Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Eu + Eu = Nós

solidao 3Compartilhei há pouco, no Face, que “não há nada mais libertador e poderoso do que aprender a gostar da sua própria companhia“. Desconheço a autoria da reflexão, mas espicaçou minha percepção o que há nela de mais profundo, difícil e doloroso: a aventura trágica da auto-descoberta. Sem ela, nada feito, atravessaremos o espaço vital da nossa era ignorando a própria companhia, quase sempre dela fugindo e tentando aterrá-la com pazadas  de convivências e vivências inexpressivas.

solidao 4Cedo, ainda muito cedo e sem ter consciência disso, já me preocupava esta companhia grudada no cérebro. Cheia de sombras, medos e dúvidas. Passava horas e dias olhando pro teto, imaginando o que seria de mim, o que faria no mundo e o indecifrável momento da morte, quando todos os esforços dispendidos perderiam o sentido. Mas, hoje eu vejo, a vida sempre foi boa comigo e as sombras da minha alma encontraram janelas para sopitarem e buscarem luz no mundo em que me tornei um andarilho.

Dias que perderam o sentido antes de chegada a noite. Gestos impensados e/ou esquecidos ao longo da trajetória. Amores extintos de repente, como fogueiras cuja lenha findou. Longos auto-exílios em companhia única do espelho a mostrar-me, vez em quando, a contradição entre os sonhos da minha alma e o envelhecimento do meu corpo…

Mas, agora, sei quem sou. Sou pouco, mas aprendi a gostar deste velho que me olha todos os dias, quando vou lavar-me e vestir-me. Já converso com ele. Já brinco e o ironizo sobre o seu possível charme idoso. Já não tenho medos, apenas tristezas a esquecer e alegrias a curtir enquanto viver. Avanço devagar, é bem verdade. Mas ainda não é o fim, mesmo com as pernas bambas e meu jeito cambaio. Na caminhada, voltei a ser integralmente filho dos verdes, dos suaves barulhos noturno, dos luares visíveis nas madrugadas e suas estrelas cintilantes. Hoje, finalmente, sei quem sou. Mesmo solitário, sei quem sou e não me amarguro com ausências que nada ou pouco me acrescentam Mesmo acompanhado por quem vale a pena, não me iludo com idéias de presenças permanentes e duradouras. Em algum momento, estarei só com a minha sombra. E aprendi a valorizá-la…

Dito isto, amigos, vou compartilhar, com este cara do espelho, o preparo do meu almoço de domingo. Lógico que compartilharemos alguns drinques. Lógico que escutaremos as nossa músicas preferidas. Cozinharemos macaxeira do sítio, abóbora do sítio, galinha do sítio (temperada com alfavaca e chicória do sítio) e, de sobremesa, banana do sítio. Tudo entremeado por bons papos (silenciosos ou expressos) como cabe a dois bons amigos…

Bom domingo a todos…

Henrique Miranda

domingo, 2 agosto, 2015 - Posted by | Comentário, Crônica, Reflexões | ,

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