Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

A conivência explícita entre judiciário e imprensa…

Em verdade, foi ontem, dia 24, e o noticiário informou que foram alguns gatos pingados (nem o mestre-de-cerimônias foi). Mas, independente do público presente, fica cristalina a continuidade do comportamento de estrelismo do juiz (já demonstrados em várias outras ocasiões) e a sua necessidade de holofotes e cumplicidades. Valha-nos, quem?

Henrique Miranda
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O juiz Sérgio Moro vai cometer um disparate hoje.

Por Paulo Nogueira

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Conflito de interesses

Postado em 23 nov 2015por : Paulo Nogueira

O juiz Sérgio Moro vai cometer um disparate hoje.

Ele vai participar, como convidado de honra, de um seminário promovido pela ANER, associação que faz o lobby das revistas.

A ANER é controlada pela maior editora de revistas, a Abril.

Moro, como juiz, deveria recusar este convite por significar conflito de interesses. A não ser que ele considere editoras de revistas acima da lei.

Num mundo menos imperfeito, Justiça e imprensa se autofiscalizam, a uma distância exigida pela decência.

Mas no Brasil elas se abraçam e confraternizam, como se vê em coisas como as alegres imagens em que Merval e Gilmar Mendes sorriem para as câmaras como dois bons camaradas.

Moro já tropeçou uma vez nisso ao aceitar um prêmio da Globo. É abjeta, do ponto de vista ético, a foto em que ele e João Roberto Marinho estão juntos no palco na entrega do prêmio.

Como Moro poderia julgar qualquer coisa relativa à Globo depois disso? Com que isenção?

Sua presença num evento da Abril é ainda pior, dada a ostensiva e frequentemente desonesta perseguição movida pela Veja contra Lula e o PT.

Moro está simbolicamente chancelando a atitude da Veja. Está sendo partidário, o que é o túmulo da Justiça.

Ridículo também é o tema sobre que ele aceitou palestrar no encontro: o papel da imprensa na Lava Jato.

Moro não tem a menor condição de discutir este assunto. Se soubesse alguma coisa sobre o tema, diria sinteticamente: “Jornais e revistas têm que fazer o oposto do que vem fazendo. Devem apurar com profundidade e isenção, e não podem confiar cegamente em fontes que passam vazamentos sempre contra um lado só. Vocês viram o que aconteceu com o Lauro Jardim? Pois é. Façam o oposto do Lauro e de tantos outros.”

Me pergunto, às vezes, se Moro não tem noção.

Mas sim, ele tem, e isso torna pior o quadro. Uma prova disso é que ele recusou, nestes mesmos dias, uma homenagem do Congresso.

Alegou que investiga muitos ali.

Seria louvável, se isso fosse uma norma para ele. Como não é, a suspeita que fica é que, na verdade, ele estava fugindo de alguma cena potencialmente constrangedora. Por exemplo, palavras de ira de algum deputado que se considere injustiçado pela Lava Jato.

Moro é seletivo até na hora de receber tributos.

Este da ANER é particularmente ofensivo para a sociedade. Quando juízes servem a interesses políticos, quem perde somos todos nós.

Alguns dão a isso o nome de bolivarianismo.

Não me ocorre definição melhor quando um juiz se junta a uma festa organizada por uma revista que representa no grau extremo a partidarização da notícia.

Paulo Nogueira
Sobre o Autor

O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

quarta-feira, 25 novembro, 2015 - Posted by | Repassando... | ,

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