Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Primavera cinzenta na Arca de Noé…

ovelhaFim de tarde. Na varanda superior, o vento oeste substitui o calor de todo o dia e refresca tudo, aliviando a ausência prolongada das  chuvas de uma primavera cinza e poeirenta. Seca que tem transtornado os cultivos, provocado irrigações demasiadas e que um vazamento no açude do Benvirá agravou, me fazendo secar o lago, retirar precocemente os peixes e carregar água na camioneta para não deixar as plantas morrerem. Seca que me trouxe à mente e aos braços a lembrança das 110 latas d’água que, no Nordeste da minha infância, retirava diariamente do poço profundo para hidratar as vacas do meu pai. Seca que me fez reproduzir meu pai, namorando nuvens no horizonte e sofrendo ao vê-las distanciarem-se para vazar em outras terras. Mas nem tudo está perdido para quem luta, como dizia uma ovelha em meio a uma alcateia de lobos (o humor ajuda, gente).

Há pouco, entrei pelado no banheiro e, pelo acrílico transparente da chocadeira, os pintinhos me olhavam e piavam, como se eu fosse a mãe deles. Lavei-me sorrindo, imaginando o que eles estavam pensando. Resolvi lanchar e, na passagem pela varanda vi a Preta e o Num É, olhando-me e balançando amorosamente os rabos. No lance lateral, contemplei a pata choca com seus oito patinhos brincando no tanque vazio e abaixo, em uma bacia de água.  Desci as escadas, cheguei à garagem onde cinco pintinhos em crescimento na gaiola, dormiam a sono solto na fresca da tarde. Alimentei-me, aqueci leite acrescido de Calcigenol e vitaminas, levei Flor e Terra (as duas novas cachorrinhas do pedaço) para a varanda e as alimentei pela primeira vez. Coisa maravilhosa, vê-las bebendo leite na colherinha, elas que até hoje mamavam direto nas tetas da mãe. E como na grade do quintal, Preta e Num É estavam ouriçadíssimos com os novos hóspedes, deitei as duas novatas na caixa de papelão e chamei-os para dentro. Os dois vieram, cheiraram, cheiraram… E depois vieram pra perto de mim, em busca de afagos. Pronto, a apresentação estava feita.

Agora, contemplo o início da noite na varanda de cima, curtindo o vento e o sono das novatas ao meu lado e me preparando para o duro dia de amanhã. Mas tudo bem, como dizia a ovelha…

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quinta-feira, 13 novembro, 2014 - Posted by | Comentário, Crônica | , , ,

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