Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Despindo as mentiras capitalistas sobre a gricultura orgânica…

A agricultura orgânica pode alimentar as 10 bilhões de pessoas esperadas para 2050?

No passado, toda a agricultura era orgânica, mas atualmente este método ocupa apenas 1% de toda a área usada para agricultura. Seus críticos costumam apontar seu “baixo” rendimento, em comparação com o rendimento aumentado à custa de venenos, exploração humana e destruição ambiental da agricultura “convencional”. Este menor rendimento inviabilizaria este modelo orgânico de plantio de alimentar a população humana esperada para 2050, de 10 bilhões de pessoas.

Mas será que isso é verdade?

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A agricultura orgânica no século XXI

 

Um estudo publicado no Reino Unido, após revisão minuciosa de centenas de pesquisas dos últimos 40 anos, pretendeu responder a esta pergunta. Organic Agriculture in the twenty-first century compara a produção a longo prazo dos dois tipos de agricultura, além de estabelecer padrões de estabilidade para esta atividade.

Segundo os pesquisadores, a agricultura precisa não somente suprir a humanidade, mas se manter como atividade estável para que também não falte comida para outras gerações. Ela deveria ser, portanto: economicamente viável, produtiva, ambientalmente sustentável e socialmente justa.

E o que descobriu o estudo?

 

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Que apesar da agricultura orgânica ser menos produtiva que a convencional em 10 a 20%, ela é mais valiosa e favorável à manutenção da espécie humana, enquanto a agricultura “convencional” se especializou em produtividade em detrimento de outras métricas de qualidade.

Orgânica e viável

No estudo, pesquisadores compararam 500 cenários de produção alimentícia para saber se eles conseguem alimentar a população de quase 10 bi (9,6 bilhões) de pessoas estimada para 2050, sem expandir a área cultivada. Eles descobriram que poderia ser produzida comida suficiente com agricultura orgânica se as pessoas comessem uma dieta baseada em vegetais. Exatamente, a mesma área cultivada de hoje pode alimentar esse número todo de pessoas se fossem todas veganas, teria 94% de chance de sucesso se fossem todas vegetarianas, 39% com uma dieta completamente organica e apenas 15% de chance com a dieta ocidental baseada em carne.

Ou seja, a agricultura orgânica pode alimentar 10 bilhões de pessoas sem devastar nenhum metro quadrado a mais sequer. Para isso, no entanto, seria preciso que a dieta do capitalismo ocidental recuasse drasticamente.

Os pesquisadores não acreditam que isso vá ocorrer, e acham que a produção alimentícia deverá variar entre orgânica e convencional, dependendo do gênero a ser produzido, para manter a alimentação humana. Porém, este não seria um cenário ambientalmente favorável.

Vale salientar que, apesar da importância da questão da revisão dos hábitos alimentares, o assunto ainda é pouco veiculado. Nem jornais, nem organizações nem ativistas dão a devida atenção à expansão desenfreada da dieta capitalista ocidental que nos leva em direção ao abismo. Que esta pesquisa possa ajudar nessa questão.

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terça-feira, 16 janeiro, 2018 Posted by | Uncategorized | , | 1 Comentário

Pelo caos, chegamos ao conceito de sustentabilidade: e daí?

Os 12 grandes problemas ambientais da humanidadeResultado de imagem para Desenvolvimento sustentável. E DAÌ?

Uma análise da UNEP (United Nations Environment Programme – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) sobre os grandes problemas mundiais da atualidade em relação ao ambiente, levantou 12 grandes problemas que preocupam pesquisadores, administradores e gerentes da área ambiental, são eles:

1. Crescimento demográfico rápido: Mesmo considerando que a taxa de fecundidade das mulheres está diminuindo nos países desenvolvidos, o crescimento demográfico aliado ao desenvolvimento tecnológico acelera a pressão sobre os sistemas e recursos naturais, e em geral traz como consequência mais impactos ambientais, devido ao aumento na produção industrial e nos padrões de consumo.

2. Urbanização acelerada: além do rápido crescimento demográfico, a aglomeração de população em áreas urbanas está gerando grandes centros com 15 milhões de habitantes ou mais. Esses centros de alta densidade populacional demandam maiores recursos, energia e infra-estrutura, além de criarem problemas complexos de caráter ambiental, econômicos e principalmente social.

3. Desmatamento: a taxa anual de desmatamento das florestas, especialmente das tropicais, ocasiona diversos problemas como erosão, diminuição da produtividade dos solos, perda de biodiversidade, assoreamento de corpos hídricos e etc.

4. Poluição marinha: a poluição marinha está se agravando cada vez mais devido a: descargas de esgotos domésticos e industriais através de emissários submarinos, desastres ecológicos de grandes proporções, como naufrágio de petroleiros, acúmulo de metais pesados no sedimento marinho nas regiões costeiras e estuários, perda de biodiversidade (exemplo: espécies frágeis de corais), poluição térmica de efluentes de usinas nucleares e etc.

5.    Poluição do ar e do solo: ocasionada principalmente pelas indústrias, agroindústria e automóveis, através de: emissões atmosféricas das indústrias, disposição inadequada de resíduos sólidos (exemplo: lixões) e de resíduos industriais que causam poluição do solo, acúmulo de aerossóis na atmosfera provenientes da poluição veicular e industrial, contaminação do solo por pesticidas e herbicidas, e etc.

6. Poluição e eutrofização de águas interiores – rios, lagos e represas: a poluição orgânica provenientes dos centros urbanos e atividades agropecuárias gera uma variedade de efeitos sobre os recursos hídricos continentais, os quais são fundamentais para o abastecimento público das populações. Essa pressão resulta na deterioração da qualidade da água, causada pelo fenômeno da eutrofização, acúmulo de metais pesados no sedimento, alterações no estoque pesqueiro e geralmente inviabiliza alguns dos usos múltiplos dos recursos hídricos.

7. Perda da diversidade genética: o desmatamento e outros problemas ambientais acarreta em perda de biodiversidade, ou seja em extinção de espécies e perda da variabilidade da flora e da fauna. A biodiversidade e seus recursos genéticos são fundamentais para futuros desenvolvimentos tecnológicos.

8. Efeitos de grandes obras civis: a construção de obras civis de grande porte, como represas de usinas hidrelétricas, portos e canais, gera impactos consideráveis e díficeis de mensurar sobre sistemas aquáticos e terrestres.

9. Alteração global do clima: o aumento da concentração dos gases estufa na troposfera terrestre (primeira camada da atmosfera) e de partículas de poluentes está causando um fenômeno conhecido como aquecimento global, que é o aumento da temperatura do planeta, devido a maior retenção da radiação infravermelha térmica na atmosfera. Cada grau celsius de aumento da temperatura terrestre irá trazer consequências diferentes, e estas são acumulativas, segundo o 2º relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) apenas 1º C a mais já é suficiente para derreter as geleiras de topos de montanha do mundo todo, comprometendo abastecimento locais de água, e se o aumento chegar a 4º C estima-se que até 3,2 bilhões de pessoas poderão sofrer com a falta d’água e que a subida do nível do mar irá ameaçar a existência de cidades costeiras em todo o mundo.  As previsões de aquecimento para o fim deste século estimam entre 1,8º C e 4º C a mais na média da temperatura mundial.

10. Aumento progressivo das necessidades energéticas e suas conseqüências ambientais: o aumento da demanda energética devido ao crescimento populacional, urbanização e crescente desenvolvimento tecnológico gera a necessidade da construção de novas usinas hidrelétricas e termelétricas, grandes e pequenas usinas nucleares, e etc. E quanto maior a utilização de combustíveis fosséis (termelétricas, carvão mineral) mais gases de efeito estufa são lançados na atmosfera. Outros tipos de matrizes energéticas como hidrelétricas e usinas nucleares possuem impactos ambientais associados a sua construção e operação (exemplo: falta de tratamento para os resíduos nucleares).

11. Produção de alimentos e agricultura: A agricultura de alta produção é uma grande consumidora de energia, de pesticidas e de fertilizantes. A expansão das fronteiras agrícolas aumenta as taxas de desmatamento e perda de biodiversidade.

12. Falta de saneamento básico: principalmente nos países subdesenvolvidos, a falta de saneamento básico é um problema crucial devido às inter-relações entre doenças de veiculação hídrica, distribuição de vetores e expectativa de vida adulta e taxa de mortalidade infantil. E também pela poluição orgânica gerada pelo aporte de esgostos domésticos e drenagem pluvial em corpos d’água devido a falta de infra-estrutura adequada e a lançamentos irregulares.

Dentre os problemas ambientais que afetam o Brasil, podemos listar os mais críticos:

1. Desmatamento, que acarreta em perda de Biodiverdidade;
2. Erosão devido a desmatamento e manejo inadequado do solo na agricultura e pecuária;
3.  Poluição das águas e solos devido a falta de saneamento básico nas áreas urbanas e rurais;
4. Falta de políticas de gerenciamento de resíduos sólidos nas áreas urbanas, gerando “lixões”;
5. Poluição industrial.

No entanto, a partir da década de 70, a humanidade começou a tomar consciência dos seus impactos sobre a natureza, devido principalmente as consequências econômicas que as reações da natureza a esses impactos geravam, como mais gastos com saúde pública. Isso levou ao surgimento de uma nova abordagem de desenvolvimento econômico conciliatório com a conservação ambiental, surgiu assim o conceito de desenvolvimento sustentável.

terça-feira, 24 outubro, 2017 Posted by | Repassando... | , , | Deixe um comentário

Cada um de nós e o desenvolvimento sustentável

O que os brasileiros pensam e sabem sobre sustentabilidade

Por Cristina Spera, do Instituto Ethos

Foi divulgado no final do mês passado, em São Paulo, o resultado da pesquisa “Sustentabilidade Aqui e Agora”, feita pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Walmart Brasil, com apoio da Agência Envolverde e da Synovate Research, nas cidades de Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro.

A pesquisa nasceu do desejo conjunto do Walmart Brasil e do Ministério do Meio Ambiente de verificar se a campanha para redução do uso de sacolas plásticas tinha sido assimilada pelo consumidor. Afinal, quando não há Lei estabelecendo uma obrigatoriedade ou proibição, é este consumidor – um cidadão comum – que define ou não a mudança de um hábito.

Uma pergunta básica serviu de “fio condutor” para o levantamento: O que você faria se acordasse amanhã e não existissem mais sacolas plásticas? A partir dela, foi sendo elaborado um questionário cujas respostas permitiram delinear um retrato sobre hábitos e comportamentos de consumo dos brasileiros.

As perguntas foram tanto “diretas” – “Você recicla seu lixo?” – quanto “indiretas” – “O que é importante para sua felicidade atualmente?”. Muitas das questões formuladas foram reproduzidas da pesquisa “O Que os Brasileiros Pensam do Meio Ambiente e da Sustentabilidade”, que o Ministério do Meio Ambiente faz desde 1991. Outras foram elaboradas para que as respostas pudessem orientar a regulação/aplicação da Lei Nacional de Resíduos Sólidos e do Plano Nacional de Produção e Consumo Sustentáveis. Tanto a Lei quanto o Plano postulam a responsabilidade compartilhada entre governos, setor produtivo e sociedade no gerenciamento dos resíduos e na mudança de padrões de produção e consumo.

Houve ainda um bloco de perguntas feitas para verificar o comportamento dos brasileiros em relação a uma série de temas da sustentabilidade. As respostas podem ajudar na formulação de políticas públicas ou privadas e também em programas educacionais diversos. Quanto às sacolas plásticas, 69% dos respondentes afirmaram que carregariam suas compras em sacos ou sacolas de outro material, se as plásticas deixassem de existir.

Com relação às demais perguntas, as respostas confirmam uma tendência já detectada em outros levantamentos, como a pesquisa Percepção da RSE pelo Consumidor Brasileiro, realizada pelo Instituto Ethos e pelo Instituto Akatu: o cidadão comum está mais preocupado em conhecer os temas da sustentabilidade do que propriamente em mudar o comportamento. O brasileiro exibe “preocupação” com a causa ambiental, mas não pensa que seja o principal problema do bairro, da cidade ou do país. Nas grandes cidades principalmente, onde hoje moram 75% da população brasileira, saúde e violência são indicadas como os principais problemas urbanos (30% e 24% das respostas), mas nenhum respondente chegou a relacionar essas questões com a degradação ambiental dos grandes centros urbanos. No entanto, nove em cada dez pesquisados acreditam que “da forma como usamos a água, dentro de pouco tempo não teremos água para beber”. Um quarto do total de entrevistados guarda lixo eletrônico em casa por não saber como descartá-lo e um entre cinco respondentes acredita que “a preocupação com o meio ambiente no Brasil é exagerada”.

Dois dados importantes emergiram do levantamento: 59% das pessoas que participaram da pesquisa acreditam que a preservação dos recursos naturais deve estar acima das questões relacionadas à economia. E também 59% não acreditam que os problemas ambientais podem ser solucionados com pequenas mudanças de hábito. Para estes, só grandes transformações nos hábitos de consumo, transporte e alimentação poderiam realmente ajudar a manter o equilíbrio futuro. Mais: 85% dizem que “qualquer mudança do ser humano na natureza provavelmente vai piorar as coisas”. Para 63% dos respondentes, a escola é a organização mais importante na educação ambiental; em seguida, com 58%, vem a comunidade e, com 43%, as igrejas. Partidos/governos e empresas vêm no fim da fila, com 36% e 27%, respectivamente.

