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Para não desligar os neurônios

As urnas: sempre desmentindo as “pesquisas” eleitorais…

VIRADA EM SÃO PAULO; VITÓRIA EM CARACAS: O ELEITOR  RESOLVEU  ‘METER O BICO’
Foi  um domingo para não esquecer. A história  rugiu, rangeu e se mexeu; repôs certas correlações entre a nervura social e o voto; entre o discernimento popular e o legado histórico de projetos e propostas antagônicas. As urnas falaram e como é natural, em escrutínios municipais marcados por peculiaridades locais, emitiram vereditos ecumênicos. Mas certas linhas se destacaram. Ali onde a natureza da disputa incorporou a  tensão do conflito entre dois grandes blocos de interesses contraditórios — não apenas no âmbito local, mas nacional e também no plano da crise global– a resposta do voto desautorizou o prognóstico conservador. Ou seria melhor dizer a torcida e, em alguns casos, a quase fraude?   O domingo mostrou que o mundo seria perfeito para o conservadorismo se a democracia pudesse ser resolvida à frio. No campo  das ilações, digamos, tão a gosto de certas togas e dos interesses aos quais elas se oferecem ao desfrute, sendo por eles obscenamente desfrutadas. Se  bastassem as ilações do Datafolha, por exemplo, Serra iniciaria hoje um passeio pelo segundo turno para desmontar o frágil Russomano. O Datafolha modelou esse cenário e insistiu nele até o último instante, reservando a Haddad uma 3ª colocação algo desanimadora (quem é que gosta de votar em quem vai perder?). Súbito, em 24 horas, o candidato do PT saltou dos 19% que lhe eram atribuídos pelo instituto dos Frias e encostou nos 29%. Como um instituto que se pretende isento não capta um migração de votos dessas proporções? Se Haddad fosse um furacão e o Datafolha um serviço de meteorologia, que destino caberia aos responsáveis por tão clamorosa falha? As ilações –engajadas– tampouco se revelaram pertinentes na tarefa de derrotar Chávez neste domingo. Maciçamente apresentado como uma ruína política pelo jornalismo conservador –incluindo-se os mervais brasileiros– o ‘autoritário’ Chávez venceu Henrique Capriles, num pleito limpo, por uma diferença  superior a mais de um milhão de votos  (54% a 44%).  Um domingo, portanto, memorável em que o eleitor resolveu ‘meter  o bico’ em São Paulo, em Caracas e outras praças, para horror dos Serras, Aécios e Capriles, que  não suportam  ‘estrangeiros’ em seus currais.  O impacto dessas  transgressões, ademais de desautorizar  e desqualificar  pesquisas e colunistas que agora terão que explicar seus malabarismos de campanha e boca de urna, mais uma vez, inclui também uma advertência às candidaturas de esquerda que seguem para o 2º turno:  é hora de vestir a camisa do bloco  progressista ao qual pertencem, se quiserem obter os votos que  –tradicionalmente–  a eles se destinam.
(Carta Maior; 2ª feira/08/10/2012)
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segunda-feira, 8 outubro, 2012 - Posted by | Repassando... | ,

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