Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

A mídia pé na cova…

Amigos, finalmente saí de um demorado bug da internet. Assim, volto à ativa, e já bronqueado com as safadezas midiáticas que vi esta semana. A principal delas foi (e ainda está sendo) o orgasmo múltiplo da midia com a tragédia de Santa Maria. Jornais televisivos inteiros, a busca obssessiva do detalhe (quem morreu primeiro, como morreu, o escambau!), entrevistas intermináveis com especialistas sobre aquilo que não foi feito e que ninguém (inclusive a própria mídia) enxergou antes da tregédia. A hipócrita cara de compungido do William Bonner aproveitando as lágrimas sofridas de parentes dos mortos, aproveitando-se da dor íntima de cada atingido pela catástrofe. A caça às bruxas antes de enterrar os mortos. Para prolongar mais ainda o carpir mercadológico dos mais de duzentos jovens falecidos, desenterraram todas as grandes tragédias similares ocorridas e que estavam esquecidas nos arquivos mortos, aguardando momentos propícios à ressureição. Enfim… Uma grande tragédia que alimentará os próximos trinta dias do noticiário, que andava meio capenga de carnificinas com a redução das chacinas do Rio/SP/SC. Parece até que uma delas aproveitou o fato para um gancho de lançamento da próxima novela (“Pé na cova“), que deverá ironizar aquilo que eles sensacionalizaram nestes dias de luto: a morte.

Perguntinha: quando este país terá uma mídia responsável sócio-politicamente e não-sensacionalista?

Às pessoas atingidas pela tragédia, os nossos pesares. E que eles desculpem o desrespeito jornalístico vigente neste país…

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terça-feira, 29 janeiro, 2013 Posted by | Comentário | , , | 1 Comentário

Pro dia nascer feliz (II)…

Ao fim do ano mais sedentário da minha longa vida, os exames médicos anuais e obrigatórios da empresa em que trabalho, trouxeram-me duas notícias que não foram surpresas: a glicose bombando em 300 e os triglicerídios em 880 (o meu recorde é de 940, imbatível há vinte anos). Normal, para quem é relapso com a saúde, como eu. Porém, sou relapso mas não sou doido e tomei minhas providências: comprei a Dilma, minha bicicleta (vermelhinha como o PT, corajosa por aguentar 110 kilos sobre ela e eficiente em me ajudar a queimar as substâncias indesejáveis). E embora a cardiologista tenha extrapolado sua função (esqueceu o meu teste ergométrico quase normal, ignorou o meu histórico no último mês e virou o cão quando viu os hemogramas), recebi o meu laudo de saúde ocupacional e voltei pra casa para iniciar minhas férias.

E hoje, na madrugada, acordei para iniciar as férias que há muito tempo não curtia. Dei uma (volta!!!) de meia-hora com a Dilma, tomei um banho e café (para iniciar a minha jornada de fumante) e, sentindo-me um jovem, abri o computador para botar as relações em dia. Surpresa agradabílissima: email saudoso do meu filho Ricardo, me oferecendo uma passagem para curtir o Carnaval com ele e família, no Recife. Instantaneamente, vieram aos meus sentidos coisas de há muito guardadas no armário: saudades dos filhos, saudades do meu sertão nordestino velho de guerra, gosto de buchada, cachaça, carne de bode, umbuzada, o escambau. Vontade de sentar com ele(s) em buteco, jogar xadrez e video-game, contar histórias e piadas, visitar museus e artesanias, ouvir aquele sotaque nordestino que tanto amo. Enfim, reacordar minhas raízes, que deixei tão cedo e que me faz tanta falta…

E já feliz com o amanhecer, ligo a TV: num canal, documentário sobre a sobrevivência de sertanejos na aridez da caatinga seca; assisto, troco o canal e dou de cara com reportagem sobre o Gonzagão e seu Parque Asa Branca, em Exu. Concluí que só podia ser uma conspiração contra o meu coração! Querem me matar?

Passadas as lágrimas felizes, fui pro quintal ver meus patos exercitarem as asas num bailado formoso, alimentar a Oiá (que está buchuda e esfomeada, ao lado do marido), colher mangas, alimentar os peixes, fiscalizar os mamoeiros e, finalmente, sentar no banquinho em meio às laranjeiras e tragar aquele cigarro companheiro. Tudo isso, ruminando minhas reassanhadas lembranças nordestinas.

Nada como ter sonhos. Nada como ter um lugar tranquilo para viver o ócio criativo. Nada como ter pessoas e lembranças no coração. Nada como ser amado.

No meus tempos loucos, brincava que as minhas necessidades básicas eram “sexo, drogas e rock in roll”. Pelo jeito, se for a Recife, terei que deixar de lado as drogas e o rock in roll. O sexo? Ahh! Deixa pra lá…

Um bom fim-de-semana para todos…

sábado, 19 janeiro, 2013 Posted by | Comentário | , | Deixe um comentário

Tem que acabar o Bolsa Família, pessoal…

Publicado em 13/01/2013

Bolsa Familia é um fracasso. No PiG

A educação e a saúde melhoraram. A mortalidade infantil diminuiu. A Fome acabou. Isso é que é ser “refém” !

O Cebrap era um centro de análise e planejamento – até que o Farol de Alexandria, seu fundador, assumiu a Presidência.
Aí, o Cebrap confundiu-se com os diversos tons de cinza e treva que ofuscaram o Governo do Farol.
Agora, pretende ressurgir da letargia.
Sempre com a tarefa de fornecer ideias ao Farol – aquele que iluminava a Antiguidade e se extinguiu num terremoto chamado Lula.
Neste domingo, o Estadão dedica e capa e três páginas ao Bolsa Família, ancorado em pseudo-analises de planejamento do Cebrap.
É um ataque em pinça, o do Estadão.
Uma equipe foi a Guaribas, no interior do Piauí, onde o Nunca Dantes lançou programa, em 2003.
Outra foi ao jazigo do Cebrap.
Em Guaribas, a Panzer-Division fez uma descoberta extraordinária: a cidade de 4 mil habitantes ganhou água encanada, agências bancárias, uma unidade básica de saúde (que horror !), mais escolas (que horror !), ruas calçadas, os índices de mortalidade infantil e analfabetismo caíram (que horror !), o aproveitamento escolar das crianças subiu (que horror !), e a fome desapareceu (assim não dá ! Isso é uma desgraça !).
Mas, mas, é o “mas” da editoria “o Brasil é uma m…” que infesta o PiG (*) e especialmente o jornal nacional.
Mas…
Mas, diz o Estadão, falta emprego.
E, por isso, Guaribas “permanece refém dos programas e renda”.
“Refém”! Refém do fim da fome, do cuidado à saúde e à educação.
“Refém”, segundo o Houaiss, tem uma conotação militar e outra, que deve ser a dos jênios do Estadão:
– “em situações extremas, aquele que fica, contra a sua vontade, em poder de outrem, como garantia de que alguma coisa será feita.”
Aí entra um jênio do Cebrap, para dar consistência ideológica à ofensiva dos blindados do Estadão contra os pobres de Guaribas.
Diz Alexandre de Freitas Barbosa, responsável por uma pesquisa do Cebrap sobre a miséria que assola o pobre do Bolsa Familia.
“O Governo concentra (sic) recursos neles (programas de transferência de renda) porque é a linha de menor resistência (resistência de quem, cara pálida ? – PHA): garante estatísticas positivas (o amigo prefere “negativas”? ) e DIVIDENDOS ELEITORAIS”.
( Ênfase do ansioso blogueiro.)
Ou seja, o Cebrap não passa de uma extensão, chic, da mulher do Cerra, a notável estadista chilena que foi à Baixada Fluminense, na vitoriosa campanha de 2010, dizer que o Bolsa Família é o Bolsa Vagabundagem.
A malandragem não trabalha, vive às custas do Governo e vota no Governo parece ser a conclusão da “análise e do planejamento” fernandino.
Barbosa reconhece que a pobreza diminuiu e, mais importante, que nos governos do Nunca Dantes e da Dilma houve uma significativa redução do Índice de Gini, ou seja, da desigualdade.
Isso, ele admite.
E, aí, vem a jenial sugestão, o que fazer.
Ah, o Cebrap sabe !
“É preciso mudar o atual padrão de desenvolvimento para outro que permita acumular mais capital, mais produtividade, e permitir que os ganhos do trabalho avancem à frente dos ganhos do capital.”
Jenial !
Então, o Barbosa sugere uma revolução comunista em Guaribas: o Estado acumular capital e tirar dinheiro dos banqueiros para dar aos pobres.
Sensacional !
O Farol de Alexandria fez a volta completa: acabou no comunismo, no sertão do Piauí !
É fácil.
Para acabar com a vil dependência dos moradores de Guaribas, pau nos bancos !
Muito fácil.
Foi exatamente o que fez o Fernando Henrique – o de juros de 45 %.
Sobre a vil dependência, cabe recorrer a estudos recentes, no próprio Piauí, do respeitado professor Otávio Velho, que mostrou como os programas de transferência de renda libertam os pobres dos coronéis políticos.
Outro, que mostrou como o Bolsa Família combate o machismo.
Sem esquecer da consideração de amigo navegante: como exige carteira de identidade e titulo de eleitor pra receber o benefício, o Bolsa Família estimula o analfabeto a votar.
Isso não é uma maravilha ?, amigo navegante ?
Não !
Para o Cebrap, bom é quando o pobre não vota.
E o regime, de preferência, é o parlamentarismo – outra pérola que brotou do Cebrap, quando o Padim Pade Cerra aparecia por lá.
Pobre não tem nada que votar.
Lugar de pobre é na cozinha. Em tempo: na primeira página também, o Globo (o 12o. voto do STF) lança uma bomba de nêutron sobre os pobres: “brasileiro é cético sobre o Bolsa Familia”. Tanto assim que, segundo o próprio Globo, 73% deles acham que o Bolsa Familia não deve acabar… A propósito dos elevados propósitos do Globo em relaçao aos pobres, não deixe de ler: “A Globo não conseguiu destruir o Rio”.
Paulo Henrique Amorim

domingo, 13 janeiro, 2013 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

As farsas da (ir)responsável mídia nacional (II)

*Na madrugada deste domingo, forças de repressão de Israel desalojaram acampamento palestino em terreno onde Netanyahu pretende instalar mais 4 mil colonos
**área é crucial para manter a unidade entre o norte e o sul de um futuro estado palestino na Cisjordânia.
**Direita leva duas mil pessoas às ruas de Caracas: protesto esquálido  contra o adiamento da posse de Chávez,neste sábado,  contrasta com a maré humana que tomou as ruas do país, na 5ª feira, em apoio à  transição sem sobressaltos, com Nicolas Maduro no comando
UMA SEMANA PARA NÃO ESQUECER
O jornalismo praticado pelo dispositivo conservador tem cada vez mais o prazo de validade  de um pote de iogurte, vencido. A ‘grave denúncia’ da noite  azeda  no contato com o oxigênio da manhã. A manchete  garrafal e assertiva da hora desaba ao primeiro sopro dos fatos.Como um frango desossado da Sadia, não se sustenta sem os ganchos de uma desconcertante indiferença à realidade. No futuro, quando o historiador  autopsiar esse açougue  onde cortes especiais redesenham o país ao gosto de interesses pantagruélicos,  será possível avaliar melhor as consequências da injeção sistemática de semi-informação, meias verdades, semi-cultura,vulgaridades e mentiras no imaginário de um povo. Por ora, trata-se de resistir à matéria tóxica. Sempre se poderá alegar em defesa do imobilismo que o limite do abuso é o contrapeso da realidade objetiva. Em termos. O economicismo  que  se acredita autossuficiente na disputa pela hegemonia da sociedade  é tão equivocado quanto o laissez-faire. Ambos entregam o destino da Nação às forças de mercado. Com as consequências conhecidas, quando o conflito de interesses atinge a polarização prenunciada  nas manchetes da semana que passou.
(Carta Maior; Domingo, 12/01/2013

domingo, 13 janeiro, 2013 Posted by | Repassando... | , , , | Deixe um comentário

A melhor defesa sempre é o ataque…

A grande virada da resistência palestina

Mais de 250 mulheres e homens, sob o intenso frio do fim de madrugada de 11 de janeiro, fundaram Bab Al Shams (Porta do Sol), a mais nova vila palestina. Ali, no platô pedregoso de al-Tur, eles montaram, com a ajuda de ativistas de várias partes do mundo, dezenas de barracas para evitar a construção de novas casas para colonos israelenses. A construção da vila é uma iniciativa única e marca uma nova fase da resistência. Os palestinos, segundo a declaração distribuída durante a fundação da vila, não estão mais dispostos a esperar que o confisco de seu país se consume. O artigo é de Baby Siqueira Abrão. > LEIA MAIS  12/01/2013

domingo, 13 janeiro, 2013 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

As farsas da (ir)responsável mídia nacional…

A TV brasileira está cada vez pior e mais descarada, em seus jornais televisivos. É impressionante. Basta passear pelos vários canais (principalmente os mais acessados) e se vê a mesma estratégia: o sensacionalismo barato, o partidarismo político e a violência sem fim. Se fosse possível espremer estes noticiários, sairia muito sangue, inúmeros linchamentos políticos e terrorismo informativo. E eles não têm o mínimo escrúpulo para manter este “elevado nível” de informação, recorrendo a artifícios mil para não deixar cair a peteca de suas “linha editoriais”. A toda hora e todo instante, percebe-se as manobras “jornalísticas”. Com saco cheio de assistir a este  jornalismo lamentável, ao invés de desligar a TV vou tentar, a partir de hoje, comentar ao menos as farsas mais escabrosas. Como exemplo disso cito hoje três fatos atuais e incontestáveis que detectei:

Fato 1: ao final de todo ano passado, cada um destes noticiários, através de seus “jornalistas”, babavam de prazer em citar,a cada dia, vários assassinatos de policiais e chacinas no Sudeste Maravilha. Pois bem: nestes primeiros dias de 2013, como a realidade não está colaborando (reduziram-se os assassinatos e chacinas por lá), eles requentam as mesmas notícia durante a semana inteira. A nottícia sobre duas mulheres atingidas por balas perdidas foram repetidas durante toda a semana. A menina que morreu no hospital por falta de atendimento, idem. Idem também para o assassinato de um trabalhador por policiais há quase um mês. Isto quer dizer: parece que a violência está sendo reduzida, mas eles não noticiam isto, simplesmente ignoram os fatos e repetem indefinidamente as notícias velhas. Daqui a pouco, é bem capaz deles contratarem pistoleiros para gerarem notícias…

Fato 2: retomando o seu apoio sensacionalista à famigerada e falida Lei Seca, deram cobertura incessante às blitz de fim-de-ano, apresentando números dos embriagados detidos (que percentualmente nem foi tão grande), mas não informaram quantos acidentes, mortos e feridos ocorreram no período e, muito menos se o percentual destas ocorrências reduziram-se, elevaram-se ou permaneceram iguais, no período citado. Muito menos informaram sobre estas mesmas ocorrências provocadas por motoristas não-alcoolizados. Assim, permanece tudo como dantes no quartel de Abrantes e a empulhação jornalística vai adiante…

Fato 3: Há mais de dez dias, eles massacram nossos ouvidos com a problemática da posse do Hugo Chavez, deixando claro a sua posição de inconstitucionalidade do adiamento da mesma. Na maior cara-de-pau, esta grande mídia “democrática” não olha para o próprio rabo e esquece que, à época do eleito Tancredo Neves, participaram ativa e conscientemente do embuste de esconder o quanto puderam a morte do Tancredo (inclusive com foto dele já morto e aparentando estar vivo) e da inconstitucionalidade da posse do Sarney. Pela constituição, teria que haver novas eleições, mas os políticos e mídia “democráticas”, num conluio silencioso, aplaudiram a posse do vice-presidente que não poderia ter-se tornado presidente, já que o titular não foi empossado. No Brasil, pode, na Venezuela, não…

E estes três fatos são apenas uma pequena amostra da realidade midiática nacional. São apenas a ponta de um imenso e vergonhoso icebeg…

Não é possível que a sociedade brasileira, por suas redes sociais, não consiga mudar este quadro de (des)informação estimulante da realidade do país. Deturpação e/ou manipulação de fatos, banalização intencional da violência, terrorismo informativo, oposição intencional e prejudicial à plena cidadania, com certeza não contribuem para o amadurecimento da população brasileira. Por isso, se vocês, amigos, quiserem participar desta luta por um jornalismo responsável e proativo e quiser comentar algumas destas farsas que assistiu, enviem para nós e elas serão postadas aqui…

Bom dia a todos…

terça-feira, 8 janeiro, 2013 Posted by | Comentário | , , | Deixe um comentário

Inacreditável: o Mensalão do Abraão!

