Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Millôr: foi-se uma alma livre para melhor livre pensar…

Há quatro anos, ao criar este blogue, escolhemos como título a sábia, instigante e irônica reflexão de um homem que eu admirava desde sempre: Livre pensar, é só pensar. Hoje, ele terá seu corpo cremado, mas permanecerá sempre por aí, nas cabeças que não usam apenas chapéu, a sua inteligente produção humorística, literária e jornalística. E acima de tudo: a lembrança de um produtor intelectual que respeitava políticamente a si mesmo e a nós todos.

Foi-se o homem que considerava a abstinência como a mais estranha das taras sexuais. Foi-se o homem que achava a sua espécie a mais risível das criaturas e que, ao ser gerada pelo Criador, não foi alvo da chacota geral dos animais em torno apenas por uma questão de respeito. Que não fazia planos para o futuro, pois sabia que o futuro planejava por ele. Que sabia que o trabalho não mata, mas a preguiça não cansa. Que sabia que o ser humano, se inteligente, pensando muito e procurando entender tudo e a todos chegaria, por volta dos quarenta anos de vida, a compreender a necessidade de ficar calado. E que tinha três certezas: a admiração não é confiável, o ódio é sempre sincero e que livre pensar, é só pensar.

Foi-se o nosso Millôr. Que ele, lá de cima, continue nos ajudando (a todos nós), nem que seja por vias sobrenaturais (pai-de-santo, centro-espírita, o que der), a continuar usando o cérebro da melhor forma.

quinta-feira, 29 março, 2012 Posted by | Comentário | , | Deixe um comentário

Praga de urubu magro não pega em cavalo gordo…

Folha ressuscita Lula. Mas não desiste de “matá-lo”

    Publicado em 28/03/2012
    Via conversaafiada.com.br

Saiu na Folha (*):

Exames mostram que tumor de Lula desapareceu

O tumor na laringe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 66, desapareceu.

Os exames feitos nesta manhã –de ressonância magnética e diagnósticos detalhados na garganta– mostram que não há mais resquícios do câncer.

Os médicos evitam  (sic – PHA) falar em cura, o que só poderá ser confirmado em cinco anos. Ao fim deste período, novos exames poderão constatar se o ex-presidente foi curado.

Boletim médico divulgado no final da manhã informou que Lula continuará a fazer sessões de fonoaudiologia.

“Foram realizados exames de ressonância nuclear magnética e laringoscopia, que mostraram a ausência de tumor visível, revelando apenas leve processo inflamatório nas áreas submetidas à radioterapia, como seria esperado”, dizem os médicos.

Navalha

Como se sabe, a Folha (*) “matou” o Lula várias vêzes.

A Folha dispõe de um canal privilegiado no Hospital Sírio Libanês – clique aqui para ver o que aconteceria com o Sírio, se fosse um hospital francês.

E através desse canal, que mais parece um cano subterrâneo, desde que o câncer foi diagnosticado, a Folha dizia no primeiro parágrafo que o Lula estava bem e, no segundo, que ele estava mal.

O Lula não é bobo.

Nem acredita na Folha.

A Dilma também não.

Os dois, pacientes de câncer, sabem que a cura do câncer só se  confirma depois de cinco anos.

Por enquanto, Lula recebeu uma boa notícia.

Suficiente para derrotar o Cerra em São Paulo, seu maior objetivo, hoje.

Mas, não, que esteja curado.

Nem que a Folha o ressuscite.

Porque pode “matá-lo”, antes que sol amanheça.

“Matá-lo” antes que o sol amanheça, isso, do ponto de vista físico.

Porque do ponto de vista político, o Otavinho tenta “matá-lo” todo dia, desde que o Lula se levantou da mesa e abandonou um almoço na Folha, porque o Otavinho insistia em perguntar por que ele queria ser presidente, se era um ignorante.

(Diploma por diploma, o Cerra também não tem.)

quarta-feira, 28 março, 2012 Posted by | Repassando... | | Deixe um comentário

Turismo predatório no Pantanal: fazer algo, enquanto há tempo…

21 de março de 2012 às 23:33
Via viomundo.com.br

Pousadas irregulares põem em risco o Pantanal de MS

Serra do Amolar, Pantanal/MS Foto: Ascom – MPF/MS

do Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul

Resíduos sanitários jogados no rio. Líquidos de caixas de gordura despejados nas águas do Pantanal. Depósitos de combustíveis em áreas alagáveis. Embarcações de grande porte encalhadas em área de preservação permanente. Como reflexo: problemas de saúde, destruição de matas ciliares, agravamento do assoreamento de rios, corixos e lagoas do Pantanal. Afinal, quais os danos que uma pousada às margens do Rio Paraguai pode causar à maior planície alagável do mundo?

As Áreas de Preservação Permanente (APPs) não recebem especial proteção da lei por acaso. São espaços territoriais especialmente protegidos para garantir a preservação dos recursos hídricos e da biodiversidade de ecossistemas inteiros. No Pantanal de Mato Grosso do Sul, esses espaços têm sido desrespeitados por empreendimentos turísticos e ranchos de lazer, colocando em risco um Patrimônio Natural da Humanidade.

Diante desse cenário, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou diversas ações que buscam retirar imóveis irregulares das APPs e recuperar as áreas degradadas. Só neste ano foram oito ações protocoladas na Justiça Federal de Corumbá/MS, três delas já com liminares concedidas pela Justiça Federal, ordenando a desocupação das áreas.

De acordo com o MPF, os empreendimentos estão localizados em terras pertencentes à União  e não possuem licença ambiental para seu regular funcionamento.

Para o procurador da República Wilson Rocha Assis, a única medida apta a assegurar a recuperação das áreas de preservação permanente degradadas é a remoção das construções:  “O Ministério Público Federal, através da Câmara responsável pela coordenação da área ambiental em todo o Brasil, já assentou entendimento segundo o qual não é possível a regularização de empreendimentos situados em área de preservação permanente, ressalvadas as hipóteses excepcionais de utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental, expressamente previstas em lei”.

Segundo o Ministério Público Federal em Corumbá, empreendimentos turísticos e ranchos de lazer não se enquadram nas hipóteses legais autorizadoras da ocupação de áreas de preservação permanente, especialmente por haver a possibilidade de instalação dos empreendimentos em áreas menos sensíveis ecologicamente.

10 mil m² destruídos

As denúncias feitas pelo MPF têm em comum construções turísticas ou sítios de lazer que ignoraram a legislação e estão situadas dentro das APPs. O impacto é classificado pelo Ministério Público como “imensurável”. A soma das áreas degradadas nas ações ultrapassam 10 mil m² de mata cilar.

Os casos são muitos, mas dois se destacam por suas graves consequências. Em uma das ações,  o lançamento de resíduos sanitários diretamente nas águas de um corixo resultou na revolta de toda a comunidade. Os moradores e frequentadores da região, após sofrerem com problemas de saúde e doenças de pele, chegaram a realizar abaixo-assinado, encaminhado ao MPF, contra os níveis alarmantes de poluição causados pela pousada.

Em outra situação, peritos da Polícia Federal verificaram a existência de um depósito de combustível praticamente dentro do rio Paraguai. A precariedade de armazenamento e sua proximidade do rio poderiam fazer de um simples vazamento, um desastre ambiental. Foi constatado ainda, em diversos casos, a colocação de fossas em áreas alagáveis, o que faz com que os dejetos transbordem para os rios nos períodos de cheia do Pantanal.

Nas ações, o Ministério Público Federal busca não apenas a reintegração das terras e posterior remoção das instalações, mas também a recuperação da área de preservação permanente com reposição da vegetação nativa e o pagamento de indenização pelos danos causados ao patrimônio ecológico e pelo uso indevido de áreas de domínio da União.

Ao deferir uma das liminares requeridas pelo MPF, a Justiça Federal afirmou que “uma vez desmatada determinada área, alterada a vegetação nativa, afetado o bioma natural, a recuperação ou a recomposição ao ’statu quo ante’ poderá levar anos, causando efetivo prejuízo a toda coletividade, eis que o meio ambiente equilibrado e conservado é direito de toda a coletividade, conforme determina o comando normativo presente no artigo 225 da CR/88. Essa irreversibilidade do dano ambiental traz a lume a incidência do princípio da prevenção, segundo o qual deve-se evitar o dano que possa chegar a produzir-se, tomando-se as medidas necessárias para tal intento”.

quinta-feira, 22 março, 2012 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Sucessos nas baladas da impunidade…

quinta-feira, 22 março, 2012 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Dilma aplica sua herança doméstico-feminina, à política: a Faxina Moral

Inês: Dilma enfrenta chantagem do Congresso

    Publicado em 21/03/2012
    Via conversaafiada.com.br

O Conversa Afiada reproduz texto da Carta Maior:

O carimbo de Dilma Rousseff nas negociações políticas

Há uma aposta clara em que, ao escolher seus próprios interlocutores na base aliada, a presidenta conterá os movimentos de chantagem que têm sucedido de forma permanente a troca dos ministros vitimados por denúncias. E que existe espaço na agenda para correr esse risco.

Maria Inês Nassif

Não parece aleatória a estratégia política assumida pela presidenta Dilma Rousseff (PT), desde que iniciou uma reforma ministerial em capítulos. A leitura que deve ser feita da ação de Dilma junto à base aliada (aí incluídas as escolhas ministeriais e de lideranças no Congresso politicamente mais afinadas com o perfil que quer dar às relações entre Executivo e Legislativo) é a de que ela bancou o risco de desarranjar uma coalizão montada pelo governo anterior, que também deu sustentação à sua candidatura, para fugir ao permanente impasse de demitir auxiliares indicados pelos partidos a cada denúncia de corrupção, e em seguida ser obrigada a se submeter à chantagem dos mesmos partidos para manter as pastas nas mãos dos grupos hegemônicos nas legendas. E, se correu o risco, é porque o governo avaliou que há espaço para tentar arranjos na base partidária, já que não existem questões urgentes a serem decididas pelo Congresso – a única, o Código Florestal, prescinde de uma enorme base de apoio, já que as posições individuais dos parlamentares estão muito consolidadas e a bancada ruralista é muito forte. Mantendo ou não os instrumentos tradicionais de negociação com a base aliada, o Executivo não teria nenhuma garantia de lealdade nessa questão.

Daqui para o final do ano, a gestão do Orçamento, com toda a flexibilidade que a lei dá ao governo, e as medidas para neutralizar os efeitos da crise financeira internacional sobre a economia têm mais relevância do que as matérias que tramitam no Congresso. O que é importante de fato esbarra em questões que transcendem acordos partidários – caso não apenas do Código Florestal, mas também da Reforma Política, onde uma decisão partidária não consegue se sobrepor aos interesses individuais dos parlamentares. Apenas o PT consegue fechar questão sobre o assunto.

Foram 11 os ministros substituídos até agora, mais dois líderes do governo – parte deles por baixa produtividade, outra parte vitimada por denúncias. Nesse último caso, a presidenta está tentando inverter a mão. Como a hegemonia dos grupos internos, nos partidos tradicionais, é definida pelo poder de troca desses grupos com o governo federal, está apostando que, ao subtrair influência desses líderes sobre a máquina administrativa e transferi-los a outros que estão hoje à margem das decisões partidárias, desequilibrará o poder interno a favor de pessoas mais comprometidas com o seu governo.

Ao substituir o senador Romero Jucá (PMDB-RR) por Eduardo Braga (PMDB-AM) na liderança do governo no Senado, ela não preteriu o maior partido da base de sustentação do governo, mas grupos internos que detinham há nove anos o monopólio das relações com o governo, especialmente os ligados a José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL). É uma aposta de que, se a interlocução com o Executivo define a hegemonia interna do PMDB, a presidenta pode ter o poder de renovar internamente o partido, ao optar por outros interlocutores.

O mesmo comportamento teve antes, em relação aos ministros escolhidos. Dilma tem alterado a lógica tradicional de que é preciso simplesmente se submeter às indicações dos aliados, mesmo que elas custem alimentar, ao longo de toda a gestão do indicado, a cota de poder de quem indicou – e, em consequência, os instrumentos de pressão sobre o próprio governo. Até agora, Dilma tem nomeado alguém do partido do ministro demitido, mas com compromissos de lealdade com o governo, não com os grupos dominantes de sua agremiação. Esta foi a origem da revolta do PR, que anunciou a saída do governo: o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, que é do PR, porém não faz parte do grupo dominante do partido, não é aceito pelos líderes da legenda como cota partidária, e sim como cota pessoal de Dilma.

No PDT, o movimento é semelhante. Após a demissão de Carlos Lupi (RJ) do Ministério do Trabalho, o político retomou o lugar de presidente da legenda, acirrando uma divisão interna que se prolonga quase desde a morte do fundador do partido, Leonel Brizola. O deputado Brizola Neto (RJ) está na contramão do grupo de Lupi: tem formação política que permite uma aderência mais orgânica ao governo, isto é, suas posições são muito mais próximas de um governo de esquerda do que as de Lupi. O ex-ministro manteve o PDT nos moldes deixados por Brizola avô (poder concentrado na Presidência e pouca seletividade na escolha de quadros) sem ter o carisma do velho caudilho. O poder de Lupi no PDT também depende do seu poder de interlocução com o governo. A escolha de Brizola Neto para o Trabalho, se for confirmada, dará mais consistência ideológica a uma pasta que, num governo petista, com tradicionais ligações com o sindicalismo, tem que servir como contraponto a outros ministérios destinados à direita governista. A lealdade do deputado, sem que se exija dele abrir mão de suas convicções políticas, será naturalmente maior a Dilma do que ao PDT representado por Lupi.

A reação dos partidos aliados ao ajuste pretendido por Dilma na representação dessas legendas em seu governo já seria grande, pois esses movimentos ameaçam o status quo das lideranças que detém o comando dos partidos de formação tradicional. Torna-se maior no período pré-eleitoral porque aí entram novos elementos de possível barganha. O pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, está pagando a fatura pelo jogo duro de Dilma. Como a vitória na capital paulista é fundamental na definição do jogo político depois das eleições, os partidos aliados ao governo nacionalmente passaram a usar a eleição local para reverter o quadro. Com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda afastado das lides eleitorais, a aposta dos aliados do governo federal é a de que o poder de barganha eleitoral reate as relações de poder dos grupos alijados da convivência com Dilma, por conta das mudanças na correlação de forças no Congresso.

É uma aposta que não pode ser traduzida por falta de orientação política do atual governo, mas por uma estratégia política diferente da gestão anterior. Se a área gerencial da atual administração já trouxe do governo Lula o perfil de Dilma, que foi sua principal colaboradora, no campo político o novo governo ainda não tinha uma cara própria. A presidenta, mesmo obrigada a apelar para a intermediacão do ex-presidente Lula de vez em quando, assumiu correr um risco. Mas ela não tinha alternativa a não ser a de imprimir o seu próprio estilo também nas relações políticas mantidas com o Congresso. Sem traquejo de negociação, conhecimento dos atores envolvidos na permanente barganha do poder e carisma de Lula, obrigatoriamente teria que impor padrões de relacionamento com seus alidos, sob pena de ficar refém da política tradicional.

Artigos Relacionados

Haddad: PSDB é a bola de ferro no pé do Brasil

(61)

Inês: o segredo do poder do Cerra

(141)

Inês: Cerra e Kassab vão juntos para o túmulo

(97)

Inês Nassif, Dilma, a Privataria e a fraude do PiG

(112)

Inês: PiG denuncia corrupção. E se cala sobre o Caixa Dois

(73)

quinta-feira, 22 março, 2012 Posted by | Repassando... | , , , , | Deixe um comentário

Desarmando a falácia pecuarista na Amazônia…

BLOGUE CONSUMO CONSCIENTE gado-e-desmatamentoDe há muito, temos comentado neste blogue a relação ambiental nefasta dos fazendeiros e sua bovinocultura com os recursos naturais em geral (especialmente na Amazônia), ao mesmo tempo que divulgamos os efeitos benéficos da consciência ambiental dos consumidores no encurralamento dos predadores histórico das matas, e forçando os frigoríficos a exigir mudanças nos comportamentos produtivos pecuários.

Hoje, a navegante Maria Luiza (PE) enviou-me uma nova reportagem sobre o tema, mostrando já alguns resultados concretos neste processo de mudança produtiva em busca da sutentabilidade, exatamente em uma das áreas de maior impacto pecuário sobre as matas amazônicas. Como sempre, infelizmente, estas mudanças começam mais uma vez através dos pequenos produtores da agricultura familiar, que geralmente tendem a imitar os modelos dos grandes produtores (mas que, mais facilmente, são mobilizados para outras forma de cultivo e criação, quando recebem a devida atenção extensionista, creditícia  e de fomento. Mas, apesar da resistência etno-centrista, pragmática e utilitarista dos grandes fazendeiros, o fato dos pequenos mudarem e darem certo, desarma as falácias, os falsos e frágeis argumentos da corporação ruralista predatória. A própria reportagem abaixo deixa claro a opinião destes predadores irresponsáveis: a questão não é a viabilidade da produção vegetal, a questão é o fato desta produção vegetal exigir mais mão-de-obra (um dinheiro que eles consideram impraticável), exigir uma maior presença do dono (que só vai lá de ano-em-ano) e não ser facilmente sequestrada (como os rebanhos animais), em caso de pressões legais fundiárias e trabalhistas. As plantações permanentes não se coadunam bem às ilegalidades geralmente presentes nestes grandes negócios agrários, pois não são passíveis de mudanças geográficas  nos momentos de ameaça pública de qualquer natureza.

Assim, com as novas mudanças e a médio prazo, pode-se crer na implantação de novas normas, leis e modelos agrários compatíveis com os paradigmas atuais do desenvolvimento rural sustentável.

Leiam e tirem as suas conclusões…
_____________________________________________

Município nº 1 em desmate troca bovinos por cacau

Pressão do mercado leva São Félix do Xingu (PA) a cultivar fruta para recuperar mata que virou pasto

18 de março de 2012 | 3h 08
MARTA SALOMON, ENVIADA ESPECIAL A , SÃO FÉLIX DO XINGU (PA) – O Estado de S.Paulo

Em uma década, 12 mil km2 de floresta – ou oito vezes o tamanho da cidade de São Paulo – desapareceram para dar espaço a mais de 2 milhões de cabeças de gado em São Félix do Xingu, no sul do Pará. O título de campeão de desmatamento na Amazônia levantou barreiras de mercado contra a carne do município, que detém o maior rebanho do País.

Os caminhões lotados de bois e vacas não vão deixar de marcar a paisagem da cidade e da balsa que atravessa os Rios Fresco e Xingu várias vezes ao dia, a caminho dos frigoríficos, preveem representantes do governo e de mais de uma dezena entidades da sociedade civil que trabalham na construção de um modelo econômico sustentável para o município. Mas a cena ficou um pouco mais promissora no lugar em que tudo parece ser gigante, a começar pela extensão do município, com o dobro do tamanho do Estado do Rio de Janeiro.

A pressão do mercado, aliada à dos “olhos” dos satélites, inviabilizou em grande parte a forma mais barata de aumentar a produção, que consistia em derrubar floresta para criar pastos num lugar onde a terra era barata e quase ninguém tem títulos válidos de propriedade.

Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que haviam registrado o ritmo acelerado das motosserras, colheram também os primeiros sinais de mudança: o desmatamento caiu quase 60% entre 2010 e 2011, a 146 km2 durante o ano.

“Ninguém deixou de desmatar porque é bonzinho, mas porque não tem comprador para o produto, o mercado está cobrando”, registra o secretário de Meio Ambiente da cidade, Luiz Alberto de Araújo.

Crédito. A freada no desmatamento ainda não foi suficiente para tirar São Félix do Xingu da lista dos municípios que mais abatem a florestas e restabelecer o crédito na região, cortado desde o início de 2008, em meio às medidas de combate à ação das motosserras.

Mas sinais mais sutis mostram que o município está no caminho de trocar o título de campeão de desmatamento pelo de grande produtor de cacau.

A produção da amêndoa da fruta -matéria-prima para a fabricação do chocolate – quadruplicou em cinco anos e alcançou 1,5 mil toneladas no ano passado, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais importante: o cacau vem sendo usado para recompor a vegetação em áreas desmatadas e garante fonte de renda, sobretudo para os pequenos produtores, com menos de 100 hectares de terra.

Em maior número (mais de 40% das propriedades), eles representam menos de 4% do território de São Félix, e são parte importante na engenharia de sustentabilidade ambiental do território.

A cerca de duas horas de distância, ou 34 quilômetros do centro da cidade pelas estradas de terra esburacadas do município, a entrada da propriedade de Jaime Martins de Sousa é de um verde intenso. Com orgulho, ele mostra a floresta que cresce vigorosa onde havia pasto até pouco tempo atrás. As margens de rios estão protegidas, há uma área de pasto recuperada para as vacas que ainda cria e uma produção de cacau, que cresce à sombra de outras espécies nativas.

“Dentro de pouco tempo, a capoeira vai recuperando e em dois anos já está dessa grossura”, diz Sousa, que nem tem banheiro em casa, apontando para as encostas dos morros em volta, onde a floresta já cresce alta. A declaração põe em xeque um dos tabus do debate da reforma do Código Florestal em votação na Câmara, segundo o qual a exigência recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), já aprovada no Senado, inviabilizaria a vida dos produtores.

Macacos. Além da falta de estradas para escoar as amêndoas, o principal obstáculo das plantações de cacau ainda são os macacos, que comem, em algumas propriedades, até 40% da produção de frutos. É um dos problemas em que a precária assistência técnica tem de lidar. Uma calda preparada a base de pimenta tem sido a melhor alternativa, nesse caso.

“Tem pessoas de todo tipo aqui. Conheço gente que, se tivesse 20 alqueires de floresta, iria derrubar 30. Eu me arrependi de ter derrubado para fazer pasto, mas, para recuperar, basta pôr uma cerca e dar uma ajuda, é muito fácil de pegar”, diz um outro mineiro instalado no lugar, o também pequeno produtor Altamiro Pereira Lourenço. “Com gado em terra pequena, não dá para viver; diversificando dá pra viver, é bom.”

Lourenço cria peixes e produz polpas de frutas da região, além do próprio cacau. O troféu que guarda na propriedade é uma sumaúma gigante, na parte de mata que acompanha a plantação de cacau.

“A expectativa é de que a produção cresça, porque garante renda e contribui para a redução do desmatamento”, diz Iron Eterno de Faria, presidente da Cooperativa Alternativa dos Pequenos Produtores Rurais e Urbanos (Cappru). Considerando a produtividade média de cada pé de cacau na região, um alqueire de terra, ou cerca de cinco hectares, pode render R$ 31 mil por ano, mais do que a renda proporcionada pela criação de gado na mesma área, calcula. Uma oportunidade também para o País, que ainda importa 50% do cacau que consome.

Negociações. Na quinta-feira, Faria participou de reunião com representante da multinacional Cargill, maior compradora de cacau no Brasil. As negociações indicam que a produção de cacau, restrita a menos de 20 km2, pode alcançar 500 km2 (50 mil hectares) nos próximos anos, dependendo da oferta de sementes de boa qualidade e assistência técnica. Isso significaria multiplicar por 200 a produção atual, de acordo com estimativas preliminares. Atualmente, o cacau produzido na região vai para Itabuna, onde as amêndoas são processadas.

As negociações vêm sendo acompanhadas pelo cuidado de não transformar o cacau em monocultura. Seria arriscado para os pequenos produtores locais, porque o preço produto está sujeito a instabilidades do mercado internacional.

Por ora, os médios e grandes produtores não parecem muito interessados em investir em cacau. Diferentemente da criação de gado, o cultivo do cacau exige cuidados frequentes e mais gente trabalhando.

“Esperamos autorização para compensar a reserva legal em outras áreas”, diz o produtor rural Pedro Rodrigues Vieira, que investe em aumento da produtividade das pastagens. “Para o cacau, precisamos de mão de obra, e isso é custoso”, avalia.

terça-feira, 20 março, 2012 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Aliados “muy amigos” da Dilma: tentando matar elefante com traque…

Via conversaafiada.com

Chantagear a Dilma é tiro no pé

    Publicado em 16/03/2012

 O partido do (vice) Presidente Michel Temer, o PMDB, e o do Senador Blairo Maggi, o PR, devem achar que o amigo navegante é um parvo.
Que ninguém percebe que o PMDB, o PR e outros da mesma espécie  se dedicam à arte de chantagear a Presidenta da República.
Ou vamos pro rachuncho ou bye-bye “governabilidade”!
E ninguém percebe.
Que basta jogar um lero às penas amestradas do PiG (*), disseminar uma falsa crise – e ninguém percebe.
Clique aqui para ler “A crise é do PMDB” e aqui para ler ” Blairo queria os Transportes e penduricalhos – só !”.
O partido do (vice) Presidente é um velho mestre na arte de chantagear – se não ceder, cai o Governo !
Com o apoio irrestrito do PiG (*).
E ninguém percebe.
O partido do senador Blairo Maggi levou ao Governo quatro nomes para se apossar do Ministério dos Transportes.
Nenhum deles – ignoram-se os nomes -, aparentemente, se qualificava para segurança de bingo.
Aliás, o senador Blairo vem à cabeça toda vez que se diz que o Estado deve ser governado como uma empresa.
Os tucanos de São Paulo adoram a tese.
(Embora nenhum deles jamais tenha administrado uma carrocinha de Kibon. É o tal  “choque de gestão” do Aécio Never, que há três  gerações trabalha  para o Estado.)
Sempre em busca da eficiência, dos resultados !
Blairo é um dos mais bem sucedidos empresários agrícolas do país e um desastre na vida pública.
É como o Mitt Romney nos Estados Unidos – um empresário bem sucedido e um político medíocre.
O Blairo e o Temer acham que ninguém percebe.
Que o partido deles pode acuar a Presidenta na calada da noite, extorquir o Ministério, a diretoria da estatal,  e ninguém percebe.
Percebe, sim !
Ainda mais que se trata de um conjunto de marmanjos, figurinhas carimbadas da política nacional, que não enganam mais ninguém.
O Brasil percebe tudo o que os partidos do (vice) Presidente e do Blairo pretendem.
O Brasil mudou, amigo navegante.
O Daniel Dantas que o diga: acaba de tomar uma “súmula vinculante” na Justica do Rio – clique aqui para ler “Klouri e PHA derrotam Dantas na Justiça, pela enésima vez”.
O Temer, o Renan, o Wellington, o Eduardo Cunha, o Henrique Alves, o Padilha, o Blairo, o Sarney – e o Brasil não percebe ?
Eles acham que vão paralisar o Congresso ?
Um presidente americano, Harry Truman, que substituiu uma lenda, Franklin Roosevelt, enfrentou os chantagistas com uma campanha: “o Congresso não trabalha”.
Era o “do nothing Congress”.
Quem ganhou a guerra ?
Ou eles acham que ninguém percebe?
Que basta seduzir as penas amestradas ?
Paulo Henrique Amorim

Temer e Blairo: e ninguém percebe ?

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

sábado, 17 março, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

A hipocrisia do Titio e a banalização da violência…

12 Mar
Por Brizola Neto

Chocante é o soldado estar lá

O presidente Barack Obama disse que a morte de 15 afegãos – entre eles, nove crianças e três mulheres – assassinados por um soldado americano no Afeganistão, é um incidente “trágico e chocante”.

Não é chocante, embora seja trágico.

Porque ninguém mais pode se chocar depois do enésimo episódio de abuso violento de tropas americanas.

Não é um louco isolado, como pode surgir em Realengo, na Noruega ou lá no Oriente.

São episódios que se repetem, com uma brutalidade em série, e em crescendo.

Porque Afeganistão e Iraque não são guerras entre exércitos regulares, mas massacres.

É inútil o presidente Barack Obama dizer que esta chacina “não representa a qualidade excepcional de nossa força militar e o  respeito que os Estados Unidos têm para com o povo do Afeganistão”.

Se respeitassem os afegãos, já teriam saído de lá, ainda mais agora que a “desculpa” Bin Laden já não existe, faz tempo.

Não teriam bombardeado o país durante anos, sem que nem mesmo houvesse uma força de resistência organizada, mas apenas pequenos grupos dispersos e mal-armados.

Não teriam cometido humilhações e violações, das quais a incineração de exemplares do Corão, há poucos dias, foi o corolário de um processo de desprezo pela cultura, pelas tradições e pela fé dos afegãos.

Não teriam, sobretudo, reservado a mais rápida e severa punição para o soldado Bradley Manning, cujo “crime hediondo” foi revelar algumas destas barbaridades.

Dizer que o soldado assassino sofreu “uma crise nervosa” é patético. Quem está em crise, profunda, são os valores universais da autodeterminação dos povos.

A “loucura” é da guerra, os “cães de guerra” são apenas sua expressão mais crua.

segunda-feira, 12 março, 2012 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Reformas na China: cuidado, o Titio não vai gostar e vai estabelecer sanções “democráticas”…

China precisa de reformas judiciais, diz Suprema Corte

Agência EstadoPor AE | Agência Estado – 17 minutos atrás

Mais reformas são necessárias para que o sistema judiciário da China supere os prolongados problemas com a transparência e os juízes corruptos, disse hoje Wang Shengjun, presidente da Suprema Corte do Povo. Em um relatório anual direcionado ao Congresso Nacional do Povo – o parlamento da China -, ele afirmou que a corte trabalhará para criar um melhor ambiente legal que proteja o desenvolvimento econômico e social e também aprofundará a reforma judicial em 2012.

“Alguns tribunais não se saíram bem na tentativa de melhorar a transparência e promover um sistema judiciário democrático”, informou Wang no documento. Ele criticou alguns juízes pelo atraso de audiências, acrescentando que um pequeno número deles teria recebido subornos.

Neste ano, a Suprema Corte trabalhará para reformar os procedimentos judiciais, a fim de acelerar o julgamento de casos civis envolvendo pequenas somas de dinheiro, bem como revisará as regras para que os cidadãos possam assistir às audiências, de acordo com ele. As informações são da Associated Press.

domingo, 11 março, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Sobre serviços ambientais, direitos indígenas, (i)legalidades e pilantragens…

Bem, amigos: em nome da salvação do planeta, está aberta a temporada da intermediação de serviços ambientais. Empresas internacionais (daqui a pouco também as tupiniquins) estão “comprando” os direitos indígenas ao uso de suas próprias terras e seus recursos naturais, tornando-os meros “caseiros” remunerados dos seus territórios. Pergunta-se: porque estes processos ocorrem sem a divulgação plena dos fatos? Porque os índios não podem, sem a dominação de intermediários titulares, executar com soberania as ações ambientais desejadas? Qual a relação de valor monetário entre o valor pago aos índios e o valor real dos créditos de carbono (pagos aos intemediários) e aos resultados de exploração sustentável da biodiversidade local (fármacos, matérias primas, etc)? Sem poderem mais cultivar roçados (e provavelmente caçar) o que farão estes índios no seu cotidiano? Quem fiscaliza, normatiza e autoriza estas negociações e qual a preocupação dos mesmos em relação ao processo drástico de mudança comportamental e cultural destas aldeias, pulando repentinamente da economia tribal à economia monetarizada integralmente?

Não custa lembrar a relativamente recente parceria entre uma empresa de cósméticos inglesa e os Kaipó do sul do Pará (para a coleta e beneficiamento da Castanha do Pará), cujo dinheiro dela oriundo nada gerou de positivo às aldeias envolvidas e sim, aculturação e contatos perniciosos à vida indígena (alcoolismo, prostituição, consumo industrializado desenfreado, endividamento comercial, etc.).

Enfim, estas e outras indagações são apenas a ponta do iceberg de dúvidas e perigos que arrodeam estas negociações que parecem mais negociatas ocultas e suspeitas. E só para relembrar, estas negociações ocorrem exatamente quando se consolida a legitimação das terras indígenas, tão persistentemente defendidas por ONGS e ambientalistas estrangeiros ou ligados a fontes financeiras internacionais. Bastante suspeito a cronologia deste processo e que reaviva desconfianças já citadas aqui neste blogue

Leiam e reflitam, amigos…
____________________________________________________________
(Repassado pela navegante Maria Luiza, PE)

Por milhões de dólares, índios vendem direitos sobre terras da Amazônia

Por US$ 120 milhões, empresa irlandesa comprou direitos, incluindo biodiversidade, de 16 áreas com o dobro do tamanho de Portugal por 30 anos, proibindo índios de plantar ou extrair madeira; acordo teria sido assinado sem consentimento da maioria

10 de março de 2012 | 20h 04
Marta Salomon – O Estado de S. Paulo

Por US$ 120 milhões, índios da etnia mundurucu venderam a uma empresa estrangeira direitos sobre uma área com 16 vezes o tamanho da cidade de São Paulo em plena floresta amazônica, no município de Jacareacanga (PA). O negócio garante à empresa “benefícios” sobre a biodiversidade, além de acesso irrestrito ao território indígena.
No contrato, a o qual o Estado teve acesso, os índios se comprometem a não plantar ou extrair madeira das terras nos 30 anos de duração do acordo. Qualquer intervenção no território depende de aval prévio da Celestial Green Ventures, empresa irlandesa que se apresenta como líder no mercado mundial de créditos de carbono.

Sem regras claras, esse mercado compensa emissões de gases de efeito estufa por grandes empresas poluidoras, sobretudo na Europa, além de negociar as cotações desses créditos. Na Amazônia, vem provocando assédio a comunidades indígenas e a proliferação de contratos nebulosos semelhantes ao fechado com os mundurucus. A Fundação Nacional do Índio (Funai) registra mais de 30 contratos nas mesmas bases.

Só a Celestial Green afirmou ao Estado ter fechado outros 16 projetos no Brasil, que somam 200 mil quilômetros quadrados. Isso é mais de duas vezes a área de Portugal ou quase o tamanho do Estado de São Paulo.

A terra dos mundurucus representa pouco mais de 10% do total contratado pela empresa, que também negociou os territórios Tenharim Marmelos, no Amazonas, e Igarapé Lage, Igarapé Ribeirão e Rio Negro Ocaia, em Rondônia.

‘Pilantragem.’ “Os índios assinam contratos muitas vezes sem saber o que estão assinando. Ficam sem poder cortar uma árvore e acabam abrindo caminho para a biopirataria”, disse Márcio Meira, presidente da Funai, que começou a receber informações sobre esse tipo de negócio em 2011. “Vemos que uma boa ideia, de reconhecer o serviço ambiental que os índios prestam por preservar a floresta, pode virar uma pilantragem.”

“Temos de evitar que oportunidades para avançarmos na valorização da biodiversidade disfarcem ações de biopirataria”, reagiu a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

O contrato dos mundurucus diz que os pagamentos em dólares dão à empresa a “totalidade” dos direitos sobre os créditos de carbono e “todos os direitos de certificados ou benefícios que se venha a obter por meio da biodiversidade dessa área”.

Territórios indígenas estão entre as áreas mais preservadas de florestas tropicais. Somam mais de 1 milhão de quilômetros quadrados e a maioria deles está na Amazônia. Para empresas que trabalham com mecanismos de crédito de carbono, criado entre as medidas de combate ao aquecimento global, as florestas são traduzidas em bilhões de toneladas de gases  estufa estocados e cifras agigantadas em dólares.

Benedito Milléo Junior, agrônomo que negocia créditos de carbono de comunidades indígenas, estima em US$ 1 mil o valor do hectare contratado. A conta é feita com base na estimativa de 200 toneladas de CO2 estocada por hectare, segundo preço médio no mercado internacional.

Milléo diz ter negociado 5,2 milhões de hectares, mais que o dobro do território dos mundurucu. Nesse total está contabilizado o território indígena Trombetas-Mapuera (RR), que fechou contrato com a empresa C-Trade, que também atua no mercado de crédito de carbono.

Segundo ele, a perspectiva é de crescimento desse mercado, sobretudo com a regulamentação do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (Redd).

Sem receber. Os mundurucu ainda não começaram a receber o dinheiro pela venda de direitos sobre seu território. Os pagamentos acordados, em 30 parcelas iguais de US$ 4 milhões, serão feitos até o último dia do ano, entre 2012 e 2041. As regras constam do contrato assinado pelo presidente da Associação Indígena Pusuru, Martinho Borum, e o diretor da Celestial Green, João Borges Andrade. As assinaturas foram reconhecidas no cartório de Jacareacanga.

“Não poderemos fazer uma roça nem derrubar um pé de árvore”, criticou o índio mundurucu Roberto Cruxi, vice-prefeito de Jacareacanga, que se opôs ao acordo. Ele disse o contrato foi assinado por algumas lideranças, sem consentimento da maioria dos índios. “A empresa convocou uma reunião na Câmara Municipal;eles disseram que era bom”, conta.

Em vídeo na internet, uma índia mundurucu ameaça o diretor da Celestial Green com uma borduna. “Pensa que índio é besta?”, gritou ela na reunião da Câmara, lembrando a tradição guerreira da etnia.

O principal executivo da Celestial Green, Ciaran Kelly, afirma todos os contratos da empresa com comunidades indígenas passam por um “rigoroso processo de consentimento livre, prévio e informado”, segundo normas internacionais.

domingo, 11 março, 2012 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário