Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Ainda bem que nas camadas reacionárias, sempre aparecem alguns socialistas…

Herdeira do Credit Suisse doa R$ 500 mil a Lula após bloqueio feito por Moro

 “Se Luiz Inácio Lula da Silva é visto como o pai do Bolsa Família, ela quer ser a mãe do ‘Bolsa Lula'”, destaca reportagem da Folha de S. Paulo

SÃO PAULO – “Se Luiz Inácio Lula da Silva é visto como o pai do Bolsa Família, ela quer ser a mãe do ‘Bolsa Lula'”.

Assim que matéria desta sexta-feira (11) do jornal Folha de S. Paulo define a atitude da herdeira da família fundadora do banco Credit Suisse, Roberta Luchsinger, que criou um movimento para apoiar financeiramente o ex-presidente Lula após o bloqueio de quase R$ 10 milhões em planos de previdência e contas bancárias por ordem do juiz Sérgio Moro. Roberta, neta do suíço Peter Paul Arnold Luchsinger, doou cerca de R$ 500 mil em dinheiro, joias e outros bens de valor ao petista.

“Com o bloqueio dos bens de Lula, Moro tenta inviabilizá-lo tanto na política quanto pessoalmente. Vou fazer uma doação para que o presidente possa usar conforme as necessidades dele”, disse a herdeira.

Entre as doações ao ex-presidente, está o último cheque da mesada de seu avô, que morreu no dia 8 de julho aos 92 anos, no valor de 28 mil francos suíços (cerca de R$ 91 mil). “Foi o último cheque que recebi dele e vou repassar integralmente ao Lula. Agora, já podem dizer que ele tinha conta na Suíça, aquela que os procuradores da Lava Jato tanto procuraram e não acharam”, ironiza.

Além disso, também há na lista de bens doados um relógio Rolex (R$ 100 mil) , um anel de diamantes da joalheira Emar Batalha (R$ 145 mil), uma bolsa Chanel (R$ 32 mil), um par de sandálias Christian Louboutin (R$ 3 mil) e um vestido Dolce & Gabbana (R$ 30 mil). A mala com os artigos de luxo será entregue pessoalmente nos próximos dias, em data que está sendo negociada com o ex-ministro Gilberto Carvalho.

Segundo a reportagem do jornal, Roberta pretende lançar sua candidatura a deputada estadual pelo PCdoB nas próximas eleições. Ela se filiou ao partido ao se casar em 2009 com Protógenes Queiroz – eles se divorciaram em 2015. Roberta é crítica aos cortes em programas sociaisaprovados durante a gestão do presidente Michel Temer e diz apoiar a taxação sobre grandes fortunas. Ela ainda afirma não achar incompatível lutar por uma sociedade igualitária, mesmo com seu estilo de vida sofisticado.

sexta-feira, 11 agosto, 2017 Posted by | Comentário, Repassando... | | 1 Comentário

Continuamos a pagar os votos que blindaram o Trairão…

8/2017 09:03

Para economizar após compra de votos, Temer corta 543 mil famílias do Bolsa Família

O número de beneficiários pagos pelo Bolsa Família em julho registrou a maior redução em relação a um mês anterior desde o lançamento do programa, em 2003. Entre junho e o mês passado, o número de benefícios encolheu em 543 mil famílias. O corte inclui suspensões para avaliação e cancelamentos.

Ao todo, o programa pagou 12.740.640 famílias em julho. O número de bolsas pagas foi o menor desde julho de 2010, quando foram pagas 12.582.844 bolsas. Se compararmos julho de 2014 com o mesmo mês de 2017, houve uma redução de 1,5 milhão de bolsas pagas.

Mesmo com os cortes, ainda há mais de meio milhão de famílias na lista de espera para ingressar no programa, sem previsão. Questionado pela reportagem, o Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário culpou a política econômica do governo Dilma Rousseff (2011-16) pela redução.

Até então, o maior corte tinha ocorrido entre os meses de janeiro e fevereiro de 2013, após o fim de um recadastramento do governo federal. Naquela ocasião, houve 278 mil benefícios pagos a menos.