Política
Via viomundo.com.br

Miguel do Rosário: O mensalão de Abraham Lincoln

publicado em 6 de janeiro de 2013 às 10:52

por Miguel do Rosário, em O Cafezinho, sugestão de Francisco Niterói

No livro de Gore Vidal sobre Abraham Lincoln, o presidente pede a seu secretário de estado que invente pretextos para prender os editores de jornais de Nova York e Washington que lhe faziam oposição. O país estava em guerra civil, e se entendia a batalha na opinião pública como estratégica para a vitória do norte industrial sobre o sul escravista.

E agora ficamos sabendo, através do filme de Spielberg sobre a mesma figura, que Lincoln autorizou um grupo de lobbistas a usarem “todos os meios” para convencer deputados da oposição a votarem em favor da lei da abolição.  Há um trecho do filme em que o seu secretário pergunta-lhe, com espanto algo fingido, se o presidente pretendia “comprar” deputados. O presidente responde, também meio que cinicamente, que não se tratava de comprar, mas de oferecer oportunidades. Empregos, cargos, verbas, Lincoln usou todo seu imenso poder para mudar a opinião de alguns deputados do então escravagista Partido Democrata e ganhar a votação mais importante e mais simbólica da história dos Estados Unidos.

Lincoln tinha pressa em aprovar a lei porque entendia que somente ela poderia pôr fim à guerra civil, pois automaticamente produziria um enorme movimento de fuga e deserção de negros tanto dos exércitos confederados como de suas fazendas, desestruturando o inimigo, militar e economicamente.

Os lobistas de Lincoln procuravam representantes democratas e ofereciam-lhe mundos e fundos para votarem em favor da lei. O próprio Lincoln entra na jogada, conversando pessoalmente com alguns deles.

Que lições devemos tirar desses exemplos, ambos comprovados em documentos históricos? Certamente não que devemos mandar prender editores, embora no Brasil há casos em que isso não apenas seria moral e constitucionalmente aceitável como até louvável. Da mesma forma, seria ridículo justificar a corrupção de deputados com o exemplo de um filme de Spielberg.

As lições são as seguintes:

  1. A guerra da comunicação não deve jamais ser subestimada por um governante. Se é errado, sob as perspectivas morais e legais, ferir as regras democráticas, é igualmente equivocado, do ponto-de-vista político, abandonar a luta ideológica no campo do simbólico.
  2. A luta democrática envolve dilemas éticos extremamente complexos, que só mesmo o velho Maquiavel poderia entender.

O que Lincoln deveria fazer?

Os abolicionistas de seu partido tratavam-no, desde algum tempo, como um traidor de sua causa, por causa das constantes hesitações quanto ao momento certo de enviar a décima terceira emenda constitucional ao Congresso. Segundo historiadores, Lincoln não queria fazê-lo antes de ter a certeza de que poderia ganhar, e para isso esperava uma boa conjuntura militar na guerra civil.

Por fim, o momento chegou, e Lincoln autorizou o envio da emenda à Casa dos Representantes, para ser votada pelos deputados, e não antes de negociar controversos acordos com dissidentes da oposição, afim de garantir a maioria e ganhar.

De fato, Lincoln não “comprou” nenhum deputado. Ele simplesmente agiu como qualquer governo democrático desde que estes começaram a existir: usou o poder que o povo lhe concedeu para aprovar uma lei que interessava ao povo.

Estas são situações que nos fazem pensar quão triste tem sido a criminalização da política no Brasil, o que não significa que não seja necessário combater o crime político. Em diversos legislativos estaduais e municipais, há casos de mensalão explícito, e não seria difícil descolar provas concretas: bastaria acompanhar a variação patrimonial de deputados e vereadores em todo país, quebrar alguns sigilos (com autorização da Justiça) e praticar a saudável luta judicial, como cumpre às polícias, corregedorias e Ministério Público.

Tão difícil, porém, como combater o crime político, será combater a manipulação da ignorância em relação à política. Na verdade, mesmo sem a mídia, já viveríamos situações difíceis. A democracia tem defeitos. Os sistemas democráticos são falhos, cheios de brechas, lentos, às vezes tão ou mais burocráticos que as piores autocracias; e, na América ao sul do Rio Grande, sofrem com uma crônica e antiga falta de recursos, além de todas as mazelas do subdesenvolvimento. Com as mídias assumindo o papel de principal força conservadora na região, todos esses defeitos parecem hiper-ampliados e as brechas são mais exploradas que nunca. Uma dessas brechas, por exemplo, são leis falhas quando o tema é a concentração da mídia. No caso do Brasil, assistimos inertes a meia dúzia de corporações dragarem quase todos os recursos de publicidade no país, privados e púbicos. Apesar dos bons presidentes, a nossa guerra civil ainda está sendo vencida pelos escravagistas.

Assim como Lincoln só venceu a guerra civil após decretar a abolição, pois isso lhe granjeou o apoio dos 4 milhões de negros que sustentavam a economia do sul, a esquerda apenas poderá conquistar uma vitória estável quando libertar os milhares de jornalistas que são obrigados, por razões estritamente financeiras, a venderem suas consciências e talento a empregadores reacionários.

domingo, 6 janeiro, 2013 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

E agora, Barbosa?

 Até as pedras sabem que:
– o que foi apelidado de mensalão é uma prática antiga dos partidos brasileiros de Caixa 2, que de há muito existe em função da corrupção reinante no mundo político nacional e que não permite a implantação de uma reforma política adequada e transparente;
– o mensalão mineiro foi muito anterior ao dito mensalão do PT;
– Marcos Valério foi o protagonista financeiro do mensalão mineiro, migrando depois para implantar o dito Mensalão do PT;
– o dito Mensalão do PT foi levado a julgamento no STF, à frente do mensalão mineiro, por nebulosas intenções políticas;
– nele, réus foram condenados (como José Dirceu), sem nenhuma prova material, apenas por presunção de que eles não poderiam deixar de saber;
– o julgamento de todos os réus foram feitos diretamente na última instância, exatamente para não dar aos julgados chances de apelações;
– o mesmo foi programado exatatamente para o período político eleitoral de 2012, na clara intenção de sangrar o PT nas urnas;
– neste julgamento, atuaram juizes (como Gilmar Mendes) e um Procurador da República que têm sido sistematicamente denunciados por ligações perigosas no mesmo universo dos mensalões e da quadrilha do Cachoeira;
– e, finalmente, que o Juiz Joaquim Barbosa, já adiantou publicamente, que o mensalão mineiro, se for a julgamento, ócorrerá também nas instâncias inferiores (o que foi negado aos réus do julgamento recente), dando chances aos julgados de recorrerem.

A meu ver, este julgamento mostra-se claramente como um farsa vergonhosa, um linchamento político premeditado e que só a história futura poderá desmascarar em suas entranhas e que claramente fracassou em seu objetivo principal: destruir o PT, o político José Dirceu, o ex-presidente Lula e o governo Dilma.

Mas tudo bem. Esperemos o final da inquisição…

Só que agora, quero ver o que o xerifão Barbosa vai fazer com o processo do Mensalão mineiro que já está sob sua guarda, acrescida recentemente por farta documentação entregue à Polícia Federal por Dino Miraglia Filho, advogado criminalista de Belo Horizonte e que chegou à mesma por conta de sua atuação na defesa da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira (assassinada por envenenamento seguido de estrangulamento em um flat da capital mineira, em agosto de 2000), envolvida em ligações amorosas e financeiras com quadrilheiros do mensalão de Minas. Parecem provas irrefutáveis (e não apenas presunções de conhecimento), documentos assinados, telefonemas trocados, o escambau.

E agora, xerifão Barbosa, vai encarar? Vai sacar o revólver com balas-de-prata ou vai usar a garrucha mineira velha e enferrujada, carregada de traques gestados em tutu-com-torresmos e lombinho-de-porco?

Amigos, leiam a seguir o comentário e a postagem do jornalista Paulo Henrique Amorim e tirem suas próprias conclusões.

E depois, tomem um bom banho para higienizarem-se das sujeiras lidas…

Bom domingo a todos.

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Publicado em 05/01/2013

Uma agenda para o Presidente Barbosa: quem matou Cristiana ?

Gilmar tem mais a explicar sobre as menções a seu nome no valerioduto tucano, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério de Souza

São muito claros os indícios de que o Ministro (Collor de) Mello queira assumir a Presidência do Senado no PiG (*), durante o recesso:
Ao acusar o futuro presidente da Câmara de mentiroso.
E ao acusar o Congresso de jogar um “faz de conta”.
Quando o ansioso blogueiro começou a ganhar a vida, na passagem do Governo Jânio para o do grande Presidente João Goulart, quando o dia estava franco, o chefe de reportagem mandava um foca ligar para o Almirante Pena Boto.
Tratava-se de almirante reformado, ultra-direitista, lacerdista radical, que dizia disparates, e oferecia a manchete que faltava ao jornal do dia seguinte.
Geralmente, o Almirante ia em cana por suas extravagâncias.
“Arruma aí uma cana para o Pena Boto, menino”, ordenava o Brandão.
Pena Boto fundou e foi presidente de uma Cruzada Anti-Comunista, na companhia do notório torturador Cecil Borer.
Uma das bandeiras do movimento era impedir a criação da Petrobrás.
Lutou contra a posse de JK e esteve bordo do Tamandaré com o presidente deposto, Carlos Luz, e o maior de todos os Golpistas, Carlos Lacerda.
O Marechal Lott acabou com a trama e deu posse ao Presidente do Senado, Nereu Ramos que, em seguida, passou ao presidente eleito pelo voto popular, JK.
Depois, Pena Boto tornou-se herói do Golpe que (Collor de ) Mello considera “um mal necessário”.
Esta breve digressão serve apenas para mostrar que há uma linha de consistência no Golpe.
São sempre os mesmos.
Com as mesmas bandeiras.
Hoje, a Cruzada não é contra o Comunismo.
É contra o PT.
De resto, só os nomes mudam.
Hoje, por exemplo, o Brandão, quando não tem manchete, deve dizer, “menino, liga aí pro Ministro”…
Só que o Ministro é Ministro e, não, Almirante.
Logo, ele é impune.
Pode dizer e fazer coisa.
O que ele não pode fazer, porém, é assumir a Presidência do Supremo.
Essa tem dono.
E, por isso, por confiar no papel Republicano que há de desempenhar o Presidente Barbosa, o ansioso blogueiro lembra de alguns itens que estão inevitavelmente na agenda Presidencial:
– a investigação da Privataria Tucana: o Gurgel já começou ? E o Cardozo, o Zé ?
– a legitimação das Operações Satiagraha e Castelo de Areia, para acabar com essa farra do boi: quando as provas são indiscutíveis, incineram-se as provas (na fogueira dos tribunais…);
– a convocação de outros membros fora-do-PiG para a Comissão que Ayres Britto criou no CNJ para tratar da censura à imprensa pela Justiça (o Gilmar Dantas (**), por exemplo, é mestre nessa arte – calar pela Justiça e, logo, pelo bolso ! Um democrata !);
– o julgamento do mensalão dos tucanos;
– por fim, a investigação e o julgamento sobre os autores e beneficiários da Lista de Furnas, também essa sobrevivente de uma longa batalha para anulá-la como prova. E o esclarecimento sobre quem matou (e mandou matar) a modelo Cristiana Aparecida Ferreira;
A propósito, o Presidente Barbosa poderia recorrer a essa corajosa reportagem de Maurício Dias e Leandro Fortes, na Carta Capital, onde despontam com raro brilho as estrelas de Gilmar Dantas (**) , seu Patrono e Guia, Fernando Henrique Cardoso, last but not least, o imaculado banqueiro:

Juiz? Não, réu

Por Mauricio Dias e Leandro Fortes, enviado a Belo Horizonte
Na quinta-feira 2, quando se iniciar o julgamento do chamado mensalão no Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes estará com sua toga ao lado dos dez colegas da corte. Seu protagonismo nesse episódio está mais do que evidenciado. Há cerca de um mês, o ministro tornou-se o assunto principal no País ao denunciar uma suposta pressão do ex-presidente Lula para que o STF aliviasse os petistas envolvidos no escândalo, “bandidos”, segundo a definição de Mendes.

À época, imaginava-se que a maior preocupação do magistrado fosse a natureza de suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ex-senador Demóstenes Torres. Mas isso é o de menos. Gilmar Mendes tem muito mais a explicar sobre as menções a seu nome no valerioduto tucano, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998 e que mais tarde serviria de modelo ao PT.
O nome do ministro aparece em uma extensa lista de beneficiários do caixa 2 da campanha. Há um abismo entre a contabilidade oficial e a paralela. Azeredo, à época, declarou ter gasto 8 milhões de reais. Na documentação assinada e registrada em cartório, o valor chega a 104,3 milhões de reais. Mendes teria recebido 185 mil.
A lista está metodicamente organizada. Sob o enunciado “relatório de movimentação financeira da campanha da reeleição do governador Eduardo Brandão de Azeredo”, são perfilados em ordem alfabética doadores da campanha e os beneficiários dos recursos. São quase 30 páginas, escoradas em cerca de 20 comprovantes de depósitos que confirmam boa parte da movimentação financeira. Os repasses foram feitos por meio do Banco de Crédito Nacional (BCN) e do Banco Rural, cujos dirigentes são réus do “mensalão” petista.
Esse pacote de documentos foi entregue na quinta-feira 26 à delegada Josélia Braga da Cruz na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Além de Mendes, entre doadores e receptores, aparecem algumas das maiores empresas do País, governadores, deputados, senadores, prefeitos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A papelada desnuda o submundo das campanhas eleitorais inalcançado pela Justiça. Há registros de doações de prefeituras, estatais e outros órgãos públicos impedidos por lei de irrigar disputas políticas.
Os pagamentos foram feitos pela SMP&B Comunicação, empresa do ecumênico Marcos Valério de Souza. Todas as páginas são rubricadas pelo publicitário mineiro, com assinatura reconhecida em cartório no final do documento datado de 28 de março de 1999. Há ainda uma declaração assinada por Souza de 12 de setembro de 2007 e apresentada à Justiça de Minas Gerais. Souza informa um repasse de 4,5 milhões de reais a Azeredo.
Intitulado “Declaração para fins de prova judicial ou extrajudicial”, o documento de apresentação assinado pelo publicitário afirma que o depósito milionário a favor de Azeredo foi feito “com autorização” dos coordenadores financeiros da campanha tucana Cláudio Roberto Mourão e Walfrido dos Mares Guia. As origens da quantia, diz o texto, são o Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), Banco Rural, Comig (atual Codemig, estatal de infraestrutura mineira), Copasa (companhia estadual de saneamento), Loteria Mineira (estatal de loterias) e as construtoras Andrade Gutierrez e ARG, “conforme declaração de reembolso assinada pelo declarante”.
Segundo a papelada, Souza afirma ter elaborado a lista em comum acordo com Mourão, principal tesoureiro da campanha de Azeredo, no mesmo dia 28 de março de 1999 que consta ao lado de sua assinatura. Chamada formalmente de “relatório de movimentação financeira”, a lista teria sido montada “sob a administração financeira” das agências SMP&B Comunicação e  DNA Propaganda. No fim, o publicitário faz questão de isentar o lobista Nilton Monteiro, apontado como autor da famosa lista de Furnas, de ter participado da confecção do documento.
Monteiro provavelmente tem alguma ligação com a história. Há muitas semelhanças entre os dois documentos. A lista de Furnas, cuja autenticidade foi comprovada pela perícia técnica da Polícia Federal, igualmente trazia uma lista de nomes de políticos, a maioria do PSDB e do ex-PFL (atual DEM), todos beneficiados por recursos de caixa 2. Além de Monteiro, assinava o documento Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, que até hoje nega ter rubricado aqueles papéis. A diferença agora são os comprovantes de depósitos, as autenticações em cartório e uma riqueza de detalhes raramente vista em documentos desse tipo.
Quem entregou a papelada à Polícia Federal foi Dino Miraglia Filho, advogado criminalista de Belo Horizonte. Miraglia chegou à lista por conta de sua atuação na defesa da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada por envenenamento seguido de estrangulamento em um flat da capital mineira, em agosto de 2000. Filha de um funcionário aposentado da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Cristiana, de 24 anos, tinha ligações com diversos políticos mineiros. No inquérito policial sobre o crime, é descrita como garota de programa, mas os investigadores desconfiam que sua principal ocupação fosse entregar malas de dinheiro do valerioduto mineiro. Na lista assinada por Souza, ela aparece como beneficiária de 1,8 milhão de reais, com a seguinte ressalva: “Via Carlos Eloy/Mares Guia”.
Carlos Eloy, ex-presidente da Cemig entre 1991 e 1998, foi um dos coordenadores da campanha de reeleição de Azeredo. É um dos principais envolvidos no esquema e, segundo Miraglia, pode estar por trás do assassinato de Cristiana Ferreira. “Não tenho dúvida de que foi queima de arquivo”, acusa o advogado.
Mares Guia foi ministro do Turismo no primeiro governo Lula e coordenou a fracassada campanha à reeleição de Azeredo. Apontado como ex-amante da modelo, o ex-ministro chegou a ser arrolado como testemunha no julgamento de Cristiana, em 2009, mas não compareceu por estar em viagem aos Estados Unidos. Na ocasião, o detetive particular Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho foi condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato. Desde então, está foragido. “Não há nenhum esforço da polícia mineira em prendê-lo, claro”, diz Miraglia.
Na lista, Eloy aparece quase sempre como intermediário dos pagamentos do caixa 2 operado pelo publicitário, mas não deixa de se beneficiar diretamente. Há quatro depósitos registrados em seu nome no valor total de 377,6 mil reais. Os intermediários dos pagamentos a Eloy, segundo a documentação, foram Mourão, Mares Guia, Azeredo, o senador Clésio Andrade (PMDB-MG) e uma prima do tesoureiro, Vera Mourão, funcionária do escritório de arrecadação do ex-governador tucano.
Mares Guia, além de aparecer como intermediário de quase todos os pagamentos, consta como beneficiário de 2,6 milhões de reais. Sua mulher, Sheila dos Mares Guia (116 mil reais, “via Eduardo Azeredo/Mares Guia), e seu filho, Leonardo dos Mares Guia (158 mil reais, “via Eduardo Azeredo/Mares Guia”), são citados. Na mesma linha segue Clésio Andrade. Presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Andrade foi vice-governador do estado no primeiro governo do atual senador Aécio Neves e aparece como intermediário de centenas de pagamentos.
O documento tem potencial para tornar a situação de Azeredo, hoje deputado federal, ainda mais crítica. O processo do valerioduto mineiro está no Supremo sob a guarda do relator Joaquim Barbosa. Ao contrário de seu similar petista, foi desmembrado para que somente os réus com direito a foro privilegiado, Azeredo e Andrade, sejam julgados na mais alta corte. O destino dos demais envolvidos está nas mãos da 9ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.
Na denúncia apresentada ao STF em novembro de 2007 pelo ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, o ex-governador Azeredo é acusado de ser “um dos principais mentores e principal beneficiário do esquema implantado”. O deputado tucano foi denunciado por peculato (apropriação de dinheiro por funcionário público) e lavagem de dinheiro. “Embora negue conhecer os fatos, as provas colhidas desmentem sua versão defensiva”, aponta Souza na denúncia. “Há uma série de telefonemas entre Eduardo Azeredo e Marcos Valério, demonstrando intenso relacionamento do primeiro (Azeredo) com os integrantes do núcleo que operou o esquema criminoso de repasse de recursos para a sua campanha.”
O ex-procurador-geral chamou o esquema mineiro de “laboratório do mensalão nacional”. Outro citado pelo Ministério Público Federal é Danilo de Castro, secretário estadual no governo Aécio Neves e no mandato do sucessor, o também tucano Antonio Anastasia. Castro teria recebido, via Clésio Andrade e Azeredo, 350 mil reais. As origens dos recursos teriam sido a Cemig, a Comig e a Copasa.
Somam-se 35 registros de valores arrecadados a partir de órgãos públicos no valor de 14,4 milhões de reais. Apenas do Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), que Azeredo privatizaria ainda em 1998, saíram 1,2 milhão de reais para a campanha, segundo a lista do publicitário. A Petrobras teria repassado 1,3 milhão de reais, dos quais 157 mil reais foram desviados do patrocínio do Enduro Internacional da Independência, um evento de motociclismo.
A lista encadeia ainda uma arrecadação total de 530 mil reais feita por prefeituras mineiras comandadas por tucanos e aliados (Governador Valadares, Juiz de Fora, Mariana, Ouro Preto e Ponte Nova). De Juiz de Fora vieram 100 mil reais repassados pelo prefeito Custódio de Mattos, que teve um retorno interessante do investimento. Como beneficiário do esquema, Mattos recebeu 120 mil reais, segundo a lista, embora seu nome apareça em um dos depósitos do Banco Rural com um valor de 20 mil reais. A discrepância, nesse e outros casos, acreditam os investigadores, pode se dever a saques feitos na boca do caixa.
Quem desponta na lista de doadores, sem nenhuma surpresa, é o banqueiro Daniel Dantas. Foram 4,2 milhões de reais por meio da Cemig. Desses, 750 mil reais chegaram “via Daniel Dantas/Elena Landau/Mares Guia” numa rubrica “AES/Cemig”. O dono do Opportunity aparece ainda no registro “Southern/Cemig” (590 mil reais) ao lado de Elena Landau e Mares Guia, e seu banco é citado num repasse de 1,4 milhão de reais via Telemig Celular.
Elena Landau foi uma das principais operadoras das privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. Casada com o ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida, ex-sócio do Opportunity, foi diretora de desestatização do BNDES. E uma das representantes do grupo Southern Electric Participações do Brasil, consórcio formado pela Southern, AES e Opportunity. O banco de Dantas adquiriu, com financiamento do BNDES, 33% das ações da Cemig em 1997.
O documento entregue à PF lista um total de 13 governadores e ex-governadores beneficiários do esquema, dos quais sete são do PSDB, quatro do ex-PFL e dois do PMDB. Os tucanos são Albano Franco (SE, 60,8 mil reais), Almir Gabriel (PA, 78 mil reais), Dante de Oliveira (MT, já falecido, 70 mil reais), Eduardo Azeredo (MG, 4,7 milhões de reais), José Ignácio Ferreira (ES, 150 mil reais), Marconi Perillo (GO, 150 mil reais) e Tasso Jereissati (CE, 30 mil reais). Do ex-PFL são listados César Borges (BA, 100 mil reais), Jaime Lerner (PR, 100 mil reais), Jorge Bornhausen (SC, 190 mil reais) e Paulo Souto (BA, 75 mil reais). Do PMDB constam Hélio Garcia (MG, 500 mil reais) e Joaquim Roriz (DF, 100 mil reais).
Na distribuição política, os intermediários, segundo a lista, são quase sempre Azeredo ou Pimenta da Veiga, ex-ministro das Comunicações e um dos coordenadores das campanhas presidenciais de FHC em 1994 e 1998. Pimenta da Veiga aparece no documento como destinatário de 2,8 milhões de reais para a “campanha de Fernando Henrique Cardoso”. O ex-presidente está na lista em outra altura, ao lado do filho, Paulo Henrique Cardoso. À dupla, diz a lista do valerioduto, teria sido repassado o valor de 573 mil reais, “via Eduardo Azeredo e Pimenta da Veiga”. Eduardo Jorge, ex-ministro e grão-tucano, teria recebido 1,5 milhão de reais.
Parlamentares não faltam. A começar pelo deputado Paulo Abi-Ackel, a quem foram destinados 100 mil reais, segundo registro do documento. Seu pai, o ex-deputado e ex-ministro da Justiça Ibrahim Abi-Ackel, aparece como destinatário de 280 mil reais. Entre os locais estão os deputados estaduais Alencar Magalhães da Silveira Junior (PDT), com um registro de pagamento de 10 mil reais, e Ermínio Batista Filho (PSDB), com 25 mil reais. Melhor sorte parece ter tido o ex-deputado tucano Elmo Braz Soares, ex-presidente do Tribunal de Contas de Minas Gerais. Soares, também registrado nos depósitos da SMP&B, teve direito a uma bolada de 145 mil reais.
As benesses do valerioduto mineiro alcançaram lideranças nacionais do tucanato. Um deles foi o ex-senador Arthur Virgílio Filho, do Amazonas. Pela lista de Marcos Valério, Virgílio recebeu 90,5 mil reais do esquema. Outro tucano, o ex-senador Antero Paes de Barros (MT), ex-presidente da CPI do Banestado, aparece como beneficiário de 70 mil reais. Também consta da lista o ex-senador Heráclito Fortes (DEM-PI), conhecido por ter liderado a bancada de Daniel Dantas no Senado. O parlamentar piauiense teria recebido 60 mil reais. O petista  Delcídio Amaral (MS), ex-presidente da CPI dos Correios, teria embolsado 50 mil reais.
As acusações também atingem o Judiciário mineiro. São citados quatro desembargadores no documento, todos como beneficiários do esquema. Corrêa de Marins (55 mil reais) foi corregedor regional eleitoral, vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral e presidente do Tribunal de Justiça. Faleceu em 2009. Rubens Xavier Ferreira (55 mil reais) presidiu o TJ-MG entre 1998 e 2000. Ângela Catão (20 mil reais) era juíza em 1998 e foi investigada por crimes de corrupção e formação de quadrilha pela Operação Pasárgada, da PF. Apesar disso, foi promovida a desembargadora do Tribunal Regional Federal de Brasília em 2009. A magistrada é acusada de ter participado de desvios de recursos de prefeituras de Minas e do Rio de Janeiro. Também juíza à época da confecção da lista, Maria das Graças Albergaria Costa (20 mil reais) foi do TRE de Minas e atualmente é desembargadora do TJ-MG. Dos tribunais superiores, além de Mendes consta o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nilson Naves (58,5 mil reais).
Um dado a ser considerado é o fato de que, em janeiro de 2009, Mendes ter concedido o habeas corpus que libertou Souza da cadeia. Também foi libertado, no mesmo ato, Rogério Lanza Tolentino, que aparece na lista do valerioduto como beneficiário de 250,8 mil reais “via Clésio Andrade/Eduardo Azeredo”. O ministro do Supremo entendeu que o decreto de prisão preventiva da dupla não apresentava “fundamentação suficiente”.
Chamam a atenção alguns repasses a meios de comunicação. Entre os beneficiários da mídia aparecem a Editora Abril, destinatária de 49,3 mil reais “via Clésio Andrade/Usiminas/Mares Guia”, e Grupo Abril, com o mesmo valor, mas sem a intermediação da Usiminas. Há ainda um registro de 300 mil reais para a Bloch Editora, assim como um de 5 mil reais para o Correio Braziliense. O principal jornal de Brasília não é o único beneficiário do grupo Diários Associados. O jornal Estado de Minas recebeu 7 mil reais, assim como o jornal mineiro O Tempo (76 mil reais), de propriedade do ex-deputado tucano Vittorio Medioli que, como pessoa física, segundo a lista, recebeu 370 mil reais.
As novas informações encaminhadas à Polícia Federal, acredita Miraglia, não só poderão levar à reabertura do caso da morte da modelo como podem ampliar a denúncia do valerioduto tucano. O grupo sem foro privilegiado, sobretudo os intermediários do esquema, ficam mais vulneráveis a condenações na Justiça comum, como é o caso de Mourão e de sua assistente, Denise Pereira Landim, beneficiária de 527,5 mil reais, segundo o documento.
Nos bons tempos, os dois se divertiam alegremente em passeios de iate ao lado de Cleitom Melo de Almeida, dono da gráfica Graffar, fornecedora de notas frias do esquema. Almeida aparece como beneficiário de 50 mil reais. A Graffar, de 1,6 milhão de reais.

domingo, 6 janeiro, 2013 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário