Livre pensar é só pensar!

Para não desligar os neurônios

Sobre o menos que vale mais…

A Era Detox

Modelo da sociedade de consumo, associado ao capitalismo predatório, é sinônimo de esbanjamento irresponsável. Agora é a hora da “sociedade do desconsumo”.

13/11/2017 00:53

Reprodução

Por Ignacio Ramonet *

O fenômeno está se espalhando. Nas sociedades desenvolvidas, um número cada vez maior de cidadãos considera mudar seus hábitos de consumo. Não só os hábitos alimentares, individualizados a tal ponto que é praticamente impossível reunir oito pessoas em torno de uma mesa para comer o mesmo menu. Mas o consumo em geral: a vestimenta, a decoração, a limpeza, os eletrodomésticos, os fetiches culturais (livros, DVDs, CDs) etc.

Todas aquelas coisas que até pouco tempo se acumulavam nas nossas casas como sinais mais ou menos medíocres de ascensão social e de opulência (e até certo ponto, de identidade), agora sentimos que nos asfixiam. A nova tendência é a da redução, do desprendimento, do desapego, da supressão e da eliminação… Resumindo, a desintoxicação. O detox, pois.

Começa a entrar em decadência a sociedade de consumo – estabelecida entre os anos 1960 e 1970 – e entramos no que pode ser chamado de “a sociedade do “desconsumo”.

Pode-se argumentar que as necessidades vitais de consumo continuam imensas em muitos dos países em desenvolvimento ou nas áreas de pobreza do mundo desenvolvido. Mas essa realidade indiscutível não deve impedir que enxerguemos este movimento de “desconsumo” que se expande com mais intensidade.

Por outro lado, um estudo recente realizado no Reino Unido, indica que desde o início da Revolução Industrial, as famílias acumulavam bens materiais em suas casas conforme seus recursos aumentavam.

O número de objetos acumulados traduzia o seu padrão de vida e o seu status social. Foi assim até 2011. Nesse ano, se alcançou o que poderíamos chamar de peak stuff (pico dos objetos). Desde então, o número de objetos possuídos não para de ser reduzido. E essa curva, em forma de Curva de Gauss (com aumento exponencial enquanto sobe o nível de vida e que em seguida, depois de um período de estabilização, decresce nas mesmas proporções), funciona como uma lei geral. Hoje isso pode ser observado nos países desenvolvidos (e nas zonas mais ricas do Sul), mas amanhã também estará refletido inevitavelmente nos países em desenvolvimento (China, Índia, Brasil).

A tomada de consciência ecológica, a preocupação com o meio ambiente, o medo da mudança climática e, em particular, a crise econômica de 2008 que abateu os países ricos com tanta violência, sem dúvida influenciaram nesta nova “austeridade zen”. Desde então, foram divulgados nas redes sociais muitos casos de detox anticonsumista. Por exemplo, o de Joshua Becker, um estadounidense que decidiu, junto com a sua esposa, há nove anos, reduzir drasticamente o número de bens materiais que possuíam, para viver melhor e alcançar a paz interior.

Nos seus livros (“Living with Less” e “The more of Less”) e no blog “Becoming minimalist”, Becker conta: “Tiramos a desordem da nossa casa e da nossa vida. Em uma viagem descobrimos que a abundância consiste em ter menos”. E afirma que “as melhores coisas da vida não são coisas”.

Ainda que não seja fácil se desintoxicar do consumo e se converter ao minimalismo: “Comece pouco a pouco – aconselha Joshua Fields Millburn, que escreve no blog TheMinimalists.com – tente se desprender de uma coisa só durante 30 dias, começando por objetos mais simples de eliminar. Se desfaça das coisas óbvias. Começando pelas quais claramente não necessita: as xícaras que nunca usa, esse presente horrendo que recebeu etc”.

Outro famoso caso de desapego voluntário é o de Rob Greenfield, um norte-americano de 30 anos, protagonista da série “Free Ride” (Discovery Channel) que, sob o lema “menos é mais”, se desfez de todos os seus pertences, inclusive de sua casa. E anda pelo mundo com apenas 111 posses (incluindo a escova de dentes). Ou o da desenhadora canadense Sarah Lazarovic, que passou um ano sem comprar nenhuma roupa e que a cada vez que desejava fazê-lo, desenhava a peça em questão. Resultado: um bonito livro de esboços intitulado: “A Bunch of Pretty Things I Did Not Buy” (“Um Monte de Coisas Bonitas que eu não comprei” – ainda não publicado em português). Há também o exemplo de Courtney Carver, que propõe em seu site Project 333 um desafio de baixo orçamento, convidando seus leitores a se vestirem com apenas 33 peças de roupa durante três meses.

Nessa mesma linha, está o caso da blogueira e youtuber francesa Laeticia Birbes, de 33 anos, que ficou famosa pelo desafio de nunca mais voltar a comprar roupa. “Eu era uma consumidora compulsiva. Vítima das promoções, das tendências, da tirania da moda – diz –. Em alguns dias, eu chegava a gastar quinhentos euros em roupa… Quando tinha problemas com o meu namorado ou com as provas, comprava roupa. Cheguei a representar totalmente o discurso publicitário: confundia sentimentos e produtos”. Até que um dia decidiu esvaziar os seus armários e doar tudo. Se sentiu livre e leve; se libertou de uma grande carga emocional: “Agora vivo com dois vestidos, três calcinhas e um par de meias”. E realiza conferências em toda a França para ensinar a disciplina do “lixo zero” e do consumo minimalista.

O consumismo é consumir consumo. É uma conduta impulsiva em que não importa o que se compra, importa comprar. Na verdade, vivemos na sociedade do desperdício, desperdiçamos abundantemente. Diante dessa aberração o consumo minimalista é um movimento mundial que propõe comprar somente o necessário. O exercício é simples: temos que observar as coisas que temos em casa e determinar quais são as que realmente usamos. O resto é acumulação, veneno.

Duas jornalistas argentinas, Evangelina Himitian e Soledad Vallejos, passaram da teoria à prática. Depois de terem vivido como milhões de consumidores acumulando sem nenhum critério, decidiram questionar sua própria conduta. É evidente que compravam por outros motivos, não por necessidade. E impuseram a si mesmas ficar um ano sem consumir nada que não fosse absolutamente indispensável e contaram esta experiência com grande talento.

Não se trata somente de não consumir, mas de desintoxicar, de liberar o corpo do consumo acumulado. As duas jornalistas começaram impondo uma disciplina detox: cada uma tinha que tirar de casa dez objetos por dia, durante quatro meses: foram 1.200 no total.

Tiveram que descartar, doar, desapegar… Como uma espécie de purgação, passaram a deixar de consumir. “Nos últimos cinco anos – contam Evangelina e Soledad –, a luz da consciência coletiva sobre o modo de consumo foi acesa no mundo inteiro. É também uma estratégia para expor os pontos cegos do sistema econômico capitalista. Ainda que soe pretensioso, é exatamente isso: o capitalismo se apoia na necessidade de fabricar necessidades. E para cada necessidade, cria um produto. Isto é especialmente certo nos países com economias desenvolvidas, onde os índices oficiais medem a qualidade de vida de acordo com a capacidade de consumo…”.

Essa aversão ao consumo cada vez mais universal também alcança o universo digital.

Está ressurgindo o que poderíamos chamar de “detox digital”, que consiste em abandonar as redes sociais por um tempo e por motivos diferentes. Está se ampliando o movimento dos “ex-conectados” ou “desconectados”, uma nova tribo urbana composta por pessoas que decidiram virar as costas para a internet e viver off-line, fora de linha. Não têm WhatsApp, não querem ouvir falar do Twitter, não usam Telegram, odeiam o Facebook, não simpatizam com o Instagram, e não há nenhum rastro delas na internet.

Algumas não tem nem sequer uma conta de email e os que têm, abrem só de vez em quando… Enric Puig Punyet, de 36 anos, doutor em Filosofia, professor e escritor, é um dos novos ex-conectados. Ele escreveu um livro em que reúne casos reais de pessoas que, ansiosas por recuperar o contato direto com os demais e consigo mesmas, decidiram se desconectar. “A internet participativa que, majoritariamente, é a modalidade que estamos vivendo, busca nossa dependência – explica Enric Puig Punyet. Por se tratar, quase em totalidade, de plataformas vazias que se alimentam do nosso conteúdo, interessa que estejamos conectados todo o tempo. Esta dinâmica é facilitada pelos telefones ‘inteligentes’ que fazem com que estejamos constantemente disponíveis e nutrindo a Rede. Este estado de hiperconexão acarreta problemas que estamos começando a ver: diminui nossa capacidade de atenção, de pensar em profundidade e inclusive a nossa capacidade de socialização. Grande parte do atrativo das tecnologias digitais é desenhado por companhias que desejam nosso consumo e nossa conexão contínua, como acontece com tantos outros âmbitos, porque é a base do consumismo. Qualquer ato de desconexão, total ou parcial, deve ser entendido como uma medida de resistência que visa compensar uma situação que se encontra em desequilíbrio”.

O direito à desconexão digital já existe na França. Em parte, surge como uma resposta aos múltiplos casos de burnout (esgotamento por excesso de trabalho) que aconteceram nos últimos anos como consequência da pressão psicológica no mundo do trabalho. Agora os trabalhadores franceses podem deixar de responder mensagens digitais quando não estão na jornada de trabalho.

A França se tornou pioneira nesse tipo de lei, mas ainda existem incógnitas sobre como ela será aplicada. A nova norma obriga as companhias com mais de 50 empregados a realizar negociações sobre o direito de estar off-line, ou seja, não responder emails ou mensagens digitais profissionais nas horas livres. No entanto, o texto não obriga a chegar a um acordo ou tampouco fixa algum prazo para as negociações. As empresas podem se limitar a elaborar uma guia de orientação sem a participação dos trabalhadores. Mas está colocada a necessidade do detox digital, de estar fora das redes e de tirar um descanso da Internet.

A sociedade de consumo, em todos os seus aspectos, deixou de seduzir. Intuitivamente, sabemos agora que esse modelo, associado ao capitalismo predatório, é sinônimo de esbanjamento irresponsável. Os objetos desnecessários nos asfixiam. E asfixiam o planeta. Algo que a Terra já não pode suportar. Porque os recursos estão se esgotando. E estão sendo contaminados. Até aqueles mais abundantes (água doce, ar, mares…). Diante da cegueira de muitos governos, é chegada a hora da ação coletiva dos cidadãos. Em defesa de um “desconsumo” radical. 

* Ignacio Ramonet é professor e jornalista espanhol. Atualmente, vive na França, onde foi diretor da revista “Le Monde Diplomatique”. É autor do livro “Fidel Castro: biografia a duas vozes” (Boitempo, 2006).

Tradução: Luiza Mançano

segunda-feira, 20 novembro, 2017 Posted by | Repassando... | , , , | Deixe um comentário

E por falar em jumento com iniciativa…

Viver ou Juntar Dinheiro?

Max Gehringer

Recebi uma mensagem muito interessante de um ouvinte da CBN e peço licença para lê-la na íntegra, porque ela nem precisa dos meus comentários.
Lá vai: “Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada: Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios. Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes.
Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisa… Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário.
Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária.
É claro que eu não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre.
Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual!
Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida”.
“Não eduque o seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz.
Assim, ele saberá o valor das coisas, não o seu preço.”
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PS: enviada pela navegante Mariceli Paraense (PA)

segunda-feira, 7 maio, 2012 Posted by | Repassando... | , | Deixe um comentário

Profissão de fé…

BLOGUE SOCIAL Darcy Ribeiro O povo brasileiroPrezados leitores,

Em virtude de certos spams moralmente aleijados que têm postado comentários reacionários em certos tópicos nossos, desejo pela última vez explicar que este blogue tem como finalidade dar espaços de informação e divulgação de idéias que permitam a formação de um intercâmbio cognitivo e construtivo à respeito das inúmeras questões da sociedade em que vivemos. Claro que priorizo aquelas que têm menos espaço na sociedade tradicional que está aí, exatamante porque  a dita cuja só permite em seus meios de informação aquilo que convêm ao sistema dominante (embora aqui ou ali vazem coisas por ela indesejadas) e eu ajo em contraposição a esta mesmice dogmática e intencional da dominação. Mas isso não quer dizer que esteja defendendo à ferro-e-fogo tudo que acontece em decorrência das informações, idéias e opiniões pessoais minhas e de outros, que publico. Apenas me exponho ao processo de contribuição social, gerando discussões (e às vezes polêmicas) que se desenvolvem paralelamente através dos comentários, o que acho tremendamente saudável quando feito em um clima de argumentos claros e respeitosos e quando cada  um considere as matérias desse blogue como mais uma informação para o seu pensar e decidir. Fica claro que não sou nem pretendo ser guru de ninguém, apenas um homem que busca inserir-se no seu tempo da melhor maneira que consegue para contribuir com seu ambiente. E que acredita, acima de tudo, na capacidade e no direito de cada um de informar-se e decidir livremente.

Nesse sentido, faço minhas as palavras do saudoso Darcy Ribeiro que, já praticamente morto e em seu último livro, escreveu:

“[…] Sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado, pelas causas que me comovem. Elas são muitas, demais: a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo em liberdade, a universidade necessária. Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa. Horrível seria ter ficado ao lado dos que venceram nessas batalhas (…) Portanto, não se iluda comigo, leitor. Além de antropólogo, sou homem de fé e de partido. Faço política e faço ciência movido por razões éticas e por um profundo patriotismo. Não procure, aqui, análise isenta. Este é um livro que quer ser participante (…), que aspira ajudar o Brasil a encontrar-se a si mesmo”.

Não tenho as mesmas circunstâncias de vida nem a grandeza desse intelectual maravilhoso, mas comungo profundamente com suas idéias e busco, da melhor maneira possível, praticá-las. Respeitando-me e respeitando vocês.

segunda-feira, 27 julho, 2009 Posted by | Comentário | , , , | Deixe um comentário

Sociedade e o terrorismo social como forma de dominação

blogue-fumante-att4070617121Um amigo mandou-me a imagem ao lado (de um fumódromo com uma pintura sugestiva no teto), com o seguinte comentário:

Aos amigos e amigas que ainda fumam…E pensam! Que não sobreviverão se deixarem! O contrário é uma possibilidade bem maior… eu deixei há trinta (30) anos.

Sei que o meu amigo é um defensor da vida e das boas causas, mas o seu recado levou-me a pensar na dimensão maior em que se situa a mensagem recebida: o terrorismo social que, consciente e/ou inconscientemente, é praticado cada vez mais na sociedade contemporânea.

Sem querer fazer apologia os tabagismo, tenho frouxos de riso diante do terrorismo social que se pratica cada vez mais contra os comportamentos sociais não-hegemônicos: fumo provoca isso, bebida provoca aquilo, ovo é veneno, plantas medicinais é coisa de índio, chocolate provoca obesidade, virgindade dá câncer, e por aí a fora! Decide-se pela lógica da dominação (adequando ao sistema e ao intercâmbio instituído, por imposição legal ou terrorismo social ideologicamente induzido), os direitos individuais e as subjetividades de cada um. Em síntese: temos o direito de expressão e escolha, desde que isso esteja de acordo com os valores hegemônicos.

O interessante é que não vejo tão expressiva pressão legal ou social, sobre as mortes por poluição industrial, por intoxicação por agrotóxicos, pelos fast-food e refrigerantes que matam, por desvios e roubos de recursos públicos da merenda escolar ou da saúde. Enfim, como os cidadãos são mais vulneráveis a pressões e a cooptação ideológica, fica mais fácil fomentar esse terrorismo social para aparentar eficiências do aparato da esfera pública instituída. Mas, como já disse em outras postagens, pratico ao extremo o meu direito de resistir a essa prática tão disseminada de dominação coletiva e defendo o direito de cada um exercer sua crítica sobre os fatos da vida e ser respeitado em suas decisões.

E como o meu amigo, achei muito criativa a imagem recebida, mas talvez pela minha postura pessoal, tenha ido além dela.Vou morrer? Claro, quem não vai? Já perdi vários amigos bem mais novos que eu e que se cuidavam muito: não fumavam, não bebiam, talvez não fizessem nem “aquilo”! E se foram, com menos de quarenta/cinquenta anos…

Ah! Em tempo: sou tabagista há 43 anos (três carteiras diárias), recebi há três dias o laudo radiológico do RX do Tórax que o meu médico solicitou e repasso, em primeira mão, os resultados a vocês:

– Ausência de condensações pleuro-parenquimatosas ativas;

– Diafragma convexo, seios costo e cardiofrênicos livres;

– Hilos, mediastino, coração e vasos da base de dimensões e configuração de acordo com os padrões de normalidade.

– Arcos costais analisados de aspecto radiológico normal.

Gostaram? Eu também gostei! Ainda não mostrei ao meu médico, mas pelo que li, posso continuar praticando o meu anarquismo anti-terrorista ainda por muito tempo: hay dominación? Soy contra! Quedo-me loco! Que vienga el tabaco!

sexta-feira, 24 abril, 2009 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 4 Comentários

Cristo e as nossas traições cotidianas

blogue-cristo-dali-cruz2O Cristianismo já existia há 600 anos, quando Maomé repassou sua mensagem aos habitantes do Oriente Médio e arrebanhou entre os cristãos adeptos descontentes com os rumos tomados pela Igreja Romana. E apesar do que se pensa hoje, as interpretações a respeito da figura de Cristo foram muitas nos primeiros tempos do Cristianismo e provocaram muitos confrontos violentos até que a atual visão tenha suprimido todas as outras. Pelo menos vinte posições diferentes à respeito existiam nos primeiros séculos, mas foram consideradas heréticas pela Igreja Romana que prevaleceu pela autoridade de Constantino, o imperador romano que a tornou a religião oficial do Estado romano.

A principal polêmica era entre tendências que consideravam Jesus apenas um espírito divino andando sobre a Terra (sem forma humana e sem enfrentar o calvário) e aquelas que consideravam Cristo apenas um admirável homem comum (não divino, mas com mensagens que mereciam ser ouvidas, respeitadas e praticadas). A Igreja Romana optou pragmaticamente pela terceira via, criando o dogma da Santíssima Trindade, onde Ele tornou-se Pai, Filho e Espírito, buscando um consenso que lhe permitisse a consolidação.

Os judeus, por serem monoteístas (acreditarem em um Deus único), consideravam Jesus como um ser humano que atingiu tal estatura moral que fora adotado por Deus (não gerado por Deus) e sacrificado para salvar a humanidade, representando um modelo ideal de comportamento humano.

Os cristãos acreditavam na acomodação ideológica do dogma da Santíssima Trindade, onde Deus, Seu Filho e o Espírito Santo formam um ser único.

Os árabes muçulmanos consideravam Cristo um modelo humano de ética e objeto de devoção, mas como um dos profetas de Deus entre os homens, havendo mais de trezentos provérbios e histórias na literatura muçulmana onde Jesus aprece como figura central.

Nesse cenário histórico, embora Jesus apresente-se de forma heterogênea (em face das especificidades ideológicas de cada cultura), ele sempre foi visto como uma autoridade incontestável: misericordioso, pregador do amor e do perdão, curador dos corpos e almas, praticante de um humanismo transcendental e coerente com os princípios religiosos de praticamente todas as religiões criadas pelas sociedades humanas.

E hoje, em plena relembrança do calvário e ressurreição dessa figura mística, gostaria de deixar uma mensagem pessoal: Cristo, pelo que representou e representa, transcende cultura e igrejas, e é profundamente lamentável ver que em seu nome, inúmeros conflitos e morticínios foram praticados e continuam sendo. As Cruzadas medievais, a Santa Inquisição, o conflito cotidiano entre católicos e protestantes, as guerras santas entre o Islã e os imperialistas católicos e protestantes, a luta política entre irlandeses protestantes e católicos, entre palestinos e judeus, são espelhos históricos nos quais podemos contemplar nossa imensa ignorância ética e moral e o nosso pragmatismo egocêntrico, que nada tem a ver com os conteúdos originais dos deuses e profetas. E Cristo, que foi sacrificado há dois mil anos por suas verdades humanísticas, continua sendo traído pelas práticas da cada um de nós, como se fôssemos Judas atávicos.

Seria bastante esperançoso se hoje, nesse sábado da Aleluia, entre uma cerveja e outra, entre um banho de praia e outro, entre uma e outra azaração, pensássemos na urgência de abolirmos os fanatismos intransponíveis entre religiões e doutrinas. Não apenas no discurso, mas na prática social diária.

Ignorar essa necessidade é trair aquele homem que tantos admiram mas que, em verdade, poucos seguem, em qualquer das religiões que o seu pensamento ajudou a construir.


Bibliografia Consultada

CESARÉIA, Eusébio de. História Eclesiástica. Rio de Janeiro, CPEAD, 2000.

JOHNSON, Paul. História do Cristianismo. Rio de Janeiro, Imago, 2001.

KHALIDI, Tarif (org.) O Jesus Muçulmano. Rio de Janeiro, Imago, 2001.

INCONTRI, Dora. O Cristo do Islã. São Paulo, FAPESP, sd,(resenha).

sábado, 11 abril, 2009 Posted by | Comentário | , , , , | Deixe um comentário

Presunção e comunicação nos tempos do Cólera

Talvez por estar muito envolvido na elaboração de um projeto (onde se usa terminologias técnico-científicas em demasia),  acordei hoje lembrando-me de um fato que presenciei em inícios da década de 2000: a presunção verborrágica dos “doutores” hermetizando a comunicação interpessoal. Era o tempo do Cólera (um surto da doença que atingiu toda a região amazônica e que virou manchete nacional) e eu estava em uma pequena comunidade ribeirinha no estuário do rio Amazonas onde, em termos de educação formal, o morador que tivesse concluído a quarta série do ensino fundamental sabia muito. E acompanhava o engenheiro sanitarista de uma ONG para apresentar à comunidade um pequeno aparelho que transformava o sal de cozinha (cloreto de sódio) dissolvido em água, em hipoclorito de sódio, para tratar a água do consumo doméstico naqueles tempos difíceis. Bem, caboclos reunidos no galpão comunitário, o engenheiro à frente, palestra rolando, até que uma pergunta rompeu o silêncio da platéia:

_ Dotô, como é que esse aparelhinho consegue transformar o sal no hipoclorito?
O engenheiro parou, empostou a voz como fazem os oradores, e mandou ver:
_Bem, tudo depende da reação eletrolítica do cloro ativo!…

Silêncio mortal… Todas as faces cristalizadas pelo constrangimento de não terem entendido e não desejarem passar por burros, declarando o não-entendimento. Como éramos velhos amigos de trabalho comum, pescarias e papos noturnos, muitos deles me olharam com aquelas caras limpidamente estarrecidas, silenciosamente pedindo socorro. Calei a raiva que sentia do palestrante (que também era meu amigo!) e fiz o gancho:

_ Cara, eu também não entendi!

E aí ele explicou, bem pacientemente, que o sal dissolvido, quando passava no aparelho, recebia um “choque elétrico” que liberava o hipoclorito que existia no sal de cozinha utilizado. Os rostos se desanuviaram e a palestra teve continuidade…

Lembrei hoje desse fato vivenciado e fiquei matutando (enquanto fazia café às quatro da matina), porque sempre cobrei três coisas daqueles que tiveram a oportunidade de estudar além da média brasileira: o compromisso social, o respeito ao conhecimento popular e a comunicação dialógica, facilitada pela linguagem coloquial e nivelada pela escolaridade do público mais representativo. E por agir assim, imaginem quantos conflitos já vivenciei…

Vocês já perceberam no dia-a-dia, que aqueles que estudaram além da média se portam, contraditoriamente, como senhores da verdade ou então como simples portadores de conhecimentos a compartilhar? Os primeiros, geralmente os mais despreparados (e que eu chamo pejorativamente de “doutores”), adoram esconder seus parcos conhecimentos sob o manto da escamoteação ou sob o hermetismo das palavras e dos conceitos, refugiando-se no diploma (eu estudei, sou formado!) quando flagrados em momentos de desconhecimento explícito. Os segundos, que eu chamo amorosamente de sábios, portam-se como pessoas comuns, sociáveis e de linguagem acessível, e geralmente não gostam de ser citados pelos seus diplomas. Se ainda não perceberam, procurem reparar esse fenômeno social que ocorre até mesmo entre os menos escolarizados: o inseguro presunçoso e o sábio compartilhador.

Vocês devem estar pensando nesse momento: porque esse cara resolve, em plena madrugada, escrever sobre sábios e “doutores”, comunicadores e herméticos, escamoteadores e dialógicos?

Explico…

Vivemos em um mundo que exige a ação transformadora do conhecimento e aqueles que tiveram a fortuna de freqüentar suficientemente os bancos escolares (embora muitos o tenham feito sem aproveitar suficientemente), têm a obrigação moral de contribuir para a ampliação do conhecimento humano, que se dá pelo compartilhamento cognitivo entre o saber formal e o saber tradicional. Mas, em geral, isso não ocorre. A maioria daqueles que são especializados em algo, conhecedores e estudiosos de algum tema específico, adotam a prepotente e dogmática atitude de sabe-tudo em meio a multidões que não sabem nada. Esses especialistas (“doutores”) esquecem que o conhecimento não é um ato unilateral, exige uma busca constante e coletivamente compartilhada de reflexão crítica sobre as coisas do mundo onde cada um, enquanto ser individual e ser coletivo, busca chegar ao fundo das coisas, a aproximações sucessivas da verdade. Daí, como disse o saudoso sábio Paulo Freire, ninguém aprende sozinho, os homens aprendem no cenário coletivo, onde cada um sabe algo sobre algo. Mas, para que isso possa ocorrer, torna-se necessária a comunicação interpessoal aberta e eficiente, coisa rara nas sociedades em que vivemos. Rara porque vivemos em sociedades de classes. Rara porque vivemos em sociedades nas quais o conhecimento deixou de ser um bem coletivo e passou a ser fonte de poder pessoal e moeda individual de troca. Rara porque há uma maioria de “doutores” gestados no ventre das culturas dominantes, através das quais cada um recebe condicionamentos para pensar de formas determinadas, aceitar sem crítica a interpretação de mundo do sistema de poder vigente e contribuir para a reprodução da cultura do silêncio. Essa cultura onde só “as elites do poder exercem o direito de eleger, de atuar, de mandar, sem a maioria da participação popular” (novamente a lucidez do Freire). E em assim sendo, esse silêncio subliminarmente imposto pela ideologia dominante, tira o direito de reflexão e voz daqueles que não têm poder econômico e/ou político e/ou saber formal. E nesse cenário, o dogmatismo e a linguagem inacessível dos especialistas atuam como instrumentos de dominação, soterrando a função social transformadora e humanizadora do saber na sociedade como um todo.

Talvez por isso os segmentos das classes favorecidas reclamem tanto do Bolsa-Família e do PRO-UNI, que viabilizam um maior acesso escolar aos pobres e a fuga das funções sociais ultrajantes mas necessárias (catadores de lixo,  garis,  trabalhos domésticos sub-remunerados, empregos informais, etc.), ao mesmo tempo que não comentam as gordas bolsas de mestrado e/ou doutorado que são destinadas aos seus filhos já privilegiados de nascença.

Mas, para felicidade geral da nação, ocorrem divergências socialmente saudáveis. Freire, Darcy Ribeiro, Ghandi, Marx, Engels e inúmeros outros, embora “bem nascidos”, romperam essa lógica social perversa. Igualmente, inúmeros indivíduos que atuam anonimamente, ultrapassaram esses condicionamentos. E graças aos compartilhamentos de conhecimentos entre esses sábios, anônimos dissidentes e as classes populares, elas, embora tratadas como se fossem coisas de uma massa ignara, pouco a pouco entendem os mecanismos de dominação dessa cultura do silêncio. E fundindo o seu saber tradicional às novas informações, criam paulatinamente suas formas de resistência à opressão e de participação (interativa ou contestadora) na construção de uma nova sociedade.

Caraca! E pensar que toda essa falação surgiu da história do hipoclorito! Mas, que tem muito a ver, ah! Isso tem! Uma sociedade justa passa pela sua humanização, onde homens e mulheres, independente de classe e etnia, possam ter acesso amplo às formas de chegar à consciência de si mesmo, desenvolver suas potencialidades de acordo com as necessidades próprias e dos demais. De superarem a situação histórica de instrumentos geradores de riqueza e tornarem-se atores sociais e dos próprios destinos.

E esses processos de mudanças, passam inevitavelmente pela superação de posturas tais como a da “reação eletrolítica do cloro ativo”.

sábado, 28 fevereiro, 2009 Posted by | Comentário | , , | 2 Comentários

O vício original e a iconoclastia oportunista…

Grosso modo, a espécie humana desenvolveu-se a partir de três vertentes principais: o ambiente natural, a violência e a cultura. Ao longo dos séculos, a violência permitiu-lhe defender-se dos perigos naturais e conquistar territórios coletivos específicos pelo ímpeto ofensivo, a tirania, o abuso de força e a opressão. Paralelamente a isso, formou cultura, o conjunto de padrões, instituições, crenças, valores e conhecimentos que lhe permitiu dominar o ambiente natural e consolidar o domínio territorial. Até aí, tudo aparentemente necessário. Numa ótica exageradamente etnocentrista, mas vá lá, aparentemente necessária. Ocorre que nesse processo evolucionário, dois vícios fundamentais (complementares, mas contraditórios entre si), agregaram-se a essas práticas humanas: as necessidades de construir e destruir culturas ao sabor dos oportunismos conjunturais. Não aquele construir/destruir necessário ao eterno vir-a-ser da espécie humana no planeta, mas o construir/destruir oportunista de cada cultura ou grupo cultural específico, em dado momento. Aquele construir/destruir justificado por mentira travestida de verdade para legitimar ações espúrias de certas sociedades ou grupos sociais contra os demais ou contra a Natureza e que John Kenneth Gailbraith conceituou como “máscara ideológica”. E este duplo e contraditório vício (e que me arvoro denominar de vício original), tem contaminado milenarmente a nossa existência no planeta. E só para ilustrar mais contemporaneamente este argumento, podemos relembrar que foi assim:

a) que as nações mais fortes criaram a necessidade de civilizar os “povos primitivos”, para dominá-los econômica e culturalmente, incluindo-se aí a escravatura;

b) que ao fim da última (ultima?) guerra mundial, a indústria bélica ianque, para justificar a produção de armas em tempos de paz, criou o mito do “confronto inevitável” entre a o Ocidente capitalista e a Rússia comunista;

c) que surgiu a necessidade da “modernização agrícola”, para justificar o aproveitamento dos projetos obsoletos dos tanques e das armas químicas na fabricação de tratores e agrotóxicos para uso agrícola;

d) que se perpetuaram as “pequenas guerras” nos países subdesenvolvidos, para consumir a sucata bélica dos países desenvolvidos;

e) que os EUA e a antiga URRS, no clima da Guerra Fria, apoiaram ditaduras sangrentas no mundo inteiro, em especial na África e na América do Sul, incluindo o Brasil com a “gloriosa” de 1964;

f) na Guerra do Iraque, quando o “vagabundo beberrão” falsamente acusou o Iraque de ter armas químicas para justificar a invasão americana;

g) que a grande indústria petrolífera vem protelando há algum tempo o desenvolvimento do automóvel elétrico, dos bio-combustíveis e da energia solar;

h) que os países desenvolvidos vêm protelando ações reais para eliminar a pobreza no mundo e para assumir suas (ir)responsabilidades ambientais.

Poder-se-ia continuar esta listagem indefinidamente, mas ficaria muito chato e repetitivo. Com certeza, cada um de vocês que está nos lendo, tem pelo menos mais um destes fatos para acrescentar.

Mas, sabem porque eu escrevi tudo isso?

No fundo, no fundo, eu apenas queria falar sobre a filha do vício original, a iconoclastia, aquela que destrói imagens, condena cultos, trucida ídolos, opiniões e tradições. Aquela filha que pode representar um papel social relevante (à medida em que destrói falsas coisas para permitir novas construções evolutivas), mas que na verdade tem sido usada como uma adolescente irresponsavelmente rebelde que tem prazer em destruir apenas para contestar os pais. E  assim esta jovem, cooptada pelo universo político, como os seus pais, tem desservido sistematicamente à espécie humana.

E aí sim, chegamos aonde queria chegar inicialmente (haja divagação histórica, não?): o movimento iconoclasta emergente e oportunista em relação ao presidente eleito Barack Obama, nos EUA. Não bastassem as inúmeras tentativas pré-eleitorais de associá-lo ao terrorismo muçulmano, ao uso de drogas na juventude, à formação cultural americana atípica, querem agora associá-lo ao governador pilantra que quis vender a vaga deixada por Obama no Senado. Será que nós já não vimos este filme, em produção nacional? Lembram-se de 2002, quando associaram o Lula à pretensa incapacidade gerencial dos pouco estudados? Lembram-se quando a oposição pitbull, durante a campanha, praticou terrorismo político ao associar o Lula e o PT ao socialismo fracassado e à conseqüente perda dos avanços conquistados pelo governo FHC? Lembram-se quando em cima de um fato escabroso e real, teimaram interminavelmente em associar o Lula aos descalabros dos “aloprados”? Pois é, lá como aqui, a fauna política não nega a triste trajetória humana alimentada pelo casal vício original e sua filha Iconoclasta. Uma família que poderia predominar no plano proativo, mas que nós promovemos a donos do reino da pilantragem.

Sei que fui bastante iconoclasta no meu comentário (e o sou, naturalmente!), mas espero estar sendo um iconoclasta responsável… Desculpem-me, se não consegui.

Pra relaxar, dêem uma olhadinha na reportagem sobre o Obama, onde sua ssessoria, ao invés de aplicar o seu tempo útil na busca de soluções para os inúmeros problemas atuais, desgasta-se no trabalho de comprovar as acusações dos iconoclastas oportunistas de plantão.

http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/mundo_eua_obama_blago

terça-feira, 16 dezembro, 2008 Posted by | Comentário | , , , , | 3 Comentários

Vestindo a roupa do outro…enfeitando o espírito de ambos.

BLOGUE GARI anomia11ptO Psicólogo Fernando Braga da Costa, da USP, para concretizar sua dissertação de Mestrado, disfarçou-se de gari e trabalhou como tal, dentro da própria Universidade de São Paulo, durante oito anos. E comprovou, na prática que nós vemos nos outros a função social de cada um, e não as suas respectivas individualidades. Ele deu recentemente uma entrevista ao jornalista Plínio Delphino, do Diário de São Paulo, que reproduzo abaixo. Em tempo: o material me foi repassado pelo amigo e colaborador Carlos Germer, de Santa Catarina. Leiam e reflitam, vale a pena.

PSICÓLOGO GARI

“A moral e os costumes que dão cor à vida, têm muito maior importância do que as leis, que são apenas umas das suas manifestações. A lei toca-nos por certos pontos, mas os costumes cercam-nos por todos os lados, e enchem a sociedade com o ar que respiramos.

“· Toda ação repetida gera hábito.
· O hábito muda o caráter.
· O caráter muda a existência.
· “Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível”

O Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da “invisibilidade pública”. Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social.

Fonte: Plinio Delphino,

Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são “seres invisíveis, sem nome”. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa. Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: Continue lendo

terça-feira, 13 maio, 2008 Posted by | Comentário, Repassando... | , , , , | 9 Comentários