Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Ser ou não Ser? Não, o negócio é Ser…


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Hoje na madrugada, assistindo uma entrevista do rebelde Ney Mato Grosso, me liguei em uma reflexão sua sobre a dificuldade de se viver escondido, disfarçado. Represando em si mesmo as emoções e/ou opções de vida e pontos de vista sobre as coisas do mundo. E a partir dessa reflexão, fiquei pensando quantos males, doenças e estresses mortais não são cotidianamente semeados pela (auto)repressão pessoal de cada um de nós, nos redemoinhos da convivência social. Em verdade, ninguém está em completa liberdade de expressão, por mais livre que se sinta ou se torne. O mundo não deixa. O poder não deixa. As classes sociais não permitem. As religiões reprimem. As corporações boicotam e punem. Formal e/ou informalmente, pelos instrumentos culturais, morais e/ou judiciais, se impõe a cada um os desejos da maioria (ou minorias ativas) atitudes que se tornam instrumentos de sobrevivência social. E o cumprimento ou não destas ser 2atitudes nos levam a uma polarização existencial: se somos obedientes, temos sucesso pessoal mas mantemos represados as nossas reais necessidades; se somos rebeldes, sentimo-nos melhores emocionalmente, mas sofremos pelo isolamento das patrulhas. Difícil dilema de cada um de nós, de qualquer gênero, classe social ou religião. Talvez por isso os psicólogos e médicos fiquem cada vez mais ricos e prepotentes, num mundo de pessoas perdidas nas contradições do ser ou não ser isto ou aquilo. Muitas vezes em depressões permanentes. Muitas vezes surtando e tornando-se um risco social pelo transbordamento das coisas reprimidas. Quase sempre calando e vivenciando uma mesmice profunda, aliviada por um consumismo selvagem até a chegada do estresse extremo do endividamento material e/ou espiritual Ou ainda, por último, na fuga desesperada para o submundo das ruas e das cracolândias onde nada mais importa, onde tudo que valia alguma coisa perdeu o sentido…

Pessoalmente, durante toda a minha vida persisti na rebeldia, no enfrentamento das repressões e hipocrisias dominantes. Claro, paguei preços pesados por isso, mas cheguei aos 70 anos com a alma e o corpo razoavelmente íntegros. Para manter esta relativa integridade pessoal, tive que me tornar um “fugitivo da guerra” do grande mundo urbano. E não me arrependo… Permanecer na Grande Guerra seria, inevitavelmente, esperar, como um macaco gregário, pelo momento em que me tornasse frágil e fosse expulso do bando pelos mais novos e fortes, para um exílio sem possibilidades. Por isso, embora se diga que espíritos inquietos impedem que sejamos felizes, abriguei a minha inquietude na minha Arca de Noé, no mundo pequeno do interior, onde todos já conhecem as minhas opiniões sobre tudo e se decidiram se me amam ou me odeiam. E com fronteiras demarcadas, o cotidiano se torna menos conflitante. Como o animal que urina, defeca ou arranha nos limites do seu território, deixando claro estes limites e reduzindo as invasões de qualquer natureza. Simples assim… E assim, minha inquietude se moldou ao meu espírito maduro. Rebelde, mas maduro e mais seguro…

Qual o problema em ser emotivo e chorar em público? Qual o problema em ser macho em um mundo de confrontos de gênero? Qual o problema em ser franco em um mundo hipócrita? Qual o problema em dar porrada (epa!) ou abraços em quem merece? Nenhum problema. Cada um tem o direito de ser o que quiser, desde que não arranhe os direitos dos outros que lhe são diferentes. E o respeito necessário é a única coisa indispensável para evitar a guerra social ampla e selvagem. Patrulhamento não vale. Coerção não vale. Vitimização não vale. Venha de onde vier, nada disso vale. E negar essa validade ao patrulhamento, à coerção e à vitimização é vital a cada um de nós, para que a vida não se torne um martírio.

quinta-feira, 27 novembro, 2014 - Posted by | Comentário | , ,

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