi para o segundo turno contra o Collor (ponta de lança da Globo e das elites nacionais). Derrotado, Brizola esqueceu de que lado se dizia até então, apelidou o Lula de sapo barbudo e se isentou de apoiá-lo. A gangue do Collor, às vésperas da última votação, forjou uma postura de mau-caratismo do Lula em relação a sua filha, enganou o moralismo do eleitorado brasileiro e venceu o pleito. A farsa foi desmascarada, mas tarde demais para impedir a eleição do collorido.

A partir daí, estes poderosos escolheram o seu pau-mandado nacional (o FHC) e passaram a manter sob pressão (i)moral permanente o operário pretencioso. A estas alturas, muitos dos intelectuais presumidamente orgânicos do PT já tinham se distanciado, por sentí-lo pouco domesticável e, além de “comunista”, ele passou a ser beberrão, analfabeto e despreparado gerencialmente, assim como um “perdedor nato de eleições”. Mas a história tem seus próprios caminhos… Como que confirmando que “Deus não escreve por linhas tortas, nós é que não sabemos ler direito”, veio a eleição de 2002 e os donos do poder sentiram que tinham perdido a força de mentir e enrolar. Partiram então para o terrorismo político, semeando o medo do caos nacional se eleito ele fosse (até atriz global apareceu dizendo que tinha medo) mas, apesar disso, Lula venceu. Numa vitória que parecia de Pirro, pois a cenário sócio-econômico nacional, historicamente arrasado pelos poderosos de até então e agravado pelo citado terrorismo eleitoral, indicava um fracasso governamental retumbante para o operário despreparado.

Mas, mais uma vez, eles não souberam ler direito e o despreparado tornou-se o cara. Quem esperava a revolução socialista tradicional (que justificaria um golpe “democrático”), viu um neoliberalismo invertido: se eles agiam para servir às elites e, se sobrar alguma coisa, dar aos pobres, o cara assumiu servir aos deserdados e, se sobrar, servir às elites. Peitando o FMI. Peitando os preconceitos, armadilhas e armações. Indo às ruas quando necessário para buscar no povão a legitimidade que eles tentavam continuamente derrubar.

E assim, o sapo barbudo e pretencioso mudou o país, mudou a gepolítca continental e conquistou o mundo. Foi reeleito, saiu da presidência com o maior índice de aprovação popular da história brasileira, elegeu sua sucessora (por sinal muito bem escolhida) e, quando eles pensavam que ele ia ficar quieto, o cara desanda a ser convidado para palestras internacionais e a receber prêmios em todas as partes do mundo…

Dá pra entender a raiva permanente e incontida deles em relação ao cara? Claro que dá!. Ele os deixou oito anos fora do centro de poder, elegeu sua sucessora, mantendo-os na periferia por mais quatro anos. E se a Dilma continuar bem como está, vai ser reeleita com o seu apoio por mais quatro anos. E pior: se o Lula quiser e eles não conseguirem matá-lo, volta em 2018 e 2022! Vinte anos longe do Palácio da Alvorada? É insuportável! E isso se a Dilma não estiver viva para tentar a volta!

Claro, amigos, entendo perfeitamente o ódio deles em relação ao cara. Nunca dantes, na história deste país, a corja da dominação apanhou tanto da realidade. Mas ainda me sinto indignado ao ver que eles, através de seus tentaculos midiáticos, teimam em encobrir o brilho e a grandeza do cara. Leiam abaixo o posto repassado pelo leitor Carlos Germer e vejam como eles continuam atuando rasteiro e como até argentino (quem diria!) se levanta para defender o nosso Lulinha…

Boa leitura e boa reflexão a todos…
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27 de setembro de 2011 às 16:55

Foi preciso um argentino defender Lula em Paris

Escravocratas contra Lula

Por Martín Granovsky, no Página 12, sugerido pelo Igor Fellipe

Podem pronunciar “sians po”. É, mais ou menos, a fonética de ciências políticas. Basta dizer Sciences Po para aludir ao encaixe perfeito de duas estruturas, a Fundação Nacional de Ciências Políticas da França e o Instituto de Estudos Políticos de Paris.

Não é difícil pronunciar Sians Po. O difícil é entender, a esta altura do século 21, como as idéias escravocratas continuam permeando a gente das elites sul-americanas.

Hoje à tarde, Ruchard Descoings, diretor do Sciences Po, entregará pela primeira vez o doutorado Honoris Causa a um latino-americano: o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio “Lula” da Silva. Falará Descoings e falará Lula, claro.

Para bem explicar sua iniciativa, o diretor convocou uma reunião em seu escritório da rua Saint Guillaume, muito perto da igreja de Saint Germain des Pres, em um prédio de onde se pode ver as árvores com suas folhas amareladas. Enfiar-se na cozinha é sempre interessante. Se alguém passa por Paris para participar de duas atividades acadêmicas, uma sobre a situação política argentina e outra sobre as relações entre Argentina e Brasil, não fica mal entrar na cozinha do Sciences Po.

Pareceu o mesmo à historiadora Diana Quattrocchi Woisson, que dirige em Paris o Observatório sobre a Argentina Contemporânea, é diretora do Instituto das Américas e teve a idéia de organizar as duas atividades acadêmicas sobre Argentina e Brasil, das quais também participou o economista e historiador Mario Rapoport, um dos fundadores do Plano Fenix faz 10 anos.

Naturalmente, para escutar Descoings foram chamados vários colegas brasileiros. O professor Descoings quis ser amável e didático. O Sciences Po tem uma cátedra sobre o Mercosul, os estudantes brasileiros vem cada vez mais à França, Lula não saiu da elite tradicional do Brasil, mas chegou ao nível máximo de responsabilidade e aplicou planos de alta eficiência social.

Um dos colegas perguntou se era o caso de se premiar a quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado. Quiçá sabia que esta declaração de Lula não consta em atas, embora seja certo que Lula não tem um título universitário. Também é certo que quando assumiu a presidência, em primeiro de janeiro de 2003, levantou o diploma que é dado aos presidentes do Brasil e disse: “Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria de presidente da República”. E chorou.

“Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção?”, foi a pergunta seguinte.

O professor sorriu e disse: “Veja, Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entra em análises morais, nem tira conclusões apressadas. Deixa para o julgamento da História este assunto e outros muito importantes, como a eletrificação das favelas em todo o Brasil e as políticas sociais”. E acrescentou, citando o Le Monde:“Que país pode medir moralmente a outro, nos dias de hoje? Se não queremos falar sobre estes dias, recordemos como um alto funcionário de outro país renunciou por ter plagiado a tese de doutorado de um estudante”.Falava de Karl-Theodor zu Guttenberg, ministro da Defesa da Alemanha até que se soube do plágio.

Disse também: “Não desculpamos, nem julgamos. Simplesmente não damos lições de moral a outros países”.

Outro colega perguntou se era bom premiar a alguém que uma vez chamou de “irmão” a Muamar Khadafi.

Com as devidas desculpas, que foram expressas ao professor e aos colegas, a impaciência argentina me levou a perguntar onde Khadafi tinha comprado suas armas e qual país refinava seu petróleo, além de comprá-lo. O professor deve ter agradecido que a pergunta não citava, com nome e sobrenome, a França e a Itália.

Descoings aproveitou para destacar em Lula“o homem de ação que modificou o curso das coisas” e disse que a concepção da Sciences Po não é de um ser humano dividido entre “uns ou outros”, mas como “uns e outros”. Enfatizou muito o et, e em francês.

Diana Quattrocchi, como latino-americana que estudou e fez doutorado em Paris depois de sair de uma prisão da ditadura argentina graças à pressão da Anistia Internacional, disse que estava orgulhosa de que a Sciences Po dava um título Honoris Causa a um presidente da região e perguntou sobre os motivos geopolíticos.

“Todo o mundo se pergunta”, disse Descoings. “E temos de escutar a todos. O mundo nem sequer sabe se a Europa existirá no ano que vem”.

No Sciences Po, Descoings introduziu estímulos para que possam ingressar estudantes que, se supõe, tem desvantagem para conseguir aprovação no exame. O que se chama de discriminação positiva ou ação afirmativa e se parece, por exemplo, com a obrigação argentina de que um terço das candidaturas legislativas deve ser de mulheres.

Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa de Lula era parte da política de ação afirmativa do Sciences Po.

Descoings o observou com atenção antes de responder. “As elites não são apenas escolares ou sociais”, disse. “Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas”.

Como Cris tina Fernández de Kirchner e Dilma Rousseff na Assembleia Geral das Nações Unidas, Lula vem insistindo que a reforma do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial está atrasada. Diz que estes organismos, assim como funcionam,“não servem para nada”. O grupo BRICs (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul) ofereceu ajuda à Europa. A China tem os níveis de reservas mais altos do mundo. Em um artigo publicado no El Pais, de Madrid, os ex-primeiros ministros Felipe González e Gordon Brown pediram maior autonomia para o FMI. Querem que seja o auditor independente dos países do G-20, integrado pelos mais ricos e também, da América do Sul, pela Argentina e Brasil. Ou seja, querem o contrário do que pensam os BRICs.

Em meio a esta discussão Lula chegará à França. Convém que saiba que, antes de receber o doutorado Honoris Causa da Sciences Po, deve pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria exercer o recato. No Brasil, a Casa Grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terra e escravos. Assim, Lula, silêncio por favor. Os da Casa Grande estão irritados.

martin.granovsky@gmail.com.

quarta-feira, 28 setembro, 2011 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Sobre o tempo em que cuidar da Vida era natural…


DESABAFO

Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:

– A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:

– Não havia essa onda verde no meu tempo.

O empregado respondeu:

-Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente.

-Você está certo – responde a velha senhora – nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto.E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos ‘descartáveis’ e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?
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PS: Procura-se o autor.

terça-feira, 27 setembro, 2011 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

E agora, José?…

SECOM deveria contratar a Nielsen. E deixar o Ibope para a Globo

    Publicado em 26/09/2011

Saiu na Folha (*), na primeira página:

“Ibope ganha rival: americana Nielsen medirá audiência no Brasil”

A Nielsen é uma das maiores empresas de medição de audiência do mundo.

O Ibope detém o monopólio da audiência em tevê no Brasil desde 1988 (Vinte e três anos. O Chacrinha ainda não tinha pança.)

Todas as redes de TV, segundo a Folha (*), já conversaram com a Nielsen.

Menos uma. Qual, amigo navegante ? A Globo !

Navalha

O Conversa Afiada não acredita em pesquisa de opinião pública que pretende, com treze anos de antecedência, descobrir quem vai ser o Presidente.

(Nessas pesquisas, treze anos antes, o candidato Cerra se dá invariavelmente bem.)

Treze anos, um ano, seis meses, um dia.

O Conversa Afiada não acredita em pesquisas pré-eleitorais num país dominado por dois institutos ligados a notáveis órgãos do PiG (**) – o Globope e o Datafalha.

O ansioso blogueiro trabalha em televisão em não acredita também nas pesquisas do Globope para medir audiência de televisão.

Várias vezes, quando o programa Domingo Espetacular da Record – em que trabalha – se aproxima ou passa a Globo, o Globope cai.

A leitura minuto-a-minuto dá pau e reaparece meia hora depois numa situação muito mais confortável para a Globo.

Coincidência, provavelmente.

A Globo é o maior comprador do Globope.

O Globope dá a impressão de medir a audiência em meia dúzia de apartamentos da rua Rio de Janeiro, em Higienópolis, São Paulo, e pretender que eles representem o Brasil.

O gosto de São Paulo é o gosto de Caruaru, Pernambuco.

Pode, amigo navegante ?

É assim que funciona a indústria da publicidade no Brasil.

O Globope diz qual a audiência da Globo, as agências de publicidade acreditam, veiculam na Globo e, quanto mais veiculam mais bonificação (em dinheiro) recebem da Globo.

É a chamada “bonificação por volume”, o BV, que vai para as agências de publicidade e, não, para os clientes.

Se fosse no Hemisfério Norte isso dava cadeia.

Uma indústria baseada no Globope e no BV.

Viva o Brasil !

Uma indústria em que a Globo, com 50% da audiência, detém 70, 75% da verba de publicidade.

Como se explica, amigo navegante, a diferença entre os 50% de audiência e 75% da grana ?

Com o BV, amigo navegante.

O BV que o Globope lambuza de mel, minuto-a-minuto (menos quando o DE se aproxima do Fantástico).

O Conversa Afiada defende também a tese de que o Governo Federal  deveria ter um “IBGE” para medir audiência.

O Governo Federal e suas empresas – Caixa e Banco do Brasil, por exemplo, dois de muitos anunciantes deste modesto e ansioso blog – são dos maiores anunciantes do Brasil.

Quem garante que a Globo entrega os X% de audiência que vende à Caixa ou à SECOM ?

A SECOM compra X% da audiência por R$ Y.

Quem garante que os R$ Y compraram, de fato, X% da audiência ?

O Globope !

Bingo !

Por isso, mais uma vez, o Brasil deveria imitar a Argentina.

Depois da Ley de Medios, do “Futebol para Todos” (e não só para o Clarin), dos generais na cadeia, da demissão dos ministros do Supremo nomeados por Menem etc etc etc, a Argentina também tirou a exclusividade do Ibope, o mesmo Ibope o Globope brasileiro.

E a SECOM da Cristina Kirchner criou o seu instituto medidor de audiência.

Exatamente porque o Ibope dos jogos do Argentina tinham a audiência 100% no Clarin e, depois que a Cristina comprou os direitos “para todos”, a audiência caiu para 1%.

Com a intervenção da Cristina – essa Cristina … – o “Futebol para Todos” voltou a ter a audiência que tinha no Clarin (Globo).

O Conversa Afiada acredita que a SECOM deveria ter o seu “IBGE” de audiência de televisão.

Aí, seria interessante.

“IBGE”, Nielsen e Globope.

O Cade ia adorar !

E ia ser uma confusão na indústria da publicidade !

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

segunda-feira, 26 setembro, 2011 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

A falácia demotucanalha sobre o impostômetro…

Postado por Brizola Neto

José Antonio Meira da Rocha, leitor deste blog e autor do blog O Homem que Calculava nos traz uma belíssima contribuição sobre a discussão sobre carga tributária brasileira, que nossa imprensa quase sempre trata como um escândalo, mas jamais no que ela mais tem de escandaloso, que é estar concentrada na parcela mais pobre da população.

Bem, o José Antonio compilou os dados da Heritage, uma fundação americana, sobre impostos e PIB e fez uma tabela que eu transformei em gráfico, aí ao lado, com países selecionados, para você comparar. No blog O Homem que Calculava – como o Malba Tahan faz falta aos nossos jornalistas! – você verá ainda que o Brasil, que é o 31º na relação tributos/PIB é o 51º primeiro se essa proporção é entre PIB per capita e arracadação tributária.

O pessoal do “Cansei”, recomenda o José Antonio, que fala tanto em corrupção, deveria se tocar da sonegação que, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) relativas a 2008, desvia do Tesouro, anualmente, cerca de 200 bilhões de  reais. Tá na Veja mas, é claro, nunca dá capa.

Taí uma idéia: porque, ao lado do impostômetro, os “cansados” não criam o “sonegômetro”.
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PS: o negrito é deste blogueiro

segunda-feira, 26 setembro, 2011 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Sobre a Coragem, nós mesmos, Mercedes Sosa e outros “loucos”…

Sábado último, ao anoitecer. na varanda do meu simples e bucólico quintal, conversava com minha parceira de alma sobre a coragem necessária aos seres humanos para assumir com responsabilidade e reflexão as suas qualidades e limitações, usando-a para a transformação pessoal contínua e necessária para tornar-se melhor e para  um mundo melhor.
Hoje de manhã, dou de cara com o artigo do Leonardo Boff (que repasso abaixo), refletindo de forma inequívoca e cristalina sobre a coragem, esta qualidade tão fundamental e tão ausente do nosso mundo contemporâneo. Lendo-o, relembrei aquela indígena argentina que viveu entre nós uma vida de coragem absoluta, de destemor aos poderosos e de engajamento social profundo, através de sua arte maravilhosa e de suas posturas políticas claras.

Sempre patriota (“pátria só temos uma”) e defensora do Pan-americanismo e da integração dos povos da América Latina, essa mestiça de índios e franceses combateu a terrível ditadura militar argentina, foi presa, exilou-se sem deixar de denunciar a ditadura e retornou logo que poude, sempre cantando o povo, suas labutas, anseios e sofrimentos.

Poderia ter sido apenas uma grande cantora bem sucedida, mas não: sua coragem lhe permitiu assumir suas qualidades políticas e resistir ao canto sedutor da omissão social.

Lendo Boff, a coragem que considerei necessária no sábado torna-se mais forte em mim. Relembrando Mercedes, sinto a necessidade de buscar, cada vez mais, vencer meus medos e covardias. Espero que o mesmo ocorra com todos aqueles que também o fizerem…
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Colunistas| 25/09/2011.
DEBATE ABERTO

Precisamos de muita coragem

Na reunião da Carta da Terra em Haia em 29 de junho de 2010, onde atuava ativamente sempre junto com Mercedes Sosa enquanto esta ainda vivia, perguntei à Pauline Tangiora, anciã da tribo Maori da Nova Zelândia qual era para ela a virtude mais importante. Para minha surpresa ela disse: ”é a coragem”.

Leonardo Boff

Em 14 de setembro último, celebrou 90 anos de idade uma das figuras religiosas brasileiras mais importantes do século XX: o Cardeal Paulo Evaristo Arns. Voltando da Sorbonne, foi meu professor quando ainda andava de calça curta em Agudos-SP e depois, em Petrópolis-RJ, já frade, como professor de Liturgia e da teologia dos Padres da Igreja antiga. Obrigava-nos a lê-los nas linguas originais em grego e latim, o que me infundiu um amor entranhado pelos clássicos do pensamento cristão. Depois foi eleito bispo auxiliar de São Paulo. Para protegê-lo porque defendia os direitos humanos e denunciava, sob risco de vida, as torturas a prisioneiros políticos nas masmorras dos órgãos de repressão, o Papa Paulo VI o fez Cardeal.

Embora profético mas manso como um São Francisco, sempre manteve a dimensão de esperança mesmo no meio da noite de chumbo da ditadura militar. Todos os que o encontravam podiam, infalivelmente, ouvir como eu ouvi, esta palavra forte e firme: “coragem, em frente, de esperança em esperança”.

Coragem, eis uma virtude urgente para os dias de hoje. Gosto de buscar na sabedoria dos povos originários o sentido mais profundo dos valores humanos. Assim que na reunião da Carta da Terra em Haia em 29 de junho de 2010, onde atuava ativamente sempre junto com Mercedes Sosa enquanto esta ainda vivia, perguntei à Pauline Tangiora, anciã da tribo Maori da Nova Zelândia qual era para ela a virtude mais importante. Para minha surpresa ela disse:”é a coragem”. Eu lhe perguntei: “por que, exatamente, a coragem?” Respondeu:

”Nós precisamos de coragem para nos levantar em favor do direito, onde reina a injustiça. Sem a coragem você não pode galgar nenhuma montanha; sem coragem nunca poderá chegar ao fundo de sua alma. Para enfrentar o sofrimento você precisa de coragem; só com coragem você pode estender a mão ao caído e levantá-lo. Precisamos de coragem para gerar filhos e filhas para este mundo. Para encontrar a coragem necessária precisamos nos ligar ao Criador. É Ele que suscita em nós coragem em favor da justiça”.

Pois é essa coragem que o Cardeal Arns sempre infundiu em todos os que, bravamente, se opunham aos que nos seqüestraram a democracia, prendiam, torturavam e assassinavam em nome do Estado de Segurança Nacional (na verdade, da segurança do Capital).

Eu acrescentaria: hoje precisamos de coragem para denunciar as ilusões do sistema neoliberal, cujas teses foram rigorosamente refutadas pelos fatos; coragem para reconhecer que não vamos ao encontro do aquecimento global mas que já estamos dentro dele; coragem para mostrar os nexos causais entre os inegáveis eventos extremos, conseqüências deste aquecimento; coragem para revelar que Gaia está buscando o equilíbrio perdido que pode implicar a eliminação de milhares de espécies e, se não cuidarmos, de nossa própria; coragem para acusar a irresponsabilidade dos tomadores de decisões que continuam ainda com o sonho vão e perigoso de continuar a crescer e a crescer, extraindo da Terra, bens e serviços que ela já não pode mais repor e por isso se debilita dia a dia; coragem para reconhecer que a recusa de mudar de paradigma de relação para com a Terra e de modo de produção pode nos levar, irrefreavelmente, a um caminho sem retorno e destarte comprometer perigosamente nossa civilização; coragem para fazer a opção pelos pobres contra sua pobreza e em favor da vida e da justiça, como o fazem a Igreja da libertação e Dom Paulo Evaristo Arns.

Precisamos de coragem para sustentar que a civilização ocidental está em declínio fatal, sem capacidade de oferecer uma alternativa para o processo de mundialização; coragem para reconhecer a ilusão das estratégias do Vaticano para resgatar a visibilidade perdida da Igreja e as falácias das igrejas mediáticas que rebaixam a mensagem de Jesus a um sedativo barato para alienar as consciências da realidade dos pobres, num processo vergonhoso de infantilização dos fiéis; coragem para anunciar que uma humanidade que chegou a perceber Deus no universo, portadora de consciência e de responsabilidade, pode ainda resgatar a vitalidade da Mãe Terra e salvar o nosso ensaio civilizatório; coragem para afirmar que, tirando e somando tudo, a vida tem mais futuro que a morte e que um pequeno raio de luz é mais potente que todos as trevas de uma noite escura.

Para anunciar e denunciar tudo isso, como fazia o Cardeal Arns e a indígena maori Pauline Tangiori, precisamos de coragem e de muita coragem.

Leonardo Boff é teólogo e escritor.

segunda-feira, 26 setembro, 2011 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | 1 Comentário

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