Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

E por falar em Ser ou Não Ser…

Publicado em 27/11/2014

Kamel, o Dr Roberto usava pó de arroz para se embranquecer

Ele e o Ataulfo se engalfinhavam para agradar o patrão.

O Conversa Afiada reproduz indispensável análise sobre o “racismo” e o Gilberto Freire com “i”:

E O DIRETOR DE JORNALISMO DA GLOBO DIZ QUE NÃO SOMOS RACISTAS …

Não existe racismo no Brasil.

É, pelo menos, o título de um livro de Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo.

Nos últimos tempos, sempre que surgiram notícias que escancaram o racismo no Brasil, o livro de Kamel me vinha a cabeça.

Não exatamente o livro, mas a tese, a frase peremptória do título.

Não existe racismo no Brasil.

Vejo uma estatística: sete em cada dez mortos violentas são de negros.

A Anistia Internacional Brasil acaba de lançar uma campanha: “Jovem Negro Vivo”. “É quase um extermínio em massa”, diz o diretor da Anistia. Segundo a Anistia, 25 000 jovens negros são assassinados por ano no Brasil.

Sob indiferença generalizada, o que é pior.

A Anistia nota uma diferença. Nos Estados Unidos, quando a polícia mata um negro em circunstâncias suspeitas, irrompe uma revolta imediatamente.

No Brasil, não.

Quem não se lembra de Claudia, arrastada num carro de polícia? E de tantos outros?

Mas Kamel conseguiu escrever um livro cujo título é Não Somos Racistas.

Fui lê-lo.

Encontrei no Scribd, um site de livros digitais.

Em nenhum momento ele consegue ser convincente em seu ponto. O máximo a que chega é que é socialmente vergonhoso, no Brasil, ser racista. Bem, como se vê pela postagem abaixo, ou pelo número de torcedores do Grêmio que chamaram o goleiro Aranha de macaco, há quem discorde.

E ainda que fosse “vergonhoso”.

Quando a polícia vai fuzilar você, porque você é negro e está numa favela, você tem alguma chance de escapar se disser a seu carrasco que é uma vergonha o que ele está prestes a fazer?

O livro de Kamel ilumina pouco o tema do racismo. Em compensação, projeta muitas luzes sobre o próprio Kamel.

Já começa nos agradecimentos. Os patrões são entusiasmadamente elogiados. Os três. Por promoverem um “jornalismo plural”.

Não se trata apenas de bajulação. Mas de um aplauso que simplesmente não faz sentido. A não ser que pluralidade, na mente de Kamel, seja Merval, Jabor, Míriam Leitão, Sardenberg, Noblat, Waack, para ficar em alguns.  Sem contar ele próprio, é claro.

É uma pluralidade absolutamente singular: todos pensam igual. Igual aos patrões, naturalmente.

O livro também é revelador na raiva que Kamel tem de Lula, e no amor por FHC.

A FHC são dados todos os créditos por ter feito do Brasil um país maravilhoso, aspas. Lula, em compensação, se limitou a copiar – canhestramente – FHC.

Lula, para Kamel, fez mal tudo aquilo que FHC fez bem.

Há também uma coisa que conta muito sobre Kamel – e a cultura livresca das Organizações Globo. A obsessão por ver seu nome na capa de um livro.

Não Somos Racistas é uma compilação preguiçosa de artigos. Merval fez o mesmo com os textos que escreveu sobre o Mensalão, e terminou na Academia Brasileira de Letras.

Não sei se este é o destino sonhado por Kamel.

Tudo aquilo somado, da negação do racismo se chega a uma outra tese: a de que as cotas para negros são um erro – mais um – de Lula.

Acho, particularmente, uma besteira torrencial, mas enxergo isso sob outro ângulo. Os irmãos Marinhos são contrários às cotas. Logo, Kamel também é – e muito.

Em meus dias de Conselho Editorial da Globo, notei nas reuniões o seguinte: Kamel e Merval, os mais falantes do grupo, como que disputavam para ver quem era mais a favor das ideias da família Marinho.

O livro de Kamel não se sustenta, na teoria que defende, nem no próprio Roberto Marinho. Se não fôssemos racistas, Roberto Marinho não passaria pó de arroz para embranquecer a pele morena, conforme conta Pedro Bial na biografia que escreveu sobre o dono da Globo.

quinta-feira, 27 novembro, 2014 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Ser ou não Ser? Não, o negócio é Ser…


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Hoje na madrugada, assistindo uma entrevista do rebelde Ney Mato Grosso, me liguei em uma reflexão sua sobre a dificuldade de se viver escondido, disfarçado. Represando em si mesmo as emoções e/ou opções de vida e pontos de vista sobre as coisas do mundo. E a partir dessa reflexão, fiquei pensando quantos males, doenças e estresses mortais não são cotidianamente semeados pela (auto)repressão pessoal de cada um de nós, nos redemoinhos da convivência social. Em verdade, ninguém está em completa liberdade de expressão, por mais livre que se sinta ou se torne. O mundo não deixa. O poder não deixa. As classes sociais não permitem. As religiões reprimem. As corporações boicotam e punem. Formal e/ou informalmente, pelos instrumentos culturais, morais e/ou judiciais, se impõe a cada um os desejos da maioria (ou minorias ativas) atitudes que se tornam instrumentos de sobrevivência social. E o cumprimento ou não destas ser 2atitudes nos levam a uma polarização existencial: se somos obedientes, temos sucesso pessoal mas mantemos represados as nossas reais necessidades; se somos rebeldes, sentimo-nos melhores emocionalmente, mas sofremos pelo isolamento das patrulhas. Difícil dilema de cada um de nós, de qualquer gênero, classe social ou religião. Talvez por isso os psicólogos e médicos fiquem cada vez mais ricos e prepotentes, num mundo de pessoas perdidas nas contradições do ser ou não ser isto ou aquilo. Muitas vezes em depressões permanentes. Muitas vezes surtando e tornando-se um risco social pelo transbordamento das coisas reprimidas. Quase sempre calando e vivenciando uma mesmice profunda, aliviada por um consumismo selvagem até a chegada do estresse extremo do endividamento material e/ou espiritual Ou ainda, por último, na fuga desesperada para o submundo das ruas e das cracolândias onde nada mais importa, onde tudo que valia alguma coisa perdeu o sentido…

Pessoalmente, durante toda a minha vida persisti na rebeldia, no enfrentamento das repressões e hipocrisias dominantes. Claro, paguei preços pesados por isso, mas cheguei aos 70 anos com a alma e o corpo razoavelmente íntegros. Para manter esta relativa integridade pessoal, tive que me tornar um “fugitivo da guerra” do grande mundo urbano. E não me arrependo… Permanecer na Grande Guerra seria, inevitavelmente, esperar, como um macaco gregário, pelo momento em que me tornasse frágil e fosse expulso do bando pelos mais novos e fortes, para um exílio sem possibilidades. Por isso, embora se diga que espíritos inquietos impedem que sejamos felizes, abriguei a minha inquietude na minha Arca de Noé, no mundo pequeno do interior, onde todos já conhecem as minhas opiniões sobre tudo e se decidiram se me amam ou me odeiam. E com fronteiras demarcadas, o cotidiano se torna menos conflitante. Como o animal que urina, defeca ou arranha nos limites do seu território, deixando claro estes limites e reduzindo as invasões de qualquer natureza. Simples assim… E assim, minha inquietude se moldou ao meu espírito maduro. Rebelde, mas maduro e mais seguro…

Qual o problema em ser emotivo e chorar em público? Qual o problema em ser macho em um mundo de confrontos de gênero? Qual o problema em ser franco em um mundo hipócrita? Qual o problema em dar porrada (epa!) ou abraços em quem merece? Nenhum problema. Cada um tem o direito de ser o que quiser, desde que não arranhe os direitos dos outros que lhe são diferentes. E o respeito necessário é a única coisa indispensável para evitar a guerra social ampla e selvagem. Patrulhamento não vale. Coerção não vale. Vitimização não vale. Venha de onde vier, nada disso vale. E negar essa validade ao patrulhamento, à coerção e à vitimização é vital a cada um de nós, para que a vida não se torne um martírio.

quinta-feira, 27 novembro, 2014 Posted by | Comentário | , , | Deixe um comentário