Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Tá todo mundo louco…

violencia 1 No Brasil, mais e mais canais de TV’s imitam os jornais impressos e radiofônicos, no enfoque noticioso sobre a violência. Impressionante a força destas notícias trágicas no cotidiano jornalístico e junto à população em geral. Até a TV Globo, a que menos focava na violência exacerbada, apelou para este expediente, a partir do momento que começou a perder audiência. Impressionante também a preocupação dos jornalistas em mortes brutais, crimes doentios e outras temeridades. Se não houver defuntos frescos, do dia, eles requentam os defuntos de dias anteriores, de preferência os mais escabrosos e os relançam como pedras nas nossas cabeças. E o pior: o fazem como se estivessem prestando um grande serviço social! E eu me pergunto: qual a importância deste serviço nas nossas vidas? Se dizem que estas informações servem como matéria de reflexão para o aperfeiçoamento social, é mentira, já que a  criminalidade, em todas as suas formas, eleva-se cada vez mais no país (basta ver as estatísticas). Se dizem ser um trabalho de alerta social também é mentira, pois a imagem que fica é que todo o país está tomado integralmente pela criminalidade e que ninguém deve sair às ruas, sob pena de ser assaltado, sequestrado ou assassinado, fomentando portanto uma paranoia social generalizada. Além da banalização da violência, que é enfrentada muitas vezes por um fatalismo doentio e/ou pela responsabilização unilateral dos governos.

Fica ainda uma indagação: porque esta nossa atração doentia pelos fatos violentos, mesmo que não inusitados? Nas ruas de qualquer cidade brasileira (de qualquer tamanho) quando se vê um agrupamento humano, pode apostar: é briga, atropelamento, assalto ou assassinato. Parecemos vampiros, sedentos de sangue, de traumas e de tragédias. Esta nossa atração doentia vem sendo explorada cada vez mais, até nas novelas. Como exemplo, cito a mais recente que bombou em audiência: Avenida Brasil. Crimes, conflitos graves e brigas entre mulheres nos banheiros, fizeram e fazem a festa dos espectadores. Os barracos femininos têm surgido em praticamente todas as novelas dos últimos tempos. A que isso serve? Que parte da nossa psiquê precisa ser alimentada diuturnamente por este tipo de produção jornalística e/ou artística? A cada momento que ligo a TV em qualquer canal, encontro situações em que estão todos apresentando pedaços da mesma coisa: intermináveis e variados rituais religiosos, reality shows sobre desgraças emocionais humanas, noticiários sangrando seres humanos às nossas vistas. Sem opção para mais nada, É assistir ou desligar.

Até quando vamos gostar deste tipo de lixo? Quando vamos escolher coisas que nos façam bem e que semeiem comportamentos proativos?

Neste contexto louco, algo em especial chamou minha atenção na semana passada: em apenas dois dias, três crianças pequenas morreram por terem sido esquecidas pelos  responsáveis, dentro de carros estacionados e fechados, por mais de quatro horas. Um transportador de crianças, um pai e uma mãe, foram os causadores destas mortes. Como uma mulher (também mãe) que transporta uma criança para a escola, deixa-a no carro por horas, enquanto vai na manicure fazer as unhas? Como um pai esquece o filho dentro do carro por cinco horas enquanto vai trabalhar? Como uma mãe esquece de deixar o filho na escola, deixa-o trancada no carro e só descobre que a criança está morta quando sai do trabalho, chega na escola e é informada que a criança não havia sido deixada no espaço educacional? Como? Como? E aí, em minhas reflexões cambaias (já que não sou nenhum psicólogo), começo por algumas indagações: em que nível o estresse da vida urbana moderna domina o emocional das pessoas, a ponto de desligá-la do mundo imediato, deletando percepções das tarefas do momento? Até que ponto os especialistas em trânsito, preocupados com a segurança infantil (sic), são culpados destas mortes, por situarem as crianças em assentos exclusivos na traseira do veículo, longe da percepção de quem dirige?

Imaginem uma situação assim: uma mãe ou pai, que já acorda pensando nas inúmeras tarefas do dia, poe o filho na parte traseira do carro e segue rua à fora, focado no trânsito louco e no trabalho, nas contas pra pagar, nos problemas familiares e com o filho fora do seu perímetro lateral de visão. Uma psicóloga (sábia como todos os pscólogos) disse a uma repórter que parte da culpa é do pai ou mãe, por não manter, durante o trajeto, uma conversa amorosa com o filho. Pergunto: como pode um pai ou mãe, conversar amorosamente com o filho pequeno, quando sequer o enxerga a seu lado, quando a loucura do trânsito e as preocupações existenciais assolam o seu espírito?

Enfim, há horas em que penso, seriamente, que está todo mundo louco. A insanidade está se tornando a regra. O bom-senso tá perdendo de goleada. E o pior: quase ninguém está percebendo isto.

“A violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. (Jean-Paul Sartre)

Um bom (ou mau?) dia para todos nos…

segunda-feira, 22 dezembro, 2014 - Posted by | Comentário | , , ,

Nenhum comentário ainda.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: