Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

A paz e a proteção das águas…

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O Laguinho do Exu

Hoje, depois de dois dias estafantes, no fim da tarde mergulhei nas águas geladas do Benvirá. Aquele choque térmico instantâneo, aquele frescor matando o calor do corpo cansado, o cérebro desperto para a tranquilidade, os olhos emergindo para contemplar o verde antigo deste meu redor. O silêncio da tarde, o sol vermelho se escondendo, os olhos tranquilos da Preta me olhando da margem, meu coração tomando pé nas coisas de hoje e relembrando passos da longa caminhada até aqui, das léguas tiranas palmeadas em busca desta paz, desta serenidade tão bem-vinda…

Constantemente lembro-me das passagens mais tocantes da minha caminhada. Fico horas meditando sobre elas, reinterpretando seus significados e me julgando emocionalmente. Promotor, defensor, juiz e juri de mim mesmo. Revisitando-me, reolhando-me, observando-me em ato, palavras e gestos. Procurando aprender, valorizando as minhas ações felizes e buscando me perdoar pelos erros cometidos.

E hoje, mergulhado no Laguinho do Exu, me vieram as águas da lagoa da Amaralina da minha juventude, na parte mais profunda em que me agasalhava para meditar na vida agoniada de criança rebelde. Ali, sozinho em meio à vegetação aquática, passava horas matutando a vida, as tristezas, os sonhos e desejos de me largar no mundo. Dali, eu via casa de morada, o gado pastando e pressentia, na seca e na preocupação dos meus pais, a falta de perspectivas daquela vida, renascida a cada inverno e dizimada a cada sofrida estiagem…

Ninguém me procurava, pois eu era um bicho-do-mato que ia e vinha no território, conhecendo tudo e sem riscos mais sérios a enfrentar. Ninguém reparava nas minhas roupas molhadas, nos meus pés “enjilhados” de tão longos mergulhos. Sequer sabiam das longas horas deitado na cama e olhando as telhas, ouvindo os barulhos da casa, meditando sobre o porquê da morte.

E eu também não me importava com esta indiferença, pois ela me blindava das coisas ruins da vida. Como as águas da lagoa. Como a cama do meditar. Como as águas do Benvirá…

sexta-feira, 12 junho, 2015 - Posted by | Comentário, Reflexões | ,

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