Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

A primeira batalha…

Há séculos, nós humanos aprendemos a ser o centro do mundo e substituímos a parceria com a Natureza pelo domínio sobre a Natureza. Deu no que deu: devastação global, crises produtivas e climáticas que nos levaram à atual crise ambiental que, em face da ganância dos mercados e das tecnologias eco-agressoras, agrava-se a cada dia, já que desaprendemos a dialogar com o ambiente.

Sitio Natura 6Felizmente, nas última décadas, surgiu um bando crescente de loucos (na opinião conservadora), capaz de lutar em várias frentes (política, científica, tecnológica e de gestão) e fazer frente ao etnocentrismo pragmático-utilitarista reinante no planeta. E, felizmente, começa a ressucitar a idéia das parcerias com a Natureza, protegendo-a,  reconstituindo-a e facilitando os seus processos naturais de produção, conservando-a ao invés de inutilizá-la.

De há muito tornei-me um destes loucos, após muitos anos cooptados pela agronomia de mercado ainda dominante. Mas, agora, tenho um território para aplicar minhas vontades e conhecimentos agroecológicos compartilhados com aqueles que sonham um ambiente diferente, resgatado e diverso.

A um mês, iniciei a labuta. Primeiramente, abri a estrada interna de que necessitava. Poderia utilizar um trator e fazê-la rápido e a um custo 30% menor. Mas, e o estrago ambiental? Preferi então fazê-la à mão, com dois cabras machos que moram na vizinhança e ela já está pronta, conforme podem ver na foto acima. Nada cortado de fundamental, apenas a trilha curvilínea poupando as plantas mais sigificativas, como o Anajazeiro da foto acima, que produz coquinhos que servem ao consumo humano e dos animais (tatus, pacas, etc.) ainda presentes na área, apesar dos caçadores clandestinos. E embora com esta aparência rústica, meu velho Renault (um carro urbano), entra e sai tranquilamente e em pleno período chuvoso. Sem erosão, sem terra e matas revolvidas. Apresento-lhes, então o Caminito, como o batizei.

Sitio natureza 3 036Na foto ao lado, está o início da construção (também manual) do primeiro lago (o Laguinho), aproveitando uma bacia natural do canyon onde correm as águas da nascente que brota 150 metros acima, por um forte declive natural. O Laguinho reforçará a fonte e a vegetação à montante, onde nada será tocado, a não ser para reforçar a vegetação terciária já existente. E lá no fundo da foto, situa-se o lugar onde construirei a casinha de pedra, quando puder. Acho que vai ficar lindo (o Laguinho e a casa em meio ao pomar agroflorestal que formarei ao fundo, na vegetação mais rala).

Nestes arredores situava-se o antigo sítio de moradia do antigo dono (já falecido) e ainda há por lá uma idosa jaqueira, alguns coqueiros maltratados, açaizeiros e murucizeiros abandonados, que recuperarei em breve.

E algo carinhoso para o meu coração socialista chegou aos meus ouvidos, através do meu escudeiro. Um dos dois trabalhadores (que desconhecia até então) foi chamado para trabalhar para o japonês ao qual prestava serviços, de vez em quando. E ele disse, ao receber o recado, através de sua mãe: _ Eu não vou. O seu Henrique é um homem bom, me arrumou serviço quando eu mais precisava e ele vai ter sempre serviço pra mim e pro meu tio, seja no sítio ou lá no quintal da casa dele.

Imaginem como ficou este meu coração de anseios solidários…

E como primeiras “curtições” no território, além do “avoado” de dias atrás, documento a Mariceli (minha Dulcinéia) e a minha mana Miroca, após uma breve chuva de verão, coletando e saboreando coquinhos nativos de Tucumã, produzidos pela pequena palmeira que preservei ao lado do Caminito. E para encerrar, o trio de La Mancha: este Quixote, ladeado de sua Dulcinéia e do seu fiel escudeiro Sancho (o Rocinante estava descansando à sombra, alhures).

“A esperança não murcha, ela não cansa, também como ela não sucumbe a crença. Vão-se sonhos nas asas da descrença, voltam sonhos nas asas da esperança”. ( Augusto dos Anjos)

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quarta-feira, 3 abril, 2013 - Posted by | Comentário | , ,

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