Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Parece que o Haddad agiu corretamente…

Por mais incrível que possa parecer, o neurocientista americano Carl Hart, professor na Unuversidade de Colúmbia (NY) e membro do Conselho Nacional dos EUA sobre Abuso de Drogas, esteve no Brasil em maio último (vejam cartaz ao lado) e nenhuma notícia vi na grande mídia à respeito durante a sua visita. Porque será?

Terá sido por suas posições polêmicas (embora baseadas em pesquisas científicas), e que afirmam coisas como “a pobreza, falta de educação e desemprego crônico são fatores mais preponderantes do que o potencial viciante das substâncias químicas”?. Ou como “uma das coisas que me chocaram foi o fato de ter descoberto que de 80% a 90% das pessoas que usam drogas como o crack ou a heroína não são viciadas“?

Em sua visita, veio encontrar o pesquisador brasileiro Francisco Inácio Bastos, responsável pela Pesquisa Nacional do Crack (realizada em 2013), representantes do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania, aa Universidade Cândido Mendes e do Instituto Igarapé (que desenvolve projetos alternativos para segurança e desenvolvimento). Visitou ainda o presidente da FIOCRUZ e o “Consultório na Rua” de Manguinhos, que atende usuários de crack.

Lançou ainda o seu livro  “High Price – um preço muito alto” no Brasil,  no qual, apoiado em seus estudos, afirma reflexões bastante diferenciadas sobre a visão conservadora e predominante  em relação ao uso de drogas e as políticas públicas de repressão a este uso. Por sua originalidade, é algo a ser lido por todos nós que vivemos numa sociedade com gravíssimos problemas nesta área. E que me causou agradável surpresa, por defender  idéias que foram recentemente implantadas em São Paulo pela gestão Haddad, no programa “De Braços Abertos” na crackolândia paulistana. E que parece estar dando certo, já que a grande mídia pouco tem noticiado sobre ele (se fosse um fracasso, estaria sendo desancado todos os dias).

Se puderem, leiam o livro. E se tiverem um tempinho, assistam a entrevista dele, através do link abaixo. Vale a pena…

http://s04.video.glbimg.com/x360/3171475.jpg

Fontes:
http://www.icict.fiocruz.br/
http://globotv.globo.com/globonews/milenio/v/neuropsiquiatra-e-professor-carl-hart-fala-sobre-drogas-pobreza-e-discriminacao-racial/3171475/

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segunda-feira, 30 junho, 2014 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Enfim, sabe-se dos bastidores de tal ódio…

18/11/2013 – Copyleft

Anotações sobre uma farsa (II)

Era preciso expor José Dirceu ainda mais – e também José Genoino – à execração pública. Concentrar neles toneladas de ressentimento sem fim.


Eric Nepomuceno
STF

 Quando se postulava a uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o então juiz Joaquim Barbosa procurou José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil do primeiro governo de Lula (2003-2007). Apresentou um pedido de rotina: apoio para que seu nome fosse levado ao presidente, a quem cabe indicar os membros da corte suprema.

Dirceu recebeu o pedido, e comentou com o postulante: “Bom mesmo será o dia em que os que pretendem chegar ao Supremo obtenham sua indicação por seus próprios méritos, e não por indicações políticas como a que está me pedindo”.

Barbosa foi escolhido por Lula porque Lula queria ser o primeiro presidente a indicar um negro para a corte máxima do país. De origem humilde, Barbosa construiu sua carreira graças a um esforço descomunal. Teria méritos profissionais mais que suficientes para chegar aonde chegou. Mas não chegou por eles.

Antes, tentou entrar na carreira diplomática. Acabou frustrado pelo elitismo dominante na corporação: o teste psicológico do Itamaraty que o derrotou menciona uma personalidade insegura, agressiva, com profundas marcas de ressentimento. Com isso, não fez outra coisa além de reforçar a agressividade, a prepotência, o autoritarismo e, enfim, o ressentimento do candidato. Não terá sido a única razão, mas certamente contribuiu para que toda essa história desse no que deu.

O sistema judiciário brasileiro está, como todo o sistema político, impregnado de vícios de raiz. A condução mediática e espetaculosa do julgamento que levou Dirceu e Genoino para a cadeira é prova cristalina dos desmandos do Supremo Tribunal Federal.

Joaquim Barbosa tem vasta e sólida experiência. Não é um aventureiro doidivanas: sabe muito bem o que faz. E fez o que fez, ao expedir os mandados de prisão de maneira tão insólita, de propósito.

José Dirceu é uma espécie de ódio pessoal. Mais do que prendê-lo, era preciso expô-lo ainda mais – e também José Genoino – à execração pública. Concentrar neles toneladas acumuladas de ressentimento sem fim.

Não há outra explicação para que a ordem expedida aos responsáveis pela sua execução tenha sido tão absurdamente imprecisa. A pena a que estão condenados implica, necessariamente, legalmente, constitucionalmente, outro tipo de tratamento. Joaquim Barbosa tem plena consciência disso. Tecnicamente, ao menos, não há como negar essa consciência.

Mas parece que nada disso importa. O que importa é que agora ele, paladino do moralismo hipócrita que viceja neste país, tem uma ampla e luminosa alameda para caminhar rumo a uma estrepitosa carreira política na maré da direita mais hipócrita.

Alguma vez, algum dia, esse país exumará essa história, da mesma forma que está exumando, junto aos restos mortais do presidente Jango Goulart, os detalhes das manipulações impostas ao país pelas suas elites malandras. Agora, com meio século de atraso, admite-se que a farsa perpetrada por parlamentares submissos à elite civil que fez dos militares seus marionetes de ocasião seja desmascarada. A começar, aliás, pelo começo: a tal revolução do 31 de março de 1964 não passou de um golpe torpe perpetrado no dia primeiro de abril de 1964. O dia da mentira.

Algum dia se conhecerá a verdade, os bastidores dessa farsa consagrada pelo Supremo Tribunal Federal e construída e alimentada pelos grandes blocos que controlam os meios de comunicação deste país. Meios que não informam: deformam. Juízes que, em sua maioria, não fazem justiça: são figuras de um grande teatro de absurdos.

domingo, 29 junho, 2014 Posted by | Repassando... | , | 2 Comentários

E haja “privilégios”…

21/11/2013 – Copyleft

Os 10 privilégios dos petistas presos

A começar, a prisão foi decretada em uma data toda especial. A última vez que tanta gente foi presa em um 15 de novembro foi em 1889.


Antonio Lassance
Arquivo

 É  grande e escandalosa a lista de privilégios a que José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares estão usufruindo em sua estada no Planalto Central.

1) A começar, a prisão foi decretada em uma data toda especial. A última vez que tanta gente foi presa em um 15 de novembro foi na própria Proclamação, em 1889. Os presidiários eram, em sua maioria, da Família Real, os Orleans e Bragança. Ou seja, a data não é para qualquer um.

2) Eles (os petistas, não os Orleans e Bragança) tiveram o privilégio de serem presos antes do fim do processo, o que também não é pra qualquer um.

3)
 Os três, como poucos, foram presos sem a expedição da carta de sentença, o que constitui uma ilegalidade.

4) A lei determina que o preso deve cumprir a pena em seu estado de origem, a não ser excepcional e justificadamente. Mas eles tiveram o privilégio de serem levados a Brasília, de jatinho, por ordem não de um juiz qualquer, mas de Sua Excelência Excelsa e Magnânima, o presidente do Supremo. A falta de um motivo declarado para essa operação espetaculosa gerou a estranheza de ministros do próprio STF, tamanho o… privilégio.

5) Condenados ao regime semiaberto, foram levados a um privilegiado estabelecimento prisional de regime fechado.

6) O fato provocou a hesitação do diretor do Complexo Penitenciário da Papuda em recebê-los. O impasse garantiu aos condenados o privilégio de ficarem mais de quatro horas dentro de um ônibus, aguardando uma decisão.

7) Para abreviar a demora e poupá-los do cansaço, eles tiveram o privilégio de passar o final de semana naquele mesmo aprazível estabelecimento, contrariando o regime semiaberto. Uma comentarista de TV, sem ruborizar, externou sua opinião de que isso não poderia ser considerado prisão, e sim “custódia”. Valeu pela tentativa.

8) Juristas como Dalmo Dallari, Hélio Bicudo, Ives Gandra Martins e Reginaldo Oscar de Castro consideram que a situação a que José Genoíno foi submetido fere as leis brasileiras e é uma clara violação aos tratados internacionais. Realmente, não é qualquer um que tem o privilégio de ter juristas desse naipe preocupados com suas condições. Não importa quais sejam as condições; o que vale é o privilégio de receber tais comentários.

9) Segundo o Instituto Médico Legal, Genoíno precisa de “cuidados específicos medicamentosos e gerais, controle periódico por exames de sangue, dieta hipossódica, hipograxa e adequada aos medicamentos utilizados, bem como avaliação médica cardiológica especializada regular”. Por fazer uso regular de anticoagulante oral, deve ser submetido a exames de sangue periódicos para verificar sua coagulação sanguínea. É mesmo muita mordomia. Estão querendo fazer o Estado de babá.

10) Mas o cúmulo do privilégio quem teve não foi nenhum dos presos, e sim o senhor Henrique Pizzolatto, que garantiu o requinte de ter sua situação relatada pela comentarista de assuntos da Santa Sé, Ilze Scamparini. Graças a ela, veio a revelação de que a pronúncia correta dos zês de Pizzolato é a mesma da palavra pizza (tipo “pitzolato”). A primeira matéria foi feita pela repórter tendo justamente uma “pizzeria” ao fundo. De quem terá sido a tão sofisticada ideia? De todo modo, pelo didatismo, “grazie”!

domingo, 29 junho, 2014 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Precisa comentar? Pô, não tripudia em cima desta oposição burra e vazia…

domingo, 29 junho, 2014 Posted by | Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Felipão: expulsa o Parreira, tira o Fred e telefona pro Mike Jagger!

Pô, Filipão! Qual é a tua? Cadê aquela ousadia de 2002 e da Copa das confederações? Cadê aquela pressão constante sobre o adversário? As três partidas anteriores foram um saco, mas deu pra entender a espera do entrosamento e o possível despertar de alguns dos jogadores. Mas a de ontem, faça-me o favor! Fazer um gol e se fechar em retranca? E no intervalo, ainda ficar escutando abobrinhas do Parreira, este retranqueiro de merda cujo principais méritos são puxar-saco de cartola e uma copa do mundo que ganhou nos pênaltis (a única até hoje assim decidida) e graças ao Romário (que convocou à força, com medo de não se classificar nas eliminatórias). Todo mundo viu na TV, vc com cara de abestado e ele, o abestado, contando nos dedos e cantando de galo! Qualé, Filipão? Vc que peitava todo mundo, que tinha o grupo na mão, agora vira retranqueiro e teimoso?

Agora vamos ao time. Respeito o Fred, mas ele não está bem, não está correspondendo e tem que sair! Não ajuda atrás e não resolve na frente. Me deu raiva ver o pobre do Hulk jogando de lateral esquerdo, de meio-campo, de ponta-esquerda e centroavante, como um possesso, um alucinado, no sacrifício, fora de sua posição original de atacante. Deu raiva também ver o menino Neymar jogando de lateral- direito, meio campista, também no sacrifício! Tudo bem que todos têm de ajudar, mas não se deturpar em posicionamentos que limitam a imposição do nosso domínio técnico e ainda estimula a iniciativa dos adversários. O juiz roubou? Vá lá, mas nós não podemos estar na dependência de juízes favoráveis…

Então, Felipão, retome a seleção na munheca! Mande o Parreira e suas retrancas para a rouparia, coloque o Willian no meio campo e avance o Hulk para o ataque, deixando o Fred no banco. Pode também pensar no “alegria nas pernas”, no Maicon e até no Hernane, mas tira o Fred e acaba com a retranca!

Ah! Finalizando: telefona pro Mike Jagger e pede pra ele torcer pra Argentina… Valeu?

domingo, 29 junho, 2014 Posted by | Comentário, Reflexões | , , | Deixe um comentário

Copa no Brasil: a Seleção pode ganhar, o Brasil já ganhou…

A Copa das Copas é da América do Sul

Chilenos, colombianos e argentinos se fizeram maioria nas arquibancadas de onde jogaram. Uruguaios e equatorianos contaram com o apoio dos brasileiros.


Pedro Silva Barros (*)
Arquivo

A copa do mundo voltou à América do Sul depois de 36 anos. Mais da metade de nós, sul-americanos, nunca havíamos visto um mundial em casa. Parte de nós não imaginava que participaríamos tanto do maior evento do principal esporte do planeta.

Chilenos, colombianos e argentinos se fizeram maioria nas arquibancadas de onde jogaram. Uruguaios e equatorianos contaram com o apoio indubitável dos brasileiros que encheram os estádios. Um fenômeno tão inédito como ignorado pelas análises feitas na onda dos protestos de junho do ano passado.

Os meios de comunicação jogaram sistematicamente contra a copa. Um exemplo entre muitos é o número 82 da revista venezuelana Clímax, que está nas bancas de Caracas com a capa “Brasil 2014: la gran estafa” e a chamada interna “Una fiesta para pocos. Brasil ha dado muestras de no estar preparado para fungir de buen anfitrión”.

A reportagem reproduz argumentos da revista brasileira Veja: os estádios foram caríssimos, a infraestrutura não vai funcionar, o mundial será uma vergonha para o Brasil e só foi feito para que se roubasse o erário público.

[Ver abaixo um dos arautos nacionais do #NãoVaiTerCopa e do fracasso da Copa no Brasil]

A torcida sul-americana compareceu porque confiou em suas equipes e também porque estava segura de que nós os brasileiros organizaríamos uma grande copa. Desconsideraram a avalanche de críticas de que o torneio seria um fiasco. Para isso, além da paixão pelo futebol, contribuiu o fato de conhecermos muito bem a nossa imprensa, que é muito parecida em toda a região. Sabíamos que todo aquele quadro alarmista era falso.

No caso da mídia nativa, o quadro é de emulação. Está se superando em relação à cobertura das manifestações de junho do ano passado quando de crítica passou a apoiadora. Desta vez os grandes meios de comunicação nacional não só mudaram repentinamente de opinião como, em um ato de aparente desespero e explícito despudor, começaram a atribuir aos seus congêneres internacionais a responsabilidade pela uruca pré-copa. Não é de se estranhar que cada vez mais reproduzam argumentos do tipo: “Agora o mundo está vendo o equívoco de haver apostado contra o Brasil”. Lembrando Freud, a negativa histérica e veemente dos próprios atos, acompanhado do mecanismo de transferência da responsabilidade a terceiros é a patética assunção da culpa; o famoso batom na cueca! Até o Ronaldo se viu obrigado a mudar o discurso e retirar as críticas à organização do mundial.

Na copa, o Brasil exerceu o papel de liderança que nossos vizinhos esperam. Acertamos quando pensamos grande. Estamos fazendo uma copa para toda a América Latina. Tudo caminha para que seja reafirmada a escrita de que só os sul-americanos ganham as copas do lado de cá do Atlântico. Mas dessa vez a copa também está fazendo com que os sul-americanos nos conheçamos mais, muito mais. Esse convívio é a condição que nunca houve para a ampliação da integração da América do Sul.

A América do Sul em 1978 e em 2014

Nos últimos 50 anos a América do Sul organizou uma única copa, na Argentina em 1978. Ela me foi apresentada como um dos poucos consensos no futebol brasileiro: roubada, tudo armado, a Argentina comprou o Peru e ao Brasil coube o título de campeão moral, que nunca valeu nada. Refletia um momento de muita obscuridade no Cone Sul. Ditaduras na Argentina, Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia… O regime militar argentino, assim como os outros, se legitimava também pelo discurso da ameaça externa. A pouca cooperação regional que existia se concentrava na repressão, em perseguir e matar a esquerda onde quer que ela estivesse.

O brasileiro, durante e depois daquela competição de 1978, não se sentiu mais sul-americano. O mesmo valeu para os próprios argentinos, para os peruanos e para os demais vizinhos que não participaram do torneio.

Se consolidou a versão que a Argentina era nossa rival, para além do futebol. Cresci ouvindo que os argentinos eram nossos maiores inimigos; a todos os nossos vizinhos o Brasil era apresentado como a grande ameaça.

No meio tempo, a copa de 1986 seria na Colômbia. A instabilidade interna e as exigências da FIFA fizeram o país desistir de organizar o torneio. Chegaram a oferecer a copa ao Brasil, que na época não a aceitou e ela foi acontecer no México. Até 2003, Argentina e Colômbia se apresentavam como possíveis candidatas, na definição; em 2006, toda a América do Sul já estava unida em torno candidatura do Brasil.

Hoje o momento é outro, completamente diferente dos anos setenta ou mesmo dos noventa. O Brasil e a América do Sul de 2014 estão construindo democracias cuja riqueza é, com muitas contradições, diminuir as desigualdades, garantir a diversidade e incluir massas que até há muito pouco tempo eram consideradas eternas excluídas. A cooperação regional agora tem objetivos muito mais nobres, o Mercosul cresce, a Unasul se consolida e recentemente foi criada a CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos). Todas essas novidades incomodam muito os que têm jogado contra a copa do Brasil.

A espetacular presença dos 100 mil argentinos em Porto Alegre, das dezenas de milhares de colombianos em Belo Horizonte, Brasília e Cuiabá, de chilenos também em Cuiabá, Rio e em São Paulo, dos equatorianos em Curitiba e dos uruguaios em Natal, além da grande quantidade de bandeiras da Venezuela em todos os estádios, particularmente em Manaus, criaram uma atmosfera inédita para a reconhecimento mútuo da região. Parte considerável visitou o Brasil pela primeira vez. A maioria quer voltar.

A copa está consolidando, coroando, o processo de afirmação da região que começou a ganhar corpo na virada século com a falência do Consenso de Washington e que foi impulsionada com a ascensão de governos populares em muitos dos nossos países. A América Latina e o Caribe são a única região do mundo em que as desigualdades diminuíram na última década.

Pela primeira vez na história a América do Sul tem desempenho melhor do que o europeu numa primeira fase de mundial. Nosso aproveitamento foi de 83% (5 classificados de um total de 6 participantes) contra 46% do velho continente (6 classificados de um total de 13 participantes). Em termos absolutos, se consideramos as seleções latino-americanas em seu conjunto (somando México e Costa Rica), classificamos 7 seleções (7 classificados em 9 participações, ou 78% de aproveitamento) contra as 6 europeias.

Não tenho dúvidas que o Paraguai, mesmo com a sua retranca, apresentaria um futebol melhor do que o da Grécia. Ou que a Venezuela, que nas eliminatórias ganhou da Argentina com Messi em Puerto La Cruz e da Colômbia com Falcao em Puerto Ordaz, seria uma estreante melhor do que a Bósnia. Aliás, o futebol está superando o beisebol, herança das petroleiras americanas do início do século, como principal esporte na Venezuela. A organização da copa América em 2007 com a construção de sete novos estádios foi decisiva para o movimento que levou as venezuelanas ao quarto lugar no mundial sub-17 feminino neste ano.

Em 2014, também pela primeira vez, a América do Sul jogou com 6 equipes. Não tivemos nenhuma decepção. Equador, o pior sul-americano, foi o melhor entre os eliminados na primeira fase. Saiu da copa ao empatar com um dos três melhores europeus jogando com um a menos por mais de quarenta minutos.

A copa é parte da consolidação da autoestima sul-americana. Nada mais simbólico do que o jogo entre Chile e Espanha no Maracanã. O Chile nunca havia derrotado sua antiga metrópole. Sete derrotas e um empate. Ganharam de 2 a 0. Os sul-americanos não temos jogado com a arrogância dos espanhóis contra a Holanda, tampouco com a ingenuidade da Costa do Marfim contra a Grécia. Temos feito no nosso jogo, e estamos ganhando.

Jogos em todo o país, até na Amazônia

A escolha de realizar partidas em cidades sem tradição futebolísticas foi uma das decisões mais criticadas e, ao mesmo tempo, mais acertadas da organização dessa copa. Fez que a copa fosse de todos os brasileiros, com jogos nas cinco regiões, garantiu que fosse uma copa sul-americana, por estar mais próximas dos vizinhos, e criou possibilidades para fortalecer nosso futebol e a integração regional.

Ao envolver todo o país estamos fazendo um mundial com a grandeza do Brasil. A decisão corajosa de sediar jogos em Manaus e em Cuiabá, além de quatro capitais nordestinas foi uma atitude consoante com nosso objetivo constitucional de diminuir as desigualdades regionais e compatível com várias outras ações de governo dos últimos anos, como a criação de dezenas de universidades, particularmente nas regiões mais pobres do país.

Os minimalistas defendiam um mundial enxuto, com jogos onde sempre há. São Paulo, Rio, Porto Alegre e Belo Horizonte. Talvez em Curitiba, Salvador e Recife também. Diziam que a falta de tradição futebolística e de dinâmica econômica em Fortaleza, Manaus, Natal e Cuiabá deixariam esses estádios vazios.

Desconsideraram que o Brasil está mudando e é muito maior do que o Centro-Sul.
Assisti a um único jogo do mundial. Havia comprado os ingressos antes mesmo do sorteio dos grupos. Optei pala primeira rodada em Manaus, a sede mais próxima da Venezuela. O sorteio apresentou um duelo entre dois ex-campeões, Itália e Inglaterra. Peguei o carro e fui com minha família a partir de Caracas. Muitos quilómetros de estrada. Fiquei aliviado ao ver a simplicidade do trâmite para passar com o carro na fronteira após o ingresso da Venezuela ao Mercosul. No hotel em Boa Vista, havia mais de trinta motoqueiros venezuelanos que faziam o mesmo trajeto. Na estrada, centena deles. Alguns ônibus também iam ao mesmo destino: a Arena da Amazônia.

O estádio mais questionado do mundial custou 500 ou 600 milhões de reais. Tudo funcionou: foi rápido para entrar, a visão do jogo da arquibancada era muito boa, a cerveja gelada, os banheiros limpos. Lotou nos quatro jogos da primeira fase, com um público total de 160 mil pessoas. Se o estádio fosse construído só para a copa, cada ingresso teria que custar quase R$ 4 mil para cobrir todo o custo. Não sei quanto os ingleses, italianos, portugueses, suíços, camaroneses, hondurenhos, norte-americanos e croatas que foram assistir os jogos de seus países gastaram nos dias que ficaram em Manaus, mas não deve ter sido menos do que esse valor.

A maioria do público, porém, era de brasileiros. Muitos de outras regiões do país, vários nunca conheceriam Manaus se não fosse a copa. Ninguém negaria a importância para o país de mais brasileiros conhecerem a Amazônia.

A exposição de Manaus ao mundo foi a maior da história; seu benefício para nós, difícil de calcular. Só nos EUA 25 milhões assistiram ao vivo a partida contra Portugal, mais do que a média das cinco partidas da final da NBA e dos seis jogos da final do beisebol do ano passado. Quanto custaria expor por duas horas para 25 milhões de estadunidenses a ideia subentendida de que a Amazônia tem dono e não são eles? E aos milhões de europeus que assistiram Itália contra Inglaterra?

No dia seguinte, o calor da cidade, que é o mesmo desde que ela foi criada, era o principal assunto nos sites de nossos jornais que não se cansaram de criticar os gastos com o estádio de Manaus. Nenhuma menção aos benefícios do evento para o país. Quando levei meus filhos ao Teatro Amazonas pensei sobre quantos, ao verem aquela construção, não faziam a pergunta simplista que os jornais não se cansaram de estimular sobre os estádios: não seria melhor ter construído um hospital ou uma escola? Minha resposta seria a mesma sobre a Arena da Amazônia.

Fracasso das previsões, sucesso de público e crítica 

Os números satisfatórios e o entusiasmo com o mundial após o final da primeira fase são inquestionáveis. O fracasso das previsões também.

O banco Goldman Sachs, que por vias tortas acertou em cheio ao tecer o termo BRIC, parece ir no mesmo caminho agora. Se equivocaram em boa parte dos fundamentos em 2001, mas a agrupação BRIC, depois BRICS, tornou-se realidade anos depois. Em 2014, previu que os europeus dominariam a primeira fase, mas apontaram uma final sul-americana entre Brasil e Argentina. Apostaram que 11 dos 13 europeus passariam de fase, metade ficou pelo caminho. Erraram os oito cruzamentos das oitavas de final! Tirando Alemanha e Brasil, que foram à segunda fase em todas as copas desde que ela passou a ser realizada com grupos e oitavas em 1986, o banco acertou apenas 7 dos outros 14 times. Péssimo rendimento, considerando que 16 dos 32 classificariam.

Pode parecer temerário que as finanças do mundo sejam operadas por esses modelos. Esperamos que, outra vez, acertem no que ficará para a história. Que o Brasil campeão contra os hermanos seja tão real como a Cúpula que se reunirá em Fortaleza na semana depois da copa.

A revista americana ESPN FC indicava que a Argélia era o segundo com menos chances de classificar entre todos os países. Para o Goldman Sachs, a Costa Rica seria o time com menos chance de ser campeão e não haveria nenhum africano nas oitavas. É o que dá utilizar modelos em que os resultados do passado definiriam o presente. Diferente de Espanha, Inglaterra e Itália, Argélia, Costa Rica e Nigéria estão vivos e enfrentarão três dos poucos europeus que restaram.

Há alguns anos, poucos apontavam o sucesso de público que estamos tendo. As médias de pessoas presentes e de ocupação nos estádios são espetaculares. Superam todos os campeonatos nacionais do mundo. No campeonato brasileiro o público médio é de 15 mil (ocupação de 44%) e no italiano de 22 mil (51%). A copa das copas supera a ocupação e o público médio dos melhores campeonatos nacionais nesses quesitos, o alemão (45 mil, 93%) e o inglês (34 mil, 97%). A fabulosa taxa de ocupação de 98% garantirá um público médio final bastante superior aos 50 mil. A média de público só ficará atrás da copa dos EUA, que utilizou estádios de futebol americano. O púbico total deve igualar o recorde de 3,5 milhões.

Os alemães realizaram uma grande copa e com ela reestruturaram e melhoraram seu campeonato nacional. Nós podemos fazer o mesmo respeitando nossas especificidades e utilizando um dos nossos maiores ativos, as dimensões continentais e um mercado interno que cresceu extraordinariamente na última década. O problema não são os estádios caros, mas a gestão que vamos fazer deles. Por que não os times do Brasileirão mandarem cinco partidas por campeonato em estádios neutros, como os novos de Brasília, Manaus, Cuiabá, Fortaleza ou Natal, ou antigos que devem se modernizar em Belém ou Campo Grande.

A revista Veja alguns dias antes do início da copa era taxativa em seu site que “A seleção pode até ganhar, mas o Brasil já perdeu”. Hoje poderíamos dizer sem dúvidas: A seleção pode até perder, mas o Brasil já ganhou!

(*) Pedro Silva Barros é palmeirense, brasileiro, sul-americano. As opiniões expressas neste artigo são estritamente pessoais, não representando necessariamente a de nenhuma das instituições às quais o autor é vinculado.

sexta-feira, 27 junho, 2014 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Ronaldo e Aécio: Perque non se callam?

Tijolaço: Na maior cara de pau, Ronaldo amarela diante do sucesso da Copa

publicado em 26 de junho de 2014 às 18:36

Ajudando a refrescar a memória de Ronaldo “Nazário Neves”

Sucesso da Copa faz Ronaldo amarelar e nega ter vergonha do Brasil .Vergonha não é mesmo com ele

por Fernando Brito, no Tijolaço, sugestão de Júlio César Macedo Amorim

Depois do “suguem, suguem” de Aécio Neves – o colunista do UOL, Josias Rodrigues, comparou a declaração à mordida do chileno Luiz Suárez  – foi a vez de Ronaldo “Nazário Neves” dar a cara a tapa nas redes.

Na exata metade de uma Copa do Mundo que, tirando pequeníssimos incidentes, está se provando a mais bem organizada e alegre de todos os tempos, Ronaldo vem dizer que nunca se disse “envergonhado” da Copa no Brasil, há um mês atrás.

“Tá” certo, Ronaldo.

Você é apenas um rapaz que segue o espírito de seu amigo mineiro.

Sugou, sugou tudo o que podia como “organizador” da  Copa.

Fez anúncio de cerveja, de telefone, de chuteira…

Até apelação fez. dizendo que não se precisava de escolas e hospitais.

E aí resolveu se passar para o lado dos que você ironizava naqueles filmes do “Imagina na Copa”.

E foi fazer anúncio do Aécio…

Agora parece que você amarelou.

E sai com essa de que não disse o que disse.

Não tem problema, não.

A única coisa que a torcida brasileira quer, neste momento, é que você diga que não disse o que disse, com uma enorme modéstia, nos seus comentários na Globo.

De que Neymar se inspira nas suas atitudes.

Não, Ronaldo, por favor, isso não, isso não.

A gente confia muito naquele guri, como um dia confiou em você, lembra?

Leia também:

Altamiro Borges: Ronaldo e Faustão disputam a Copa do oportunismo 2014

sexta-feira, 27 junho, 2014 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Aécio, Oposição canalha, PIG, Ronaldo Fenômeno e Cia: Porque não se calaram? Kkkkkk!

Das pérolas que escapamos (porque a Copa deu certo)

Já tinham seu estoque de frases prontas sobre o caos, todas ao estilo ‘Não disse’, ‘Bem que eu falei’. Mas deu certo e escapamos dessas imbecilidades.

por Emir Sader em 27/06/2014 às 05:14

Emir SaderJá tinham seu estoque de frases prontas, todas ao estilo “Não disse”, “Bem que eu falei”, “Eu sabia que ia dar nisso”, “Se tivessem me escutado”. Frases de tia gorda, como dizem na Argentina.

Mas deu certo, e desse benefício também gozamos: escapamos dessas imbecilidades. Não custa fazer a lista do que teriam sido as declarações dos vira-latas. Listo algumas, vocês completam.

“Com um governo assim, só poderia ter dado totalmente errada a Copa do Mundo.”

“Só quem não conhece trafego aéreo não sabia que o “caos aéreo ia se instalar nos aeroportos do Brasil.”

“A prepotência do governo, que não deu ouvidos às reclamações, fez com que o Brasil tenha passado a maior vergonha internacional da sua história.”

“Os estádios mais pareciam canteiros de obras. Como denunciamos, começou a Copa com estádios sem terminar. A incompetência do governo ficou evidente para o mundo.”

“O governo não deu importância às manifestações populares e o transporte nas cidades da Copa colapsou. Gente abandonada nas ruas, torcedores que compraram entradas e não puderam chegar aos estádios, um caos urbano.”

“O governo saiu ainda menor do que entrou na Copa.”

“É esse governo, que organizou essa Copa do Mundo, que quer se reeleger para seguir dirigindo o Brasil?”

“Foi um erro ter trazido a Copa para o Brasil. Com tantos problemas na educação, na saúde, fomos gastar essa dinheirama toda na Copa.”

“Todo mundo sabia que com a Copa as manifestações iam voltar com mais força ainda, o governo seria incapaz de contê-las e teríamos essas cenas de violência e de sangue pelas ruas das cidades da Copa, em todos os jogos.”

“Fracasso de organização, fracasso de público: estádios vazios durante quase todos os jogos da Copa.”

“A impressão que os estrangeiros se levam do Brasil é a pior possível. Bem que a mídia mundial prevenia para que não vissem. O próprio Ministério de Relações Exteriores da Alemanha preveniu a seus cidadãos para não virem. Muitos vieram, com a ilusão de que seus jogadores iam cantar o Hino do Bahia, que iam tomar chope com a Angela Merkel, que iam se divertir com o povo da Bahia. Ledo engano. Assaltos, violência, estupros, tudo o que se previa, aconteceu. A imagem do Brasil saiu mais arranhada ainda do Mundial.”

“O que será do turismo brasileiro depois desse show de desorganização, incompetência, falta de acolhida fraternal dos brasileiros, assaltos, roubos, durante o Mundial?”

“O mundo pôde confirmar in loco que a mídia brasileira tinha razão quando fazia denúncias sistemáticas sobre o desastre que ia ser o Mundial. A nossa mídia sai fortalecida na sua credibilidade e as vozes dissonantes e o governo, ainda mais enfraquecidos.”

“Bem que o Ronaldo, com o seu discernimento para distinguir as coisas, disse: Vamos passar a maior vergonha e a Fifa, traumatizada, nunca mais vai querer fazer uma Copa no Brasil.”

“Mas os brasileiros vão derrotar a esse governo incompetente em outubro, para que o Brasil nunca mais passe essa vergonha.”

“Agora o mundo todo ficou sabendo porque nós combatemos sem tréguas  esse governo incompetente.”

“O povo gritou nas ruas: Não vai ter Copa. E não houve!”

“Dissemos tanto “Imagine na Copa”. E o descalabro foi tanto, que superou nossa imaginação.”

sexta-feira, 27 junho, 2014 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Mais importante que a vitória é a coragem e os ideais da luta…

Nem bem o PT lançou um jingle para a campanha da Dilma à reeleição, já lançaram uma piadinha ilustrada a respeito. Aparentemente pode parecer um deboche ou um receio bem humorado. Sabe-se lá… Mas em face disso, em um sentido ou em outro, deu vontade de me posicionar: quem viu o filme Coração Valente, sabe que o personagem foi cruelmente traído e assassinado por conveniências políticas, mas suas idéias e ideais nunca morreram e brotaram na Escócia como lutas pela liberdade do jugo inglês e que estão vivas até hoje. Nesse contexto, não importa se a Dilma vai ser reeleita (no que eu acredito piamente) ou se terminará como William Wallace (o escocês), trucidado pelos interesses escusos dos poderosos que hoje usam todo o seu poder midiático e jurídico para travar os avanços inegáveis dos últimos doze anos. Se reeleita, o seu coração valente, com certeza, vai ampliar os avanços já obtidos. Se não, sua história, suas realizações e suas idéias permanecerão por aí, como matéria prima para reflexões do povo ao vivenciar o novo governo vencedor, que com certeza, tentará retornar ao peleguismo internacional de outrora e à retomada da corrupção histórica e impune de antes.

Não nos enganemos, o passado tem muito poucas chances de voltar a reinar neste país, onde corações valentes já mostraram uma outra perspectivas de futuro. Vencedor ou vencido, vivo ou morto, apoiado ou traído, o coração valente da Dilma não será derrotado jamais, pois já mostrou do que é capaz.

Dito isso, vejam a charge e o jingle.

Bom dia a todos…

https://www.youtube.com/watch?v=3k8YQCSs8es

segunda-feira, 23 junho, 2014 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | 3 Comentários

A canalha histórica amplia o quartel da luta pelo retrocesso…

Promoveram caça às bruxas, agora reclamam de “lista negra”

publicado em 21 de junho de 2014 às 9:23

O desabafo de Trajano

por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

E eis que José Trajano, da ESPN Brasil, viralizou.

Um vídeo em que ele cita quatro colunistas que instigam ódio circula freneticamente pela internet nestes dias.

Ele enxergou, com razão, uma relação espiritual entre os que xingaram Dilma no estádio e os colunistas que mencionou.

Trajano falou de Demetrio Magnolli, Augusto Nunes, Mainardi e Reinaldo Azevedo, mas poderia falar de muitos outros.

Outro dia li uma expressão do Nobel de Economia Paul Krugman e pensei exatamente no tipo de jornalista da pequena lista de Trajano.

São os “sicários da plutocracia”. São pagos, às vezes muito bem pagos, apenas para defender os interesses de seus patrões.

Os Marinhos, ou os Frias, ou os Civitas, ou os Mesquitas, não podem, eles mesmos, assinar artigos em defesa de suas próprias causas. Então contratam pessoas como as de que Trajano trata.

Muitos leitores, em sua ingenuidade desumana, vêem alguma coragem nos “sicários da plutocracia”.

É o oposto. Ao se alinhar aos poderosos – aqueles que fizeram o Brasil ser um dos campeões mundiais da desigualdade – eles têm toda a proteção que o dinheiro é capaz de oferecer.

Não correm risco de ficar sem emprego, por exemplo. Podem cometer erros grosseiros de avaliação, de prognóstico, de estilo, do que for.

Mesmo assim, estarão seguros porque cumprem o papel de voz dos que podem muito.

Vi em Trajano um desabafo, uma explosão, e entendo por duas razões.

Primeiro, Trajano sempre foi explosivo, temperamental. É um traço seu desde sempre, bem como a paixão pelo Ameriquinha.

Depois, Trajano ecoou um sentimento que representa o espírito do tempo.

Há um cansaço generalizado, uma irritação crescente com os “sicários da plutocracia”. Não apenas pela soberba vazia, pela arrogância de quem sabe que terá microfone em qualquer circunstância, não apenas pela vilania constante.

Mas pela compreensão de que eles representam um obstáculo brutal ao avanço social brasileiro.

Eles estão na linha de frente da resistência a um Brasil menos desigual.

Eles surgem em circunstâncias especiais. Seu papel é minar, perante a opinião pública, administrações populares.

O maior da espécie, Carlos Lacerda, se notabilizou ao levar GV ao suicídio e Jango à deposição.

Eles sumiram nas décadas que se seguiram ao Golpe de 64, por serem desnecessários. O Estado – com os incríveis privilégios e mamatas à base de dinheiro público — estava ocupado pela plutocracia. Já não tinham serventia.

Voltaram quando Lula ganhou, a despeito de todas as concessões petistas fixadas na Carta aos Brasileiros.

Voltaram com o PT, assim como voltariam com qualquer outros partido que representasse ameaça às vantagens de séculos, como livre acesso aos cofres do BNDES e outras coisas do gênero.

Neste sentido, é bom entender que não é algo contra o PT e sim contra o risco, real ou imaginário, do fim das regalias.

Você pode identificar claramente o processo de retorno dos sicários.

O primeiro deles foi Diogo Mainardi, na Veja. Logo depois, também na Veja, mas na internet, apareceu Reinaldo Azevedo.

Não eram conhecidos na elite dos jornalistas, mas ganharam um espaço privilegiado porque se dispuseram a fazer a propaganda, disfarçada de jornalismo, das causas de quem quer que o Brasil continue do jeito que sempre foi.

Aos poucos foram chegando outros, e hoje são muitos.

É um processo curioso: quanto menos votos têm os representantes da plutocracia, mais colunistas da direita vão aparecendo. É como se houvesse a esperança de, uma hora, aparecer um novo Lacerda e resolver o problema.

Mas a sociedade brasileira está cansada de tanta desigualdade, e é difícil acreditar que as lorotas dos sicários vão ter algum resultado parecido com o que houve em 54 ou 64.

O Brasil merece ser uma sociedade nórdica, escandinava, em que ninguém seja melhor ou pior que ninguém por causa do dinheiro, e na qual não haja os abismos de opulência e de miséria.

Os sicários aos quais Trajano se referiu simbolizam o oposto de tudo que escrevi acima.

Desta vez, ao contrário de 54 e 64, não triunfarão – até porque a internet deu voz a quem não tinha e retirou a exclusividade monopolística e predadora dos que favelizaram o Brasil enquando acumulavam fortunas extraordinárias.

PS do Viomundo: Hoje a Folha de S. Paulo faz uma tentativa porca, bem ao estilo da Folha, de sugerir através de aspas que o jornalista da ESPN falou em nome do vice-presidente do PT, com o objetivo de nomear uma suposta “lista negra” de jornalistas inimigos da pátria. O fato é que os nomeados são, sim, semeadores do ódio. Basta ler o que escrevem. Inicialmente o ódio deles se voltou, entre outros alvos, contra jornalistas que ousaram discordar dos donos da mídia, notadamente, lá atrás, Luís Nassif e Mino Carta. Depois, foram alvos todos os blogueiros. Ou seja, reclamam de terem sido nomeados justamente aqueles que nomearam e tentaram assassinar o caráter de muitos colegas. Nossa total solidariedade a José Trajano, que foi impedido de trabalhar por seguidores dos semeadores de ódio.

segunda-feira, 23 junho, 2014 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário