Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Necessidade energética x Radicalismo ambiental

De há muito, tenho abordado o xiitismo ambiental de correntes ecológicas nacionais, que teimam em ignorar o óbvio: a nação precisa de energia e tem-se que, à medida do possível e a médio prazo, reforçar a nossa matriz energética baseada nas águas, nos ventos e no sol. E embora a nossa matriz seja uma das mais ambientalmente adequadas do mundo,  estes xiitas ambientais teimam em dificultar as iniciativas hidrelétricas governamentais, com base em discursos sobre a defesa dos territórios a serem inundados e das populações a serem removidas. Bem: a energia é indispensável (e todos culparão o governo quando ela faltar) e os impactos ambientais existem (em maior ou menos escala) em todas as soluções imagináveis. Além disso, a energia eólica (dos ventos) tecnologicamente ainda não está bem desenvolvida, é cara e não tem escala para o atendimento demandado pelo consumo. A energia solar caminha pelas mesmas limitações e ambas exigem ainda investimentos para os seus desenvolvimentos e usos futuros. Resta então, a opção das águas, e esta tem sido o grande calvário governamental: embora se disponha a resgatar e desenvolver as populações atingidas (incluindo recursos para tal nos projetos originais), os freios do xiitismo (muitas vezes alimentando vaidades políticas pessoais) continuam impedindo as iniciativas de grande porte. Não sou um especialista no tema, mas sou informado o suficiente para enxergar que, entre a irresponsabilidade governamental histórica na construção e usinas hidrelétricas e o panfletarismo ecológico contemporâneo dos radicais, corre-se o risco de não se conseguir uma solução inteligente para a questão energética.

A matéria abaixo é bastante lúcida, neste contexto problemático…

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Participei essa semana, como moderador, do seminário promovido pela “Carta Capital”, no Rio de Janeiro. A revista conseguiu reunir, em dois dias de “Diálogos Capitais”, todos os presidentes do BNDES dos oito anos de governo Lula: Guido Mantega (que continuará como ministro da Fazenda), Luciano Coutinho (que também seguirá à frente do banco com Dilma), Carlos Lessa (professor da UFRJ) e Demian Fiocca (hoje, de volta à iniciativa privada).
Os dois últimos participaram de uma interessantíssima mesa sobre a Geração de Energia no Brasil. Lessa deu um show. Frases curtas, cortantes. Misturou informação e humor. “Uma das coisas mais imbecis do Planeta é expandir a geração de energia com termoelétricas, quando temos esse potencial hidrelétrico magnífico”, desferiu.
Foi um comentário aos números mostrados pouco antes por Wilson Ferreira Junior, presidente da CPFL (empresa geradora de energia em São Paulo). Wilson indicou que o Brasil deve entrar na segunda década do século XXI em situação razoavelmente “confortável” no que tange à geração de energia: com as novas usinas já contratadas ou em construção, o país tem energia “sobrando” nos próximos dez anos.
Mas Wilson mostrou também que o Brasil – por força dos (necessários) cuidados ambientais – tem feito uma escolha no mínimo estranha na hora de construir hidrelétricas: opta por usinas sem grandes reservatórios, que operam no sistema do “fio d´água”. Isso evita os impactos ambientais das grandes áreas alagadas; mas em contrapartida reduz a capacidade de geração das usinas.
E o que o Brasil faz para compensar hidrelétricas que produzem menos energia do que poderiam? Constrói termoelétricas!!! Que liberam para a atmosfera toneladas de carbono!
Hum…
Entenderam a lógica? Evita-se o impacto ambiental dos reservatórios, e amplia-se o impacto do carbono na atmosfera. Uma escolha “imbecil” – na definição do professor Carlos Lessa.
Lessa também arrancou gargalhadas da platéia ao definir a Petrobrás como uma empresa “quase” nossa. Defendeu que o governo brasileiro use parte das reservas em dólar acumuladas nos últimos anos para recomprar ações da estatal que hoje estão pulverizadas no mercado de Nova York.
Miguel Rosseto, que hoje preside a Petrobras Bio Combustíveis, anunciou as inovações tecnológicas que, em breve, podem aumentar a produção do combustível obtido do bagaço de cana. Lessa saudou a novidade, mas como velho nacionalista alertou o país para uma onda pouco noticiada: a compra de terras por estrangeiros que enxergam no Brasil o melhor lugar do Planeta para produzir combustível a partir da cana.
Lessa disse que os brasileiros precisam lançar uma campanha popular para impedir a compra de terras pelos estrangeiros. “Será uma nova batalha de Guararapes!”
Demian Fiocca fez uma exposição técnica e reveladora. Mostrou como é impossível evitar danos ambientais – no curto prazo – contando apenas com o crescimento das chamadas “energias alternativas” (eólica, biomassa etc). A oferta desse tipo de energia no Planeta é de cerca de 1% do total. Contra 60% a 70% de energia produzida a partir de combustíveis fósseis (que liberam carbono para atmosfera). Por isso, lembrou Demian, se o Planeta quer mesmo reduzir a emissão de carbono, precisa apostar no tripé energia nuclear-hidrelétrica-energias alternativas, que juntas hoje representam cerca de 20% da oferta total no Mundo.
“Mesmo se multiplicássemos por cinco o uso das energias alternativas, atingiríamos só 5% do total. Parece mais realista apostar na ampliação desse somatório de energias nuclear-hidrelétrica-alternativas; se dobrarmos a oferta delas, teríamos 40% do total, com um impacto decisivo sobre a emissão de carbono”, disse Demian.
O economista (o mais jovem dos quatro que recentemente ocuparam a presidência do BNDES) lembrou que – assim como os setores produtivos precisam rever conceitos e levar em conta as preocupações ambientais – o movimento ambientalista precisa trabalhar com novos parâmetros, mais realistas, se quisermos reduzir o impacto do aquecimento global.
E aí voltamos às termoelétricas…
Ambientalistas, ao fazerem oposição cerrada às hidrelétricas com grandes reservatórios, acabam levando o país a ampliar a geração por termoelétricas. Difícil não concordar (atenção ambientalistas e leitores em geral: sintam-se à vontade, sim, para discordar e criticar; seria legal travar um debate nessa área) com o professor Carlos Lessa: parece uma opção “imbecil”, num país em que o potencial hidrelétrico inexplorado ainda é gigantesco.
Tão gigantesco como o sistema de transmissão de energia que o país soube consolidar. Wilson Ferreira Junior apresentou um dado impressionante: a rede de transmissão de energia brasileira que corta o país do sul até à Amazônia, se estivesse na Europa e fosse transposta para um eixo imaginário leste-oeste, teria cumprimento suficiente para unir Lisboa a Moscou!
Isso mesmo. O Brasil construiu um sistema de transmissão que seria suficiente para unir Portugal à Rússia. O Brasil inventou tecnologia para tirar petróleo de águas profundas- levando à descoberta do Pré-Sal, que pode ser a terceira maior reserva de Petróleo do mundo. O Brasil criou técnicas inovadoras para produzir combustível renovável a partir da cana e de outros vegetais.
Tudo isso, mais o gigantismo hidrelétrico do país, leva à conclusão de que seremos das poucas nações do Planeta a ter energia “sobrando” nas próximas décadas. O que fazer com essa riqueza? Vamos armazenar e processar essa energia no ritmo que interessa a uma nação independente? Ou vamos nos render às necessidades da (ainda) maior potência do Planeta – que quer “beber” nosso petróleo em estado bruto, como bem definiu o professor Lessa.
Lá pelo fim do seminário, o experiente (e debochado) economista carioca olhou para esse humilde mediador e entre dentes concluiu: “esse é o grande debate que interessa ao Brasil, debate que não se fez na merda da campanha eleitoral”.
De novo, difícil discordar de Carlos Lessa!

segunda-feira, 13 dezembro, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , | Deixe um comentário

Meio ambiente: Energia limpa por uma cabeça iluminada…

Me é sempre prazeiroso postar aqui tecnologias novas ambientalmente adequadas, economicamente viáveis e socialmente includentes. E se essas tecnologias envolvem profissionais brasileiros, o prazer é maior ainda, pois deixa uma perspectiva de autonomia tecnológica neste mundo globalizado em que, geralmente, nos tornamos consumidores escravos. Além do mais, quando o Estado apoia estas tecnologias, renovo minhas esperanças na construção de políticas públicas democráticas, emancipadoras e voltadas para o bem estar coletivo. E o que repasso abaixo enquadra-se perfeitamente neste meu perfil de blogueiro que busca ser responsável.

Imaginem, um poste de iluminação pública alimentado permanentemente por energia limpa! Imaginem as ruas de uma cidade iluminadas permenentemente por energia limpa! Que contribuição para um país extenso como o nosso e que tem um imenso território onde a luz elétrica sequer está presente (ou existe, mas através de geradores altamente poluentes e que consomem combustíveis fósseis)!

Claro que a consolidação de uma idéia como esta carece não somente de tecnologia e apoio, mas também de educação cidadã que impeça a vandalização dos sistemas em funcionamento. Mas isso é outra história, a criatividade e a esperança de um mundo melhor e sustentável se renova a cada iniciativa como esta…

Leiam e espalhem a esperança…

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Publicada em 28.03.2010

Energia elétrica

Cem por cento limpeza

Por GEVAN OLIVEIRA
Empresário cearense desenvolve o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energia eólica e solar

Não tem mais volta. As tecnologias limpas – aquelas que não queimam combustível fóssil – serão o futuro do planeta quando o assunto for geração de energia elétrica. E, nessa onda, a produção eólica e solar sai na frente, representando importantes fatias na matriz energética de vários países europeus, como Espanha, Alemanha e Portugal, além dos Estados Unidos. Também está na dianteira quem conseguiu vislumbrar essa realidade, quando havia apenas teorias, e preparou-se para produzir energia sem agredir o meio ambiente. No Ceará, um dos locais no mundo com maior potencial energético (limpo), um ‘cabeça chata’ pretende mostrar que o estado, além de abençoado pela natureza, é capaz de desenvolver tecnologia de ponta.

O professor Pardal cearense é o engenheiro mecânico Fernandes Ximenes, proprietário da Gram-Eollic, empresa que lançou no mercado o primeiro poste de iluminação pública 100% alimentado por energias eólica e solar. Com modelos de 12 e 18 metros de altura (feitos em aço), o que mais chama a atenção no invento, tecnicamente denominado de Produtor Independente de Energia (PIE), é a presença de um avião no topo do poste.

Feito em fibra de carbono e alumínio especial – mesmo material usado em aeronaves comerciais –, a peça tem três metros de comprimento e, na realidade, é a peça-chave do poste híbrido. Ximenes diz que o formato de avião não foi escolhido por acaso. A escolha se deve à sua aerodinâmica, que facilita a captura de raios solares e de vento. “Além disso, em forma de avião, o poste fica mais seguro. São duas fontes de energia alimentando-se ao mesmo tempo, podendo ser instalado em qualquer região e localidade do Brasil e do mundo”, esclarece.

Tecnicamente, as asas do avião abrigam células solares que captam raios ultravioletas e infravermelhos por meio do silício (elemento químico que é o principal componente do vidro, cimento, cerâmica, da maioria dos componentes semicondutores e dos silicones), transformando-os em energia elétrica (até 400 watts), que é armazenada em uma bateria afixada alguns metros abaixo. Cumprindo a mesma tarefa de gerar energia, estão as hélices do avião. Assim como as naceles (pás) dos grandes cata-ventos espalhados pelo litoral cearense, a energia (até 1.000 watts) é gerada a partir do giro dessas pás.

Cada poste é capaz de abastecer outros três ao mesmo o tempo. Ou seja, um poste com um “avião” – na verdade um gerador – é capaz de produzir energia para outros dois sem gerador e com seis lâmpadas LEDs (mais eficientes e mais ecológicas, uma vez que não utilizam mercúrio, como as fluorescentes compactas) de 50.000 horas de vida útil dia e noite (cerca de 50 vezes mais que as lâmpadas em operação atualmente; quanto à luminosidade, as LEDs são oito vezes mais potentes que as convencionais). A captação (da luz e do vento) pelo avião é feita em um eixo com giro de 360 graus, de acordo com a direção do vento.

À prova de apagão

Por meio dessas duas fontes, funcionando paralelamente, o poste tem autonomia de até sete dias, ou seja, é à prova de apagão. Ximenes brinca dizendo que sua tecnologia é mais resistente que o homem: “As baterias do poste híbrido têm autonomia para 70 horas, ou seja, se faltarem vento e sol 70 horas, ou sete noites seguidas, as lâmpadas continuarão ligadas, enquanto a humanidade seria extinta porque não se consegue viver sete dias sem a luz solar”.

O inventor explica que a ideia nasceu em 2001, durante o apagão. Naquela época, suas pesquisas mostraram que era possível oferecer alternativas ao caos energético. Ele conta que a caminhada foi difícil, em função da falta de incentivo – o trabalho foi desenvolvido com recursos próprios. Além disso, teve que superar o pessimismo de quem não acreditava que fosse possível desenvolver o invento. “Algumas pessoas acham que só copiamos e adaptamos descobertas de outros. Nossa tecnologia, no entanto, prova que esse pensamento está errado. Somos, sim, capazes de planejar, executar e levar ao mercado um produto feito 100% no Ceará. Precisamos, na verdade, é de pessoas que acreditem em nosso potencial”, diz.

Mas esse não parece ser um problema para o inventor. Ele até arranjou um padrinho forte, que apostou na ideia: o governo do estado. O projeto, gestado durante sete anos, pode ser visto no Palácio Iracema, onde passa por testes. De acordo com Ximenes, nos próximos meses deve haver um entendimento entre as partes. Sua intenção é colocar a descoberta em praças, avenidas e rodovias.

O empresário garante que só há benefícios econômicos para o (possível) investidor. Mesmo não divulgando o valor necessário à instalação do equipamento, Ximenes afirma que a economia é de cerca de R$ 21.000 por quilômetro/mês, considerando-se a fatura cheia da energia elétrica. Além disso, o custo de instalação de cada poste é cerca de 10% menor que o convencional, isso porque economiza transmissão, subestação e cabeamento. A alternativa teria, também, um forte impacto no consumo da iluminação pública, que atualmente representa 7% da energia no estado. “Com os novos postes, esse consumo passaria para próximo de 3%”, garante, ressaltando que, além das vantagens econômicas, existe ainda o apelo ambiental. “Uma vez que não haverá contaminação do solo, nem refugo de materiais radioativos, não há impacto ambiental”, finaliza Fernandes Ximenes.
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A reportagem é mais longa e interessante. Quem desejar saber mais acesse o link

http://www.fiec.org.br/portalv2/sites/revista/home.php?st=interna2&conteudo_id=35404

quinta-feira, 27 maio, 2010 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 4 Comentários