A pesquisa também mostrou hábitos em transformação: 45% já evitaram jogar produtos tóxicos ou que agridam o meio ambiente no lixo comum; 41% consertaram algum produto quebrado para prolongar a vida útil; e 31% deixaram de comprar algum produto por informações contidas no rótulo. De modo geral, as respostas às perguntas “indiretas” mostram o Brasil como uma sociedade com valores e esperança na humanidade. Tempo para ficar com a família e os amigos e fé na capacidade humana de superar obstáculos estão entre os principais valores para 44% dos entrevistados, e 25% deles também gostariam de ter mais tempo e condições materiais para aprofundar os estudos e melhorar o desempenho profissional. As respostas trazem um mundo de oportunidades para que as empresas façam avançar a agenda do desenvolvimento sustentável, sobretudo as mais engajadas no movimento da responsabilidade social.

No âmbito empresarial, um dos fatores limitantes a esse avanço tem sido justamente a falta de mecanismos de mercado que premiem ou punam os produtos e os comportamentos das empresas. Com isso, o consumidor não consegue diferenciar uma empresa responsável de outra que não está preocupada com os impactos da sua atividade deixando assim de elevar seu padrão de exigência. Essa falta de referências prejudica também as empresas que querem evoluir na gestão sustentável, uma vez que o comportamento mais responsável não é percebido como valor pelo mercado e pelos consumidores.

Essa consciência superficial do consumidor, trazida à tona pela pesquisa Walmart-MMA demonstra um problema para o qual o Instituto Ethos já vem alertando a sociedade há algum tempo: o risco de mudar, não mudando nada. Por isso, é urgente que as empresas mais engajadas no movimento de responsabilidade social criem referências para que o mercado e a sociedade possam diferenciá-las, elevando-se o nível de exigência em relação às demais. E como fazer isso? De acordo com Paulo Itacarambi, vice-Presidente do Instituto Ethos, “as empresas precisam usar sua força para articular os diversos setores sociais em torno de uma agenda de compromissos pelo desenvolvimento sustentável”. Para ele, essa agenda deve:

– promover uma cultura apoiada em valores humanistas, na democracia, no bem-estar e na qualidade vida;

– divulgar e disseminar a incorporação desses valores pela cidadania e pelo mercado;

– articular os vários segmentos sociais para a aprovação de políticas públicas que visem o desenvolvimento  sustentável;   ampliar os espaços de diálogo e negociação entre empresas, governos e a sociedade civil.

“Já existe a percepção de que a sustentabilidade não é incompatível com o crescimento econômico. É preciso, no entanto, demonstrar que sem sustentabilidade não há crescimento econômico duradouro, nem no mercado, nem na sociedade”, afirma Itacarambi. “As empresas podem jogar um papel decisivo nesse processo, ao assumirem a liderança e o protagonismo dele.”
(Envolverde/ECO 21)

© Copyleft – É livre a reprodução exclusivamente para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.

domingo, 26 dezembro, 2010 Posted by | Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Pra não dizer que não falei de flores…

Nunca, nos dois anos de vida deste blogue, postei tantos fatos políticos e tão poucos temas ambientais. Desculpem-me, amigos leitores, é que como já disse um poeta espanhol, “um homem é ele e suas circunstâncias”, e eu, neste momento em que vi a importância da luta democrática em andamento e as baixarias da centro-direita para nos tirar o caminho iniciado das conquistas que o povo brasileiro trilha hoje, me vi contingenciado a agir no espaço que me cabe. Sei que não é muito, mas pelo menos 200 pessoas frequentam diariamente este modesto blogue e ajudar a mantê-los informados, passou a ser a minha meta. Como disse o passarinho, posso não apagar o incêndio com as gotas dágua que carrego no bico, mas as minhas gotinhas estão lá (ou melhor, aqui). Espero que, se vencermos no primeiro turno, poderei voltar às postagens diversificadas e voltadas para o desenvolvimento sustentável. Por enquanto, leiam a reportagem abaixo, que indica os caminhos do desenvolvimento para o novo milênio…

Rumo a uma economia de baixo carbono

Em entrevista à Carta Maior, Eduardo Viola, professor de Política Ambiental Internacional da UnB, fala sobre as tendências globais envolvidas no processo de transição para uma economia de baixo carbono. “O eixo da sustentabilidade passa por essa transição. Precisamos de um acordo internacional que ponha um preço ao carbono, que constrinja as emissões gradualmente. Isto favorecerá toda a saída da matriz energética fóssil, particularmente do carbono, em primeira instância, seguido do petróleo e do gás natural”.

> LEIA MAIS | Meio Ambiente | 20/09/2010

terça-feira, 21 setembro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , | Deixe um comentário

JARARACA: O VENENO DA ACULTURAÇÃO E O ANTÍDOTO DA ANCESTRALIDADE

Henrique Rodrigues de Miranda[1]

“A cultura é uma necessidade imprescindível de toda uma vida,
é uma dimensão constitutiva da existência humana,
como as mãos são um atributo do homem”
.

José Ortega Gasset

RESUMO

Este artigo, elaborado como tarefa acadêmica, por pretender explicar uma comunidade rural amazônica tradicional frente à realidade da globalização que já se faz presente na região (com seus reflexos na divisão do trabalho, nos processos produtivos, na acumulação, no ambiente natural e na cultura tradicional), representou para o autor uma viagem no tempo de si mesmo. Por ter como referencial o texto de um intelectual indígena (Daniel Munduruku), um índio aculturado que conseguiu recriar-se como índio, a aplicação deste referencial na realidade de uma comunidade cabocla em luta contra as forças entrópicas externas, gera, inevitavelmente, uma viagem de cada um de nós, enquanto indivíduos e enquanto cidadãos, frente aos dilemas do desenvolvimento local. Isto é, vai muito além de um índio, de um caboclo, de um ser urbano ou de uma coletividade específica, alcançando a tragédia planetária da devastação ambiental, das profundas desigualdades sociais e da dominação cultural.

No seu conteúdo, o presente artigo foi construído a partir de uma crítica do contexto cultural tradicional face à cultura externa, descrito pelo autor (MUNDURUKU, 2000), seguida de uma análise comparativa da comunidade visitada (Jararaca, município de Bragança – PA) e de conclusões finais capazes de ajudar na compreensão do saber tradicional na construção do desenvolvimento local sustentável.

INTRODUÇÃO

A questão da participação popular na construção de alternativas sustentáveis de desenvolvimento local e/ou políticas públicas no mesmo sentido, agrava-se em territórios democraticamente mais frágeis e menos desenvolvidos, onde as desigualdades sociais aguçam a luta de classes, os espaços legais de participação política se estreitam e onde estratos sociais demograficamente representativos, limitados pela pobreza, pela desinformação e pela desesperança, sequer mobilizam-se para a organização política e/ou econômica, formal (ARATO 1994; MITSCHEIN, MIRANDA e PARAENSE, 1989; CAMPANHOLA e GRAZIANO, 2000; BAQUERO, 2003; MIRANDA, 2004; 2005; 2007). E mesmo quando, por alguma circunstância especial, esta participação é estimulada, ela se desenvolve sob a ótica cultural e ideológica da estrutura de poder dominante, objetivando muito mais os processos políticos de captura de governança (SANTOS, 1997) do que a obtenção da participação deliberativa e interativa das coletividades tradicionais (indígenas, quilombolas, caboclas e outras). E esta marginalização, com base nas variáveis já citadas, inicia-se pela desvalorização do saber tradicional. Embora tenha sido este tipo de saber, ao longo dos milênios, a origem de todo o saber formal das sociedades humanas, a ideologia do saber institucionalizado, construído como forma de manutenção das classes dominantes, cada vez mais o submete à mera condição de conhecimento primitivo a ser superado (e não, agregado) pela escolaridade. E embora este saber histórico continue a ser o ponto de partida de muitos avanços tecnológicos (os fitoterápicos são um bom exemplo disso), ele permanece afogado nos meandros da pirataria intelectual da ciência formal, dos laboratórios e das patentes oficiais. Felizmente, em função do fracasso dos modelos economicistas de desenvolvimento, da agudização das crises sociais e da crise ambiental planetária, algumas iniciativas direcionadas a novas formas de desenvolvimento estão em andamento, centradas na participação popular, nos paradigmas da sustentabilidade e valorizando o conhecimento tradicional das coletividades marginalmente inseridas na sociedade regional amazônica.

Na Amazônia paraense, a comunidade de Jararaca, localizada no município de Bragança, constitui-se em uma destas iniciativas. Abrigando cerca de quarenta famílias que sobrevivem precariamente com base no extrativismo e no cultivo de pequenos roçados tradicionais (em decadência por motivos fitossanitários e de queda da produtividade), complementam a subsistência com recursos externos de origem estatal (aposentadoria e bolsa-família), à semelhança de milhares de outras pequenas comunidades similares espalhadas no território amazônico brasileiro. Apesar disso, por razões históricas que serão expostas mais adiante, seus moradores apresentam comportamentos diferenciados em relação à gestão do destino coletivo e estão se relacionando de forma proativa e cidadã com as instituições estatais e civis atuantes na região. E este comportamento diferenciado, no atual cenário regional de transição política para formas de planejamento descentralizado, surge como afirmação da potencialidade popular de assumir a co-responsabilidade na construção do destino comum, contrapondo-se ao determinismo histórico da sua incapacidade pela estrutura de poder dominante. Mas, porque esta comunidade tem apresentado posturas diferenciadas? Que fatores culturais (e, por isso, históricos) escondem-se na sombra destas atitudes? Até que ponto esta postura constituída representa uma blindagem às influências do entorno dominante? Como está ocorrendo a negociação implícita entre as demandas internas e externas? São questões que se procurará responder ao longo deste artigo, tendo como base a dimensão cultural local e o referencial teórico-antropológico do autor escolhido como referencial. Continue lendo

domingo, 27 julho, 2008 Posted by | Academia livre | , , , , | 4 Comentários

Informando…

Adailzo Cohen
kaco_afonso@yahoo.com.br | 200.164.20.80

Senhores

Gostaria de saber se vocês têm máquinas de descascar castanha-do-Brasil, para venda.

Muito grato.

Cohen Manaus/Am.

De Castanha made in caboclos…, 2008/06/29 at 11:34 AM

Prezado Cohen,

Não temos ligação com o projeto castanha que você quer contactar, apenas reproduzimos a reportagem, por achá-la interessante. Como já é o segundo pedido de informação que recebemos sobre o citado projeto, informamos que qualquer contato relativo a equipamentos, produtos e comercialização deve ser encaminhado ao endereço abaixo.Um abraço fraterno.

–>

Nome do Projeto Promoção de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade nas Florestas de Fronteira do Noroeste do Mato Grosso
Número BRA/00/G31
Objetivos no Milênio: 7
Entidade executora Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Mato Grosso (Fema)
Endereço da coordenação Rua E, esquina com Rua L, Centro Político Administrativo, CEP 78050-970, Cuiabá, MT,fone (21) 2262-8214

domingo, 29 junho, 2008 Posted by | Trocando Idéias | , | Deixe um comentário

Amazônia: Terra de ninguém

Carlos Germer, que recebeu de Paulo Sérgio Tagliari, me repassou, e que repasso a vocês. Parece até o poema do Drumond, mas é assim que as informações, boas ou ruins, circulam na sociedade. Neste caso, o bom é que o conteúdo apresenta os problemas (sem fracassonamia) e propostas de mudança. Confiram, reflitam e repassem:

Quarta-feira, 04 de Junho de 2008

AMAZÔNIA: TERRA DE NINGUÉM

Fonte: Adalberto Wodianer Marcondes, Revista Digital Envolverde

O desenvolvimento da Amazônia dentro de parâmetros de sustentabilidade é um desafio urgente e que precisa ser encarado de forma de maneira inovadora por empresas, sociedade e governos. A economia baseada no desmatamento não garante nenhum tipo de progresso social para as comunidades que lideram o mapa de retirada da cobertura florestal. Pelo contrário, são as cidades que mais desmatam que também lideram em indicadores de violência, trabalho escravo e baixo IDH.

No entanto, governos e entidades de madeireiros costumam descrever esta realidade de forma diferente, mais favorável ao desmatamento, uma vez que nos primeiros anos de extração da floresta realmente ocorre um boom de crescimento econômico. Mas, efêmero, esse desenvolvimento acaba junto com as árvores, e a atividade que vem depois é a criação de gado, que ocupa muito menos gente do que a indústria madeireira. O alerta foi feito por Adalberto Veríssimo, pesquisador do Imazon – Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, que tem sede em Belém e é uma das organizações fundadoras do Fórum Amazônia Sustentável, do qual o Instituto Ethos também faz parte.

Beto Veríssimo, como é mais conhecido por seus parceiros que estudam e trabalham na e pela Amazônia, é reconhecido como um dos mais importantes especialistas na dinâmica econômica e social da região, além de ser autor de estudos relevantes usados como base para políticas públicas no Pará e em toda a Amazônia. Em entrevista ao jornalista Dal Marcondes durante a Conferência Internacional do Instituto Ethos 2008, em São Paulo, Beto alertou sobre a necessidade de inovar na busca de soluções para a região e destacou a questão fundiária como uma das mais urgentes.

Instituto Ethos: Por que a regularização da posse da terra é importante para a Amazônia?

Adalberto Veríssimo: Mais de 70% da região não tem titulação e isso torna muito difícil responsabilizar autores de crimes ambientais. O modelo cartorial existente hoje no Brasil não vai conseguir resolver este desafio, porque as escalas na Amazônia são imensas. Se utilizarmos as novas tecnologias de internet e de localização por satélite, podemos ter um avanço rápido na identificação de posse e de uso da terra. Para o governo, boa parte da Amazônia é terra de ninguém.

IE: E como isso pode ser feito?

AV: Em um primeiro momento, precisamos fazer uma regularização ambiental e, em seguida, de titulação. Para trabalhar a parte ambiental, os ocupantes de glebas de terras se autodeclaram como detentores da posse. Com isso, passamos a ter pessoas ou empresas que podem ser responsabilizadas pelas ocorrências em suas terras. Depois, é preciso fazer um mutirão para a regularização documental. Aí sim os proprietários têm de entrar em acordos sobre divisas e respeitar regulamentações de posse e de uso da terra na região. Esta questão é fundamental para o desenvolvimento, os Estados Unidos fizeram isso em 1870.

IE: Este é um desafio de tamanho chinês?

AV: Sim, e é preciso que a Amazônia esteja presente no núcleo duro do governo, como prioridade, para que os órgãos públicos se articulem para realizar esta empreitada. A falta de regularização fundiária é a origem de muitos conflitos na região. Esta regularização é condição para que o desenvolvimento local seja minimamente sustentável. Hoje a área regularizada na Amazônia é do tamanho do Estado de São Paulo, e precisa ser multiplicada por quatro.

IE: O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, tem a visão desta urgência?

AV: Acredito que não. No entanto, a Marina deixou o governo em posição delicada. Ficou claro que o governo precisa da Amazônia sob o ponto de vista energético e de recursos naturais, mas não tem caixa nem vontade política para cuidar da Amazônia. O ministro Minc vai ter de colocar a região na pauta econômica e social. Nos próximos anos o desmatamento vai crescer, por pressão econômica, dos preços das comoditties, e o governo tem de ter um plano para enfrentar isto. E não adianta querer fazer na marra, tem de ser um plano que envolva os atores econômicos. Não existe uma solução mágica, a Amazônia não é um cenário de soluções únicas. Enquanto for mais barato desmatar do que usar áreas degradadas, a floresta vai ser arrasada.

Quarta-feira, 04 de Junho de 2008

AMAZÔNIA TEVE 1.123 KM² DE DESMATAMENTO EM UM MÊS

Fonte: Revista Digital Envolverde de 03.06.2008

Mato Grosso foi responsável por 70% do desmatamento da Amazônia em abril.

Agência FAPESP – Foram 1.123 km², praticamente a área do município do Rio de Janeiro (1.182 km²) ou cinco vezes a do Recife (218 km²) – e tudo isso em apenas um mês.

Esse foi o desmatamento observado na Floresta Amazônica em abril, segundo dados do sistema Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na segunda-feira (02).

Do total da área em que se verificou corte raso ou degradação progressiva, 794 km², ou 70,7%, estavam no Mato Grosso. Roraima aparece em seguida na relação dos estados da Amazônia Legal com mais desmatamento, com 284,8 km².

Segundo o Inpe, o sistema havia registrado 112 km² de desmatamento no Mato Grosso em março, mas em período em que 78% da Amazônia estava coberta de nuvens, sendo que 69% do estado não pôde ser observado pelos satélites – a cobertura de nuvens costuma variar muito de um mês para outro, assim como a localização das áreas encobertas.

Do total verificado pelo Deter em abril, 53% da Amazônia esteve sob nuvens, mas apenas 14% do Mato Grosso ficou encoberto. Isso indica que a oportunidade de observação no estado aumentou muito de março para abril.

Em operação desde 2004, o Deter foi concebido como um sistema de alerta para suporte à fiscalização e ao controle de desmatamento. São mapeadas tanto áreas de corte raso como áreas em processo de desmatamento por degradação florestal.

De acordo com o Inpe, é possível detectar apenas polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares por conta da resolução dos sensores espaciais (o Deter utiliza dados do sensor Modis do satélite Terra/Aqua e do sensor WFI do satélite CBERS, com resolução espacial de 250 metros). Devido à cobertura de nuvens, nem todos os desmatamentos maiores que 25 hectares são identificados pelo sistema.

Mais informações: http://www.inpe.br

terça-feira, 10 junho, 2008 Posted by | Academia livre, Comentário, Repassando... | , , , | Deixe um comentário

Pelo menos não estamos piorando…

Apesar da nossa vocação nacional para a fracassomania (valorizar sempre o lado negativo dos fatos), o novo relatório ambiental do IBGE aponta alguns avanços nossos na questão ambiental, embora bem aquém do desejado. Já é alguma coisa, frente à falta de consenso político nacional sobre as ações de conservação e preservação dos recursos naturais, frente à pressão irracional dos predadores madeireiros, pecuaristas e sojeiros, e em face do conflito político-partidário que domina a esfera política. Para contrapor-me ao nosso pessimismo crônico, destaquei no relatório à seguir alguns dos poucos resultados positivos, embora as deficiências ainda estejam em níveis muito graves.. Confiram:

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Avanços no meio ambiente no Brasil são lentos, diz relatório do IBGE

Publicada em 04/06/2008 às 13h14m

O Globo Online

RIO – O panorama do meio ambiente no Brasil traz grandes preocupações para governo e sociedade civil, de acordo com o relatório dos Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2008 (IDS 2008), divulgado pelo Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. O estudo apontou que o país precisa acelerar os avanços na área ambiental.

Segundo os resultados, o consumo anual de substâncias destruidoras da camada de ozônio (O3) diminuiu 86%, entre 1992 e 2006, passando de 11.198 para 1.431 toneladas de potencial de destruição de ozônio (PDO). Além disso, a poluição das praias e dos rios que cortam as maiores regiões metropolitanas continuam elevados, a quantidade de fertilizantes e agrotóxicos na agricultura aumentou e as apreensões de alguns animais que seriam comercializados ilegalmente cresceram. São avanços e recuos que marcam os problemas ambientais brasileiros associados ao crescimento dos últimos quatro anos.

Em sua terceira edição, o relatório reuniu 23 indicadores, divididos nos temas atmosfera, terra, água doce, oceanos, mares e áreas costeiras, biodiversidade e saneamento. A intenção é utilizar o ecossistema para o planejamento dos recursos naturais, metas previstas pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, no relatório de Brundtland de 1987. Mas os números divulgados pelo IBGE estão longe de atingir este objetivo.

O nível de poluição dos rios que cortam a grandes cidades não melhorou. Nenhum deles atingiu o Índice de Qualidade da Água (IQA) considerado ótimo (acima de 80). Os IQAs mais baixos foram os dos rios Iguaçu (31) e Tietê (30), que atravessam, as regiões de Curitiba e São Paulo, respectivamente.

Entre 1992 e 2006, a quantidade de fertilizantes comercializada por hectares cresceu cerca de 49%, de 69,44 para 141,41 quilos. Minas Gerais é o estado que mais utiliza fertilizantes por hectare (249,23 kg), seguido por São Paulo (214,21 kg) e Roraima (200,11 kg). O uso de agrotóxicos também teve um crescimento no consumo, entre 2000 e 2005, de 3,19 kg/ha para 3,23 kg/ha. O Estado de São Paulo é o que mais utiliza agrotóxicos por hectare plantado (7,62 kg/ha, mais que o dobro da média nacional). O que menos se utiliza destes produtos é o Amazonas (0,19 kg/ha)

domingo, 8 junho, 2008 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

As informações estão aí! Basta usá-las adequadamente.

Vegetação da Amazônia Legal ganha banco de dados

Seg, 02 Jun, 07h37

Todos as informações sobre a vegetação da Amazônia Legal, desde a ocorrência de determinada espécie de árvore ao volume de madeira que pode ser encontrado em certa região, foram reunidas num banco de dados lançado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para chegar aos dados, os pesquisadores valeram-se de estudos anteriores sobre a Amazônia Legal e imagens de satélite, mas também fizeram pesquisa de campo.

O resultado desse trabalho é o detalhamento de 2,5 mil trechos de florestas nos Estados que compõem a Amazônia Legal – Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão e de Goiás. Cada um desses pontos tem área de 1 hectare (10 mil metros quadrados). Um total de 20 pesquisadores esteve nesses locais e chegou à minúcia de medir cada árvore com mais de 30 centímetros de diâmetro. Leia mais, clicando no link:

http://br.noticias.yahoo.com/s/02062008/25/manchetes-vegeta-da-amazonia-legal-ganha-banco-dados.html

terça-feira, 3 junho, 2008 Posted by | Repassando... | , , , | Deixe um comentário