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Colômbia: o bicho ainda tá pegando…

Juan Manuel Santos, escolhido por Uribe (ou pelos EUA?) para a continuidade da dominação do Titio Sam na Colômbia e o independente Antanas Mockus vão se enfrentar, em segundo turno, pela Presidência da Colômbia, previsto para 20 de junho próximo. O “Uribinho” (lembra urubu, não lembra?) obteve 46,6% dos votos, e Mockus (mouco aos apelos ianques?) conseguiu apenas 21,5%,  com 99,09% dos votos apurados.

Este resultado indica a eleição tranquila do “Uribinho” e confirma a força dos ianques em seu último reduto neo-colonial no continente. Mesmo porque, em todos os lugares do mundo, as esquerdas nunca foram capazes de se unir… Sequer conseguem morrer abraçados.

Mas, o quinto de votos dados ao Mockus, pelo menos, mostra que uma boa parte dos colombianos querem uma saída que não seja o abraço-de-urso do Titio ou a solução armada (revolucionária ou reacionária).

Vamos esperar pra ver…

sexta-feira, 4 junho, 2010 Posted by | Comentário | , , | Deixe um comentário

Colômbia: se ficar o bicho pega, se correr o bicho come.

Domingo, 28 de maio, os colombianos estarão iniciando a escolha de um novo presidente, repetindo a novela democrática que para eles tem tido sempre o mesmo fim: dominação externa, conflito armado interno, pobreza e desigualdades sociais profundas, sem horizonte de solução próximo.

Com a terceira maior população do continente sul-americano, concentrada na capital Bogotá (6,9 milhões) e Medellín (2 milhões), é devastada a anos por lutas intestinas entre os guerrilheiros das FARC’s, as forças militares do Estado e  o  Exército de Libertação Nacional – ELN (com cerca de 4 mil membros), formada por paramilitares de ultradireita que dizem terem-se desmobilizados em 2006. É uma situação bélica com reflexos políticos avassaladores: de um lado, as FARC’s, guerrilha de esquerda que se iniciou há décadas, envolveu-se com o tráfico de drogas para sobreviver e tornou-se um fim em si mesma; do outro, a ultradireita, organizada no ELN, defendendo o status quo da dominação histórica das elites; e no meio, (ou melhor, do meio pra direita), o Estado colombiano, vassalo dos ianques no continente e mantido como ponta-de-lança do Tio Sam para “impedir o comunismo” e “combater o tráfico de drogas” na região. Enfim, uma situação em que qualquer das alternativas significa a continuidade das desigualdades e da dominação dos pobres (geralmente indígenas ou mestiços) e que representam nada mais, nada menos, que 64 línguas autóctones.

Neste cenário, enquanto os guerrilheiros de esquerda estimulam e lucram com a produção e tráfico de cocaína, o Estado proíbe a produção de coca (que é muito lucrativa) pelos camponeses, sem colocar no lugar outra atividade legal e compensadora. E pelas bordas, a ultradireita paramilitar caça os “comunistas”, tentando complementar a limpeza pretendida pelos ianques. Claro, a imprensa conservadora do continente sempre destacou as operações ilegais das FARC’s (e que são verdadeiras), mas apresentam o títere norte-americano Uribe como salvador da pátria e omite a existência da guerrilha de direita. O inverso do que fazem em relação ao caudilho Hugo Chávez e os demais presidentes de centro-esquerda que surgiram no cenário político regional.

E o povão colombiano, como fica?

Domingo, terão de escolher entre 9 candidatos (pasmem!):

1. Juan Manuel Santos, de 58 anos, governista e que bombardeou pretensos acampamentos das FARC’s em território equatoriano. Foi Ministro da Defesa de Uribe, além de Ministro da Fazenda  e de Comércio Exterior e tem como plataforma eleitoral o combate às FARC’s e o estímulo a investimentos estrangeiros. Sendo originário da classe dos altos proprietários da imprensa da capital e com essa plataforma, o que vai mudar?

2. Antana Mockus, de 58 anos, candidado pelo Partido Verde, parece ser o Gabeira das bandas de lá: matemático e filósofo, baixou as calças ante um auditório de estudantes que o vaiavam, apresenta preocupações ambientais e ficou popular quando governou a capital. Prega “legalidade, transparência e educação” (tudo que falta na Colômbia), mas terá cacife pra se eleger e, se eleito, força política para implantar as mudanças?

3. Noemí Sanín, 60 anos, candidata do Partido Conservador, é pau-mandado de Uribe e apenas complementa a estratégia dele para eleger Santos. Está prometendo até se reaproximar de Chávez (imaginem!).

4. Rafael Pardo, economista de 56 anos, é candidato do opositor Partido Liberal (liberais se opondo a liberais?) e promete justiça social. Nada de novo no front camuflado da dominação capitalista.

5. Gustavo Petro, ex- guerrilheiro e economista, 50 anos, candidato do partido de esquerda Polo Democrático Alternativo. Promete um governo de cunho social sem afetar a propriedade privada (quer dizer, fazer omelete sem quebrar os ovos).

6. Germán Vargas, de 48 anos, do reacionário Partido Mudança Radical, promete melhorar a gestão de Uribe em segurança cidadã e enfatizar o social (ou tudo como antes no quartel de Abrantes).

7. Jaime Araújo da Aliança Social Afro-Colombiana parece ser daquelas tendências étnico-culturais festivas e inoperantes daqui.

8. Jairo Calderón da Abertura Liberal, mostra no nome da sigla o que tem em mente (nada de bom pro povão).

9. Róbinson Devia pela A voz da consciência, deve ser mais uma daquelas candidaturas panfletária e sem consistência, que não enganam ninguém.

Amigos, em síntese: apesar de um pouco de crédito ao Mockus (sem arriar as calças pro Tio Sam, claro!) acho que, em síntese, o povo colombiano permencerá mais uma vez no dilema histórico: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come… Que os deuses indígenas os iluminem, irmãos colombianos.

sábado, 29 maio, 2010 Posted by | Comentário | , , | 2 Comentários