Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

A rota-do-sol e as prisioneiras…

julho ferias 038Durante os meses de suas novas liberdades no Benvirá, a Preta, a Bola e a Bela, estabeleceram uma rota preferencial que apelidei como a rota-do-sol, em uma alegoria à liberdade e prazer das três ao trilharem a mesma. Em meio às suas inúmeras incursões no território, passaram a dirigir-se sempre para a mesma direção e demorando cada vez mais a voltar, chegando ao recorde de quatro horas de passeio, ignorando chamados e buzinaços (provavelmente pela distância e/ou curtição familiar). Foram tantas as caminhadas no roteiro e tantas as demoras, que internalizei o receio delas serem capturadas ou agredidas por terceiros, independente da maturidade defensiva da Preta. Síntese da história: passamos a prender as duas filhotas, pois sem elas a Preta não se distancia da sede.

Aparentemente, a decisão deu certo, mas a observação cotidiana do grupo mostrou filhas estressadas e choronas na casinha e mãe triste do lado de fora. Anteontem, dia do banho semanal, amarramos duas e deixamos soltas a Bela, a mais levada e hiperativa da família. Pois ela correu pra mata e de lá ficou chamando a irmã e a mãe, aos latidos, para a maratona preferida. Como as duas não corresponderam, por estarem presas, ela voltou com cara de infeliz. Daí, fiquei julho ferias 048pensando: de que me adianta querer vê-las  seguras mas sem alegria, sem aquela felicidade que elas demonstram quando chegam da mata, cansadas da caminhada pelos caminhos da floresta e molhadas das andanças por dentro do igarapé? Nada, nada, nada…

E assim, a partir de hoje liberei-as. Estarão sempre soltas e juntas para irem e virem à vontade por onde quiserem, à exceção dos momentos das minhas partidas, para evitar que me sigam à cidade. Creio na capacidade delas de administrarem o espaço e o seu apego ao lar. Creio na capacidade materna da Preta em proteger suas crias. Creio na minha vizinhança, que até hoje sempre respeitou a mim, ao meu território e aos meus bichos. O resto, é o risco inerente à vida e o medo inarredável da perda, mas que nunca poderão afogar nosso sonho de amizade libertária.

Deus proteja minhas companheiras…

segunda-feira, 13 julho, 2015 - Posted by | Comentário, Crônica | , ,

Nenhum comentário ainda.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: