Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Ele disse, um dia: “Deixe o mundo mudar você e você poderá mudar o mundo”

Aos menos informados, é bom que se diga algumas afirmativas ideológicas do marxismo:

CHE1. O comunismo não surgiu para manter os povos na miséria, mas para repartir as riquezas construídas entre todos e tornar o mundo mais justo e solidário;

2. O primeiro passo do socialismo teria que ser a ditadura do proletariado, impondo a desapropriação individual dos meios de produção, já que os dominadores arreados do poder jamais permitiriam perder seu poder e suas riquezas para toda a nação;

3. Com o passar do tempo e de acordo com as particularidades nacionais e o grau de desenvolvimento de suas forças produtivas, a ditadura será substituída gradativamente por ações complementares para o socialismo;

4. O comunismo ou o socialismo (assim como qualquer outra forma de gestão político/econômica), não pode dar certo sem uma economia eficiente e isto não significa prostituir-se ao capitalismo, mas sim tornar a economia socialmente justa e includente.

Dito isto, nada mais natural do que a aproximação dos cubanos (a partir da demanda dos seus opressores históricos) para discutir a abertura política e econômica. pondo fim ao imoral bloqueio cinquentenário.

Outrossim, dentro desta mesma lógica, torna-se preconceituosa, decadente e imoral a condenação dos coxinhas ao apoio político, técnico e financeiro a Cuba, pelo governo brasileiro, em um momento em que a nação caribenha se insere melhor no contexto americano geral e com vantagens comerciais visíveis para os cubanos e para os brasileiros, através do Porto de Mariel. E o mais engraçado é ver esta canalha coxinha condenar o apoio brasileiro aos “comunistas” cubanos e ficar muda diante do fato de que o Brasil é o quarto maior financiador do Tio Sam, através de investimentos em papéis públicos do tesouro americano. Ambos os fatos, na história conhecida, nunca ocorreram antes. Pelo contrário, sempre fomos dependentes, coniventes e escorchados pelos ianques, diante da tolerância vassala das elites nacionais.

Dito isto, podemos analisar mais consistentemente a reportagem abaixo, que descortina olhares diversificados sobre o herói revolucionário Che Guevara, artífice maior da história cubana contemporânea…

O que Che Guevara diria da aproximação entre EUA e Cuba?

Che-Guevara-mural

Publicado na BBC Brasil.

Às vésperas do que promete ser um encontro histórico entre os presidentes cubano, Raúl Castro, e americano, Barack Obama, na Cúpula das Américas, no Panamá, alguns críticos questionam se uma aproximação entre Havana e Washington não seria uma traição ao passado revolucionário da ilha.

Há mais de 50 anos, uma revolução liderada por Fidel Castro, irmão de Raúl, derrubou um governo apoiado pelos Estados Unidos e colocou em prática seus ideais comunistas.

Uma figura importante nessa transição em Cuba foi Che Guevara, que se tornou referência mundial como símbolo de revolução socialista.

Agora, o mundo observa o líder cubano fazendo um acordo com os Estados Unidos, abrindo as portas para uma nova relação entre os dois países – e o eventual fim do embargo econômico à ilha.

Mas o que Che Guevara, um dos principais ideólogos da implantação do comunismo em Cuba – que ele via como um ponto de partida para uma revolução contra o capitalismo em todo o continente latino-americano – pensaria dessa nova realidade?

Para responder a essa pergunta, a BBC ouviu quatro especialistas em Cuba e Che Gevara:

‘Che detestava os Estados Unidos’

Lucia Alvarez de Toledo, biógrafa de Che Guevara

Che é a alma de Cuba. Ele é o espírito da nação, é inacreditável, ele está em todo lugar.

Ele articulou o que eu pensava. Eu estava cercada por aqueles horríveis americanos, e nós éramos como uma colônia, pelo amor de Deus.

Nós produzimos este homem que falava, pensava e era como nós, claro que amávamos ele.

Ele detestava (os Estados Unidos), porque via pobreza extrema em um continente que não precisava ser pobre.

Quando a revolução triunfou, qualquer um que estivesse envolvido com os americanos foi expulso.

(Hoje) Che diria que a revolução cubana está tão firmemente entrincheirada que ninguém pode tirá-la (dos cubanos), ninguém pode tirar seu serviço de saúde pública, ninguém pode tirar sua educação. Eu me sinto bem com isso porque a revolução é sólida.

Ele diria: eles acordaram, perceberam seus erros. Porque são os americanos que perceberam que seu comportamento não os beneficiou, e eles agora vão mudar.

EUA querem que o povo cubano seja agente da mudança

Louis Perez é diretor de Estudos da América Latina na universidade da Carolina do Norte

Há esta crença histórica e cultural nos Estados Unidos de que o destino de Cuba pertence a eles. Basicamente, Cuba foi uma ilha tropical que existia para servir ao prazer americano.

O clamor da revolução por legitimidade moral e poder político foi sua capacidade de reivindicar soberania nacional e autodeterminação.

Em um período de 24 meses, a nova liderança de Cuba mudou o propósito do governo cubano para servir interesses cubanos: Cuba para os cubanos.

A derrubada do governo cubano era o objetivo primordial da política americana entre 1960 e dezembro de 2014. Para isso produziram dificuldades econômicas para tornar a vida o mais difícil possível para o povo cubano. Na esperança de que eles entrariam em desespero, derrubar o governo e assim produzir o resultado esperado pelos Estados Unidos.

A nova abordagem procura dar poder ao povo de Cuba para fazê-los largar da dependência do governo cubano e assim servir como agentes internos para mudança política.

Cuba poderia ser inundada com capital, turistas e produtos americanos. Agora resta ver como será a relação entre os cubanos e esse novo ambiente social e econômico.

Para se ter uma noção da resposta de Che, veja a carta que Fidel Castro escreveu (ela foi publicada no jornal estatal de Cuba em janeiro) na qual ele apoia a transição com má vontade. Ele reconhece a necessidade inevitável de reconciliação com os Estados Unidos, mas continua a ser muito, muito, cauteloso.

Che Guevara um mito do passado

Carmelo Mesa-Lago professor de economia na Universidade de Pittsburgh

Quando a União Soviética se desintegrou em 1990, Cuba entrou em uma grave crise econômica, a pior desde a Grande Depressão. Fidel não teve outra alternativa além de fazer reformas: ele legalizou a circulação do dólar e investiu no setor de turismo para receber estrangeiros.

Empregos privados e um mercado agrícola foram permitidos. Isso gerou efeitos positivos na economia.

Fidel nunca gostou dessas reformas orientadas pelo mercado, ele simplesmente nunca teve outra alternativa.

Cuba está se privatizando. Eles anunciaram em 2010 que teriam que demitir 1,8 milhão de trabalhadores no setor estatal. Isso representa 36% da força de trabalho.

Agora é possível comprar e vender casas, os cubanos podem ter uma segunda casa no campo ou na praia. O Estado mantém a posse da terra, mas dá contratos de dez anos para fazendeiros para que eles possam investir na terra. Che se oporia a isso.

Raúl percebeu há um tempo atrás que o sistema não poderia continuar, mas Fidel estava no comando, e ele não poderia ir contra Fidel. Quando ele assumiu, gradualmente começou a implementar as reformas.

Che Guevara era um idealista e poderia dizer que Raul está traindo a revolução.

(Mas) ninguém em Cuba está pensando no que Che Guevara pensaria. As pessoas não querem sonhos. Elas apoiaram esse sistema por 54 anos. E agora querem comprar coisas, viajar, comprar suas casas.

Você encontra retratos de Che Guevara em qualquer lugar na América Latina. E claro que há um grande retrato de Che Guevara na Plaza de La Revolucion, que Fidel usava para falar com a nação. Mas é como uma brincadeira. É simplesmente um mito do passado.

Reformas no ‘espírito do Che’

Rafael Hernandez é o editor chefe da revista estatal cubana ‘Temas’

As visões de Che Guevara são mal entendidas. Nós não queríamos impor o modelo socialista soviético, mas criar um tipo diferente de sistema socialista e nesse sistema socialista havia uma presença legítima do setor privado.

Apenas em 1968 a Revolução Cubana nacionalizou os últimos pequenos negócios em Cuba. Em outras palavras, a Revolução Cubana conviveu com o setor privado por nove anos.

A Revolução Cubana em 1968 teve uma virada em direção a um movimento ideológico mais radical. Naqueles anos a questão de se aproximar de uma sociedade comunista se tornou parte da agenda cubana em termos de: ‘nós temos que construir o socialismo e o comunismo ao mesmo tempo’. Aquela ideia se tornou predominante e fez Cuba eliminar os 60 mil negócios privados que haviam sobrado.

Raúl Castro está promovendo um sistema mais descentralizado, e eu penso que esse é o sistema que Che Guevara queria: ter um setor público que pudesse ser mais eficiente.

(Em um encontro com os Estados Unidos em 1961) Che Guevara estava dizendo que não faria nenhuma mudança em nosso sistema, mas estamos prontos para discutir qualquer outra coisa. Na metade da Guerra Fria, a mensagem que Che Guevara estava enviando ao governo Kennedy era ‘nós queremos paz, nós queremos dialogar e nós queremos negociar’.

Se o socialismo só consegue sobreviver em uma ‘urna de vidro’ (em um país isolado), é impossível ele se sustentar.

Nesta manhã eu estava em uma palestra com uma multidão de jovens e muitos citavam Che Guevara ao falar de nossos problemas atuais. Isso significa que seu pensamento está vivo.

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segunda-feira, 13 abril, 2015 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Apesar do Titio e seus vassalos: Arriba, Cuba!

Apesar de toda a dominação e espoliação histórica de Cuba pelo Tio Sam, apesar do vergonhoso embargo econômico que ele e as suas nações vassalas (entre eles o Brasil, à época) impôs à nação cubana após à sua libertação política na era Che Guevara/Fidel, a sociedade cubana sobreviveu. Não apenas sobreviveu, como também melhorou as variáveis sociais como educação e saúde, a ponto de exportar médicos e medicamentos para outros países, além de formar profissionais de várias outras nações, incluindo a nossa. Claro que agravaram-se problemas ecvonômicos, em função do cerco ianque e suas nações vassalas, mas ela sobreviveu, está aí na luta. E nos últimos anos, em função da postura independente de países com Venezuela e Brasil, as´perspectivas mudaram. Os riscos permanecem, mas o frustrado ex-dono do quintal caribenho não consegue mais manter a inanição sócio-econômica da nação rebelde. E confirmando isto, repasso abaixo a matéria do Estadão (insuspeita por ser da imprensa nacional reacionária), sobre o avanço das relações Brasil/Cuba.
É notícia para deixar meu velho coração socialista alegre, nesta manhã ensolarada de domingo…

Bom domingo as todos…
Leiam também:
https://livrepensar.wordpress.com/2012/02/01/dilma-e-os-telhados-de-vidro-o-titio-e-o-pig-nao-vao-gostar/

https://livrepensar.wordpress.com/2012/02/02/brasil-em-cuba-dilma-o-titio-nao-vai-gostar/

https://livrepensar.wordpress.com/2012/07/23/o-paladino-vassalo-ta-doido-por-uma-primavera-cubana/

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CUBA BRASIL

EFE – sex, 31 de ago de 2012

  • AFP – 10 horas atrás

Havana, 31 ago (EFE).- O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, visitou o projeto de ampliação do porto cubano de Mariel, que é financiado pelo Brasil, antes de se reunir com o presidente Raúl Castro, revelou nesta sexta-feira o jornal “Granma”.

A publicação detalha as atividades realizadas por Pimentel durante sua estadia em Cuba, que foi iniciada na terça-feira.

Pimentel chegou a Havana acompanhado de “uma grande delegação oficial e empresários de diferentes setores” e teve encontros de trabalho com os vice-presidentes Ramiro Valdés e Ricardo Cabrisas, e o titular de Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca.

O ministro brasileiro percorreu as instalações do porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, na quinta-feira.

As obras de ampliação do terminal portuário, cuja finalização está prevista para 2013, são as mais importantes que estão sendo executadas atualmente em Cuba com financiamento do Brasil, e são consideradas pelas autoridades cubanas como uma “obra emblemática” de colaboração bilateral.

Empresas brasileiras e cubanas estão associadas no projeto, que terá um investimento total próximo a US$ 900 milhões (R$1,845 bilhão), no qual o Brasil deve contribuir com US$ 650 milhões (R$ 1,3 bilhão).

Como parte da agenda, Pimentel visitou o Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia em Havana, onde analisou, junto a funcionários cubanos, novas áreas de colaboração entre o pólo científico e instituições brasileiras.

Segundo o “Granma”, Pimentel reconheceu “o amplo horizonte que a cooperação entre os dois países abre” no setor farmacêutico, em concordância com os planos de desenvolvimento de investimentos conjuntos anunciados em janeiro passado, quando a presidente Dilma Rousseff realizou sua primeira viagem oficial a Cuba.

Na ocasião, Dilma visitou, ao lado de Raúl Castro, as obras de Mariel, onde está sendo construído um terminal de contêineres que pretende beneficiar tanto o país caribenho como o comércio da região.

No último dia 24, as autoridades brasileiras informaram que Pimentel iria liderar uma visita a Havana com a intenção de aumentar as compras de produtos e serviços com Cubaççç

As fontes também indicaram que a maior parte das empresas que integram a missão brasileira representam o setor petroquímico e a indústria alimentícia.

O “Granma” apontou que em 2011 a troca comercial entre Brasil e Cuba aumentou 45% em relação a 2010, e no primeiro semestre de 2012 manteve essa tendência com um aumento de 8% em comparação com o mesmo período do ano passado.

No quinquênio 2006-2010, a troca comercial bilateral registrou um crescimento de 30%, ao passar de US$ 376 milhões (R$ 771 milhões) a US$ 488 milhões (R$ 1 bilhão), de acordo com dados oficiais. EFE

domingo, 2 setembro, 2012 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

O paladino vassalo tá doido por uma primavera cubana…

À semelhança das lideranças imperialistas que o antecederam e dos atuais comandantes do imperialismo planetário, o (Des)Esperança Negra não abandona a obssessão de implantar “democracias” no mundo que rejeita a coleira capitalista. Depois de implantarem “democracias” no Vietnã, no Brasil (1964, lembram-se?) no Chile (lembram do Pinochet?), Afeganistão, Irã, Iraque e outros recantos do mundo, fomentam hoje a “primavera árabe” na Líbia, em Dubai, Síria, Egito (por enquanto), primavera esta que desabrochou em genocídios sem final à vista.

Agora, aproveitando-se de uma morte acidental de um opositor cubano (em liberdade territorial), veste mais uma vez a sua pele camaleônica de democrata para ver se lá, na incômoda ilha que um dia foi o seu quintal “democrático’ (à época de Somoza), aflora uma nova “primavera”. E em sua mensagem (leiam abaixo), como me lembra a falação do Lobo para o Cordeiro à beira do riacho, embora disfarçada pela vaselina afrodescendente vassala que tem pautado todo o seu mandato à serviço das elites brancas dominantes das terras do Tio Sam.

Seria risível, se não fosse despudorado, o discurso político social do negro-de-alma-branca (por isso repugnante), que nesta mesma ilha mantém a prisão de Guantanamo e, esquecendo sua nanica estatura moral construída neste seu triste mandato, fala de direitos humanos e se coloca ao lado do povo cubano. Talvez por isto, até o papagaio, no seu ombro, tá olhando pro outro lado, com se não tivesse nada com isso…

A que ponto chega o cinismo…
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Obama expressa condolências por morte de Payá e reafirma apoio a povo cubano

EFE – 53 minutos atrás

DESTAQUES EM MUNDO
Reuters – 19 minutos atrás

Washington, 23 jul (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, expressou suas condolências pela morte do dissidente cubano Oswaldo Payá, no domingo, e reafirmou o apoio de Washington à luta pelos direitos humanos na ilha, informou nesta segunda-feira a Casa Branca.

O líder elevou seus “pensamentos e orações à família e aos amigos de Oswaldo Payá, um incansável defensor de maiores direitos civis e humanos em Cuba”, disse em comunicado o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney.

“Os EUA continuarão apoiando o povo cubano em sua busca pelos direitos humanos fundamentais”, afirmou Carney.

“Payá dedicou décadas de sua vida à luta não violenta pela liberdade e pela reforma democrática em Cuba como titular do Movimento Cristão de Libertação, líder do Projeto Varela, e através de seu papel como um ativista da sociedade civil”, assinalou Carney.

Payá, que morreu ontem aos 60 anos em um acidente de trânsito, “manteve até o fim sua esperança de que o país que amou veria uma transição pacífica e democrática”, continuou Carney.

“A visão e a dedicação de Payá por um futuro melhor em Cuba continuará nos inspirando, e acreditamos que seu exemplo e liderança moral perdurarão”, ressaltou.

Payá foi uma das figuras mais relevantes da oposição em Cuba e há mais de uma década lançou o “Projeto Varela”, uma iniciativa avalizada por milhares de assinaturas para promover uma transição democrática em Cuba.

No acidente de ontem morreu também o ativista cubano Harold Cepero e ficaram feridos o espanhol Ángel Carromero, dirigente local das Novas Gerações do Partido Popular de Madri, e o sueco Jens Aron Modig. EFE

segunda-feira, 23 julho, 2012 Posted by | Comentário | , , , | Deixe um comentário

Dilma e os “telhados de vidro”: o Titio e o PIG não vão gostar…

Cada vez mais gosto da Dilma, da sua postura gestora, da sua postura moral e do seu jeito direto de agir em meio às armadilhas que as oposições colocam constantemente no seu caminho. E esta postura se repete mais uma vez, nesta sua viagem à Cuba, onde a imprensa brasileira livre (mas não isenta), posta-se ao lado do “democrático” Tio Sam para reduzir a questão desta visita aos direitos humanos, ignorando o longo, injusto e covarde bloqueio político-econômico comandado pelos EUA e as atrocidades cometidas por eles e seus aliados pelo mundo a fora. E a Dilma, calmamente, ao responder mais uma vez aos jornalistas (que ignoraram a Guantanamo do Titio) sobre os direitos humanos em Cuba, resumiu: “Quem joga as pedras tem telhado de vidro, e nós também temos os nossos“. Certeira, cáustica, na ferida que todos os “democratas” teimam em esconder.
E isto é apenas o começo. Nem mesmo o Estadão, guardião da “democracia” das elites brasileiras, conseguiu disfarçar a importância geo-política e econômica da visita. Basta ler as notícias relacionadas nos links do texto do Estadão, que repasso abaixo.
Grande Dilma… Grande novo Brasil, que se nega ao imperialismo e ao vassalamento e continua empreendendo a aproximação real com as nações pobres e historicamente expropriadas, com a noção de parceria e compartilhamento desenvolvimentista.

Leiam, amigos, e vejam o que os “democratas” tentam disfarçar com a cortina do jornalismo maniqueísta…
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Dilma condena embargo dos EUA contra Cuba

Agência Estado
Por Lisandra Paraguassu, enviada especial | Agência Estado – 12 horas atrás

A presidenta Dilma durante cerimônia na praça José Martí, em Havana.

A presidenta Dilma Rousseff condenou o embargo econômico dos Estados Unidos contra Cuba. Para ela, esse processo não leva a nada, a não ser a mais pobreza à população cubana. Segundo a presidente, a grande contribuição que o Brasil pode dar nesse caso é ajudar Cuba a se desenvolver. E para isso está investindo em alimentos, maquinas e equipamentos naquele país.
Veja também:
Dilma Rousseff e Raúl Castro falam das relações entre Brasil e Cuba

 Dilma diz que maior contribuição brasileira a Cuba é econômica

Galeria de fotos da viagem da presidenta Dilma a Cuba

Dilma citou como exemplo um crédito rotativo de US$ 400 milhões para a compra de alimentos no Brasil; financiamento para aquisição de máquinas agrícolas, para estimular a produção e investimentos na construção do Porto de Ariel “um sistema logístico de exportação de bens produzidos em Cuba”.

Para a presidenta é fundamental que se crie condições de sustentabilidade para o desenvolvimento do povo cubano. “Ganha o Brasil, por fazer uma cooperação com um país, um povo e toda uma estrutura institucional que é visivelmente competente, capaz, na área de biotecnologia, na área de ciências médicas e uma grande competência a todas as questões ligadas a biotecnologia. Ganha Cuba, também, porque é uma parceria em que o Brasil entra com seus conhecimentos, suas empresas privadas”, observou.

quarta-feira, 1 fevereiro, 2012 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

A roda da mudança começa a girar…

Cuba aprova plano de reformas na economia

 
O sexto congresso do Partido Comunista de Cuba aprovou o plano de reforma de Raúl Castro e elegeu o novo Comitê Central. O congresso reconheceu as deficiências próprias que se somam aos fatores externos adversos, como a desorganização, a burocracia, o paternalismo e a falta de planejamento e cobrança, segundo a resolução sobre o Informe Central de Castro. O PCC aceitou as justas críticas a sua ingerência na operação do Estado e da economia e anunciou que pretende erradicar essas deficiências em sua política de renovação de dirigentes.
> LEIA MAIS | Internacional | 19/04/2011

terça-feira, 19 abril, 2011 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Sobre Herodes, crianças rebeldes e esperança…

Para os reacionários de sempre, o discurso de Raul Castro na Abertura do Congresso do PC cubano (cuja essência é repassada abaixo), nada mais significará do que “o fim da revolução comunista”. Claro, pois desinformados politicamente como são e ideologicamente vesgos como sempre foram, estes aleijumes políticos nunca engolirão uma experiência socialista promissora avançando qualitativamente. Para eles o processo socialista é estanque, um modelo que se esgota no momento em que é implantado e que eles, arvorando-se no conceito básico do velho barbudo (a ditadura do proletariado) comparam às ditaduras capitalistas (estas sim, estanques pelos interesses de dominação das elites e dos impérios). Sequer sabem (e não lhes interessa saber) que a ditadura do proletariado é um tipo de regime político postulado pelo marxismo como fase de transição revolucionária entre o capitalismo e a sociedade comunista.[1] Não sabem que, de acordo com o marxismo, qualquer tipo de Estado implica na ditadura de uma classe social sobre outra e que no regime capitalista, inclusive nas maiores democracia burguesas, existe uma ditadura da burguesía, em detrimento dos trabalhadores e do conjunto do povo. Sequer lhes interessa que Marx, em sua concepção, postulava a necessidade de uma revolução feita pelo proletariado buscando se estabelecer como classe dominante, não para se tornar uma ditadura eterna, mas como início de um processo de mudanças no qual esta classe proletária no poder se dissolveria, paulatinamente, em uma sociedade sem classes.  Assim, esta ditadura do proletariado seria a etapa imediatamente posterior à tomada do poder por parte da classe operária, na qual se cria um Estado operário e que, como todo Estado, seria uma ditadura de uma classe sobre outra (neste caso, das classes trabalhadoras sobre a burguesía), como um passo necessário para implantar-se uma sociedade que correspondesse ao interesse de todos e sem distinção social.

E, muito provavelmente, os imperialistas de plantão, por saberem disso, boicotaram sempre todas as revoluções comunistas deflagradas no planeta: sabiam dos perigos do sucesso de tais experiências para a dominação capitalista. Foi assim com a Rússia, com o Vietnã, com Cuba e com a China, só para ficarmos nos principais exemplos. Sabiam que não poderiam dar tempo para que estas experiências efetuassem a transição, sabiam que tinham que matá-las no nascedouro. Mas deram uma de Herodes: deixaram escapar, embora a duras penas e de uma caçada selvagem, uma criança viva: Cuba. Pequena, pobre e negra.

Esta criança, que nasceu bastarda nas mãos de Colombo (em 27/10/1492) e foi criada como vassala e prostituta explorada pelo proxenetismo colonial espanhol por quatrocentos anos, quando em 1902 passou ao domínio do gigolô do momento: os EUA. Que passou a integrar o quintal de lazer ianque, com seus cassinos e cabarés para ricos, magnatas e mafiosos americanos. E onde as mansões dos ricos do Tio Sam espraiaram-se sobre a pobreza e submissão da criança original e seus descendentes, na maioria analfabetos e à margem dos serviços essenciais como moradia e saúde…

Mas as crianças crescem, se tornam jovens e rebeldes, principalmente quando não são adequadamente criadas. E em meados da década de 50, a partir de um deste jovens (Fidel Castro, preso e exiliado por denunciar os donos do quintal), 80 homens iniciaram a rebelião e tomaram o poder em inícios de 1959. Eu tinha apenas 15 anos, mas já lia apaixonadamente sobre a Guerrilha de Sierra Mestra e acompanhei o interesse inicial do EUA em cooptar a revolução (como sempre fizera com os poderosos locais). Mas Fidel mostrou-se insubmisso e então o Tio Sam determinou o covarde bloqueio econômico que perdura até hoje.

Mas de nada adiantou. O caminho foi mais difícil, mas foi trilhado. Penosamente, dolorosamente, mas foi trilhado. A criança bastarda, vassala e humilhada, erradicou o analfabetismo dos seus filhos em menos de uma ano. E, embora pobres pelas impossibilidades impostas pelos antigos opressores, estes filhos já não moram em favelas e nem circulam nas ruas pedindo esmolas. Ao ponto de Fidel exclamar: “Esta noite, milhões de crianças no mundo dormirão ao relento, mas nenhuma será cubana“.

As fazendas dos ricos ianques foram inicialmente transformadas em fazendas coletivas e hoje são cooperativas. Iniciou-se a abertura (ainda modesta) para os pequenos negócios e a abertura ao investimento estrangeiro direto. O turismo voltou a ser priorizado (não como bordel e cassino, mas com base na rica cultura nacional, sua hisória e suas incríveis belezas naturais), e já em 2000 recebia cerca de 2 milhões de turistas. Além do fumo, do níquel, da pesca e do açucar (suas riquezas históricas), desenvolveu a medicina (com médicos comprovadamente qualificados em serviços prestados em outros países), a indústria farmacêutica e a biotecnologia. A partir de 2004, cresceu à média de 4,5% ao ano e, em 2000/2001, crescia 5,6%, com uma taxa de desemprego de apenas 4,5%. E hoje, 98% dos cubanos têm acesso a energia elétrica, água potável e saneamento básico. Mais de 85% deles é dono de sua moradia e os demais pagam aluguéis simbólicos. As taxas de analfabetismo e evasão escolar circulam em torno de zero e a educação, inclusive a universitária, é inteiramente gratuita e de qualidade. O nível de escolaridade do trabalhador cubano equivale ao segundo grau completo brasileiro; mais de um quarto dos professores universitários são Doutores e as 15 universidades nacionais envolvem mais de cinco mil professores e oitocentos pesquisadores em pesquisas diversas. Além disso, acolhe estudantes de 34 países latino-americanos, africanos e caribenhos, que recebem além do ensino, alimentação, moradia, material escolar, uniformes, tratamento médico e ajuda de custo mensal. Em 2001, eram 11 mil estrangeiros nesta situação e hoje cerca de 600 brasileiros estudam no país como bolsista cubanos, principalmente na área médica, cujo curso é reconhecido mundialmente por sua excelência.

“O sistema de seguridade social, cujos princípios são os da solidariedade, universalidade e integridade, é um dos mais abrangentes do mundo e oferece benefícios monetários, em serviços e em espécie que incluem entre outros: subsídios por enfermidades e acidentes, ajuda por maternidade, pensão por idade, morte ou invalidez, assistência médica e odontológica, preventiva e curativa, hospitalar em geral, reabilitação física, psíquica e laboral, serviços funerais e aparelhos de ortopedia e próteses”.“Na área da cultura, pode se dizer que Cuba é um dos pólos de cinema e das artes, especialmente a dança, mais importantes do mundo. Para uma população de 11 milhões de habitantes Cuba tinha, em 2000, mais de 800 salas de cinema, 276 museus, 131 galerias de arte, 58 teatros e 361 bibliotecas”.

É pouco? Eu diria que, para aquela criança nascida bastarda, secularmente vilipendiada e contemporaneamente exposta ao ataque permanente das potências “democráticas”, é quase um milagre! E tenho certeza que a maioria dos brasileiros nunca viu, na grande mídia, estes dados que repassei anteriormente. Claro, não interessa enaltecer o “inimigo”…

“Então, Cuba é um paraíso!” dirão os reacionários de sempre. Não, está longe disso. Mas, se tivesse conseguido viver em paz nestes 50 anos, estaria muito melhor. E apesar de todos e tudo, parece que a classe política cubana decidiu que chegou o momento do necessário aperfeiçoamento político. Não dentro da lógica imperialista “democrática”, mas dentro da lógica marxista do socialismo avançado. E sinto-me profundamente feliz por poder estar vivo neste momento e contemplar esse passo à frente daquela revolução que povoou meus dias de adolescente idealista.

Por isso repasso a vocês, através da jornalista Soledad Alvarez, a essência do discurso de Raul Castro na abertura do Congresso do Partido Comunista Cubano. Aos que são como eu, alvíssaras! Aos que não o são, comecem a refletir melhor sobre o preconceito ideológico que nos contaminou durante tanto tempo…
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Raúl Castro propõe limitação de mandatos na abertura do Congresso do PCC

Soledad Álvarez.

Havana, 16 abr (EFE).- O presidente de Cuba, Raúl Castro, inaugurou neste sábado o VI Congresso do Partido Comunista com um discurso muito crítico com a organização, no qual propôs a limitação de mandatos dos principais cargos políticos e estatais do país a um máximo de dois períodos consecutivos de cinco anos.

O general Castro usou quase duas horas e meia para apresentar o relatório central do Conclave comunista, em um discurso onde advertiu aos 997 delegados do Partido Comunista de Cuba (PCC) que o que for aprovado neste Congresso “não pode sofrer a mesma sorte que os acordos dos anteriores, quase todos esquecidos sem ter se cumprido”.

“Minha cara racha de vergonha de ter de confessar publicamente neste Congresso”, chegou a dizer o segundo secretário do Partido Comunista de Cuba, reivindicando uma “severa autocrítica” ao partido porque “a única coisa que pode fazer fracassar a revolução e o socialismo é a incapacidade de superar os erros cometidos durante mais de 50 anos”.

Exortou os dirigentes comunistas a “expatriar o imobilismo fundamentado em dogmas e palavras de ordem vazias, deixar de lado o formalismo e a fanfarra nas ideias e nas ações e despojar para sempre o partido de todas as funções não próprias de sua personalidade, diferenciando seu papel daquele do Governo”.

Criticou especialmente a política de quadros, advertiu que os dirigentes não surgem do “amiguismo favorecedor” e tachou de “errônea” a exigência “tácita” de ter de militar no Partido Comunista de Cuba ou sua filial juvenil para desempenhar um cargo de direção.

Mas a maior surpresa de seu discurso chegou quando colocou a limitação dos mandatos de cargos políticos e estatais “fundamentais” a um máximo de dois períodos consecutivos de cinco anos cada um.

“Isso é possível e necessário nas atuais circunstâncias, bem diferentes às das primeiras décadas da Revolução, ainda não consolidada e inutilmente submetida a constantes ameaças e agressões”, explicou.

Também mencionou a necessidade de preparar o revezamento geracional perante um Congresso comunista chamado a ser o último dos dirigentes históricos da revolução.

“Hoje enfrentamos as consequências de não contar com uma reserva de substitutos devidamente preparados com suficiente experiência e maturidade para assumir as novas e complexas tarefas de direção no Partido, do Estado e do Governo”, destacou Raúl Castro.

Essa questão, acrescentou, deve ser “solucionada paulatinamente, ao longo do quinquênio, sem precipitações nem improvisações, mas começar tão em breve quanto concluir o Congresso”.

Exortou a garantir “o rejuvenescimento sistemático em toda a cadeia de cargos administrativos e partidários, desde a base até os companheiros que ocupam as principais responsabilidades, sem excluir o atual presidente dos conselhos do estado e de ministros e o primeiro-secretário do comitê central que for eleito neste congresso”.

Raúl Castro fez estas considerações perante um Congresso que deverá ratificar o plano de reformas econômicas que seu Governo impulsiona na ilha para atualizar o modelo socialista e superar a aguda depressão do país.

Dentro de seu plano de ajustes, o presidente cubano anunciou que seu Governo prepara leis para autorizar a compra e venda de automóveis e casas entre particulares, autorizar os créditos bancários aos trabalhadores por conta própria e ampliar a entrega de terras ociosas em usufruto aos produtores agropecuários que tenham “resultados de destaque”.

Insistiu em que a “atualização econômica” requereria modificações na legislação cubana e inclusive ajustes na Constituição que serão propostas “em seu devido momento”.

Raúl Castro, durante seu discurso, explicou as razões para a eliminação, de forma gradual do livro de abastecimento, um dos assuntos que mais polêmica criou nos debates populares sobre as reformas realizadas antes do Congresso comunista.

Insistiu em que o livro se transformou com os anos em “uma carga insuportável” para a economia, ao mesmo tempo em que não estimula o trabalho e gera “ilegalidades diversas”, embora “a revolução não deixará nenhum cubano desamparado e o sistema de atendimento social será reorganizado para assegurar o sustento daqueles que realmente precisem.

Com o discurso de Raúl Castro ficou aberto um VI Congresso do Partido Comunista de Cuba, que promete ser crucial e que, além de aprovar o plano de reformas econômicas, escolherá seus órgãos de direção, com a previsão de que se “formalize” a renúncia do ex-presidente Fidel Castro como primeiro-secretário do partido.

Os quase mil delegados que participam do Congresso estarão reunidos no Palácio de Convenções de Havana até terça-feira, dia 19 de abril, data do encerramento do evento. EFE

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Fonte complementar consultada:

PRECISAMOS OLHAR PARA CUBA SEM PRECONCEITOS Hélio Campagnucio

segunda-feira, 18 abril, 2011 Posted by | Comentário, Repassando... | , | Deixe um comentário

A lucidez de um velho revolucionário…

FIDEL: O PRINCIPAL LEGADO

“Sem dúvida constitui um difícil desafio na época bárbara das sociedades de consumo superar o sistema de produção capitalista, que fomenta e promove os instintos egoístas do ser humano…é ainda mais difícil que a (tarefa) assumida em Cuba há 50 anos –quando o socialismo foi proclamado na ilha–  a 90 milhas (145 quilômetros) dos Estados Unidos(…) Não há margem para o erro neste momento da história humana (…)  Persistir nos princípios revolucionários é, a meu julgamento, o principal legado que podemos deixar-lhe (…) a nova geração deve retificar e mudar tudo o que deve ser retificado e mudado para continuar demonstrando que o socialismo é também a arte de realizar o impossível: construir e realizar a revolução dos humildes…”(Fidel Castro, em artigo dirigido ao 6º Congresso do PC cubano).

(Carta Maior; 2º feira, 18/04/2011)

segunda-feira, 18 abril, 2011 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Sílvio Rodriguez: uma voz cubana pelo direito à autonomia

De forma cada vez mais acelerada, caem minhas expectativas políticas em relação ao Obama. Embora sua prática de campanha, seu discurso e o seu charme tenham incediado universalmente as nossas esperanças por um mundo melhor, o cotidiano da sua governança atola-se pouco à pouco na vala do histórico imperialismo ianque: maquiou a tragédia de Guantanamo, jogou pra debaixo do tapete a questão escandalosa do bloqueio à Cuba, manteve dissimuladamente a ocupação do Iraque e do Afeganistão, apoiou disfarçadamente o golpe militar em Honduras, ignorou a tragédia de Porto Rico, permaneceu na mera ameaça em relação ao sistema financeiro que causou a atual crise econômica mundial, e mantém a ameaça de retaliações ao Irã, menosprezando o acordo recentemente articulado pelo Brasil e pela Turquia. Enfim, vem demonstrando ser apenas um George Bush vaselina, dissimulado, enrolão. Pena… A única atitude louvável dele foi declarar o óbvio: que o Lula é o cara! No resto, continua a mesma prática ianque de dominação planetária, da forma democraticamente disfarçada que só os democratas sabem fazer. Ele deve ter lido a cartilha do John Kennedy: sorri enquanto enfia a faca no resto do mundo.

E nesse cenário de desencanto político, enquanto ele e o resto dos ianques punem os cubanos por terem se libertado das suas garras, por terem se negado a permanecerm como bordel e cassino dos seus turistas e escroques,  negando-se a abrir o bloqueio e exigindo abertura democrática (que democracia, a deles?), li hoje um texto escrito por Sílvio Rodriguez, artista cubano soberbo e libertário, sobre a questão deste bloqueio e desta  “abertura” democrática. .

“Expoente da música cubana surgida com a Revolução Cubana, Silvio é um dos cantores cubanos contemporâneos de maior relevo internacional, criador juntamente com Pablo Milanés, Noel Nicola, Vicente Feliú e outros músicos do movimento da Nova Trova Cubana. Considerado um poeta lúcido e inteligente, capaz de sintetizar o intimismo e os temas universais com a mobilização e a consciência social”, é uma voz inquestionável para falar sobre este tema e por não dizer aquilo que interessa à direita americana (lá tem esquerda?), não foi divulgada suficientemente. Revolucionário, ajudou a dizimar o domínio americano que Fulgêncio Batista assegurava aos norte-americanos. Pós-revolucionário, ajudou a alfabetizar o povo e colocou o seu talento artístico para continuar a mudança político-social. Homem do mundo, por sua arte, não se deixou enfeitiçar pelo sucesso capitalista. E até hoje continua acreditando e lutando por uma Cuba livre e justa.

E aproveitando a recente contradição da democracia espanhola (afastar o investigador dos crimes da ditadura Franco), ele faz uma lúcida análise crítica sobre o seu país e os “democratas” (incluindo-se aí o ex-festejado Obama) que pretendem “salvar” Cuba.

Leiam a matéria, percebam o seu ponto-de-vista e vejam a lógica cristalina que se opõe àqueles que, como os ianques, não querem deixar vicejar a única revolução do continente que deu certo. Tão certo, que resiste há meio século a toda sorte de boicote dos EUA  e seus adeptos de boa parte do mundo!

Façam bom proveito…

Imagem: catatau.blogsome.com/category/midia/page/4/

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18/05/2010

Cortina de manjericão

Um grupo de artistas e escritores espanhóis, ao mesmo tempo em que o juiz Baltasar Garzón era suspenso de suas funções por tentar investigar os crimes do franquismo, concentrava sua atenção nos problemas de Cuba. O cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez mandou este artigo para o jornal espanhol El País, que se recusou a publicá-lo. Nós o acolhemos no nosso blog para que todos possam conhecer as posições de um artista cubano, que a imprensa daqui também se nega a publicar:

Um grupo de artistas e escritores espanhóis lançou uma plataforma para democratizar Cuba. E quando um cubano diverge, decretam que seus argumentos são cortinas de fumaça da ditadura que sofre e compara com os franquistas. Mas os deuses parecem ter-lhes castigado. Porque precisamente por ter se atrevido a investigar os crimes do franquismo, o Conselho Geral do Poder Judicial acaba de suspender o juiz Baltasar Garzón da Audiência Nacional da Espanha. Este sentença é um golpe duríssimo para uma democracia que pretende julgar ou mandar julgar supostos defeitos alheios, mas se resguarda para que não toquem nos seus próprios defeitos.

O veto a Garzón, considerado como um herói, acontece no mesmo país que há poucos anos deu ao mundo uma verdadeira lição de democracia, ao votar contra o partido governante que os meteu numa guerra injusta, fazendo-se de surdo diante das imensas manifestações populares.

Pessoalmente não consigo entender como essas personalidades chegaram à conclusão de que a política para Cuba deve ser a do isolamento e do bloqueio. É como desconhecessem que há meio século essa mesma política não conseguiu mover nem um milímetro a determinação das maioria dos cubanos.

Por outro lado, nós, cubanos, também queremos mudanças, mas estabelecidas por consenso entre nós. Estas transformações acontecerão mais tarde ou mais cedo e a única política capaz de acelerá-las é o fim do bloqueio. Tudo o que nos seja feito com acosso e com pressões não podemos considerar como algo a nosso favor, mas como um insulto à nossa autodeterminação, uma ingerência inadmissível nas nossas vidas.

Tantas agressões e ameaças nos ensinaram que a sobrevivência passa por uma sociedade orgânica, íntegra, indivisível. Assim nós saímos airosos de embates artificiais e naturais. Mas sabemos que somos o resultado de uma reação, por vivermos acossados. Não acreditamos em um governo centralizado para sempre. Mas costumamos vê-lo como um conceito de emergência, um mal necessário que o caminho da emancipação nacional nos impôs para sobreviver. O fim do bloqueio nos aliviará profundamente, criando condições para que avancemos também no conceito democrático.

Eu sublinho que não quero dizer que sem o bloqueio seremos mais democráticos, mas que estou seguro de que assim nós o conseguiremos mais rápido.

A recente plataforma se propõe isolar ainda mais a Cuba e agravar nossa já precária economia. Pretende convencer ao mundo de que a asfixia resolverá nossos problemas. Seu hipotético sucesso significaria muito mais sofrimentos para nosso povo, que leva meio século enfrentando todo tipo de dificuldades. Nossa longa experiência em “propostas” externas nos diz que esta ação é apenas um novo meio para nos obrigar a fazer o que outros consideram que deveríamos fazer. Partindo de que se trata de pessoas bem intencionadas, não sei como entendem a ofensa de pretender que nos tornemos como eles, com as reservas que despertam essas democracias de banqueiros ladrões e de exércitos de ocupação. E além de tudo, quando respondemos que não estamos de acordo, pretendem negar-nos o direito a que sejamos escutados, porque todos os que não pensem como eles – dizem – vem contaminado de ditadura.

Capitaneados por um grande escritor peruano com uma longa trajetória reacionária, certos intelectuais espanhóis decidiram gastas mais horas elocubrando sobre como causamos dano do que investigando até que ponto vivem em uma democracia. Alguns parecem mais preocupados por Orlando Zapata – um homem que teve o valor de escolher sua própria morte e de enfrentá-la – que os mais de cem mil espanhóis assassinados na era de Franco. É triste ver quão pouco lhes interessa aprofundar-se sobre a realidade cubana, quando suas conclusões são as mesmas que as dos piores inimigos da nossa dignidade. Por isso termino admitindo que esta página é realmente uma cortina, não de fumaça, mas sim de manjericão, contra a podridão da sua pretensa salvação.

Tradução: Emir Sader

Postado por Emir Sader às 08:55

terça-feira, 25 maio, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 2 Comentários

Cuba x Tio Sam: Adivinhem quem está por trás da notícia?

Antes, usando como argumento o totalitarismo da Revolução Cubana que substituiu o colonialismo americano, a parceria do Tio Sam com os refugiados cubanos (que nada mais eram que os testas-de-ferro e capitalistas selvagens depostos) tentou invadir a Baía dos Porcos, matar Fidel Castro, e por fim implantou um bloqueio econômico que dura décadas. Como Cuba sobreviveu ao bloqueio, aguardavam ansiosos a morte do Fidel por velhice, para aproveitar o enfraquecimento político do governo e trazer de volta os “exilados de Miami” (devidamente apoiado pelo imperialismo ianque), para recuperar o quintal histórico do “Titio”. Mas, para o desespero dos patifes, o velho Fidel teima em não entrar no caixão e o irmão Raul iniciou processos graduais de abertura política. Agora, e em função disso, a União Européia decidiu retirar o bloqueio à Cuba e reatar relações. O inferno é aqui mesmo… Vejam a reportagem e a choradeira dos “deserdados de Miami” ou “paus mandados do vagabundo beberrão” ou os “lobordeiros” de sempre, como preferirem. Agora, para aqueles que adoram o “titio”, podem chamá-los de “exilados políticos da ditadura cubana”, “refugiados do comunismo” e outras falsificações ideológicas. Mas recomendo que, após a leitura, revejam a história de Cuba no período anterior à revolução de Sierra Mestra. O mais ridículo nas declarações das “lideranças no exílio” é que exigem a libertação dos presos políticos cubanos e “esquecem” os prisioneiros muçulmanos que o “vagabundo beberrão” mantém em sua base de Guantánamo (também situada em Cuba) e que a própria justiça americana já considerou ilegal. Haja óleo-de-peroba para tanta cara-de-pau…

Exilados cubanos criticam decisão da UE de retirar sanções a Cuba Agência EFE – Qui, 19 Jun, 10h15 Dois grupos do exílio cubano em Miami criticaram hoje a decisão da União Européia (UE) de retirar as sanções diplomáticas a Cuba, embora tenham chamado de “aceitável” o reconhecimento outorgado à oposição interna da ilha.

Se quiserem, leiam a reportagem completa:

http://br.noticias.yahoo.com/s/19062008/40/entretenimento-exilados-cubanos-criticam-decisao-da-ue-retirar-san-oes.html

sexta-feira, 20 junho, 2008 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário