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Vigilância Social: A realidade concretizando a ficção…

(Enviado pela internauta Maria Luiza Galúcio – PE)

Mundo vigiado

‘Fahrenheit 451’, de Ray Bradbury, completa 60 anos, cada vez mais atual

14 de junho de 2013 | 21h 55

Breno Pires – O Estado de S. Paulo

Uma sociedade viciada em entretenimento televisivo, calmantes e antidepressivos, que admite a supressão da liberdade individual em nome de uma suposta felicidade, garantida pelo estado por meio da repressão ao contraditório. Essa é a imagem que o escritor norte-americano Ray Bradbury (1920-2012) projetou, em 1953, para o futuro, na sua obra prima, Fahrenheit 451, lançada em outubro daquele ano. Mas bem que poderia ser uma leitura da sociedade norte-americana pós-11 de Setembro.

Ray Bradbury volta à baila após discurso de Obama - Fred Prouser/ Reuters
Fred Prouser/ Reuters
Ray Bradbury volta à baila após discurso de Obama

Sessenta anos após a sua publicação original pela editora Ballantine Books, o livro que atraiu a atenção do mundo à literatura de ficção científica não só segue influenciando artistas como parece cada vez mais atual.

“Praticamente tudo que Bradbury diz em F 451 descreve o mundo de hoje, o mundo televisivo, conectado, interativo, onde as pessoas ficam como sonâmbulos respondendo a estímulos, acompanhando séries, novelas ou reality shows. O livro fica mais contemporâneo a cada década que passa”, afirma o escritor Braulio Tavares, pesquisador de literatura de ficção científica, que organizou a primeira bibliografia do gênero no Brasil, em 1992.

Em Fahrenheit 451, título alusivo à temperatura em que os livros queimam, os bombeiros combatem incêndios que não vêm do fogo; vêm das ideias. O bombeiro Guy Montag, influenciado pela adolescente Clarisse, descobre que existe um mundo por trás dos livros que queima diariamente. Montag deixa de se reconhecer na rotina do cidadão comum – representada por sua esposa, Mildred, que vive em função de programas televisivos estilo Big Brother. Ele passa a devorar livros e busca agir contra a ordem.

O discurso dominante e a figura do estado são representados por Beatty, chefe de Montag. Ele argumenta que a leitura é nociva e deve ser combatida. Quem lê pode espalhar o terror – a constatação de que as coisas não estão tão boas assim.

A interferência do estado na liberdade individual e no direito à privacidade por questão de segurança poderia ser associada à política de espionagem de civis antiterrorismo dos Estados Unidos. “Você não pode ter 100% de segurança e também ter 100% de privacidade e inconveniência zero”, disse o presidente Barack Obama, semana passada, sobre o programa secreto de monitoramento de cidadãos feito pela Agência de Segurança Nacional, com participação de empresas como Facebook, Google, Apple, Yahoo e Microsoft – discurso que orgulharia Beatty em Fahrenheit 451. Já Montag, em 2013, poderia ser comparado a um dos “Anonymous”, segundo Braulio Tavares.

Fahrenheit 451 se encaixa na linha das distopias, que, ao contrário das utopias, imaginam sociedades oprimidas por estados que restringem a liberdade. Pode ser associado, nesta categoria, a 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.

Na ficção de Bradbury, existe a particularidade de que as pessoas se sentem bem, sem a sensação de submissão. As pessoas veem no livro uma fonte de dúvida, dor e inconformidade e abrem mão dele para não sofrer. “Em obras anteriores de distopia, como 1984, os indivíduos eram subjugados pelo estado, que controlava tudo. Bradbury veio dizer que o desejo da felicidade pode ser distópico nesse sentido. O estado se apresenta como alguém que vai garantir a felicidade. Não é só queimar os livros, também as drogas de humor”, diz o escritor e pesquisador de ficção científica Roberto Causo, que vê semelhança com o presente. “Se a pessoa está deprimida, toma um negócio; se alegra demais, toma outro. Isso é muito visível hoje principalmente nos Estados Unidos, que parecem querer customizar a vida.”

Bradbury apostava no emburrecimento pela falta de informação. Algo que não faz muito sentido hoje em dia. Há infinitas vezes mais informação disponível no mundo do que Bradbury jamais poderia imaginar, décadas antes do surgimento da internet. No entanto, excesso de informação também distrai. “No livro, ele se preocupa com preservação de discursos. Hoje a proliferação é tão grande, que fica difícil verificar o que é relevante na sociedade”, diz Causo.

A imagem de bombeiros queimando livros em vez de apagar incêndios ainda parece surreal, mas existe pressão “politicamente correta” para o banimento de certos títulos e autores de currículos escolares e bibliotecas, afirma Braulio Tavares. Harry Potter foi proibido em escolas religiosas de vários países e um suposto racismo ameaçou algumas obras de Monteiro Lobato no Brasil. “O perigo não é que queimem os livros, é que os livros que discutem ideias sejam substituídos, como a indústria editorial tende a fazer cada vez mais, por factoides inofensivos: livros de culinária, de turismo, de autoajuda, de biografias de pseudo celebridades etc”, diz o escritor.

sábado, 15 junho, 2013 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Big Brother de Quintal: um paredão inadiável!

BIG BROTHER DE QUINTAL (II)

O grupo de aves do meu quintal (quatro galinhas e um galo) continuam formando um ambiente de observações profundamente interessantes para os raros momentos de ócio, ente um cigarro e outro (é, voltei a fumar! Rsss). O meu Big Brother particular e bem mais interessante que o da globo.

A peladinha (franga caipira legítima, das brenhas do mato), firmou-se como uma liderança insofismável, assumindo as atitudes que o galo Zecão devia assumir: liderar o grupo em busca de comida e de abrigo. Mas o seu gênio brigão, que a princípio parecia um ciúme mal-resolvido pelo Zecão, estendeu-se para todas as demais relações com as galinhas do grupo e, ao final, pela reação tolerante das mesmas confirmou-se: a Peladinha é apenas uma adolescente  ranzinza em busca de atenção.

Por seu lado, o Zecão decepcionou como o único macho do grupo: não bota ordem no galinheiro, só cisca e bate a asa e não come ninguém. Cacareja para atrair as galinhas, uma se aproxima, ela bate a asa, ela se deita para recebê-lo e o cara sai de mansinho, com cara de quem não tá a fim… De tanto fiasco, ele já foi rebatizado pelos observadores como Serginho (o jovem alegre do BBB). Talvez por sua origem soçaite (granja modernizada) sequer canta nas madrugadas: só inicia o seu expediente canoro com o dia claro, quando pula no chão e todos os galos da vizinhança já pararam de cantar. Pooode? Resultado: pela unanimidade implícita na tristeza das galinhas e explícita entre os meus amigos e parentes que acompanham a observação, foi escalado para o paredão mortal da panela! Se nos próximos dez dias ele não agir, vou arrumar outro galo (macho, valente, pegador) e ele vai dançar…

A Morena (a mais tímida e quieta delas), começou a botar ovos (logicamente uma produção independente, já que o Zecão não comparece). Mas ela é tão dissimulada e retraída que bota os ovos em qualquer lugar e sequer cacareja como as galinhas do mundo fazem. Eu é que tenho que descobrir os seus ovos, circulando pelo quintal: no canto da parede, debaixo do abacateiro, debaixo da laranjeira, na varanda. Parece que a sua frustração sexual pirou-lhe o juízo e ela espalha os seus ovos ao Deus Dará, silenciosamente, como pedaços de suaa sexualidade reprimida… Ela é tão carente que hoje flagrei a Peladinha que, saindo de sua agressividade habitual, deitou-se solidariamente ao seu lado quando ela aninhou-se no chão para botar o seu sétimo ovo sem pai. Não sei o que fazer, a não ser eliminar sumariamente o Zecão…

Já a Gordinha (pintada de várias cores, bonita e preguiçosa), não quer nada com a “Voz do Brasil”. Ignorada pelo Serginho, é a última a saltar do poleiro e gasta boa parte do dia a dormitar pelas sombras, curtindo sua depressão.

E por último, a Miroca (branca e charmosa, com jeito de baronesa), é a única que ainda mantém o comportamento normal, e  às vezes procura dar limites à “aborrecente” Peladinha.

Ah! Novidades!!! Estava eu observando o grupo, ainda há pouco, quando um novo personagem entrou na história: um pardal. Pousando embaixo da laranjeira, onde as galinhas dormem, ele catou com o bico várias plumas brancas soltas pelas aves, olhou-me sobre um bigode de penas engraçadíssimo e voou para construir seu ninho. Não são penas de ganso (como as elites usam), mas com certeza os seus filhotes estarão bem aquecidos nas noites frias deste verão chuvoso.

Comentarei os próximos lances (inclusive o paredão do Serginho) nos próximos dias…

Imagem: blogdomrcondes.blogspot.com/2007/12/homem-ach..

terça-feira, 16 fevereiro, 2010 Posted by | Comentário, Humor | , , | Deixe um comentário

Big Brother e galinhas no quintal:quantas semelhanças comportamentais!

Em minha nova morada, substituí a paisagem do Paracauary por um quintal cheio de fruteiras, e os búfalos e cavalos por quatro galinhas e um galo, para observar nas horas vagas. Morando sozinho e sem ter algo além da web e dos botecos para frequentar, logo que vi o quintal, pensei na opção das aves. E aí começou aquela diversão “sociológica” cotidiana de fim de tarde: sentar na varanda e observar o grupo de galinhas caipiras. De cara, vacilei na aquisição das três galinhas caipiras iniciais e do galo (o Zecão): comprei-as em uma granja e logo percebi que já eram aves “globalizadas”: eram arredias de mim, não conheciam e não comiam tanto o milho em grãos como a ração granulada! Dormiam no chão, embora tivessem ávores para servir de poleiro! Pensei dois dias, até chegar à solução possível: comprar uma galinha legitimamente caipira, pé-duro mesmo, daquelas que comem até chumbo derretido, mais identificada com o seu tratador e adepta de poleiros arbóreos. E assim chegou a Peladinha, uma franga do pescoço pelado, tirada do meio do mato para o contexto urbano. E deu certo: mal a coloquei no chão do quintal ela mandou ver no milho rejeitado e na ração ignorada, sob as vistas curiosas do quarteto original. Fui dormir e ao amanhecer o quinteto já se alimentava sem nenhum problema. Aliás, com um único problema: o Zecão teimava em “faturar” a Peladinha e ela, por ser ainda jovem, não queria acordo: ele ciscava e cacarejava perto dela e ela néris-néris, se mandava para uma distância segura!  Era um sábado e o Zecão passou o dia nessa ladaínha, mas não obteve êxito, teve que se contentar com as três outras companheiras. E aí surgiu o segundo problema, com características bem femininas: a Peladinha, embora não aceitasse as propostas do Zecão, sempre que uma das outras galinhas se achegava ao galo, a afastava abaixo de bicadas. Pois é, apesar de rejeitar o assédio, tem ciúmes do conquistador (talvez as leitoras do blogue possam me explicar esse comportamento complicado). Na nossa interpretação popular masculina, isto representa “nem, nem…nem sai de cima”! Mas outra mudança se deu no terceiro dia: lideradas pela Peladinha, todas dormiram empoleiradas na laranjeira florida.

Como vêem, iniciei uma nova atividade (a de sociólogo avícola) e que promete lances interessantes. Hoje estarei de volta ao ambiente da observação, após três dias ausentes, e estou curioso para descobrir as novidades: a Peladinha cedeu? As outras galinhas reagiram à possessividade da dita cuja e a colocaram no paredão? Zecão sofreu algumas represálias  do trio original por seu assédio específico? Tchan, tchan, tchan, tchan…

Galinhagem por galinhagem, prefiro o Big Brother do meu quintal…

segunda-feira, 25 janeiro, 2010 Posted by | Comentário | , , | 3 Comentários

Big Brother: cada vez mais amplo e mais sutil

BLOGUE BBB 022

Creio que quase todo mundo leu e/ou assistiu “1984” do George Orwell, que trata do integral controle social pelo Estado, figurado no Grande Irmão ou Big Brother (aos desligados: não é o da Globo!). Pois é, basta olhar ao redor e perceber a paulatina e permanente evolução das intenções e formas de controle de todos nós, por aquele a quem deveríamos controlar: o sistema social e sua figura central, o Estado. Câmaras, CPF’s, pesquisas de opinião, pesquisas de mercado, pesquisas científicas sobre comportamento, etc., etc. Até agora, pelo menos em relação às pesquisas tínhamos formas de resistir a nos descotinarmos a esse controle: a nossa subjetividade, que permitia mentir ou não dizer a verdade (o que no fundo é a mesma coisa!). Agora, porém, estamos diante do último grito em termos de Big Brother: o uso das nossas clicagens virtuais como forma segura de perceber o que queremos, o que buscamos no momento e as tendências comportamentais!

O raciocínio é simples: se você clica na Net buscando informações sobre compra e venda de imóveis, esse é um ato intencional e verdadeiro (pois vc não se considera vigiado nessa ação), que demonstra o seu interesse em vender ou comprar uma habitação. E se milhões de pessoas fazem a mesma coisa, na mesma época e em um determinado espaço de tempo e território, pode-se prever um boom imobiliário com certa antecedência (e isso pode representar LUCRO, a partir do controle das nossas vidas). E esse princípio pode ser aplicado a qualquer fato ou tendência (moda, consumo, opção sexual, política, o escambáu!). E como o uso do espaço virtual é uma tendência social irreversível…

Portanto, dêm uma olhadinha no artigo que repasso abaixo e da próxima vez, ao clicar em busca do nosso blogue, cliquem várias vezes em outros temas (pedofilia, sexo explícito, economia, Obama, Lula, etc.) ou então, façam o contrário…

Pesquisas do Google ajudam a prever o futuro

Redação do Site Inovação Tecnológica
07/05/2009

Pesquisas do Google ajudam a prever o futuro
[Imagem: Erik Möller/Wikimedia Commons]

Pesquisadores do Google demonstraram que os termos usados nas pesquisas do maior mecanismo de busca do mundo podem não apenas mostrar o que as pessoas estão fazendo, o que as está preocupando e no que estão pensando, como também pode revelar o futuro.

Os pesquisadores Hyunyoung Choi e Hal Varian juntaram a estatística dos termos mais procurados no Google, relacionados a áreas como viagens e vendas de imóveis, com os modelos que os economistas normalmente utilizam para prever o que vai acontecer nesses mercados.

O resultado foi uma melhoria substancial no poder de previsibilidade dos modelos econométricos, que passaram a prever melhor o que acontecerá nos próximos meses em cada um dos mercados estudados.

O grande problema das Ciências Humanas

Uma das grandes dificuldades enfrentadas pelas Ciências Humanas é que o estudo das pessoas exige que se ouça essas pessoas. Além do tempo, do custo e da dificuldade de ouvi-las, montando amostragens estatísticas verdadeiramente representativas, é virtualmente impossível garantir que as pessoas estejam sendo sinceras ao responderam aos questionários.

Isso tem feito com que os cientistas vejam com entusiasmo os dados registrados pelos mecanismos de buscas, pelas lojas virtuais e pelos diversos tipos de sites de relacionamentos porque eles permitem que se analise o que as pessoas estão de fato fazendo e como elas pensam, sem o viés normalmente verificado nas entrevistas e nas pesquisas.

Prevendo o futuro com o Google

Contudo, esta é a primeira vez que se demonstra que os mecanismos de buscas também poderão ser utilizados para se prever o futuro, sobretudo da economia.

Segundo a revista New Scientist, cientistas do Google já haviam demonstrado anteriormente ser possível utilizar os dados de buscas do mecanismo para prever surtos de gripe.

Já o economista Erik Feyen, do Banco Mundial, afirmou o modelo usado pela instituição para prever a inadimplência (falta de pagamento) no setor privado teve seus erros diminuídos em 15% com a utilização de dados dos mecanismos de buscas associados com pagamentos e renegociações.

Novamente segundo análise da New Scientist, análises dos dados dos mecanismos de busca feitas em tempo real poderão ser ainda mais poderosas na previsão do futuro: saber o que as pessoas estão de fato fazendo num determinado instante, e não apenas intencionando fazer, é um indicador forte e seguro de consequências que se seguirão no futuro.

Charge: Millor Fernandes

sexta-feira, 8 maio, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário