Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Nova política ou maquiagem da antiga?

jania1As minhas profundas dúvidas em relação à política Marina Silva não vêm de hoje. Sempre a acompanhei em sua trajetória, desde quando ainda era amamentada no Acre, por Chico Mendes e Lula, no seio das lutas populares dos extrativistas das florestas amazônicas. Desde 1984/85, quando ajudou a fundar a CUT no Acre e se filiou ao PT, iniciando uma trajetória ascendente como vereadora, deputada estadual e senadora, sempre com votações consagradoras. Mas minha atenção tornou-se mais aguda a partir de sua nomeação para o Ministério do Meio Ambiente, no primeiro governo Lula. Esperava muito mais do que ela fez, pois esperava dela (talvez ingenuamente, não percebendo o seu personalismo radical) atitudes ambientalistas, mas pragmáticas, já que as forças políticas conservadoras ainda dominantes teriam que ser contornadas para não se romper o frágil fio das mudanças. Não foi assim. Sua postura messiânica criou conflitos e impossibilidades de avanços não só em relação às questões ambientais ligadas ao agronegócio como em relação às obras de infraestrutura planejadas pelo governo a que pertencia. As incompatibilidades e conflitos oriundos desta postura não-dialógica, desaguaram em sua renúncia do ministério e sua saída do Partido dos Trabalhadores. E como já se podia perceber, ela reiniciou o que sempre, no fundo, demonstrara: um personalismo quase doentio, daqueles que rejeitam qualquer diálogo verdadeiro e buscam com obstinação dissimulada o poleiro político mais alto. Chegou ao cúmulo de renegar seu principal mentor político, o Lula, declarando à revista Veja em 2011:“Não, não me orgulho de ter tido um presidente semianalfabeto”.Filiou-se ao Partido Verde (embora o mesmo já demonstrasse não ser tão verde assim), concorreu à presidência em 2010, ficou de fora do segundo turno e, embora convidada pela candidata Dilma a juntar-se e contribuir às propostas de governo do PT, preferiu subir no muro e ver se o circo pegava fogo. Inclusive sugeriu à Dilma a “sagacidade das serpentes” para o segundo turno (experiência própria?). Mas o circo não pegou fogo. Nesta fase inclusive, abordei aqui no blogue sobre isso. Já em conflito com o PV, desligou-se e tentou criar o seu partido (o personalismo não admite coadjuvância) e, não conseguindo as assinaturas necessárias, pragmaticamente ligou-se ao PSB, buscando espaço para não ficar fora das eleições atuais. Sujeitou-se até a aceitar uma vice-presidência, embora internamente já se insurgisse contra algumas das alianças do Eduardo Campos. Infelizmente (ou não, sei lá), sua sede de empoderamento foi saciada com a morte trágica do Eduardo Campos e pelo veloriomício decorrente. Mas, mesmo aí, ainda com o defunto pairando na paisagem política, ela iniciou os embates internos, negando-se a assumir os compromissos do antigo cabeça-de-chapa e provocando a saída de dois dos principais assessores do falecido, que saíram atirando contra ela.

Daí para cá, tem sido o que quase todo mundo sabe:

1. Ela usa, ecleticamente, o antigo titular da chapa, tanto como cabo eleitoral como para se descomprometer do caso do jatinho órfão. Basta chamar o Joaquim Barbosa (queridíssimo da direita e falso moralista aposentado), para incriminá-la pelo domínio do fato, conceito utilizado para condenar José Dirceu, sem provas materiais.
2. Não se lembra do seu falecido padrinho Chico Mendes, a não ser quando deseja capturar a legitimidade dos extrativistas acreanos.
3, Não consegue negar os avanços da gestão federal petista, mas mostra-se como uma figura impoluta, incorruptível, representante de uma nova política: sem alianças espúrias e buscando os melhores, independente de partidos e ideologias. Colocando-se acima do bem e do mal, senhora de todos os poderes, como se isso fosse possível em algum lugar do mundo! Será que ela acredita realmente nessa possibilidade? Exatamente ela, que renegou alianças até com grupos e pessoas ideologicamente semelhantes, como Lula e Dilma?
4. Traz nas mãos uma pretensa bandeira da ética na política, enquanto se reaproxima do agronegócio que demonizou enquanto ministra e enquanto candidata, em 2010. O agronegócio ajudará a Marina somente pelos seus lindos olhos?
5. Demoniza também o sistema financeiro, enquanto tem amizades profundas com a família Setúbal (Itaú/Unibanco), trazendo a herdeira (Maria Alice) para a coordenação financeira de sua campanha. Pergunta-se: este grupo deixará de graça a ajuda por uma eventual vitória da Marina?
6. Para os mais observadores, no último debate, na Band, Marina fez uma empolgada defesa da “elite brasileira”, provavelmente buscando ciscar votos no terreiro do tucano Aécio. Como servir a dois senhores: ao povo e às classes dominantes?

Como disse Saul Leblon, Marina é o PSDB de xale. E para as elites que constituem o tucanato, assim como para  a grande mídia “tudo menos o PT”. E porque não, se debaixo do xale existe alguém disposto a entregar o Estado a quem sabe das coisas?

Amigos, por tudo isso, não confio nesta senhora, também porque seu comportamento, posturas e atitudes lembram-me uma triste experiência política da juventude: o governo Jânio Quadros. Em quase tudo por tudo: O temperamento autoritário, o falso moralismo, a sede de poder, a ascensão política meteórica e a gestão contraditória e conflituosa. Jânio ganhou e, ao invés do combate à corrupção (sua grande bandeira), as suas grandes realizações, nos magros sete meses de governo, foram a proibição do biquíni, a proibição das brigas de galo e a proibição do carteado. E como herança, nos deixou um país em crise política profunda e que desaguou no Golpe de 1964.

Teremos um Jânio de saias no governo? A conferir.

Anúncios

sexta-feira, 29 agosto, 2014 - Posted by | Comentário | , ,

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: