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Para não desligar os neurônios

Chavez: “perigoso” em vida, invencível morto? (II)

Um cara que em um pouco mais de uma década no poder, erradicou o analfabetismo, apoiou Cuba e as nações sul-americanas “populistas” (como diz a mídia vassala das classes dominantes) e melhorou reconhecidamente os atendimentos da população nacional em saúde, eleito quatro vezes em eleições limpas (leiam post abaixo), execrado como ditador pela grande mídia nacional, parece que vai dar mais trabalho agora, que se foi para sempre. Os milhares de pessoas nas ruas falam por si só. Veremos agora nas eleições que serão realizadas daqui a um mês, se a força de chavez era o seu “populismo” e carisma ou se estas duas qualidades serão acrescidas pela mobilização popular por direitos recém-adquiridos e irrenegáveis.

Ah! Em tempo: extremamente risível o comentário do (Ex) Esperança Negra Obama, sobre o seu interesse nos direitos humanos na Venezuela pós-Chavez. Os povos árabes (apenas para nos ater à atualidade) que o digam, não é, Presidente ianque “democrata”?
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Publicado em 06/03/2013

Presidente americano elogia Chávez

Sistema eleitoral da Venezuela permite recontagem e dá de 10 a 0 no brasileiro.

 Nunca antes na história deste continente, um presidente dos EUA foi tão solenemente ignorado pelo O Globo (“cachorro do império”) como Jimmy Carter, ao reconhecer a importância de Chávez.
Em um seminário no ano passado, em pleno período eleitoral na Venezuela, Carter – que não é propriamente um marxista perigoso – qualificou o sistema eleitoral do país de “o melhor do mundo”.
O “Centro Carter” observa eleições ao redor do mundo há décadas. Em 2006, ele garantiu: “Chávez venceu de forma justa”.

do The Carter Center:
http://www.cartercenter.org/news/pr/hugo-chavez-030513.html
“Rosalynn e eu estendemos nossas condolências à família de Hugo Chávez Frías. Nós conhecemos Hugo Chávez quando ele estava em campanha para presidente em 1998 e o “Centro Carter” foi convidado para observar as eleições pela primeira vez na Venezuela. Voltamos muitas vezes, para as eleições de 2000, e depois para facilitar o diálogo durante o conflito político de 2002-2004. Nós viemos a conhecer um homem que expressa uma visão de mudanças profundas ao seu país para beneficiar principalmente as pessoas que sentem-se abandonados e marginalizados. Apesar de não ter concordado com todos os métodos seguidos por seu governo, nunca se duvidou do compromisso de Hugo Chávez em melhorar as vidas de milhões de compatriotas seus companheiros.
Presidente Chávez será lembrado por sua afirmação ousada de autonomia e independência para os governos da América Latina e por suas habilidades de comunicação formidáveis e conexão pessoal com simpatizantes em seu país e no estrangeiro, a quem ele deu esperança e capacitação. Durante seu mandato de 14 anos, Chávez ingressou outros líderes da América Latina e do Caribe para criar novas formas de integração. Taxas de pobreza venezuelanos foram cortadas ao meio, e os milhões recebidos documentos de identificação para a primeira vez que lhes permite participar mais eficazmente na vida econômica e política do seu país.
Ao mesmo tempo, reconhecemos as divisões criadas na unidade para a mudança na Venezuela e da necessidade de reconciliação nacional. Como os venezuelanos lamentamos o falecimento do presidente Chávez e recordamos seus legados positivos – especialmente os ganhos obtidos para os pobres e vulneráveis – Esperamos que, os líderes políticos o país avancem com a construção de um novo consenso que garanta a igualdade de oportunidades para todos os venezuelanos para participar todos os aspectos da vida nacional. (sic)”

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Chavez: “perigoso” em vida, invencível morto?…

Publicado em 06/03/2013

Onde se lê Chávez leia-se Lula

O que a Casa Grande quer é instalar um câncer no Lulismo.

Parágrafo final do editorial da Folha (*):
Chávez se soma agora a Vargas, Perón e outros líderes autoritários do passado. Tendo chegado tarde a um mundo globalizado, seu papel para os críticos do sistema financeiro internacional projetou-se para além da tacanha realidade latino-americana -a qual, infelizmente, simbolizou com tanta ênfase quanto os mais atrasados oligarcas a que se opôs.

NavalhaO ansioso blogueiro se encontra com Mercucio Parma no aeroporto.

– Você leu o editorial da Folha?,  pergunta.

– Me contaram, responde Mercucio, com enfado matinal.

– Seria desrespeitoso?

– Não é uma questão de respeito. Também não é um erro. É uma hipocrisia.

– Hipocrisia ?

– Sim, claro, porque eles querem é a morte do Lula e do Lulismo. O Chávez é o biombo que os esconde.

– Onde se lê Chávez leia-se Lula. (Clique aqui para ler “Chávez morreu. depois é o Fidel”.)

– Exato !

– Do que você gosta no Chávez ? Eu sei que não é o seu tipo inesquecível …

– Como brasileiro, o que mais admiro nele foi lutar pela integração latino-americana e se opor aos Estados Unidos e seus Golpes de Estado na América Latina. (Clique aqui para  ler “Lula: sinto orgulho de ter trabalhado com Chávez”.)

– Como o Golpe do Clinton e o do FMI para garantir a reeleição do Fermando Henrique.

– Com o que o Clinton e o FMI mantiveram o curso neoliberal do Fernando Henrique.

– O Correa do Equador é que diz que os Estados Unidos não correm o risco de sofrer um Golpe de Estado, porque não tem Embaixada americana…

– Bingo !

– O Fernando Henrique diz que não era neo liberal, mas um estadista que se aproveitou da onda da globalização …

– Ele já foi marxista … Pegar onda é com ele.

– O Chávez era anti neoliberal.

– E por isso poupou os pobres da Venezuela de muitas desgraças.

– A distribuição da renda na Venezuela melhora, mas continua tão inaceitável quanto a do Brasil…

– Outra virtude do Chávez… Governou para os pobres.

– Deve ser por isso que a manchete da Folha pretende ofendê-lo com o qualificativo “populista” ….

– Para a Casa Grande, como diz o  teu amigo Mino Carta …

– Nosso amigo …

– Às vezes … Como diz o Mino, a Casa Grande chama de “populista” quem governa para o povo.

– E quer botar fogo na Casa Grande …

– Não. Os “populistas” não ameaçam os alicerces da Casa Grande. A Casa Grande é que, se pudesse, botava fogo na senzala e punha a culpa nos escravos.

Pano rápido.

Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

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Estrelas do mundo…

Pela navegante Heloísa Miranda

Viajar pra um país que fala outro idioma, por mais que você o conheça, é um desafio. Ir para um lugar em que se fala algo que não se parece com NADA, é coisa de doido, como dizem meus amigos.

Desde o começo, quando não falava nada de turco, eu já gostava de sair para lugares bem aleatórios, e numa dessas resolvi ir a uma galeria, que era do outro lado da cidade, motivo pelo qual nenhum dos meus doze companheiros que dividiam o apê não quiseram ir comigo…

Não me deixei abalar e peguei o metrô em Beşevler, trocando de estação em Kızılay e descendo em Akköpru. Saindo da estação, eu pegaria um ônibus que me deixaria bem perto. Deu tudo certo, cheguei lá. O problema foi a volta…

Fui andando pra descobrir aonde pegava o ônibus para voltar e, quando cansei, resolvi perguntar. Tinha muita gente passando e todo mundo ficava me olhando, mas absolutamente ninguém parava, talvez porque eu era só uma yabancı (estrangeira, em turco) louca falando em inglês num bairro nada turístico.

Até que eu vejo uma mão segurando com força meu braço, pensei logo “fodeu, fiz algo errado”. Quando eu olhei, era uma senhora de uns 50 anos, gordinha, daquelas que se cobrem e usam véu mesmo no calor de 45ºC. Quando fui perguntar se ela podia me informar aonde era o ponto de ônibus, a turca começou a falar tanto, mas tanto, que deu vontade de chorar de desespero, por não entender nada. De repente, ela sacou o celular e começou a falar. Eu só entendi o Oi e ela falando “Allah” milhões de vezes. De repente ela me passou o celular e do outro lado foi como se Alá estivesse falando comigo, minha salvação! Um rapaz com um inglês perfeito, falando bem tranquilo, perguntou para onde eu queria ir.

Eu disse que queria ir para o metrô e pegar o trem até minha casa, em Beşevler. Ele só disse “ok, vou instruir minha irmã” e mandou eu passar para a turca, que começou a falar sem parar, de novo.

Quando desligou o telefone, ela olhou pra mim, disse algo, parou um taxi e mandou eu entrar com ela. Como pior do que estava minha situação não ia dar pra ficar, eu entrei. Ela foi “conversando” comigo o trajeto todo, de uns 20 minutos. Quando eu percebi, estava no meio do meu caminho, em Kızılay! Tentei dar umas 15 liras pra ajudar, mas ela não quis.  Ela abriu minha porta e eu anotei o som que ela disse: “Allah sizi korumak!”, que descobri depois que era “Alá te proteja”. E protegeu mesmo…

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NOTA: A Heloísa é minha neta, aprendiz de jornalista em Recife e que parece ter herdado o instinto andarilho do avô. Ela viveu a experiência relatada acima no ano passado, quando optou por um intercâmbio estudantil na Turquia, desconhecendo o idioma nacional. Conheci o fato durante minha estadia no último Carnaval pernanbucano e, por admirar a solidariedade em todas as suas formas, por sempre ter defendido os povos árabes em sua luta contra a dominação e os preconceitos ocidentais imperialistas e por me comover com a atitude da mulher árabe, pedi a ela que me enviasse um relato para compartilhar com vocês. Valeu a pena. Valeu por demonstrar que os pretensos povos “selvagens terroristas”, são tão ou mais humanos que os “democráticos e civilizados”. Valeu pelo aprendizado da minha neta sobre o lado bom da humanidade, mesmos nos espaços mais inesperados e em culturas ideologicamente estigmatizadas.

Na vida da minha neta, apareceu uma estrela-guia no momento em que ela precisou. Uma estrela gordinha, conversadeira e de turbante. Adoro pensar que Alá, sabendo do que sou e do que faço, retribuiu-me a singela (mas sincera) defesa que sempre faço do seu povo. Obrigado, Alá… E que o Deus Universal a proteja sempre, gordinha estrela de turbante…

quarta-feira, 6 março, 2013 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário