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Para não desligar os neurônios

Eis o NUM É, o desprovido…

NUM E 3Desde que perdi o Exu, entrei em parafuso no que concerne a cães. Principalmente cães de raça. Pô, a gente vê os vira-latas nas ruas, sem alimento, sem abrigo, sem vacinas, e os danados não morrem. Viram verdadeiros defuntos ambulantes, mas não morrem. E os nossos cães de raça, cuidados  e vacinados, bem alimentados e abrigados, morrem por qualquer larga-me-deixa. A partir desta conclusão, parti para um filhote vira-lata e interiorano, caboclo da gema. Ao recebê-lo, já fiquei meio cabreiro: o cara era o bicho dos mais desprovido de atrativos que eu já vi nesta vida, em condições de normalidade biológica e ambiental. Mas, topei a parada e fui cuidando-o e buscando um nome que tivesse a ver com aquela figura bizarra. E após longas meditações, cheguei ao nome fatal: Num É. Num é, por ser a expressão popular regional para Não É. E também por ele contradizer quase todo o perfil dos cães amados nas famílias brasileiras. Senão, vejamos:

Num É de raça, dizem ter raízes profundas no vira-latismo, com suspeitas de rastros genéticos quase imperceptíveis de Fila e Pastor Alemão. Em verdade, ele parece mais um cruzamento de Mucura com Hiena.

Num É bonito, é feio que dói, magreirão e de bucho-quebrado, pelagem indefinida entre hiena, raposa, sei lá….

Num É educado, vive se esfregando nas pernas das pessoas…

Num É enfastiado, come mais do que ferida-brava, embora não engorde, só criando barriga.

Num é bom do juízo, parece sofrer de bipolaridade ou outro desarranjo qualquer, tendo atitudes intempestivas com andar-de-ré, fazer flexões acrobáticas com o pescoço e a cabeça, e outras esquisitices…

Enfim, Num É um monte de coisas que se espera de uma cachorro de família.

Mas, apesar de tão desprovido, ele tem um charme especial: o seu jeitinho indefinível e cativante, como o personagem Silva, do Chico Anísio (“É o meu jeitinho”…) De vez em quando pula do degrau da escada (ao invés de descer cuidadosamente), se esborracha e sai fazendo alongamentos ridículos. Acaba de comer e, ao invés de dar as costas para a vasilha-de-comida, sai de ré, meio que fazendo uma reverência à mesma. Quando entro na cozinha (ele já aprendeu que não pode entrar), se debruça no degrau e fica me olhando, como se estivesse em uma janela… E por aí vai…

E assim, eu e ele vamos tocando a vida. A Mariceli acha ele liiiindo! A Miroca acha ele horroso! E eu já me acostumei. E todos gostamos dele e do seu jeito estranho de ser.  Vamos ver como esta figura se tornará um adulto…

sexta-feira, 6 setembro, 2013 Posted by | Repassando... | , | 6 Comentários