Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Diários de Oiá (IV): ser adolescente não é fácil…

Oi, galera! Depois do longo e tenebroso inverno da minha adolescência, estou de volta. Mais calma, mais segura, mas sem perder a ternura jamais (com fala o Véio). Embora tenha ganho uma casa grande e confortável (quarto e varanda) estes meses não foram fáceis: poucos passeios, o Véio meio triste e distante, apenas com visitas ocasionais para eu me engajar e curtir… Difícil… Na minha fase mais vulnerável, tão isolada. Até o Perninha, meu paquera de infãncia, nunca mais vi. No desespero, me apareceu um interessado da vizinhança (até bem apanhado, mas muito baixinho), rondando pelo outro lado da cerca da varanda. Me assanhei, mas a cerca limitava o nossa namoro a meras lambidas e cheiradas. Quando o Baixinho conseguiu abrir um buraco na cerca, achei que a coisa ia pegar fogo, mas o cara é muito nanico (verticalmente prejudicado, como também diz o Véio) e não rolou muita coisa mais. Mas tudo bem, melhor que nada: ele chegava à noitinha, comia da minha ração e a gente dormia juntinho no apê. Só que, numa maldita manhã, o Véio veio mais cedo pro quintal e nos flagrou. Caraca! Saí na varanda e o Baxinho, quando o viu, varou pelo buraco que nem uma bala, o diabo era quem levava! Nem sei como ele passou tão rápido por aquela brecha tão pequena. Agora, o Véio tapou o buraco e tentamos manter o namoro na cerca,  mas ele tá marcando firme (já deu várias carreiras no nanico, que não parece nada corajoso e anda sumido…)

Umas conhecidas minhas de Belém apareceram umas duas vezes, mas não deu liga: são duas nanicas metidas a besta, cheias de frescuras. Até os nomes são de patricinha: Bruna e Pempe. A Bruna, então, é um xarope: ruiva (devia ser loura) só quer colo e rosnar quando eu me aproximo. A Pempe é afrodescendente como eu, mas também toda cheia de não-me-toques. Um saco… O casal que cuida  delas até que é legal, mas as duas… Creeedo!

Agora, uma visita legal é a  Miroca, irmã do Véio. A cada vez ela traz um tal de cordeiro ensopado pra mim. Huuummm! Delícia… Mas é só, não gosta de muito chamego, não quer papo de abraço, lambida. Pena, cordeiro com carinho seria muito melhor…

E a mulher do Véio! Acho que ela é meio peidada-do-juizo, como a gente diz por aqui. Quando eu era pequena, ela brincava muito comigo, mas depois que eu cresci, ela passou a ter medo de mim. Eu me jogava nela pra abraçar e ela gritava! Cabra frouxa… Aí, só de sacanagem, eu pulava nela e arreganhava os dentes e ela gritava: ela tá querendo me morder!!! Quando eu passava correndo perto dela, rosnava, e ela se desesperava!!!KKKKKK. Mas na sua ultima visita, ela se reaproximou de mim e retomamos a antiga amizade. Parei de assustá-la e ela voltou a me acariciar gostoso. Só não aceita ainda é lambida na cara, mas o resto tá bom demais. Pena que ela só vem de vez em quando…

Pois é, tô agora estarrada na minha varanda, morta de cansada das corridas que dei no quintal (ao lado do Véio), de uma boa briga com uma garrafa plástica que achei e uma comidinha caseira, pensando na vida. O Véio me falou de um cachorro qúe mora em Recife com o filho dele e que é preto que nem eu. Mas, sei não. Diz que o dito cujo se chama Bruce, mora em apartamento… Onde já se viu afrodescendente com nome de gringo? Bastante suspeito… Ele aqui neste lugar imenso e cheio de mato, ia ficar perdido, igual àquelas duas de Belém.

Vamos tocar em frente e esperar. O Véio vive falando em netos, mas não me apresenta ninguém e ainda corre com os poucos pretendentes que aparecem! Quando é que vou topar com um cachorrão bonito e grandão, cabra macho e decidido? Tá certo que ele é um cara legal mas, em matéria de sexo, é mais antigo do que o tempo em que cachoro enterrava ossos. Oh! Vida…

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terça-feira, 17 julho, 2012 - Posted by | Crônica, Pequenas histórias | ,

7 Comentários »

  1. hahahhaa, adorei pai! Minhas crias morrem de medo de cahorro, mas quem sabe elas não se apaixonam pela afrodescendente! beijos!

    Comentário por Giselle | terça-feira, 17 julho, 2012

  2. É, filha, as as crianças de hoje desconhecem o bem que faz uma amizade animal. Mas quem sabe, quando minhas netas vierem por aqui, elas se fascinam pela Oiá. Ela é muito charmosa e jeitosa, cativa todo mundo que a cobhece (menos a “primas” nanicas de Belém (rss). Beijão.

    Comentário por Henrique Miranda | terça-feira, 17 julho, 2012

  3. É, pelo visto quem acertou na loteria foi eu, o Bruce não pode ver alguém pra brincar que ele fica doido púlando em cima. O mato ele conhece sim, tem um terreno bem grande aqui atras que levo ele pra correr, fico lendo um livro ele estica as patas. Inclusive ele descobriu uma mini plantação (não sei do que) que o vizinho fez, colocou uns restos de frutas para adubo, quando vejo que ele tava bem quiteto e fui ver o que era, tava se fartando nas frutas… Ficou passando mal o resto do dia, mas ele já está bem agora. Quem ta sofrendo com o inverno agora é ele, essa época aqui é só chuva aqui e fica dificil o passeio. 😦

    Comentário por Ricardo Henrique de Miranda | terça-feira, 17 julho, 2012

  4. Coitada da oiá, com o “véio” marcando em cima não tem jeito. kkkk
    O afrodescendente de Recife é bonito, grandão, macho pero no mucho (o coitado é castrado). Se não tive-se esse “probleminha” varia uma bela festa com a oiá e o “véio” teria os desejados netos. 😦

    Brincadeiras a parte, dou ótimas risadas com o “Diários de Oiá” estava com saudades.
    Grande beijo!

    Comentário por Emilia | terça-feira, 17 julho, 2012

  5. OPS… “FARIA” uma bela festa com a oiá

    Comentário por Emilia | terça-feira, 17 julho, 2012

  6. Filho Ricardo e nora Emília,
    Que sacanagem vcs fizeram com o Bruce! Castrá-lo! Bem que a Oiá andava desconfiada (rss)… Filho, parece que vc “pegou ar” com os comentários da Oiá sobre o Bruce (kkkk). Não ligue, são comentários bem humorados de uma adolescente em crise (rsss). Até que enfim vi os vídeos do Bruce, estão ótimos…Eu tenho uma filmadora, mas não sei postar os vídeos no blogue. Se tiver como, me dê as dicas, tá?
    Beijão a vcs dois.

    Comentário por Henrique Miranda | quarta-feira, 18 julho, 2012

  7. entendi como brincadeira mesmo 🙂

    Comentário por Ricardo Henrique de Miranda | quarta-feira, 18 julho, 2012


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