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Acordo neste domingo lendo sobre a preocupação ocidental com o uso ideológico dos videogames, pelo governo iraniano. E repasso para vocês, abaixo, a dita notícia, tal a hipocrisia dos estados ocidentais em patrulhar a iniciativa árabe: nós podemos, mas eles não podem, né? Basta dar uma olhada nos nossos videogames: guerras, violência de todos os tipos, infiltrações culturais ianques, morte a terroristas árabes, o escambau… Tudo fazendo a cabeça dos usuários (geralmente jovens) contra tudo que não seja ocidental e limite a expansão da dominação do Titio. Neste contexto, é muito natural que eles, os árabes, tomem iniciativas como estas que repasso abaixo, como legítima defesa.

Dêem uma olhada e façam uma análise comparativa entre os objetivos iranianos e os objetivos desta nossa banda do planeta, no que concerne ao entretenimento virtual…

Bom domingo a todos.
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No Irã, videogames a serviço da guerra ideológica

Agência O GloboPor Janaina Lage (janaina.lage@oglobo.com.br) | Agência O Globo – 1 hora 12 minutos atrásAFP – 10 horas atrás

RIO – Salman Rushdie está escrevendo um livro de memórias sobre os dez anos que viveu como Joseph Anton, mistura de dois de seus autores favoritos: Joseph Conrad e Anton Tchekhov. A identidade falsa foi a forma de se esconder após receber, em 1989, uma sentença de morte do aiatolá Khomeini. O então líder supremo do Irã considerou que o livro “Os Versos Satânicos” era contra “o Islã, o profeta (Maomé) e o Alcorão”. O governo iraniano se desvinculou da ameaça em 1998, mas um grupo da Associação Islâmica de Estudantes decidiu ressuscitar a fatwa contra Rushdie e propagar a condenação para as próximas gerações com um recurso cada vez mais usual no país: um jogo de computador.

O anúncio foi feito enquanto Teerã sediava no final do mês passado sua segunda Exposição de Jogos de Computador. O projeto ainda está em fase de produção e pouco se sabe sobre o enredo, mas a expectativa é que os jogadores recebam a missão de executar a sentença contra o escritor.

No Irã, jogo de computador é assunto de Estado, e uma maneira de combater o que o governo classifica como uma guerra cultural do Ocidente, com a invasão de produtos como canais de TV por satélite, livros e filmes de Hollywood. Em uma população com ampla presença de jovens (quase metade abaixo dos 25 anos), os jogos de computador e videogames caíram no gosto popular, mas o mercado ainda é abastecido por produtos fabricados no exterior, principalmente nos EUA.

– O governo iraniano está muito preocupado com mídias digitais, redes sociais e videogames. Eles tentam controlar a informação para restringir a sociedade aos princípios islâmicos. Tentam mostrar que o Ocidente é perigoso, e o mesmo raciocínio é usado para literatura, cinema e música. Mas é uma estratégia sem chance de vitória, os jovens iranianos estão interessados em tudo isso, música, cinema e jogos – disse ao GLOBO Hadi Ghaemi, diretor-executivo da International Campaign for Human Rights in Iran.

De outro lado, em entrevista à agência Fars, o secretário do Conselho Supremo da Revolução Cultural, Mokhber Dezfouli, disse que o Ocidente está preocupado com o avanço no design e no desenvolvimento de produtos culturais, como jogos.

– Tínhamos apenas dois jogos (desenvolvidos no Irã), ambos fracos. Mas depois que o assunto caiu na agenda do conselho com a ordem do Líder Supremo da Revolução Islâmica (o aiatolá Ali Khamenei), desenvolvemos cerca de 140 jogos com conteúdo islâmico e iraniano que podem competir com produtos estrangeiros – disse.

Vendas de games no Oriente Médio chegam a US$ 10 bilhões/ano

Economicamente, o mercado parece promissor. Analistas que participaram da Exposição Mundial de Jogos em Dubai, no ano passado, estimaram as vendas da indústria de games no Oriente Médio, considerando consoles, hardware e produtos de jogos digitais online, em US$ 10 bilhões/ano. Dos 52 países que participaram do evento, o maior pavilhão coube ao Irã.

O catálogo de jogos iranianos inclui produtos educativos, enredos baseados em mitos persas e na indústria do petróleo. Mas política externa e História militar também têm papel de destaque. Em “Mir-Mahna, por exemplo, o personagem principal é um herói nacional que derrotou as forças holandesas e liberou cidades do Sul do país dos “ocidentais imperialistas” no século XVIII. Em “Cherik”, a narrativa é baseada em um confronto na guerra entre Irã e Iraque (1980-1988).

Neste ano, em evento com a presença da Marinha, foi lançado o primeiro jogo que mostra a atuação de militares iranianos, o “Batalha no Golfo de Áden”, que trata do combate das forças iranianas contra piratas somalis.

A pedido do GLOBO, Arthur Protasio, coordenador do CTS Game Studies, projeto de pesquisa e desenvolvimento de jogos da FGV, e presidente da Associação Internacional de Desenvolvedores de Jogos do RJ, analisou os trailers dos jogos. Em “Garshasp”, que retrata um herói que combate monstros na mitologia persa, ele viu semelhanças com uma série de jogos ocidentais intitulada “God of War”:

– Há aspectos similares no visual, na mecânica do jogo, na forma como o jogador controla o personagem e também do ponto de vista narrativo. Os combates são parecidos, os protagonistas usam grandes armas para enfrentar monstros gigantescos, que têm o dobro ou o triplo do tamanho do herói, o que confere essa sensação épica e reforça a ideologia por trás do jogo.

Já nos jogos com a presença de militares, ele viu coincidências com a série americana “Call of Duty”.

– Não é no sentido de cópia, mas a indústria de jogos tem predominância de produtos americanos e japoneses. É natural que existam aspectos similares. O interessante é ver o lado oposto da história e o interesse em transmitir valores próprios da cultura iraniana.

O esforço em produzir conteúdo próprio resultou na criação da Fundação Nacional de Jogos Iranianos, que promove a indústria no país. O empenho para aplicar valores islâmicos ao entretenimento é de tal ordem que o país desenvolveu seu próprio sistema de classificação de jogos, batizado de Esra (Associação de Classificação de Softwares de Entretenimento, na sigla em inglês), com uma equipe de 17 psicólogos e oito sociólogos. O sistema lista os jogos com base em parâmetros como violência, promoção do tabaco ou drogas, diversidade sexual ou nudez “para evitar que causem danos psicológicos ou comportamentais”.

A relação com os produtos ocidentais nem sempre é amistosa. No ano passado, o Irã baniu o jogo “Battlefield 3”, que apresenta um ataque americano a Teerã. A Fundação Nacional de Jogos de Computador ameaçou retaliar com o desenvolvimento de um jogo intitulado “Ataque a Tel Aviv”.

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domingo, 15 julho, 2012 - Posted by | Comentário, Repassando... | , ,

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