Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

De que vale a vida sem sonhos?

SITIO 1A tão temida morte, porque inevitável, não é importante. É apenas uma passagem compulsória, imprevisível e irrevogável para o lado desconhecido do caminho e que consome inutilmente um tempo precioso que poderíamos investir do lado de cá, tornando a vida mais interessante, face aos desafios que nos impomos a enfrentar. Isto preenche a vida, isto nos dá massa crítica e espiritual para alimentar os dias, isto nos impede de “sentar no trono de um apartamento, com a boca  escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar“. Por ter sido sempre assim a minha vida, não poderia mudar, pois como o filosofou o escorpião, “não posso fugir à minha natureza”. Há cerca de três anos, assumi o desafio de transformar uma casa velha com um imenso quintal abandonado, em um esconderijo prazeroso. Ainda não cheguei aonde quero, mas ele já é um cantinho feliz e aconchegante. Mas já é quase um desafio vencido e o quixote que mora em mim não sossega. Eu quero mais, muito mais. Por isso, aos 69 anos, comprei dez hectares de terra semi-destruída pela predação histórica dos homens onde, por extrema sorte, sobrou uma nascente de água em meio a um resto de mata terciária. Encantou-me a possibilidade de resgatar este território judiado, torná-lo  ambientalmente recuperado e produtivo, com um laguinho em cujas margens farei uma casinha de pedra com varanda, para deitar-me em fins de tarde e banhar meu velho corpo em águas limpas e claras. Será como bater papo com Deus todas os dias…

Loucura? Desperdício de dinheiro? Delírio de velho? Qual nada! De que valerão meus dias se ficar descansando na varanda do cantinho que já construí, pensando na pressão alta, no ácido úrico, na glicose e nos triglicérides? Pensando na morte? Não, amigos, este velho quixote assumiu mais um combate com (talvez) um novo moinho-de-vento. E se esse combate é risível para muitos, para mim significa permanecer na luta, no bom combate. E ladeado por meu fiel escudeiro Sancho (João um amigo de verdade) e o velho Renault como meu Rocinante, já iniciei a labuta…

Precisava de uma estrada interna e, embora fosse muito mais barato utilizar um trator, estou construindo-a à mão, minimizando o impacto ambiental. Nesta contrução, descobri um bacurizal nativo em formação, que só precisa de algum manejo para dar-me frutas saborosas (estava lá, só esperando cuidados para superar a judiação dos homens). A fonte ainda tem alguma vegetação terciária às margens, mas precisa de reforço arbóreo e já planejei plantar espécies regionais nas clareiras existentes. Uma outra área, sem vegetação alguma, está pedindo vida e lá vou formar um pomar, enquanto aproveito o espaço existente para colher milho, feijão e macaxeira (pois eu também gosto de comida boa).

E vejam vocês, como as idéias loucas ainda encontram adeptos: não bastando meu amigo João (que perde horas e dias planejando e trabalhando comigo), o cara que me vendeu a terra (e que já mora na cidade), me presenteou com 40 mudas de coqueiro para o pomar e 100 mudas de açaí para reforçar a mata ciliar da nascente… Talvez ele esteja sublimando, na minha loucura, o desejo que ele não poude realizar…

Talvez meu dinheiro não seja suficiente, talvez o corpo me falhe, mas terei dias fascinantes (embora trabalhosos) pela frente…

Como disse inicialmente, a morte não é importante. Ela parece ser tão importante “porque vivemos ajoelhados” diante dos nossos medos, receios e comodismos. E para resistir a vergar os joelhos, lembro-me sempre do inesquecível Che: “Sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida“.

Bom fim-de-semana a todos…

domingo, 17 março, 2013 - Posted by | Comentário | , , ,

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