Quando foi lançado, em 2003, o programa atendia 3,6 milhões de famílias –a maioria já recebia benefícios menores que foram extintos, como o Bolsa Alimentação, o Vale Gás e o Bolsa Escola.

O corte no pagamento de julho pegou muitos beneficiários de surpresa. Na segunda-feira (7), a reportagem do UOL visitou a central do Cadastro Único e do Bolsa Família em Maceió, onde 55,2 mil famílias dependem do pagamento. O município também teve corte no número de beneficiários: em junho, eles eram 57,4 mil.

Entre os beneficiários que buscaram resolver problemas, o clima era de grande apreensão. “A verdade é que a gente fica sempre esperando uma notícia assim, pois sabe que estão cortando tudo. Até direitos da gente já cortaram”, diz a camareira Rosângela da Silva, 43, que tem três filhos –mora com dois deles– e recebia R$ 124 até junho. “Agora cortaram do nada.”

OPINIÃO DO PLANTÃO – É questão de tempo até o Bananil voltar para o Mapa da Fome da ONU e voltarmos a ver manchetes de revistas mostrando pessoas morrendo de fome no Brasil como algo normal

sexta-feira, 11 agosto, 2017 Posted by | Comentário, Repassando... | | Deixe um comentário

Leiam e deixem de nos chamar de velhinhos tarados! Certo?

02/08/2017 12:22 – Copyleft

Tribunal Europeu afirma importância do sexo para idosos

O tribunal da U.E. restabeleceu um princípio do respeito à dignidade humana que é fundamental em qualquer idade


Flavio Aguiar

Sérgio Lemos

Tudo começou quando Maria Morais, uma cidadã portuguesa, teve de se submeter a uma cirurgia em seus órgãos genitais. Isto aconteceu em 1995. Por alguma razão, o resultado não foi bom para ela. Queixou-se de que a cirurgia defeituosa deixara-a num estado em que não tinha a possibilidade de ter um desempenho sexual satisfatório. Exigiu uma indenização, processando o hospital.

Em primeira instância, ganhou. Mas o hospital recorreu. E em 2013 – 18 anos depois do episódio original – o Tribunal de Recursos reduziu em um terço a indenização pedida. Justificativa dos três juízes: a reclamante era quinquagenária (não ficou esclarecido se na época da cirurgia ou depois), e “depois dos 50 anos a prática do sexo não é tão importante”. Diga-se de passagem que os três juízes, dois homens e uma mulher, tinham mais de 50 anos.

Não satisfeita, Maria Morais recorreu ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que tem sede na França. E agora, em 2017, a Corte da União Europeia bateu o martelo: sexo depois dos cinquenta é importante sim. Condenou o tribunal português por prática discriminatória contra idosos, restabeleceu o valor original da indenização pedida e acresceu-lhe os custos advocatícios e jurídicos. Total, quase 6 mil euros, no câmbio turismo, equivalente a quase 24 mil reais.

O valor pode parecer pequeno. O princípio não o é. O tribunal da U. E. restabeleceu um princípio do respeito à dignidade humana que é fundamental em qualquer idade. Ainda mais que está comprovada – e o episódio desencadeou, duas semanas atrás, uma torrente de análises neste sentido – a importância da prática sexual por idosos para a própria saúde corporal e mental.

Em primeiro lugar, há a questão do prazer, fundamental em qualquer idade, desde que obtido por mútuo consentimento, é claro.

Mas há mais. Durante a prática de atividade sexual – de qualquer tipo, em todos os sentidos, masturbação, cópula, amasso, etc, – o corpo libera um agente neurotransmissor chamado dopamina. E recentes pesquisas demonstram que a dopamina exerce influência benéfica no cérebro sobre o armazenamento da memória. Ou seja, ajuda a combater males como Alzheimer, Parkinson, esclerose, etc.

E mais ainda. Depois da prática sexual, derrama-se no corpo humano outro neuro-transmissor, a serotonina, em quantidades apreciáveis. A serotonina é responsável pela comunicação entre as ramificações das células nervosas, que não se tocam entre si. Sua falta acarreta transformações negativas do humor, podendo causar depressão. É chamada, algo impropriamente, de “hormônio do prazer”, devido à sensação que se segue á prática do sexo.

Em altas latitudes, como aqui em Berlim, o escurecimento do dia hibernal causa falta de vitamina D, que é fundamental para sintetizar a serotonina. Anualmente, na Alemanha, registram-se 800 mil casos de depressão causados pela falta de insolação, de vitamina D, e consequentemente, de serotonina. Suspeita-se que, por falta de informação, outras 800 mil pessoas não registrem seus casos junto ao sistema de saúde.

Não se confunda isto com alguma melancolia poética hibernal, ou pela perda de algum ente querido, por exemplo. A depressão clínica é um quadro grave que, pela inanição, pode levar até à morte. É isto que a prática do sexo ajuda a combater. Ainda mais em se tratando de idosos, que têm mais dificuldade de locomoção e, portanto, de exibição à luz solar.

A decisão do Tribunal Europeu de Recursos Humanos não só fez justiça à reivindicação de Da. Maria Morais, como também ajudou a reafirmar o princípio de que tod@s – idos@s também – têm direito a uma vida saudável e cheia de prazer.

Em tempo: há alimentos que ajudam a produção de dopamina e serotonina, como o chocolate amargo, a castanha do Pará, a banana, o abacaxi, o tomate e também o vinho tinto, tomado com moderação.

quinta-feira, 3 agosto, 2017 Posted by | Comentário, Repassando... | | Deixe um comentário

Eu + Eu = Nós

solidao 3Compartilhei há pouco, no Face, que “não há nada mais libertador e poderoso do que aprender a gostar da sua própria companhia“. Desconheço a autoria da reflexão, mas espicaçou minha percepção o que há nela de mais profundo, difícil e doloroso: a aventura trágica da auto-descoberta. Sem ela, nada feito, atravessaremos o espaço vital da nossa era ignorando a própria companhia, quase sempre dela fugindo e tentando aterrá-la com pazadas  de convivências e vivências inexpressivas.

solidao 4Cedo, ainda muito cedo e sem ter consciência disso, já me preocupava esta companhia grudada no cérebro. Cheia de sombras, medos e dúvidas. Passava horas e dias olhando pro teto, imaginando o que seria de mim, o que faria no mundo e o indecifrável momento da morte, quando todos os esforços dispendidos perderiam o sentido. Mas, hoje eu vejo, a vida sempre foi boa comigo e as sombras da minha alma encontraram janelas para sopitarem e buscarem luz no mundo em que me tornei um andarilho.

Dias que perderam o sentido antes de chegada a noite. Gestos impensados e/ou esquecidos ao longo da trajetória. Amores extintos de repente, como fogueiras cuja lenha findou. Longos auto-exílios em companhia única do espelho a mostrar-me, vez em quando, a contradição entre os sonhos da minha alma e o envelhecimento do meu corpo…

Mas, agora, sei quem sou. Sou pouco, mas aprendi a gostar deste velho que me olha todos os dias, quando vou lavar-me e vestir-me. Já converso com ele. Já brinco e o ironizo sobre o seu possível charme idoso. Já não tenho medos, apenas tristezas a esquecer e alegrias a curtir enquanto viver. Avanço devagar, é bem verdade. Mas ainda não é o fim, mesmo com as pernas bambas e meu jeito cambaio. Na caminhada, voltei a ser integralmente filho dos verdes, dos suaves barulhos noturno, dos luares visíveis nas madrugadas e suas estrelas cintilantes. Hoje, finalmente, sei quem sou. Mesmo solitário, sei quem sou e não me amarguro com ausências que nada ou pouco me acrescentam Mesmo acompanhado por quem vale a pena, não me iludo com idéias de presenças permanentes e duradouras. Em algum momento, estarei só com a minha sombra. E aprendi a valorizá-la…

Dito isto, amigos, vou compartilhar, com este cara do espelho, o preparo do meu almoço de domingo. Lógico que compartilharemos alguns drinques. Lógico que escutaremos as nossa músicas preferidas. Cozinharemos macaxeira do sítio, abóbora do sítio, galinha do sítio (temperada com alfavaca e chicória do sítio) e, de sobremesa, banana do sítio. Tudo entremeado por bons papos (silenciosos ou expressos) como cabe a dois bons amigos…

Bom domingo a todos…

Henrique Miranda

domingo, 2 agosto, 2015 Posted by | Comentário, Crônica, Reflexões | , | Deixe um comentário

Puxando a sujeira escondida sob tapete..

PRIVATASQuem de vocês leu o “Privataria Tucana”? Quem de nós viu ou ouviu, na “grande” mídia sobre o lançamento deste livro? Pois é… E o pior: todas as denúncias expostas no livro, embora legalmente comprovadas, nunca originaram nenhuma investigação ou processo pelas instâncias judiciárias deste país. Porque tudo isso? Prefiro não comentar, pois todos já sabem o porquê. Mas, para quem não soube, não leu ou esqueceu o lido, vai abaixo a oportunidade de assistir um resumão do lançamento do livro e seus impactos na sociedade (apesar da blindagem da grande mídia).

Vejam, ouçam e reflitam. Depois coloquem um colírio nos olhos e limpem os ouvidos, para evitar a contaminação…
Henrique Miranda
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https://youtu.be/f5ERlzNdW0I

quinta-feira, 30 julho, 2015 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Amiga, me espere lá do outro lado…

preta junho 2015 006

Você, que neste dia da foto me abraçou tão intensamente, que agradava tanto à sua mãe e era tão carinhosa com todo mundo, nos deixou sozinhos. Você, que até o último momento de consciência, teimou em responder aos meus chamados com o balançar amoroso da cauda. Você, de quem lembrar me dói profundamente, deixou apenas a lembrança do seu jeito tranquilo e teimoso de trocar carinho, do seu enfrentar estoico a qualquer rejeição eventual aos seus abraços. Que aguentava até tapas e empurrões, para não ser afastada dos braços que queria em volta de si.

Que se desmanchava com a mãe em abraços lambidos.Que olhava fundo nos meus olhos, firme no olhar e terna no brilho das retinas, nas orelhas quietas e na cauda oscilante…

Magoado e infeliz por sua partida, chego a achar compreensíveis as pessoas que fogem dos afetos de qualquer natureza, na inútil tentativa de se protegerem das dores da perda. Que apagam as luzes do gostar, erguem muros de proteção emocional, cerram cortinas e chaveiam portas. Fingindo-se de mortos…

julho ferias 037Mas minha mágoa não chega às raias da burrice emocional. Salva-me a convicção antiga de que a vida só se abre plena para quem nela mergulha de peito aberto e olhos arregalados. Sem isso, seremos sempre reféns de um purgatório de vazios mesmices. E o pior: nem saberemos se negar o purgatório nos daria uma vida melhor ou pior. Impossível saber, impossível adivinhar, até mesmo, se este purgatório realmente nos protegerá. E por assim pensar, em meio à minha tristeza, tenho como bálsamo as lembranças de sua breve vida na minha vida. Dos seus abraços. Dos seus olhares. Da sua postura calma, sentada entre as minha pernas, recebendo afagos e lambendo-me as mãos…

Agora, a cada vez que abraçar as duas que restaram, o meu coração a relembrará. Não tem jeito. Não há como ser diferente. E a cada vez, manter-se-á a minha constatação magoada (que pena que você partiu) e o meu desejo para sempre: nos aguarde no outro lado do caminho, amiga. Quem sabe lá não existam novos lagos, igarapés, matas e caminhos para brincarmos juntos?

sexta-feira, 24 julho, 2015 Posted by | Comentário, Crônica | , , | Deixe um comentário

Sombra e madrugada…

solidaoO amor nos torna frágeis, porque vulneráveis, porque desprotegidos de racionalidade. E frágeis, vulneráveis e desprotegidos, por mais fortes que tentemos ser, teremos sempre a solidão como sombra. A solidão das partidas. A solidão das esperas. A solidão dos desencontros. A solidão das impotências pessoais…

São duas horas da madrugada e lá fora, nas penumbras do quintal, a Bola e a Bela estão doentes (sabe-se lá de que) e a renitência da doença e a negação delas em comerem, tiraram todo o meu sono. Estou há horas indo e vindo para a varanda, buscando vê-las, tentando em vão alimentá-las, angustiado com o balanço cansado de suas caudas teimosas em se manterem amorosas… Sei que de há muito entrei na era das perdas. Pais, alguns irmãos e amigos já me deixaram. E, mesmo que. voluntariamente e aos poucos, tenha me tornado cada vez mais recluso, nem por isso deixo de perceber, aqui e ali, esta sombra que me persegue ao longo da vida. Esta madrugada é uma destas ocasiões. E sentado na varanda, observando a noite e os seus silêncios, sinto-me como o patriarca de a “Lenda das paixões”, exilado nas montanhas pela irrealização social e esperando sempre pelos filhos gerados que vão e voltam à sua varanda e aos seus braços, nos entreveros da vida. Ou como o pequeno Garcia Marquez ao perder o avô-pai, sua referência emocional maior, aos oito anos de idade. Frágil, como a Preta, ao ver suas filhas embarcarem no carro e ser impedida de segui-las …

Que o dia amanheça logo, para ver se o sol resgata alguma esperança nesta solidão…

domingo, 19 julho, 2015 Posted by | Comentário, Crônica | | 1 Comentário

A rota-do-sol e as prisioneiras…

julho ferias 038Durante os meses de suas novas liberdades no Benvirá, a Preta, a Bola e a Bela, estabeleceram uma rota preferencial que apelidei como a rota-do-sol, em uma alegoria à liberdade e prazer das três ao trilharem a mesma. Em meio às suas inúmeras incursões no território, passaram a dirigir-se sempre para a mesma direção e demorando cada vez mais a voltar, chegando ao recorde de quatro horas de passeio, ignorando chamados e buzinaços (provavelmente pela distância e/ou curtição familiar). Foram tantas as caminhadas no roteiro e tantas as demoras, que internalizei o receio delas serem capturadas ou agredidas por terceiros, independente da maturidade defensiva da Preta. Síntese da história: passamos a prender as duas filhotas, pois sem elas a Preta não se distancia da sede.

Aparentemente, a decisão deu certo, mas a observação cotidiana do grupo mostrou filhas estressadas e choronas na casinha e mãe triste do lado de fora. Anteontem, dia do banho semanal, amarramos duas e deixamos soltas a Bela, a mais levada e hiperativa da família. Pois ela correu pra mata e de lá ficou chamando a irmã e a mãe, aos latidos, para a maratona preferida. Como as duas não corresponderam, por estarem presas, ela voltou com cara de infeliz. Daí, fiquei julho ferias 048pensando: de que me adianta querer vê-las  seguras mas sem alegria, sem aquela felicidade que elas demonstram quando chegam da mata, cansadas da caminhada pelos caminhos da floresta e molhadas das andanças por dentro do igarapé? Nada, nada, nada…

E assim, a partir de hoje liberei-as. Estarão sempre soltas e juntas para irem e virem à vontade por onde quiserem, à exceção dos momentos das minhas partidas, para evitar que me sigam à cidade. Creio na capacidade delas de administrarem o espaço e o seu apego ao lar. Creio na capacidade materna da Preta em proteger suas crias. Creio na minha vizinhança, que até hoje sempre respeitou a mim, ao meu território e aos meus bichos. O resto, é o risco inerente à vida e o medo inarredável da perda, mas que nunca poderão afogar nosso sonho de amizade libertária.

Deus proteja minhas companheiras…

segunda-feira, 13 julho, 2015 Posted by | Comentário, Crônica | , , | Deixe um comentário

A paz e a proteção das águas…

GE DIGITAL CAMERA

O Laguinho do Exu

Hoje, depois de dois dias estafantes, no fim da tarde mergulhei nas águas geladas do Benvirá. Aquele choque térmico instantâneo, aquele frescor matando o calor do corpo cansado, o cérebro desperto para a tranquilidade, os olhos emergindo para contemplar o verde antigo deste meu redor. O silêncio da tarde, o sol vermelho se escondendo, os olhos tranquilos da Preta me olhando da margem, meu coração tomando pé nas coisas de hoje e relembrando passos da longa caminhada até aqui, das léguas tiranas palmeadas em busca desta paz, desta serenidade tão bem-vinda…

Constantemente lembro-me das passagens mais tocantes da minha caminhada. Fico horas meditando sobre elas, reinterpretando seus significados e me julgando emocionalmente. Promotor, defensor, juiz e juri de mim mesmo. Revisitando-me, reolhando-me, observando-me em ato, palavras e gestos. Procurando aprender, valorizando as minhas ações felizes e buscando me perdoar pelos erros cometidos.

E hoje, mergulhado no Laguinho do Exu, me vieram as águas da lagoa da Amaralina da minha juventude, na parte mais profunda em que me agasalhava para meditar na vida agoniada de criança rebelde. Ali, sozinho em meio à vegetação aquática, passava horas matutando a vida, as tristezas, os sonhos e desejos de me largar no mundo. Dali, eu via casa de morada, o gado pastando e pressentia, na seca e na preocupação dos meus pais, a falta de perspectivas daquela vida, renascida a cada inverno e dizimada a cada sofrida estiagem…

Ninguém me procurava, pois eu era um bicho-do-mato que ia e vinha no território, conhecendo tudo e sem riscos mais sérios a enfrentar. Ninguém reparava nas minhas roupas molhadas, nos meus pés “enjilhados” de tão longos mergulhos. Sequer sabiam das longas horas deitado na cama e olhando as telhas, ouvindo os barulhos da casa, meditando sobre o porquê da morte.

E eu também não me importava com esta indiferença, pois ela me blindava das coisas ruins da vida. Como as águas da lagoa. Como a cama do meditar. Como as águas do Benvirá…

sexta-feira, 12 junho, 2015 Posted by | Comentário, Reflexões | , | Deixe um comentário

“Como fica forte uma pessoa segura de ser amada”…

preta junho 2015 006

A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz.

Sigmund Freud

A cada dia me encanto mais com a liberdade e qualidade de vida da Preta e suas filhotas Bole e Bela, lá no Benvirá. Desde sempre, acreditava neste resultado, a cada passeio que fazíamos por lá, eu e ela. Mas nunca imaginei que pudesse ser tão pleno o cotidiano delas e o meu prazer de vê-las cada vez mais felizes e amigas. Em primeiro lugar, temia que presas na boa casa que fiz para elas teriam apenas uma prisão melhorada de vinte metros quadrados, onde ficariam isoladas do território do sítio, a ser compartilhado apenas quando eu e/ou os trabalhadores lá estivessem. Em oposição, temia deixá-las soltas e vê-las fugirem para as vizinhanças, por estarem sozinhas. E resguardando-as de fugas, perderia a maior função delas, a vigilância do território. Dúvida atroz…

Mas como dizia meu velho pai, “quem tem medo não amarra cachorro”. Os riscos são inevitáveis para quem busca a plenitude e comecei então a operacionalizar uma estratégia intuitiva. Primeiro, deixei-as presas na casinha durante três dias. Do quarto dia em diante, deixei-as soltas o dia todo, sendo presas à noite ou a cada partida minha (durante cerca de meia hora), para evitar que a Preta, inevitavelmente, saísse desabalada atrás da caminhonete. Vencido satisfatoriamente o primeiro mês, arrisquei deixá-las soltas dia e noite (só mantendo as retenções nas minhas partidas) e foi um sucesso. Mantiveram-se no território amplo do sítio e passaram a vigiar eficientemente o acesso de pessoas ou animais estranhos. A minha segurança final me veio no primeiro amanhecer em que elas ficaram soltas a noite inteira: chego sempre primeiro que os trabalhadores e, ao chegar próximo à maloca, quem aponta a cabeça na beira da estrada, naquele sua postura majestosa? A Preta, cabeça erguida em alerta e cauda balançante ao reconhecer o carro. Logo após, surgem as duas pequeninas (apenas dois meses de idade), fazendo festas e se postando na frente do veículo. Tive que frear, avançar lentamente e buzinando, para que elas se postassem do lado da estrada. E a festa, quando saí do carro? Estava já com a roupa do trabalho profissional e elas sujaram as minhas calças, aos pulos com as patas sujas de terra. Um pandemônio canino para o meu coração feliz…

De lá para cá, tudo tranquilo, mas sem deixar de ocorrerem fatos imprevistos e interessantes…

Totalmente soltas, elas, capitaneadas pela mãe, foram ampliando o domínio sobre o território. E uma bela manhã em que me atrasei, na entrada do sítio o Flávio me comunicou: _ Seu Henrique, quando nós chegamos na maloca, as três não estavam por lá. Logo depois chegou a Preta, cansada e sedenta, se meteu no lago pra se refrescar e das duas pequenas, nem notícia… Eu acho que elas tão na mata, aqui pra cima. Desci do carro preocupado com o fato da Preta ter deixado as filhas na mata e voltado sozinha: _ Mas Flávio, a Preta não quis voltar atrás das filhas? _ Pode ate ser que ela quisesse voltar, seu Henrique, só que nós prendemos ela, com medo dela fugir de vez.

Pensei rápido, gritei os nomes das duas, assobiei alto e dei duas buzinadas no carro. Imediatamente as duas iniciaram o chorororô na mata próxima. Estavam perdidas e respondiam pedindo socorro. Fiquei puto com elas, largarem a segurança da maloca pra se meterem no mato. Anotei, mentalmente, até a Preta no meu caderninho negro, por carregar as filhas pro mato e deixá-las lá… Os trabalhadores foram buscá-las enquanto eu assobiava e elas choravam e, de repente elas deram as caras: felizes e aliviadas, correndo para as minhas pernas, barulhando… Tem raiva que resista??? Não tem, gente. Só pude fingir raiva e xingá-las amorosamente, enquanto acariciava as suas cabeças. Pensei: foi a primeira grande aventura das suas vidas, e só aventurando se aprende… E em discussão com a turma do trabalho, concluímos: algum animal silvestre assanhou a Preta, ela correu atrás do bicho sozinha e em velocidade. As pequenas, provavelmente, tentaram acompanhar a mãe (que não percebera) e se perderam. Daí, ela voltou sozinha e sem saber das filhas…

Após isto, sossegaram uns dois dias e retomaram as caminhadas matutinas na floresta sem maiores problemas. E a cada manhã, quando ouvem o carro, correm para a estrada para me receber. Ou ficam zoando em um monte de areia que acumulei à beira da estrada, até que eu apareça na curva e elas corram desabaladas e felizes para mim.

Mas ontem, tive a maior demonstração do aprendizado das pequenas e do trauma ainda não superado da Preta em relação a águas profundas. Elas estavam em seu passeio florestal, atravessaram o leito da fonte onde ele á bem raso e voltaram pela margem oposta do curso d’água. Assim, quando chegaram no Laguinho do Exu, estavam do outro lado, separadas por quinze metros de água profunda de onde eu e a Mariceli estávamos. E agora? Voltar pelo caminho da vinda ou enfrentar as águas frias e fundas do lago? A Preta parecia totalmente incapacitada para a travessia, já que tem pavor de águas acima do peito. Pois não é que a Bola, com menos de quatro meses de idade, encarou o desafio, entrou sozinha na água e nadou em linha reta e ágil até à margem em que eu estava? Vendo isso, a Bela se encorajou, pulou também na água e repetiu o trajeto. E a Preta lá, cabeça alta e inerte, mirando as águas com cara de japonês jogando pôquer. Ficou uns dois minutos quetona e começou uma travessia alternativa e menos perigosa, mais compatível com os seus medos e sua posição de mãe “desafiada”. Andando pelas partes rasas, com água no peito, chegou a um canal de apenas dois metros de largura e se jogou, nadando desesperadamente até à margem onde as filhas estavam. Ri interiormente da saída estratégica da Preta, da coragem da Bola e da adesão da Bela à coragem da irmã.

Só sei que estou cada vez mais feliz com as três, lá no Benvirá. Tenho estranhado o silêncio da casa urbana, mas sei que lá elas estão muito mais alegres. Noite dessas passei a noite sonhando que elas haviam sumido do sítio e que eu as procurava desesperadamente. Mas são somente recaídas de um viejo carente de amores e amizades verdadeiras…

sábado, 6 junho, 2015 Posted by | Comentário, Crônica, Pequenas histórias, Reflexões | , | Deixe um comentário