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Para não desligar os neurônios

Hoje: nas ruas, a hipocrisia das crias de Hipócrates

A população brasileira foi às ruas. Composta predominantemente pelas classes médias, permeadas por partidos políticos oportunistas, gangues, vândalos e criminosos, o que não empanou a legitimidade das reinvindicações sérias da banda boa da horda: combate à corrupção, reforma política, melhorias na saúde, nos transportes e na educação. E a presidenta Dilma, com um passado de lutas por uma sociedade mais justa e carente de respaldo político até mesmo em sua base de apoio partidário (quem tem aliados como estes, não precisa de inimigos), entendeu as demandas como legítimas e consonantes com suas idéias, razão pela qual lançou propostas e algumas ações para um pacto supra-partidário, compartilhado e legitimado pela participação popular. E a pressão das ruas foi tal que as quadrilhas parlamentares se moveram rapidamente, derrubando a PEC contra o MP e algumas outras mudancinhas, cedendo parte dos anéis para recuperar os dedos. Por outro lado, as bandas mais podres do espectro político-partidário do país, aliadas à grande mídia e seus intelectuais orgânicos, se apressaram em colocar defeitos nas propostas presidenciais (reforma política, política de transportes públicos, etc.), para dar continuidade ao processo de desestabilização do governo e manter tudo como dantes no quartel de Abrantes. Natural… Como dizia meu pai, o prazer de quem morre é estrebuchar, e eles lutarão até o fim para nada mudar.

Na segunda onda das ruas, vieram os corporativistas de plantão permanente, sempre à espreita de oportunidades para reinvindicar mais para os próprios bolsos: sindicatos, empresas de transportes, caminhoneiros, associações, etc., embargando ruas e estradas. E nesta segunda onda, ocorre então, a pororoca do cinismo e da hipocrisia juramentada: a classe médica, em protesto nacional, hoje dia 03, deverá ir às ruas de todo país. Sob a fachada da defesa da saúde pública, como sempre, mas agindo nada mais, nada menos, que em função dos seus escusos interesses corporativos. Sob o manto turvo de uma “Carta Aberta aos médicos e à população brasileira” apresenta argumentos os mais frágeis e diversos, para manter o monopólio do mercado profissional e ampliar os seus privilégios trabalhistas, catalisados em torno da citação central de que: “as decisões anunciadas pelo Governo que afetam a saúde pública brasileira demonstram a incompreensão das autoridades ao apelo manifesto nas ruas”. E a partir desta percepção vesga, passam a desfiar “questões” e “soluções”…

  1. “Para solucionar a comprovada falta de profissionais médicos em áreas remotas, defendem a aprovação imediata da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 454/2009, que cria a carreira médica nos serviços públicos federal, estadual e municipal, semelhante à de juízes e promotores. Segundo eles este seria o único caminho para estimular a interiorização da assistência com a ida e fixação de médicos em áreas de difícil provimento”.

Pelo jeito, a estratégia é tornar a classe médica mais uma corporação de intocáveis, acima do bem e do mal e do controle social, além de salários escorchantes para o erário público.Segundo as lideranças, a medida evitaria a necessidade de importação de médicos sem aprovação do Revalida e, dessa forma, zelaria pela saúde da população (sic).

  1. “(Para eles), a vinda de médicos estrangeiros e a abertura de mais vagas em escolas médicas são medidas irresponsáveis, por expor a parcela mais carente e vulnerável da nossa população a profissionais mal formados e desqualificados”.

Esta afirmativa seria hilárica, se não fosse profundamentes cínica. De que qualidade médica estão falando? Nos últimos anos, os erros médicos (e até assassinatos médicos via eutanásia criminosa) nacionais têm alimentado o noticiário policial, além dos plantões forjados e outras imoralidades. E mais: se eles não vão aos cafundós do Brasil (até mesmo aonde não é tão cafundó), qual o risco que estas populações desatendidas correriam? Ter um médico, mesmo que “sem qualidade”? E desde quando a qualidade do ensino médico brasileiro (com raríssimas e honrosas exceções) permite pré-julgar a formação médica externa? Só para ilustrar o perfil desta pretensa qualidade:

no site http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=NoticiasC&id=2568, noticia-se que o Conselho Regional de Medicina do Estdo de São Paulo é o único Conselho de Medicina no Brasil que luta para que os formados em escolas de medicina no Brasil sejam obrigados a passar por um exame de avaliação de conhecimentos, como faz a OAB para autorizar formandos em direito a exercer a advocacia. Todos os demais Conselhos de Medicina no Brasil, além de omissos, ainda lutam contra essa exigência, inclusive o Conselho Federal de Medicina. Entretanto, o CREMESP conseguiu aprovar uma Resolução que torna OBRIGATÓRIO esse exame para os que querem obter um registro para exercer a medicina no Estado de São Paulo (Resolução Cremesp nº 239). Entretanto, embora OBRIGATÓRIO, o exame não NÃO IMPEDE O REGISTRO para aqueles que obtém RESULTADO INSATISFATÓRIO. Nos últimos exames que o Cremesp realizou (apenas para aqueles que VOLUNTARIAMENTE participaram, provavelmente achando que se sairiam bem), ocorreu um resultado escandaloso: simplesmente 46,7% DOS PARTICIPANTES FORAM REPROVADOS. O exame do Cremesp tem uma qualidade de exigência de conhecimentos semelhante ao do Revalida, que é destinado aos médicos formados no exterior, inclusive nos EEUU e Europa, inclusive para os Prêmios Nobel de Medicina, se quiserem exercer sua profissão no Brasil. Como se vê, estes filhotes de hiena, que não têm condições de serem aprovados no exame de habilitação, ficam exigindo dos outros aquilo de que não são capazes, prejudicando a grande maioria dos brasileiros que são obrigados a se submeter a esses incompetentes.

  1. “A reação das entidades médicas simboliza a resistência dos  profissionais e dos cidadãos ao estado de total abandono que afeta a rede  pública. Não é possível acreditar que medidas midiáticas dessa ordem resolverão o acesso e a qualidade do atendimento nos serviços de saúde. Não se trata de ação corporativista, mas corporativa, no sentido de unir a força das entidades em prol do bem comum e da vida dos brasileiros”.

Desmascaremos esta imoralidade com números: segundo dados do IBGE e do CFM, em fins de 2012, o Brasil contava com 193.946.886 habitantes e 388.015 médicos. Por estes dados, chega-se à existência de 1 médico para 500 habitantes proporção que é mais que o dobro do recomendado pela OMS. Mas estes são os números frios. Em verdade, este médicos encontram-se centralizado nas grandes cidades e/ou regiões mais desenvolvidas, variando de 4 médicos por mil habitantes (no Distrito Federal) até menos de 1 médico por mil habitantes (no Maranhão). Isto sem contar que, em cada Estado, eles estão concentrados nas capitais e/ou grandes cidades. Portanto, em determinadas regiões distantes, a situação é muitíssimo pior.
Vejam os dados:

Mapa dos estados brasileiros por número de médicos registrados

(para cada grupo de mil habitantes) em 2013.

Posição

Estado

Região

geográfica

Médicos    por

1.000 habitantes

1

     Distrito   Federal

Centro-Oeste

4,09

2

     Rio de Janeiro

Sudeste

3,62

3

     São Paulo

Sudeste

2,64

4

     Rio Grande do Sul

Sul

2,37

5

     Espírito Santo

Sudeste

2,17

6

     Minas Gerais

Sudeste

2,04

     Brasil

2,00

7

     Santa Catarina

Sul

1,98

8

     Paraná

Sul

1,87

9

     Goiás

Centro-Oeste

1,73

10

     Mato Grosso do Sul

Centro-Oeste

1,69

11

     Pernambuco

Nordeste

1,57

12

     Rio Grande do   Norte

Nordeste

1,43

13

     Sergipe

Nordeste

1,42

14

     Paraíba

Nordeste

1,38

15

     Roraima

Norte

1,38

16

     Tocantins

Norte

1,36

17

     Mato Grosso

Centro-Oeste

1,26

18

     Bahia

Nordeste

1,25

19

     Alagoas

Nordeste

1,24

20

     Rondônia

Norte

1,19

21

     Ceará

Nordeste

1,16

22

     Amazonas

Norte

1,12

23

     Acre

Norte

1,08

24

     Piauí

Nordeste

1,05

25

     Amapá

Norte

0,95

26

     Pará

Norte

0,84

27

     Maranhão

Nordeste

0,71

Classificação por Região

Posição

Região    geográfica

Médicos    por 1.000 habitantes

1

Sudeste

2,67

2

Sul

2,09

3

Centro-Oeste

2,05

4

Nordeste

1,23

5

Norte

1,01

E para encerrar esta imoralidade corporativa, vamos apenas abordar a desqualificação atribuída pelo CFM aos médicos estrangeiros, mais especificamente os cubanos, que por aqui já estiveram no Estado de Tocantins e que, na impossibilidade de eliminação por incompetência, foram sumariamente expulsos pela Polícia Federal (em conluio com o CFM), sem nenhuma análise, contra ou a favor, do trabalho que ali desenvolveram.

Pois é… Vejamos os “desqualificados” cubanos.

Em 2012, a pequenina Cuba, formou 11 mil novos médicos em suas 25 faculdades (inclusive uma voltada para estrangeiros): 5.315 cubanos e 5.694 de 69 países da América Latina, África, Ásia e inclusive dos Estados Unidos.

Atualmente, 24 mil estudantes de 116 países da América Latina, África, Ásia, Oceania e Estados Unidos (500 por turma) cursam uma faculdade de medicina gratuita em Cuba.

Isso se reflete nos avanços em vários tipos de tratamento, inclusive em altos desafios, como vacinas para câncer do pulmão, hepatite B, cura do mal de Parkinson e da dengue. Hoje, a indústria biotecnológica cubana tem registradas 1.200 patentes e comercializa produtos farmacêuticos e vacinas em mais de 50 países.

Desde 1963, com o envio da primeira missão médica humanitária à Argélia, Cuba trabalha no atendimento de populações pobres no planeta. Nenhuma outra nação do mundo, nem mesmo as mais desenvolvidas, teceu semelhante rede de cooperação humanitária internacional. Desde o seu lançamento, cerca de 132 mil médicos e outros profissionais da saúde trabalharam voluntariamente em 102 países.

No total, os médicos cubanos trataram de 85 milhões de pessoas e salvaram 615 mil vidas. Atualmente, 31 mil colaboradores médicos oferecem seus serviços em 69 nações do Terceiro Mundo.

No âmbito da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América), Cuba e Venezuela decidiram lançar em julho de 2004 uma ampla campanha humanitária continental com o nome de Operação Milagre, que consiste em operar gratuitamente latino-americanos pobres, vítimas de cataratas e outras doenças oftalmológicas, que não tenham possibilidade de pagar por uma operação que custa entre cinco e dez mil dólares. Esta missão humanitária se disseminou por outras regiões (África e Ásia). A Operação Milagre dispõe de 49 centros oftalmológicos em 15 países da América Central e do Caribe. Em 2011, mais de dois milhões de pessoas de 35 países recuperaram a plena visão.

Quando se insurge contra a vinda de médicos cubanos, com argumentos pueris, o Conselho Federal de Medicina (CFM) adota também uma atitude política suspeita: não quer que se desmascare a propaganda contra o regime de Havana, segundo a qual o sonho de todo cubano é fugir para o exterior. Os mais de 30 mil médicos espalhados pelo mundo permanecem fiéis aos compromissos sociais de quem teve todo o ensino pago pelo Estado, desde a pré-escola e de que, mais do que enriquecer, cumpre ao médico salvar vidas e prestar serviços humanitários.

Amigos, a farsa da Máfia Branca nacional é tão gritante, que duvida da inteligência de todos nós brasileiros. Ela conta com a nossa desinformação sobre o tema para que possa ser apoiada em seus objetivos imoralmente corporativistas.

Finalizando: o tema é tão complexo que voltaremos a ele em outras postagens, caso as crias de Hipócrates teimem em nos fazer engolir esta farsa indigesta. Só não poderia deixar passar em branco a minha visão sobre esta enorme empulhação nacional que a classe médica pretende, hoje, nos enfiar goela abaixo…

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terça-feira, 2 julho, 2013 - Posted by | Comentário, Repassando... | , , ,

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