Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Que pena… A arrecadação tributária brasileira vai aumentar

domingo, 26 fevereiro, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Sobre genialidade, homens, insatisfações, coragem e utopias…

Madrugada de ante-ontem, insone e diante da mesmice brutal da programação televisiva, coloquei na tela o filme do Woody Allen (“Meia noite em Paris), recentemente lançado. Resultado: eu que sempre gostei da sua obra cinematográfica, crítica e bem humorada, terminei o filme pleno de prazer e intelectualmente provocado, lamentando estar sozinho e não poder discutir o visto. Ele, para mim, indiscutivelmnete, superou-se e criou a sua melhor obra: irônica, críticamente ácida em termos existenciais, culturais e ideológicos. A partir de uma constatação cotidiana que todos nós sentimos mas não percebemos em profundidade (a eterna insatisfação humana diante da realidade), ele gerou um confronto analítico entre culturas e épocas e o dilema dos homens e mulheres que encaram a vida além do mercado e da carneirice social ideológica predominante na história humana. E, principalmente derruba, na essência, o mito histórico da Paris Eterna pois, embora não descreva a contemporânea Cidade Luz do xenofobismo, da repressão política interna e das parcerias militares no resto do mundo, mostra que o mérito da cidade foi muito mais a disponibilidade de um ambiente livre, propício à expressão cultural e política de atores sociais de várias partes do mundo, ali concentrados em determinados períodos, do que o de fonte geradora de saberes universais. Em síntese, ela fez em paz, nos períodos abordados, o que fizeram pela força o Império Romano, a União Soviética e Tio Sam e outras nações, pelo mundo a fora: trouxe para si as melhores cabeças pensantes e conhecimentos existentes no mundo. E tal como estes parceiros de saques culturais e tecnológicos, perpetuou-se como Cidade Luz pela força do marketing (a história escrita pelos vencedores). Basta ver, entre os personagens históricos inseridos no filme.

Oito deles eram norte-americanos (Gertrude Stein, Hemingway, Man Rad, Josefine Baker, T.S.Eliott, Cole Porter, Scott Fitzgerald e Zelda Fitzgerald), mostrando duas coisas: que até nas pragmáticas, imperialistas e obtusas plagas do Tio Sam, podem surgir cabeças pensantes e libertárias e que o Woody Allen, talvez generosamente, tenha colocado tantos americanos para amenizar a ácida crítica à cultura ianque.

Outro três eram espanhóis (Picasso, Dali e Bunnuel), donos de uma força artística revolucionária e sem possibilidades de expressão na tirania franquista.

E apenas três eram realmente franceses: Paul Gauguin, Toulouse Lutrec e Matisse.

Neste cenário de personagens, claro que muitos dirão que ficaram de fora muitos artistas e intelectuais franceses, mas terão de convir que a lista de estrangeiros do mesmo naipe que lá habitaram também é muito maior e nacionalmente mais diversificada.

Mas, esquecendo as omissões artísticas e literárias, os diálogos destes personagens, no filme, ficaram maravilhosos, revelando em cada palavra, o que pensava e fazia cada um deles: a honestidade selvagem de Hemingway, a loucura latente do Dali, o brilho intelectual e solidário da Gertrude Stein, e assim por diante.

Para mim, perdido neste purgatório contemporâneo da pós-modernidade (reafirmando o mote do Allen sobre a insatisfação humana), foi uma viagem e tanto no tempo. Tempos que eu gostaria de ter visitado e partilhado, tempos em que parecia existir o sonho, a criatividade, a liberdade de expressão e a coragem de lutar pela utopia.

Bom domingo a todos…
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PS: capturando a imagem acima, no Googles, depois do filme e contemplando o seu céu vangoghiano, que vontade senti de estar passeando com ele em Paris, tomando absinto, naquele barzinho noturno que ele retratou, discutindo as angústias da vida e torcendo para que ele, ao fim da noite, não cortasse a orelha ou fosse para o campo com corvos, com um revólver na mão…

domingo, 26 fevereiro, 2012 Posted by | Arte e cultura, Comentário, Trocando Idéias | , , | Deixe um comentário

E como não houve, não foi noticiado pelo PIG…

E o caosaéreo ? No Carnaval não houve

    Publicado em 23/02/2012

Saiu no Valor:

No Carnaval, Infraero registrou atrasos em 8,84% dos voos

Por Rafael Bitencourt e Thiago Resende | Valor

BRASÍLIA – A Infraero informou que o índice de atrasos de voos no Carnaval de 2012, da última sexta-feira até às 17h desta quarta-feira, foi de 8,84%. Nesse período, 1.514 voos registraram atrasos superiores a 30 minutos, do total de 17.133 partidas programadas.

Segundo a empresa, houve queda de 7,7% no índice em relação a 2011, quando 1.642 voos sofreram atrasos de um total de 15.691 partidas no mesmo período do ano.

Nesta quarta-feira de cinzas, houve queda de 31,15% no índice de atraso dos voos programados até às 17h, em relação ao mesmo período de 2011.

Navalha

O caosaéreo da Globo fica adiado para a Copa !

Paulo henrique Amorim

quinta-feira, 23 fevereiro, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Latino-América: assumindo o próprio destino…

Internacional| 22/02/2012
Via cartamaior.com.br

“A institucionalidade do poder mudou-se para o âmbito plebeu e indígena”

Em entrevista ao La Jornada, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Liñera, diz que o fato fundamental que se viveu no atual processo de transformação política na Bolívia é que os indígenas, que são maioria demográfica, hoje são ministros e ministras, deputados, senadores, diretores de empresas públicas, redatores de constituições, magistrados da justiça, governadores e presidente. Este fato, destca, é a maior revolução social e igualitária acontecida na Bolívia desde a sua fundação.

La Jornada

Os indígenas, que estavam predestinados a ser camponeses, operários, porteiros ou mensalistas, hoje são ministros, legisladores, diretores de empresas públicas, magistrados da justiça, governadores ou presidente. Além de ser o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera é um dos intelectuais de esquerda latino-americanos mais relevantes no continente. Embora sua carreira original seja a de matemático (estudou na Universidade Nacional Autônoma do México), se formou como sociólogo na prisão e na prática.
Ele teorizou a experiência de transformação boliviana como ninguém o fez, ou seja, com originalidade, profundidade e frescor. E a experiência boliviana hoje é uma referência obrigatória e cada vez com maior ascendência no movimento popular latino-americano. García Linera conhece e domina com profundidade o marxismo clássico, mas está muito longe de ser doutrinário. Seu pensamento está muito influenciado pela obra de Pierre Bourdieu.
Em entrevista ao La Jornada, o vice-presidente disse que o fato fundamental que se viveu no atual processo de transformação política em curso na Bolívia é que os indígenas, que são maioria demográfica, hoje são ministros e ministras, deputados, senadores, diretores de empresas públicas, redatores de constituições, magistrados da justiça, governadores e presidente. Este fato – afirmou – é a maior revolução social e igualitária acontecida na Bolívia desde a sua fundação.
García Linera caracteriza o modelo econômico de seu país como pós-neoliberal e de transição pós-capitalista. Um modelo que recuperou o controle dos recursos naturais que estavam em mãos estrangeiras, para colocá-los em mãos do Estado dirigido pelo movimento indígena.
– Há seis anos que vocês governam a Bolívia. Houve avanço realmente rumo a descolonização do Estado?
– Na Bolívia, o fato fundamental que vivemos foi que aquelas pessoas, maioria demográfica antes e hoje, os indígenas, os índios, a quem a brutalidade da invasão e os sedimentos centenários da dominação haviam estabelecido no próprio sentido comum das classes dominantes e as classes dominadas, que estavam predestinados a serem camponeses, operários de baixo ofício, artesãos informais, porteiros ou mensalistas, hoje são ministros e ministras, deputados, senadores, diretores de empresas públicas, redatores de constituições, magistrados da justiça, governadores, presidente.
A descolonização é um processo de desmonte das estruturas institucionais, sociais, culturais e simbólicas que subsumem a ação cotidiana dos povos aos interesses, às hierarquias e às narrativas impostas por poderes territoriais externos. A colonização é uma relação de dominação territorial que se impõe à força e com o tempo se “naturaliza”, inscrevendo a dominação nos comportamentos “normais”, nas rotinas diárias, nas percepções mundanas dos próprios povos dominados. Portanto, desmontar essa máquina de dominação requer muito tempo. Em particular o tempo que se necessita para modificar a dominação convertida em sentido comum, em hábito cultural das pessoas.
As formas organizativas comunitárias, agrárias, sindicais do movimento indígena contemporâneo, com suas formas de deliberação assembleísta, de rotação tradicional de cargos, em alguns casos de controle comum de meios de produção, são hoje os centros de decisão da política e boa parte da economia na Bolívia.
Hoje, para influir no orçamento do Estado, para saber a agenda governamental não adianta nada disputar com altos funcionários do Fundo Monetário, do Banco Interamericano de Desenvolvimento, das embaixadas norte-americanas ou europeias. Hoje os circuitos do poder estatal passam pelos debates e decisões das assembleias indígenas, operárias e de bairros.
Os sujeitos da política e a institucionalidade real do poder mudaram-se para o âmbito plebeu e indígena. Os chamados anteriormente “cenários de conflito”, como sindicatos e comunidades, hoje são os espaços do poder fático do Estado. E os anteriormente condenados à subalternidade silenciosa hoje são os sujeitos decisórios da trama política.
Este fato da abertura do horizonte de possibilidade histórica dos indígenas, de poder ser agricultores, operários, pedreiros, empregadas, mas também chanceleres, senadores, ministras ou juízes supremos, é a maior revolução social e igualitária acontecida na Bolívia desde sua fundação. “Índios no poder”, é a frase seca e depreciativa com que as classes dominantes deslocadas anunciam a hecatombe destes seis anos.
– Como caracterizar o modelo econômico que se colocou em prática? É uma expressão do socialismo no século XXI? É uma modalidade de pós-neoliberalismo?
– Basicamente pós-neoliberal e de transição pós-capitalista. O controle dos recursos naturais que estava em mãos estrangeiras foi recuperado para colocá-lo em mãos do Estado, dirigido pelo movimento indígena (gás, petróleo, parte dos minerais, água, energia elétrica), ao mesmo tempo em que outros recursos, como a terra fiscal, o latifúndio e os bosques, passaram ao controle de comunidades e povos indígenas e camponeses.
Hoje o Estado é o principal gerador de riqueza do país, e essa riqueza não é valorizada como capital. Ela é redistribuída na sociedade através de bônus, rendas e benefícios sociais diretos da população, além do congelamento das tarifas dos serviços básicos, os combustíveis e a subvenção da produção agrária. O estado tenta priorizar a riqueza como valor de uso, acima do valor de troca. Nesse sentido, ele não se comporta como um capitalista coletivo próprio do capitalismo de Estado, mas como um redistribuidor de riquezas coletivas entre as classes trabalhadoras e em um estimulador das capacidades materiais, técnicas e associativas dos modos de produção camponeses, comunitários e artesanais urbanos.
Nesta expansão do comunitário agrário e urbano depositamos nossa esperança de transitar pelo pós-capitalismo, sabendo que também essa é uma obra universal e não de apenas um país.
– Como se vê da Bolívia o processo de integração regional? Que papel jogam os Estados Unidos e a Espanha? Que espaço têm a China, a Rússia e o Irã?
– O continente latino-americano está atravessando um ciclo histórico excepcional. Grande parte dos governos é de caráter revolucionário e progressista. Os governos neoliberais tendem a aparecer como retrógrados. E por sua vez, a economia latino-americana apresentou iniciativas internas que estão permitindo enfrentar de uma maneira vigorosa os efeitos da crise mundial. Em particular, a importância dos mercados regionais e a vinculação com a Ásia definiram uma arquitetura econômica continental de novo tipo. Tem que apostar em aprofundar esta articulação regional e, se possível, em projetar-nos como uma espécie de Estado regional de estados e nações.
Devemos nos comportar como um Estado regional no âmbito do uso e negociação planetária das grandes riquezas estratégicas que possuímos (petróleo, minerais, lítio, água, agricultura, biodiversidade, indústria semielaborada, força de trabalho jovem e qualificada…), e internamente, respeitar a soberania estatal e as identidades nacionais regionais que o continente tem. Só assim poderemos ter voz e força própria no curso das dinâmicas de mundialização da vida social.
–Há um papel ativo de Washington para sabotar a transformação boliviana em curso?
– O governo norteamericano nunca aceitou que as nações latino-americanas possam definir seu destino porque sempre considerou que formamos parte da área de influência política, para sua segurança territorial, e somos seu centro de reserva de riquezas, naturais e sociais. Qualquer dissidência deste enfoque colonial coloca a nação insurgente na mira de ataque. A soberania dos povos é o inimigo número um da política norte-americana.
Isso aconteceu com a Bolívia nestes seis anos. Nós não temos nada contra o governo norte-americano nem contra seu povo. Mas não aceitamos que ninguém, absolutamente ninguém de fora nos venha dizer o que temos que fazer, falar ou pensar. E quando, como governo de movimentos sociais, começamos a assentar as bases materiais da soberania estatal ao nacionalizar o gás; quando rompemos com a vergonhosa influência das embaixadas nas decisões ministeriais; quando definimos uma política de coesão nacional enfrentando abertamente as tendências separatistas latentes em oligarquias regionais, a embaixada dos Estados Unidos não só apoiou financeiramente as forças conservadoras, mas as organizou e dirigiu politicamente, em uma brutal ingerência em assuntos internos. Isso nos obrigou a expulsar o embaixador e depois a agência antidrogas desse país (DEA).
Desde então os mecanismos de conspiração se tornaram mais sofisticados: usam organizações não-governamentais, se infiltram através de terceiros nas agrupações indígenas, dividem e projetam lideranças paralelas no campo popular, como ficou recentemente demonstrado mediante o fluxo de ligações da própria embaixada a alguns dirigentes indígenas da marcha do Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), no ano passado.
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PS: até nós brasileiros, sofremos perdas materiais com esta emancipação (lembram da Petrobrás e das empreiteiras na Bolívia, há alguns anos?). Tivemos que negociar novas relações, via governo Lula, iniciativa que foi desancada pelo PIG em sua estrutura midiática como uma fraqueza do governo brasileiro diante dos bolivianos. É, quem quer ser livre tem que ter relações libertárias com os seus iguais, até mesmo cedendo os anéis para não perder os dedos…

quinta-feira, 23 fevereiro, 2012 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

TV Globo: tá derretendo devagarzinho…

Via viomundo.com.br

quinta-feira, 23 fevereiro, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

A folia do Tucarnaval…

quinta-feira, 23 fevereiro, 2012 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Sobre os terroristas políticos de plantão…

23 Feb
Via tijolaço.com.br

Torce, torce, e nem sai sangue…

No final dos anos 60, o programa radiofônico policial “A patrulha da  cidade” – teatralizado, de péssimo gosto e recheado de preconceitos  racistas – tinha um quadro onde um motorista de ônibus (da linha  Caxias-Mauá) comentava as matérias policiais dos jornais populares. E,  diante das maiores barbaridades, reclamava que eles eram muito “suaves”,  dizendo:

– O jornal de hoje a gente torce, torce, torce e nem sai sangue…

É  impressionante como – claro que com muito mais refinamento que o  caricato personagem do rádio – o jornalismo econômico brasileiro caminha  para do sensacionalismo negativista – inflação e recessão –  para um  muxôxo semelhante.

– Ah, mas o crescimento econômico vai ser baixo, o PIB não vai crescer…

Ora,  isso é de uma tolice sem par. Que o PIB, em 2011, ia expandir-se a uma  velocidade menor que o “boom” de 2010, até as pedras sabiam. Primeiro,  porque a base de comparação de 2010, o ano de 2009, era baixíssima, pois  o crescimento naquele ano fora zero (até um pouco abaixo de zero).  Segundo, porque a ameaça de recrudescimento da inflação – já percebida  no fim de 2010 – levou a uma elevação da taxa de juros que,  desgraçadamente, se potencializou com os reflexos da crise europeia.

Tanto é que o BC – “precipitação, politização”, apressaram-se a  gritar os comentaristas econômicos conservadores –  imediatamente  reverteu a curva da taxa de juros públicos.

Como qualquer pessoa de boa-fé poderia prever, o processo inflacionário  cedeu – e está cedendo, em ritmo mais acelerado até que o previsível –  porque não estava assentado no núcleo da economia, mas na ponta final:  basicamente no preço dos serviços. O outro fator altista, a elevação do  preço do petróleo, foi contido pela ação da Petrobras – e tome de  “revolta” com não haver elevação do preço dos combustíveis nas  refinarias.

O PIB brasileiro não apenas vai crescer num ritmo maior, este ano,  como  sequer, como se vê agora, baixou como o das principais economias do  mundo. Não é correto comparar o desempenho do Brasil ao de emergentes  como a China, porque senão teríamos de comparar as estruturas de  mercado, a exclusão e,no caso da China, o poder imenso de intervenção do  Estado nas estruturas econômicas. E isso, para o bem e para o mal, não é  paralelo ao que se passa aqui.

O problema da economia brasileira é a estrutura predatória que há  séculos. E que, no capitalismo cada vez mais preso à esfera financeira,  expressa-se hoje no tributo, uma espécie de “quinto” moderno,  que  representa nossa taxa de juros.

Ela é o centro de um processo perverso que impede o desenvolvimento  brasileiro, porque nos impede de uma visão estratégica, de um projeto,  em nome do qual se acumule e que produza identidade, porque sem projeto  comum não há identidade possível em qualquer grupamento humano.

Como o caricato motorista da “Patrulha da Cidade”, o olhar nacional da  dita “inteligência” nacional está preso nas pequenas desgraças do  dia-a-dia, com uma tentativa reiterada de ver a nova orientação que  tomou como algo que é preciso, torcer, torcer, torcer, para ver se ela  dessangra

quinta-feira, 23 fevereiro, 2012 Posted by | Repassando... | , , , | Deixe um comentário

E por falar em “eficiência”…

segunda-feira, 20 fevereiro, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Sacerdotes da Dona Caolha atingem o ápice da “eficiência”…

segunda-feira, 20 fevereiro, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Até quando o lucro do amianto matará brasileiros?…

17 de fevereiro de 2012 às 18:20

Dr. Rosinha defende o banimento do amianto no Brasil

do Blog do Dr. Rosinha, via site da Liderança do PT na Câmara

O deputado Dr. Rosinha (PT-PR) cobrou, no plenário da Câmara, a proibição do uso do amianto no país. Ao justificar a necessidade da medida, o parlamentar citou a recente decisão da justiça italiana que condenou a 16 anos de prisão os fundadores e proprietários da empresa italiana Eternit, e os responsabilizou pela morte de cerca de três mil pessoas contaminadas por causa do amianto.

“Essa condenação do Tribunal de Turim – sobre os proprietários da Eternit- é extremamente importante porque ajuda na tramitação de projetos de lei no parlamento brasileiro que proíbem o uso de amianto no país”, destacou Dr. Rosinha. O parlamentar também observou que, desde 1999, primeiro ano de seu mandato na Câmara, tem conhecimento de propostas que tramitam no Congresso sobre este tema. Mas, até hoje, segundo ele, nenhuma ainda foi aprovada.

Segundo o estudo Vigilância do Câncer Ocupacional, publicado em 2005 pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), a exposição ao amianto está relacionada à ocorrência da  asbestose, enfermidade que causa inflamação pulmonar seguida de fibrose, além de estar associada ao aparecimento de câncer no intestino, pulmão e ovário. Além desses problemas, a publicação afirma que pessoas expostas ao produto também podem desenvolver a mesotelioma, espécie de tumor raro e de difícil diagnóstico.

De acordo com o deputado Dr. Rosinha, além de proibir o uso do amianto, também deve haver uma reforma na legislação trabalhista para proteger os trabalhadores expostos a esse minério. “Na última reforma do Código Civil, reduziu-se para cinco anos o tempo para entrar com recurso ou ação judicial por doença do trabalho. Nós sabemos que a asbestose e o mesotelioma, que é o câncer causado pelo amianto, às vezes aparece 20 anos após o contato. Por isso, apresentei um projeto para prorrogar para 20 anos esse prazo, como era no antigo Código Civil. Infelizmente, o Senado rejeitou a proposta”, lamentou. O deputado lembrou que o projeto foi aprovado na Câmara.

O deputado Dr. Rosinha disse ainda que o Senado, nesse caso, “defendeu as indústrias, a Eternit, e os péssimos empresários que prejudicam a saúde dos trabalhadores brasileiros”. Para reparar esse mal, segundo ele, “o país precisa de uma legislação voltada para a defesa dos trabalhadores e não uma legislação que defenda o capital”.

Condenação

Na sentença histórica da justiça italiana, o Tribunal de Turim condenou os donos da empresa Eternit, o magnata suíço Stephan Schmidheiny, 65 anos e o barão belga Louis de Cartier de Marchienne, 92 anos, a pena de 16 anos de reclusão por crimes causados pela omissão intencional (dolosa) de cautelas e desastre ambiental doloso. Além da condenação criminal, a Eternit terá de pagar 95 milhões de euros em indenizações a vítimas do amianto.

Amianto no Brasil

O uso do amianto é proibido em 52 países. No Brasil, apesar das restrições ao uso de alguns tipos, o amianto ainda é usado, principalmente, em produtos destinados a construção civil. Segundo informações do INCA, o Brasil está entre os cinco maiores produtores, consumidores e exportadores mundiais de amianto crisotila (amianto branco). A única mina de amianto ainda em atividade no Brasil situa-se no município de Minaçu, no Estado de Goiás.

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sábado, 18 fevereiro, 2012 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário